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9.3.02

É o dia D de combate à dengue.

Você vai continuar reclamando do que o governo deveria ter feito ou vai fazer a sua parte para acabar com essa epidemia? A parte deles é ser incompetentes. A nossa é sobreviver. Creio que essa cartilha distribuída pelo poder público é longa demais para uma população com pouca instrução e sem o hábito da leitura. Entretanto você faz parte da elite intelectual do país, dos que tem acesso à internet. Leia até o final. Temos a obrigação de cuidar da saúde de todos. Aja. Compartilhe as informações que você conseguir amealhar. Divulgue.

DIA D

9 DE MARÇO

O dia do Rio contra a dengue. Participe.


O mosquito da dengue coloca seus ovos em recipientes com água acumulada. Confira se sua casa tem algum possível foco de dengue e marque com um X após tomar as providências necessárias.

( ) Pratinhos de vasos de plantas ou xaxins dentro e fora de casa
Escorra a água. Coloque areia até a borda do pratinho.

( ) Bromélias ou outras plantas que possam acumular água
Evite ter bromélias em casa. Substitua-as por outras plantas que não acumulem água. Se preferir mantê-las, é indispensável tratá-las com água sanitária na proporção de uma colher de sopa para um litro de água, regando, no mínimo, duas vezes por semana. Tire sempre a água acumulada nas folhas.

( ) Lixeiras dentro e fora de casa
Feche bem o saco plástico e mantenha a lixeira tampada.

( ) Tampinhas de garrafa, cascas de ovo, latinhas, saquinhos plásticos de cigarro, embalagens plásticas e de vidro, copos descartáveis ou qualquer outro objeto que possa acumular água
Coloque tudo em saco plástico, feche bem e jogue no lixo.

( ) Vasilhames para água de animais domésticos
Lave-os com bucha e sabão em água correte, pelo menos uma vez por semana.

( ) Vasos sanitários
Deixe a tampa sempre fechada. Em banheiros pouco usados, Dê descarga uma vez por semana.

( ) Ralos de cozinha, de banheiro, de sauna e de ducha
Verifique se há entupimento. Se houver, providencie o imediato desentupimento. Se não os estiver utilizando, mantenha-os fechados.

( ) Bandejas externas de geladeiras
Retire sempre a água. Lave-as com água e sabão.

( ) Suporte de garrafões de água mineral
Lave-os bem sempre que for trocar os garrafões.

( ) Lagos, cascatas e espelhos de água decorativos
Mantenha-os sempre limpos. Crie peixes, pois eles se alimentam das larvas. Se não quiser criar peixes, mantenha a água tratada com cloro ou encha-os com areia.

( ) Tonéis e depósitos de água
Lave com bucha e sabão as paredes internas. Tampe com telas aqueles que não tenham tampa própria.

( ) Caixas de água, cisternas e poços.
Mantenha-os bem fechados. Tampe com telas aqueles que não tenham tampa própria.

( ) Piscinas
Trate a água com cloro. Limpe-as uma vez por semana. Se não for usá-las, cubra-as bem. Se estiverem vazias, coloque 1 kg de sal no ponto mais raso.

( ) Calhas de água da chuva
Verifique se elas não estão entupidas. Remova folhas e outros materiais que possam impedir o escoamento da água.

( ) Pneus velhos
Entregue-os aos serviços de limpeza urbana. Caso realmente precise mantê-los, guarde-os em local coberto.

( ) Garrafas pet e de vidro
Jogue fora todas as que não for usar.

( ) Lajes
Retire a água acumulada.

( ) Cacos de vidro nos muros
Coloque areia em todos aqueles que possam acumular água.

( ) Baldes e vasos de plantas vazios
Guarde-os de boca para baixo.

( ) Entulhos e lixo
Não os acumule. Mantenha o quintal sempre limpo.

( ) Materiais em uso que possam acumular água
Seque tudo e guarde em local coberto.

( ) Canteiros de obras
Vede totalmente as caixas de água e cisternas. Esvazie e lave, uma vez por semana, os tambores que contenham água da construção. Coloque 1 kg de sal nas caixas com água para assentamento de azulejos. Seque o poço do elevador e lajes uma vez por semana. Amasse, fure ou remova da construção lata e latões.





8.3.02

Ainda preciso continuar a história daquela que toca chocalho no Salgueiro...
Coisas de que gosto muito e que não faço há séculos:



- usar batom vermelho;

- escrever cartas;

- sair de casa especialmente para tomar um sorvete;

- colecionar pequenos objetos (agora alimento as coleções do filhote).



Acho que vou retomar alguns desses hábitos. Talvez comece com um bocão rubro no meu aniversário.



Não! Melhor ainda! Vou sair especialmente para tomar um sorvete amanhã!
Ótimas notícias para quem gosta de música:



1 - RIO SESC INSTRUMENTAL 2002 – 1° Semestre




Produção Artística – Atelier Cultural / Marcos Souza e Driká Loureiro

Realização – SESCRJ

Assessoria de Imprensa – Sérgio Varela



PROGRAMAÇÃO




Cada mês, um tema envolverá os nomes que subirão ao palco às terças do SESC COPACABANA.



Em Março Nomes Internacionais da música instrumental com sólida carreira no Brasil e exterior.

Abril será tomado pelo melhor do Choro, no segundo ano do Dia Nacional do Choro (23 de abril)



RIO SESC INSTRUMENTAL 2002

Toda Terça-feira - 19:30hs

SESC COPACABANA

Rua Domingos Ferreira 160 – Copacabana - 25470156

Ingressos – R$ 10,00 / R$ 5,00 (músicos, comerciários, estudantes e maiores de 65 anos)






MARÇO - Nomes Internacionais




12/3/2002 – HELIO DELMIRO

“Esse bicho é um dos poucos músicos que me faz segurar meus próprios impulsos de cantar. Às vezes ele me comove tanto com um solo, que chego a pensar em permanecer em silêncio para que o público não perca da memória a maravilha que acabou de escutar".

Elis Regina


Carioca do bairro do Méier, depois de dedilhar por curiosidade um velho cavaquinho, achado num trem da Central do Brasil com uma só corda pelo seu irmão Juca, Delmiro rapidamente passa para o violão, incentivado por outro irmão Carlos Delmiro. Formou em 1965 o grupo Fórmula 7 ao lado de Claudio Caribé, Márcio Montarroyos, Luizão Maia, Helio Celso, entre outros. Em 1967 fez parte do grupo "CONJUNTO 3D” com Antônio Adolfo. E passa a ser requisitado para tocar com grandes cantoras, como Clara Nunes (em toda sua discografia), Elizeth Cardoso, Marlene, Elza Soares, Dóris Monteiro e Elis Regina, que brilhou ao seu lado por três anos. Em 1980 lança seu primeiro disco “Emotiva” (EMI-Odeon), e é convidado por Sarah Vaughan para gravar o LP "Exclusivamente Brasil" (BMG). Em 1981 gravou o disco "Samambaia" ao lado do pianista César Camargo Mariano, que se tornou um marco de referência para a música instrumental brasileira. O LP “Chama” de 1984, seu terceiro CD, apresenta o belo e conhecido choro homônimo. O show “Helio Delmiro in Concert” na Sala Cecília Meireles foi gravado ao vivo resultando no prestigiado disco Romã, lançado em 1992. Delmiro fez em 96 uma série de shows com o compositor e violonista Guinga, e em 1998 participou do show "Tributo a Elis Regina" em Nova York no teatro Town Hall, do qual foi também Diretor Musical. No ano seguinte viaja para a Califórnia onde se apresenta com o pianista e arranjador Clare Fischer no renomado "The Jazz Bakery", gravando o CD “SYMBIOSIS”, que foi lançado dia 9 de Julho de 1999 nos EUA. De lá para cá, vem dando workshops, shows, mostrando porque faz parte do top da lista dos nomes nacionais e internacionais da música instrumental brasileira.



19/3/2002: TONINHO HORTA, JUAREZ MOREIRA E CHIQUITO BRAGA

Lançamento do CD “Quadros Modernos”



26/3/2002 – AZYMUTH







ABRIL – Choro




02/4/2002: TRIO MADEIRA BRASIL & CONVIDADOS



09/4/2002: ÉPOCA DE OURO & CONVIDADOS



16/4/2002: NÓ EM PINGO D´ÁGUA E SIVUCA



23/4/2002 – DIA NACIONAL DO CHORO

PAULO MOURA E OS BATUTAS

Homenageados:
Abel Ferreira, Zé da Velha e um nome a ser escolhido pela revista virtual www.samba-choro.com.br



30/4/2002 – CLUBE DO CHORO DE BRASÍLIA & TURMA DA ACARI (MAURÍCIO CARRILHO, LUCIANA RABELLO e Cia)



[Divulgação Atelier Cultural

Av. Marechal Câmara 160 / 1502 – Centro

Rio de Janeiro – Cep: 20020-080

Tel: 25326367 - TeL/Fax: 25326919

ateliercultural@hotmail.com / marcossouza@alternex.com.br]








2 - O Butuca Ligada divulga que virá por aí um festival de música brasileira na Cidade do Rock (onde aconteceu o último Rock in Rio). Pelo que li, tem tudo para ser muito bom. Vai ler os detalhes .
Recebi por e-mail, de fontes diversas, duas dicas que quero partilhar com você. Fica registrado aqui meu agradedimento.

A primeira dica veio da Letti. Chama-se Mundo Perfeito é show de bola em forma e, principalmente, conteúdo.

A segunda veio da Cris, que ainda não tem blog, mas deveria, e é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Aliás, hoje é o dia certo para pensarmos seriamente sobre os passos que já demos e os que precisam ser ainda dados para que alcancemos o que nos é devido.

7.3.02

Ela toca chocalho na bateria do Salgueiro...
Ai-ai!

Hoje não deu tempo nem de escrever um post rapidinho.

E olha que não falta assunto...

Só para ficar registrado que, ao contrário de um povinho aí (muito querido, mas sádico com leitores assíduos), não estou em greve.

6.3.02

Eu estava muito abalada com a morte do meu pai e com a gavidez problemática da minha irmã mais nova. Ficava remoendo muitas questões. Um amigo perdeu o pai mais ou menos na mesma época e discutíamos sobre o toque do anjo da morte e a reviravolta que ele causa em nosso sistema de valores. A verdade é que comecei a me preocupar com coisas para as quais jamais tinha dado atenção.

Uma conhecida me disse que eu só me preocupava com isso porque estava deprimida. Fico com os dois pés atrás quando usam a palavra depressão para designar tristeza. De qualquer forma, ela estava certa ou simplemente consegui digerir e resolver o que agitava minha cabeça naquele tempo. Passou junto com a dor lancinante, que virou doce saudade e cicatriz, e se transformou em um novo código de postura mais elaborado. Mas quando ela me disse aquelas coisas reagi com veemência. Não estava pronta para ouvir. De qualquer modo, suas palavras ficaram registradas e hoje reflito sobre elas.

Observo algumas pessoas enumerando desgraças como se vivêssemos o final dos tempos. Sou daquelas que acreditam que nada é muito pior do que sempre foi. Mudaram a velocidade com que a informação nos chega e quantidade de dados que temos que processar diariamente. Sem mencionar que boas notícias definitivamente não rendem manchetes e não geram tantas discussões acaloradas.

Penso que se hoje, por exemplo, direito civis são violados é porque eles existem e há quem reclame e há como fazê-lo publicamente, quando há um segundo histórico eles eram apenas uma utopia.

Minha amiga Gaby diz que o mundo é uma rosquinha: alguns preferem saborear sua deliciosa massa, outros preferem lamentar o furo no meio.

Não sou tola para ignorar o enorme volume de miséria e desgraça que aborrota meus olhos e ouvidos, mas creio numa constante - embora lenta - evolução. Mexo meus pauzinhos quando está ao meu alcance, procuro tirar alguma lição de tudo e não perco o foco nas maravilhas que desabrocham sob minhas imaginárias barbas todo (definitivamente santo) dia.

Aos arautos do apocalipse só tenho a dizer que vai passar.

5.3.02

?????
Hoje estou para movimentos sutis...

Quem quiser que brinque de jogo dos sete erros...

Estou quase fazendo jus ao lado mineiro da família...
Você vai acreditar se eu contar que uma senhora com cara e jeito de Dona Benta desabou no chão hoje na minha frente quando eu levava meu filho para a escola? Pois acredite!
Porque camarão que dorme a onda leva, estou abandonando o Fala Sério e adotando o YACCS.

4.3.02

Meu filho,

Mamãe sente muito orgulho de você. Não apenas porque você é a criança mais linda do mundo para os meus olhos e os de seu pai, mas porque você vive enchendo minha vida de surpresas agradáveis.

Alegrei-me quando, ainda na classe de alfabetização, a professora pediu para você escrever uma frase, qualquer frase, aquela que seria uma das primeiras frases escritas por você e você redigiu: "É bom ser diferente".

Sim, meu filho, é muito bom ser diferente e vou ficar muito feliz se você escolher para sua vida o caminho da unicidade. Contudo, prepare-se. Não é uma estrada fácil.

Algumas vezes você pode se sentir sozinho. Aproveite esses instantes para conhecer-se melhor. Outras vezes você pode sentir-se tentado a simplesmente concordar com a maioria, mesmo acreditando que estão absolutamente errados. Muito cuidado nesses momentos. Procure não trair suas convicções. Seja flexível e aberto a novas idéias, mas mantenha sempre de pé o senso crítico e a capacidade de avaliar o mundo com sua própria cabeça. É ótimo ser aceito e querido, mas procure a afeição e o respeito sendo você mesmo e não apenas mais uma rês no rebanho.

Querido filho, a vida é um bem precioso e as pessoas são geralmente boas. Entretanto, viver exige cautela. É preciso saber ver, ouvir e principalmente interpretar... Infelizmente há homens maus. Desvie-se deles. Eles precisam de espaço para descobrirem uma outra direção. Procure o bem, que é abundante para quem tem os sentidos e sentimentos atentos. Não deixe que desilusões comprometam sua crença no futuro. Acredite que algo melhor sempre poderá vir e sustente a fé no ser humano e na vida, mesmo quando ouvir previsões catastróficas, blasfêmias ou injúrias contra os que você mais ama ou contra o seu país. Lembre-se que boas notícias, pequenos atos heróicos e milagres cotidianos não rendem manchetes e acontecem a toda hora, em toda parte.

Por favor, mantenha a nobreza de sentimentos que você enverga hoje. Compartilhe, sorria, acarinhe, acuda... Tome a iniciativa de melhorar o que você acredita precisar de ajustes. Ofereça amparo esperando nada em troca além de um espírito em paz.

Tenha desconfiômetro e respeite o tempo de cada um. Outros também podem ser diferentes e enxergar a vida de forma diversa da sua. Observe opiniões e experiências que não coincidem com as suas. Discorde quando for o caso, mas considere. Determinação não é antônimo de brandura. Argumente, mas não tente impor. Nada é mais triste do que pretender ser o dono da verdade. Use sempre as palavrinhas mágicas.

Aprenda também a discernir a ignorância da estupidez. Procure ser piedoso com esta e generoso com aquela. Perigosos são apenas os que se julgam detentores de um conhecimento que lhes foge. Inteligência é um dom, não um mérito. Meritórias são a sabedoria e a compaixão.

O mundo está repleto de riquezas. E dificilmente você irá encontrá-las no ouro. Trabalhe e lute pela satisfação. Jamais esqueça quais são as coisas realmente importantes. O maior tesouro é o amor. Amor nos aspectos mais variados. Todos diferentes e preciosos como você.

Não permita que ninguém faça você acreditar que é menor do que é. Olhe dentro dos olhos. Por mais desorientada que esteja, uma pessoa sempre terá alguma vitude. Evite arvorar-se de superior. Tenha um aperto de mão firme e um abraço caloroso. Beije.

Ser mal-interpretado faz parte do jogo. Não desista. Não perca o poder de indignação diante da injustiça e da miséria.

O segredo, querido, é respeito. O que você exige para si e o que demonstra pelos outros.

O objetivo, meu amor, é ser feliz e fazer feliz o maior número de pessoas que você puder.

E, quem sabe, um dia você escreverá uma carta como esta para um meu neto.

E você deverá saber que ele não irá lê-la, porque a graça está em descobrir tudo isso por si. Você estará lá para orientar e apoiar, mas deve deixá-lo tropeçar às vezes, como você mesmo tropeçou, pois é assim que se aprende e se fortalece. E você vai emocionar-se ao ver um caráter formando-se e vai amar este ser com tanta força que jamais conseguirá exprimir com precisão a extensão e intensidade de seu amor. Você deverá saber que nutre e forma esta pessoinha para que se torne um ser humano pleno para o mundo e não para ser um brinquedo em suas mãos ou uma extensão de seus sonhos. Você precisa ter consciência que está dando tudo de si para que ele seja muito venturoso e que um dia ele vai sair para cumprir sua própria missão, talvez bem longe de você. Mais ou menos nessa época, você deverá ter descoberto que a estrada é tão ou mais importante que o destino.

Seja diferente sabendo que, no fundo, somos todos iguais.

Amo você do tamanho do infinito.

Um beijo,

Mamãe.

Todo mundo que tem filho em idade escolar lembra que antes da dengue outra febre foi soberana. E alguns devem também lembrar que antes de ser politicamente corrigido para enquadrar-se às regras norte-americanas e muito antes de atracar por essas plagas de habitantes tão desesperados por consumir vorazmente tudo o que é moda na terra de Tio Sam, um certo programa andou causando ataques epiléticos. Graças aos seus poderosíssimos estímulos áudio-visuais, durante a exibição de um de seus episódios, diversas crianças, em diversas partes da terra do sol nascente - origem de tão curiosa atração - sucumbiram, literalmente babando, à experiêcia.

Pois hoje descobri que sou o Pikachu, o bichinho elétrico protagonista de Pokémon. Não alcanço qualquer outra razão para explicar a freqüência assusadora com que alguém cai diante de mim debatendo-se absolutamente sem controle sobre os próprios movimentos. Quem já presenciou tal cena sabe que ela não é bonita. E quem tem um pouco de discernimento sabe que não causa qualquer prejuízo a não ser ao próprio doente. O meu desespero é porque não sou daquelas pessoas de iniciativa diante de uma emergência. Minha tendência é a paralisia e o grito. Sangue me apavora. Talvez tudo isso seja uma espécie de chance de aprimoramento, porque geralmente os incidentes que presencio envolvem situações de grande risco.

Numa dessas vezes, um homem caiu numa escada e, com os espasmos, batia fortemente a cabeça na quina de um dos degraus. Para ajudá-lo tive que engolir minha fobia, despertada com toda fúria pelo sangue que escorria de sua boca e de sua testa, já que ninguém mais se prontificou a fazê-lo. Os policiais que passavam e a quem pedi socorro deram de ombro e disseram trata-se de um bêbado conhecido na vizinhança. Mais medo que de sangue, só da polícia... Só sosseguei quando a ambulância dos bombeiros, que chamei de um orelhão próximo, finalmente chegou.

Hoje, por volta de meio-dia, filho pela mão a caminho da escola, outro homem caiu diante de mim numa das pistas da Avenida Maracanã. Mesmo quem não conhece pode imaginar a intensidade e a velocidade do tráfego na hora do almoço em uma via que detém o título de avenida. Deixei o moleque na calçada com instruções de não sair dali e lá fui eu sinalizar para os carros desviarem. O sol quente, um antigo problema de saúde e o susto faziam minha cabeça girar. Agarrei pelo uniforme um gari que passava e o intimei a me ajudar a retirar o homem do asfalto. Uma pequena multidão reuniu-se, o homem já estava em segurança recostado no muro, aparentemente sem maiores ferimentos, minhas pernas paravam de formigar: segui meu caminho tentando explicar ao meu filho o que era epilepsia e aquela outra doença, a mais grave, que faz com que as pessoas virem o rosto em outra direção e finjam que nada acontece.

Acho que o Pikachu fica mesmo bambo depois de descarregar suas baterias...

3.3.02

Vi no blog da Telinha que vem aí a refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Era um dos meus filmes favoritos na época vadia de estudante para um dia chuvoso de Sessão da Tarde. É, não sou mesmo original... Acho que este filme está na lista das memórias favoritas de muita gente...

O interessante é que esta notícia me animou a tirar uma dúvida. Desde que vi Philip Seymour Hoffman em Magnólia, cismei que ele era o menino Charlie da Fábrica de Chocolate. Os dois tinham um sorriso meio amarelo, um jeito especialmente sem graça de passar a língua nos lábios e caí de amores pela sua interpretação como havia acontecido com o garoto que interpretava o moleque pobre na outra fita... Na época em que assisti a Magnólia, um filme que me impressionou imensamente, fui ao IMDB pesquisar e não vi ligação entre os dois, já que os registros das aparições de Hoffman só começam a partir da década passada. As idades também não batiam muito bem... Mas não sabia o nome original do filme estrelado por Gene Wilder e a pesquisa ficou meio capenga. Com as informações colhidas no artigo publicado pela Telinha, finalmente pude concluir o assunto. O nome do ator mirim é Peter Ostrum e aquela foi sua única aparição na telona, embora tenha recebido alguns convites depois desse trabalho. Casou-se duas vezes, é pai de dois e trabalha como veterinário em Nova Iorque.

Então, como não consegui descobri nada mesmo importante e constatei que muitas vezes minha imaginação é bem mais emocionante do que a realidade (pelo menos para mim), resta-me esperar pelo lançamento do novo filme (baseado não no roteiro do primeiro, mas diretamente no livro em que foi inspirado) e continar acompanhando Mr. Hoffman emprestando seu brilho em diversas produções.

(imagens "tomadas emprestadas" daqui)

1.3.02

Babona


Meu filho de seis anos tem blog!
Cidade Maravilhosa


Hoje minha cidade faz aniversário e, como todos nós, tem muito o que comemorar e muito em que melhorar.

Parabéns, meu amor!

Para celebrar:

* Fernandinha Abreu no Armazém nº5 do Cais do Porto. Participações de Ivo Meirelles, Funk´n´Lata, Afroreggae e MV Bill. DJ Markinhos Mesquita agita antes e depois do show. R$5,00.

* Cinelândia com 5 palcos musicais (forró, rock, jazz, MPB e bossa nova). Presenças confirmadas: Trio Beija-Flor, Saísse e os Bois, Fugitivos de Tokio, Flávia Gabizo, Grupo Maracutaia, Guilherme Brício, Claadette Soares, Eduardo Costa, Taís Fraga e Markinhos Moura. Grátis!

* A Epopéia da Cidade do Rio de Janeiro. Peça de Leila Carvalho e Josué Soares, no Museu da Cidade até 31 de março aos domingos, às 11h30. Grátis!

* Aldir Blanc e Moacyr Luz hoje na Toca do Vinícius em Ipanema.

*Muito, muito mais. Fique de olho que os jornais oferecem várias opções interessantes sem precisar por a mão no bolso.

E para não dizerem que só falo mal da Globo, reconheço sempre que a emissora do Jardim Botânico faz um bom trabalho. Realmente gosto muito destes projetos do RJTV. Foi muito legal a escolha de uma música tema para a Cidade Maravilhosa (embora ache que seria muito mais interessante se a vencedora tivesse sido Rio 40 Graus da Fernandinha Abreu, do Fausto Fawcet e do Laufer). Também gostei muito de O Bairro que eu Quero, onde os moradores apontavam as maiores virtudes e defeitos dos locais onde moram. E esse novo projeto é bastante simpático.

A boa do final de semana

Se você tem mais ou menos a minha idade, decerto sonhou em ser (se seu gosto for diferente do meu, transar com) a Maria de Lourdes vivida por Malu Mader em Anos Dourados. Também deve ter apreciado muito os Titãs e sempre achou o Tony Belotto uma deliciosa exceção entre aqueles geniais paulistas que com certeza não venceram pelos rostinhos bonitos. Ficou surpresa(o) quando ele se lançou como autor de romances policiais? E quando o rapaz começou a apresentar um programa sobre língua portuguesa numa emissora de TV? Se estou afinada com o bom-senso, você também deve achar um desperdício o Fábio Assunção em tramas melosas como a nova novela das seis, enquanto ele arrebenta quando tem nas mãos um papel mais consistente. Sem mencionar a belíssima estampa que uma amiga minha classificava como criolouro (cor de olhos, pele e cabelos de louro e traços negróides).

Pois essa turma toda se reuniu em um filme que tem conseguido ótimas críticas. Trata-se de Bellini e a Esfinge, baseado no romance homônimo do titã casado com a poderosíssima atriz. O moço também participou da produção. A perfeita, digamos, vá lá, química que aconteceu entre a patroa e o menino dos mais lindos olhos azuis do Brasil em outros trabalhos resultou na convocação de Fábio Assunção para encabeçar o elenco. Sob a direção de Roberto Santucci Filho, essa galera tem arrancado aplausos de todo mundo que já teve a oportunidade de conferir o resultado. Parece que o prêmio de melhor filme do Festival do Rio BR 2000 foi merecido.

É a história de um detetive (vivido por Assunção) que para resolver um caso, mergulha no submundo de Sampa, habitado por prostitutas (como a personagem de Malu) e outros bichos. Tem mistérios, herói e bons diálogos...

Vou conferir e prestistigiar essa produção nacional. Em termos cinematográficos, o Brasil tem apresentado muitas coisas interessantes nos últimos tempos.

E para a turma masculina que ainda torce o nariz para o cinema brasileiro, um incentivo: a musa de Gilberto Braga aparece peladona! Ela está linda como sempre. Assisti a uma entrevista com ela no programa da Gabi no GNT e fui fisgada pelo charme e elegância que ela esbanja até para brincar com aquelas piadinhas infames. Você conhece, claro. "Qual o nome do pai da Malu Mader? Malu Father. Qual o nome do cachorro da Malu Mader? Malucão. E o gato? Malucat. E o irmão? O irmão é Felipe mesmo." Sem graça, né? Por que que eu estou colocando isso aqui? Ah, para dizer que ela encara tudo isso numa boa, com aquele sorriso iluminado que Deus lhe deu. O que dizer então daqueles olhos melancólicos emoldurados por sobrancelhas espetaculares? E além de uma carreira gloriosa na TV e agora no cinema, de fazer a clássica dobradinha como esposa de estrela pop acompanhando o maridão nas turnês, quando possível, e mãe de dois pimpolhos naquela idade terrível de dependência e crítica total (querida, como te compreendo!), de ter que viver respondendo a perguntas da estirpe de "como é essa coisa de ser artista, mãe e dona-de-casa?", ela ainda tem projetos de começar a dirigir e escrever roteiros. Maria Clara Machado deve estar orgulhosa, olhando de onde estiver. Dá-lhe, Malu!

Ave, Belotto!

Viva Fábio!

28.2.02

Ontem abri uma série de questionamentos neste blog e hoje quando abri o jornal, li grande parte das respostas que buscava na coluna do Eugênio Bucci. Ele vai pelo caminho que você apontava, Fer e concorda conosco, Mosca.

Debby, continuo achando que esta reflexão que você procura é muito melhor explorada em outros meios, com uma abordagem mais comprometida com a ética e a estética (não apenas corporal).

Dicas para quem está fascinado pelo tema, mas busca alternativas mais interessantes:

Livros:

* 1984 - Orson Welles (sei que há duas versões cinematográficas, embora uma delas seja completamente comprometida pela propaganda anti-comunista da CIA que corrompeu até o magnífico final)
* Senhor das Moscas (Lord of the Flies) - William Golding (Há também o filme de 1963 do diretor Peter Brook, disponível em formato DVD e VHS)

Filmes:

* Ed TV de Ron Howard
* O Show de Truman de Peter Weir

E para quem está buscando respostas sobre alma e relacionamentos humanos, nada melhor que Shakespeare, Machado de Assis ou mesmo Jane Austen, entre muitos e muitos outros...

27.2.02



Uma coisa que me impressiona é que todo mundo odeia a Globo, mas poucos se animam a evitá-la definitivamente.

Ando muito curiosa a respeito do comportamento humano desde que surgiu esse fenômeno chamado reality show. Fico lendo os comentários nos jornais e de vez em quando dou uma olhada nos programas para ver o que é que eles têm de tão hipnotizante. Não consigo atinar sobre o que passa na cabeça de quem paga (e caro) para ver gente fazendo nada interessante 24 horas por dia.

Outro dia entrei num desses blogs cuja pauta é o Big Brother. Todos, invariavelmente falavam mal. Diziam que era tudo armação, criticavam o nível intelectual dos participantes, apontavam defeitos e mais defeitos... E continuam todos ligadísimos minuto a minuto!

O que é isso? Não é apenas a curiosidade pelo outro, natural no ser humano. Será que as pessoas tentam se justificar, por se verem presas a algo tão medíocre, criticando? Algo como: "assisto sim, mas eles não me enganam, porque sou muito esperto"? Acho isso poderia ser traduzido por uma mente realmente crítica como: "eles estão conseguindo seus objetivos; enquanto eu olho para criticar, aumento a audiência, ajudo na conquista do apoio necessário para perpetuar esse tipo de produção e ainda me exponho voluntariamente aos patrocinadores que correm sempre para diante de meus olhos e ouvidos."

Seria mais honesto admitir que assiste porque gosta, porque acha as baixarias, os palavrões, a exposição dos corpos fascinantes; que se esqueceu de padrões éticos, do conceito de cultura e de privacidade em busca do prazer de olhar, de se comparar, de se identificar...

Também sinto um tom de revanche nos comentários como o similar do SBT é superior, porque tem gente conhecida e não uns ninguéns. Imagino o que de interessante pessoas tão nobres tenham para apresentar, além de músculos sarados e cabelos oxigenados... Mas há um gostinho de júbilo ao ver a Vênus Platinada batida semana após semana em um de seus horários mais nobres. Pouco importa como isso foi feito ou a que preço.

Parece estranho escrever num blog sobre a perda da importância da privacidade e acho que só mesmo para mim e muito poucos isso faz sentido.

Importante mesmo é saber que vai "pagar peitinho" hoje à noite ou quem será o próximo casal a causar ondulações sob o edredon. Quem é louco nesses tempos de falar de cinema, música, literatura, teatro e artes plásticas? Quem há de questionar o que é um artista agora que está definido que é aquele que colocou a cara na TV por mais de duas vezes?

Será que vou ter que começar a me preparar para ser mordida por ratos por renegar o Big Brother?




A GRANDE FAMÍLIA
(Tom e Dito)
(especialmente adaptada para anúncio importantíssimo)

Esta família é muito unida, e também muito ouriçada,
Blogam por qualquer razão, mas o importante é o refrão.
Bloga pai, bloga mãe, bloga filho
Eu também sou da família, também quero blogar,
Bloga pai, bloga mãe, bloga filho,
Eu também sou da família, também quero blogar.
Bloga pai, mãe, filho,
Eu também sou da família também quero blogar.

25.2.02



Netto
Caricaturista
Eventos e festas
(021)9697-0784
cartunetto@zipmail.com.br


O cara viu a gente rindo muito e achou que éramos ricos. Bem, ele está certo. Só que nossa riqueza não é dinheiro. É bem melhor que isso...

24.2.02



Rau tchu bi a CaRIOca

(título brasileiro do livro How to be a Carioca da escritora americana Priscilla Ann Goslin, uma fã incondicional da Cidade Maravilhosa)

Recortes de Sta. Teresa
Botequim e fachadas






















Hoje estou assim...

O QUERERES
(Caetano Veloso)


Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim

23.2.02

Do baú

AMIGO É PRÁ ESSAS COISAS

- O que é que houve, meu camarada? Tu tá amuado, nem parece o meu chegado Tonhão...
- Nem te conto...
- Aaaaaaah, não! Cê vai me dar licença, mas eu vou sentar aqui e ficar
contigo até tu abrir esse peito e contar tudinho que tá te azucrinando. Quem sabe eu posso te ajudar? Às vezes só falar já alivia. A gente somos ou não somos camaradas?
- Somos... Claro! Mas é que é coisa minha, cê sabe... Daquelas que a gente num conta nem pro travesseiro. Cê tá me entendendo?
- Olha, Tonhão. Vamu fazer o seguinte: tu toma uma por minha conta. Traz uma aí, Pará! Põe aqui pro Tonhão que ele tá na precisão. Valeu! Toma! Vira! Isso, garoto! E então, deu prá esquentar? Tá melhor, num tá? Quer outra? Pará, mais uma. E põe na minha conta, que eu tô podendo. Te contei, Tonhão, que fiz um serviço numa casa de madame? Fiquei meio cabreiro porque madame é muito bom na hora de encomendar, mas na hora de pagar é outra história. Mas a perua pagou tudo, de uma vez, direitinho e gostou tanto que já deu dica de
outras colega dela prá mim visitar e ver se descolo alguma outra bocada. Puxa, tua cara já melhorou. Viu só? Num tem mágoa que uma água que passarinho não bebe não resolva...
- Tu deve de estar certo... E sabe o quê? Eu é que devo estar vendo coisa, procurando chifre em cabeça de cavalo...
- Ih!... É coisa com comadre Nega, é?
- E o que mais havera de me deixar desse jeito, homem? Aquela nega é minha vida, tu sabe...
- E o que que houve?
- Tu conhece a Nega... Tem aquele jeitão despachado, cara de braba, mas a gente se damos bem. Ela briga, reclama, mas quando escancara aqueles dente e solta aquela gargalhada, alumia até noite sem lua.
- Pois então...
- Agora deu prá não sorrir mais. Nem xingar meus sapato no meio da sala ela xinga.
- Hum...
- Tu sabe que com criança pequena em casa as coisa de casal muda um pouco, né? Tem que esperar o Uoxinto dormir para a gente podermos vadiar... E às vezes ele dorme depois de mim... É chato... Mas quando tudo dá certo a gente tiramos a forra.
- Êta! Peraí um pouquinho... Pará... Mais aqui... Pronto! Vai, fala...
- Então... Aí no dia seguinte, enquanto faz meu café a Nega canta que é uma beleza, faz festa no menino, essas coisa...
- ...Que tu é homem de saber fazer mulher ficar feliz...
- É... Aí essa semana o Uoxinto começou na escolinha e tem dormido cedo, cansadinho o bichinho. Às vez eu chego do trabalho e ele já tá lá
conversando com os anjinho do céu, no maior ronco...
- ... e tu e a patroa em lua-de-mel...
- É... Mas aí é que ficou estranho, porque a Nega não se ri, não tá cantando de manhã...
- Ih!...
- Um sujeito pode ficar com o coração calmo com uma coisa assim?
- Te entendo, te entendo...
- Acho que ela anda com saudade dos tempo de que era rainha da roda lá prás bandas da Boca... Tu lembra como a Nega dançava bonito? Todo mundo parava prá ver, dava gosto... Depois que a gente juntamos os trapo, nunca mais... Eu nem num pedi. Ela mesmo que num teve mais ânimo praquilo. Mas acho que agora tá sentindo falta... Quer brincar um pouco... Fica o dia inteiro socada dentro de casa, cuidando de panela, roupa e menino, tadinha... Às vez eu tenho pena... Fico pensando em levar ela prá dar uma volta na Boca, rever os amigos, dançar um bocado...
- Tu tá doido? Perdeu a razão?
- Por quê!?
- Tu num sabe como anda a Boca por esses dias! Aquilo tá cheio de malandro ordinário, mermão.
- É?
- E num é? Gente da pesada. Tu tá me entendendo? Ninguém respeita mais ninguém. Num tem mais aquela coisa do nosso tempo, não. Ó, vou te dar uma idéia, com todo respeito, porque te considero prá caramba, tu é meu irmãozinho e sei que num vai ficar chateado com teu compadre aqui: Nega é mulé jovem ainda, tá bonitona, mesmo depois de ter menino. Tô falando com respeito, hein! Pois tu vai lá mais tua Nega e chega um otário metido a malandro querendo tirar chinfra. Porque tu sabe que aqui todo mundo te respeita. Nega é a mulé do Tonhão e num tem mais assunto. Mas lá... Ah, meu irmãozinho, é tudo diferente. Eles acha que ninguém é de ninguém. Vai por mim: tu vai te aborrecer. Vai entregar o ouro ao bandido. Claro que a comadre vai fazer ouvido de mercador prás cantada barata. Mas o que que um homem como tu ia fazer se passassem a mão na tua Nega? E hoje em dia, neguinho só quer resolver questã no teco.
- É... tu tem razão... Mas como é que eu vou tirar este quebranto da Nega?
- Tu lembra do João Malé, aquele que vendia de um tudo aí pelas vielas? Então, rapaz, de grão em grão a galinha enche o papo. Ninguém dava nada pelo crioulo e ele guardando seus trocado... Outro dia abriu um bar ali embaixo, perto da Esquina do Pecado. Coisa de muito luxo... Bom gosto que num sei de onde aquele camarada tirou... Pois bem, fui lá outro dia com a Wladislene. Música boa, só casalzinho, bem família... A gente dançamos prá valer... Se divertimos prá caramba e num teve nenhum engraçadinho prá mexer com ela, porque todo mundo tava acompanhado. O maior respeito, percebe? É num lugar assim que tu tem que levar a Nega...
- Será que ela gosta?
- Claro, comadre Nega é mulé fina, sabe o que é bom...
- Isso é mesmo...
- Então... Olha tive outra idéia: Wladislene adora o teu moleque. Mesmo que ela não fosse a madrinha dele ia adorar aquele garoto, porque ele é um menino de ouro...
- Ele é mesmo uma coisa, né? Sabe que outro dia eu cheguei em casa com um agrado prá ele e ele abriu correndo, deixou o brinquedo de lado e ficou brincando com a caixa? Eu pegava o brinquedo, mostrava prá ele, mas ele só queria saber da caixa. O moleque tem opinião que nem a mãe...
- A Wladislene adora o Uoxinto. Eu também tenho o teu menino em consideração de filho. Você faz o seguinte: deixa o garoto com a gente, vai se divertir com a comadre na casa do João Malé e depois... Ah, ah, ah... Tu já viu o novo motel que abriu lá na estrada? O Alemão falou que é coisa de responsa e que é baratinho, quer dizer, dá prá gente pagarmos sem apertar muito, sabe? Tu vai lá, dá um trato na Nega e quero ver se ela canta ou não canta...
- Cês ficam mesmo com o moleque?
- E prá que que serve os amigos? A gente temos que se ajudar, ué...
- Eu acho que a Nega vai adorar...
- Claro!...
- Puxa, tu é mermo um irmão. Num é à toa que a gente te escolhemos prá batizar o menino...
- Ah!... Deixa disso que tô ficando encabulado.
- Vou falar com a Nega...
- E pode deixar que essa eu acerto que tu vai precisar de algum prás tuas investida romântica. Num esquece de comprar umas flor prá ela... Um vestido bonito...
- Tá, tá... Deixa eu ir que tu tá me enchendo de idéia... Valeu, mermão! Té mais...
- Vai pela sombra... Tu tá vendo, Pará, como é que é essa vida? Tu fica aí atrás desse balcão e vê tudo... Se eu não espremo este camarada, no que que num ia dar esse assunto? Eu aqui crente que o papo com a Nega foi só uma coisica à toa e ela já desgostando do Tonhão... Só me faltava essa... Se eu num tomo uma providência, Nega e Wladislene qualquer hora dessa tão descendo esse morro agarradas nos cabelo uma da outra. Essas mulé de hoje em dia tão muito carente, se apaixona por qualquer coisa. Eu, hein!

Mamma Meg mandou para mim e divulgo:

Vocês já ouviram falar do projeto Villa-Lobinhos? Não? Então não sabem o que estão perdendo: uma chance de a gente se orgulhar de ser brasileiro. Vou explicar. O Villa-Lobinhos é um projeto realizado (a duras penas, diga-se de passagem) com o apoio do Instituto Moreira Salles e do Museu Villa-Lobos, administração da ONG Viva Rio e coordenação pedagógica de Turíbio Santos.

O que eles fazem, basicamente, é oferecer bolsas de estudos para crianças e adolescentes de comunidades carentes aqui do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. Essas crianças passam a ser atendidas em um ambiente muito simpático e acolhedor, onde recebem almoço, lanche e uma ajuda financeira para pequenas despesas. Mas o mais importante, para nós, é que dentro do projeto elas recebem também orientação musical completa: aulas de teoria, de instrumento, música de câmara, história da música, informática. Além de tutoria escolar e apoio psicológico.

O resultado é impressionante. Podemos dizer isso de cadeira, por que já vimos, e já ouvimos. Essas crianças estão tocando melhor do que muita gente grande, e o fazem com uma alegria e um amor que têm servido de exemplo para todos nós que tivemos contato com eles. Para vocês terem uma idéia, uma das muitas apresentações dessas ferinhas foi no Rock in Rio, junto com a super-fera Paulo Moura.

É um trabalho meritório e entusiasmante. A gente logo quer participar. Mas como? Muito simples. O projeto precisa desesperadamente de doações: instrumentos de qualquer espécie, ainda que não estejam em perfeito estado; aquela flauta vagabunda que está no seu armário há séculos, e poderia estar prestando um belo serviço; e aquelas toneladas de flautinhas doces (de plástico também serve!) que estão esquecidas no fundo do baú de brinquedos das crianças.

E mais: livros, partituras, estantes de música, computadores, CDs, fitas, aparelhos de som.... Usem a sua criatividade. Também não custa lembrar: dinheiro é sempre muito bemvindo, e muito bem aplicado, já que educar e alimentar tantas crianças custa caro. Atualmente o projeto já conta com vários padrinhos: pessoas ou instituições que se responsabilizam inteiramente por uma criança. Atualmente duas crianças estão sem padrinho e correndo o risco de serem excluídas do projeto. Não vamos deixar que isso aconteça, não é?

Como doar? Fácil, fácil. É só entrar em contato com o Rodrigo Belchior, pessoa fabulosa e alma do projeto. O telefone dele é: 21- 215 0766, ou celular 21-9956 0475, ou então no Projeto Villa-Lobinhos, 21-540 5890. O e-mail dele é : Villalobinhos@vivario.org.br.
Ou rodflauta@ig.com.br.
Mas o que é a Feiticeira na Casa dos Artistas II - O Retorno? Claro, eu sei que em público você não sabe quem é a Feiticeira nem jamais perdeu o seu precioso tempo vendo aquela baixaria total criada pelo Mago Abravanel. Mas, não tem ninguém olhando agora. Você pode admitir que sabe muito bem quem é a Feiticeira e que de vez em dá vazão aos seus instintos voyeurísticos dando uma olhadinha nos artistas da Casa dos Idem II - A Vingança. Mas a pergunta da vez é: o que é aquele homem forte e espadaúdo no qual se transformou a outrora calipígia e curvilínea Feiticeira? Será a mais nova tendência?

Vai ver o restante deste texto maravilhoso.

22.2.02

Sei não...
Tive uma idéia brilhante para um post.

Esqueci...
Eu só quero:

- pão de queijo
- geléia de morango
- guaraná
- pão francês quebrando de fresco
- manteiga com sal
- café com leite morno
- queijo prato
- suco de laranja
- doce de mamão verde

Estou sem fome...
Programa imperdível para balzaquianos em geral:

O Museu da República apresenta, dentro do projeto TV Nostalgia, uma retrospecitva de Vila Sésamo. A gente vai poder matar a saudade de Ana Maria (Sônia Braga), Juca (Armando Bogus), Gabriela (Aracy Balabanian), Antônio (Flávio Galvão), Garibaldo (Laerte Morrone) e Gugu. A exibição neste sábados acontece entre 10h e 17h e, nos intervalos, André Monteiro, o organizador, apresenta desenhos e comerciais infantis antigos.

Então, um aperitivo para amanhã:












Quem me dera agora:




Recebi por e-mail e vou postar porque nunca é demais. A bola está conosco, já que se formos depender dos governantes estamos ferrados.

Dengue: saiba como prevenir, identificar e tratar a doença

Água parada em pneus, vasos, caixa d'água aberta. Pronto. Não precisa mais nada para que o mosquito aedes aegypti se desenvolva e saia por aí infectando as pessoas. A dengue é uma doença infecciosa que pode ser grave, chegando até a matar, mas fácil de evitar. Basta tomar alguns cuidados básicos.

Sintomas

A dengue é uma infecção causada por um vírus que possui quatro sorotipos diferentes: Den-1, Den-2, Den-3 e Den-4. Os principais sintomas da doença são febre alta, náuseas e vômitos, dores de cabeça, nos olhos e no corpo, fadiga, prostração (pessoa abatida, enfraquecida), manchas avermelhadas, fraqueza e falta de apetite.

Após ser picado pelo mosquito, o paciente só vai apresentar os sintomas depois de três a 15 dias. Esse intervalo entre a picada e a manifestação da doença chama-se "período de incubação".

A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa, nem por água ou objetos contaminados. A doença somente é adquirida através da picada do mosquito vetor.

Sintomas da dengue: dor de cabeça, febre alta, dores nas articulações, falta de apetite, fraqueza, manchas avermelhadas.

Tratamento

O primeiro passo a ser tomado por um paciente com os sintomas da doença é consultar um médico ou procurar um posto de saúde. Quanto antes o tratamento for iniciado, mais rápido será a recuperação.

O tratamento da dengue é de suporte, ou seja, alívio dos sintomas, reposição de líquidos perdidos e a manutenção da atividade sangüínea. Em nenhum momento o paciente deve se automedicar. Cuidado com os medicamentos à base de ácido acetil salicílico, como a 'Aspirina' e o 'AAS'. Eles podem agravar os sintomas da doença. Não há vacina para a dengue.

Aedes aegypti, o vilão da dengue

O verão é a estação preferida do aedes aegypti. Com as freqüentes chuvas e o desleixo da população, o mosquito se reproduz nas águas paradas em pneus, latas, tampinhas e tudo o mais que pode abrigar uma poça, seja uma piscina vazia ou um balde velho jogado em um canto. O mosquito adulto vive em média 45 dias.

A transmissão da doença, que é feita pela fêmea do mosquito aedes aegypti, raramente ocorre em temperaturas abaixo de 16° C, sendo que a ideal gira em torno de 30° a 32° C.

O desenvolvimento do mosquito ocorre da seguinte maneira:

OVO => LARVA => PUPA => ADULTO

A fêmea coloca os ovos em condições adequadas (lugar quente, úmido) e em 48 horas acontece o desenvolvimento do embrião. Os ovos que carregam esse embrião podem suportar em até um ano a seca e serem transportados por longas distâncias, grudados nas bordas dos recipientes. Sendo essa uma das razões para a difícil erradicação do mosquito. Para passar da fase do ovo até a fase adulta, o aedes demora em média dez dias.

Os mosquitos acasalam no primeiro ou no segundo dia após se tornarem adultos. Depois deste acasalamento, as fêmeas passam a se alimentar de sangue, que possui as proteínas necessárias para o
desenvolvimento dos ovos.

Segundo uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) a fêmea do aedes voa até mil metros de distância de seus ovos. Com isso, os pesquisadores descobriram que a capacidade do mosquito é maior do que os especialistas acreditavam.

Dengue Hemorrágica

A dengue hemorrágica atinge as pessoas que já tiveram a doença e que possuem anticorpos para defender o organismo do subtipo do vírus.

Segundo o infectologista Jorge Amarante, de São Paulo, o "paciente, quando reinfectado, fabrica anticorpos em uma quantidade tão grande a ponto de lesar os vasos sangüíneos, inflamando-os. É uma
manifestação de hipersensibilidade à dengue". Essa hipersensibilidade provoca sangramentos pelo nariz, boca e tubo digestivo, gengiva ou ginecológico.

Os sintomas da dengue hemorrágica são os mesmos da dengue comum. A diferença ocorre quando acaba a febre e começam a surgir os sangramentos. A pressão arterial cai, os lábios ficam roxos, e o paciente sente fortes dores no abdômen, alternando momentos de sonolência com agitação. O quadro clínico se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar o paciente à morte em até 24 horas.

De acordo com estatísticas do Ministério da Saúde, cerca de 15% a 20% das pessoas com dengue hemorrágica morrem. "Essa é a forma mais grave da doença", explica Amarante.

Gripe ou Dengue. Como diferenciar os sintomas?

Muito parecidas, as duas doenças podem confundir a população.

"Geralmente, os paciente com dengue sentem uma dor no corpo grande demais para não ter nenhum sintoma respiratório", explica o infectologista Jorge Amarante, de São Paulo. "Os sintomas da gripe
estão relacionados com tosse, coriza e congestão nasal, o que não ocorre com a dengue", acrescenta. "Outro dia, atendi um paciente com dengue que relatou sentir dores no couro cabeludo só de passar a mão pelos cabelos."

E o mosquito? Como saber qual é o aedes aegypti e um pernilongo comum?

Segundo os especialistas consultados é muito difícil diferenciar a olho nu o vetor da dengue de um pernilongo comum. Algumas diferenças: o aedes aegypti é menor do que o comum e possui manchas brancas intercaladas com escuras. Além disso, ele é mais escuro do que um pernilongo, que é marrom. Outra diferença está no horário em que o mosquito costuma picar as pessoas. Geralmente o comum ataca durante os fins de tarde e as noites. Já o aedes, pica durante o dia. Mas atenção, isso não significa que uma pessoa picada por um mosquito ao meio-dia, por exemplo, está correndo risco de ter sido infectada pelo vetor da dengue.

Se o leitor encontrar um mosquito que julgue ser diferente do comum deve notificar a Secretaria de Saúde do município ou a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen). Os especialistas realizarão testes e informarão se há realmente o perigo da doença, além de acabar com o criadouro do mosquito.

Uma pessoa pode contrair dengue mais de uma vez?

Sim. Existem quatro sorotipos do vírus da doença, sendo classificados por 1, 2, 3 e 4. Uma pessoa infectada pelo vírus 1, por exemplo, adquire imunidade permanente para este sorotipo, mas não para o 2, 3 ou 4. Se ela for picada por outro mosquito com outro sorotipo da doença, ela terá novamente a dengue, podendo até a desenvolver a forma mais grave que é a dengue hemorrágica.

Onde procurar ajuda?

Ao apresentar os sintomas da dengue, o paciente deve rapidamente procurar um posto de saúde ou consultar um médico. É muito importante que a pessoa não se automedique. Essa prática pode complicar mais ainda o quadro da doença.

No ano passado, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em São Paulo inaugurou o "Ambulatório dos Viajantes", que além de orientar sobre as principais doenças infecciosas, realiza exames e encaminha os pacientes. Os interessados em outras informações podem ligar gratuitamente, para o telefone do ambulatório: 0800-555466.

História: Como a dengue veio parar no Brasil

Os primeiros relatos da incidência da doença no País datam de 1846, quando teria havido uma epidemia no Rio de Janeiro. Em São Paulo, há registros de epidemias entre 1852 e 1853 e também em 1916. Mas a primeira documentada clínica e laboratorialmente ocorreu em 1981, em Boa Vista, Roraima, causada pelos tipos 1 e 4.

Originário da África, o aedes aegypti foi introduzido na América do Sul na época da colonização. Alguns historiadores acreditam que ele veio em potes com água nos navios negreiros.

Em 1986, a epidemia atingiu gravemente o estado do Rio de Janeiro, provocando um milhão de casos da doença.

* Fontes: Sucen - Superintendência de Controle de Endemias; Ministério da Saúde; Secretaria de Saúde do Município de São Paulo; Funasa - Fundação Nacional de Saúde; Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz; Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


Também é bom lembrar que os maiores criadouros de dengue estão em casa. Muito cuidado com vasos de plantas. Duas boas dicas são regar e borrifar as plantas com água misturada com algumas gotas de água sanitária e usar borra de café diluída em água nos pratinhos que ficam sobre elas. Nenhum dos dois procedimentos prejucam as plantas. O ideal mesmo é colocar areia nos tais pratos. Quem mora em casa com quintal deve ficar atento a vasilhames que possam acumular água e possam servir como berçário de "zebra bicuda".

Dia 9 de março será o dia de mobilização contra a dengue no Rio.

O Viva Rio está cadastrando voluntários que queiram participar do combate a esta epidemia, que deveria ter sido evitada pelo poder público. Esta é mais uma oportunidade da população provar que é forte e consegue sobreviver e cuidar de si apesar de tantos desmandos.
Todo mundo comentou e eu não. Estava esperando pelo Millôr:

Capicua. A propósito da hora, minuto, mês, dia, ano - 20:02 de 20/02 de 2002 - que passou, a tevê deitou e rolou no ápice da pretensão, com todos os matemáticos, videntes e outros esotéricos do consumo a postos nas tribunas da sabedoria: é uma capicua. Falando com empáfia o que todos, com determinado grau de educação, até eu, que sou rendeiro, sabem, ou têm obrigação de saber. Está bem, vamos lá, a coisa é interessante, interessantíssima, deve ser divulgada. Mas a tevê, sobretudo o Jornal Nacional - nosso oráculo de Delfos do horário nobre, teleguia de nossas informações diárias - fala sobre o assunto como se tivesse acabado de encontrar a solução do último teorema de Fermat. Com o olho rútilo da sabedoria. Mas, ao fim e ao cabo, Capicua é (e aí a pruderie que, durante o nosso jantar, exibe na tevê as maiores sacanagens, tem medo de dizer) pura e simplesmente juntar cu com cabeça. Chocados? Vem de Cap (caput), cabeça. Em latim fica menos ruborizante. Cu é português puro como, acho, todos sabem.
Ah, por isso mesmo capicua também quer dizer bissexual, gilete, cantareira.

Ainda, pra quem tem fé: qualquer capicua pode ser usada como talismã.


(Retirei daqui)





21.2.02

O post é público, mas o recado é só para ela, que vai me entender.

REZA FORTE
Autora: Bete Vitiello

Minha reza é forte, ela é de coroa
Ela vem do norte, é uma reza boa
A mandiga firmada lá no solo do sertão
É mandiga quebrada na ponta do meu facão
Na cumbuca assentada do lado de dentro do portão
Passa amigo e camarada, gente ruim não passa não
Vai-te embora mau olhado, ziquizira e amolação
Tá cortada a inveja, olho gordo e obssessão



(Tirei daqui, onde também se pode ouvir um trecho.)

Te apruma, criatura, que já mandei meu recado pro povo lá de cima!
Para Lu:

Banho Cheiroso
(Antonio Vieira)

você deve tomar banho cheiroso
prá acabar com essa mofina
e o corpo ficar jeitoso
você sente uma moleza
sem ter doença nenhuma
tem a vida atrapalhada
não consegue coisa alguma
então ouça o meu conselho
ele é muito valoroso
pois não perca mais seu tempo
e tome banho cheiroso
você deve tomar
banho cheiroso
prá acabar com essa mofina
e o corpo ficar jeitoso
ele é feito de tipy
pau de angola e puxuri
leva trevo de mulata
e também patchouli
jardineira, pataqueira
e também manjericão
leva rosa todo ano
amoníaco e açafrão.
você deve tomar banho cheiroso
prá acabar com essa mofina
e o corpo ficar jeitoso
Já que o clima está assim e a roupa gruda no corpo e não tem banho que resolva, vamos pelo menos cantar:

Mormaço
(João Roberto Kelly)

Você chegou,
Na minha vida lentamente,
Você foi paz,
Você foi gente,
Me fez feliz,
Me fez contente,
Você me deu,
O seu sorriso todo branco de paz,
E muito mais,
Me deu ternura e até prazer,
De viver,
E agora, sem você eu nada faço,
Seu amor foi o mormaço,
Que me queimou, sem querer,
Não vá embora, nunca mais,
Não quero acordar deste sonho,
Bonito, de paz.

20.2.02

Só pedra não!

Devo ter jogado umas bolas de canhão na cruz...

Credo!
Será que o Blogger também está de mal comigo?

19.2.02

Juro, Papai do Céu, vou ser uma boa moça e não desejo mais o mundo termine em barranco para eu morrer encostada!

Agora me deixa trabalhar em paz, vai?
Ah, não!!!!
Uma das coisas importantes que eu tinha planejado para hoje teve que ser adiada para, no mínimo quinta-feira.

Fazer o quê?

Planejamento é exatamente isso: uma vontade que querer controlar o que não tem controle.

E lá vou eu, como míope, tateando e me virando no que dá até que tudo se resolva em paz.

Amém!

15.2.02

Hein!?

Acabou?

Cadê o Guilherme de Brito que estava sentado aqui ao lado sendo homenageado?
Onde foram parar os blocos animadíssimos?
Cadê a velha 206 e o túnel que chora?
Cadê a Arte do Fogo e a sua artista, que explica que o nome Conservatória não tem a ver com conservatório de música, apesar da notoriedade de suas serestas, mas com a palavra de português arcaico usada para designar cartórios, como aquele fundado na região no século XIX?
Cadê os Arcos suntuosos e debochados do tempo que (quase) tudo corrói, por onde passavam, sobre trilhos, as riquezas, lágrimas de reencontros e de despedidas?
Onde estão os cabelos com spray dourado, a purpirina, as luas e estrelas que brilham no escuro, as fantasias elaboradas ou improvisadas, a espuma branca nas mãos das crianças, o riso fácil na boca de quem acabou de chegar a este mundo e quem dele já está se despedindo?
Alguém sabe onde foram parar os confetes e serpentinas, o calçamento de pedras arredondadas?
Você viu aquele senhor que estava tocando violão e que cantava com uma voz impostada?
Onde se escondeu a índia que não é índia, mas sim uma entidade das águas? Sumiu junto com sua cachoeira?

O quê!? Volta à real? Trabalho?

Hum...

Acho que vou precisar do final de semana para o processo de aclimação.

8.2.02





Fui!

O Primeiro Clarim
(Rutinaldo - Klecius Caldas)


Hoje eu não quero sofrer
Hoje eu não quero chorar
Deixei a tristeza lá fora
Mandei a saudade esperar...
La-rá-rá-rá
Hoje eu não quero sofrer
Quem quiser que sofra em meu lugar.

Quero me afogar em serpentinas
Quando ouvir o primeiro clarim tocar
Quero ver milhões de colombinas
A cantar, trá-lá-lá-lá-lá-lá
Quero me perder de mão em mão
Quero ser ninguém na multidão...
Lá-rá-rá-rá.

--------------------------------------------------------------------------------


Massa real
(Caetano Veloso)


Hoje eu só quero você
Seja do jeito que for
Hoje eu só quero alegria
É meu dia, é meu dia
Hoje eu só quero amor
Hoje eu só quero prazer
Hoje vai ter que pintar
Só quero a massa real
É o meu carnaval
Hoje eu só quero amar
Hoje eu não quero sofrer
Não quero ver ninguém chorar
Hoje eu não quero saber
De ouvir dizer que não vai dar
Vai ter que dar, vai ter que dar
Esse é o meu carnaval
Vai ter que dar, vai ter que dar
Só quero a massa real.
Adivinha quem virou blogueiro!
Não esquecer de levar:


Favela Chic - Postonove
Compilation





Editeur : Vogue
Distributeur : Bmg
Support : CD Digipack
Parution : 12/06/2001
Genre : Monde Amerique Latine
Gencod : 0743218416224

1 Manda O Som Dj
2 Eu Sou Favela - Bezerra Da Silva
3 Batucada - Walter Wanderley
4 Eu Tambem Quero Mocoto - Erlon Chaves
5 Eu Nao Vou Mais - Ed Lincoln
6 Vendedor De Bananas - Os Incriveis
7 Criancas/oba La Vem Ela - Jorge Ben
8 Cuidado Com O Bulldog - Jorge Ben
9 16 Tolenadas - Funk Como Le Gusta
10 Mangueira - Seu Jorge
11 Simbarere - Antonio Carlos E Jocafi
12 Trem Batucada - Os Reis Du Batuque
13 Aquecimento De Capoeira - A Coisona
14 Megamon - Batutinha Dj
15 Mengoooo
16 Porrada Solucao - Bonde Do Gorila
17 Coca-agua-skol
18 Popozuda Rock'n Roll - De Falla
19 Chinelo De Rosinha - Trio Nordestino
20 Edmundo (in The Mood) - Elza Soares
21 Alegria De Voces - Jair Rodrigues
22 Mar Do Postonove
23 Rosa, Menina Rosa - Jorge Ben
24 Morte Da Sandalia De Couro - Bebeto
25 Acabou


O Favela Chic é a maior sensação da noite parisiense.

Kenzo e Vampeta, Lia de Itamaracá e Issey Miyake, Patife e DJ Dolores. O club parisiense Favela Chic tornou-se, em seis anos de existência, um dos mais democráticos points de encontros de plebeus e bombshells, jogadores de futebol e pin-ups da capital francesa.

Espécie de comunidade alternativa do século 21, esse projeto pessoal e profissional da dupla Rosane Mazzer, brasileira, e Jérome Pigeon, francês, surgiu em um pequeno bar de 40 metros quadrados na Rue Oberkampf, em Paris (atualmente, está no canal St. Martin).

Pigeon, que também se investe de vez em quando da persona do DJ Gringo da Parada, tenta encontrar uma fórmula que drible o estereótipo nacional, sem renegá-lo.


(resumo do que encontrei aqui)

Comunidade do balaco
Paula Alzugaray

O lema da casa é desordem e progresso. Mas é com hospitalidade e alegria que o casal Jérome Pigeon e Rosane Mazzer recebem 10 mil pessoas por mês, em sua casa, em Paris. Casados há seis anos, eles são os donos do Favela Chic, o espaço que virou referência musical da noite parisiense, investindo nas misturas exóticas. Nas pic-ups: de Jorge Ben a Sex Pistols. Na cozinha: crepe com moqueca de siri. “A primeira vez que fui a uma favela, vi a arquitetura do que eu queria reproduzir em forma de som. A estética do Favela Chic é essa: um mix harmônico e caótico”, conta o francês Jérome, de 36 anos.

A dupla está no Brasil para promover o CD Favela Chic Postonove (BMG), fruto da Fla-Flu Produções e o primeiro de quatro álbuns dedicados à música brasileira. “O CD é como uma noite no Favela. Vai subindo de tom, de acordo com o número de caipirinhas que vai-se bebendo”, ilustra a brasileira Rosane, de 35 anos. De um samba de Bezerra da Silva de 1992, chega-se a uma Elza Soares safra 1965, passando pelo forró do Trio Nordestino.

A temperatura ferve na seleção de eletro funks e na ótima “Coca-Água-Skol”, um funk sampleado com capoeira pelo DJ Gringo da Parada -- nome de guerra de Jérome. Para incluir na compilação “Popozuda Rock’n’roll”, de De Falla, ele enfrentou resistência dos amigos, mas seguiu seu instinto. “Popozuda é totalmente punk, uma das minhas preferidas. Todas as músicas pop são sexistas. Os Rolling Stones eram mais sexistas que ‘Popozuda’, há 30 anos”, defende o Gringo. O Favela Chic nasceu do romance. Rosane tinha um pequeno restaurante de comida brasileira, em Paris, em frente à casa de Jérome, que era cantor de punk rock. “Um dia, o som do restaurante pifou e o Jérome, que estava me paquerando, trouxe o dele.” Não saiu mais. A casa cresceu e a família também. Além das filhas gêmeas, Yasmin e Rubi, de 4 anos, a dupla está cercada de uma família de DJs, VJs, dançarinos, cozinheiros, garçonetes, seguranças, fotógrafos, músicos e cineastas, como a paulistana Gabriela Greeb, que nutre as festas da Favela com imagens da Ponte Cultural São Paulo -- Rio -- Paris.


(retirado daqui)

Para :

Esta capa do CD de Los Hermanos é um bate-bola (clóvis)



7.2.02

Sobre os comentários do último post:

Helô: Havia pistas no próprio texto sobre o fato de ser um sonho. Além de eu estar com a Aninha e a Jô, o gálaxi azul, o anacronismo das pessoas dentro dele, principalmente a presença do meu pai, que faleceu há mais de quatro anos e não conheceu nenhuma de minhas amigas ex-virtuais. Mas você precisaria saber destas coisas para reconhecer o absurdo.

Joyce: bingo! bingo! bingo!

: Clóvis e carrascos eram os mascarados que circulavam pelo bairro de Campo Grande e outros subúrbios nos Carnavais da minha infância. Os clóvis são mais conhecidos hoje em dia aqui no Rio como bate-bolas. Usam roupas largas e coloridas de cetim e máscaras horrendas feitas de uma espécie de tela que deixa quem está dentro ver fora, mas não o contrário. Originalmente usavam bexigas de boi infladas com ar amarradas a um cordão que eram utilizadas para bater nas pessoas (só os doidos violentos faziam isso) ou no chão fazendo muito barulho para assustar ainda mais as crianças. Os poucos remanescentes deste tipo de folia, usam agora bolas de plástico. Daí o nome. Os carrascos usavam o modelito típico com aquele capuz tradicional. Geralmente tinham guizos presos nas pontas das roupas, que poderiam ser (majoritariamente) negras, brancas ou vermelhas. Havia também um outro tipo, o pai-joão. Formado por grupos que resolviam cair na folia na última hora ou que não tinha dinheiro para a fantasia, suas roupas eram feitas com trapos, calças e camisas remendadas, lençóis e fronhas na cabeça, com dois nós amarrados.

5.2.02

Resolvemos tomar um café, daqueles cheios de coisas misturadas, como canela, rum ou toques de pimenta para apurar os sentidos e saborear melhor a conversa.

Para chegar ao local, subimos uma escadaria de madeira. O local ficava no alto de uma colina de onde podíamos ver a vizinhança através de suas paredes envidraçadas. Era dividido em diversos ambientes, decorados com temas distintos, mas sempre no estilo rústico chic. E eu pensei que a escolha havia sido acertada. Aquela sofisticação despojada agradaria AnaGon e um local confortável, onde pudéssemos passar muito tempo proseando, encantaria a Jomara.

Ainda era cedo. As mesas estavam praticamente vazias e podíamos ver uma certa agitação do lado de dentro do balcão e, por cima da porta que se abria como as de saloon em antigos filmes de bangue-bangue para a cozinha, os funcionários acabando de calçar suas luvas brancas e colocando seus chapéus. Não tínhamos pressa e nos acomodamos as três em um bom lugar, olhando vez ou outra displicentemente o cardápio que prometia, além do paladar exótico do café, delícias nos petiscos e sanduíches.

Entretanto demorou demais para que alguém aparecesse para nos servir. Levantei para ir ao banheiro e na volta resolvi ir até o outro salão que estava mais cheio e onde as garçonetes pareciam concentrar sua atenção para ver o que estava acontecendo. Chegando à porta vi que havia ali um enorme bufê onde as pessoas se serviam. Girei sobre os calcanhares para chamar minhas amigas, mas encontrei a porta do ambiente onde elas estavam fechada. Perguntei a uma mocinha uniformizada que passava apressada o que havia acontecido e ela respondeu que os poucos clientes estavam ali haviam sido realocados, porque aquele espaço não seria aberto ao público naquele dia.

O que teria acontecido com minhas companheiras? Fiquei vagando pelas outras salas e não as encontrei. Decidi subir até o ponto mais alto estabelecimento. Era uma espécie de loja separada, com um grande balcão margeado por bancos forrados de couro e algumas bancas espalhadas que expunham guloseimas e artesanato. Do lado oposto, suas portas se escancaravam para a rua paralela àquela pela qual havíamos ingressado. Uma rua de paralelepípedos com casas antigas que ficava bem no topo da colina.

Assim que cheguei e antes que eu pudesse pedir qualquer informação, a loja foi invadida por uma horda de adolescentes suados. Eles vinham acompanhando um bloco carnavalesco e entraram ali para beber alguma coisa refrescante. Pareciam não ser locais. E alguns aproveitavam para fazer pequenas compras típicas de turistas e outros admiravam-se com a vista privilegiada. Era eu a deslocada e decidi sair pelo mesmo caminho que chegara. Fui ainda olhando, tentado achar minhas amigas. Nada.

Do alto da escadaria de madeira pude ver um Galaxi azul pousado junto ao meio-fio. Uma de suas portas estava aberta e sobre ela se apoiavam os braços de Jomara e sobre eles seu queixo. Ela abandonou a pose de enfado quando seus olhos abandonaram o ponto perdido no horizonte que miravam e ela me viu. Acenou jovialmente, me chamando. Apertei o passo e vi que AnaGon estava lá dentro, os braços cruzados duramente sobre o peito, numa visível desaprovação ao meu sumiço e à minha demora. Não reconheci o motorista. Outras pessoas lotavam o monstruoso carro. Havia crianças e outros membros da minha família que não vejo há anos. Alguns com a aparência que tinham quando eu ainda era pequena. Meu pai me olhava com aquela expressão misturando censura e leniência.

- Vamos! Já é tarde!
- Não vai me caber aí...
- Então você vai no estribo. É Carnaval e esta banheira não anda nada mesmo. Segure-se bem!

Não sabia exatamente porque todos pareciam bravos comigo e não tive tempo de explicar o que acontecera. Apenas obedeci.

O carro subia e descia pelas ladeiras e íamos cruzando com diversos blocos. Um deles usava camiseta branca com seu nome e patrocínio da prefeitura. Outro era composto por moças vestidas com maiôs vermelhos, chifres e rabos em seta purpurinados e faziam evoluções com seus tridentes. Em outra rua, vimos um grupo de clóvis e, mais adiante, carrascos jogavam confetes e serpentinas em quem passava. Famílias acompanhavam os filhos fantasiados de baianinhas, piratas, palhacinhos, odaliscas, árabes, trogloditas, ciganas... As bandinhas tradicionais revezavam-se com os tambores pesados. Umas turmas mais animadas valiam-se apenas das mãos para acompanhar as músicas que cantavam.

A noite caía. Eu me equilibrava com facilidade e sentia o vento no rosto. Dividia minha atenção entre a festa e o pôr-do-sol que eu avistava quando chegava no alto das ladeiras. Pensei que deveria guardar cada rico detalhe deste Carnaval para escrever no blog.

E despertei.

4.2.02





Não me surpreendo com o nu, que nunca foi tabu aqui em casa. Nem com o movimento que o desenho sugere, já que é uma característica do traço dele. Tampouco estranho os olhos, já que ele é o mestre das expressões.

Mas de onde esse moleque tirou as luvas e o salto alto?


Dicas de economia


Recebi estas dicas por e-mail. A primeira, eu sei que é verdadeira. As outras ainda não testei. Se alguém se dispuser a fazê-lo, poderia confirmar ou corrigir?

1) Economize nos Correios.

Se você tem por hábito utilizar os Correios para envio de correspondência, observe que se você enviar algo de pessoa física para pessoa física, num envelope leve, ou seja que contenha duas folhas mais ou menos, para qualquer lugar / Estado, e bem abaixo do
local onde você coloca o CEP escrever a palavra Carta Social, você pagará somente R$ 0,01 por ela. Isso está nas Normas afixadas nas agências dos correios, mas é claro que nao está escrito em letras graúdas. A mesma carta, caso você nao escreva Carta Social, conforme explicado acima, custará cerca de R$ 0,27.

2) Auxílio Lista

Quando você precisar do serviço 102, que custa R$ 2,05, lembre-se que existe um concorrente que cobra apenas R$ 0,27 por informaçao. Telefone: 0300-789-5900

3) Economize nas ligaçoes.

Existe um serviço já disponível para SP e RJ de ligaçao gratuita de telefones comuns para telefones comuns. Como funciona: De qualquer orelhao ou telefone comum, discar 0800-900801 e, automaticamente, você ouvirá a mensagem do patrocinador da sua ligaçao. Após isso, ele pedirá para digitar o DDD e o número a ser discado. Esta ligaçao poderá ser feita para qualquer lugar do Brasil. O tempo de duraçao é de 1:30 min. Nada impede de serem feitas várias ligaçoes seguidas.
(Obs.: Nao sao aceitas ligaçoes para celulares.)




"Salgueiroooooooo
lalaiá
minha paixão, minha raiz,
Academia do Samba que me faz feliz"


Minha Mocidade Independente de Padre Miguel, jamais esqueço de você.

Amo esta terra brasileira e sua música e nesta época do ano meu sangue entra em ebulição, você sabe.

Samba é meu sobrenome, sei que você entende.

Então peço para que você compreenda que ter me arrepiado ontem quando o puxador de samba do Salgueiro começou o esquenta e toda a Rua Conde de Bonfim fez coro não é traição. É um amor grande demais por estas coisas muito nossas, que eu estava orgulhosamente mostrando para uma documentarista francesa, que quer exibir por este mundão a influência do candomblé na cultura brasileira. E o samba está entre seus assuntos. Foi por isso que eu pedi ao moço do caminhão de gelo para deixar que ela subisse e filmasse a bateria. Não é bateria nota dez do saudoso Mestre André, minha Mocidade. Mas Mestre Louro merece nosso respeito.

E como fazer, povo da Vila Vintém, para evitar que o baticum reverbere por todo o meu corpo? Como deixar de me encantar com as figuraças que transitam por ali?

Minha Mocidade, foi por você que soltei plumas na avenida e é por você que torço sempre na apuração dos votos. Então não se zangue comigo quando acompanho a paixão do meu marido e de toda a vizinhança e canto junto o samba da outra escola e não consigo domar os pés e os quadris.

Meu coração sempre será verde e branco, mesmo quando se traveste das cores de São Sebastião.

Eu posso contar a verdade
A essa gente
Que eu sou da Mocidade Independente


Início do ano letivo!

Volto a ter mais tempo para resolver minhas coisas sem ter criança por tanto tempo por perto, exigindo atenção e cuidados. A colônia aliviou um pouco o grude que pode se transformar um filho único em férias. Nenhuma mãe ama mais seu filho que eu (pode amar igual, mais nunca), mas há uma hora em que não conseguir sequer andar direito com uma criança entrelaçada em suas pernas acaba com qualquer paciência. E olha que nos divertimos muito juntos. Ele é companhia agradabilíssima. Mas até de mim preciso de certa distância às vezes.

Pois hoje as aulas recomeçaram. Há algo especial no primeiro dia de aula que eu sempre senti e creio que ele também sente. Tomou banho feliz (coisa raríssima), vestiu o uniforme com orgulho e agarrou a maçã que encomendou especialmente para oferecer à professora. Aliás estava tão preocupado em não esquecer do mimo que quando o deixei na escola o singelo arranjo que fiz já estava completamente roto.

Volta à cena a correria. Olá, horários mais rígidos! A temporada começou ainda mais atropelada porque a aula de hidroginástica atrasou, o almoço saiu mais tarde do que o combinado e voltei a me sentir numa avalanche de ponteiros.

A escola do meu filho até que é bem razoável quanto ao material solicitado. Já vi listas nas mãos de outras mães de fazerem todos os pelinhos do corpo arrepiarem. Ainda assim não me conformo com os tais "cinco tubos médios de cola" e saí de casa hoje arrastando quatro bolsas repletas de papéis, livros, cadernos, lápis, canetas e que tais.

Passa um pouco das três da tarde e, como meu dia quanse nunca termina antes da primeira badalada do dia seguinte, há ainda muito chão pela frente entre o momento presente e aquele em que minha cabeluda cabecinha encontrará enfim o travesseiro. E já estou exauta de determinar, distribuir, malhar, correr, comprar, banhar, untar, vestir, calçar, alimentar, carregar, pagar, caminhar, ler, processar, decidir, encaminhar, escrever, organizar, responder, vender, atender, entender, ligar...

... e assim vão passando os dias. E essa é a vida que nem pedia a Deus, mas ele sabiamente me deu. Porque é essa que tenho que me faz feliz. Porque ainda tenho muitos outros verbos a conjugar hoje. E entre eles estão beijar, abraçar, curtir, sorrir, conversar, acompanhar, brincar, namorar...

Pensando bem só sei conjugar um verbo.

31.1.02

DO BAÚ III

ENVERSADORA



Talvez seja assim com todo mundo. Aos sete anos despertei de meu mundinho inconsciente. Eu já conhecera a morte, a miséria pela janela, a injustiça, a violência, a inveja e outras tristezas, mas até então permanecera ainda ligada ao Guf, lugar onde, segundo o filme A Sétima Profecia, habitam as crianças ainda não nascidas.

Nesta idade mudei de cidade. Lembro de estar sentada num murinho no hotel onde ficamos hospedados enquanto esperávamos o cheiro de tinta da casa nova dar uma trégua. Um rádio distante tocava um samba e eu chorava. Era apresentada à saudade. No restaurante do hotel havia uma televisão que ficava ligada durante as refeições. E ali assisti ao incêndio do Joelma. Imagens fortes demais que colaram na minha retina e nos meus pesadelos. Claro que amava os pães de queijo, as aulas de natação, as roupas pesadas de um inverno seco, os novos amigos... Mas lamentava a perda do universo que conhecia. No diatante subúrbio carioca ficara meu Rosebud.

Não sei se por questão de sobrevivência psicológica, processo natural ou doidice, a Enversadora nasceu. Eu era então duas: a menina tímida que todos viam e a que apenas eu conhecia, que observava o mundo com olhos críticos e perspicazes. A Enversadora via uma situação e imaginava desdobramentos, como as coisas haviam chegado até ali... Ela também contava histórias para Carla,
mostrava detalhes... Foi minha companheira durante o restante da infância e um dia não estava mais lá da mesma forma. Talvez tenha se fundido, descoberto o caminho da unificação. E esqueci dela por muitos anos.

Voltei ao Rio e não encontrei meu Rosebud. Só há pouco percebi que é a Enversadora aquela que agora a maioria vê. É a menina tímida quem fica num canto obscuro de minha mente. Brincando com seu Rosebud...

VIZINHAS


Uma das coisas que mais gosto no meu apartamento é a vista. De qualquer uma das janelas da área social há uma ampla visão. Faz parte dos meus hábitos ao acordar me aproximar de uma delas e dar uma boa olhada no dia, no movimento, respirar a manhã. E entre uma atividade e outra ou simplesmente esperando alguma tarefa terminar de ser executada no computador, volto os olhos para este mundo que me cerca.

Na diagonal direita há um prédio com apartamentos enormes que passam a maior parte do tempo desocupados. Há pouco mudou-se para um deles uma família. Como o apartamento deles é praticamente a mesma altura que o meu, acabo involuntariamente sendo atraída pelo que se passa por lá. Já observei que tenho uma vizinha corpulenta que passa grande da manhã falando ao telefone de camisola à janela.

Ela me faz lembrar de outra que dividia o andar conosco. Devo explicar que nosso prédio tem bom isolamento acústico entre os apartamentos, exceto nas partes que abrem-se para a àrea interna. Do banheiro social ou da área de serviço ouve-se qualquer diálogo ou barulho mais alto que aconteça nas mesmas dependências dos outros apartamentos. Claro que a mesma regra vale para os ruídos que emitimos daqui. E tudo é amplificado pela própria natureza do vão.

E esta antiga vizinha falava o dia inteiro ao telefone na sua área de serviço. Além de sua voz, ouvíamos o trabalho incessante de sua lavadora de roupa, a qualquer hora do dia ou da noite, que ela supervisionava com afinco. O interessante é que moravam ali apenas ela e o marido. Não conseguia deixar de pensar em onde ela arranjava tanta roupa para lavar e também era impossível deixar de ouvir suas histórias.

Um dia, ouvi-a vangloriando-se com alguém ao aparelho por declinar sistematicamente convites para festas e comemorações. E afirmava orgulhosa de si que não faltava a um enterro e que se alguém precisasse de companhia para ir a um consultório médico ou para uma internação era mesmo com ela que podia contar.

Algum tempo depois soube pela porta-voz do prédio que ela estava gravemente doente e que o casal se mudaria. Não pedi detalhes, nem estendi a conversa. Jamais fui fã de futricas de portaria. Além disso, nunca trocamos mais palavras do que recomenda a cordialidade com a vizinhança. Entretanto estava chegando em casa no justo momento em que os dois fechavam definitivamente o apartamento e ela era carregada dali pelo marido. Esta extremamente pálida, com o rosto carregado de rugas que traduziam dores indizíveis. Mas em algum canto de seu semblante vi uma certa luz que me disse que ela estava muito feliz.

30.1.02

Caramba!

Desde ontem estou com posts presos que não aparecem no blog.

Que será que acontece?

Também não consigo abrir outros blogs.

Ai-ai!

29.1.02

O problema é com o blogger o com o terra/planeta? O último estava meio temperamenal hoje cedo. Agora os posts aparecem na edição mas não na página. É dura a vida de blogueira...


PERNAMBUCO MEU AMOR

ITAMARACÁ



Queria mesmo encontrar com Lia, mas esqueci quando vi aquela praia maravilhosa. Ainda bem que todos os passeios obrigatórios haviam sido feitos antes de aportarmos por lá.

Visitamos a mais antiga igreja do Brasil (não falei que eles adoram essas coisas?) em Igarassu. Não sou fanática por visitas a igrejas, por mais importantes que elas sejam, mas o que vi por ali foi de cair o queixo. Ela fica o alto de uma colina que merecia ser registrada com uma lente de 360º para conseguir abranger tamanha beleza. Um largo realmente impressionante.

Depois conhecemos o local que teria inspirado Casa Grande e Senzala de Gilberto Freyre. O guia pediu e vou aderir com prazer à sua campanha. A casa grande está em ruínas e merece ser restaurada. Estou aqui denunciando e solicitando que providências para a restauração sejam tomadas. Sei que este espaço é pequeno e humilde, mas cada um berra com a voz que tem. A senzala foi alterada, mas o engenho continua lá, para contar uma história triste por um lado e gloriosa por outro que não devemos esquecer. Ali perto fica um presídio agrícola, onde os presos de bom comportamento podem trabalhar durante o dia. De lá veio nosso guia, com cara tranqüila e simpaticona, que jamais denunciaria que por trás dela vive um homem que um dia cometeu um crime.

Conhecemos o projeto peixe-boi marinho, apoiado pela Petrobrás, que agora apóia projetos escolhidos a priori. Há uma grande verba destinda àqueles que tentam combater a imagem de destruidora da fauna e flora marinhas. O bicho é bonachão e preguiçoso e não deu a mínima bola para a gente.

Já no fim do passeio resolvemos conhecer o Forte Orange, que estava nos chamando desde que chegamos. Também precisa de uma restauração mais caprichada, mas encanta com a história tatuada em seus muros e com a bela trajetória do homem que cuidou dele sozinho por anos a fio.

Ainda tem muito mais para contar, um álbum repleto de fotos e muitas lembranças gostosas. Aos amigos que se interessarem, o convite para uma rodada de chope (ou café)...


PERNAMBUCO MEU AMOR

CARUARU



Você tem problemas de seca em sua região? Contrate a família C&P para uma visita à sua cidade. Ligue djá!

Acho que Caruaru jamais viu uma chuva como a que caiu sobre a sua Feira enquanto entávamos por lá. As ruelas que separam as lojas viraram pequenos rios e aproveitei enquanto estávamos retidos em uma das lojas para um prosa gostosa com a proprietária que queria saber do Rio e do Garotinho (não é que o cara consegui atingir o Brasil todo e já esté empatado tecnicamente nas pesquisas com a Sarneynta?), enquanto eu sugava tudo o que podia sobre o lugar. Voltamos de lá cheio de coisinhas interessantes e meio envergonhados por pagar tão pouco.

No almoço encaramos uma carne de sol completa. E quando digo completa, quero dizer completa. Além de dois nacos enormes de carne, arroz, macarrão, feijão verde, salada verde, maionese, farofa e nem me lembro mais o quê. Acho que foi ali mesmo em Caruaru que encontrei os quatro quilos que eu havia perdido no mês anterior.

No Alto do Moura fica o maior centro de arte figurativa das Américas. Os pernambucanos adoram coisas como "o maior isso", "o primeiro aquilo", "onde o país nasceu", "aqui começou o Brasil", essas coisas. O motorista que nos levou até lá falava pelos cotovelos, se auto-entitulava guia turístico e não parava de exaltar todas as maravilhas do estado. Achei muito bonito o orgulho que aquele povo tem da sua cultura e do seu lugar. De vez em quando exageram, claro. O máximo foi quando o tal dublê de guia nos disse que Pernambuco levava o Rio de Janeiro nas costas. Mas deixa quieto, que na volta para Recife eu só rezava para ele calar a boca, porque já tinha falado tanto que começava a se repetir, contar histórias familiares e piadas sem-graça.

Mas voltando ao Alto do Moura, fiquei relamente emocionada ao conhecer o Museu de Mestre Vitalino e lá o único de seus filhos que ainda dá continuidade à sua obra. Por lá também tive que me segurar para não deixar as lágrimas rolarem ao conhecer e conversar rapidamente com uma mulher rendeira. É bonito andar por ali e ver as pessoas modelando, pintando, trabalhando o barro...

Fomos também ao Museu do Barro, onde vimos obras de diversos mestres, em frente à praça onde acontece a famosa festa junina da região. Passada pelo Museu de Luís Gonzaga e uma volta rapidinha pelo de - pasmem - Elba Ramalho.

Feliz, feliz...




PERNAMBUCO MEU AMOR

PORTO DE GALINHAS



OK, somos turistas. Então vamos assumir de vez o papel e contratar uma empresa que nos leve a Porto de Galinhas.

Praia é praia. Certo? Quase. Ainda não tinha dado uma voltinha de jangada. Ainda não tinha, em pleno mar, deixado peixinhos coloridos comerem da minha mão. Ainda não tinha sido massacrada por ambulantes tão acintosamente. Ainda não tinha visto tantas cores de água numa só praia. Ainda não tinha conhecido nenhum nativo do Canadá ou da Guatemala (um casal improvável e muito simpático que já reencontrei de volta ao Rio e com o qual devemos manter contato, tamanha foi a integração e afinidade). Ainda não tinha feito uma tatuagem de henna.

E fazia muito tempo que não me dedicava com tanto afinco à tarefa de nada fazer.

PERNAMBUCO MEU AMOR

OLINDA



A dica pescada em algum lugar da Internet era um ensaio do Maracatu Nação Pernambuco. Acompanhamos as peripécias do grupo num espaço cultural que um dia foi um mercado. Por lá também encontramos uma exposição de bonecos gigantes do mundo inteiro e a concentração de outro maracatu que se preparava para subir as ladeiras da cidade que é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Fomos conduzidos por entre aquelas antigas contruções ao som dos tambores e com passos de dança afro. Arrumamos um amiguinho chamado Rodrigo que nos mostrou alguns pontos turísticos e nos deixou extasiados lá no Alto da Sé, com uma paisagem deslumbrante aos pés, música brotando de todo canto e sorrisos que as pessoas simplesmente não podiam conter. Sentamos num lugar que poderia ser considerado bem modesto se suas janelas e varandas não estivessem pendurados sobre um dos cenários mais lindos em, que já coloquei os olhos. A noite foi chegando e a garotada foi tomando o lugar com seu fôlego de causar inveja e o som de diversos maracatus se confundiam. Deixa para que nós saíssemos de cena: a noitada começava e era hora de tirar os velhinhos do sol.

Na véspera de nosso retorno ouve o Baile da Cidade, com a presença de vários artistas, como o meu amado, idolatrado, salve, salve Alceu Valença, os famosos bonecos do Homem da Meia Noite e da Mulher do Dia e nosso já conhecido Maracatu Nação Pernambuco. Viajar com filho é bom porque a gente não fica dividido entre os prazeres da viagem e a saudade, mas também não pode enfiar o pé na jaca e enfrentar um baile de carnaval que começa na hora em que o bonitinho já está procurando cama. Estou me queixando? Não. Mas que fiquei com vontade de virar uma poça de suor dançando frevo, ah isso fiquei...

"Ó linda situação para se fundar uma vila"
(Duarte Coelho em 1535, ao dar de cara com aquele deslumbre)


PERNAMBUCO MEU AMOR

RECIFE



Obras de arte, igrejas barrocas folheadas a ouro, pontes, máscaras e danças. Veneza? Não! RECIFE!

Patrimônio histórico e cultural e um belo litoral. Casarões históricos, praias, igrejas, museus, feiras de artesanato e imponentes fortes. Marcas da colonização holandesa e portuguesa há mais de 450 anos, protegidas em todo o seu litoral por corais e arrecifes. Praia de Boa Viagem onde ficamos hospedados. Rua do Bom Jesus (ou dos Judeus) restaurada no Recife Antigo, point de badalação, com diversos performáticos marcando presença. Nesse bairro também se encontra o Marco Zero da cidade e uma enorme escultura de Brennand que não deixa ninguém na dúvida quanto ao motivo da enorme polêmica que causou. A Casa de Cultura de Pernambuco, a antiga Casa de Detenção que agora abriga artesanato. Delícias para o paladar. O Forte Cinco Pontas...

Espelho, espelho meu, existe país mais lindo que o meu?

Descubra mais aqui.


PERNAMBUCO MEU AMOR

FRANCISCO BRENNAND
"Não interrompam este silêncio,
não interrompam este sonho."
Brennand



Assombroso, prolífero, grandioso, belo, torto, estranho, excitante, sensual, fálico...

Estes e outros adjetivos pululavam nas nossas cabeças e bocas escancaradas enquanto visitávamos o Oficina Cerâmica Francisco Brennand na Várzea em Recife. Funcionando como oficina e museu, o espaço foi construído dentro da propriedade da próspera família a qual o artista pertence e na qual também funciona uma tradicional fábrica de cerâmica.

Lindeza, belezaria e primor espalhados, agrupados, aparentemente largados, deliberadamente reunidos, ligados por temas intrigantes, provocativos, atávicos e universais. Instalações, templo, salas escuras, mandalas, painéis... Gozo múltiplo da alma...

Umas frases célebres aplicadas para sublinhar as idéias fartas...

Algo me fez lembrar do Profeta Gentileza ou de Arthur Bispo do Rosário... Só que com toques de academicismo, na dose certa, naquele ponto em que é dominado ao ponto de poder ser relevado...

O Brasil precisa conhecer o Brasil!

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27.1.02

Voltei, mas parte do meu coração ficou em porque não canso de me apaixonar pelo