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29.1.02


PERNAMBUCO MEU AMOR

FRANCISCO BRENNAND
"Não interrompam este silêncio,
não interrompam este sonho."
Brennand



Assombroso, prolífero, grandioso, belo, torto, estranho, excitante, sensual, fálico...

Estes e outros adjetivos pululavam nas nossas cabeças e bocas escancaradas enquanto visitávamos o Oficina Cerâmica Francisco Brennand na Várzea em Recife. Funcionando como oficina e museu, o espaço foi construído dentro da propriedade da próspera família a qual o artista pertence e na qual também funciona uma tradicional fábrica de cerâmica.

Lindeza, belezaria e primor espalhados, agrupados, aparentemente largados, deliberadamente reunidos, ligados por temas intrigantes, provocativos, atávicos e universais. Instalações, templo, salas escuras, mandalas, painéis... Gozo múltiplo da alma...

Umas frases célebres aplicadas para sublinhar as idéias fartas...

Algo me fez lembrar do Profeta Gentileza ou de Arthur Bispo do Rosário... Só que com toques de academicismo, na dose certa, naquele ponto em que é dominado ao ponto de poder ser relevado...

O Brasil precisa conhecer o Brasil!

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27.1.02

Voltei, mas parte do meu coração ficou em porque não canso de me apaixonar pelo

18.1.02





Já reparou como às vezes a gente passa de carro pela orla ou pela lagoa e, preocupado com horários e compromissos, esquece de observar aquela maravilha toda? E não dá um nó na garganta quando um dia a gente resolve prestar atenção e se culpa por tantos dias ignorando tanta beleza?

Pois é assim que me sinto em relação ao Luiz Melodia. Tenho poucos de seus discos, raramente vou aos seus shows, mas quando encontro com ele, fico em tal estado de êxtase que não paro de me questionar porque não sou mais assídua.

Ontem fomos ao show dele. E foi meio no susto, marcado de última hora, convite quase não aceito por conta de outro apontamento (felizmente desmarcado).

Gosto do Rival. Não importa onde você esteja, tem sempre uma boa visão do artista que se apresenta. Ainda assim foi um achado o garçom que nos atendeu, levando-nos a melhor mesa disponível no momento e iluminando ainda mais nossa noite com graça e simpatia.

Mas estávamos ali para ver o negro gato do morro de São Carlos e, creio que posso falar por toda a platéia, a abertura com um famoso “quem?” era dispensável e desagradou. Faltou uma boa escolha de repertório, faltou voz, faltou carisma. E valorizou ainda mais o real motivo de nossa presença por lá.

Porque nosso homem é um deslumbre só. Apresentou as músicas de seu novo disco sem a concessão fácil aos sucessos para ganhar a galera. Ele não precisa disso. Nada de Negro Gato, Estácio Holly Estácio ou Magrelinha. Ele cativa passeando com destreza por diversos ritmos. Brincou de árabe com direito aqueles malabarismos sonoros com a língua, mostrou um arranjo reggae para um velho samba-canção. De vez em quando aparecia um sotaque funk, outras vezes o rap era explícito. A banda transitou com desenvoltura por todos estes caminhos, ora jazzy, ora como big band.

Comentávamos na saída que é muito diferente freqüentar esse tipo de apresentação em dia de semana. Outro público, outro astral. As pessoas estão mais preocupadas em ouvir a música, do que em cantar junto; estão mais interessadas no espetáculo do que contando os minutos para que acabe logo e chegue de uma vez a hora do maior atrativo da noitada: o motel. Pouco se ouviu daquela praga que são os gritos prentensamente graciosos. Mas tive que concordar com a moça que não se conteve e exclamou alto:

- Muito bom!

Ao que Melodia respondeu com um simpático e quase comovido:

- Valeu, gata!

Creio que muito do encanto deste moço vem do fato de misturar um tipo de música que chega fácil ao coração com aquela outra relacionada ao gosto adquirido. E se fosse falar de sua voz gostosa ou do jeito maneiroso como ele dança, teria que abrir diversos e imensos parágrafos. Afinal elegância, charme e talento não são coisas que eu consiga descrever com poucas palavras.

Saí de lá com a certeza de que o país que tem essa bonita criatura deveria ser proibida de se auto-referenciar como miserável.

E a pergunta gira na minha cabeça: por que tem muito menos Luiz Melodia na minha vida do que deveria?


17.1.02





Se Mr. Lima pensa que vou expor o enigmático caso do pato do meu avô na íntegra por aqui, onde ele pode ler sem mais aquela, está muito enganado...
Isso é um segredo que vou levar para o túmulo.
O nobre colega vai continuar sua sina de perder os cabelos tentando desvendar o mistério...

Quá quá quá quá...
Gosto de conversar. Sempre fui daquelas que prestam atenção em quem puxa papo na filas, nas salas de espera... Também não me importo de perder alguns minutos ouvindo os comentários do dono do boteco sobre política. Mas os favoritos são os motoristas de táxi. Eles são um grande termômetro social, além de permitirem que a gente veja as coisas com outros olhos...

Um belo dia reparei que as pessoas que dirigem, principalmente os taxistas, usam como ponto de refência os postos de gasolina. "Duas ruas depois daquele BR grandão" não faz muito sentido para mim, que não dirijo. Donas-de-casa e aposentados geralmente preferem supermercados. Ao invés de dizerem na rua da igreja, mencionam a Sendas. Minhas referências são outras: bares, restaurantes, praças, monumentos...

Hoje estava dentro do táxi, e o motorista perguntou se teríamos que dobrar naquela esquina com uma loja de pássaros. O cruzamento tem sido passagem diária nos últimos dias, mas jamais reparei a tal loja que realmente estava lá. O sinal fechou quando estávamos exatamente em frente a ela. Pelo retrovisor pude ver os olhos do taxista reluzirem enquanto observava as gaiolas expostas e dizia que, depois de me deixar no meu destino, voltaria ali porque tinha que comprar um canário que acabara de lhe roubar o coração. No restante da viagem ele contou sobre sua enorme criação de passarinhos, sua ligação com o IBAMA, seus passeios de ecoturismo...

A esquina congestionada escondia uma loja de pássaros e o volante escondia um ornitólogo...

****

Lu, não é mistério. Ontem o Blogger estava louco. Escrevia alguns posts que só consegui inserir muito mais tarde. Aquele que você comentou foi um teste. Escrevi (e entrou imediatamente junto com os outros que estavam presos) e deletei a seguir, mas só consegui apagar do meu blog realmente agora, quando inseri novas mensagens. É ou não loucura?

******

Lembram quando Brizola governava e o Rio foi massacrado pela Globo? Por que será que estão dando tanto destaque aos crimes em Campinas e São Paulo? Por que tantas reportagens sobre a violência em Porto Alegre? Por que será que o tão esperado surgimento do personagem que dá nome à novela das oito (?) de maior sucesso dos últimos tempos foi justamente no meio de um passeio turístico que louva todas as maravilhas do Maranhão? Sei não... Estou achando que os índices de criminalidade e todas as demais mazelas no Estado do Rio vão dar um conveniente salto repentino quando Garotinho se afastar para concorrer à presidência e a Benedita assumir...



16.1.02

Da primeira página do JB:

"BUSH AMPLIA A AJUDA MILITAR À COLÔMBIA

O presidente George Bush vai aumentar a ajuda militar para a Colômbia na luta contra a guerrilha. O valor não está decidido, mas integra a nova política externa americana que, desde os atentados de setembro, passou a encarar a ação de grupos armados naquele país como terrorismo e não mais como linha auxiliar do narcotráfico."

(O grifo é meu)

Quando foi anunciada a ofensiva militar contra o Afeganistão, eu disse que se estava abrindo um perigoso precedente de se combater crime com guerra e que qualquer país, seguindo esta lógica poderia ser atacado. Na época, muitas vozes vieram contra a minha lógica, afirmando que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". Continuo achando muito perigoso e arriscado, principalmente para o nosso país, esta história de traficante armado de repente virar terrorista.

Quem dera que as conversas e acordos entre FHC e Putim fosse mais que - como adora dizer nosso presidente - nhenhenhém e alguém tivesse peito de pelo menos começar a questionar a posição indecentemente hegemônica dos EUA como xerifes do mundo...

Do jeito que as coisas estão caminhando, logo logo teremos tropas americanas nos morros e periferias brasileiros, já que grupos armados espalhados pelo mundo são considerados terroristas.

Menos os que fuzilam crianças nas escolas, é óbvio...

Mas a pergunta que realmente não quer calar é: se o objetivo da guerra era capturar Bin Laden vivo ou morto e a CIA já sabe que lá ele não está, porque não se acaba de vez com esta vergonha? Nada a ver com a rota de petróleo que já estava sendo negociada com os tabilãs até alguns dias antes dos atentados, quando o governo norte-americano tão bonzinho e preocupado com o bem-estar da população mundial ainda não sabiam (claro!) que eles maltratavam mulheres e cometiam todo tipo de barbaridade, né?


Uma amiga minha tão íntima e querida ao ponto de ser chamada de irmã e chamar de mãe a mesma criatura que eu está com um bebê de menos de um mês. Minha irmã do meio está empurrando um barrigão de seis meses. Minha irmã caçula acabou de receber o resultado positivo.

Com a conteirada tão fértil, você acha mesmo que vou me meter a aprender a dança do ventre?
Com uma chamada nominal, fui intimada a responder a pesquisa de Meg sobre como os post são paridos. :-)

Não tenho método algum. Posso me sentir compelida a comentar alguma notícia que ache absurda, bizarra ou importante ou simplesmente tenho vontade de contar a todos o que acontece no meu mundinho. Às vezes estou muito longe do micro e vejo, ouço ou matuto alguma coisa que acho que tem cara de blog. Até chegar aqui, posso simplesmente esquecer, modificar a impressão inicial ou decidir que nem vale a pena. O banheiro é meu santuário para reflexões. Outras vezes, uma idéia fica me obsidiando nas horas mais impróprias, como na hora que deveria ser do sono. Aí pego um pedacinho de papel (tenho papel e caneta à cabeceira) e anoto apenas o núcleo da coisa para poder ter paz e desenvolver depois, quando for mais apropriado. Já houve ocasiões em que me muni para escrever aqui mais tarde. Foi o caso do post da Rita Lee, quando anotei diversas coisas durante o show. De vez em quando, pesquiso ou simplesmente compartilho o que me caiu no colo quando procurava por outras coisas.

Assim mesmo, caoticamente...

15.1.02

Cláudia (que bom que você voltou! estava cheia de saudades!) fala do absurdo da rosquinha assassina. Ouvi outra muito boa hoje no táxi. Meu instinto de sobrevivência gritava para eu sair do veículo imediatamente, mas era irresistível a conversa do motorista em que o Tom Cavalcanti deve ter se inspirado para construir o João Canabrava.

"Que biscoito seco que nada, dona. Aquilo ali foi caaaaaaaaana mesmo. Ele achou que em casa estava protegido e enfiou o pé na jaca. Se fosse com o marido da minha mulher, a vizinhaça inteira ia saber que eu sou bêbo (sic). Mas não, é o Bush. Com gente fina ninguém mexe. Mas ele podia inventar uma desculpinha melhor, né não? Mandava ele falar comigo que eu sou craque nisso e não saia uma história tão mal contada. E lá o negócio deles não é cachaça, não, dona. É uisque mermo (sic)."

Bom, apesar do motorista alucinado cheguei em casa inteirinha e com a barriga doendo de tanto dar risada.
Li lá no Udigrudi tudo o que sinto em relação ao bichinhos de estimação. Sou capaz de arrumar a maior encrenca do mundo se vir alguém machucando um animal, mas não tenho o mínimo jeito para ser dona de um. Também morro de medo de cachorro, também já fui vítima por vezes suficientes de "não morde" para não acreditar mais, também olho para gatos com certa identificação e respeito... Fico arrepiada quando vejo as pessoas criando bichos exóticos como enormes aranhas ou ratos.

Juro que já tentei. Na casa de meus pais chegamos a ter treze cães. Todos para guarda e nem um pouco amistosos. Meu pai era veterinário, então acho que em algum ponto bem profundo da minha mente ficou registrado a quantidade de doeças que se pode contrair com a promiscuidade que vejo entre alguns proprietários e seus amiguinhos. De qualquer forma, ainda criança, perturbei muito para ter um. Queria um gato, mas as minhas alergias proibiam. Um cãozinho pequeno, então. Um dia, meu pai chegou com o presente. O primeiro mês foi de puro amor, mas um dia ele arreganhou os dentes para mim e eu não conseguia mais chegar perto dele. O danadinho era bravo que só ele. Só respeitava meu pai e tinha que passar quase o tempo todo preso, porque avançava em todo mundo.

Já adulta, mas antes de me dar conta de que era ecologicamente incorreto, tive uma tartaruguinha que era um charme. Ela era minúscula e se enfiava por todos os cantos da casa, me deixando desesperada. Comia como louca e era meu xodó. Infelizmente, ficou com meu ex-marido.

Teve também o papagaio da família que morreu gritando... O jabuti que morreu expelindo todos os órgãos internos pelo ânus... O pato do meu avô, viu, Paulo...

Quero mais não...

As Malas


O último final de semana foi passado em Sampa. Chovia canivetes, mas a companhia era da melhor qualidade. Fui ao casamento de uma amiga querida e fiquei hospedada na casa de outra. Encontrei com várias almas amadas. Voltei leve e feliz.

Devo confessar que tenho um problema sério. Se consigo achar divertido arrumar uma bolsa/mala para ir, odeio desarrumar quando chego. A preguiça é tanta que desenvolvi um método. Assim que chego, retiro e encaminho imediatamente a roupa que deve ser lavada, os objetos de uso mais freqüente, o que comprei (se for o caso) e empurro com a barriga o restante do ritual.

Assim, tenho ainda uma bolsa por terminar de desfazer e outra para arrumar. Sim, há outra viagem. Esta com a turma completa e vai ser a viagem oficial de férias. Adoro viajar para locais que ainda não conheço e de que ouvi maravilhas.

E já estou planejando o que fazer no Carnaval. Acho que já decidi. Vou consultar um especialista no destino pretendido. O homem sabe tudo do lugar. Aliás não só deste lugar. O homem sabe e ponto final.

11.1.02

Com a chegada do calor vieram as francesinhas. Ligo para a empresa de dedetização (eles agora dizem que combatem vetores!!!). Quanto é? Nada, senhora, ainda está no prazo de garantia.

*********

A persiana emperrou. Ligo para o rapaz da manutenção. Tudo certo bem rapidinho. Quanto é? Nada, senhora, ainda está no prazo de garantia da última manutenção.

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O lindo sapato de couro do meu marido arrebentou em uma das passadeiras. Coisa pouca, que foi resolvida com um gatilho que ficou praticamente invisível. Passeando pelo shopping ele viu outro sapato interessante na mesma loja. Quando foi retirar o sapato para experimentar o novo, lembrou do ocorrido e comentou casualmente com o vendedor. O par antigo foi trocado imediatamente.

********

Loja de revelação de fotografias cujos serviços meu amo e senhor utiliza com freqüência. Esta semana, depois de passados os atropelos de final de ano ele foi lá mais uma vez. Tinham para ele um belíssimo brinde guardado desde a semana do Natal.

********

Há ou não alguma coisa mudando na área de serviços no país? Quem não agregar encantamento aos seus serviços e produtos está fadado ao fracasso.

"Não me sinto dividida
Dei-me inteira, sempre
Não me sinto cúmplice
Lutei contra as injustiças
Não me sinto vítima
Vivenciei cada minuto sofrido
Não me sinto só Tenho o amor dos amigos de batalha"


(Messody Benoliel)
Estou com a música de abertura do Globinho que a Paula Saldanha apresentava na Vênus Platinada na década de 1970 rondando minha cabeça. O que será que eles tinham contra o Batman? Ou será que era uma música anti-yankee camuflada para a ditadura? O homem-morgego aparecia numa animação como mulambento e barrigudo. Minha memória pode me trair, mas acho que era algo como:

"Não existe nada mais antigo
Do que caubói que dá cem tiros
De uma vez
A avó da gente deve ter saudade
Do zig-pow
Do cinto de inutilidade

No nosso mundo tudo é novo e colorido
Não tem lugar para essa gente que já era
Morcego velho
Bang-bang de mentira
Você já era
O nosso papo é alegria"

10.1.02

Ela vai saber que é por ela:

"Meu Deus, vossos desígnos são impenetráveis, e em vossa sabedoria acreditastes dever afligí-la pela doença. Lançai, eu vos suplico, um olhar de compaixão sobre seus sofrimentos, e dignai-vos pôr-lhes um fim.

Bons Espíritos, ministros do Todo-Poderoso, secundai, eu vos peço, meu desejo de aliviá-la; dirigi meu pensamento, a fim de que ele vá derramar um bálsamo salutar sobre o seu corpo e consolação em sua alma."




GATO


... mamífero carnívoro de unhas retráteis;
... ligação elétrica clandestina;
... homem jovem e bonito;
... alteração na documentação do jogador de futebol que lhe diminui a idade para permitir que jogue nas categorias de base.

Tem gato escondido com o rabo de fora...


VERIFICANDO AS PREVISÕES


Consegui fazer uma coisa que sempre disse que faria e acabo esquecendo. No início do ano passado, recortei uma folha de jornal com previsões sobre 2001. O objetivo era checar os acertos e erros quando o ano acabasse. Frustração... As previsões são tão genéricas que não dá nem para saber se eles foram corretas.

Confira alguns pontos e tente também entender se batem ou não com o que aconteceu:

GERAL

1 – 2001 será o ano da comunicação (porque a soma dos algarismos resulta em 3) e gerará frutos para quem trabalha e lida com palavras, melhorará a qualidade de vida e concretizará projetos usando palavras como instrumento de meditação positiva.

Observação: Silvio Santos foi eleito o Homem do Ano. Será que é isso?

2 - Esta facilidade para a comunicação, entretanto também poderá ajudar maus políticos a acenarem de forma mais convincente e facilitará aqueles que têm boa lábia.

Observações: Bin Laden? As imagens exaustivamente repetidas do ataque às torres gêmeas? As cartas com antraz? A aparição de Roseana Sarney nas pesquisas de intenção de votos após os programas políticos do seu partido?

3 – Expansão e fertilidade. Energia favorável para concretizar projetos e para mulheres engravidarem com maior facilidade.

Observação: O clone humano?

4 – Será um período de renascimento, uma energia boa que só aparece a cada nove anos e que favorece o crescimento.

Observação:???

5 – O número três (2+0+0+1) traz à tona nosso lado criança. O que exige um certo cuidado para não se perder a noção de regras e valores.

Observação: “Quem sabe ainda sou uma garotinha” Música mais executada nas rádios do país no ano passado.

6 – Período de beleza, elegância e charme. Resultado: fogueiras de vaidades estarão a todo vapor. A convivência poderá ser custosa. O problema são os que só conseguem enxergar o próprio umbigo. Se não se modificarem, periga ficarem mais egoístas e fúteis.

Observação: Casa dos Artistas? A Guerra do Afeganistão?

PARA O RIO

7 – Uma “cara” diferente para a cidade em 2001. Uma nova imagem que pode atrair investimento e projeção.

Observação: Piscinão de Ramos? Os hotéis lotados? Rock in Rio?

8 – Preocupações que deverão estar sempre na mente dos cariocas dizem respeito a enchentes, poluição, deslizamentos e epidemias.

Observação: Sem comentários. Essa até eu!

9 – Anseio geral de renovação, uma idealização de cidade realmente maravilhosa. Netuno, planeta da maravilha e do sonho. Mas também é o planeta das ilusões e das drogas.

Observação: Ui!

10 – Tendência ao desejo de salvar a cidade, seja com apoio voluntário ou por meio de marketing para comover o público.

Observação: Isso eu tenho visto sim. Parece que foi a previsão mais clara e objetiva.

Quem fez as previsões:

- O numerólogo Gilson Chveidoen
- O tarólogo e numerólogo Namur Gopalla
- A astróloga Anna Maria Costa Ribeiro

(Sobre matéria de 07/01/2001 no JB)

7.1.02


TRIBUTO A RITA LEE




Lu (obrigada pela idéia e pelo convite, querida!), Ricardo e eu fomos ao show da Rita Lee ontem no Canecão,.

Nossa mesa lateral não era em local nobre, mas creio que era uma das melhores daquele setor. O Canecão está mudando. As arquibancadas foram retiradas e tudo indica que surgirão mais mesas onde elas estavam. Ontem este “nada” foi ocupado pelos sem-assento.

Rita, já avançada nos cinqüenta, está ainda vitaminada. Apesar da tristeza pela morte de Cássia Eller, que homenageou diversas vezes, e pelas guerras que insistem em aflorar em pleno século vinte e um, o show foi alegre. Ela é muito divertida sempre. Adoro suas músicas, mas gosto ainda mais quando ela fala, faz caretas, adota a quintessência da postura pop-rock, inclusive canibalizando alguns trejeitos de Jagger.

O repertório passeou pelas músicas do novo disco com canções dos Beatles e por aqueles sucessos que todo mundo sabe (ou deveria saber) de cor. Começou com A Hard Day´s Night, no original, emendada com Nem Luxo Nem Lixo. Pausa para agradecimentos pelo comparecimento do público, descrição do humor, piadinhas, saudades de Cássia Eller e de alguma forma este simpático discurso ficou redondinho com With a Little Help from My Friend. Ao cantar Alô Alô Marciano, citou Elis de leve, imitando as evoluções de braço que valeram à Pimentinha um outro apelido: Hélice. A seguir, a versão dos Beatles estouradaça nas rádios: Prá Você Eu Digo Sim. Depois de cantar Agora Só Falta Você, Rita se retirou do palco, deixando apenas os músicos. É hora de falar deles.

A banda é nova e não poderia ter um nome mais provocativo: Talebanda. Coisa de fera. Barone, Dadi, Ary Dias, William Magalhães e Roberto Carvalho. Mais tarde Rita apresentaria os músicos como seus filhos. Dadi seria resultado de seu casamento com Caetano; Ary da ligação com Gil; Wiliam de um caso com Tim Mais; de Barone ela não sabia bem quem era o pai, porque na época andava com Herbert e Bi...

Rita voltou travestida de Gal Costa para cantar Baby. É um dos momentos mais engraçados do espetáculo, quando a eterna mutante enverga uma peruca negra cacheada e uma echarpe de plumas e desce até a audiência para conversar, distribuir beijinhos e abraços e sentar em alguns colos afortunados.

Nada como um narizinho de palhaço para, no que ela descreveu como momento Tropicalismo, cantar Panis et Circensis. No meio da apresentação de Todas As Mulheres do Mundo surge no palco uma mulher vestindo a burqa. Ao final do número, a odiosa vestimenta é arrancada e surge uma bela mulher grávida de bikini. Acho que todas aplaudiram Leila Diniz.

Sim, estou pulando algumas músicas. O show foi deliciosamente longo, desses que você sente o prazer do artista por estar lá... Emoção que não conseguiria reproduzir aqui contando tudo nos mínimos detalhes. Você se cansaria...

Bom, como ameaçado, Rita apresentou uma das versões para músicas do quarteto de Liverpool que foram barradas pelas editoras por serem consideradas exóticas demais. Realmente A Cabra e o Bode (sobre I Wanna Hold Your Hand) não pode ser considerada ortodoxa. Exatamente por isso é hilariante.

Ótimo arranjo bossa nova para Lucy in the Sky with Diamonds, com refrão pesadão sublinhado pela iluminação.

Para encerrar, um pout-pourri com Chega Mais, Pega Rapaz e Jardins da Babilônia.

Pensa que acabou?

Ainda tinha o momento Miss Simpatia, ou seja, o bis atendendo a pedidos. Saúde para todos. Foi quando Zélia Duncan subiu ao palco para cantar com Rita e, acompanhadas apenas por Roberto, levaram uma série de antigos sucessos da titia do rock, como Doce Vampiro e Lança Perfume. Já no finalzinho e sem Zélia a banda toda retorna incrementada pelo filhão Beto e a Ovelha Negra se despede de vez.

Fiquei com a sensação de que faltou algo. O público estava meio frio, mesmo com aqueles chatos que ficam o tempo todo gritando gracinhas ou pedindo músicas fora de hora. E redescobri que eu amo Rita Lee. E não é apenas porque sua música alegre e sacana foi trilha sonora da minha adolescência. Foi através dela que cheguei a compreender o Tropicalismo. E olha que desde que me entendo por gente havia Gil e Caetano em casa. Mas eles eram (e são). Rita me fez querer saber de onde vinha, o que era, por quê...

No meio do show comecei a viajar. Durante muito tempo, achei estranho quando se perguntava a alguém o que ele ouvia na infância e juventude. Depois compreendi. E ontem me caiu a ficha de que muitas das coisas que navegam no mais profundo de mim talvez não fossem iguais (mesmo que muita gente olhe e só veja Clark Kent) se eu não houvesse me formado ouvindo:

“No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você”

“Roquem é ele?
Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow?
Um planeta, um deserto,
Uma bomba que estourou
Ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!”

“Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meus Deus, quanto tempo
Eu passei sem saber?
Foi quando meu pai me disse:
Filha,
Você é a ovelha negra da família
Agora é hora de você assumir
Uh, e sumir “

“Ai, ai, meu Deus, o que foi que aconteceu
Com a música popular brasileira?
Todos falam sério, todos eles levam a sério
Mas esse sério me parece brincadeira “

“Agora é moda, sair nua em capa de revista
Agora é moda, pichar a vida de artista
Agora é moda, bionicar o corpo inteiro
Agora é moda, culpar o mercado estrangeiro
Dance, dance, dance - Dancei!”

“Suspenderam os Jardins da Babilônia
E eu pra não ficar por baixo
Resolvi botar as asas pra fora
Porque
Quem não chora dali, não mama daqui
Diz o ditado
Quem pode, pode, deixa os acomodados
Que se incomodem

Minha saúde não é de ferro, não
Mas meus nervos são de aço
Pra pedir silêncio eu berro
Pra fazer barulho eu mesma faço,
Ou não!”

“Eu e meu gato
Ele na cama
Eu no telhado
Ele sem as botas
E eu sem grana”

“Depois me leva pra casa
Me prenda, nos braços
Me torture de carinho
Beijinhos, abraços
Depois me coce, me adoce
Até eu confessar"

“Me acostumei com você,
Sempre reclamando da vida
Me ferindo, me curando a ferida
Mas nada disso importa,
Vou abrir a porta pra você entrar
Beijar minha boca,
Até me matar de amor!”

“A gente faz amor por telepatia
No chão, no mar, na lua, na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar,
De tanto imaginar loucuras!”

“Me aqueça
Me vira de ponta-cabeça
Me faz de gato e sapato
Me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor”

“Você tem ciúme
Mas gosta de me ver rebolar
Eu topo tudo
Sou flor que se cheire em qualquer lugar”

“Se Deus quiser,
Um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim
Ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra”

“Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer, e mandar tudo
Práquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá
E me deixar levar por um
Beijo eterno
Por seu corpo envolvente
Mais quente que o inferno”

“Não quero luxo nem lixo
Meu sonho é ser imortal, meu amor
Não quero luxo nem lixo
Quero saúde pra gozar no final”

“João Ninguém é dono da aldeia
Quem bobeou, dançou
Desconfia até da mãe,
Quanto mais do tataravô
João Ninguém não perde um vintém
Nouveau riche quatrocentão
Sem talento pra ser feliz,
Milionário por vocação”

“Como vai,tudo bem
Apesar,contudo,todavia,mas,porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!”

“Fiquei mocinha
Sabe como é...
O tal bicho papão
Virou meu namorado
Eu sou má companhia
Pra quem não tiver
Um coração que vive apaixonado
Sempre fui levada-da-breca
Brincar de médico
É melhor que boneca... "

“Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica...”

“Se pintar um negócio na esquina
Corre e vê se eu estou lá na China
E se estiver, vê se me deixa em paz
Eu quero mais ficar bem longe desse tititi...”

“Que tal nós dois
Numa banheira de espuma
El cuerpo caliente,
Um dolce farniente
Sem culpa nenhuma”

“Porque a gente nem sabe por quê
Mas acontece que eu nasci pra ser só de você
É claro que a sorte também ajudou
Ultimamente, um romance dura pouco”

“Mulher é bicho esquisito
Todo mês sangra
Um sexto sentido maior que a razão
Gata borralheira, você é princesa
Dondoca é uma espécie em extinção”

“Meus amigos dizem que essa coisa vicia
Andaram até jurando que era anorexia
É uma neurose,
Uma overdose,
Sou dependente do amor!”

“Desculpe o auê,
Eu não queria magoar você,
Foi ciúme sim,
Fiz greve de fome, guerrilhas, motim,
Perdi a cabeça, esqueça!”

“As noviças do vício
Não medem sacrifícios
Fazem altas baixarias
Por um resto de sucesso
Ratazanas da publicidade
Pérolas da vulgaridade
Elas pecam pelo excesso
E morrem pela falta”

“Alô doçura
Me puxa pela cintura
Tem tudo a ver o teu xaxim
Com a minha trepadeira
Nós dois pra lá
Bem pra lá de Nirvana
Numa cama voadora, fazedora de amor
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
De frente, de trás
Pega rapaz, me pega rapaz”

“Eu nem vejo a hora de lhe dizer
Aquilo tudo que eu decorei
E depois o beijo que eu já sonhei
Você vai sentir, mas...
Por favor, não leve a mal
Eu só quero que você me queira
Não leve a mal”

“Eu vou sabotar
Vou casar com ele
Vou trepar na escada
Pra pintar seu nome no céu
Sabotagem! Sabotagem! Sabotagem!
Eu quero que você se...
Top top top uh!”

“Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz, não é feliz
(...)
Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz”

6.1.02


ENTRANDO NO CLIMÃO


Nomes da música brasileira homenageando os Beatles no Multishow. Preciso dizer que vou ao show da Rita Lee hoje à noite?

DOMINGO DE SOL NO PARQUE LAJE


sovaco do Cristo


recorte no tempo


verde 1


verde 2


homenagem a Chiquinha Gonzaga


"vejo flores em você"


cicatrizes


acompanhando Pedro Luís


alma



("cicatrizes" e "acompanhando Pedro Luís" são fotos de meu amo e senhor, Mr. Ricardo Pessanha)

NOVELÃO


Estou acompanhando a novela e está emocionante como toda história de verão carioca.

O Natal foi marcado pela tragédia das chuvas e a meteorologia anunciava possibilidade de novas pancadas com chances de granizo para 48 horas seguintes. Choveu um pouco, o sol quis sair, houve mormaço, choveu mais um pouquinho, mas não houve outra tempestade na cidade. A previsão continuava a mesma. As 48 horas passaram... Os boletins começaram a falar em 72 horas...+++ Nada de toró...

O dia 31 de dezembro foi nublado. Por volta das 22 horas, quase todo mundo estava olhando para o céu, não apenas buscando auspícios para o novo ano, mas também com medo da tão prometida chuvarada. E eis que a invés da tormenta, surge a lua linda e cheia, estrelas magníficas, as nuvens sentiram vergonha diante da alegria dos cariocas e dos turistas que ocuparam 100% das vagas dos hotéis e tomaram chá de sumiço.

Os fogos, nas balsas a 350 metros da arrebentação, não causaram a mesma emoção e o mesmo impacto de quando a queima acontecia nas areias. Entretanto, a segurança foi garantida. Ninguém estava disposto a arcar com os riscos de acidentes como o do ano anterior. Assim, um evento que reúne um público de 2 milhões de pessoas, sem qualquer ocorrência grave, não pode ser considerado um fracasso, como diz a revista Veja, com um ressentimento (ciúme, inveja?) indisfarçável em relação a tudo o que acontece aqui na Cidade Maravilhosa.

Aí a novela engrena. César Maia, o prefeito-factóide que andava até quietinho anuncia que vai processar o Instituto de Meteorologia por tentar sabotar os festejos cariocas de final de ano. Se vai mesmo processar ou não, isso é outra história, o importante é ter conseguido que se falasse disso por toda a semana.

Mas a história continua de forma ainda mais insólita quando a Fundação Cacique Cobra Coral envia ao prefeito uma carta em que pede para que ele não abra o processo, alegando que as mudanças atmosféricas são de responsabilidade deles e de seus ritos, que desafiam as leis da física e do bom senso, mas funcionam. Eles foram contratados por um empresário para garantir que a chuva não atrapalharia a festa. Para quem não lembra, a Fundação já havia sido contratada para garantir bom tempo durante o Rock in Rio do ano passado e na inauguração da árvore de Natal da Lagoa (quando as nuvens carregadas também se dissiparam inesperadamente em cima da hora do evento). O serviço é cobrado a posteriori e eles só recebem se o objetivo (nada de chuva) for atingido.

E o Carnaval?



CORUJICES


- É verdade que São Paulo é a maior cidade da América Latina?
- É. Antes era a Cidade do México, mas agora é São Paulo, sim.
- E o que que é América Latina?

Já repararam quantas coisas se precisa explicar antes de conseguir definir o que é América Latina?

As perguntas estão ficando cada vez mais complicadas e eu estou me dando conta de que algumas coisas que a gente assume como simples não são assim tão imediatas. Nada como uma criança esperta por perto para nos ensinar sobre a vida.


*******


Estávamos atrás de argila. Finalmente lembrei onde havia comprado da última vez, mas estávamos indo em direção oposta e a loja fechava em poucos minutos. Liguei para a assessora para assuntos pedrísticos - a avó - que estava mais próxima do dito estabelecimento e solicitei que providenciasse o material, já que o pequeno estava em crise criativa fortíssima e talvez morresse se em pouco tempo não tivesse em suas mãos argila para modelar.

Impossível parar em casa com o verão do Rio de Janeiro chamando lá fora. Assim, só depois de passadas 24 horas o moleque consegue um momento de tranqüilidade para dedicar-se ao tão desejado amasso.

- Mãe, dá para o Papai.

Olho a figura esculpida em minhas mãos.

- Sabe o que é, né?
- Sei. Obrigada.
- É daquela história que você me contou outro dia...

Fui fazer o combinado. Meu marido tinha uma figura idêntica para me entregar. Fizemos então a troca de muiraquitãs.


*******


- Quando eu era bebê, não sabia que você era minha mãe, nem que você era meu pai. Não sabia nem quem eu era. Só sabia que eu vivia.
- Oh!
- Hoje eu estou meio poético, né?

31.12.01

Movimento 1: Cantando para subir

Prefiro, metaforicamente, levar de 2001 aquele show maravilhoso no Canecão à notícia do último dia 29. Cássia Eller canta minha despedida para este ano tão louco...


Non, Je Ne Regrette Rien

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux
Balayés mes amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Car ma vie
Car mes joies
Aujourd'hui
Ça commence avec toi...



Movimento 2: Recepção

Para o novo ano, que, independente de religião, todo o mundo compreenda e viva o amor.


ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.



22.12.01

Não me peça o que não posso dar. Sou toda intuitiva e empírica. Deixei as certezas na casa dos vinte. As condições morrem uma a uma a cada dia. Vivo apenas o real. Idealizações não mais.

Apesar de tudo isso, algo é perene em mim: eu mesma. E algo aqui dentro me diz que nem tudo é relativo. É preciso acreditar e guiar-se por alguma coisa que se crê absoluta.

Sob pena de perder a razão. Mesmo que seja apenas em uma discussão.

Ninguém me conhece...

Sequer preciso de uma poção para me transformar em Mr. Hyde.

Quem dera este aparelho de ar condicionado liberasse oxigênio.

O calor está derretendo meu pobre e preguiçoso cérebro...


AA UU
(Sérgio Britto/Marcelo Fromer)



AA UU AA UU
AA UU AA UU
Estou ficando louco de tanto pensar
Estou ficando rouco de tanto gritar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como

Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Estou ficando cego de tanto enxergar
Estou ficando surdo de tanto escutar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Não como, não durmo, não durmo, não como
Não como, não durmo, não durmo, não como

Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar


O MUIRAQUITÃ




Muiraquitã é o nome que os índios davam a um pequeno objeto em forma de rã, que segundo eles trazia felicidade a quem o possuísse.

A lenda do Muiraquitã vem desde os tempos do descobrimento, mas só nos séculos XVIII e XIX os amuletos se tornaram mais procurados, sendo atribuídas a eles qualidades de amuleto ou talismã.

Encontrado principalmente na região do Baixo Amazonas - região na qual encontravam-se as índias Icamiabas ou "mulheres sem maridos", mulheres guerreiras que viviam em uma sociedade isolada, e que regiam suas próprias leis. As Icamiabas realizavam uma festa anual dedicada à lua, e durante a qual recebiam os índios Guacaris (tribo localizada próxima a das Icamiabas), com os quais se acasalavam. Depois do acasalamento, mergulhavam em um lago chamado Iaci-uaruá (Espelho da Lua) e iam buscar no fundo do rio a matéria-prima com que moldavam os Muiraquitãs, que ao saírem da água endureciam. Então presenteavam os companheiros com os quais tinham feito amor... Os que recebiam, usavam orgulhosamente pendurados no pescoço, como um troféu e como símbolo de fertilidade e felicidade.

De qualquer forma quando se pronuncia Amazonas, não se pode deixar de pensar em Muiraquitã. O Muiraquitã é o amuleto de fertilidade e da sorte da Amazônia.


*****

Retirando-se a referência sexual da lenda, nada mais adequado que o texto acima para descrever a beleza do que trago agora. Uma guerreira amazônica me recebeu. Recebi um Muiraquitã para jamais esquecer esse momento único (como se fosse necessário alguma prova material do que arranhou minha alma...). Não sou eu que mereço o troféu por uma vitória, mas fico muito feliz por ter participado dela.

Meg, você é uma anfitriã maravilhosa, além de todas as suas outras qualidades, que eu não canso de louvar.

Peço desculpas, mas é impossível não gostar da Selma :-). Mas fique tranqüila, meu coração é grande... Prova disso é que o espaço que tenho reservado para você inchou ainda mais...

Foi muito bom poder abraçar você, olhar dentro dos seus olhos... Obrigada por reunir este povo querido (Letti, Nana, Joyce, Giselle) para que pudéssemos compartilhar esta alegria que é a sua presença...

20.12.01

Mensagem codificada:

Por favor, repare no canto direito das fotos, naquelas letrinhas bem pequenas. Tem nenguinho triste por aqui achando que ninguém reparou que a família inteira participou :-)

19.12.01

Era uma daquelas propagandas-brindes que a gente não agüenta mais receber. Mas achei lindo um pedacinho, recortei e mantenho sempre por perto:

O fundo é verde. No respaldar de uma janela azul, um globo terrestre com os continentes desenhados em amarelo e laranja serve de vaso para um viçoso girassol. Sob tudo isso:

Sua vida pode ter mais cor.

Sempre pode, sim!


Aflora
A flor - Ah!

Gracejo
Gaguejo - Beijo!

Imploro
Um poro - Hum!

Vambora
Agora - Ora!

Espreme
É fome - Homi!

Defloro
A flor - Oh!


18.12.01

A palavra da semana é Anamnésia!
ai-ai!

O que será
(À flor da pele)

Chico Buarque
1976


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será
(À flor da terra)


Chico Buarque
1976


O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será
(Abertura)


Chico Buarque
1976


E todos os meu nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem ljuízo

O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Quando não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas dele vadiar
Será que passa fora o resto da dia
Será que foi-se embora em má companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de um folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo


17.12.01

Matéria de capa da Revista de Domingo de ontem:

Malu Mader, Cláudia Abreu e Carolina Ferraz: as musas de verdade. Elas têm em comum o fato de não terem posado nuas para a Playboy, não terem aplicado silicone nos seios (elas têm a fantasia, mas acham arriscado ou acabam concluindo que ainda dá para encarar do jeito que a natureza fez enquanto a gravidade não for muito severa), não gostarem do assédio dos paparazzi. Além disso, estão todas na casa dos trinta. Por todas estas razões são admiradas (e muitas vezes criticadas).

Gente! Eu sou musa e não sabia.

hahahahahahaha
Uma coisa que me dá imenso prazer é mostrar as coisas da minha cidade, do meu país para quem estiver interessado em conhecer. Não estou falando do pacotão clássico, que constam do catálogo de qualquer agência de turismo internacional, mas das coisas legítimas, que fazem parte do cotidiano dos locais.

O trabalho da amiga francesa que nos acompanhou ontem é relacionado com o candomblé e para isso ela está acostumada a ir onde o povo está. No final de semana anterior ela foi filmar um terreiro em Mauá. Conosco ela queria lazer, ir a um bar que tivesse samba de verdade. Estephanio´s nos pareceu a melhor opção.

Quando chegamos, reparamos que algo estava diferente. A mesa em torno da qual o grupo Roda de Saia faz o show estava do lado de fora do bar, ao contrário das outras vezes. A gente bonita que freqüenta o lugar não estava dando muita bola para a chuva insistente e tomava a rua. Quando nos aproximamos, reparamos que, além de tantã e cavaquinho geralmente usados no local, num canto havia surdão e outros instrumentos de bateria. Teríamos sambão!

No processo de aclimatação, ouvimos samba de raiz. Não consigo deixar de me emocionar com coisas como Folhas Secas e A Voz do Morro. De repente os grandes instrumentos tomaram o lugar dos demais. Ficamos sabendo que vai sair um bloco do bar. E que o enredo é Beth Carvalho.

Existe uma lenda que afirma que carioca não sai de casa quando chove. Talvez antes do Estephanio´s abrir suas portas...

Houve um tempo em que eu me sobressaia na multidão com 1,78m. Agora não mais. Pelo menos entre a juventude sarada e amante do samba na Zona Norte. Êta gente grande e forte!

E a chuva cai... E alguém anuncia que o enredo havia se materializado ali. E a ma-ra-vi-lhosa, po-de-ro-sa e vi-ta-mi-na-da Beth assume o microfone e é ovacionada. E dá uma canja de primeiríssima com seus maiores sucessos. E o povo canta junto... E a moçada samba... E a chuva cai lá fora, você vai se molhar, já lhe pedi não vá embora... E vou festejar... E é impossível ficar triste quando a gente se propõe a colocar o nariz fora de casa nesta cidade...

Botecos abrem e fecham... Alguns têm música... Outros têm bom chope... Alguns quitutes deliciosos... Pouquíssimos transcendem e têm espírito...
Fiquei tocada com os elogios que a Meg dirigiu a mim. E não sou boba de refutá-los. Guardo meu rubor e minhas dúvidas para mim.

Sabe, querida, não é à toa que a Janela de Johari está aqui no meu blog. É importante o feedback de quem nos quer bem. E não falo apenas de elogios, mas também das críticas bem intencionadas. (Por isso somos todos loucos pelos comentários. Será que o Falasério vai continuar me barrando na porta?) Talvez você tenha razão quando afirma que as pessoas questionam tantos os elogios quanto as críticas. No primeiro caso, embora todo mundo goste de ser enaltecido, há que se lutar contra os ensinamentos de que bonito é ser humilde. Alguém disse que a modéstia é para os medíocres. Portanto luto diariamente para fugir da mediocridade e aceitar com alegria os carinhos que recebo.

Sonho um dia me concentrar na questão da inveja. Para mim, ela nada tem a ver com a admiração que você expressou (e que é mútua). Tampouco é a mesma coisa que querer ter o que o outro tem (cobiça). O invejoso deseja destruir o outro, tomar o que é dele. Assim, como tantas vezes você sabiamente me alertou para o uso correto de certas palavras, peço licença para fazer o mesmo com você.

14.12.01

Houve festa.

Nenhuma novidade. Nesta época do ano abundam celebrações.

Faltava pouco tempo para a hora do encontro e lembrei que não tinha preparado o quitute que havíamos combinado que cada uma levaria. Esta é a vantagem de ser uma mestre-cuca de meia tigela. Todas as minhas receitas são práticas e rápidas. Em pouco tempo já tinha em mãos um bolo cheiroso e bonitão (gostoso também, disseram).

E foi na hora de arrumá-lo para o transporte que me dei conta da forma como o fazia. Coloca o pano assim, puxa essas pontas para cá e amarra com um nó específico, puxa as outras pontas e amarra só um pouquinho diferente. De onde tirei isso? Lá de trás fui puxando lentamente um fio comprido de memórias.

Como era mesmo o nome dela? Não sei. Mas me lembro do cheiro bom de lavanda que invadia o ambiente quando ela chegava. Seus cabelos crespos estavam sempre muito bem arrumados num coque e enfeitados com presilhas, pentes e grampos coloridos. Suas roupas nunca eram novas, mas estavam invariavelmente muito ajeitadas e combinadas com capricho. Seus filhos, um casalzinho, apresentavam também muito apuro no quesito cuidados com a aparência.

Essa senhora era viúva e para dar conta de criar os meninos lavava roupa para fora. Eu achava bonito sentar ao lado dela e ver as palavras surgirem desenhadas formando o rol. E era tão interessante a forma como ela amarrava a trouxa. Coloca o pano assim, puxa essas pontas para cá e amarra com um nó específico, puxa as outras pontas e amarra só um pouquinho diferente. Gostava muito de olhar para ela. Uma das minhas fixações de infância eram as peles. A dela era muito lisa e negra e, nos dias de calorão, criava-se um bigodinho de gotículas sobre suas palavras doces. Um dia minha mãe elogiou o requinte. “Não é porque sou pobre que devo ser desleixada”.

Também morria de amores por uma senhora talvez nem tão velha quanto a relatividade da minha pouca idade indicava. Toda vez que se falava em século, minha imaginação corria para a sua imagem. Ela era um encanto com as crianças. Tinha sempre balinhas e outras delícias no bolso do avental que não tirava nem para ir à rua. E histórias, muitas histórias. A maior beleza dela, eu achava, era a pele completamente enrugada, como os urbanos já quase não vêem. Ela viera do campo, trabalhara de sol a sol e a marca de cada raio estava ali cravada. Eu me deslumbrava com a maciez de seus braços flácidos, achava que para se ser assim tão leve era preciso ter algo de angelical. Criança maravilha-se até com encarquilhamento...

“Mãe, o que é desleixada?”

“Mãe, faz umas traças em mim como as da filha da D. Lavadeira?”

“Mãe, quando eu ficar velhinha vou ficar igual à Vovó Donana?”

“Mãe, olha só a trouxa que eu fiz para fazer de conta que vou fugir de casa!”

E assim, construímos o que somos...

13.12.01

Uma rosa desabrochando no mundo dos blogs...
O bom, quando a gente está começando a descobrir uma nova amiga, é ir encontrando pontos em comum.

Além de termos gosto musical parecido, ela também gosta de fazer crochet.

Cadê tempo para retomar este meu gosto?


A Janela de Johari




O INDIVÍDUO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Modelo elaborado pelos Drs. Joseph Luft e Harry Ingham. O termo "Johari" foi obtido a partir da junção dos dois nomes dos autores, Joseph e Harry.



Em suas relações interpessoais o indivíduo apresenta quatro facetas diferentes, como se vê na figura acima: o "eu aberto", o "eu fechado", o "eu cego" e, o "eu desconhecido".

As duas áreas da figura, o "eu aberto" e o "eu fechado", correspondem às partes conhecidos pela própria pessoa. As áreas, o "eu cego" e o "eu desconhecido", são por elas ignoradas.

A região 1, do "eu aberto", representa os aspectos da personalidade de que o indivíduo tem conhecimento e aceita compartilhar com os outros. Segundo pesquisas, a produtividade e a eficácia estão relacionadas à quantidade de informações possuídas mutuamente num relacionamento, ou seja, dependem de uma maior área aberta.

Quanto menor a área aberta no relacionamento interpessoal de um grupo ou organização, menor a sua eficácia.

A região 2, do "eu fechado", representa os aspectos que a pessoa conhece, mas consciente e deliberadamente esconde dos outros por motivos diversos, tais como: insegurança, status, medo da reação, medo do ridículo etc. Essa região constitui a chamada fachada em que o indivíduo se comporta de maneira defensiva. A defesa é inerente a toda pessoa. Mas a questão é saber qual a quantidade de defesa tolerável que não iniba o inter-relacionamento nem impeça seu crescimento.

A região 3, do "eu cego" refere-se àquilo que inconscientemente escondemos de nós mesmos, mas que faz parte de nossa personalidade e é comunicado aos outros através de nossas atitudes e desconhecidas por nós. As pessoas falam através de tudo e não apenas pelas palavras. Em suas atitudes e comportamentos muita coisa é transmitida, sem que o próprio indivíduo perceba.

A área cega é um fator limitante da região 1 e é inibidora da eficácia interpessoal.

Finalmente a região 4, do "eu desconhecido", é a área desconhecida pelo próprio e pelos outros. Nelas estão incluídas as potencialidade, talentos e habilidades ignoradas, os impulsos e sentimentos mais profundos e reprimidos, a criatividade bloqueada. Como exemplo da área desconhecida, pesquisadores em Criatividade afirmam que, em geral, utilizamos apenas cerca de 15 ou 20 por cento de nosso potencial criativo. A região 4 pode tornar-se conhecida à medida que aumenta a eficácia interpessoal dentro de um processo dinâmico.

Não obstante o quadro estático na representação gráfica, o modelo da Janela de Johari é bastante dinâmico e pode ser combinado diferente de acordo com o estilo de cada indivíduo.

As diversas áreas não são estáticas e podem variar de dimensão. O inter-relacionamento grupal pode aumentar a região do "eu aberto". Esse alargamento ocorre com a redução da fachada: aumenta a confiança grupal e o indivíduo se comporta de maneira menos defensiva e disposto a correr riscos. Esse processo é chamado pelos criadores da Janela de Johari, Luft e Ingham, de exposição. Ele implica numa abertura de sentimentos e de conhecimentos pertinentes, com diminuição progressiva do "eu oculto".

Igualmente, o "eu cego", dentro de um processo dinâmico, pode diminuir cada vez mais com a boa vontade estabelecida de lado a lado.

Do lado do indivíduo, a superação das barreiras defensivas facilita-lhe realizar o feedback aceitando as informações e avaliações grupais e vendo como é visto pelos outros.

Do lado do grupo, a maior cooperação e o clima de confiança possibilitam a maior transmissão de dados. Numa palavra, a superação do "eu cego" só é possível com a queda das defesas rígidas e com o estabelecimento da confiança grupal

O objetivo de uma dinâmica de grupo é o de aumentar o "eu aberto" dos indivíduos, diminuindo o "eu fechado e o "eu cego", e conseqüentemente, descobrindo e explorando mais o "eu desconhecido" de cada um.

(continua...)
Combinando as quatro regiões, é possível estabelecer quatro estilos diferentes de relacionamento.

TIPO A
É o estilo bastante impessoal de relacionamento, com o mínimo de exposição e o mínimo de feedback. A área do "eu aberto" é muito pequena e o "eu desconhecido" é a área dominante. As pessoas que usam este estilo são retraídas, distantes e fechadas.

Este tipo de pessoa é mais encontrado em organizações burocráticas. Pelo seu aspecto de relacionamento muito frio e impessoal, as pessoas que adotam esse estilo provocam muita hostilidade, pois põem barreiras às necessidades de comunicação dos outros.

TIPO B
Como no primeiro caso, é um estilo também avesso à exposição, sendo o "eu fechado" a área dominante por causa de uma desconfiança básica nos outros. A fachada é grande e nada de pessoal é comunicado.

Ao contrário do tipo A, este tipo utiliza excessivamente o feedback no desejo de estabelecer relacionamento. Sua falta de confiança provoca a desconfiança dos outros membros, gerando também sentimentos de desprezo e de hostilidade. Este estilo é adotado pelas pessoas inibidas que bloqueiam a sua comunicação pessoal, particularmente quando estão em grupo. Preferem falar pouco e ouvir muito. Estão muito atentas ao que passa, mas ninguém sabe o que elas pensam.

TIPO C
Ao contrário do tipo B, este estilo baseia-se no uso excessivo da exposição, em detrimento do feedback.

O "eu cego"é a área dominante por isso a pessoa não se dá conta do impacto negativo que transmite aos outros. Ela reflete muita necessidade de afirmação e pouca confiança na opinião alheia. As próprias opiniões são muito valorizadas. Este é o estilo característico dos autocratas.

As outras pessoas sentem-se desconsideradas pelo indivíduo que apresenta este estilo. Acham que ele não dá atenção às suas contribuições e não se preocupa com seus sentimentos. Por isso alimentam frequentemente em relação a ele sentimentos de hostilidade, insegurança e ressentimentos. Em contrapartida, aprendem a se comportar de forma a perpetuar o " eu cego " do indivíduo, privando-o de informações importantes ou fornecendo-lhe apenas um feedback seletivo.

TIPO D
Neste estilo, que é o ideal, os processos de exposição e de feedback são bastante usados e de maneira equilibrada. Procede-se com sinceridade e honestidade e ao mesmo tempo, com sensibilidade em relação aos outros. O "eu aberto" é a região dominante no relacionamento. Graças à sua atuação, a área do "eu desconhecido", própria e dos outros, pode ser progressivamente descoberta e aproveitada.

De início, este estilo pode provocar certa atitude defensiva dos outros, por não estarem acostumados a relacionamentos baseados em sinceridade e confiança. Mas a perseverança tende a promover uma norma de sinceridade recíproca com o passar do tempo, possibilitando a obtenção de confiança e o aproveitamento do potencial criativo.

(continua...)
Fatores que contribuem para a eficácia e a qualidade do feedback:


1 - CONSTRUTIVIDADE
É o fator número 1.Deve ficar bem claro, através de clima positivo criado, que ao dar o feedback a intenção é contribuir para o melhorar e desenvolver o outro e não usar o feedback como pretexto para atacar, diminuir ou derrubar ("fodeback").

2 - TRANSPARÊNCIA
Expressar realmente o que se pensa e sente. "Amigo é o que diz o que precisamos ouvir e não o que gostaríamos de ouvir."

3 - SENSIBILIDADE E TATO
É preciso dizer a verdade mas com sensibilidade e habilidade, de forma a não estimular e provocar atitudes defensivas. O ser humano é por natureza defensivo.

Necessário se torna saber expressar as verdades incômodas, de forma a ser de fato ouvido, conseguindo receptividade.

4 - CONFIANÇA
Tentar ganhar a confiança da outra parte de modo a que ela se desarme e se predisponha a ouvir. A melhor forma é dar exemplo, sabendo ouvir e expor-se.

5 - POSITIVIDADE
Dar feedback não é apontar somente os pontos negativos ou a melhorar.

Reconhecer os pontos fortes/positivos é fundamental do ponto de vista psicológico. É o reconhecimento do que a pessoa tem de bom que dá a ela a força e a segurança para ouvir sobre o que tem a melhorar.

6 - CLAREZA
Falar de forma clara, evitando obscuridades. Dar exemplos, ajudando a parte interessada à aprender melhor.

7 - OBJETIVIDADE
Saber ir aos pontos mais importante e prioritários, evitando prolixidade, detalhes sem importância ou excesso de feedback de uma só vez.

8 - SENSO NAS COLOCAÇÕES
Ter o senso exato do que se afirma, evitando julgamentos radicais e generalizados. Ao invés afirmar: "você é isto", dizer "Está se comportamento de tal forma" é diferente.

9 - INICIATIVA
Sempre que necessário, tomar a iniciativa para receber ou dar feedback. Não esperar que os outros venham primeiro. Demostrar que ele será sempre bem recebido. Igualmente, tomar a iniciativa para dar feedback sempre que necessário sem esperar que primeiro seja pedido.

10 - PERSISTÊNCIA E CONTINUIDADE
Repetir o feedback tantas vezes quanto for necessário. Apesar da boa intenção, as recaídas fazem parte do ser humano. A prática do feedback deve ser constante.

11-PLANO DE AÇÃO
É a chave de ouro.

Não adianta só ouvir, entender e aceitar. É preciso agir com determinação estabelecendo um plano de ação, começando por atacar o que for mais importante e prioritário: o que, como e quando. Buscar ajuda quando necessário.

(continua...)
Fatores que prejudicam o feedback:

A- DA PARTE DE QUEM DÁ O FEEDBACK

1 - CLIMA DE LUTA, ABERTA OU MASCARADA, E/OU COMPETIÇÃO EXCESSIVA:
Usar o feedback como arma para diminuir ou derrubar o opositor/competidor a quem se dá feedback.

2 - POSTURA NEGATIVA:
Apontar apenas os pontos negativos que deixam a desejar sem reconhecer os pontos positivos.

3 - COLOCAÇÕES AGRESSIVAS OU FRIAS:
Falta de tato e sensibilidade ao dar feedback sem preocupar-se com a forma de expressar-se e como a pessoa vai receber e entender.

4 - JULGAMENTOS MUITO RADICAIS:
Ao invés de dizer "você me passa tal impressão ou está agindo assim", fazer afirmações categóricas e generalizadas: "você é isto".

5-COLOCAÇÕES EXCESSIVAMENTE POLÍTICAS E SEM AUTENTICIDADE:
Por insegurança ou por interesse não expressar o que pensa ou sente, mas o que pega melhor ou o que a outra parte quer ouvir. É o que acontece em geral quando liderados dão feedback para líderes autoritários e temíveis.

B - DA PARTE DE QUEM RECEBE O FEEDBACK:

1-POSTURA EXCESSIVAMENTE DEFENSIVA / FALTA DE RECEPTIVIDADE:
Encarar o feedback como um ataque e não uma contribuição, fechando-se numa posição defensiva. Pessoas que têm fantasias persecutórias são as mais defensivas. Tudo é vivido como ataque ou perseguição.

2 - AUTO-SUFICIÊNCIA E COMPORTAR-SE COMO O DONO DO VERDADE:
Essas pessoas muito auto-suficientes mantêm-se muito fechadas e têm um "eu cego" grande, rejeitando qualquer feedback: "Não é nada disto" ou "não concordo." Aceitam apenas feedback positivos ainda que não verdadeiros.

3-INSEGURANÇA:
Medo de ouvir feedback de pontos não positivos ou a melhorar, achando que vai ficar arrasado e nada vai sobrar.

4-TEIMOSIA:
Teimar contra a evidência e contra todos." Não é, não é, não é."

5-COMPORTAMENTO POLÍTICO:
Representa. Fazer de conta que ouve e aceita para impressionar bem sem de fato aceitar internamente.

6-ESCUTAR SEM OUVIR E PROCESSAR:
Escutar superficialmente sem aprofundar nem processar, trabalhando o que foi ouvido. Tudo morre ali e nada muda.

7-NÃO PARTIR PARA A AÇÃO:
Pode-se até aceitar bem e ouvir, mas sem tomar atitudes concretas para mudar e melhorar. Não se estabelece um plano de ação: "O que precisa mudar e o que vou fazer para isto ". É a consciência sem a conscientização.

(imagem e texto retirados daqui)
Recebi uma notícia de morte. Não era alguém muito próximo, mas fazia parte de um grupo ao qual pertenço. Além disso, uma morte precoce sempre nos alerta, nos impele a avaliações.

Não faz muito alguém segurou na minha mão e perguntou se eu havia morrido. Temo dizer que sim e me escondo no escuro e no silêncio. Não sei se morri, mas com certeza estou mais etérea, quase diáfana. Essa transparência traz vantagens e também desvantagens. Posso ser eu à vontade em meu próprio mundo particular e oculto. Entretanto as pessoas passam através de mim sem saberem que depois tenho que repor tudo no devido lugar sozinha. E elas sequer se dão conta disso.

Tinha um sonho que quase se cumpriu uma vez antes de transformar em pesadelo. Hoje já o abandonei porque sei que ele só me traz sofrimento. Tenho outros que não sei se já passaram do tempo. Talvez sim. Não é confortante a idéia de que se passou da idade para certas coisas. Foco então no possível e tento, do meu jeito canhestro, torná-los reais, que não sou do tipo de gente que se farta com migalhas e restos. Revirar lixeiras? Estou fora! Nasci para brilhar. E gosto de ter a minha volta quem, como eu, saiba polir. A si mesmo e a mim. Gosto de quem também sonha bonito. Gosto de realizar sonhos, que sonhos não realizados são espinhos doloridos demais. Felizmente há ainda muito tempo para muita coisa. Dou as boas vindas a quem se dispuser a embarcar comigo. Para os demais, lenço branco.

Mixaria me cansa. Gosto da fartura de sorrisos, de carícias, de afeto, de troca, de amor. Comedimento é coisa para fracos. Sou franca e não gosto de jogos. Nem dos de guerra, nem dos afetivos, nem dos das regras sociais. Quero arrebatamento! Quero tesão! Quero amplos gramados onde possa soltar as feras da minha insanidade sem ferir ninguém... Fazer-me miúda para não incomodar me exaure e me adoece. Quero espaço para ser! Rir quando estiver com vontade e ter motivos para querer a toda hora.



A seta e o alvo
(Paulinho Moska / Nilo Romero)

Eu falo de amor à vida
Você, de medo da morte
Eu falo da força do acaso
E você, de azar ou sorte
Eu ando num labirinto
E você, numa estrada em linha reta
Te chamo pra festa
Mas você só quer atingir sua meta
sua meta

É a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros
Eu digo: "Te amo"
E você só acredita quando eu juro

Eu lanço minha alma no espaço
Você pisa os pés na terra
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era
E o que era?

Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera

Eu grito por liberdade
Você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar

Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com a metade

É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?




12.12.01

Sou duas.

Mas não é um bom dia para falar sobre isso. Não é um bom dia para coisa alguma.

Comecei o dia apelando para o humor cáustico e cítrico, mas não me valeu. Melhor reunir todas as almofadas da casa sob meu corpo e esperar a dor de cabeça passar, o enjôo dar trégua, a luz e o som pararem de machucar e as águas se acalamarem.

Um dia à deriva. Só por hoje parei de remar. Só por hoje não vou sorrir. Só por hoje vou calar. Só por hoje a imobilidade. Só por hoje um flerte com o lado negro. Só por hoje nem música nem luz. Só por hoje solidão. Só por hoje...

Amanhã a enxaqueca passa e retomo meu vício de felicidade.

10.12.01

Bacana no Rio em dezembro:

- a árvore da Lagoa
- praia nos dias de semana
- a nova iluminação do Pão de Açúcar
- ensaio de escola de samba (ainda não tão cheios)
- boteco ao ar livre com música de raiz (mas tem que ter qualidade, como no Stephanio´s)

Pegadinhas para haules (programa de índio)

- praia no fim de semana
- Feira da Providência
- piscinão de Ramos
- shopping sábado à tarde, principalmente o último antes do Natal, em especial o Rio Sul
- La Mole (as filas são intermináveis, muito acima da média do resto do ano)



É comum ouvir de mães que seria bom se os filhos viessem com manual de instruções.

Não é má idéia. Principalmente quando o moleque, descobrindo o mundo das letras aos 6 anos, lendo tudo o que passa diante de seus olhos, pergunta o que é metáfora.

Então tá...

Mas e se...

Olha, tenho aqui comigo uma fita gravada com depoimentos de Eduardo Moscovis, Fábio Assunção, Norton Nascimento, Marcos Palmeira e Alexandre Borges declarando que sou a mulher mais linda e gostosa que já conheceram. Também fazem parte desta gravação as declarações de Brad Pitt e Will Smith com o mesmo teor de louvação.

A fita foi submetida a um perito cujo nome não vou divulgar que atesta sua veracidade.

O irmão da prima do cunhado do vizinho do meu porteiro leu a transcrição e ficou impressionado.

Ninguém sabe informar ao certo em que circunstâncias a fita foi gravada.

Sei que o mundo inteiro está interessado em ver tal coisa, mas, sabe?, hoje acordei com uma tremenda vontade de fazer doce.

Yes, Bush, I believe in Santa Claus!

7.12.01

Será que sou eu que fico propensa nesta época do ano?
Será que funciona mesmo se abrir às riquezas do universo?

Porque, de repente, nem sei de onde, veio a idéia de fazer uma lista. Não para o novo ano, mas para coisas que quero fazer ou concluir antes das doze badaladas noturnas do dia 31. E veio um gás... Os dias espicharam e o inesperado deu uma mãozinha. Parece que vai dar...

E mais: boas notícias chegam.

Uma irmã, daquelas que por mero acaso nasceram de pai e mãe diferentes dos meus, acabou de dar à luz um lindo e saudável bebê. Terá o mesmo nome que meu filho. Visita aos dois com prioridade máxima na agenda, claro.

Aos 44 do segundo tempo, aquilo que estava já virando novela, tantos eram os capítulos desde o início de 2001, teve um desfecho que vai render um "2002, a missão". Muito bom!

A toda hora alguém me traz uma alegria: uma data de casamento marcada, um prêmio recebido, confirmação de presença em um evento, amigos chegando, os que partem estão indo atrás da felicidade, a atuação do moleque foi um sucesso, vamos esquecer as frescuras e ficar só com o que realmente importa, talvez aqueles tão sonhados dias de papo para o ar...

E, dormindo, tive um sonho que não ouso contar nem para mim mesma.

4.12.01


Auto-retratos








2.12.01

Minha lindinha está de cara nova e com ânimo renovado para escrever. É bom saber que vou poder ler sobre ela com freqüência. Assim a distância dói menos.
Sabe aqueles ciclistas atrevidos que aparecem na frente do carro e você nem sabe de onde vieram? Lá na terra de Tio Sam tem até placa para indicar o que fazer:





A Fer fez a gentileza de me mandar esta foto tirada na esquina de sua casa assim que ela leu o texto sobre as placas aí embaixo. Essa mulher é o máximo, né?

30.11.01

Quando rola
Rala e rola,
Quando a rola é boa,
Boca rota
É bancarrota:
Tem rolha.



29.11.01

Eu via a bendita placa sempre numa hora em que o assunto estava quente e ia em outra direção. Então eu ficava esperando a chance de perguntar e antes que ela chegasse, eu me envolvia na conversa e acabava esquecendo da dúvida.

Mas antes que a questão fosse para o limbo para o qual a memória envia as coisas que ocupam a área volátil do cérebro eu me divertia com os tais sinais de No Xing espalhados pelas ruas de Los Angeles. Aqui é proibido xingar, eu pensava.

Custei a entender porque, para mim, x é xis e não + (cruz, cross, cruzamento). Foi em ritmo de anti-clímax que descobri que era apenas um aviso para áreas onde não se podia atravessar a rua.

Taí mais uma prova de que aprender outros idiomas ajuda a aumentar nossa capacidade de percepção.

E de que é ilimitada a minha capacidade de gerar bobagens.



28.11.01

Porque no próximo dia 10 o texto abaixo completará 53 anos. mas parece que tem gente que ainda não entendeu.


Declaração Universal dos Direitos Humanos



Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultam em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,

Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão,

Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,

Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,

Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,

Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,

A Assembléia Geral proclama:

A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Artigo I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na condição política, jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.

Artigo III - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV - Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.

Artigo V - Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI - Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.

Artigo VII - Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.

Artigo VIII - Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.

Artigo IX - Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.

Artigo X - Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.

Artigo XI

Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV

Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI - Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.

O casamento não será válido senão como o livre e pleno consentimento dos nubentes.
A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado.

Artigo XVII

Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX - Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX

Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de seu país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII - Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
Toda pessoa que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para a proteção de seus interesses.

Artigo XXIV - Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e a férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência em circunstâncias fora de seu controle.
A maternidade e a infância tem direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças, nascidas dentro ou fora de matrimônio, gozarão da mesmo proteção social.

Artigo XXVI

Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigratória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XXVIII - Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente
Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIX

Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas por lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX - Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

Já repararam que muitas pessoas tentam justificar sua ignobilidade distribuindo-a sobre os ombros de passantes desavisados?

É o tipo de comportamento do “esperto” que diz que se ele não fizer alguém fará no seu lugar porque todo mundo só quer se dar bem e os outros que se danem, daquele que tem problemas de honestidade e diz que político tem mais é que roubar mesmo, dos que sonegam impostos e afirmam que é comportamento geral, de quem não sabe mais o que fazer com tanta inveja e jura que se todo mundo fosse sincero confessaria também a sua, dos selvagens criminosos que bradam: “acorda, a gente vive numa selva”...

Não visto nenhuma destas carapuças. Não vivo no mesmo mundo que estas pessoas, creio. Meus defeitos são muitos, são mais ou menos graves, mas são outros e não fico tentando empurrá-los para cima de ninguém.

Acho todo mundo muito legal e para me fazer mudar de idéia precisa se esforçar muito. Às vezes, demoro anos para enxergar o óbvio: que determinada pessoa tem problemas sérios de caráter. E levo tombos enormes do alto da consideração que tenho por alguém que definitivamente não merece.

Entretanto, escolho continuar acreditando que as pessoas são boas, de uma forma geral, e que os pérfidos, vis e torpes são a exceção.

E que até para eles há esperança, senão nesta, em outra passagem por esta terra.


27.11.01

Acho que o jantar de hoje vai ser substituído por uma bela volta pela Lagoa. O dia está tão bonito e quente (e pelo a noite também estará) que é um desperdício ficar dentro de casa, gastando energia elétrica.

Agora tenho um anjo. A Lu me apresenta solução para os problemas antes que eu peça ajuda. Não é máximo anjo com antecipação?

26.11.01

Socooooooooooorro!

O blogger está louco...

Vou cuspir no chão e me jogar para morrer afogada.

PAULA E BEBETO
Caetano Veloso e Milton Nascimento

Ê vida, vida que amor brincadeira à vera
Eles se amaram de qualquer maneira à vera
Qualquer maneira de amor vale a pena
Qualquer maneira de amor vale amar

Eles partiram por outros assuntos, muitos
Mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
Qualquer maneira que eu cante este canto
Qualquer maneira me vale cantar

Pena, que pena, que coisa bonita
Diga qual a palavra que nunca foi dita
Qualquer maneira de amor vale um canto
Qualquer maneira me vale a pena
Qualquer maneira de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Eles se amaram de qualquer maneira à vera
Eles se amaram é pra vida inteira à vera
Qualquer maneira de amor vale um canto
Qualquer maneira me vale cantar
Qualquer maneria de amor vale aquela
Qualquer maneira de amor valerá

Que raiva!

O reblogger apagou todos os comentários mais antigos. Este era um dos motivos que levava a minha preguiça/otimismo a manter o uso deste serviço. O outro motivo era a esperança de que a debandada fizesse com que os serviços melhorassem... Que nada! Agora mudei e espero que tudo fique bem. Vou testar...

Queria contar com a ajuda de todos que puderem. Porque agora quero ver isso aqui cheinho de comentários para espantar a tristeza que foi perder meus tesouros.

Agradecimento especial à Lu, por sua campanha e à Meg, bem, por tudo.

Não importa de onde venha o tema para debate. Se o assunto levantado é interessante, vamos a ele.

“Fico imaginando minha filha casada com um negro e meus netos sararazinhos, eu passando henê neles.”

“Não tenho preconceito. Agora vou ser bem sincera. Acho que ele entrou nessa de ingênuo. Ela seduziu o menino. Que chance ele teria de isso acontecer em outra situação? Quando é que uma menina bonita, loira, classe média, com uma bela casa com piscina na Barra da Tijuca ia se jogar em cima de um rapaz como ele? Em troca de quê?”

Para quem não sabe, ou porque mora fora do Brasil, ou porque não abriu qualquer jornal ou revista na última semana, essas declarações são de uma participante do programa No Limite, reality show apresentado na Rede Globo aos domingos.

Não vou discutir o programa, nem a fabricação de personagens bons e maus, nem porque outras declarações envolvendo judeus não causaram o mesmo alvoroço. Quero me deter única e exclusivamente nas declarações desta senhora e parte do que está envolvido aí.

Diversas instituições de defesa contra o preconceito estão se mobilizando para abrir processo. Vejo as duas declarações de formas distintas. A primeira denota somente ignorância, raciocínio raso, simplicidade de uma mente sem questionamento, que apenas reproduz o que lhe foi ensinado. Aí não existe a figura do Adulto, apenas do Pai, como diriam os aficionados por análise transacional. E seria muito fácil embarcar na onda dos conceitos pré-concebidos e afirmar que de uma dona de casa cuja atividade principal é exercitar-se numa academia não se poderia esperar algo mais elaborado. Contudo, não conheço esta pessoa e não vou cair na armadilha das facilidades simplistas.

A declaração que realmente preocupa, ou deveria, é a segunda, porque nela está implícita a idéia de que um negro não tem nada a oferecer num relacionamento. É idéia corrente que afro-descendentes devem pertencer sempre às classes menos favorecidas e já ouvi inúmeras vezes comentários relacionados à surpresa causada ao se conhecer um negro bem-sucedido financeiramente. Entretanto o comentário vai além. Não é apenas uma questão de assumir que talvez haja problemas financeiros. Não ter nada a oferecer num relacionamento implica em ausência de humanidade. Isso me faz lembrar das grandes reuniões de época remotíssimas quando se discutia se os índios teriam ou não alma.

A situação se agrava. A princípio, a participante se ressente de um suporto esquema escuso criado pela outra competidora, seduzindo um rapaz para conseguir manter seu lugar no programa. Seus argumentos para denunciar tal artimanha, todavia, não são direcionados ao fato de uma mulher seduzir um homem, mas de uma loira seduzir um negro. Seu inconformismo com a situação chega às raias do desespero. Ela sofre. E muito.

Está aí, penso eu, o problema da rapidez com que incorporamos idéias repetidas sem processamento. Compreendo que existam cabeças modestas, para as quais um conceito geral deva ser aplicado sem restrições a toda situação. Se assim não fosse, não encontraríamos médicos que diagnosticam apenas considerando os livros, não o paciente que está à sua frente; mães que pretendem educar todos os filhos da mesma forma, sem considerar suas personalidades; engenheiros que utilizam projetos aprovados no exterior sem considerar o calor tropical brasileiro... No entanto, há uma hora em que se chega ao inadmissível. É quando deixa-se de ser apenas estúpido para tornar-se execrável.