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4.7.02

Da série gente pensando grande: Flávia Durante

"Em Copa do Mundo aparecem milhões de fãs de futebol de ocasião, assim como eu.

Por outro lado, também aparecem com toda força os fiscais da cidadania de ocasião.

Chamam o povão de alienado, ignorante e olham feio pra quem está apenas se divertindo.

Só que essa mesma turma não é vista batendo panela na porta do Sr. FHC nos outros três anos...

Papel de cidadão a gente tem que exercer 365 dias por anos, 24 horas por dia.

Torcedor de Copa, só de 4 em 4 anos."


Da série gente pensando grande: Hefestus de Lemnos

"(...)E o que ele faz no seu momento de maior glória, de maior brilho, impulsionado pelo seu próprio talento e pela própria perseverança? Não, não falo da ridicularia de subir na tribuna, não seja tão pequeno. Ele escreve na camiseta uma mensagem para sua vila, Jardim Irene.
Demagogia? talvez.
Isso diminui o número de homicídios? Não.
Então por que eu estou catilinando esta merda?
Porque no momento em que todo o mundo está voltado para ele, Cafu pôs sua comunidade natal, pobre e sofrida, na mídia. E agora eu aqui em Porto Alegre, o torcedor em Natal, o sujeito em Goiás, todos sabemos de Jardim Irene, e as obrigatórias reportagens sobre o assunto vão trazer os dados que eu transcrevi ali em cima. E ISSO deve nos alertar para a situação daquela gente.


Num momento único em sua vida, Cafu trouxe sua comunidade para brilhar com ele. Ele é um só, e mesmo assim fez o que estava ali ao seu alcance naquele momento.
Percebem aonde eu quero chegar?
Cada um de nós faz o que é possível quando é possível, ou deveria fazer. Um pouco, um gesto, algo simbólico, e poderíamos construir algo, nós aqui.(...)"



3.7.02

Boa noite!

Meu nome é Lulu e sou a professora de dança.

Espero que tenham explicado para vocês lá na secretaria que o objetivo aqui não é aprender a dançar. Se é isso que vocês querem, peço desculpas por terem sido mal orientadas. Temos outros horários com professores excelentes em diversas modalidades, incluindo dança de salão, dança do ventre e dança afro.

A nossa aula é de dança para a night. É para aquelas que querem aprender como se mexer numa pista de dança de uma boate, numa rave. Quem já foi sabe que aquilo não tem nada a ver com dança. Quem procura aulas sobre isso precisa de orientação em outras coisas. Sou até capaz de apostar que a grande maioria aqui acabou de terminar um relacionamento longo e sufocante e está querendo se enturmar de novo. E as outras são tímidas demais. Acertei? E você? Você nem precisa falar. Eu sabia...

Então, além de ensinar como mover os braços como se estivesse se afogando e a pular como se estivesse andando sobre os restos de uma erupção vulcânica, também vou distribuir umas dicas sobre como ser popular e estar sempre pronta para um agito. E umazinha, é claro.

Algumas coisas são básicas. Por exemplo, você está Rio, então depilação sempre - eu disse sempre - em dia. Mesmo que a intenção não seja transar de repente, nunca se sabe quando pode surgir a oportunidade de uma praia. Até em dia de semana. Já viu o sol que ainda está brilhando quando você sai do escritório? Se você está avançada nesta matéria, terá enroladinhos na bolsa (ou, se tiver um carro, no porta-malas) um bikini, uma canga, um chinelo...

Por isso o primeiro capítulo será bolsa. Arranje uma enorme. Se fizer o tipo esportivo, pode ser uma mochila. Você também vai precisar de diversas nécessaires para organizar tudo. Nem pense em simplesmente jogar tudo lá dentro. Você nunca vai encontrar quando precisar.

É nessa hora que eu gosto de olhar para a turma e ver as carinhas de apavoradas. Afinal, aposto que vocês estão pensando, o que tem a ver dança com bikini e com a bolsa? É simples. Você está no trabalho e alguém liga chamando para sair. Se você está aqui é porque não é naturalmente animada. Numa cidade grande como a nossa, se resolver passar em casa para tomar banho e trocar de roupa, provavelmente acabará desistindo de sair depois de enfrentar trânsito, distância e ser tentada pela televisão e pelo sofá. Então é preciso ter tudo à mão. E a partir de hoje a TV é declarada nossa maior inimiga.

Descubra um local próximo ao trabalho que tenha um banheiro onde você tenha espaço para se trocar e fazer a transformação de uma profissional em uma notívaga. Porque não no local de trabalho? Ora, porque ninguém precisa saber da sua vida. Vou passar uma listinha completa para vocês, mas já aviso que não podem faltar lencinhos umedecidos, batom, delineador, rímel, hidratante, desodorante, perfume e brilho. Vou explicar também como escolher acessórios especiais que ocupam pouco espaço na bendita bolsa e fazem a maior diferença.

Depois a gente vai evoluindo e vou explicando como estar pronta para tudo. A lista vai aumentando e vai começar a ficar realmente divertido. Vocês vão começar a me trazer sugestões, aposto. E quando estiverem realmente craques, vão lembrar de, além de colocar uma calcinha extra no pacote, também incluírem uma muda de roupa para o trabalho no dia seguinte. Afinal não dá para pagar o mico de ir trabalhar dois dias seguidos do mesmo jeito. Mas tem que fazer isso sem ficar carregando mudança. Tudo tem que ser prático e compacto.

Mas isso são detalhes que vamos aprender com o tempo.

Vocês sabiam que as modelos e manequins (as de verdade, não aquelas que só aparecem na Marquês de Sapucaí e na Casa dos Artistas) têm que aprender muito além de desfilar e posar? Elas aprendem etiqueta, história da moda, como se vestir... Vocês também vão aprender muitas coisas além de dançar. Como saber sobre o que conversar, como dizer não ou sim, onde e quando pode ou não pode. E mais tarde podem até esquecer todas as regrinhas que a titia aqui vai ensinar, mas vão saber exatamente o que estão fazendo.

Vocês vão ter que se acostumar com as minhas listinhas. Na próxima aula, além da lista básica para a primeira nécessaire, vamos conhecer e discutir a lista do que é terminantemente proibido. Nessa lista tem, por exemplo, unha roída.

E a idéia é se divertir. Quem estiver a fim de procurar e agarrar o amor de sua vida, relacionamento sério, essas coisas, errou de endereço.

Alguma pergunta?
Adoro cheiro de banho recém tomado. É muito gostoso sentir a lembrança leve do shampoo no cabelo ou um resto do frescor da loção após barba no abraço de volta ao lar ao final do dia. Perfume é uma delícia. Algumas gotas estrategicamente aplicadas podem ser mágicas.

Mas meus sentidos entram em alerta quando percebo alguém excessivamente perfumado. Aliás, alguém excessivamente ereto, arrumado, penteado me passa a sensação de desconforto extremo consigo próprio que tenta se mascarar pela aparência irrepreensível. Uma pessoa muito perfumada deve ter algum problema: falta de olfato, desconforto com o próprio odor corporal, necessidade de passar uma imagem que não corresponde à verdade.

É como uma casa organizada e arrumada demais. Alguém está gastando energia com coisas desimportantes para não pensar no que realmente incomoda. Um ambiente asséptico e impessoal me diz muito mais sobre os donos de uma casa do que eles gostariam que eu soube.

Sou uma amante da higiene e da limpeza, mas abomino os excessos.

Em algum canto de uma casa deve haver espaço para uma pequena amostragem de caos.

Gente que abraça demais quem acaba de conhecer...

1.7.02

VOCÊ SABE DE ONDE VENHO?

. . .Venho do verde mais belo
Do mais doirado amarelo
Do azul mais cheio de luz
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham, deslumbradas
Fazendo o Sinal da Cruz

Venho do morro, do engenho
Das selvas, dos cafezais
Da boa terra do coco
Da choupana onde um é pouco
Dois é bom, três é demais
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas
do pampa, do seringal
das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
da minha terra natal!

Quem eu sou?
Eu não sou paulista,
Da resistência pujante,
De uma força altruísta,
Que nasceu bandeirante.


Eu não sou carioca,
Da beleza solsticial,
Cuja alma invoca,
Um alegre carnaval.


Eu não sou mineiro,
Da preciosa pedra,
Do perfil matreiro,
Que nunca se entrega.


Eu não sou gaúcho,
Dos pampas celeiros,
Que sacrificou seu tudo,
Por um ideal guerreiro.


Eu não sou nordestino,
Do trabalho sofrido,
Suor de homem e sorriso menino,
Sobrevivendo na seca com seu tino.


Eu não sou do Planalto Central,
Da riqueza perdida no pasto,
Da terra do Pantanal,
Cuja beleza é seu lastro.


Eu não sou da terra roxa,
Do infinito cafezal,
Minha alma não é coxa,
Minha beleza sem igual.


Eu não sou nortista,
Dos verdes bosques de vida,
Como uma raça alquimista,
No silêncio da Amazônia perdida.


Eu não sou imigrante,
Nas raízes profundas do Sul,
Do mundo trazido distante,
Miscigenado na terra com sangue azul.


A minha pele não tem cor,
O meu sangue é companheiro,
Guardo no meu esplendor,
O orgulho de ser BRASILEIRO.


Eu venho do BRASIL . . .
Sou BRASILEIRO...
Óchente, Uai, tche, !!!
O poema BRASILEIRO de José Brites Neto
Contendo trechos da "Canção do Expedicionário"






Obrigada, meninos!
Seja feliz, meu povo!

PEEEEEEEEEEEENTAAAAAAAAA!
PEEEEEEEEEEEENTAAAAAAAAA!
PEEEEEEEEEEEENTAAAAAAAAA!
PEEEEEEEEEEEENTAAAAAAAAA!
PEEEEEEEEEEEENTAAAAAAAAA!

29.6.02

27.6.02

Segunda-feira vai ser mesmo feriado nacional?

(Repare que eu deliberadamente retirei a condicional da pergunta.)

Já estou recebendo convites para a festa do penta no domingo à noite.

24.6.02

FESTAS JUNINAS



Festa Junina - Yole Travassos



As comemorações de São João (24 de junho) fazem parte de um ciclo festivo que passou a ser conhecido como festas juninas e homenageia, além desse, outros santos reverenciados em junho: Santo Antônio (dia 13) e São Pedro e São Paulo (dia 29).

A origem dessas festividades remontam a um tempo antigo, anterior ao surgimento da era cristã. O mês de junho, tempo do solstício de verão (no dia 21 ou 23 de junho o Sol, ao meio-dia, atinge seu ponto mais alto no céu e tem-se o dia mais longo e a noite mais curta do ano) no Hemisfério Norte, era a época do ano em que diversos povos - celtas, bretões, bascos, sardenhos, egípcios, persas, sírios, sumérios - faziam rituais de invocação de fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, promover a fartura nas colheitas e trazer chuvas.

Na Europa, os festejos do solstício de verão foram adaptados à cultura local, de modo que em Portugal foi incluída a festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, em 13 de junho. E a tradição cristã completou o ciclo com os festejos de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho.

Quando os portugueses chegaram por aqui, a partir de 1500, introduziram este costume, acendendo fogueiras que atraiam grandemente os índios.

Mesmo que no Brasil essa época marcasse o início do inverno, ela coincidia com a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui viviam, referentes à preparação dos novos plantios e às colheitas. Sendo em muitas regiões a época de seca, os rios estão baixos e o solo pronto para enfrentar o plantio.

Nessa época os roçados velhos, do ano anterior, ainda estão em pleno vigor, repletos de mandioca, cará, inhame, batata-doce, banana, abóbora, abacaxi, e a colheita de milho, feijão e amendoim ainda se encontra em período de consumo. Esse é um tempo bom para pescar e caçar. Uma série ritual, que dura todo o período, inclui um conjunto muito variado de festas que congregam as comunidades indígenas em danças, cantos, rezas e muita fartura de comida. Deve-se agradecer à abundância, reforçar os laços de parentesco (as festas são uma ótima ocasião para alianças matrimoniais), reverenciar as divindades aliadas e rezar forte para que os espíritos malignos não impeçam a fertilidade. O fato de atear fogo para limpar o mato, além de fertilizar o solo, serve principalmente para afastar esses espíritos malignos.

Houve, portanto, uma certa coincidência entre o propósito católico de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João. Talvez seja por causa disso que os festejos juninos tenham tomado as proporções e a importância que adquiriram no calendário das festas juninas.


Festa Junina - Ladário Ribeiro Teles


Hoje as festas juninas possuem cor local. De acordo com a região do país, variam os tipos de dança, indumentária e comida. A tônica é a fogueira, o foguetório, o milho, a pinga, o mastro e as rezas dos santos.
SÃO JOÃO



João Batista nasceu no dia 24 de junho, alguns anos ates de seu primo Jesus Cristo, e morreu em 29 de agosto do ano 31 d.C., na Palestina. Foi degolado por ordem de Herodes Antipas a pedido de sua enteada Salomé, pois a pregação do filho de Santa Isabel e São Zacarias incomodava a moral da época. Antes mesmo de Jesus, João Batista já pregava publicamente às margens do Rio Jordão. Ele instituiu, pela prática de purificação através da imersão na água, o batismo, tendo inclusive batizado o próprio Cristo nas águas desse rio.




LENDAS


A fogueira



Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista. Nossa Senhora então perguntou:

_ Como poderei saber do nascimento dessa criança?

_ Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa . Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista.

As bombinhas


Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai.

A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia o nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um enorme esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Foram vivas para todos os lados.

Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte dos festejos juninos.

JOGOS

de terreiro:


* pau-de-sebo
* corrida de saco
* ovo na colher

de barraquinha:


* acertar o alvo
* jogo das argolas
* pescaria
* toca do coelho

















CASAMENTO NA ROÇA



QUADRILHA



Esse tipo de dança (quadrille) surgiu em Paris no século XVIII, tendo como origem a contredanse française, que por sua vez é uma adaptação da country dance inglesa.

A quadrilha foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez bastante sucesso nos salões brasileiros do século XIX, principalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto do povo, que modificou suas evoluções básicas e introduziu outras, alterando inclusive a música.

A sanfona, o triângulo e a zabumba são os instrumentos musicais que em geral acompanham a quadrilha. Também são comuns a viola e o violão.

O marcador, ou "marcante", da quadrilha desempenha papel fundamental, pois é ele que dá a voz de comando, em francês não muito correto misturado com o português, e dirige as evoluções da dança.
TRILHA SONORA


* Olha pro céu, meu amor (Luiz Gonzaga e José Fernandes)
* Derramendo o gai (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
* Cai, Cai, Balão
* Capelinha de Melão (João de Barro e Adalberto Ribeiro)
* Pedro, Antônio e João (Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago)
* Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Babo)
* Chegou a hora da fogueira (Lamartine Babo)
* Sonho de Papel (Carlos Braga e Alberto Ribeiro)
* Pula a fogueira (João B. Filho)
PRÁ CUMÊ





* arroz doce
* bolo de batata-doce
* bolo de fubá
* bolo de aipim
* bolo de milho
* broa de fubá
* canjica
* curau
* cuscuz
* pamonha
* pé-de-moleque
* pipoca
* sopa de milho verde
* tapioca
* batata-doce assada na fogueira

PRÁ BEBÊ



* quentão
* vinho quente






(Fonte: Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história / Lúcia Helena Vitalli Rangel)

21.6.02

Neste inverno de araque, continuo tendo aquelas sensações de mal-estar típicas do calorão.

Andando pela rua com Pedro sinto que não estou bem e peço para ele andar rápido para chegar logo em casa.

- O que foi, mãe?
- Nada. Só estou um pouquinho tonta.
- Ok. Fique tranqüila. Se chegar no túnel fique longe da luz.
O dia de hoje:

- palavra:jogão
- visual: olheiras
- sonho de consumo: sesta

20.6.02

Antes que minha cabeça encontre novamente o travesseiro:

- bater e assar um bolo de milho;
- pregar apliques coloridos na calça jeans para imitar remendos;
- preparar uma newsletter;
- deixar prontas pelo menos duas páginas do novo site;
- colocar correspondência em dia;
- buscar o moleque na escola;
- levar o moleque para a natação (levar sunga, touca, óculos, chinelo, roupão);
- acompanhar o moleque à festa junina (levar bolo de milho, camisa quadriculada, lenço vermelho, caixa de fósforo, delineador, calça jeans com remendos, chapéu de palha, tênis e meia);
(- desenvolver projeto para criação de um serviço de carregadores e mensageiros exclusivos para mães;)
- festa de aniversário adulta no Jardim Botânico;
- ver jogo do Brasil.

(primeira atualização às 17:15)
(última atualização às 12:21 do dia seguinte)

Depois da catuaba, do quentão e da cerveja, achei melhor deixar não ir ao aniversáriop e concentrar forças para a torcida. Parece que fiz o certo.:-)

Querer colocar a correspondência em dia também era demais, né?

18.6.02

Já devo ter comentado por aqui porque é uma característica brasileira que me chama a atenção. As pessoas adoram falar mal do nosso país. Fazem campanha contra mesmo. Outro dia ouvi alguém dizendo (acho que foi o Jabor) que brasileiro gosta de torcer contra para se surpreender positivamente depois. Pode ser, mas algumas vezes me dá agonia ver o povo metendo o pau no Brasil mesmo quando não tem a mínima noção do que está dizendo.

Também já devo ter dito que acho que isso é um ranço da ditadura, em que torcia-se contra o país porque o alvo era o governo militar. Questionável, mas plenamente justificável. E agora? O que acontece? O Brasil jogava, neguinho torcia contra porque o Médici receberia louros. Se agora a CBF planeja evitar a visita ao presidente no retorno caso o Seleção brasileira seja campeã, em que a vitória ajudaria FHC para legitimar (ainda que remotamente) a postura espírito de porco?

Os absurdos abundam porque muita gente se acha inteligente e questionadora por simplesmente pichar e ser do contra.

Quanto discurso bem-intencionado e inflamado eu já tive que interromper para esclarecer que o fato de o livro escrito por meu marido ainda não ter sido publicado no Brasil nada tem a ver com vergonha nacional, mercantilismo e falta de qualidade editorial.

Ainda há pouco alguém reclamou - juro! - porque as crianças de hoje em dia não teriam acesso às músicas compostas para os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo. Claro que ninguém é obrigado a saber o que se passa na maior emissora de TV aberta do país no final da manhã, nem que índices de audiência este programa tem, nem qual os números de venda do CD com a trilha sonora, nem acompanhar a cobertura da imprensa a respeito, nem conhecer o belíssimo artigo da Ana Maria Machado. Mas seria prudente fazer o dever de casa antes de iniciar a ladainha da preocupação com a ignorância que assola nossa pobre terra, que apenas visa a simpatia do coro dos descontentes ao engrossá-lo.

Sérgio Rodrigues, que é um cara que eu admiro grandemente, no último domingo em sua coluna Mascando Clichê da Revista de Domingo comenta que "é um equívoco o viés pacifista que até hoje tem presidido a mobilização da sociedade contra esse inferno [a violência na cidade]" e ainda que "quando estamos lidando com assassinos, psicopatas e fascínoras, falar em paz seja o supra-sumo da covardia", para concluir que "sacudir lenços brancos para eles ao som de Imagine é simplesmente ridículo". E eu fico pensando se ele realmente acha que é para os criminosos e assasinos que essas pessoas acenam ou se quer apenas conquistar os leitores céticos e desiludidos. Porque para mim é difícil acreditar que alguém com Q.I. acima de 70 considere a possibilidade das manifestações terem outro alvo além de legisladores, juízes, candidatos em ano eleitoral ou cidadãos comuns que querem e podem fazer a sua parte.

Geralmente tenho paciência para explicar porque é que não ver as coisas boas não significa que elas não existam. Num dia mais inspirado posso até apontar onde elas estão. Mas dá um cansaço às vezes.


Hoje tem Arthur Maia na melhor casa do Rio na atualidade (excelentes atrações, bons preços, atendimento cordial e eficiente, horário razoável para quem trabalha, tem filhos pequenos ou simplesmente quer curtir a noite um pouco mais cedo).

Foi na época em que trabalhava com livros e quadros personalizados que tomei consciência do tamanho do fascínio que ver o próprio nome impresso exerce sobre as pessoas.

Claro que é mais gostoso quando o nome está ali, preto no branco, em um jornal de grande circulação, mas também tem seu encanto chegar em casa com um regalo em que o presenteado vê o som mais doce - aquele ofertado na pia batismal, no cartório ou inventado por amigos criativos (ou seja lá como se chama este povo que adora inventar apelidos) - gravado no papel. O encanto é maior nas crianças. Ou talvez elas reprimam menos a sensação de deslumbramento. Sim, porque nós, os adultos maduros, discretos e modestos, nos comportamos como bons moços: muito bobamente.

Gostei muito de ter recebido a visita, o destaque e a mensagem do Gravatá. Além do prazer infantil, a visibilidade proporcionada faz com que novos amigos em potencial cheguem por aqui. Sejam bem-vindos.

Tem sido divertido. Um amigo sacana me escreve: "Parabéns pelo sucesso. Espero que ele não suba à cabeça. Por favor, não deixe de nos convidar, a mim e a A., para aquele cineminha de sábado, o churrasco no terraço etc, etc.". Outras gentes levam mais a sério. Muitas aproveitam para distribuir o carinho de sempre. Mamãe corre para conseguir uma edição impressa de O Globo e mostra com as canjicas arreganhadas para a vizinhança. E vou resistir à tentação de citar Andy Warhol e à armadilha de me enveredar por análises birabolantes.

E devo contar que por causa desta breve referência aportou por aqui um amigo do meu marido dos tempos de faculdade e o contato está sendo retomado. E ainda tem gente achando que a Internet entristece e isola as pessoas...

17.6.02

Jogando com 12...
Que lindo!
Cadê esta criatura safada que não escreve mais em blog, não responde e-mail, tem o topete de deixar passar diversos comentários?

Ando mergulhada na vida real ou indo por outros caminhos aqui mesmo. Como uma voyage autour de ma table.

12.6.02

Você não vai lembrar. Para falar a verdade nem sei se percebeu. Porque este também é um de seus encantos: fazer magia sem sequer se dar conta.

Era uma destas festas infantis em que os animadores insistem para que os convidados adultos também brinquem. E quem está de bem com a vida, geralmente faz um doce, finge certa contrariedade, mas cai na farra e se diverte.

Havia uma plataforma de madeira no chão onde as crianças aprontavam. Uns 12 metros quadrados talvez. Mas não havia ninguém com menos de 16 anos por ali. Apenas casais. Alguns formados ali naquele momento para a brincadeira, outros namorados, noivos, amásios, casados...

O jogo consistia em separar os pares e cada um tinha que dançar para longe do parceiro. As animadoras ficavam ali pelo meio para garantir a distância regulamentar. Quando a música parasse, um tinha que ir na direção do outro e abraçá-lo. O casal que se unisse por último em cada rodada era retirado do jogo. Era preciso manter a concentração e a sintonia com o parceiro. Olho no olho era fundamental.

Assim saíram imediatamente os casais formados para a ocasião, depois os namoricadores, foram-se os pares em atrito... E estávamos, por fim, eu e meu cavalheiro e os avós maternos da aniversariante sobre o tablado. E por me dar conta do que aquilo representava e porque era mesmo para ser assim, a música parou e eu não estava tão atenta. O outro casal se abraçou primeiro e comemoraram a vitória com beijinhos e risinhos. E eu fiquei olhando meio abobalhada porque apenas 30 anos de um casamento feliz e cúmplice tinha conseguido abater nossa dupla. E eu vi o carinho transbordando na comemoração de nossos adversários e pensei que se apenas aqueles dois tinham conseguido superar nossa harmonia, havia algo realmente significativo e especial entre nós.

E talvez pouquíssima gente entenda esta história.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

11.6.02

Meu amor saiu (como diria Forrest Gump, again...) no jornal. Desta vez como consumidor de artes plásticas. O problema é que o jornal Valor Econômico não é aberto. Não basta o link para ler a matéria. É preciso fornecer uma senha para ter acesso. Aquela coisinha detestável, você sabe...

Bom, mas quem tiver acesso e quiser conferir a matéria é 'Papel de parede do universo executivo' do dia 05/06/2002 e está aqui.
Agora sim...

Finamente consegui entender os franceses que perseguiam os brasileiros repetindo "un, deux, trois, zero". Era uma previsão para a Copa do Mundo de 2002: três jogos, nenhum gol.

Au revoir, France.

10.6.02

Uma coisa que eu observo é que existe uma estrutura que acochambra os criminosos. Isso funcionava bem e era conveniente na época dos bandidos benfeitores, que estão extintos. Com a cumplicidade da população e a incompetência e corrupção policial foram criados feudos dominados pelos traficantes. Em seus domínios eles eram reis. Em pouco tempo, deixou de existir a necessidade de seduzir a população com paternalismo. Seu poderio bélico suplantou (ao menos aparentemente) o do poder instituído. O poder público perdeu o controle. Fica tudo mais ou menos em paz se ninguém ousar entrar em seus domínios. Esta é a organização básica. E as fronteiras, por mais absurdas que sejam, isolando a população honesta que não consegue um lugar melhor para morar, eram respeitadas e eram bilaterais. Onde não há aquele controle social que a humanidade demorou eras para construir, pululam e se criam hoje os reais bandidos, aqueles realmente maus, sociopatas e psicopatas.

E talvez o caso do jornalista Tim Lopes tenha servido para levantar o véu que cobria a história de um destes monstros. Sem que a população em geral soubesse, por trás de vários crimes creditados genericamente à violência urbana, na verdade estava um só indivíduo que conseguiu impor pelo medo uma liderança forte e protagonizar a maioria das barbaridades que temos acompanhado nos
jornais. Com a comoção causada (e fomentada pela Globo) com a morte do repórter, a cabeça deste criminoso vai ter que ser servida ao povo que já está farto.

Elias Maluco parace não ter avaliado devidamente o que significa torturar e assassinar um jornalista em serviço. Principalmente um mundialmente premiado e apadrinhado pela Vênus Platinada.

Fico revoltada, mas também otimista, porque creio que este seja o ponto de virada, o momento do basta.

6.6.02

Os blogs chegaram à Rede Globo. Ontem em Os Normais.

5.6.02

De vez em quando dá uma louca e eu faço uma experiência com os discos de meu amor.

Ele deixou aqui em cima da minha mesa um CD que coloquei para tocar agora. Parece palatável...

Equation - The Lucky Few - Putumayo
Estou cada vez menos paciente com:

- mentiras deslavadas;
- desculpas esfarrapadas;
- vampiros emocionais;
- manipuladores em geral;
- hipocrisia e falsidade;
- bajuladores;
- sabotadores;
- chantagistas;
- loucos de conveniência;
- pobreza espiritual;
- mesquinharia;
- venha a nós, do vosso reino nada;
- vítimas e coitadinhos de plantão;
- gente metida a esperta;
- e outras distorções do humano...

Dá licença, mas de vez em quando eu canso de fingir que não estou percebendo, tá?

Rapidinhas:

- Finalmente, ele voltou à ativa.
- Ela também está de volta depois de grandes e lindas emoções.
- Discretamente modificada, ela vai diminuindo o intervalo entre os posts.

4.6.02

Desconfio que eu seja mesmo uma pessoa estranha. Até eu que convivo comigo 24 horas por dia, vez ou outra não me entendo.

Não ligo para jóias. Gosto de receber flores, mas acho que não me comovo como deveria. Fico incomodada com luzes de velas durante jantares onde quero muito ver todas as nuances no rosto e, principalmente nos olhos do acompanhante. Acho desconfortável beijar acaloradamente na areia da praia. Resumindo: clichês românticos não foram feitos para mim.

Então ontem ele chegou do trabalho com uma sacolinha amarela na mão. Era um presente para mim. Não pude acreditar quando de lá de dentro puxei a minha boneca.

Ele levou, sem que eu soubesse, minha Susi negra, que eu ganhei aos 5 anos e achei durante uma arrumação de armário outro dia, para uma repaginada. Toda a caraca acumulada em três décadas havia sido removida. Seu cabelo está arrumado e brilhante. A roupa, que eu mesma fiz em algum momento da minha infância, está limpíssima. A cintura articulada, que estava quebrada, foi consertada.

Minha boneca está linda e ressuscitada. E ele me deu esse presente numa segunda-feira qualquer, sem qualquer motivo especial.

Parece que jamais serei



Clique na imagem para ler a matéria.


Mas aparentemente só precisei de metade da sua vida para ter o que ela jamais conseguiu.

3.6.02

É estranho trocar de fuso assim. Uma noite muito mal dormida e levantar antes do sol me tiraram um pouco do meu eixo.

A vitória brasileira foi tão chocha que nem tive ânimo de comemorar, apesar do alívio.

31.5.02

Deve ser legal
Ser negão no Senegal...
Ai, que saudades do Mário...

30.5.02

Até onde vou:

Intercurso físico consentido entre pessoas vivas e com a sexualidade amadurecida.

28.5.02

Se ocês pensa que nóis fumu simbora
Nóis inganemu ocês
Fingimu que fumu e vortemu
Ói nóis aqui travêz
Para quem ainda não tinha descoberto: a mulata tipo exportação da foto era a Solange Couto, que interpreta a D. Jura no novela O Clone.

Não é brinquedo, não!

24.5.02

Uma voltinha rápida na vizinhança:

- Absurdo moderno: estão vendendo balinhas tic-tac embaladas individualmente (R$0,05 a unidade).
- Absurdo do passado: o açougue fecha das 12:00 às 15:00.
* Não importa se somos ricos ou pobres, instruídos ou não, dessa ou daquela raça, sexo ou religião, o que realmente todos nós desejamos é ser feliz e não sofrer.

* Mas, ao contrário dos sofrimentos da doença, da velhice e da morte, esses problemas [assassinatos, estrupos, exploração e abuso nos relacionamentos familiares e, em esferas mais amplas, o número crescente de jovens viciados em drogas e a forma como muitos maus casamentos afetam as crianças] não são por natureza inevitáveis.

* Uma revolução se faz necessária, e é uma revolução espiritual. Não importa se uma pessoa tem ou não uma crença religiosa. Mais importante é que seja boa.

* (...) amor, compaixão, paciência, tolerância, contentamento, noção de responsabilidade e de harmonia (...)

* [citando o erudito e médico Shantideva] Não há esperança de encontrarmos uma quantidade suficiente de couro que cubra toda a terra para que nunca espetemos nossos pés em espinhos. Mas basta um pedaço para cobrirmos as solas de nossos pés. Em outras palavras: nem sempre podemos mudar a nosso gosto a situação externa, mas podemos mudar nossa atitude.

* A base é a nossa capacidade para a empatia. À medida que transformamos essa capacidade em amor e compaixão, nossa prática da ética se desenvolve. E todos ganham em qualidade de vida e em felicidade - os outros e nós.

* [novamente citando Shantideva] É essencial quando se enfrentam dificuldades de qualquer espécie, não se deixar paralisar - ou corremos o risco de ser esmagados por elas. Em vez disso, utilizando nossas faculdades críticas, devemos examinar a natureza do problema. Se descobrimos que existe possibilidade de resolvê-lo por algum meio, a ansiedade é desnecessária. A atitude racional, então, é dedicar toda a energia para buscar esse meio e em seguida agir. Se, ao contrário, a natureza do problema não admite
solução, não há por que se preocupar. Se nada pode mudar a situação, preocupar-se só
piora as coisas.

* Os acontecimentos infelizes, apesar de serem potencialmente uma fonte de raiva e desespero, podem da mesma forma transformar-se em fonte de crescimento espiritual. O resultado vai depender de nossa forma de agir.

* Exercer nossa faculdade de julgamento no domínio da ética, por fim, implica assumir responsabilidades tanto por nossos atos quanto por aquilo que nos motiva a agir desta ou daquela maneira. Cada um de nossos atos afeta não só as pessoas mais próximas, como também reflete em nossos colegas de trabalho, nos amigos, na comunidade e, em última análise, no mundo em que todos vivemos.

* Mas não acredito que todos possam ou devam ser como Mahatma Gandhi e passem a viver como camponeses pobres. Uma dedicação assim é maravilhosa e deve ser admirada. Mas o lema é: "Tanto quanto pudermos" - sem chegar a extremos.

* Quando os meios de comunicação se concentram demais nos aspectos negativos da natureza humana, há o perigo de nos persuadirem de que a violência e a agressividade são as principais características do homem. Essa conclusão é um equívoco. Num determinado momento há milhões de atos de bondade acontecendo no mundo. Há muitos atos de violência sendo cometidos ao mesmo tempo, mas em número menor. Se a mídia quiser ser eticamente responsável, deve refletir sobre esse simples fato.

* O desafio do novo milênio é encontrar meios de obter uma cooperação internacional - ou melhor, intercomunitária - na qual a diversidade humana seja reconhecida e os direitos de todos sejam respeitados.


(trechos do livro Uma Ética para o Novo Milênio - Dalai Lama)

22.5.02

Li hoje no jornal e me lembrei, por motivos diferentes, da Meg e da Cláudia:

"(...)Afinal, um outro verso é conferido, ora a Caetano Veloso, ora a Fernando Pessoa, mas não pertence por direito a nenhum dos dois.

Trata-se de um verso de Os Argonautas, 'navegar é preciso, viver não é preciso', frase com que o general romano Pompeu tentou convencer seus soldados a embarcarem em mar proceloso levando trigo para Roma, então ameaçada por fome iminente. O romano recolheu o dito do grego, traduzindo-o para o latim desjeitoso que em tudo diferia do estilo elegante de César: 'navigare necesse est, vivere non necesse'."
A pele está ótima!
Os meus posts não estão aparecendo...

Será que este vai?
Dilúvio...
No mesmo dia em que peguei os discos na casa da minha mãe, acho que descobri porque nunca vesti a carapuça de que "toda mulher, no fundo, quer casar na igreja, vestida de noiva".

No meu do álbum de família, entre fotos com valor histórico, estava eu, lindona e banguela, aos 7 anos vestida caprichadamente de noiva para uma festa junina. Isso foi no tempo em que eu morava em 'Berlândia, do ladinho de 'Beraba, um pouco prá lá de Belzonte.

Foi aí que matei toda e qualquer vontade que pudesse aflorar no futuro.

Mas o que eu quero dizer de verdade é: Eu quero um scanner!!!
Fabrício é o nome do filho da minha irmã caçula. Seria o nome dela, caso não tivesse nascido rachada. Quando minha mãe engravidou dela, eu tinha uns três anos e ainda me lembro da sua barriga e de muita coisa que envolveu a gravidez e o nascimento. Eu fiquei fascinada porque a minha mãe tinha um bebê na barriga e queria um também. Então vivia o tempo todo com um travesseiro embolado por dentro da roupa. Assim travesseiro, na minha cabeça infantil, virou sinônimo de Fabrício.

Meu marido tem um afilhada, filha de um amigo dos tempos de colégio. Nossas duas famílias são amigas, embora nos vejamos com menos freqüência do que pede a vontade. Toda vez que íamos lá, tínhamos que explicar ao meu filho que era à casa da afilhada. E começava uma série de perguntas sobre grau de parentesco, sobre ser ou não primo... Até que uma vez resolvemos deixar barato e dizer que eles eram uma espécie de família escolhida, do coração. Foi natural, então, ver o garoto começar a referir-se àquela turma como "a familiada" (família de consideração + afilhada).

Só que, de repente, ele começou a comportar-se de forma estranha em relação ao compadre e à comadre e à prole. Ele não queria fazer mais as visitas nas quais sempre se divertiu muito com as crianças. Quando eles chegavam ou nos encontrávamos ao sabor do acaso, ele se escondia ou corria para longe. Ia além daquelas coisas desagradáveis que as crianças fazem e que deixam os pais querendo que o chão se abra (oh, yeah, mico não é exclusividade de pais). Parecia medo. E não havia Cristo que explicasse o porquê da mudança.

Até que um dia eu estava na cozinha e o moleque me chamou da sala porque ia começar o desenho do meu tempo (ahã, tem disso também) que eu adorava. Eu perguntei qual, um pouco para ganhar tempo, um pouco para puxar assunto e ver a quantas andava o conhecimento dele por minhas preferências. Ele respondeu que era aquele dos monstrinhos, da "familiada".

Quando cheguei na sala para ver do que ele estava falando foi que a ficha caiu. Da mesma forma que eu confundia travesseiro com Fabrício, ele associava "familiada" com Família Adams.

21.5.02

Está ficando complicado visitar o pessoal do blogspot...
Alguém sabe dizer (ou poderia me indicar um site onde eu possa encontrar) a correspondência entre cores e sentimentos? Algo como verde de raiva, amarelo de vergonha...
Trouxe da casa da minha mãe todos os LP's que ainda havia por lá. Ela queria se livrar deles e acho que somos os únicos da família que ainda temos toca-discos.

Durante um tempinho eles ficaram largados em um canto qualquer, porque eu estava sem condições de mexer em qualquer coisa que remotamente lembrasse cheiro de guardado e poeira. Pois avançamos na investida no último fim de semana.

Algumas preciosidades, muita bobagem, recordações de infância e adolescência, os sons que lembravam meu pai... Muito mais que uma seleção do que manteríamos e do que descartaríamos, uma atividade lúdica...

E misturado com aquele disco que sempre amei do Martinho ou da Gal ou do Chico e Caetano juntos ou da Clara Nunes, uns discos engraçados, com capas muito pitorescas. Acho que era uma fórmula comum nos anos 70: músicas que estavam fazendo sucesso no rádio regravadas por anônimos e agrupadas em 3 ou 4 numa mesma faixa. Na capa uma mulher bonita.

Daí, me deparei com o passado de O Clone.

A primeira beldade é de reconhecimento imediato.



A segunda só reconheci porque sabia de sua trajetória.



E você? Sabe quem é ela?

20.5.02

Todo mundo repete sobre o caminho do meio, mas nem sempre é fácil encontrá-lo.

Glória na recepção da academia. Sempre eficiente e simpática. Um tantinho mais atenciosa do que a exigência profissional, naquele ponto que tranforma um bom dia burocrático num desejo sincero de um dia agradável, uma providência a ser tomada num real desejo de ajudar.

Um dia, Glória de lenço na cabeça e sem sobrancelhas. O sorriso gentil de sempre. Meu bom dia caprichado. Eu sei. Ela sabe que eu sei.

Puxo assunto? Ofereço apoio? Intromissão? Omissão?

Não tem mais importância agora...
Só dou ouvidos a ditos populares quando me convêm. E hoje a situação foi extremamente conveniente.

O ditado: "Criança não mente."

A situação: "Mamãe, você com esta roupa está tão... tão... tão... Como é mesmo a palavra? Ah! Sexy!"

Nada mais adequado para se ouvir quando a roupa fica arrochada graças a uma retenção de líquidos típica da época do mês. Sim, estou falando daqueles dias em a percepção é alterada contra você e faz com que você se sinta a maior das barangas e tudo o que você quer é que seus esforços para melhorar a situação resultem em algum elogio espontâneo (e que pelo menos soe sincero). Para você, principalmente neste período do mês, e somente para você (jamais para a filha adolescente da sua amiga) deverão ser guardados adjetivos como avião.

Mulheres, eduquem seus filhos homens para reconhecer e dar a devida atenção a uma mulher com TPM. Ensinem a eles a esquecerem completamente as piadinhas de mau gosto, os risinhos mal-disfarçados, os ah-eu-sabia. Digam assim para eles: respeito é bom e a gente fêmea, especialmente às vésperas do sangue, gosta muito.

Por mais incompreensível que possa parecer ao raciocínio linear masculino, esclareçam por favor, companheiras, perdemos a concentração intelectual, reduzimos a produtividade, sentimos compulsão alimentar por doces e chocolate, alteramos o comportamtno sexual, sentimos náuseas, vomitamos, sentimos dores musculares e articulares, cefaléia, irritabilidade, raiva, ansiedade, depressão, cansaço, vemos aumentar as mamas e sentimos dores aí, sofremos distensão abdominal e somos infladas por gases não por gosto ou deliberado faniquito.

E também não somos uma raça mutante. É que antigamente, menstruava-se pela primeira vez aos 17 anos. Paria-se quase anualmente , amamentava-se muito. A bisa deve ter menstruado por três anos seguidos, no máximo. Nós, no século XXI, 25 anos a mais que isso.

Mães do meu Brasil, invistam na sensibilização dos machos das novas gerações. Expliquem que a cara de poucos amigos não quer dizer que algo grave aconteceu e que não é hora de puxar aquele papo sério que vem sendo adiado por tanto tempo. Colegas de sexo, deixem claro para seus filhos varões qual as conseqüências de não respeitar o silêncio amuado de uma mulher nos dias que antecedem sua menstruação.

Mas enquanto não chega a fase deles lidarem com suas próprias companheiras, Deus abençoe os filhos em fase edipiana!

19.5.02

A semana que passou não foi fácil.

A gripe que me deixou fora do ar teve que cantar para subir rapidinho porque uma montoeira de trabalho urgente apareceu. Entre mortos e feridos salvaram-se todos. Infelizmente tive que deixar este espaço para depois. Estou com várias coisas para responder e comentar. Tenho esperanças de conseguir fazer isso em breve.

Ontem, depois de entregar o tal trabalho, fui enxotar de vez a cara abatida com uma passada básica para revisão num salão. Uma tarde inteira de paparicos e embelezamento levantam até defunta. Nada como uma pele lisinha, unhas feitas e cabelos arrumados... Fiquei até me sentindo gente de novo. Não agüentava mais olhar no espelho e ver aquela figura desgrenhada, cheia de olheiras e meio verde.

Mas de nada adianta ficar toda linda dentro de casa. O mundo precisa ver! Fomos comemorar o aniversário de um amigo.

Ando com uma sensação estranha. Algumas vezes sinto falta do tipo de programa que eu fazia antes de ter filho. Aí, como ontem, vou a um lugar com o mesmo tipo de astral que me fazia falta e me sinto um peixe fora d'água. As pessoas sentadas conosco eram muito agradáveis, a música era boa, a cerveja estava gelada, o chope razoavelmente bem tirado e os petiscos OK. Mas era um point de azaração para adultos. Então o melhor foi abstrair o ambiente e curtir a nossa mesa apenas, porque aquilo de que eu sentia falta já não é mais para mim.

16.5.02

Já melhorei da gripe, mas ainda não consegui colocar tudo em dia.

Daqui a pouco este blog me processa por negligência.

14.5.02

Só passei aqui para me desculpar pelo sumiço. Uma gripe que parecia boba evoluiu mal e estou de cama desde o domingo à noite. Assim que puder retorno.

11.5.02

10.5.02

Estou saindo para, pela sexta vez, tomar guaraná quente, comer bolo hiper-calórico e deixar rolar umas lagriminhas.

Festa de Dia das Mães na escola do filhote!
SINAIS DE NAUFRÁGIO


Se você apresenta alguns dos sintomas abaixo, é sinal de que também sofre de angústia da informação:

* Por mais esforço que faça, não consegue sentir-se atualizado com o mundo a sua volta
* Sente-se culpado cada vez que olha a pilha de jornais e revistas e o volume de e-mails recebidos que não conseguiu ler
* Fica abatido quando uma pesquisa na internet resulta num documento de dezenas de páginas, pois acredita que, se não ler todas eles, não saberá tudo o que deve sobre o assunto
* Acena afirmativamente, sem convicção, sempre que alguém menciona um livro, um filme ou uma notícia de que você, na verdade, nunca ouviu falar
* Acha que o problema é seu e não do fabricante quando percebe que não consegue seguir as instruções para montar um aparelho que comprou
* Cerca-se de aparelhos digitais na esperança de que a simples presença deles a sua volta ajude a torná-lo uma pessoa mais adaptada à alta tecnologia
* Sente-se envergonhado quando tem de dizer "Não sei" mesmo que a pergunta se refira à sucessão no Nepal ou ao programa de correio eletrônico da Microsoft


(Revista Veja, 5 de setembro de 2001)

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Recortei a matéria que me pareceu interessante para ler com calma e só hoje peguei nisso de novo.

Olha a carapuça entrando com tudo na minha pobre e sobrecarregada cabecinha!
De outros cantos: Mundo Perfeito


De outros cantos: Blowg

(também resolvi fazer minha listinha)

Já dormi na fila da barca para a Ilha Grande
Já tirei foto com a Anjelica Houston
Nunca passei fome
Já namorei um paraguaio
Já neguei dinheiro para um ex-namorado viciado
Já contei estrelas cadentes
Já comi jabuticaba direto do pé
Já fui corneada
Já corneei
Já corri atrás de um cara que bateu minha carteira e a recuperei
Já arranquei, a dentadas numa briga, uma lasca do braço de um cara insuportável
Já saí de casa sem batom e sem pentear o cabelo
Nunca fui à África ou à Ásia
Já casei duas vezes
Já passei muito atestado de otária
Já pensei em largar tudo e começar de novo em outro lugar
Já dormi em um ônibus porque não tinha dinheiro para hotel
Já explodi muitas pontes
Já defenestrei muita gente da minha vida
Já pedi desculpas
Nunca aprendi a hora certa de calar a boca
De outros cantos: Crônica do Dia

"Quantas vezes defendemos um amigo que é grosseiro ou espaçoso, só porque ele se fez presente em um momento delicado da nossa vida? Ficamos saldando uma dívida eterna..." (Cláudia Letti)

Favor conceituar grosseiro e espaçoso. :-)

A crônica de hoje está maravilhosa, mas isso não é novidade.

9.5.02

Com uma amiga, a gente aprende até quando ela pensa que só está jogando conversa fora.

Sobre meu chope e sua coca light, tarde/noite dessas, ouvi uma dica preciosa que estou colocando em prática.

Não é ótimo quando uma pessoa para ser genial só precisa ser ela mesma?
Homenagem ao blog Mundo Perfeito:

CONGRESSO APROVA NOVAS NORMAS PARA FABRICAÇÃO DE CORNETAS


Observando o número crescente de cornetas pelo país dada a proximidade da Copa do Mundo, o Congresso Nacional resolveu votar em regime de urgência urgentíssima as novas normas para fabricação de cornetas.

A nova regulamentação, aprovada ontem à tarde por unanimidade, prevê que todos os bocais de cornetas deverão ter pequenas agulhas previamente banhadas em curare. Esta substânica, usada pelos caçadores amazônicos em suas zarabatanas, aplicada sob a pele, paralisa os músculos, podendo ser fatal dependendo da dosagem.

Com essa medida visa-se diminuir o número de babacas entre a população brasileira.

Ainda sobre intervenções macabras:

Lembro que há alguns anos uns garotões resolveram fazer uma brincadeira pelas ruas de Copacabana. Penduraram um braço de plástico em tamanho real para fora do porta-malas de um carro e salpicaram umas gotas de tinta vermelha. A idéia era fazer parecer que havia um cadáver escondido ali e que seu braço pendia para fora do carro por descuido dos "assassinos". Começaram a circular pelas ruas da Princesinha do Mar observando a reação apavorada dos passantes.

Foi uma comoção. A polícia foi mobilizada, todas as saídas do bairro fechadas, o trânsito já caótico deu um nó total... Finalmente os rapazes foram localizados e tiveram que dar umas explicações na DP do bairro. Segundo a lógica atual, uma tremenda injustiça, já que deveriam ser considerados artistas plásticos.
Membros da família Scolari:

Edmilson
Emerson
Kleberson
Edilson
Denilson
Anderson
Nelson (Dida)
Jenilson (Júnior)
Zecson (Kaka)

(grande sacada do Joaquim Ferreira dos Santos)

Tomara que não tenhamos que usar em breve aquela expressão de baixo calão que fala de filho.

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"A vitória será sua. A derrota também..."
(ministro dos Esportes, Caio Luiz de Carvalho para Felipão, assim que soube os nomes escolhidos para ir à Copa)
Quem já me conhece há algum tempo sabe que tenho sérias dúvidas quanto à arte contemporânea. Tenho questões sérias principalmente no tocante ao uso de cobertores.

Peço desculpas aos amigos de longa data, mas quero contextualizar o comentário que farei a seguir e a menção aos cobertores. Visitando um museu famoso, eu me senti vendo uma exposição sobre a roupa nova do rei ao me deparar com um cobertor azul jogado sobre uma espécie de bolsa que inflava e esvaziava simulando alguém dormindo no chão. Tive um acesso de rebeldia e me recusei a continuar a visita.

Hoje, lendo o jornal, vejo a confusão armada por um auto-aclamado artista plástico que montou uma intervenção nos pilotis do MEC (centro do Rio) ontem. Eram blocos de gelo tingidos de vermelho e esculpidos na forma de corpos de crianças e cobertos por cobertores baratos. À medida que o gelo derretia, escorria para fora dos cobertores o líquido vermelho que lembrava sangue. Quem passava por ali levava o maior susto, enquanto o "artista" observava a reação das pessoas. A polícia apareceu duas horas depois, informada que havia corpos na rua. A intervenção A sangue frio era para ser uma metáfora da violência e acabou devidamente faxinada.

Sou uma ignorante e como tal carrego a prerrogativa de poder perguntar: isso é arte?

8.5.02

OS SETE PRINCÍPIOS BÁSICOS DO CONHECIMENTO
(Leis Herméticas)


Primeiro: a mente é tudo. O universo é mental. Por baixo de tudo aquilo que
conhecemos há o plano de um Espírito que não podemos conhecer. Ele é a lei.

Segundo: como é em cima, é embaixo; como é embaixo, é em cima. Tudo se
corresponde. As mesmas leis que atuam sobre o homem atuam sobre uma lagarta
ou uma estrela.

Terceiro: nada descansa, tudo se move. Nada desaparece, tudo se transforma.

Quarto: tudo é dual. Tudo tem dois pólos. Os opostos são idênticos, da mesma
natureza, porém em diferentes graus. Os extremos se tocam.

Quinto: tudo flui, fora e dentro. Tudo tem suas subidas e descidas. O ritmo
compensa e mantém o equilíbrio.

Sexto: qualquer causa tem seu efeito. Qualquer efeito tem sua causa. Tudo
acontece de acordo com a Lei. Nada escapa dela.

Sétimo: tudo tem seu princípio masculino e feminino. O gênero se manifesta
em todos os níveis da existência.


(O Mestre de Quéops - Albert Salvadó - Ediouro)



Depois de driblar alguns assaltantes com o filho pela mão, sentei numa sala de espera lendo um conto que me fez lembrar da Lu a cada linha (Linda, uma história terrível, do Caio Fernando Abreu, que cita Cazuza e Ana Cristina Cesar), enquanto deixava de ser almodovariana (carne trêmula).

Ganhando a rua novamente, achei que seria uma boa idéia me lambuzar de Chicabom. Alguém sabe se alteraram a receita do meu picolé favorito? Ou é aquela história de retornar à velha casa da infância para descobrir que os cômodos enormes não passavam de cubículos? Ou será que o gosto só é completo quando misturado com maresia e areia?

Hoje eu só queria um Chicabom com gosto de Chicabom da minha memória...
E mais uma sem sair de cima (ou debaixo, fica a seu gosto):

Coisinha mais comum no ano passado andando pelas ruas de Nova Iorque era ouvir o som de Ben Jor.
Agora totalmente no clima:

Mestres da MPB
Jorge Ben Jor ao vivo
Repetir enquanto o número de linhas for menor ou igual a 979
abre janela
ilumina linha
copia
fecha janela
abre janela
ilumina linha
cola
fecha janela

Paradinha estratégica para colocar para tocar Raio X, da Fernandinha Abreu, que tem Jorge da Capadócia, o que me faz lembrar que não tenho tempo a perder e que devo voltar rapidinho à ralação.

7.5.02

Um dia você vai entender
Porque para você
Eu sou de fácil acesso
Você vai descobrir o que não escondo
Você vai compreender tudo.
Mas quando?
Porque, prá mim, você já é um sucesso
Porque meus olhos te convidam
Para me inundar com seu cálice
Talvez a mensagem seja mais clara assim
Do que se eu falasse
Porque brindo ao embaçado
Da minha embriagez com sua taça
Não sei o que mais
Você quer que eu faça
Porque quando você me olha
Meu sangue vira vinho
E eu fico tonta
Dentro do meu próprio corpo
Não preciso, para esse veneno,
Nem de copo
E suas intenções maliciosas eu adivinho
Se você quiser uma dose desta bebida
É cortesia da casa
Porque a chama deste cigarro
Já está acesa
E eu fecho as portas do bar
Para esta festa
E quando elas voltarem a se abrir
Nas prateleiras nada mais resta
A não ser o gosto amargo
Da ressaca
E o cheiro forte do cigarro
Que se apaga
Qunado eu crescer, é criança que quero ser.

6.5.02

Uma palavra de que eu gosto e não é proparoxítona: cocuruto.
He said that three groups of people lived in every village. First were those you could see - walking around, eating, sleeping, and working. Second were the ancestors, whom Grandma Yaisa had now joined. "And the third people - who are they?" asked Kunta. "The third people," said Omoro, "are those waiting to be born."
(ROOTS - Alex Haley - 1925-1992)


Só a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Philosophicamente.

Unica lei do mundo. Expressão mascarada de todos os individualismos, de todos os colectivismos. De todas as religiões. De todos os tratados de paz.

(MANIFESTO ANTROPOFÁGICO - Oswald de Andrade
Anno 374 da Degustação do Bispo Sardinha.)


Veja, ilustre passageiro,
O belo tipo faceiro
Que o senhor tem a seu lado
No entanto, acredite,
Quase morreu de bronquite
Salvou-o Rhum Creosotado

(slogan histórico, que vivia pregado nas janelas dos bondes)

eu quero esse homem de cor
um Deus Negro do Congo ou daqui

(BLACK IS BEAUTIFUL - Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle)


O tipo garboso que ora ilustra este blog não é outro senão meu bisavô, o "afamado propagandista", J. A. Roger da Costa.

O novo layout é uma brincadeira de recorte e colagem com um cartaz onde ele anunciava um dos produtos que comercializava.

Além de eu achar o cartaz muito interessante pessoal e historicamente, também é uma oportunidade de mostrar que o estilo sissi de ser (não no sentido norte americano, mas no baiano/hype e meguiano) está na quarta geração, pelo menos.

Um dos motivos para o sobrenome dele ser diferente do meu é o fato de ele ter sido pai da minha avó materna. Mas uma ala da família assina como ele. Não o conheci, mas algumas de suas história me foram transmitidas. Como sempre tive muita curiosidade sobre sua figura, minha tia-avó, sua nora, era quem me saciava. Era a única remanescente dos que o conheceram, mas se foi no ano passado.

Sua bênção, Biso.

5.5.02

Cariocas costumam falar alto. Alguém que goste de explicações poderia lembrar que a amplidão da praia e o barulho das ondas faz com que se eleve o tom da voz. Bobagem...

Mas o problema se agrava porque uma praga assola os locais públicos ultimamente. A TV é onipresente em bares, salas de espera de consultórios médicos, restaurantes... Ela fica ligada em um volume tal que nem é possível abstrair seu som nem distingüir o que está sendo dito. Para acompanhá-la um rádio toca, sintonizado geralmente em uma estação que você detesta. E todo mundo coloca um auto-falante na garganta para conseguir ser ouvido no meio do burburinho.

É, acho que estou ficando velha...
"Afakakikorta da kortissendô"

Eu adorava os fonemas sonoros que tinham um sabor ancestral. Lógico que eu não tinha ainda a menor noção do que fossem fonemas ou ancestral. Tampouco imprimia sentido nas palavras da canção de ninar. Só bem mais tarde é que descobri, como uma revelação, que os versos diziam "a faca que corta dá corte sem dor".

Lembrei disso cantando para meu filho dormir. E, seguindo um fio de recordações e associações bem peculiar, fui viajando. Guardo memórias bem antigas. Ainda tenho a imagem, o cheiro e o toque de minha avó materna bem armazenados. Talvez sejam apenas lembranças das lembranças que cultivei durante estas três décadas e meia, já que me parece impossível realmente recordar de alguém que se foi pouco antes de eu completar quatro anos. E naquela noite em que cantava para meu filho dormir, me lembrei dela cantando para mim quando minha mãe perdia a paciência, do meu choro baixinho e soluçado, das figuras que imaginava na parede não emassada no canto da cama enquanto tentava me concentrar para pegar no sono antes que ela também desistisse de me embalar. Ela era minha segurança.

A sensação mais forte que tenho é daquele dia na cadeira de balanço. Tive um furúnculo na parte interna da orelha e um primo e um tio me seguraram com firmeza, enquanto minha mãe tratava de espremê-lo. Eu tremia de raiva, impotência e dor. E foi lá, no seu colo negro, gordo e quente que encontrei conforto balançando, balançando, balançando...

Minha avó supriu aquela carência que toda crinaça sente à chegada de um novo bebê na casa. Penso nisso só agora. Ela está forte dentro de mim porque eu passava muito tempo com ela. Imagino que minha mãe passava muito tempo então cuidando de minhas irmãs mais novas. Vovó era muito doente e sabia que tinha pouco tempo conosco. Éramos muito cúmplices e ela sabia que eu sofreria muito com sua partida, então tratou de me preparar. No dia em que foi sepultada, fiquei sozinha em casa com a empregada. Os adultos no cemitério e não sei onde estavam minhas irmãs. A mocinha me perguntou porque eu, tão agarrada com minha avó, não estava chorando (ela mesma estava escondendo mal suas lágrimas). Respondi que minha avó tinha pedido para que eu não chorasse quando ela se fosse, que eu ia viver muito, ter uma vida muito bonita e quando eu fosse bem velhinha como ela (mentira, ela não era tão velha assim) e também morresse, a gente ia se encontrar no céu, porque é isso o que acontece com as pessoas que se amam muito.

Estou vivendo a minha vida muito bonita. Tenho em mim a marca dos primogênitos. Sim, os primogênitos são diferetes dos caçulas e dos filhos do meio. Já repararam? Os primogênitos são sempre os mais sisudos e mais esforçados. Os caçulas são os carismáticos e os do meio, quando os há, ou são os mais livres dos papéis familiares pré-estabelecidos ou são os porras-loucas, as ovelhas negras.

É através do mais puro empirismo que afirmo que os casais mais harmoniosos são formados por primogênito-primogênito, caçula-caçula, do meio-do meio. Os filhos únicos ou permanecem solteiros ou casam-se com alguém com vocação para a servidão e para os bastidores. Observe: o filho único vai estar espalhado pelo sofá enquanto seu parceiro se espreme num cantinho; ele vai dominar a conversa enquanto o outro apenas abana com a cabeça, chamado a opinar apenas para confirmar o que o outro disse.

Meu lindinho dormiu e eu fui tomar meu banho para nanar também. E enquanto a água caia morna sobre o corpo, pensei que o "fator filho único disfarçado" pode ser o causador de algumas rusgas por aqui.

3.5.02

Muito assunto para por em dia, mas estou exausta.

Mas não vou dormir ainda.

Hoje tem Os Normais!

30.4.02

Ontem chegou até nós uma caixa enorme enviada por um amigo dos EUA para nosso filho. Era uma montanha russa em miniatura do Mickey. Bem, miniatura se comparada com a original (se é que ela existe), porque ocupa agora uma boa parte da sala.

A montagem me consumiu das 18 às 23:30 de ontem. Era zilhões de trilhos, suportes, apoios, estrelinhas, conectores e nem sei mais o quê. Meu polegar direito, já carcomido por uma alergia desencadeada por qualquer coisa, desde tensão até detergente, tem agora um calo colossal.

Geralmente montagem de brinquedos e afins ficam a cargo da outra parte do casal. Sim, há um regimento não escrito por aqui. Nada muito rígido, mas geralmente sou eu que cozinho e ele que lava a louça. Eu leio histórias e ajudo em trabalhos manuais e deveres de casa e ele leva ao parquinho, joga bola, monta brinquedos.

Entretanto, depois da cirurgia no olho, meu amo e senhor ainda se recupera e tem tido dificuldades para enxergar de perto, o que inclui leitura de manuais e peças pentelhosamente pequenas.

Montado o brinquedo é realmente lindo. Sabe aqueles capacetes de mineiros com uma lanterna na altura da testa? Eu queria um daqueles com uma filmadora ou máquina fotográfica para instantes como o de hoje quando meu filho acordou e viu a parafernália montada na sala. Aí eu poderia mandar uma cópia para o Bruce agradecendo o presente. Ah, sim, junto iria uma foto do meu doloridíssimo calo.

É uma tremenda veleidade valorizar tanto um calo quando falo do nosso amigo que recentemente sofreu um grave acidente.

Oh, Senhor, me ajude a parar de adiar os telefonemas que preciso fazer!
Tudo começou com a compra da mesa-estante de computador. Ela ficou linda. E fez sobressair a inadequação de uma estante de livros que estava do outro lado do quarto.

Devo dizer que a tal estante já me incomodava há tempos. Ela estava pendurada acima da cabeceira da cama e os livros e aquelas coisas que a gente nunca sabe direito onde colocar iam se acumulando sobre ela. Além disso, o apartamento é antigo e em alguns pontos o emboço é frágil. Uma vez acordamos de madrugada com um barulho que custamos a identificar na escuridão. O giro-visão tinha despencado junto com TV e vídeo. Então era comum eu sonhar que morria sob uma pilha de jacarandá, reboco e livros.

Resolvi aproveitar um espaço morto do corredor para instalar algumas prateleiras e abolir o motivo dos meus pesadelos. E o conselho familiar arbitrou que a estante de jacarandá iria para o lugar de outras duas bem velhas que também não me agradavam e que ficavam atrapalhando a circulação. Só que o que estava nas estantes que seriam descartadas não cabiam na que entraria em seu lugar. E começou a ciranda de mexe e arruma que já dura umas duas semanas.

Resumindo a história, praticamente todos os armários, gavetas e estantes da casa foram visitados e reorganizados. A novela ainda não acabou, mas tudo está ficando mais bonito que antes. E muito mais racional também.

A verdade é que havia coisas guardadas em caixas desde que me mudei para cá. Muito foi para o lixo ou reencaminhado. A disposição de alguns móveis ainda refletia aquele momento de correria e improviso de condensar duas casas em uma, daquele instante de susto que acontece quando você decide morar com alguém, mas sente muita necessidade de agarrar-se a seus objetos pessoais para, de alguma forma, manter ainda o pé fincado na sua individualidade. Insegurança, acho.

Outro dia meu amo e senhor leu um texto que escrevi e disse que tinha muitas das idéias dele ali. Ele estava certo. Fiquei calada, mas lembrei de uma cena de novela. Uma mulher falava que seu sonho era viver uma história como a de um casal que ela conhecia, juntos há décadas. A esposa contava um sonho para um casal amigo. Ao terminar o esposo observou que era ele quem tinha sonhado aquilo. A mulher que contava a história observava que este era o verdadeiro amor, a perfeita comunhão, quando até os sonhos se misturavam.

Nossas coisas estão sendo arrumadas. Nossa casa tem mais a nossa cara.

OK, OK... Seus discos são intocáveis e meu candidato continua sendo o Lula.

29.4.02

Um porta-retrato com a foto do artesão que o fez; um cesto de papelzinho para rascunho e post-it com uma menina super-poderosa; um calendário 2002 com fotos dos EUA sacadas por meu amo e senhor na viagem do ano passado; uma caixinha redonda ilustrada com um anjinho sentado nas costas de um leão; um porta-incenso com motivos africanos; um conjunto de caixas de som que devo instalar ainda hoje; brindes do kinder ovo: um guerreiro zulu, um tubarão roxo articulado, uma árvore onde está pousada uma cacatua, um fantasminha fosforescente, uma jumenta que se desmonta e tem um jumentinho na barriga; um monstrinho verde transparente da Coca-Cola; uma caixinha minúscula de madeira que ao ser aberta mostra uma joaninha e a frase "I Love You"; muitos livros CDs e cadernos; um cinzeiro; outro calendário; uma máquina fotográfica digital abandonada; um vidro com um boneco de fofíssimo de tecido cheio de frases esquisitas como "Eu não faço nada sozinho. Dependo do meu Criador"; outro porta-incenso; pastas com documentos já organizados; documentos não organizados; folhas, cartões, etiquetas para impressão...

E, no meio de tudo isso, computador e impressora...
Não consigo tirar os olhos de

28.4.02

DERIVA


[Do fr. dérive.]
S. f.
1. Desvio que um instrumento sofre com o tempo, a partir do ponto de repouso, quando a variável medida e as condições ambientes permanecem constantes.
2. Cronol. Variação progressiva de marcha de um relógio.
3. E. Ling. Na evolução de uma língua, a direção para a qual parecem apontar diversas mudanças não relacionadas; conspiração. [A partir do séc. XVI, p. ex., diferentes modificações no português, como a ditongação (mã-o > mão) e a contração de vogais (que-ente > quente), tiveram como resultado a eliminação dos muitos hiatos do galego-português.]

* Deriva dos continentes. Geofís.
1. Fenômeno pelo qual os continentes se deslocam sobre a superfície terrestre, como que flutuando sobre o magma.

* À deriva.
1. Sem rumo; solto, perdido; arrastado, levado

(Retirado do meu pai, o dos burros, o Aurélio)
Ódio é aquilo que você sente quando se percebe numa situação desfavorável e sabe que não há ninguém para culpar além de si mesma.

Meu pai tinha uma frase ótima para a posição em que me encontro, mas ela é impublicável. Bem, acho que dá para entender se eu disser que terminava assim: "... e ainda pedir desculpas por estar de costas".

27.4.02

NON


Ontem fiquei um tempão com um amigo francês ao telefone.

Gosto sempre de ouvir a versão interna para os fatos, deixando o que leio nos jornais apenas como complemento.

Ele falava de susto, de decepção, da sensação de abalo no que se acreditava certo, da acomodação que levou às pessoas a preferir curtir um dia de sol a cumprir o dever cívico e que resultou na chegada de Le Pen ao segundo turno das eleições francesas.

Tive a impressão de que ele estava bastante emocionado do outro lado da linha ao falar do risco que corre seu país de eleger um político de posições fascistas. Ele tem medo de que as inúmeras manifestações que pipocam por todo país (a maior deve ser no 1º de maio) descambem para a violência e que isso ratifique os temores dos que apoiam aquele que crê que o holocausto não passa de ficção. Porque em todo lugar do mundo as pessoas simples acreditam em propostas imediatistas, em políticos que prometam resolver seus problemas já, não importando o preço a ser pago. Porque em qualquer lugar do mundo, é sempre mais fácil jogar a culpa no outro, no diferente, nos estrangeiros...

Entendo as preocupações do meu amigo, mas acho que tudo vai terminar bem ou, pelo menos, retirado o melhor candidato da disputa, o pior não conseguirá eleger-se. O susto serviu para sacudir quem estava acomodado e agora, com tanta gente consciente da importância do comparecimento às urnas, a França vai conseguir livrar-se deste pesadelo.
Ser mãe é:




Além de comprar (e ter que ouvir à exaustão) o CD, procurar letras das música do Gorillaz na Internet.

26.4.02

Quem tem alma de roqueiro é rebelde até quando está recém-operado.

Está sendo duro manter meu amo e senhor longe do mundo das letras depois da cirurgia para correção da miopia. Realmente ficar em casa sem poder ler jornais, revistas, livros, sem poder ficar diante do computador, com restrições à televisão e à cerveja, sem poder praticar nada que inclua contato físico muito próximo é um saco...

Mas que ele está lindinho sem óculos, está...

...pequeno, médio, grande, com aba, sem aba, com aplicador, sem aplicador, noturno, diurno, com floc gel, 100% algodão, extra fino, nova embalagem, leve 12 e pague 10, diário, formato anatômico, aderente, com perfume, neutro, próprio para fio dental...

E você demora um tempão em frente à gôndola do supermercado ou da farmácia para fazer essa escolha em plena TPM. Alguém poderia sugerir uma simplificação, não?

24.4.02



"Faz-de-conta que eu não me importo que os meus post não estejam sendo comentados!"
Eu tinha uns onze anos quando o primeiro do tipo ancorou na minha vida. O processo é sempre o mesmo e já sinto arrepios quando vejo alguém semelhante. Aí respiro, conto até dez, faço uma força sobre-humana para engolir julgamentos precipitados e fico ali, esperando que minha primeira impressão seja desfeita e que eu tenha motivos para abolir os receios.

Mas não adianta. A história se repete.

H. mudou-se para a minha rua com seus pais e irmãos. Incluíram-se na turma com facilidade. A rua onde eu morava tinha poucas casas na época, o bairro apenas deixara de ser considerado Zona Rural. Conhecia todo mundo desde que nascera. Era raro a construção de uma casa nova. Mais rara ainda era a chegada de novos vizinhos.

Depois do jantar, a gente se reunia à frente de algum dos portões. Conversávamos, alguém tocava violão e cantávamos. Era uma idade em que era divertido tanto jogar queimado quanto emular uma paquera. Éramos uns vinte púberes divididos em sub-grupos, com freqüência e permanência variável na confraria.

H. sempre dava um jeito de sentar perto de mim. Puxava assunto. Quando pegava na bola, era sempre para mim que jogava. Suas histórias e piadas sempre tinham algum pretexto para segurar minha mão ou me tocar. Eu sempre escorregando para longe dele. Nunca apreciei suas atenções e nunca tive espírito de cultivar paixonites apenas para ter um grande séquito me acompanhando como via e ainda vejo algumas meninas (e mulheres) fazendo.

Ele começou a ficar mais agressivo em suas investidas e as pessoas começaram a notar. Claro que era prato cheio para brincadeiras de gosto duvidoso entre a garotada do lugar.

Dei uma sumida. Evitava aparecer na rua naquele período entre o jantar e o sono. Ele observava meus horários e sempre aparecia no portão para uma conversa boba quando eu estava voltando da escola ou no ponto de ônibus na hora que eu ia para o curso de inglês. Até então ele era apenas chato, um daqueles sujeitos difícil de despachar, principalmente quando eles não fazem nada realmente grave e são tão bonzinhos. Eu procurava não dar corda, inventava mil desculpas para me desvencilhar, mas meu repertório de escape naquela idade era realmente pífio e, creio, pouco efetivo.

Aí, veio a carta. Cheia de declarações titubeantes e propostas vagas. Pelo menos eu tinha algo concreto sobre o qual conversar e esclarecer a minha posição. Pensei na forma menos dolorosa e ainda assim definitiva de dizer não. Parece que falhei, porque ele apertou o cerco e tomou a resposta como um talvez.

Eu não desgostava dele. Apenas me sentia muito incomodada com uma corte não desejada. E decidi que a única forma de terminar com aquilo seria fazendo o que eu estava evitando fazer para que ele não se magoasse. Fingia não vê-lo ou ouví-lo sempre que possível. Dava a volta no quarteirão para não passar em frente a sua casa. Passei a tomar o ônibus em outro ponto. Mudava os caminhos com freqüência.

E criei um monstro.

Toda hora chegavam aos meus ouvidos coisas horríveis que ele dizia a meu respeito. Ele aprontava de tudo. Acho até que foi ele que andou escrevendo umas coisas estranhas no muro lá de casa.

Uma amiga me convenceu a voltar a freqüentar a rua algum tempo depois. Eu ficava em um canto e ele em outro. De vez em quando eu flagrava seu olhar.

Um dia ele veio andando direto em minha direção, interrompeu a conversa que eu estava tendo e do nada disse que me odiava, que tinha vontade de me picar em pedacinhos. Eu realmente senti medo.

Sumi de novo.

Por sorte, pouco depois a família dele foi embora da rua e eu pude voltar a respirar em paz.

Depois disso, outros vieram e foram. Algumas vezes a questão nem era amorosa ou sexual. Mas são todos muito parecidos na forma de olhar, no cheiro que emanam do corpo, nas palavras...

Um deles me ronda agora mesmo...

23.4.02



JORGE DA CAPADÓCIA
Jorge Ben

Jorge sentou praça
na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
sou da sua companhia

Eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge.
Para que meus inimigos tenham pés
e não me alcancem.
Para que meus inimigos tenham mãos
e não me toquem.
Para que meus inimigos tenham olhos
e não me vejam.
E nem mesmo um pensamento
eles possam ter para me fazerem mal

Armas de fogo
meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
sem o meu corpo tocar.
Cordas e correntes arrebentem
sem o meu corpo amarrar.

Pois eu estou vestido
com as roupas e as armas de Jorge

Jorge é de Capadócia
Salve Jorge!
Salve Jorge!

Jorge é de Capadócia
Salve Jorge!
Salve Jorge!

MEL chegou!


Chama-se Melina, tem 2,850 Kg, 48 cm e nasceu às 18:01 de ontem.
É linda e se parece muito com a não menos linda irmã Priscila de 8 anos.
É filha da minha irmã do meio e sorriu assim que a peguei no colo.

22.4.02

DUAS


Os móveis escuros e tapetes, revestimentos, cortinas e almofadas surrados emprestavam um ar melancólico àquela casa. Tudo ficara do mesmo jeito que a mãe deixara. Talvez por isso, quando não saía, ela passasse tanto tempo à janela.

Dali, a uma altura pouco acima da cabeça de quem transitava pela calçada, ela via todo o largo. Mesmo quando nada parecia acontecer por ali, quando as crianças estavam na escola, os adultos nos escritórios ou cuidando de assuntos domésticos, os velhos recolhidos para a sesta, ela permanecia debruçada sobre o batente. Observava o calor da tarde incidindo preguiçoso sobre o triângulo que ela conhecia tão bem. Olhava o chafariz brincando de fazer-se arco-íris. Aspirava o odor das flores que ela ajudara a plantar. Sempre havia com o que ocupar os sentidos apenas jazendo ali.

A vizinha passou e perguntou se ela queria alguma coisa do comércio. Nada estava faltando, mas uma encomenda qualquer seria um pretexto para que a outra subisse para um café e, quem sabe, alguma conversa na volta. Coco! Assim poderia fazer um doce e mais tarde teria motivos para uma visita, para levar um naco para a amiga. Desses pequenos subterfúgios sobrevivia sua pacata vida social.

Retornando, Juju acomodou-se na poltrona coberta por uma manta quase tão rota quanto o forro que pretendia disfarçar. Estava ligeiramente suada, o batom escorrera um pouco pelos sulcos em torno da boca e alguns fios mais rebeldes haviam se soltado do penteado na altura das têmporas. Entretanto percebia-se estar diante de uma mulher que se vestia e perfumava com apuro, mesmo que isso pesasse sobre seu orçamento apertado. Ela mantinha-se apresentável mesmo após caminhar por um par de horas pelas ruas do comércio. Seu rosto estava levemente afogueado e ela, como de costume, trazia algumas novidades para contar.

Lena gostava dela imensamente. Sempre foram amigas e a diferença de idade nunca incomodou. Quando Lena nasceu, Juju já era moça feita. O parto fora complicado e D. Amância permaneceu quase inválida durante o resguardo. Juju, que virava, mexia, arrumava pretexto para aparecer, surgira definitiva e imprescindível, para ajudar no que fosse necessário. Cuidou da cozinha, da neném, da casa toda. D. Amância a tratava como criada e ela parecia não perceber. Tudo estava bem. Ela estava ali. Afeiçoou-se sincera e profundamente a Lena desde seus primeiros instantes de vida. Mas não durou por muito tempo o salvo-conduto de Juju naquela casa.

O pai de Lena elogiava o tempero da vizinha. O corte perfeito dos vestidos que ela mesmo confeccionava. Ria, brincando com ela e a filha na sala. Juju começou a sentir os olhares e palavras ferozes sobre si. Sabia que tinha algo a ver com o homem da casa e, assim que D. Amância pôs-se finalmente de pé, começou a evitar estar lá nos mesmos horários que ele.

Alguns perguntavam se ela não se incomodava com os insultos que saiam da boca de D. Amância e vazavam para os ouvidos dos vizinhos pelas janelas. Ela, verdadeiramente ou não, dizia que não estava certa se realmente sabia do que estavam falando.

Juju sempre fora para Lena um exemplo de feminilidade. A mãe pesadona e marcial, parecia ocupada demais cuidando da dinâmica rígida da casa e esquecendo-se de si. Juju orbitava sua vida e Lena jamais estranhara. Era mesmo assim desde começara a ter consciência de si. Juju permanecia solteira e Lena achava natural que a amiga preferisse estar em sua casa, apesar do humor terrível de sua mãe e das diversas restrições que impunha à presença da vizinha, a permanecer sozinha a dois portões dali. Não passou por sua cabeça perguntar exatamente por que a amiga jamais se casara. Sua natureza não era questionadora.

O pai de Lena falecera quando ela tinha doze anos. Juju tentava consolar a menina, mas acabava chorando junto. Intensificara a freqüência e duração de suas visitas. As duas tiveram que engolir a tristeza e descobrir a leveza para lidar com a dureza de D. Amância.

A viúva tornara-se ainda mais irascível. Exigia nada menos que perfeição em tudo. E demandava atenção especial e total ao adoecer grave e longamente alguns anos depois. Tiranizava a filha e a dedicada vizinha. Não deixava a filha sair para canto algum. Estudo demais e rua não eram coisas que uma mulher direita desejasse. De que adiantara tanto estudo para Juju? Um dia, um homem decente iria buscá-la dentro de casa, isso sim. Mulher sabida demais ficava cuidando dos filhos dos outros.

A amiga, então, contrabandeava livros que Lena lia escondido. Juju trazia novas receitas e especiarias para experimentarem, mudas e sementes para plantarem no largo em frente quando D. Amância se distraia ou caia no sono, ensinava novos pontos de crochê e bordado, ouvia rádio bem alto quando estava em sua casa para Lena também pudesse escutar da janela, já que a mãe não permitia música. Assim, numa rebeldia sutil, sobreviviam às torturas psicológicas a que eram submetidas. Lena, compulsoriamente; Juju, voluntária e solidariamente.

Lena pensava no pai e no que como criança não percebera. Desconfiava que ao pobre havia sido dedicado tratamento semelhante, sob a austeridade e formalidade que lhe impunha a mulher para mascarar um casamento infeliz e apático. Ela lembrava de lampejos de brilho no pai. Ele ternamente sorria para ela e para Juju sempre que D. Amância não estava por perto. Lena tinha um pensamento recorrente que afastava assim que ele começava a tomar forma: D. Amância, ditadora inata, abafara tanto a vida dentro daquele homem que abreviou seus dias. E quiçá tenha mesmo sufocado-se em rigidez, também morrendo cedo demais.

No dia em que D. Amância se foi, Juju segurava sua mão e a da filha. Depois do período regulamentar de luto, Lena começou a experimentar a vida além das fronteiras do seu largo. As amigas iam juntas ao cinema, ao comércio, envolviam-se em alguns projetos sociais e, sobretudo, freqüentavam a casa uma da outra.

Porque era assim, sentadas diante uma da outra, a mulher madura e a cinqüentona sacudida, que compartilhavam a solterice e uma solidão sublimada. Fazia dez anos que Lena e Juju só tinham uma a outra, dividindo o tempo que passava lento. Sem filhos ou netos, maridos ou pais idosos para cuidar, mantinham um ritual cerimonioso de cafés e chás, alguns passeios e uma espécie de dependência silenciosa. Conviviam sem jamais tocarem em assuntos pessoais demais.

Lena, aos trinta e oito anos, cultivava secretamente a esperança de encontrar ainda um grande amor. Dos sonhos românticos de Juju não sabia, mas desconfiava que um amor impossível, inconfessável e eterno a impedira de casar-se com qualquer outro.

A moça da janela era uma vitoriosa passiva. Conseguira, de alguma forma, manter uma improvável alegria de viver. Tirava prazer das coisas mais singelas. Era mansa, era doce, e, não se permitindo pensar demais, era feliz. E sabia que à sua frente estava aquela que ajudara na sua sobrevivência através de uma vida insípida e pálida. Ali estava a amiga, que agora, mais uma vez, perdia os olhos na mesinha repleta de porta-retratos que emolduravam os mortos da casa e erguia, distraidamente, a xícara de café em direção a um sorriso misterioso.


19.4.02

Para rebater:

Você Não Entende Nada
(Caetano Veloso)


Quando eu chego em casa nada me consola
Você está sempre aflita
Lágrimas nos olhos, de cortar cebola
Você está tão bonita
Você traz a coca-cola eu tomo
Você bota a mesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você não está entendendo
Quase nada do que eu digo
Eu quero ir-me embora
Eu quero é dar o fora
E quero que você venha comigo
E quero que você venha comigo
Eu me sento, eu fumo, eu como, eu não aguento
Você está tão curtida
Eu quero tocar fogo nesse apartamento
Você não acredita
Traz meu café com suita eu tomo
Bota a sobremesa, eu como, eu como
Eu como, eu como, eu como
Você
Tem que saber que eu quero correr mundo
Correr perigo
Eu quero ir-me embora
Eu quero dar o fora
E quero que você venha comigo


Ouro de Tolo
(Raul Seixas)

Eu devia estar contente
Por que eu tenho um emprego
Sou um dito cidadao respeitavel
E ganho quatro mil cruzeiros por mes

Eu devia agradecer ao senhor por ter tido
sucesso na vida como artista
Eu devia estar feliz por que eu consegui
Comprar um corcel 73

Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em
Ipanema depois de ter passado fome por dois anos
Aqui na cidade maravilhosa
Ah| Eu devia estar sozinho e orgulhoso por ter


Finalmente vencido na vida mas eu acho isto uma
Grande piada e um tanto quanto perigosa
Eu devia estar contente por ter conseguido tudo
O que eu quis mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado
Por que foi tao facil conseguir e agora eu me pergunto, e dai?

Eu tenho uma porcao de coisas grandes pra conquistar,e eu nao
Posso ficar ai parado
Eu devia estar feliz pelo senhor ter me concedido o domingo
Pra ir com a familia no jardim zoologico dar pipoca aos macacos


Ah| Mas que sujeito chato sou eu que nao acha nada engracado
Macaco, praia, carro, jornal, toboga eu acho tudo isso um saco
E' voce olhar no espelho se sentir um grandessissimo idiota
Saber que e' humano, ridiculo, limitado que so usa

Dez por cento de sua cabeca animal
E voce ainda acredita que e' um doutor padre ou policial
Que esta contribuindo com sua parte para nosso belo quadro social
Eu e' que nao me sento no trono de um apartamento com a boca

Escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar
Porque longe das cercas embandeiradas que separam quintais
No cume calmo do meu olho que ve
Assenta a sombra sonora de um disco voador


18.4.02

O pior dos chicletes de ouvido é que eles grudam em você mesmo quando você não gosta da música.

Vai Serginho anda me rondando. Baba também.

Está na hora de colocar algo muito bom para ouvir ou acabo enlouquecendo.
Foi tão rápido que você nem reparou, né?

15.4.02

Fui ver e gostei, portanto, recomendo para quem tem criança em casa e está em busca de programas que sejam divertidos para elas sem se transformarem em suplício para os adultos:

FORÇA E MOVIMENTO


Até 04 de agosto de 2002, a Casa da Ciência entra num movimento diferente. Para fazer girar a cabeça e suar a camisa, a exposição FORÇA E MOVIMENTO apresenta 36 experimentos onde você poderá brincar com esses conceitos físicos experimentando cada um deles com o próprio corpo.

Exposição
Terça a sexta - 9:00 às 20:00
Sábados, domingos e feriados - 10:00 às 20:00
Visitas em grupo deverão ser agendadas com antecedência

Oficinas de minikits de física
Sábados e domingos
Distribuição de senhas meia hora antes das Oficianas
15:00 - Projeto Pica-Pau
16:00 - Descobrindo e Inventando com Galileo Galilei
17:00 - Apostando na Corrida
18:00 - Descobrindo Inventando com Isaac Newton

Atividades Especiais para Professores
Informações pelo telefone (21)2542-7494

Centro Cultural e Tecnolofia / UFRJ
Rua Lauro Muller, 3 - Botafogo - Rio
(21)2542-7494
www.casadaciencia.ufrj.br




CBTIJ - MOSTRA DE TEATRO PARA CRIANÇAS


Peças de cunho educativo e cultural de alta qualidade, em parceria c o Centro de Teatro para Infância e Juventude.

A MENINA QUE PERDEU O GATO ENQUANTO DANÇAVA
O FREVO NA TERÇA-FEIRA DE CARNAVAL


É terça-feira de Carnaval, em Olinda. Maria deixa seu gatinho aos cuidados do amigo Patativa para dançar o frevo. Patativa também quer cair no frevo e pede ao Palhaço que fique com o gato. O Palhaço também deixa o bichano com outro amigo. Quando Maria quer seu gatinho de volta, onde ele está?


Dias e Horários: 20, 21, 27 e 28/04, 17h
Local: Teatro I, Sesc Tijuca
Ingresso: R$5,00 (comerciários e dependentes) e R$10,00 (comunidade)

Sesc Tijuca
Rua Barão de Mesquita, 539 - Tijuca
Tel.: 2238-4566
sesctijuca@sescrj.com.br