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23.9.14

Oração



Papai do Céu, o Senhor sabe que não sou de pedir muito, apenas o que é justo, de acordo com meu esforço e dedicação. Assim gostaria de pedir que o Senhor providenciasse que fosse depositado em minha conta corrente:

R$ 100,00

* todas as vezes que não consigo completar a ligação.
* duas vezes isso quando cair em caixa postal.
* multiplique por 10 sempre que eu deixar recado e não retornarem.

R$ 1000,00

* quando desmarcarem um compromisso comigo em cima da hora.
* multiplica por 2 sempre que eu tiver que sorrir mesmo depois de esperar por atrasos de mais de 10 minutos.
* cem vezes esse valor quando mesmo depois de confirmarem eu levar o cano.

Amém!

8.8.13

Apego

APEGO

Ainda tenho muito que evoluir em termos de desapego. Por isso, considero que um dos dramas do capitalismo é que quando você finalmente encontra um produto que atende às suas necessidades num universo de ofertas de desnecessidades, variando em forma, cor, tamanho, sabor, quantidade e outras dimensões ainda não alcançadas pela compreensão humana, eles o retiram do mercado.

É incrível que uma espécie tão refratária a mudanças tenha tamanha fixação em novidades. Ou será que esta é mais uma inutilidade inventada pelos marqueteiros?
Só sei que depois de muita experimentação, muita reação alérgica, finalmente achei o que queria e precisava. Passei alguns voláteis anos em completa felicidade de consumidora até descobrir que a produção do meu item de estimação havia sido descontinuada.

Não sou a única. Leio que uma modelo também teve um pequeno surto de tristeza ao descobrir que seu perfume favorito, aquele que ela identificava como seu próprio cheiro, havia saído de linha. Ela diz que é estranha a idéia de não mais sentir um aroma, especialmente se sobre ele se controi sua memória olfativa. O marido dedicado fuçou até descobrir na internet um local que ainda tinha a essência disponível para a venda e arrematou o estoque. Também eu corri para a grande rede por socorro e garanti a sobrevivência da minha satisfação por algum tempo. Mas esse recurso é limitado. Hoje lido com o final do penúltimo pote do meu tesouro. O que será de mim?


O curioso é que, ao contrário da maioria das outras pessoas, aprecio mudanças, expansão de paradigmas, variações, fuga da rotina opressora, pensar fora da caixinha, mas a inovação por si só não me seduz. Talvez devessem cogitar manter os produtos antigos, paralelamente aos novos, atendendo assim aos anseios de pessoas como eu, fiéis aos seus gostos. Não aprenderam nada com o Polvilho Antisséptico Granado, o Leite de Rosas ou o sabonete Phebo? Será que faço parte de uma minoria tão pouco representativa? Será que fidelidade é mesmo artigo em extinção?

1.7.13

O QUE MUDOU


É quase padrão, nos raros momentos em que fujo da minha rotina gastronômica em busca dos sabores da infância, ficar me questionando se mudou a fórmula do doce ou se mudei eu. Acontece com produtos padronizados, como refrigerante que consumo muito esporadicamente. Tem tempo que fui me afastando dessas bebidas, mas em dada conjunção astral, tenho vontade de sorver a água negra do imperialismo. E é batata: decepção!

A princípio, pensei ser uma questão de embalagem. A garrafa de vidro manteria as propriedades de sabor que o alumínio e o pet não conseguiriam manter. E até funcionou relativamente. Era um prazer quando encontrava aquela garrafinha miúda, com chapinha, do tamanho certo da vontade, sem pesar muito na culpa de quem sapateia fora da dieta. Agora nem isso. Só desilusão. Não valem as numerosas calorias ingeridas.
 
Desde que comecei a fazer reeducação alimentar, fiquei mais consciente de certas propriedades de determinados alimentos. Nunca fui muito amiga de confeitos, salvo em caso de nostalgia infantil, como já disse. Sempre preferi os sabores salgados e picantes. Mas comecei a ficar atenta para a quantidade de gordura, principalmente a hidrogenada, e do sódio presente na comida industrializada. Optar por alimentos menos processados me levou a descobrir novos ingredientes e temperos e abriu novos horizontes para o meu paladar, longe do apelo ancestral e fácil do doce, do gordo e do salgado.

Por essas e outras fico cabreira quando falam, sempre em tom de elogio, que alguém não mudou nada, apesar de ter se tornado bem-sucedido, rico ou famoso... As pessoas podem manter valores familiares, o caráter. Elas podem continuar tratando com respeito e cortesia quem cresceu ao seu lado, quem ajudou a formar seu caráter. É lógico. Mas continuar o mesmo? Quem viaja pelo mundo, conhece outras gentes e outros costumes, experimenta outros cheiros e gostos, dá a cara a bater, toma porrada, faz e recebe um carinho especial, perde e ganha, lê sobre assuntos diversos... e permanece igual?
 
Por outro lado, o louvor a estagnação parece uma reprovação a quem procura novos caminhos. A desconfiança é ainda maior se o sujeito tem sucesso. Sabe-se lá se por que razão, há na alma de muita gente a crença de que só se dá bem quem é desonesto. Daí, talvez, eu veja por aí muita auto-sabotagem. Imagina: se alguém acredita que só quem é corrupto pode se desenvolver, então desenvolver-se é tornar-se corrupto, portanto deve-se permanecer onde está, como está. Mesmo que as condições não sejam as melhores. E, olha, há muitos vigias do êxito alheio, todos prontinhos para apontar dedos acusatórios. Até porque se o outro progrediu e eu não a culpa tem que ser dele ou terei que encarar certos fatos.

Enquanto isso, os ponteiros do relógio avançam e sei cada vez menos. Mas suspeito que a Coca-Cola continua igual.


16.4.13

Matéria no jornal O Dia sobre o Buzum do Samba

Já viu a matéria que saiu no jornal O Dia do último domingo sobre o Buzum do Samba?
Adorei!
Confira!

http://odia.ig.com.br/portal/rio/o-novo-itiner%C3%A1rio-do-samba-1.571886

Já está disponível o convite para o próximo Buzum do Samba.
Desta vez iremos visitar as vidas e os repertórios de Noel Rosa e Martinho da Vila, ou seja, vamos explorar o Feitiço da Vila.
Há várias promoções. Quem chegar primeiro leva a melhor.
Vai lá conferir!

http://www.facebook.com/events/189489201203899/

25.3.13

Matéria na Band sobre Buzum do Samba


Esta é a matéria sobre o meu projeto xodó: o Buzum do Samba!
O próximo Buzum sai no dia 07/04, domingo. Vamos para Vassouras, conhecer mais sobre os ritmos populares do Vale do Café.
Vem com a gente!
Informações (21) 9267-8980.

http://tinyurl.com/cwdwpu7

20.3.13

GROUP SELECT de faxina no Rio de Janeiro – não contrate!


ALERTA AOS CONSUMIDORES
 
GROUP SELECT de faxina no Rio de Janeiro – não contrate!

Ajude a divulgar para que outros não sejam prejudicados.

Comprei um pacote de 4 faxinas através do Groupon com o GROUP SELECT. Como é de costume, o pagamento foi feito pelo site adiantado, com cartão de crédito.

No dia 22/01/2013 eu tinha uma faxina agendada para minha casa. Ninguém apareceu. Tentei ligar o dia inteiro para a empresa, mas ninguém atendeu ao telefone. No meio da tarde, mandei uma mensagem via site, que foi respondida dizendo que iriam checar minhas informações e entrariam em contato. Ninguém entrou em contato. Dias depois, meu marido ligou para a SELECT e recebeu a mesma resposta. Finalmente, depois de muitas ligações, agendamos outra faxina para o dia 30/01/2013.

No dia 29/01/2013, me ligaram da Select para confirmar que no dia seguinte viria uma funcionária de vocês para prestar serviços de faxina. Ninguém apareceu. Liguei para empresa e depois de algum tempo me retornaram dizendo que enviariam uma funcionária no mesmo dia ainda. Eu disse que não queria pois o serviço teria que terminar impreterivelmente às 17h, mesmo que começasse às 11h e eu tinha contratado uma faxina de 8 horas. Agendei para o dia 22/02/2013.

A funcionária Tamara Merath apresentou-se para o serviço com uma hora de atraso. O mais grave foi ter quebrado a bancada de vidro do banheiro, causando enorme prejuízo.

Desde então, enviei um email relatando os fatos acima para a SELECT e outro para o Grupon. O intuito era cancelar a contratação dos serviços de faxina e ter de volta o valor pago por eles, além do reembolso pela substituição da bancada de vidro do meu banheiro.

O Groupon entrou imediatamente em contato e fez o reembolso do valor do serviço em forma de bônus para outros serviços contratados no site. Como clientes frequentes, ficamos satisfeitos.

Entretanto, a SELECT jamais retornou qualquer dos nossos contatos e não se dispôs a repor a bancada de vidro quebrada.

Desta forma, sinto-me no dever de alertar a todos para que jamais contratem o serviço dessa empresa. Ela não tem a menor consideração por seus clientes.

De qualquer forma, estamos buscando legalmente nossos direitos e confiamos que a Justiça vai obrigar esses empresários a nos reembolsar pelo prejuízo que tivemos, embora muito pouco possa ser feito para reparar o nosso aborrecimento com esta história.

Por favor, ajude a proteger outros cidadãos da ação dessa empresa: divulgue!

Agradecida.

Carla Cintia Conteiro

4.2.13

O Leva-e-Traz cultural do Buzum do Samba



Tem roda de samba, tem palestra, tem festa e ainda leva os passageiros a lugares onde o que chegou para ir e vir com música e cultura.ritmo brasileiro por excelência é rei. É o Buzum do Samba!

Nessas excursões-festas-eventos está o conceito que norteia o Buzum do Samba: promover o diálogo cultural Zona Norte-Zona Sul, Capital-Interior. O ônibus vai circular pelas ruas e estradas do Rio de Janeiro, num leva-e-traz cultural, que enriquecerá a alma tanto de quem nele embarca quanto daqueles que recebem sua visita. Esta caravana cultural irá beber na fonte das manifestações culturais mais autênticas do nosso estado, levando em troca informação cultural e música para estabelecer uma comunicação mais efetiva com outros núcleos de cultura popular. Tudo isso proporcionará a quem embarcar no Buzum do Samba e aos anfitriões uma experiência artístico-cultural rica e prazerosa.

Trata-se de um projeto inédito que faz a sua viagem inaugural no dia 24 de fevereiro. É quando o Buzum do Samba parte do Largo do Machado para depois da Central, visita sítios relacionados ao samba pela cidade e aporta no Centro Cultural Cartola, ao pé da verde e rosa, num dia inteiro de cultura e diversão. Tendo como tema o mestre mangueirense, as origens do samba e o samba de morro, essa primeira partida inclui uma visita ao Centro Cultural que leva seu nome, com direito a almoço e apresentações da Orquestra de violinos Cartola e do Samba de Benfica.

Essa é a apenas a primeira viagem. Já em março, o tema é Candeia, partido alto e jongo. Por isso, no dia 17, o Buzum do Samba parte cantando rumo ao GRANES Quilombo, a escola de samba fundada pelo homenageado e outros bambas em Fazenda Botafogo/Acari. Pelo caminho, muita informação, mordomia e diversão a bordo. Ao chegar, os buzungueiros vão saborear aquela feijoada, participar de oficina e roda de jongo e duas rodas de samba, uma da própria Comunidade da Quilombo e outra do Samba de Benfica.

Em 7 de abril, o destino é Vassouras. Lá os passageiros vão explorar as tradições populares do Vale do Café com visitas a locais relevantes da cultura afro-brasileira, com direito a Folia de Reis, sem contar com o sempre presente som do Samba de Benfica.

Ainda haverá duas partidas: uma para a Vila Isabel de Noel e outra para a Duas Barras de Martinho da Vila e do canto das lavadeiras. Em cada um dos pontos de chegada, os buzungueiros serão recebidos por agentes culturais locais.

Para saber mais:

(21) 9267-8980 / (21) 8872-7939





Patrocínio:







Apoio:

5.10.12

Mariene de Castro
 Muito prazer em conhecê-la



Fiquei admirada com o show da Mariene de Castro ontem no Imperator. Finalmente fui conferir sua performance ao vivo, depois de tantos links recebidos, de tantos elogios rasgados, de tanta admiração que causa em alguns dos meus amigos.

Velha conhecida de outros tempos, foi o primeiro show a que fui assistir naquela casa do Méier depois de sua reinauguração. Já me surpreendi quando me dei conta, ao comprar os ingressos no final de semana, que o espaço estava praticamente lotado. E ontem foi o que vi: casa cheia!

Mariene tem um público que canta as músicas de seu repertório a plenos pulmões. E não estou falando apenas dos clássicos que ela regravou, mas também de suas novas canções. As arquibancadas montadas pareceram inadequadas para um público que não se continha sentado, dançando como dava, com os braços levantados, batendo palmas, gingando nas cadeiras fazendo a estrutura balançar. Muitos se espremeram pelos cantos onde era possível ficar de pé para mexer o esqueleto mais livremente.
Ela não tem pudores de brilhar no palco, que domina e ocupa lindamente. Sua voz é poderosa e sua presença em cena é impressionante. Ela gesticula, gira, levanta a saia, balança a cabeleira, se lambuza de purpurina... Voltei pra casa com uma enorme vontade de também encher de pequenos pontos dourados meu pixaim.

A baiana é soberana quando canta a música de sua terra. Talvez o clima de adoração da platéia seja um tantinho exagerado, passando dos limites ao disparar os tradicionais elogios a cada pausa, gritando ao pé do palco para tocar a diva ao fim do espetáculo, admirando e emocionando a intérprete com aplausos de pé no meio do show. Mas é inegável seu carisma.

A questão é que vivemos uma época de remakes, de releituras. Tem sempre alguém que traz na manga a ideia de preencher um trono vazio com um novo nome. Assim, vemos Maria Rita regravando o repertório de Elis. Da mesma forma, Mariene canta Clara Nunes. Como ela mesma diz, sempre foi comparada com a mineira, mas sua influência na carreira da baiana é perceptivelmente menor do que podem fazer crer os elementos da religiões afro-brasileiras, o orgulho da carapinha e o charme que enverga. Embora entoe com dignidade o que a Guerreira cantou, percebe-se que não foi ali que seu talento foi forjado e se percebe uma leve insegurança. Já nos momentos em que abraça Caymmi, Edson Aluísio e Geraldo Pereira, sua estrela eclode.

Com participações de Diogo Nogueira e Arlindo Cruz, o público teve todas as oportunidades de se esparramar. Seja embalando os versos de “Meu Lugar” com Arlindo em pleno subúrbio, seja sacando centenas de câmeras para fotografar e filmar freneticamente a presença de Diogo. Foi enquanto esses astros estavam em cena que Mariene mostrou que possui uma qualidade rara nos dias que correm: a humildade. Foi uma beleza observá-la tocando prato à moda do Recôncavo, ali sentadinha e calada, para seus convidados sobressaírem-se.

Ainda faltar certa cancha à artista, especialmente para lidar com os excessos da platéia. Mas foi uma saída digna cantar o Hino do Nosso Senhor do Bonfim quando uma senhora perdeu a linha e começou a dar piti. E ficou mais bonito quando Toninho Gerais se levantou para prestar solidariedade a ela, na beira do palco onde se agachou para beijar a mão dele e abraçá-lo, cantando juntos.

Além da alegria de reencontrar o Imperator tinindo, uma nova estrela e alguns amigos e conhecidos, talvez o que melhor resuma a noite seja o comentário de meu acompanhante, Mr. R: “Acabamos de assistir a um show gospel, só que invés de evangélicos, quem veio foi o povo de santo.”

26.9.12

LUHLI É SHOW!



A letrista, compositora, violonista e percussionista LUHLI é homenageada no Rio de Janeiro por grandes nomes da música brasileira, no próximo dia 28 de setembro. Sua parceira LUCINA, JOYCE MORENO e MARIANNA LEPORACE (participação de Sheila Zagury) subirão ao palco para reverenciar a ruiva e seus 45 anos de carreira.

A artista, com músicas gravadas por Nana Caymmi, Joyce, Wanderléa, Tetê Espíndola, Rolando Boldrim, Zélia Duncan, Secos & Molhados e, principalmente, Ney Matogrosso (“O Vira”,“Fa
la”, “Pedra de Rio”, “Aqui e agora”, ”De Marte”, “Êta nóis!”, ”Me rói”,“Coração Aprisionado, “Chance de Aladim” e “Bandolero”), terá sua obra celebrada em grande estilo.

Vamos lembrar e conhecer mais sobre sua ativa participação no movimento ecológico, na resistência cultural, suas apresentações em shows por todo o Brasil e no exterior, sua participação em projetos de espetáculos com outros artistas, seus arranjos para coral, trilhas sonoras, direção musical de shows e discos, seus presentes musicais por encomenda, seus livros, seus desenhos, enfim, toda sua produtiva inquietação artística.

Alguns de seus livros e CDs estarão à disposição para venda durante o evento. Chegue cedo para assegurar o seu exemplar.

Lembramos ainda que é bom garantir logo o seu ingresso. Eles estarão à venda na bilheteria do Centro de Artes Nós da Dança ou a partir de agora com Danny Reis, Carla Cintia Conteiro, Danilo Davila, Denilson Santos e Tony Pelosi.

Vai ser uma grande festa!

Esperamos você lá!





Av. Nossa Senhora de Copacabana, 1138, sobreloj
Copacabana - Rio de Janeiro





28/09/2012 (sexta-feira) às 21h

Ingressos a R$ 25,00

17.4.12

Sob o domínio do mau gosto

Ao ver o colunista do jornal pensamento único carioca cuspindo marimbondo contra a hegemonia da nova classe média, muita gente que até então guardava algum pudor, resolveu botar todo o seu rancor pra fora.

É tão século vinte reclamar da hegemonia deste ou daquele gênero de música ou outra qualquer forma de entretenimento. Isso fazia sentido quando os modismos vinham em ondas, especialmente a partir do final da década de 80. A cada, digamos, cinco anos, as rádios e as emissoras de TV ocupavam todos os espaços apenas com brega, ou só com pagode mauricinho paulista, então unicamente sertanejo, seguido de axé music... Naquela era longínqua, a gritaria até fazia sentido. A TV a cabo ainda não era parte da vida brasileira. Internet, então, nem pensar.

Mas, hoje em dia, quem não gosta do que vê (ou ouve) na TV aberta, pode escolher entre os canais da TV fechada. Se não gostar de ver ali o filme dublado, é só lembrar que alguns canais já colocam à disposição a possibilidade de escolha, com som original e legenda. Mas se nem isso for satisfatório, é só ir para a Internet. A programação do rádio está irritante ou tediosa? Baixe alguns podcasts e leve pra cima e pra baixo no seu gadget favorito. Isso e mais infinitas possibilidades.

Ao reclamar do mainstream, atualmente reduto da recém-inflada classe C, pode-se pensar que está comunicando aos seus pares que se tem gosto sofisticado, mas, na verdade, se está passando recibo de que ainda não acordou para o fato de que vivemos numa época de cultura de nicho. Isto quer dizer que todo mundo tem meios de encontrar o que combina com seu gosto por aí, não precisa contar apenas com o que pinta na/n’O Globo. “Cai na estrada e perigas ver.”

Claro que dá para continuar reclamando, mas é bom ter consciência de que quando se fala de alguma coisa, menos do que daquele assunto, contamos de nós mesmos. Não seria melhor deixar de passar a impressão de caretice, esnobismo, fascismo e obsolescência e optar por uma postura mais produtiva? Assim, quem acha que os meios de comunicação estão falhando ao não divulgarem o que se considera bom e merecedor de repercussão poderia mostrar um pouco do refinamento da sua inteligência privilegiada e do esmero da sua educação formal ao usar o espaço atualmente empregado em resmungos contra a chegada do mau gosto (dos seus irmãos brasileiros) ao paraíso do consumo para mostrar o que aprecia.

Tem espaço pra todo mundo. Cada um que ache o seu. O da antiga classe média não é no mainstream, local onde se bajula a maioria consumidora, atualmente os 50% dos brasileiros da classe média emergente. Isso, entretanto, não significa que aqueles que eram chamados de doutores pelos miseráveis até tão pouco tempo estejam culturalmente desabrigados. Da mesma forma que a cultura popular sempre viveu à margem por não ser consumidora, estas pessoas estão encontrando novas formas de consumir e divulgar seus valores. Mas não se tornarão marginais como eram os outros, apenas migram para seus respectivos nichos.

Como se dizia naquela que é evocada como época de ouro da grande cultura, “cada macaco no seu galho”.

***

Manifesto Antropófago

Só a Antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente.
Única lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os coletivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.
Tupi, or not tupi that is the question.
Contra todas as catequeses. E contra a mãe dos Gracos.
Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama. Freud acabou com o enigma mulher e com outros sustos da psicologia impressa.
O que atropelava a verdade era a roupa, o impermeável entre o mundo interior e o mundo exterior. A reação contra o homem vestido. O cinema americano informará.
Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande.
Foi porque nunca tivemos gramáticas, nem coleções de velhos vegetais. E nunca soubemos o que era urbano, suburbano, fronteiriço e continental. Preguiçosos no mapa-múndi do Brasil.
Uma consciência participante, uma rítmica religiosa.
Contra todos os importadores de consciência enlatada. A existência palpável da vida. E a mentalidade pré-lógica para o Sr. Lévy-Bruhl estudar.
Queremos a Revolução Caraiba. Maior que a Revolução Francesa. A unificação de todas as revoltas eficazes na direção do homem. Sem nós a Europa não teria sequer a sua pobre declaração dos direitos do homem.
A idade de ouro anunciada pela América. A idade de ouro. E todas as girls.
Filiação. O contato com o Brasil Caraíba. Ori Villegaignon print terre.Montaigne. O homem natural. Rousseau. Da Revolução Francesa ao Romantismo, à Revolução Bolchevista, à Revolução Surrealista e ao bárbaro tecnizado de Keyserling. Caminhamos..
Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará.
Mas nunca admitimos o nascimento da lógica entre nós.
Contra o Padre Vieira. Autor do nosso primeiro empréstimo, para ganhar comissão. O rei-analfabeto dissera-lhe : ponha isso no papel mas sem muita lábia. Fez-se o empréstimo. Gravou-se o açúcar brasileiro. Vieira deixou o dinheiro em Portugal e nos trouxe a lábia.
O espírito recusa-se a conceber o espírito sem o corpo. O antropomorfismo. Necessidade da vacina antropofágica. Para o equilíbrio contra as religiões de meridiano. E as inquisições exteriores.
Só podemos atender ao mundo orecular.
Tínhamos a justiça codificação da vingança. A ciência codificação da Magia. Antropofagia. A transformação permanente do Tabu em totem.
Contra o mundo reversível e as idéias objetivadas. Cadaverizadas. O stop do pensamento que é dinâmico. O indivíduo vitima do sistema. Fonte das injustiças clássicas. Das injustiças românticas. E o esquecimento das conquistas interiores.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros.
O instinto Caraíba.
Morte e vida das hipóteses. Da equação eu parte do Cosmos ao axioma Cosmos parte do eu. Subsistência. Conhecimento. Antropofagia.
Contra as elites vegetais. Em comunicação com o solo.
Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.
Já tínhamos o comunismo. Já tínhamos a língua surrealista. A idade de ouro.
Catiti Catiti
Imara Notiá
Notiá Imara
Ipeju*
A magia e a vida. Tínhamos a relação e a distribuição dos bens físicos, dos bens morais, dos bens dignários. E sabíamos transpor o mistério e a morte com o auxílio de algumas formas gramaticais.
Perguntei a um homem o que era o Direito. Ele me respondeu que era a garantia do exercício da possibilidade. Esse homem chamava-se Galli Mathias. Comi-o.
Só não há determinismo onde há mistério. Mas que temos nós com isso?
Contra as histórias do homem que começam no Cabo Finisterra. O mundo não datado. Não rubricado. Sem Napoleão. Sem César.
A fixação do progresso por meio de catálogos e aparelhos de televisão. Só a maquinaria. E os transfusores de sangue.
Contra as sublimações antagônicas. Trazidas nas caravelas.
Contra a verdade dos povos missionários, definida pela sagacidade de um antropófago, o Visconde de Cairu: – É mentira muitas vezes repetida.
Mas não foram cruzados que vieram. Foram fugitivos de uma civilização que estamos comendo, porque somos fortes e vingativos como o Jabuti.
Se Deus é a consciênda do Universo Incriado, Guaraci é a mãe dos viventes. Jaci é a mãe dos vegetais.
Não tivemos especulação. Mas tínhamos adivinhação. Tínhamos Política que é a ciência da distribuição. E um sistema social-planetário.
As migrações. A fuga dos estados tediosos. Contra as escleroses urbanas. Contra os Conservatórios e o tédio especulativo.
De William James e Voronoff. A transfiguração do Tabu em totem. Antropofagia.
O pater famílias e a criação da Moral da Cegonha: Ignorância real das coisas+ fala de imaginação + sentimento de autoridade ante a prole curiosa.
É preciso partir de um profundo ateísmo para se chegar à idéia de Deus. Mas a caraíba não precisava. Porque tinha Guaraci.
O objetivo criado reage com os Anjos da Queda. Depois Moisés divaga. Que temos nós com isso?
Antes dos portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade.
Contra o índio de tocheiro. O índio filho de Maria, afilhado de Catarina de Médicis e genro de D. Antônio de Mariz.
A alegria é a prova dos nove.
No matriarcado de Pindorama.
Contra a Memória fonte do costume. A experiência pessoal renovada.
Somos concretistas. As idéias tomam conta, reagem, queimam gente nas praças públicas. Suprimarnos as idéias e as outras paralisias. Pelos roteiros. Acreditar nos sinais, acreditar nos instrumentos e nas estrelas.
Contra Goethe, a mãe dos Gracos, e a Corte de D. João VI.
A alegria é a prova dos nove.
A luta entre o que se chamaria Incriado e a Criatura – ilustrada pela contradição permanente do homem e o seu Tabu. O amor cotidiano e o modusvivendi capitalista. Antropofagia. Absorção do inimigo sacro. Para transformá-lo em totem. A humana aventura. A terrena finalidade. Porém, só as puras elites conseguiram realizar a antropofagia carnal, que traz em si o mais alto sentido da vida e evita todos os males identificados por Freud, males catequistas. O que se dá não é uma sublimação do instinto sexual. É a escala termométrica do instinto antropofágico. De carnal, ele se torna eletivo e cria a amizade. Afetivo, o amor. Especulativo, a ciência. Desvia-se e transfere-se. Chegamos ao aviltamento. A baixa antropofagia aglomerada nos pecados de catecismo – a inveja, a usura, a calúnia, o assassinato. Peste dos chamados povos cultos e cristianizados, é contra ela que estamos agindo. Antropófagos.
Contra Anchieta cantando as onze mil virgens do céu, na terra de Iracema, – o patriarca João Ramalho fundador de São Paulo.
A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: – Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.
Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama.

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OSWALD DE ANDRADE

Em Piratininga
Ano 374 da Deglutição do Bispo Sardinha
(Revista de Antropofagia, Ano 1, No. 1, maio de 1928.)


19.3.12

Ricardo Pessanha

(Palestrante)




Catálogo da Editora Temple University Press anunciando o lançamento da terceira edição americana do livro "The Brazilian Sound". O livro teve ainda outras edições na Inglaterra, na França, na Alemanha e no Japão.




CARLA CINTIA CONTEIRO
(PROPONENTE / COORDENADORA DO PROJETO)


Lançamento do livro "Fel - Amargando Felicidade" na FLIP - Paraty, 2010:








Recebendo o Prêmio Internacional da União Brasileira de Escritores na Academia Brasileira de Letras
("Fel - Amargando Felicidade recebeu o Prêmio Paulo Mendes Campos como melhor livro de crônicas de 2010):





Revista Raça Brasil: janeiro 2011:


Capa do livro "Cronicidades" (com vários autores) - Incult - 2012:




Revista AG - Jornal A Gazeta ES - 30/05/2010:


Notícia sobre o lançamento do livro "Acaba Não, Mundo":


Convite para o lançamento do livro "Acaba Não, Mundo", no Rio de Janeiro. Houve coquetel de lançamento também em São Paulo, Brasília, Fortaleza e Belo Horizonte:

Livro L'âme brésilienne de Caetano Veloso, parceria com Ricardo Pessanha, Coleção Voix Du MOnde, Editions Demi Lune, França, 2008:

Portfolio Samba de Benfica


SAMBA DE BENFICA



Jornal O Globo, 27/01/2012.


Jornal EXTRA, 27/01/2012
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"Samba de Benfica" toca com diversos artistas na feijoada do Clube do Samba, inclusive com Diogo Nogueira.



"Eu sei de uma roda de samba / que é bom pra caçamba / e pra corda também / É onde se canta a alegria / É lá em Benfica / Então vem, meu bem." (música de Virgílio Santos)




"Samba de Benfica no Museu de Favela na homenagem a Bezerra da Silva. Morro do Cantagalo.



Mesa cultural do "Samba de Benfica". Culto à música, à literatura, ao cordel..

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"Samba de Benfica" tocando no Rua do Mercado, Centro do Rio.





"Samba de Benfica se preparando para tocar no "Trem do Samba".


"Samba de Benfica" tocando na abertura da exposição da artista plástica Patrícia Brasil co Centro Cultural Laurinda Santos Lobo.



"Samba de Benfica" com a equipe de produção e amigos, inclusive a artista plástica Patrícia Brasil, na abertura de sua exposição no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo. O quadro ao fundo foi inspirado no "Samba de Benfica".



"Samba de Benfica" na Gafieira Estudantina



"Samba de Benfica" em seu habitat, Benfica.





1.3.12


Tá na rua!

Saiu o novo livro com crônicas minhas, o CRONICIDADES.
Já à venda em versão impressa ou e-book.

"A InCult Produções Culturais promoveu, entre os meses de julho e agosto de 2011, o projeto Escritores Independentes. Nele, 50 pessoas foram selecionadas e escreveram juntas o livro de crônicas Cronicidades.

O objetivo principal do projeto é promover autores e escritores de crônicas desconhecidos do grande público através da publicação de um livro com textos inéditos."

29.2.12

Que coisa boa é a chegada de mais um livro com textos meus!

Os textos abaixo, são, respectivamente a dedicatória e a orelha do "Cronicidades" que daqui a menos de 1 dia estará prontinho, prontinho! Vai aí só um aperitivo, para dar água na boca...

"Sabe, sonho? Sonho no sentido de estado de espírito, onde conseguimos ir a lugares inusitados, desconhecidos e ao mesmo tempo conhecer e nos relacionar com pessoas que nunca vimos? Sabe, sonho? Sonho no sentido de almejar ser ou possuir algo, concretizar e vivenciar experiências, situações? Sabe, sonho? È como podemos definir o nosso “Cronicidades”. O projeto é o sonho, não de uma, mais de muitas pessoas envolvidas no processo: da Incult, representada pelos sonhadores, Nathália Lima, Jorge Nunes Chagas e Tatiana Garritano; do Clube de Autores; dos 50 escritores desse livro, dos outros milhares de escritores que enviaram seus textos; dos amigos que acreditaram e estimularam nossas imaginações; dos profissionais de comunicação, como nosso querido Márcio Ricardo que criou a linda logomarca da produtora online; e enfim, de todos aqueles que acreditam que podemos, sim, escrever a nossa cultura de uma forma mais bonita.

Crônicas, cidades..., não imaginaríamos outro nome para nossa antologia, além de “Cronicidades”. Afinal, são 100 crônicas, de 50 autores, de diversas cidades, de todo o Brasil. Escritores, contadores de histórias, homens, mulheres, brasileiros, gente do bem. O projeto “Escritores Independentes” nasceu. Em sua primeira edição, ganhou força, ganhou respeito, ganhou adesão, ganhou o Brasil, quiçá o mundo. Agora, ganha forma e te permite viajar por histórias que te farão sentir o prazer de sonhar com um bom livro!!"

“Toda pessoa normal tinha que ter um fã.”

(Ivete Sangalo, no “Altas Horas”, após receber a ajuda de um fã para lembrar o nome de um dos seus CDs, citada na Revista da TV d’O Globo em 26/02/2012.)

Olha, fã eu não sei, mas devia ser um dos itens listados na Declaração dos Direitos Humanos alguma coisa como:

Toda pessoa humana tem o direito inalienável de ter orbitando por sua vida e orbitar a vida de amigos que:

  1. Perguntem: “Mas, e você, como está se sentindo no meio disso tudo?” ou “Você já parou pra pensar o que isso que dizer, né?”
  2. Deem, com toda doçura, feedbacks desconcertantes, que deixam você pensando por dias, ao falar de coisas que observam a seu respeito, boas ou nem tanto, e que outras pessoas também podem estar vendo ou não, mas simplesmente não tem a lindeza de dizer.
  3. Alegram e emocionam a gente simplesmente sendo como são.
  4. Sempre sabem qual é a boa, contam pra você e têm um talento agregador enorme, sustentado em muito carisma e boa-gentice.
  5. Estejam presentes em casamentos, batizados, formaturas, premiações, visitem no hospital, vão ao seu velório e nos lançamentos dos seus livros.
  6. Choram e riem, mas nunca deixam de tentar/amar/levantar/cair/criar de novo.

27.2.12

Equilíbrio

Depois que ouvi aquele samba ontem, não consegui mais tirá-lo da cabeça. Ele toca no meu desktop nesta segunda-feira em que as pessoas estão se desejando feliz ano novo, numa referência ao final do Carnaval, segundo diz a lenda, a época em que o ano realmente começa no Brasil.

É sempre uma piada divertida, mas adquire tons irônicos para quem, como eu anda trabalhando muito, não tira férias há tanto tempo, acumula função sobre função sobre função. E ainda assim eu sambo. E sambar é um verbo que se desdobra em outros: encontrar, sorrir, brincar, brindar, abraçar, além de, logicamente, cantar e dançar.

Ontem citei a Regina Casé, ao dizer que a felicidade está no real. Hoje complemento dizendo que a felicidade está no equilíbrio. Sambar depois do trabalho (enquanto o samba não vira o trabalho definitivamente). Sonhar sem perder o chão. Buscar o que se quer desde que não se vá magoar alguém (incluo-me aí). Trabalhar ouvindo aquele samba tocar sem parar, nos fones ou só dentro da cabeça, e ainda assim, não perder a concentração.

Bom dia, boa semana, feliz ano novo!