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3.6.03

E para não pensarem mal de mim, conto outra história:

X DO PROBLEMA
(Noel Rosa)

Nasci no Estácio
Eu fui educada na roda de bamba
Eu fui diplomada na escola de samba
Sou independente, conforme se vê

Nasci no Estácio
O samba é a corda, e eu sou a caçamba
E não acredito que haja muamba que possa fazer
Eu gostar de você

Eu sou diretora da Escola de Estácio de Sá
E felicidade maior nesse mundo não há
Já fui convidada para ser estrela do nosso cinema
Ser estrela é bem fácil
Sair do Estácio é que é
O X do problema

Você tem vontade
Que eu abandone o Largo do Estácio
Para ser a rainha de um grande palácio
E dar um banquete um vez por semana

Nasci no Estácio
Não posso mudar minha massa de sangue
Você crer que palmeira do mangue
Não vive na areia de Copacabana

Eu sou diretora ...

Porque acho que pra tudo - ou quase - há hora:

Volta
(Lupiscínio Rodrigues)

Quantas vezes não durmo
A rolar-me na cama
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama

O calor das cobertas
Não me aquece direito
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito

Volta
Vem viver outra vez ao meu lado
Não consigo dormir sem teu braço
Pois meu corpo está acostumado.


Tú Me Acostumbraste

Tú me acostumbraste
a todas esas cosas,
y tú me enseñaste
que son maravillosas.

Sutil llegaste a mi como una tentación
llenando de ansiedad mi corazón.

Yo no comprendía cómo se quería
en tu mundo raro y por ti aprendí.
Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti.

Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti.

Tu me acostumbraste

Tú me acostumbraste
a todas esas cosas,
y tú me enseñaste
que son maravillosas.

Sutil llegaste a mi como una tentación
llenando de ansiedad mi corazón.

Yo no comprendía cómo se quería
en tu mundo raro y por ti aprendí.
Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti.

Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti


Eu ainda era muito pequena. Só lembro que, sim, tínhamos Ben (ainda sem jor) em casa, mas o outro era visto com certo desprezo. O outro era deixado para o pessoal sem opção de lazer nos finais de semana, para os bailes de subúrbio, para a plebe. E nunca ouvi o outro com atenção. Tenho agora, burra velha, uma música dele numa coletânea e uma dúvida:

Bebeto estava para Benjor assim como Vercilo está para Djavan?
Eu quero, preciso, não posso viver sem:


Toda saída é entrada para outra coisa.
(Tom Stoppard)

2.6.03

O RIO DO MEU TEMPO
(Heloisa Seixas)

O Rio do meu tempo tinha cor e luz e cheiros, como em lugar algum. Tinha manhãs de outono em que o sol vencia o ar frio e tocava a pele devagar, numa carícia. Tinha também tardes de primavera, em que floriam os espinheiros das praças, espalhando na atmosfera um cheiro de jasmim. Tinha buganvílias, flamboyants e amendoeiras. E coqueiros enfileirados junto à orla, cujas palmas delicadas, mexidas pela brisa, se recortavam diante do horizonte lilás, como um cenário de filme. O Rio do meu tempo tinha montanhas, cadeias e mais cadeias de montanhas esbatendo-se em degradê pela paisagem afora e ainda um pôr do sol que no verão deixava um rastro de cobre na areia molhada, transformando em silhuetas os retardatários das praias, que se deixavam ficar junto às ondas até a última réstia de luz. Ah, e tinha mar, um mar enorme no Rio do meu tempo.

O Rio do meu tempo tinha também sons, murmúrios, batuques. Choros e sambas em velhos casarões, burburinhos sem fim nas madrugadas sob os Arcos, risadas nas portas dos botequins, onde os embates sobre futebol tinham sabor de cerveja, de fritura e churrasquinho. O Rio do meu tempo tinha a nova Bossa, que era mais que Nova e reinava em templos com nome de maestro, de sons modernos ou finas misturas. Música, música, muita música - é o que tinha o Rio do meu tempo. Sem falar no carnaval, porque aí já é covardia. O Rio do meu tempo sabia ser espalhafatoso, quando fazia de sua ópera popular um milagre gigantesco, com dezenas de milhares de atores em ação. Ou ainda quando deixava escoar pelas ruas uns rios brancos, feitos não de água mas de gente, para saudar na praia o novo ano. Mas a cidade sabia também ser acolhedora e mansa, envolvendo quem a amasse em pequenos refúgios, em seus cafés, em suas livrarias. Eram coloridas e animadas as livrarias do Rio, e nelas nos deixávamos ficar por horas e horas, folheando os livros sem pressa, conversando nas mesas de seus cafés, encontrando amigos.

Ah, como era bom o Rio do meu tempo.

É claro que havia, também, problemas. Corrupção, drogas, violência. Muita violência. Mas ainda assim o Rio do meu tempo era maravilhoso. E nós não podíamos deixar que as notícias ruins tomassem todo o espaço, não podíamos deixar que o pânico crescesse e gerasse mais pânico, numa escalada sem fim. Sabíamos bem que éramos uma caixa de ressonância, tudo o que acontecia em nossa cidade repercutia mais. Precisávamos fazer alguma coisa, mostrar a nós mesmos nossos encantos, para nunca esquecê-los. Dizê-los em voz alta como a recitar um mantra, com o qual ganharíamos força para vencer o medo. E porque era tempo - sempre seria - de salvar aquela cidade feita de beleza e pavor.

Era assim, no Rio do meu tempo - esse tempo chamado agora.

A moça que trabalha como diarista aqui em casa está para ter bebê ainda este mês. Para garantir que eu não fique ao deus-dará e que sua vaga vai estar aqui quando ela estiver pronta para voltar ao batente, sua irmã será sua substituta. Hoje vieram as duas para que eu conhecesse e conversasse com a doméstica reserva, uma ensinasse o serviço a outra e para que a transição fosse tranqüila.

Passava pouco das nove da manhã. Com exceção do moleque, que teve um final de semana de arromba para comemorar o aniversário e ainda dormia, a casa seguia em ritmo acelerado. De repente, ele aparece na porta do meu quarto, pijama e cara amassados e meio tortos ainda. Estava lívido, olhos arregalados, expressão de total desespero:

- Mamãe, me ajude, por favor. Estou ficando louco. Estou vendo coisas.
- O que foi que você viu, meu filho?
- Vi duas jussaras limpando a sala.
A cenografia da violência na capital que é internacionalmente símbolo do País tem mais visibilidade, ressalta ele [coronel José Vicente da Silva Filho]. "Mesmo um crime que não tem a ver com o tráfico é tratado de um jeito que acaba dando a impressão de que a cidade está contaminada, dominada. O conjunto se torna até meio teatral devido às ações executadas pelos traficantes, que acabam reforçando esta situação", analisa Vicente.

Para o ex-secretário, a quantidade de assaltos e mortes não difere de centros urbanos como São Paulo e Vitória. "A cobertura é injusta para
o Rio na proporção do que acontece em outras capitais. Está havendo uma espécie de demonização. A situação no Rio é grave, como é grave em São Paulo e em outras cidades."


***


A juíza aposentada e deputada federal Denise Frossard (PSDB-RJ) acredita que o crime organizado tem tudo a ver com a violência do cotidiano. "Ao contrário do que se diz, não é um poder paralelo, antes fosse. É um poder transversal. Há um momento em que essa criminalidade cruza com o Estado constitucional pela corrupção. Esse mau exemplo passa para toda a sociedade", acredita Denise. "Com esse desarranjo no andar de cima, a base agrega o valor da impunidade", diz. O juiz Wálter Maierovitch, ex-secretário Nacional Antidrogas e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, aponta que a chave do enigma passa por abrir a "caixa preta" das polícias. Os níveis de violência no Brasil são comparáveis aos de zonas de guerra ou à situação em Israel e nos territórios palestinos. É o que diz o último relatório da Anistia Internacional, espécie de guardiã dos direitos humanos no planeta. De acordo com o relatório, entre janeiro e outubro de 2002, 703 pessoas foram mortas pela polícia em São Paulo.


(Leia tudo aqui)

30.5.03

Bons agouros para o final de semana:

- filho acordando com inacreditável bom humor;
- a água na temperatura perfeita da hidroginástica sob o céu de brigadeiro e com trilha sonora caprichada;
- almoço de duas horas com o "namorado" no shopping em pleno dia útil;
- spa do pé;
- flores do campo frecas;
- a última cortina sendo posta no lugar (o que oficializa o fim da mudança);
- presente para terminar de arrumar e embrulhar;
- manicure, máscara facial, hidratação capilar;
- ainda não são quatro da tarde e é sexta-feira.

O trabalho? Depois do - como dizem os franceses - weekend.

28.5.03

Outro dia retomei conversas com uma pessoa de quem gosto muito, mas que a vida tinha levado numa onda para mais distante. Pois outra onda trouxe a amiga para perto novamente, agora que nas reuniões já não precisamos ficar todo o tempo atrás de nossos respectivos filhos. Também ela tem a vida toda cronometrada, cada pequeno evento encaixado artesanalmente de forma que nenhum dos aspectos cotidianos de uma mulher moderna seja negligenciado. Com um pouco de disposição e organização é possível lidar com peões sonsos, porteiros abusados, treinadores sarados, educadores amalucados, clientes estressados, familiares carentes, filhos instantes, maridos famintos e cabeleireiros afetados com diferença de poucos minutos ou, em alguns casos, até simultaneamente. Minha vida, assim como a desta parenta afetiva e de várias outras mulheres, é um Diagrama Pert.

Entretanto, não há organização e planejamento que sobreviva ao inesperado, ao insólito, ao - talvez - sobrenatural.

Era aquele dia da semana em que normalmente deixamos para cumprir algumas questões práticas que exigem decisões de casal. Em dias assim, deixamos o moleque no curso e aproveitamos aqueles instantes para resolver algumas pendências. O curso começa exatos 70 minutos depois que ele é liberado da escola. Neste tempo, é preciso que ele se desloque da escola para casa, tome banho, vista-se (com a roupa que eu separei), jante, escove os dentes e desloque-se de casa para o curso. Normalmente é tempo suficiente. Enquanto ele toma banho (graças a Deus as crianças crescem!), eu sirvo seu jantar e enquanto ele janta, termino de combinar alguns detalhes com meu parceiro de empreitada. Para que funcione, é preciso que eu já esteja pronta, do tamanco plataforma ao batom, quando os dois homens da minha vida aportam em nosso lar doce lar.

E foi num desses dias, bem na hora em que eu fechava a tenda, ou melhor, desligava o computador, e me preparava para entrar no banho que eu ouvi um barulho assustador. A auxiliar para serviços domésticos tinha acabado de sair, portanto o outro único ser que poderia ser causador e vítima era minha sogra, já que o hamster e o canário, e evidentemente as samambaias, haviam sido eliminados da suspeita dada a grandiosidade do estardalhaço. Enquanto eu ia em direção ao quarto dela, encontrei-a vindo em minha direção e nos fizemos a mesma pergunta:

- O que que aconteceu?

Já que não havia culpados ou feridos, fui passando, com calma, todos os cômodos em revista até que pressionei o interruptor da cozinha e não obtive a resposta esperada: luz. Com ajuda da pouca claridade que ainda vinha da janela naquele início de noite, examinei o lugar onde deveria estar a luminária e encontrei o nada. Minha educação européia não vai deixar que eu reproduza aqui o puta-que-o-pariu que eu soltei ao ver as quatro lâmpadas mais a estrutura que as sustentava completamente espatifadas no chão da cozinha.

Sabe aquele tempinho que eu tinha para me arrumar? Pulou para debaixo da vassoura e dela para cima da pá e de lá para dentro do jornal e do saco de lixo. Ainda deu mais uns passos agonizantes com o meu olhar biônico de mãe em busca de algum caquinho derradeiro e estertorou nas tiras do esfregão, suspirou naquele pensamento mórbido cheio de "e se" (a empregada grávida, o filho pequeno, a sogra idosa, o marido grande e forte, mas mortal) e esticou as canelas definitivamente na virada da chave que anunciou a chegada dos meus amores.

E o mais incrível é que estrondos assim quase mortais, em acidentes vindos do além, não acontecem pela primeira vez em torno de nós, embora seja a primeira vez na casa nova. Mas isso é outra história.

Esta aqui termina com o garoto chegando à aula na hora certa, pela mão de uma mãe que acabara de colocar os brincos e de passar o batom dentro do carro, onde naquele exato momento um marido esperava por ela para executar uma daquelas tarefas conjuntas. A daquele dia envolvia acertos para uma celebração de vida.
Detesto desmarcar compromissos. Pior das descortesias pra mim é marcar comigo e furar. É certo que imprevistos acontecem, mas depois que inventaram o telefone e agora, mais que nunca o celular, nenhuma desculpa alivia os que apreciam um forfait, principalmente os que fazem isto para valorizar o próprio passe (ou porque usam o método argentino de autoavaliação).

Claro que já fiz, todo mundo já fez. Uma amiga marcou casamento, avisou; trouxe convite em casa pessoalmente; a resposável pelo cerimonial ligou para confirmar presença na véspera e eu confirmei mesmo com gripe forte. No dia seguinte, o do casamento, não consegui sair da cama com pneumonia (e sinusite!). Passaram-se anos e ainda me sinto mal por não ter estado lá.

Então não foi sem uma ponta de contrariedade que liguei para o dentista e transferi a consulta. Afinal, era um motivo escolar e, tratando-se do pimpolho, tudo que tenha a ver com a escola é prioridade. Mas eis que a escola, usando das suas prerrogativas, abusando da pouca elaticidade dos horários das famílias modernas, rearranja seus próprios horários e me deixa com cara de tacho diante do odontólogo. Não que eu me importe sobre o que a atendente vai pensar a respeito da minha sanidade mental - até me divirto quando as pessoas me olham com estranheza; normose mata! - mas tenho mais o que fazer da vida além de ficar remarcando consulta.
Consegui!

Cheguei ao mesmo peso que estava antes de parar de fumar e começar o abominável processo inflável.
Entre a última tragada e hoje passou-se pouco mais de um ano.
Comemoração com chope e muitos belisqueites dentro daquele vestinho que fazia tempo que eu não tinha coragem de vestir.
Se você for ao médico e ele disser que você está com uma virose, fuja dele.
Os mais antenados hoje em dia sempre diagnosticam sinusite, quaisquer que sejam os sintomas.
Virose? Humpft! Coisa mais anos 90...

26.5.03

Treetap vem de "sangrar a árvore" para extrair o látex. Já a bola de borracha que, derretida se mistura no tecido de algodão e vira couro vegetal, é chamada de "pele" na Amazônia. Daí o nome de "pelada", vide as "peladas" que muitos Romários já jogaram com bolas de borracha na sua infância.

Os primeiros registros do que hoje está ganhando o mundo datam de 1736, feitos por um geógrafo francês. Coincidência ou não, o tecido Treetap já é utilizado na fabricação de mochilas da empresa francesa Hermés.

O couro vegetal, com sua linha de acessórios de moda, quando cair no gosto do eco-cidadão, será uma alternativa para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

(JB Ecológico - 28 de abril de 2002 - parcial)

Cordas Dedilhadas


Junho
CORDAS DEDILHADAS - AUDITÓRIO DO ARTE SESC

Toda Segunda-feira de Junho - 19:00hs - Entrada Franca
Senha 1 hora antes

ARTE SESC
Rua Marquês de Abrantes 99 – Auditório - Tel: 3138-1343


02/6/2003: Duo Fel (SP)
"DUOFEL 20", comemora os vinte anos do DUOFEL através de um passeio por suas histórias e influencias, mostrando músicas de todos os Cds lançados.
Formado pelos violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, O Duofel vem há anos trilhando o caminho da música instrumental. Em 1993, o Duofel ganhou o Prêmio Sharp de Música na categoria Instrumental. Após bem-sucedidas apresentações em festivais de prestígio, como o Summerstage, em Nova York (EUA), e no Jazz à Vienne, em Lyon ( França), em 1998, a dupla grava finalmente o CD "Atenciosamente, Duofel". Lançado pela Trama, em 1999. Em 2000 foi lançado pela Trama o disco comemorativo "Duofel 20", celebrando os 20 anos de carreira do duo.


09/6/2003: Armandinho
“RETOCANDO O CHORO”
Quando Armandinho toca, a gente se toca da diferença que há entre o talento e o gênio. Brasileirinho assanhado, música por todos os lados, desafia o tempo tocando a alma no ritmo do coração, na batida. Traz a vida debaixo do dedo.
Um dos seus segredos é a bela educação musical dada por seu pai, Osmar Macedo, excelente músico e compositor além de inventor do Trio Elétrico.
Desde garoto conheceu Garoto, importante figura do instrumental brasileiro, além de outros grandes, dentre eles Waldir Azevedo, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, este com certeza a sua mais forte referência. Além dos populares também teve acesso aos clássicos.
Tudo isto, porém, poderia ter ficado parado no tempo, não fosse Armandinho um virtuose, capaz de visitar e revitalizar toda essa arquitetura musical, jogando pro futuro tudo o que seu pai lhe dera de presente no passado.
A falta de sensibilidade da Mídia tem relegado a música instrumental brasileira a um plano inaceitável. Apesar e acima de tudo, o bandolim e a guitarra baiana de Armandinho brilham intensamente neste pedacinho de céu, nos palcos, nos trios elétricos e agora neste show, acompanhado de Zé Paulo Becker, onde além do solista genial está também o compositor, registrando em algumas músicas as parcerias com Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Fred Góes.
Texto de Moraes Moreira.

Baiano e filho de Osmar - inventor do trio elétrico juntamente com Dodô -, desde criança Armandinho teve ligação com a música de carnaval e os trios elétricos. Destacou-se tocando guitarra e bandolim eletrificado, a "guitarra baiana". Nos anos 70 formou o grupo A Cor do Som, que inicialmente acompanhava Moraes Moreira e em seguida gravou cinco LPs sem o cantor. Excursionou pela Europa e Estados Unidos com o grupo O Trio Elétrico, alternando discos solo e com o Trio. É um dos maiores representantes e divulgadores da música de trio elétrico. Ao mesmo tempo, é um dos nomes da renovação do choro, e gravou discos ao lado de Raphael Rabello e do Época de Ouro.


16/6/2003: Homenagem ao Luizão Maia
Arthur Maia e Zé Luis Maia

Tributo a Luizão Maia

Nesse tributo, Zé Luiz e Arthur Maia, filho e sobrinho de Luizão Maia, divulgam as composições desse mestre do contrabaixo brasileiro. Atuando durante 12 anos ao lado de Elis Regina em discos e shows, e tendo participado de 9 entre 10 encartes dos principais ícones da MPB na década de 70 - Djavan, Maria Bethânia, Chico Buarque, Tom Jobim, Gal Costa, entre outros – Luizão sem dúvida se tornou um dos pilares da nossa música. Ele hoje reside no Japão, onde encontra melhores condições para se recuperar de um derrame e de uma deficiência renal. Embora tenha gravado mais de dois mil discos em sua carreira, Luizão não possui o seu próprio CD. Entre seus pertences deixados no Brasil, havia uma fita antiga de duas polegadas deteriorada onde ele começara a registrar suas músicas. Esse material foi recuperado e em breve seu primeiro CD será lançado. A renda desse show será toda destinada para a produção desse projeto.
Zé Luiz será acompanhado por Fernando Moraes, piano; Eduardo Neves, sax e flauta; Kleberson Caetano, bateria. Arthur Maia se apresentará em seguida, com Marcelo Martins, sax e flauta; Claudio Andrade, teclado; Kinder, bateria; Fernando Caneca, guitarra; Orlando, percussão. E para aqueles que dizem que essa família é uma “baixaria”, apresentaremos Lupa Maia, 19 anos, filho do segundo casamento de Luizão.


23/6/2003: Paulo Freire (SP)

Neste show solo, o violeiro apresenta a viola como é tocada no sertão e a sua evolução para os dias de hoje. Paulo Freire aprendeu a tocar viola no sertão do Urucuia, norte de Minas Gerais - região que inspirou João Guimarães Rosa a escrever o romance “Grande Sertão: Veredas”.
Além dos temas caipiras tradicionais, e suas próprias músicas - que foram temas de seriados da TV Globo, Paulo Freire vai tocar e contar os causos: “a receita para se fazer o pacto com o tinhoso”, “como São Gonçalo virou lenda no sertão e sua peleja com a mulher-dama”, “a revelação de Angelino de Oliveira e sua ‘Tristezas do Jeca’”. O violeiro também apresenta canções com arranjos inéditos para viola de cocho, como, por exemplo, “All Blues”, de Miles Davis.
Para mostrar toda a inteligência e senso de humor do caipira brasileiro, interpretará incríveis canções das duplas: Alvarenga e Ranchinho e Zé Mulato e Cassiano.


30/6/2003: Marcel Powell(filho do Baden) e João de Aquino

Num encontro sublime que une duas gerações do melhor do violão brasileiro, Marcel Powell (filho de Baden Powell) e João de Aquino (primo de Baden Powell) fazem um show no qual passeiam pelo repertório dos grandes criadores da escola brasileira de violão. Neste show de rara beleza estética, ficamos cada vez mais convencidos da genialidade do legado de Baden Powell e de seu “violão vadio”, que levou o mundo inteiro render-se às belezas criadas pelos compositores brasileiros com suas melodias raras e harmonias sofisticadas e, muito especialmente, as composições dele próprio e seus parceiros. Este show fará a delícia dos fãs carentes e saudosos de sua levada e dinâmica únicas aliadas a emoção que transbordava das cordas de seu violão.
No matter what the object is, whether business, pleasures, or the fine arts; whoever pursues them to any purpose must do so con amore.

(William Melmoth, sob o pseudônimo Sir Thomas Fitzosborne)

25.5.03

Observações:

- Na loja Edson Freitas do Shopping Iguatemi você pode pagar R$43,20 por uma coisa chamada Penetraite Extra Longo.

- Não entendi quase nada da fala do Arquiteto na sala dele. E você? É propositalmente rápido, confuso e incompreensível pra gente ter que ir ver de novo? Ou meu Q.I. está encolhendo? Ou estou ficando velha demais para compreender as coisas em velocidade/estética MTV? E quem falou que é legal pagar uma entrada integral no cinema para ver o filme pela metade? E como vou queimar todas as calorias do Super Hiper Mega Combo com 1 Kg de pipoca e 700 ml de coca-cola que comprei para ganhar um pôster? Grandes questões filosóficas...

- É ótimo ter amizades sinceras de quase 20 anos com pessoas do sexo masculino e de muito bom gosto. Só eles têm aval (e generosidade e carinho por você) para fazer certas observações gentilmente mentirosas.

22.5.03

Definição de raiva, muita raiva:

Você escreve um post caprichado, cheio de links e idéias (que pelo menos você acha) interessantes e na hora de publicar: ploft, ele some no limbo.

E agora o trabalho me chama, não dá para re-escrever.

Entaõ fica combinado assim.

20.5.03

Agora só faltam as benditas cortinas e o bendito sofá.
E então a mudança será dada como concluída.
Quando isso acontecerá?
Só sei que se no dia 1º de junho não estiver tudo em seus devidos lugares, fujo de casa (deixando os tecidos e seus retalhos e o sofá desarmado pra trás).
Num intervalo comercial na TV, um anúncio conta uma história em flash back. Na primeira cena, crua, um jovem grita desesperado ao ver a mãe ser assassinada dentro do caroo, em um cruzamanento. Fato tragicamente banal nas metrópoles brasileiras. Na seqüência, as imagens mostram o assaltante comprando a arma. Usa o dinheiro arrecadado na venda de dois sacolés de cocaína. Quem paga é justamente o filho da mulher morta. E o grand finale: "Quem financia a violência é o tráfico de drogas - e quem sustenta o tráfico é você. Se você vai comprar, lembre-se do preço". Tiro certeiro no alvo da conscientização diante da batalha cotidiana em ruas, becos e favelas do Brasil. Munição pesada, o filme de 30 segundos é um dos melhores produtos saídos da trincheira do marketing na difícil luta contra o vício das drogas. Pela primeira vez, materializa-se explicitamente na TV a ligação da milionária indústria de entorpecentes, sustentada pelos viciados, com a violência. Um é o combustível do outro.

O ponto de partida para a campanha foi o bárbaro assassinato do jornalista Tim Lopes, conta o consultor de marketing Paulo Heise, presidente da Parceria [Parceria Contra as Drogas, iniciativa de empresários de vários setores, com a missão de produzir e veicular campanhas educativas, que ajudem a prevenir o uso de drogas].

_ Sempre houve uma noção velada da relação tráfico/violência, mas a morte do Tim provocou um despertar geral de consciência. E daí surgiu o foco da campanha. Autor dos filmes, o diretor de criação da Full Jazz, Luiz Lobo, abraçou a idéia, a ponto de hoje, entusiasmado, falar em trabalho coletivo. - Os subprodutos da droga são o sequestro, o assalto, as armas no morro e na periferia - argumenta o publicitário, que contou com assessoria do Denarc, a delegacia de entorpecentes de São Paulo.

Logo ele, que confessa nunca ter "parado para pensar nisso", apesar de toda a angústia de ser pai de três filhos adolescentes na maior cidade brasileira. Pior: Lobo está entre os que sempre acharam ridículas as campanhas do tipo "drogas faz mal". -Seviam apenas para encher o saco - critica, consciente de que o trabalho de 30 segundos não vai, por si só, reabilitar viciados. - Mas tem o mérito de pôr todos no mesmo barco, o das vítimas da violência - arremata.

Paulo Heise tem consciência de que seu público não é o dependente, "que às vezes não muda nem com tratamento". O trabalho mira em quem ainda não experimentou drogas, mas cogita fazê-lo, ou no consumidor eventual. - A idéia não é parar de usar porque faz mal, mas porque financia a violência que ataca o vizinho, o parente - assegura Heise. O marketing, entretanto, continua sendo arma leve nessa batalha, alerta Lula Vieira, sócio da V&S Comunicação. - O problema das camapanhas é que elas estão atreladas ao establishment. Esta acerta porque tira o glamour, ao mostrar o drogado como financiador. É o caminho.

(veja matéria completa aqui)
(veja o anúncio aqui e, a partir de hoje, também ao clicar no menu lateral em )
Ele voltou!
Não, você não está entendendo. Voltou a escrever no blog.
Do ladinho desta que vos escreve ele nunca saiu, ora.
Oba!

16.5.03

São mil coisas acontecendo, milhares de fatores interferindo, o mundo inteiro de informações te abordando, todas as pessoas com quem você se relaciona, do carregador de sacolas do super-mercado ao cliente mais importante que vai te ajudar a sair daquele sufoco financeiro pelo qual você anda passando, o padre que celebrou o casamento daquela sua prima e todas as pessoas que são realmente importantes porque trazem até você o néctar, a ambrosia, o verdadeiro sentido, o sol, o eclipse, o cinema que não deu pra pegar, a comida que queimou no fogão, o mar que continua batendo impassível nas areias da cidade mais linda do mundo, tudo o que você pensa para providenciar o jantar ou para o fim da miséria no país, o aparelho ortodôntico, a lição de casa, a roupa sempre limpa na gaveta, o papel de chata reguladora a que você se obriga a encarnar às vezes no exercício de formação de um ser humano digno, o perfume discretamente aplicado naquele lugar onde o homem da sua vida gosta de afundar o nariz quando te abraça, as marcas do tempo que vão se acumulando em todo o seu corpo, as saudades dos que já foram para outro plano, a manicure, a expressão exata que traduza aquela palavra de outro idioma, os frascos atraentes onde a beleza está guardada, aquela música do Chico que te inunda de êxtase no meio da tarde, o filme que você queria tanto ver e que descobre que vai começar na hora em que você ligou a TV, o maiô novo da hidroginástica que é preciso comprar, aquele parente para o qual você precisa ligar para que ele saiba que aquele abraço no velório não foi um gesto vazio e social apenas, as brigas, os sapos a engolir, o mamãe-eu-te-amo, o remédio, Deus, o buquê de flores para enfeitar o caos, as lágrimas, o sorriso, o trânsito barulhento lá embaixo, o livro lido sob a árvore onde os papagaios ruidosamente planejam se recolher para passar a noite, as palavras que se unem e gritam por papel ou tela enquanto tento dormir, as duas pulseiras perdidas, os desenhos do menino e as obras do grande gênio, os mistérios, a luz forte que cega, os incômodos animados e inanimados, alecrim, massagem nos pés, muitos beijos, a água que escorre pelos dedos, os cantos e momentos que são ou deveriam ser só seus, os grandes segredos e a conversa displicente, aquilo, eu.
Não seria ótimo se tivéssemos um raio X assim para ver todas as pessoas com quem interagimos?

Para o demônio que aparece neste caso, nem é necessário. Só os idiotas caem no seu lero.

15.5.03

Ele me ligou minutos antes de chegar em casa só pra me avisar que estava despontando no horizonte uma lua deslumbrante e pra me lembrar de parar um pouco com a labuta e roubar alguns instantes da dureza daqui da Terra para olhar o céu.

Não exatamente com essas palavras.

Porque às vezes as pessoas nem sabem da música que ouvimos nas palavras delas.

E hoje tem eclipse a partir das 23h. (Solfejou esta?)

14.5.03

Imagina dois gigantescos discos voadores pousados com um monte de seres humanos vestidos ridiculamente correndo em trono deles, parando vez ou outra em movimentos onde parecem querer arrancar a cabeça e os próprios membros?
Imaginou?
É esta visão surreal que tenho todos os dias ao abrir a janela.
Dá pra ser normalzinha, dá?
Por onde andará minha amiga Irene?

In Greek mythology, Eirene was one of the Horae, the goddesses of the seasons and natural order; in the Iliad they are the custodians of the gates of Olympus. According to Hesiod, the Horae were the daughters of Zeus and a Titaness named Themis, and their names indicate their function and relation to human life. Eirene was the goddess of peace. Her name is also the Greek word for "peace," and it gave rise to "irenic" and other peaceable terms including "irenics" (a theological term for advocacy of Christian unity), "Irena" (the genus name of two species of fairy bluebirds found in southern Asia and the Philippines), and the name "Irene."

(Word of the Day)


Irene
(Caetano Veloso)
(clique para ouvir versão com Gil)

Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui
Eu não tenho nada, quero ver Irene rir
Quero ver Irene dar sua risada
Irene ri, Irene ri, Irene
Irene ri, Irene ri, Irene
Quero ver Irene dar sua risada

13.5.03

Recebido por e-mail:
(nada pessoal, viu, amor)

Deus,
Eu lhe peço...
Sabedoria para entender meu homem,
Amor para perdoá-lo,
Paciência pelos seus atos;
Porque Deus, se eu pedir força,
Eu bato nele até matá-lo.
Hoje seria aniversário da minha avó materna, se ela fosse viva.
Hoje é dia de comemorar a Abolição da Escravatura, diz a tia Cotinha.
Hoje, dizem, é dia de Preto Velho.



Homenagem aos Pretos Velhos


Os pretos velhos são espíritos de origem africana, que vieram dar mensagens aos seus seguidores quer sejam da Umbanda ou do Candomblé. Cultuados por alguns segmentos da nação de Angola, essas entidades são consideradas como ancestrais, como eguns dos Orixás.
A Umbanda considera o Preto Velho como entidade de luz, trazendo conhecimento e visão da cultura africana. Os Pretos Velhos são homenageados no dia da Abolição da Escravatura, pois, com a vinda dos negros para o Brasil, houve muita discriminação de suas tribos para que perdessem sua força religiosa. Dissolviam as tribos, misturando os negros da Guiné com a Angola, Nigéria com Moçambique, enfraquecendo assim, a cultura e a história dos negros. Como esses negros falavam dialetos diferentes, tinham dificuldade em se comunicar e só se entendiam através do culto aos seus orixás, além de terem sido submetidos a maus tratos e subjugados em seu culto, onde os reis e chefes das tribos eram os mais humilhados e escravizados; os colonizadores e padres obrigavam-no a seguir a cultura cristã. Para manter acesa a chama de sua fé e numa tentativa de cultuar os seus Orixás, os negros tiveram que aceitar os santos da Igreja Católica com a sua crença, formando, assim, o sincretismo religioso. Hoje, são os Pretos Velhos, as entidades mais luminosas que nos ensina com sabedoria, os valores de humildade, resignação, paciência e amor ao próximo.

(fonte)

PRETOS VELHOS, FILHOS BRANCOS:
um breve devaneio

Simone Carneiro Maldonado
Antropóloga
GRUPO DE PESQUISA RELIGARE
UFPB - João Pessoa


"É rei, é rei
É rei no seu congá,
É rei!..."

Assim diz um dos inúmeros pontos de chamada de Pretos Velhos na Umbanda, que é a forma religiosa mais representativa dos cultos afro no Brasil, contexto cultural em que se expressa com grande força, coberto de prestígio e de carinho este personagem tutelar aos ritos nacionais, reverenciado nas mais variadas formas, o Preto Velho.
Religiosidade, sincretismo, etnicidade, subalternidade, seriam alguns dos conceitos que seriam necessários para se construir à altura o tema deste devaneio. Mas justamente porque o devanear não tem um compromisso com teorias ou análises estritamente orientadas (sendo justamente o seu contrário...), permito-me escrever esta peça tal como ela está. Sugiro no entanto que ela seja lida diante da intenção com que está sendo escrita, como algo que remete à prática umbandista "brasileira" e "afro" e sobre a construção que aí ocorre de um dos arquétipos brasileiros, o do Preto Velho.
Para tal, passo a contextualizar este personagem que a Umbanda situa entre as entidades de luz, ou espíritos superiores em mérito, junto com outros tipos igualmente idealizados, como os "caboclos", os "mestres", os "orientais", as "crianças". São grupos de espíritos, de vibrações, de sintonias, de diferentes formas de relacionamento com o mundo dos vivos, por assim chamar o mundo dos "encarnados", que estão "na carne", que têm corpo, nós.
Ao classificar a espiritualidade, o mundo dos espíritos em "linhas" ou "falanges", Falange dos Caboclos, Linha de Preto Velho, Linha do Oriente (também muito conhecida por "linha dos Ciganos"), a Umbanda expressa a sua ordenação do universo tendo como referencial os domínios da natureza e da civilização, num mundo marginal. A natureza é o reino dos Caboclos, representação idealizada do índio brasileiro, que por sua vez se subdivide em "falanges" (Caboclos de Pena, Caboclos Flecheiros, Caboclos, do Mel) todas elas comprometidas com a mata, com a água doce, com o mel silvestre, com a cura, a "ajuda" e sobretudo com a justiça feita com a proteção do Pai Oxóssi (senhor das matas que preside a Falange dos Caboclos) e suas flechas.
No âmbito da civilização, juntamente com outras entidades como os "mestres", está a figura do Preto-Velho, o espírito nacionalmente reconhecido do ex-escravo africano como o tem construído o imaginário religioso brasileiro nos anos de escravatura e sobretudo após a abolição.
Na verdade, a afetividade de que se recobre a relação dos Pretos Velhos com seus "filhos brancos" expressa nos rituais sincréticos, remete às relações semi-familiares que se estabeleciam nas casas-grandes e os seus escravos domésticos. Se não, vejamos, no ideário nacional (e na prática "real?,concreta naquele passado), a Mãe Preta se situa mansamente como um terceiro elemento na díade mãe-filho, surgindo aí relações muito fortes de carinho e solidariedade das três partes: da Sinhá, da escrava e do menino branco, que não raro na literatura romântica aparecem aliados em confronto com a vontade férrea e patriarcal do homem branco, senhor de terras, dono de mulheres, de escravos e de meninos.
Eu diria ser este um substrato fundamental à re-criação e à reabsorção do escravo africano pela sociedade brasileira na Umbanda, mediante a construção do personagem do Preto Velho. Mesmo liberto, esse espírito continua vivendo no imaginário religioso de muitos brasileiros. Um desses modos de presença é a representação do ex-escravo negro que retoma a sua relação com a sociedade nacional, com os "filhos brancos" a cada sessão de Umbanda.

(...)

"Arruda tem luz
Tem poder e tem valor
Arruda tem força
Do pai superior

É rei ,é rei
É rei no seu congá
É rei, é rei
E vem para ajudar!"

Com fórmulas assim se invocam Pai João d'Angola, Pai Arruda, Pai Benedito, o Preto Velho do Menino Jesus e tantos outros "pais" e "avós" que são a representação dos ex-escravos nesta sua forma de permanência entre nós. É bastante comum que as entidades masculinas sejam chamadas de "pai" enquanto as Pretas Velhas são geralmente "vovós" que distribuem proteção, conforto moral, conselhos e receitas a quem os procura. Curiosamente nunca tomei conhecimento de que "vovós" fossem chamadas na abertura dos rituais, tendo elas no entanto também grande mérito e poder, em nada ficando a dever aos Pretos na hierarquia dos rituais e na procura das pessoas:

"É bonito e tem que ver
Pau sêco florar
É bonito e tem que ver
As pretas velhas trabalhar!"

É grande a quantidade de "pontos" de que estes são representativos enquanto associação dos espíritos dos africanos às flores, à idade avançada, a humildade, generosidede e doçura no trato com os "filhos brancos" com quem interagem em termos de parentesco simbólico. Geralmente idosos, cegos, mutilados ou trêmulos, os espíritos incorporados nos médiuns ouvem queixas e pedidos dos "filhos brancos", dão conselhos, prometem a ajuda, força e preces, pedem paciência, fé e receitam chás de entrecascas, de perfume, arroz, arruda, cominho, cravo branco, comunicando-se num modo de falar também sujeito a variações mas fundamentalmente manso e o mesmo em todos os ambientes, repetindo-se sempre a frase "i zi gaci di Deus" ou simplesmente "gaci di Deus (graças a Deus):

"I zi fi zabancado i zi gaci di Deus picisá dus abanhado i ni xopana di fi"

para dizer que

"O filho branco na graça de Deus vai precisar de uns banhos na casa do filho".

Ou ainda, no mesmo tom meigo e paternal,

?Gaci di Deus, o fi tuma us banho dos cravo e arruda machucadim, mai é picisi rezá pa saúde di i dá tomém us banho no galiba di fi, i zi gaci di Deus

que significa

?Na graça de Deus o filho toma os banhos de cravo com arruda machucadinhos mas é preciso rezar para a saúde e também dar banhos na criança do filho, nas graças de Deus?

Vale ressaltar um detalhe significativo na relação do Preto Velho com os seus filhos (i zi fi) que poderia instigar a mais um estudo dos fenomenos simbólicos e relações que ocorrem no âmbito dos rituais de Umbanda. Mesmo que se trate de mestiços, morenos, mulatos, "pardos" e até mesmo de negros, uma vez em consulta com um Preto Velho todos são "filhos brancos" (i zi fi zabancado), não parecendo ser a expressão "branco" neste caso um referencial étnico mas antes outros construto que é o da nomeação pelas "linhas de Congo" dos seus "filhos brancos".
No processo de ajuda, aconselhamento e consolo propiciado pelo contato com os Pretos Velhos, estes se apresentam (e são apresentados nos "pontos") cheios de mérito junto ao Pai Superior, a Jesus e à Virgem Maria, em grande medida pelos tormentos da sua vida de escravo na terra, uma espécie de resgate dos sofrimentos, mutilações, castigos e humilhações cujas marcas guardam na espiritualidade e que lhes foram inflingidos pela mesma sociedade a quem eles hoje vêm cuidar e consolar. São indicativos disso os "pontos de chamada" e de "despedida":

Pai Arruda vai baixar
Pros seus filhos ajudar
Com a força de Jesus
Ele vem pra trabalhar"

E no momento da despedida,

"Lá vai os Preto Velho
Subindo pro céu
E Nossa Senhora
Cobrindo com o véu"

Nos "pontos de Preto Velho" há também referências à negritude e ao trabalho, como se pode ver a seguir:

Quem arreia na linha de Congo
É de Congo, é de Congo, aruê!
Quem arreia na linha de Congo
Agora é que eu quero ver.

Preto com preto, Calunga,
Eu também sou preto, Calunga,
Na terra dos preto, Calunga,
Todo mundo é preto, Calunga!"

E no "ponto de Preta Velha",

Vovó não quer
Casca de côco no terreiro
Vovó não quer,
Casca de côco no terreiro
Que é pra não lembrar
Dos tempo dos cativeiro
Que é pra não lembrar
Os tempo dos cativeiro"

A inversão simbólica dos valores da hierarquia prevalecente na ordem social brasileira é um dos fenômenos que mais caracterizam os cultos afro-brasileiros. Nestes contextos, o "menos" passa a ser "mais", os últimos são os primeiros e o subalterno adquire um poder que pode chamar-se mágico. No caso do Preto Velho, a via para essa "ascensão" que se realiza durante os rituais foi o sofrimento a ele imposto pela mesma sociedade que a ele hoje se filia e se ajoelha aos seus pés por proteção e ajuda. (...)

Também aqui cabe lembrar o caráter de comentário reflexivo deste pequeno texto para poder permitir-me citar o filósofo Martin Heidegger ao dizer que a continuidade de um fenômeno significa muito mais do que a permanência do que o constitui.Muitas vezes a história conduz a modificações estruturais nas relações sociais e na produção da sobrevivência sem que no entanto certas vozes silenciem necessariamente de maneira radical.

(texto completo aqui)
Recebido por e-mail:
(veja mais sobre este assunto na Jaula do Cordeiro)

Demarcando território
Ricardo Calil


09.Mai.2003 | Cacá Diegues é a Maria da Conceição Tavares do cinema nacional. Assim como a economista no episódio da focalização dos gastos públicos, o cineasta despertou uma espécie de histeria coletiva em sua classe com a polêmica do "dirigismo cultural".

Da mesma forma que Conceição, Cacá deu dimensão gigantesca a um problema irrisório, deixou de lado questões mais importantes e transformou um coadjuvante em vilão da história. Ao contrário da economista, porém, o
cineasta conseguiu o que queria.

Mas exatamente o que desejavam essas duas figuras históricas? Fora o bem do país, claro... No caso de Conceição, a resposta é difícil. Afinal, ela não ganha nada para atacar a focalização dos gastos públicos.

Mas sua atitude deve ter algo a ver com o fato de que o PT está obtendo êxito econômico fazendo o contrário do que ela sempre defendeu. Sentindo-se contrariada, mas sem argumentos, ela decidiu inventar que Marcos Lisboa,
secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, queria acabar com a universalização dos serviços essenciais.

No caso de Diegues, a equação é mais simples: ele é um cineasta que depende de dinheiro público para fazer seu trabalho, o novo governo acenou com a possibilidade de controlar os gastos com cinema...

O fato estranho é que Diegues não veio a público para defender a manutenção do sistema de financiamento estatal. Ele preferiu supor que o governo queria acabar com a liberdade de expressão com um suposto "dirigismo cultural".

Para Diegues, esse golpe na cultura estaria sendo tramado maquiavelicamente pelo secretário de Comunicação Luís Gushiken e pelo consultor privado Yacoff Sarkovas (aliás, nome perfeito para vilão de cinema).

A acusação de Diegues foi motivada por duas iniciativas do governo: a transferência do poder de decisão sobre as verbas estatais do Ministério da Cultura para a Secretaria de Comunicação e a definição de novos critérios para a concessão de patrocínios.

Segundo os critérios divulgados na semana passada nos editais da Eletrobrás e Furnas, conceitos como "contrapartida social", "valorização da cultura popular" e alinhamento a programas sociais como o Fome Zero deveriam ser levados em conta na definição dos projetos a serem patrocinados.

Na já célebre entrevista que deu ao "Globo", Diegues declarou ter visto nesses critérios "um golpe que pode provocar um desaparecimento do cinema brasileiro", "uma audácia autoritária que nem a ditadura militar foi capaz
de ousar", "uma intervenção de choque (...), um Bope ideológico", "uma vitória jdanovista (referência ao comissário stalinista da cultura)".

O conceito da "contrapartida social" é mesmo um tipo de aberração, mas ninguém o levava muito a sério até a entrevista de Diegues. Mesmo porque os editais não davam a entender que haveria interferência no conteúdo das obras ou que projetos sem contrapartida social seriam rejeitados.

Acreditar que essa idéia levaria a uma reedição do realismo socialista, como afirmou Luiz Carlos Barreto, é o mesmo que crer que o Brasil produziria a bomba atômica, só porque o ministro Roberto Amaral disse que o país não
renunciaria a nenhuma tecnologia nuclear.

No episódio todo, o fato mais revelador não foi o conteúdo dos editais, mas o exagero da reação de Diegues - seguido depois pelo establishment da classe artística. Foi menos uma defesa da liberdade do que uma demarcação de
território.

Nesse sentido, foi uma atitude muito bem-sucedida. Diegues conseguiu que os novos critérios fossem abandonados antes que eles se estendessem à BR Distribuidora e à Petrobras, os principais financiadores do cinema brasileiro. A rapidez com que Gushiken voltou atrás na questão mostra que nem mesmo o governo fazia tanta questão da "contrapartida social".

Mais importante, Diegues conseguiu que o poder de decisão sobre as verbas das estatais para a cultura (cerca de R$ 200 milhões por ano) voltasse para seu amigo Gilberto Gil, que fingiu lavar as mãos no episódio. Nunca é demais
lembrar que o secretário do Audiovisual, Orlando Senna, foi sugerido a Gil por Diegues.

Agora, o ministério de Gil poderá escolher quais projetos serão patrocinados e ainda fiscalizar a aplicação das verbas. A Ancine, agência que controla os gastos com cinema, foi incorporada pelo MinC no mês passado. Com sua pouca experiência política, Gil já ganhou mais poder em quatro meses de mandato que muito ministro rodado.

É importante destacar que Diegues não está sozinho nessa luta. Ele foi apoiado pela classe artística nacional. Embora, a julgar pelas fotos da reunião com os ministros, toda a classe seja oriunda da zona sul carioca.

O dado mais curioso nessa história é que a maioria absoluta dos artistas apoiou Lula na eleição. E, como lembrou o cineasta Jorge Furtado (talvez o único a escrever algo sensato sobre o episódio), o item 40 do programa de governo do PT dizia praticamente a mesma coisa que os editais da Eletrobrás e da Furnas:

"Nosso governo adotará políticas públicas de valorização da cultura nacional, em sua diversidade regional, como resgate da identidade do país.

Para realizar esses objetivos, será necessário encontrar novos mecanismos de financiamento da cultura e de suas políticas, que não podem continuar, como hoje, exclusivamente submetidos ao mercado" .

Os artistas apoiaram Lula porque eles queriam mudanças. Agora, porém, eles parecem seguir a idéia de Lampedusa de que tudo precisa mudar apenas para ficar como está. De qualquer forma, é bonito ver a classe artística tão
mobilizada. Não se via tamanha união desde o linchamento moral de Regina Duarte na campanha eleitoral.

12.5.03

Isso é brincadeira, não é?

Gisele Bündchen pode ter decepcionado o amigo Caetano Veloso, que conheceu no Carnaval passado em Salvador. Segundo o colunista César Giobbi, do jornal O Estado de S.Paulo, a top pediu ao cantor que compusesse uma música sobre ela e, em seguida, perguntou ao músico se ele conhecia Londres. Caetano respondeu que já morou na cidade quando se exilou na época da ditadura militar (lá, inclusive, ele compôs a música London London). Gisele prosseguiu: "Ditadura?". A pergunta levou ao fim da conversa.

Acróstico

Meu bijouzinho fez pra mim:

Carente
Adorável
Re-pensadora
Leal
Astuta

Agradeci e cobri de beijinhos orgulhosos.

Depois, com jeito, perguntei como quem não quer nada:

- Por que carente?

- Ué! Você não vive dizendo que a gente tem que dar os brinquedos que não usa mais, que tem sempre que ajudar as pessoas? Não conheço ninguém mais carente que você.

8.5.03

Descobri diversos livros interessantes que ainda não li ou que quero reler durante a mudança.
Haja tempo!
Tem um janelão aqui do ladinho da mesa que tem me mostrado lindíssimos dias ensolarados de céu perfeitamente azul.
Haja tempo!
Com a poeira de tudo o que estava guardado e foi (está sendo) remexido, meus pés e mãos estão em frangalhos. Mani/pedi-cure urgente!
Haja tempo!
E muito, muito mais, mas não há como escrever tudo.
Haja tempo!

7.5.03

Dizem por aí que o ócio á o pai de todos os vícios e que cabeça vazia é oficina do diabo.

Eu completo dizendo que o pior do ócio é achar (e cobrar) que todo mundo deva estar tão disponível para fazer nada e arrumar sarna para se coçar como você. E o pior da masturbação mental é que ninguém goza.

Nada que um belo tanque de roupa ou um monte de concreto para virar e o pão de cada dia a ganhar com o suor do próprio rosto não curem rapidinho.
Estou cansada demais.
Nem escrever, que é uma das coisas de que mais gosto, eu consigo.

5.5.03

Durante a mudança descobri:

* Dieta e mudança são mutuamente excludentes.
* Tudo é conseqüência e assumir a sua parte de responsabilidade nas causas ajuda muito a todos.
* (caindo aos pedaços, mas ainda manipuláveis) To the Lighthouse - Virginia Woolf e The Sound and the Fury - William Faulkner.
* Mais músculos que podem doer no corpo humano do que estrelas no céu.
* Por mais cansado que você esteja, você sempre pode ficar mais cansado.
* Sou uma pessoa muito paciente.
E cadê as armas químicas e biológicas?
Onde estão as provas de ligação com o terrorismo?
Onde está Waly?

"O corpo vira cinza para que o fogo habite as páginas do livro."



Vapor Barato
(Jards Macalé e Waly Salomão)

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
(Graças a Deus)
E não me importa, honey

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu tô indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto (quem sabe)
Mas eu quero esquece-la (eu preciso)
Ah, minha grande
Ah, minha pequena
Ah, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby?

Tentando voltar à rotina...

1.5.03

Falando já do acampamento na casa nova.

97% da minha vida material portátil está dentro de bolsas e caixas.

Do lado de fora, só o essencial: para mim, o computador; para Ricardo, o som; para Pedro a TV.

Agora que já estamos dentro, é relaxar e gozar.

29.4.03

Eu bem que tento ser mais tolerante, generosa, benevolente, ter mais compaixão.

Mas tem gente que, por mais que você respeite intelectualmente, admire moralmente ou simplesmente mereça alguma espécie de afeto, é muuuuuuito chata.

Sim, Oswaldo Montenegro estava certo: todo chato é bonzinho.
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Esselentíssimo Juiz


Certa vez, ao transitar pelos corredores do fórum, fui chamado por um dos juízes ao seu gabinete.

-- Olha só que erro ortográfico grosseiro temos nesta petição, disse ele. Estampado logo na primeira linha do petitório lia-se:

"Esselentíssimo juiz".

Gargalhando, o magistrado me perguntou :

-- Por acaso, esse advogado foi seu aluno na Faculdade ?

-- Foi sim - reconheci. -- Mas onde está o erro ortográfico a que o senhor se refere ?

O juiz pareceu surpreso:

-- Ora, meu caro, acaso você não sabe como se escreve a palavra excelentíssimo?

Então, expliquei-me:

-- Acredito que a expressão pode significar duas coisas diferentes. Se o colega desejava se referir à excelência dos seus serviços, o erro ortográfico efetivamente é grosseiro. Entretanto, se fazia alusão à morosidade da prestação jurisdicional, o equívoco reside apenas na junção inapropriada de duas palavras. O certo então seria dizer "esse lentíssimo juiz".

Depois disso, aquele magistrado nunca mais aceitou, com naturalidade, o tratamento de excelentíssimo juiz. Sempre pergunta:

-- Devo receber a expressão como extremo de excelência ou como superlativo de lento?


João Marques Vieira Filho
(Retirado da revista da OAB/SC, dezembro de 2002)
Recebido por e-mail:

Nota à Imprensa

A verdade sobre os pretensos ataques de tubarão no Rio


Como biólogo marinho, especialista em peixes marinhos, e diretor do Instituto Ecológico Aqualung, me sinto na obrigação de esclarecer o que vêm ocorrendo no litoral do Rio.

Fatos absolutamente isolados estão sendo reunidos, de forma oportunista, para criar falsos alarmes de perigo de ataque de tubarão, gerando medo e insegurança para a população do Rio.

Fato 1 - Na 5ª feira, dia 24, um praticante de para-pente informa ao Corpo de Bombeiros ter avistado dois tubarões na praia da Barra, gerando o primeiro "alarme" sobre tubarões no litoral do Rio.

Comentários: no litoral do Rio vivem diversas espécies de tubarões há milhões de anos. Avistar alguns espécimes em uma dia com águas claras e quentes, ainda que seja uma curiosidade, não é nenhuma novidade e não representa nenhum tipo de ameaça.

Fato 2 - Na 5ª feira, dia 24, um banhista, pegando jacaré na praia de Copacabana, alega ter sido mordido por um tubarão. Sofreu cortes em dois dedos da mão direita.

Comentários: não há evidências que comprovem ter sido um ataque de tubarão.

Uma mordida de tubarão não provoca "cortes" no dedo. Ataques de tubarão no Rio são muito raros e absolutamente improváveis. O último registro de ataque de tubarão em Copacabana foi em 1947 e mesmo assim foi um acidente e não um verdadeiro ataque.

Fato 3 - Na 6ª feira, dia 25, um pescador captura em Grumari, com uma rede de pesca, um tubarão da espécie ´Mako. O exemplar é mostrado ao público como um troféu e passam a relacionar sua captura com o pretenso ataque em Copacabana.

Comentários: cações e tubarões, de diversas espécies, incluindo o Mako, são capturados todos os dias pelos pescadores. Esses tubarões capturados são comercializados nas peixarias e mercados. Relacionar a captura de um tubarão Mako com o ataque de Copacabana é, no mínimo, uma irresponsabilidade. Afirmo, categoricamente, como especialista, que os dois fatos são isolados e nada têm a ver um com o outro.

Fato 4 - No sábado, dia 26, um grupo de banhistas, na praia da Joatinga, arrastam para fora da água um tubarão e o matam a pauladas na areia. Enquanto batiam no animal, um dos banhistas foi "arranhado" pelos dentes do tubarão.

Comentários: estive no sábado no 2º G-Mar, da Barra, para onde foi levado o tubarão, inicialmente chamado de tigre, e o identifiquei como sendo da espécie mangona. Existiam vários relatos desencontrados sobre como e porque o animal apareceu na praia. No entanto, dizer que ele estava perseguindo alguém e encalhou na areia, certamente é falso. A mangona é muito comum no litoral Sudeste, porém não costuma chegar tão próximo da arrebentação, muito menos no raso. Não é uma espécie agressiva e, absolutamente, não é
perigosa. Não há registros de ataque no Brasil. Essa espécie, inclusive, encontra-se em perigo de extinção.

As fotos mostrando os banhistas arrastando o tubarão pela cauda para fora da água indicam que o animal estava morimbundo, pois nenhum homem, por mais forte que seja, consegue capturar e arrastar um tubarão são (sadio e vivo) para fora da água. Mesmo ferido e quase morrendo um tubarão, ou qualquer outro animal com dentes afiados, pode ser perigoso se acuado e agredido. O arranhão sofrido por um dos banhistas demonstra isso.

Não há mudanças no meio ambiente e nem fenômenos atípicos que possam ser utilizados como argumento para o aparecimento de tubarões nas praias. A ocorrência de tubarões em nosso litoral sempre foi e continua sendo um fato muito comum. Não há nenhuma razão plausível para alertas sobre perigo de ataque.

É lamentável e muito ruim para a imagem do Rio de Janeiro termos falsas notícias sobre ataques de tubarões, que, se não esclarecidas a tempo, podem vir a provocar pânico.


Marcelo Szpilman
Diretor
Instituto Ecológico Aqualung
Rua do Russel, 300 / 401, Glória, Rio de Janeiro, RJ. 22210-010
Tels: (21) 2558-3428 ou 2558-3429 ou 2556-5030
Fax: (21) 2556-6006 ou 2556-6021
E-mail: instaqua@uol.com.br
Site: http://www.institutoaqualungcom.br


Curriculum resumido
Marcelo Szpilman - Biólogo marinho, diretor do Instituto Ecológico Aqualung, membro da Comissão Científica Nacional (COCIEN) da Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos (CBPDS), autor do Livro GUIA AQUALUNG DE PEIXES - Guia Prático de Identificação dos Peixes do Litoral
Brasileiro, editado em 1991, do livro SERES MARINHOS PERIGOSOS - Guia Prático de Identificação, Prevenção e Tratamento, editado em 1998/99, do livro PEIXES MARINHOS DO BRASIL - Guia Prático de Identificação, editado em 2000/01.

28.4.03

Carla-cintês básico
Lição 1


Estresse feliz:

Cair de boca em:

Ovos de Páscoa
Bolo de aipim do Sheik
Canjica
Coca-cola
Pipoca doce

e, graças à incompetência do operariado e outros aborrecimentos do mesmo quilate às vésperas da mudança, continuar emagrecendo.

Cara de empada:

Significado: Impassível, abobalhado, alheio aos fatos e acontecimentos presentes, de preferência com sorriso débil colado ao rosto.

Origem: A expressividade das empadinhas na vitrine da Salete, completamente ignorantes ou indiferentes a seu destino iminente e indefectível: o bucho dos glutões.
Estou febril desde ontem.

O fim dos serviços prometidos para o final de semana não aconteceu. Ainda falta pintar algumas portas e portais e colocar verniz no chão colocar todos os acessórios das janelas (cortinas e tela de proteção são fundamentais). Dois prestadores de serviço ficaram de vir hoje às 13h. São 14h e nem sinal. Um prestador de serviço veio e não pode entrar no apartamento porque o atraso na aplicação do verniz do piso e o próprio atraso dele causou uma simultaneidade desastrosa. Tive que ligar para o outro adiando para amanhã. A mudança está agendada para logo e acho que não vou conseguir aprontar o novo apartamento a tempo.

Talvez três Maracujinas, uma mão cheia de Paciflorine e uns dois Lexotan resolvam meu caso. Mas já decidi que só vou tratar do que ficou na minha lista na divisão de tarefas. Quem não cumprir sua parte (nos devidos prazos, evidentemente) que ature meu mau humor.

E hoje ainda é dia da sogra!

25.4.03

Minha vida daria um filme?


Cinema Mudo
(Herbert Vianna)

Amor sem palavras, cinema mudo
Não falo nada, você sabe tudo
Ô, Ô, Ô, Ô...
A noite chega, me dá um toque
Melancolia não dá ibope
Ô, Ô, Ô, Ô...
Eu tenho que aprender
A dizer tudo que eu sinto por você
Eu tenho que aprender num desses seriados de TV
Vole, Vole, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô
Vole, Vole, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô
Ai, Ai, Ai, Ai
Vole, Vole, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô
Vole, Vole, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô, Ô


Depois de andar do Estádio do Maracanã ao Shopping Tijuca, algumas léguas lá dentro, do Shopping Tijuca à rua Uruguai e pela Conde de Bonfim da rua Uruguai a Praça Saens Peña, antes de pegar a reta rumo ao lar doce lar, resolvi parar no Palheta para tomar um mate gelado e retomar o fôlego.

Fiquei olhando para aqueles pôsteres com cenas de filmes antigo e pensei na época em que a praça era uma ilha cercada de cinemas por todos os lados. Não sou saudosista e não sou de ficar lamentando pelos cinemas que fecharam. A cidade vai mudando sua dinâmica e seus caminhos. Hoje as salas escuras tijucanas migraram para o Shopping Tijuca e para o Iguatemi. Lógico que não levaram consigo o glamour da tela grande, da decoração suntuosa e por vezes kitsch. São outros os tempos, são outros os filmes, são outros os cinemas. Segurança é mais importante que espaço, estacionamento é mais importante que muitas linhas de ônibus, metrô e - Deus! - bonde, praticidade hoje em dia ganha de lavada do charme. Para os que choram pelos velhos tempos costumo lembrar a sabedoria do saudoso mestre João Nogueira: "Não é que os Carnavais de hoje sejam ruins; você é que não tem mais 18 anos."

Aquela parede anacrônica do Palheta deixou meu mate mais saboroso, não apenas com as imagens adoráveis de astros queridos, mas por me levar a pensar em uma coisa que eu precisava lembrar neste momento: que as coisas mudam, trocam de lugar, movimentam-se sempre; se é bom ou ruim, depende da nossa disposição para encarar os fatos e moldá-los às nossas necessidades.

24.4.03

Rodigo Santoro grátis?

Acredite se quiser: quem me contou foi ele, meu amo e senhor, que um dia desses toma vergonha e volta a escrever.

23.4.03

Oração de São Jorge


Eu estou vestida com as roupas e as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem e nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se quebrem sem o meu corpo amarrar.

***


Glorioso Mártir São Jorge


Vós fostes o defensor da fé cristã e morrestes pela Igreja Católica. Defendei o meu corpo dos males, das doenças e das balas assassinas. Defendei a minha alma contra os males, da descrença e contra os inimigos da minha salvação.
Defendei minha casa contra os assaltantes e destruidores da felicidade do lar. Defendei meus bens contra os ladrões, os mal feitores e contra os meus inimigos. Dai-me o vigor da fé, da esperança e o amor a Deus e ao próximo.

Amém!

***


Ó Deus, que nos alegrais com os méritos e as orações de vosso Mártir São Jorge, concedei-nos, benignamente, que, implorando os vossos benefícios, por sua intercessão os obtenhamos pelo efeito de vossa graça.
Por Nosso senhor.

Vós me protegestes, ó Deus, contra a conspiração dos malignos, e da multidão dos que praticam a iniqüidade.
Aleluia, aleluia. Ouvi, ó Deus, a minha oração, assim Vos imploro: livrai a minha alma do Temor do inimigo.

(Glória ao Pai)

***


Socorrei-me com sua poderosa força São Jorge Guerreiro Sagrado. O Senhor que vai a frente das batalhas de todos aqueles que em ti tem fé, vá a frente do meu caminho, destruindo os obstáculos, afastando o inimigo. A minha frente com seu escudo para que não seja fendo, aqueles que com suas palavras desejam me magoar, suas línguas vão se travar, sua voz não vão levantar e minha vontade se cumprirá. Teu braço a minha frente para os de outro segurar, sua espada por mim há de usar, podando o inimigo antes de se aproximar.

Com São Jorge comigo, ninguém há de me tocar, todo e qualquer perigo eu hei de derrotar. Podando os obstáculos ao sucesso hei de chegar, com São Jorge meus caminhos se abrirão.

O inimigo em círculo andará, com São Jorge a minha frente ele não me achará. Se alguém me quiser mal, este estará perdido, pois São Jorge é meu guerreiro amigo.

Se eu conheço o inimigo mais fácil ficará, pois com a ajuda de São Jorge seus pés e mãos eu vou atar.

Amém.

***


São Jorge, cavaleiro corajoso, intrépido e vencedor; abre os meus caminhos. Ajuda-me a conseguir um bom emprego; faze com que eu seja bem quisto por todos: superiores, colegas e subordinados. Que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre presentes no meu coração, no meu lar e no meu serviço; vela por mim e pelos meus, protegendo-nos sempre, abrindo e iluminando os nossos caminhos, ajudando-nos também a transmitirmos paz, amor e harmonia a todos que nos cercam.

Amém.

Encontrei com uma amiga que não vejo mais com freqüência e que tem um filho de pouco mais de um ano, o que faz com que todas as conversas com ela sejam apenas fragmentos. Assim fico sabendo muito pouco da vida dela. Mas ontem conseguimos alguns momentos extra de bate-papo, já que o moleque estava nocauteado por um dia de muita farra e pelo adiantado da hora:

- E o seu marido? Passou naquele concurso?
- Passou.
- Para o que era mesmo, hein?
- Ele agora é alvo.
- ?????
- Ele foi incorporado aos quadros da PM.

22.4.03

Um Fenômeno Festivo


O ser humano é gregário. E eu sempre quis começar um texto com esta frase. Finalmente chegou a oportunidade.

É que eu vou falar sobre um fenômeno que me persegue. Sabe como é, a vida atribulada, trabalho, casa, prole, os mais velhos da família virando crianças dependentes novamente, o parceiro, o trânsito, a violência, tudo e muito mais faz com que não encontremos aquele amigo com a freqüência desejada. Então quando surge a oportunidade, como o aniversário do caçula dele, você vai cheio de vontade de passar algum tempo junto com seu camarada.

Mas a grana está sempre curta e não dá para contratar garçom. Seu amigo e/ou amiga tenta servir a todos, enquanto estabelece contatos breves, sempre se desculpando por não estar lhe dando a devida atenção. Você entende, já passou por isso, se oferece para dar uma mãozinha, mas nem assim consegue realmente estabelecer uma conversa de mais de dois minutos com ele/ela.

Você é uma pessoa sociável e não tem dificuldades em puxar papo e entrosar-se com outros que estão ali, mais ou menos na mesma situação que você. E você até se diverte, afinal, são amigos dos seu amigo e você acaba encontrando algum ponto de contato, alguma afinidade.

O problema é que provavelmente no ano seguinte você vai encontrar-se na mesma situação. Vai voltar à festa de aniversário do rapa-de-tacho do seu brother do coração e vai encontrar os mesmos desconhecidos (para você) de sempre. Claro que, depois de um ano, mesmo que em algum momento você tenha sido formalmente apresentado a eles, você já não se lembra mais dos nomes, conhece o sorriso, mas já não sabe mais que apito ele toca. É parente, colega de trabalho, mãe do coleguinha da escola? Quem são mesmo? Qual é mesmo seu nome?

Assim, você pode formar uma rede de desconhecidos íntimos que riem com você, comem com você, bebem com você, discutem juntos as grandes questões mundiais e querem bem às mesmas pessoas que você, mas você já não tem mais coragem de perguntar o nome porque já "conhece" o sujeito há uns dez anos, mesmo que cada novo encontro seja um recomeço. Com sorte, no meio da coversa, surge uma pista, um nome, uma luz.

Entretanto, o melhor de tudo é quando algum daqueles eleitos pelo seu amigo, também vira seu amigo e os encontros de vocês independem do elo inicial, embora um chope com um deles seja sempre um ótimo motivo para convocar o outro.
O MONSTRO DA MUDANÇA


Por que mudar é tão complicado? Difícil explicar. O fato, porém, é que as mudanças são inevitáveis na vida e situações de mudança são, sim, desgastantes.

O que aprendemos ao vivenciar mudanças importantes são lições que devemos experimentar por nós mesmos. São as lições críticas, e muitas vezes inesperadas, da vida que tendemos a aprender da forma mais difícil. Mas, uma vez retidas, elas ficam para sempre.

Muitos de nós evitamos a introspecção ou estamos muito ocupados para examinar nossa própria vida de forma mais profunda. Além disso, estamos tão perto da mudança que fica difícil, se não impossível, vê-la de forma objetiva ou clara. Quando pensamos sobre uma mudança que passou há muito tempo, os aspectos específicos geralmente ficam confusos. Lembramos, porém, com tremenda clareza, certos momentos e as emoções associadas a eles.

FASES DA MUDANÇA


ESTAGNAÇÃO

Algo não está funcionando a contento. É preciso discutir a possibilidade de mudança. Resistência à mudança, insegurança quanto ao futuro. Perspectivas assustadoras. Alívio, esperança, medo, tristeza, raiva, excitação e preocupação.. Cansaço e energia. Choro e riso.

PREPARAÇÃO

Etapa crucial. A decisão de mudar é tomada. Os líderes se envolvem no planejamento e na comunicação. O apetite de mudança atinge a massa crítica.

IMPLEMENTAÇÃO

A visão estratégica e os planos são compartilhados. A iniciativa envolve mais gente em níveis múltiplos. As pessoas se dão conta de que algo está errado.

Conseguir realizar alguma coisa requer a superação de dificuldades infinitas. Apagar incêndios de última hora torna-se um procedimento operacional padrão. Mesmo as pessoas mais capazes e atenciosas acabam se sentindo exploradas. Portanto, quando se decide fazer uma importante mudança, as pessoas hesitam e começam a ter dúvidas. Quem vai estar no comando? Será que vai ser bom para mim? Em que minha rotina diária vai mudar? Será que estarei pronto? As próprias pessoas que estavam implorando por mudanças experimentam a "resistência retroativa". Agora que a realidade da mudança está a seu alcance, o velho jeito de fazer as coisas não parece tão ruim assim. Talvez exista uma forma de fazer com que os métodos antigos funcionem, afinal de contas.

Um indivíduo que enfrenta uma mudança está, na verdade, passando por uma espécie de mudança pessoal forçada. E, embora reconheça que a mudança faz sentido, intelectual e operacionalmente, precisa de mais tempo para se preparar emocionalmente. Muitas pessoas concordarão com a missão e com seus objetivos e estratégias, mas quando chegar o momento da verdade _ o momento de realmente avançar para a mudança _ elas vão parar. Em geral, isso nada tem a ver com má vontade. Genuinamente não sabiam como sua própria resistência emocional seria forte até ela ter sido testada.

Mesmo as pessoas que aceitam a idéia de mudança podem ficar incertas quando o processo de fato começa a acontecer. Outras pessoas que buscam a mudança podem estar exauridas demais pelos velhos métodos para realmente contribuir para o desenvolvimento de novos métodos. Elas podem querer descansar.

USUFRUTO

A fase durante a qual todo o árduo esforço e as longas horas de trabalho são recompensados.


DETERMINAÇÃO E CONCLUSÃO

O estresse é um estímulo que pode desempenhar diferentes papéis em nossas vidas. Pode ser bom, do tipo que alguém pode ter quando algo maravilhoso e excepcional acontece, como ganhar na loteria. Ou pode ser a angústia, sentida quando algo negativo e prolongado acontece. A angústia pode causar desgaste mental e físico muito prejudicial e também interferir seriamente na vida diária. As pessoas se sentem angustiadas basicamente por três fatores, em especial quando são vividos ao mesmo tempo:

  Altas exigências são feitas, e elas têm pouco controle sobre quais sejam as exigências.
  Alta visibilidade. As ações que tomam estão sendo cuidadosamente observadas e terão um impacto real sobre o sucesso do empreendimento.
  A preocupação com a competência. As pessoas se preocupam com o fato de talvez não terem as habilidades necessárias para fazer o que precisa ser feito.

O que está sendo planejado pode gerar uma forma completamente nova de viver _ que você não vai controlar. E você poderá ficar incerto sobre o seu desempenho. Não é à toa que as pessoas ficam angustiadas. Não só precisam aprender muito e realizar muitas mudanças operacionais, mas também têm um importante ajuste emocional a fazer, e tudo isso em público!

No entanto, quando a iniciativa da mudança funciona, as pessoas podem descobrir que o novo fornece desafios e amplas oportunidades. Em geral, elas descobrem qualidades que não sabiam que tinham _ resistência, liderança e facilidade para aprender. O orgulho da realização é poderoso e deve ser apreciado. Esse tipo de experiência pode despertar a coragem necessária para enfrentar um desafio futuro e fazer que as pessoas assumam que podem vencer _ e possivelmente até se tronar modelos para outras pessoas. Ninguém fica cansado de vencer, é claro. Aliás, é especialmente recompensador se a dificuldade experimentada diminui à medida que sua participação aumenta.

O oposto também é verdadeiro. As pessoas não querem pensar que são perdedoras, e não querem fazer parte de uma equipe derrotada. Quando uma iniciativa fracassa, ou se finge que ninguém perceberá o fracasso se ele for ignorado e não for mais discutido, presta-se a si mesmo um verdadeiro desserviço. Acompanhar o processo de mudança _ desde a fase de estagnação até o usufruto _ muda não só as operações ou a estrutura, mas também as crenças que se tem em si, para melhor ou pior.

É preciso mudar constantemente para sobreviver e prosperar. No entanto, é preciso mudar de maneira que se gere força e alegria, em vez de angústia. É aí que a compreensão da curva da mudança pode causar um impacto positivo. O monstro da mudança estará sempre à espreita e pronto para a batalha, mas nós podemos sobreviver.


(Resumo adaptado do artigo O Monstro da Mudança de Jeanie Daniel Duck publicado na revista Você s.a. em janeiro de 2002.)

20.4.03

Sim, vou perder a festa hoje. Afinal não fui visitar uma amiga ontem e não estou com a família no teatro infantil agora. Quero curtir meus últimos momentos aqui, mesmo que seja desta forma doente. Depois, babau, finito, kaput, acabou-se a vida como a conhecemos...

Estou começando a nadar com mais força, porque estou vendo algumas histórias de arrepiar e alguns círculos se fechando em torno de mim (do meu pescoço).

No almoço de Sexta-Feira Santa uma cadeira quebrou-se, enquanto seu ocupante levantava uma travessa. A travessa caiu derramando quase todo seu conteúdo, arruinando a decoração da mesa dos demais pratos, quebrando algumas taças, derramando vinho e pondo toda a refeição sob suspeita da contaminação por vidro. Ninguém se feriu ou teve hemorragia interna até agora.

A cafeteira incendiou-se hoje. Depois da minha primeira reação de praxe (gritos histéricos) fiz o que precisava ser feito (desligar a tomada) e o mundo foi salvo.

Domingo de Páscoa é um ótimo dia para trabalhar.

Tudo pode ser encarado com muito humor ou...

Vou enfiar a cabeça embaixo do travesseiro para ver se o monstro vai embora.

17.4.03

Seis Graus de Separação ou Globalização


O que aquela adolescente beatlemaníaca, espinhenta e mal-humorada de um subúrbio carioca na década de 1980 diria se alguém lhe informasse que em 2003 ela estaria envolvida em um mesmo projeto que o Paul McCartney?
Hoje eu me comprometo a relevar todo o inconveniente e a toda a contrariedade que senti ontem, decido desligar o modo menina mimada e resolvo esquecer o crescente desespero que tomou conta de mim, culminando com o vizinho batendo à porta às 22:30 para avisar que tinha batido e arrebentado a fechadura do nosso carro na garagem.

Hoje eu tomo em minhas mãos a decisão de ir adiante e de retomar minha postura de contar bênçãos e não contratempos.

Hoje estou olhando meu lar amoroso e não os consertos que o apartamento demanda.

Hoje já consegui avançar dois passos no projeto nº1, já resolvi deixar para trás o passado no CD de backup e já recomecei.

Hoje é o primeiro dia do futuro.

Hoje recebi nova encomenda de trabalho.

Hoje está fazendo um dia lindo, a noite será de lua cheia e amanhã é dia de família toda em casa.

16.4.03

Pois é, estou de volta.

O computador pifou, o provedor parou de receber e de enviar mensagens, meu blog saiu do ar na rebarba. E tudo bem.

O pintor só trabalha final de semana e feriado, meu sintekeiro de confiança está com o joelho operado e fora da jogada por 8 meses, o eletricista casou, mudou e não deixou endereço. Eu continuo sorrindo.

Tenho que comprar ovos de Páscoa para a pivetada da família, livros que a escola do moleque pediu, presente para minha sobrinha que faz um aninho, tela de proteção, tomadas, bocais, cortinas e tudo o mais que se possa imaginar para tornar um apartamento habitável e o banco só sabe fazer operação de subtração na minha conta corrente. A vida é bela.

Sou highlander, podes crer. A vida manda, a gente encara. Sorrindo, pra ficar mais bonito. E cheia de idéias, planos, sonhos e esperanças, pra pelo menos valer a pena.

Mas, por via das dúvidas, um ramo de arruda atrás da orelha e um espelho à porta.

Esta é uma dica para quem quer comprar presente para o Dia das Mães:


BAZARTE
bazar das artes
especial Dia das Mães



Moda, decoração e arte:

* Papel machê
* Cartões personalizados e papelaria
* Bolsas de crochê
* Pinturas a óleo
* Cerâmica
* Mosaicos e muito mais

Data: dias 3 e 4 de maio
Horário: de 14h às 21h
Local:


Pedido de doação de sangue
Rio de Janeiro



Luiz Fernando Marques Linhares se encontra com uma enfermidade hepática grave, e agora conseguiu, depois de 5 anos na fila de espera, a possibilidade de realizar uma cirurgia de transplante de fígado. Porém, o Hospital que irá realizar esta cirurgia precisa de 50 doadores de sangue de qualquer tipo. A família já conseguiu 20, faltam 30.
Pedimos aos que puderem doar ou indicar doadores que se dirijam ao Hospital Clementino Fraga, na UFRJ do Fundão (Recepção) e especifiquem que se trata de uma doação em nome dele (Luiz Fernando Marques Linhares).

Horário das 07:30 as 11:30.

A pessoa deve ir em jejum.

Os requisitos do doador são:
Peso acima de 50 Kg e não possuir nenhuma histórico de doença hepática e/ou infecto-contagiosa, sem tatuagens.

Maiores informações, por favor entrem em contato com Osmar, ormarques@urbi.com.br

8.4.03

Não estou acostumada às coisas dando errado para mim.
Sempre ganho o que desejo com força.
Ou caminhos bons surgem como alternativa para o que não pode, não deve, não quer ser.
Então, no fundo, eu sei que tudo isso é uma enorme seqüência de contratempos.
Mas, ô, já tá de bom tamanho, viu?
Meu computador está louco.
Estou virando uma mulher almodovariana (pré-Fale com Ela).
Minha irmã sugere que eu gaste bastante joelho diante do Ser Supremo. Oferece os joelhos dela também. Agradeço enternecida.
Corro de cartório em cartório, de guichê em guichê. O mal mora por detrás daqueles vidros.
Entro e saio dos buracos do chão chamados estações de metrô. Tento por a leitura em dia.
Olho para o céu. O cinza ameaçador parece adequado ao frio esperado no outono. Ando quadras e mais quadras. Suo muito.
Trabalho. Ofereço oportunidades. Contrato. Fecho parcerias.
Pintura, taco, puxadores, sinteco, tinta, espelhos, bocais, lustres, lustradores...
Assinaturas, contratos, reconhecimento de firma, advogados, burocracia, fiador, Light, CEG...
Dever de casa, caraca atrás da orelha, aparelho para os dentes, reunião de pais e mestres, presente para a amiguinha aniversariante do final de semana...
Depilação, hidratação capilar, podólogo, limpar, esfoliar, tonificar, hidratar e provar (sei lá porque) que, não, ainda não preciso usar tintura principalmente para esconder os brancos...
Instinto Selvagem, O Império dos Sentidos, O Último Tango em Paris, Corpos Ardentes, Carne Trêmula, Garganta Profunda, Rio Babilônia, Nove Semanas e Meia de Amor, Eu Te Amo...
Bagdá, Rio de Janeiro, China...
Meu computador trava enquanto leio as mensagens.
Meu computador está louco.
Estou louca.
O (meu) mundo está louco.