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16.5.04

O Arauto entra e anuncia o rei. (...)

Entram o Grão-duque, a Grã-duquesa, o Ministro e o Funcionário Honesto.

Tecelão - Excelência, quanta honra! (uma reverência) Aproximem-se, Excelências. Apreciem nossa obra.

Eles aumentam a luz. Tiram o pano que cobre o tear. O Grão-duque e a Grã-duquesa arregalam os olhos.

Tecelão - Vejo que estão admirados, Excelências, com nosso tecido...

Tecelã - Espantados com o nosso trabalho. Foi difícil e demorado. Passamos noites trabalhando.

Tecelão - Noites e noites...

O Alfaiate dá pulinhos atrás do Grão-duque.

Funcionário Honesto e Ministro - Oh! Oh! Oh!

O Grão-duque (para o público) - Oh, Jesus, sou um idiota! Um incompetente! Um burro! Que será de mim quando meus súditos souberem disto? Finjo tudo. Vou fingir que estou vendo.

Grão-duque - Senhores tecelões de ouro, estou realmente admirado! Tanta formosura, tanta beleza num tecido! Que maravilha. Veja, Alfaiate, pegue, admire! (o Grão-duque faz a mímica de pegar o tecido no tear vazio)

Grão-duque - E você, querida esposa... já viu tecido mais rico? Não é divino?

Grã-duquesa - Sim, querido!

Tecelão - Vejam os rococós.

Todos - Magníficos.

Grã-duquesa - Sim, querido.

Tecelã - Apreciem os bizurados!

Todos - Fantásticos!

Tecelão - Notem as quizumbas!

Todos - Fenomenais!

Grã-duquesa - Sim querido! (mais alto)

Tecelã - Observem os fricotes!

Todos - Chocantes!

Grã-duquesa - Sim, querido! (mais alto)

Grão-duque - Estou estupefato! Es-tu-pe-fa-to! Nunca vi tamanha obra de arte! Mal posso esperar pra ver o tecido transformado em trajes que usarei triunfalmente para que o povo me admire. Será minha milionésima qüinquagésima roupa. Tecelões, confio a tarefa a vocês. Comecem agora a fazer o mais lindo traje do mundo com o mais maravilhoso, misterioso dos tecidos!

Tecelã - Sim, meu senhor (ajoelha-se). Sob as ordens de Vossa Excelência e a bênção de Deus o faremos!

Tecelão - Cumpriremos a nossa missão!

Grão-duque - Então, mãos à obra.

Saem todos. Os dois vigaristas ficam a sós, dão gargalhadas, rodam o corrupio.

Tecelão e tecelã (para o público) - O que é a humanidade...


(Trecho da peça O Alfaiate do Rei, de Maria Clara Machado, baseada no conto de Hans Christian Andersen A Roupa Nova do Rei)

14.5.04

Sei lá porque, o Blogger não deu as caras por aqui ontem. Deve ser adaptação ao novo sistem, sei lá. De qualquer forma, estes são os posts acumulados enquanto Blogger está fora do ar:

"Se alguma mulher roubar seu marido, vingue-se: deixe que ela fique com ele."




Sobre o protesto de ontem dos funcionários do Pesagro, que distribuiriam 2.000 galinha, diz o JB hoje, na primeira página que eles "melhoraram o jantar de quem trabalha no Centro do Rio".

E fiquei pensando cá com meus botões: quem ainda abate frango em casa? Porque, que nem criança urbana, criada longe de fazendas e grandes quintais, eu mal consigo estabelecer conexão entre aquele animal cheio de penas e o mirrado filé de peito grelhado da minha dieta. Será que é sintoma de esquizofrenia não associar aquele pedaço de carne congelada do supermercado àquele bicho engraçado e dado à ciscadas?

Não consigo comer animal que eu vi vivo. Costumo dizer que se minha vida fosse mais rural, acabaria por virar vegetariana. Já vi muita galinha ser abatida nos fundos de casa pra poder contar pra vocês: meninos, não é uma coisa bonita de se ver.

Além disso, herdando a vocação do meu pai, minha irmã também é veterinária e de vez em quando, nos tempos de faculdade, levava uns frangos pra estudar em casa. Bem, não eram os frangos o seu dever de casa, eram os vermes dos galináceos. Depois de ter contaminado minha retina com aquelas imagens era pra eu nunca mais experimentar a ave. Fazer o quê? Sou sem-vergonha mesmo.

Mas a foto da cacarejante me fez imaginar o sujeito voltando da hora do almoço com a penosa de baixo do braço pro escritório. Será que amarrou o bichinho ao pé da escrivaninha? E ainda, sobraçando a bicuda enquanto espera o elevador, encontra a mulher, também ela voltando do trabalho e mostra orgulhoso o futuro jantar. Quem se encarregará da degola? Quem ainda se lembrará dos rituais? Em que parte do minúsculo apartamento fazer isso? Que estranho processo leva os construtores a entregar imóveis cada vez mais reduzidos em suas dimensões a uma população cuja altura média cresce visivelmente e quando floresce a geração canguru? Quem matou Lineu Vasconcelos? Perguntas que não querem calar...

Felizmente nos dias de hoje podemos devorar nossos fasianídeos com farofa e hipocrisia à mesa sem nos preocuparmos com a morte e o sangue no tanque de roupas. Fico muito contente em trazer pra casa meu prato do dia já depenado, sem pele e quiçá desossado.

Não sinto a menor nostalgia dos tempos de perseguição e decapitação no quintal. Por isso não sou como os saudosistas que vivem a chorar pelo tempo que se foi. Lembro daquela frase do saudoso sambista João Nogueira que dizia que não é que os carnavais de antigamente fossem melhores; você é que não tem mais dezoito anos.




Transcrição na íntegra das palavras de Lúcia de Jesus que contêm a revelação da primeira e segunda partes do segredo de Fátima escritas por Lúcia no ano de 1941 e conhecidas logo a seguir:

"(...) o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar. A primeira foi pois a vista do inferno! Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras , ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.

Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e acrosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros.
Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu; que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição) se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.
Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores, para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração.

Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo dos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz".


Terceira parte do Segredo de Fátima, revelado em 13 de Julho de 1917, em Fátima, eue a Ir. Lúcia dos Santos, a única das três videntes ainda viva, redigiu em 03 de Janeiro de 1944:

"Escrevo, diz Ir. Lúcia, em ato de obediência a Vós meu Deus, que me mandais por meio de Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Bispo de Leuria, e da Vossa e minha Santíssima Mãe. Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda.
Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas, apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: - Penitência, penitência, penitência.

E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas no espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca. O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meia em ruínas e meio trêmulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho.

Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as almas que se aproximavam de Deus."

12.5.04

Ligaram ontem da escola para que eu fosse buscá-lo mais cedo porque apresentava sintomas da epidemia do momento: conjuntivite.

Como ele teria que ter um atestado médico para hoje, fosse garantindo que não era contagioso e que ele poderia freqüentar as aulas ou abonando suas faltas, de lá fomos direto para oftalmologista. Conseguimos o último horário do dia na clínica. O pai passou de carro pela escola e por aqui em casa porque a carteirinha do plano de saúde estava comigo. Resolvi ir junto, na última hora, embora tivesse um compromisso profissional marcado em Copacabana às 19h00. Ia dar tempo.

Ele veio chorando no carro, aborrecidíssimo porque não poderia ir à aula de vôlei. Na sala de espera do consultório, observei sua apreensão, porque ele não conseguia se manter sentado. Ao contrário do normal, nada prendia sua atenção, nem a onipresente TV, nem as revistas, nem o game do celular, nem o papo de mãe tentanto tranquilizar o filho.

A médica, já conhecida, mal conseguia andar. Era o último horário de seu último dia antes da licença maternidade. No primeiro exame verificou-se que o menino está com dificuldades para enxergar. Ele, ainda mais contrariado, ouviu quando ela disse que depois que terminar a infecção, ele deve voltar para um exame mais detalhado. Provavelmente terá que usar óculos. Pinga colírio. Protestos inúteis. Aplica anestésico. Aí, isso arde muito! Não fique nervoso, só vou mexer na pálpebra pra ter certeza. Ei, não faz isso. Não se joga desse jeito que...

Bum! Ele caiu desmaiado pra trás e bateu com o parte posterior da cabeça com toda força no chão de granito. E ali ficou, com os olhos abertos e sem qualquer reação, completamente desacordado. Só me dei conta de que eu estava gritando quando a recepcionista entrou no consultório com ar desesperado para ver o que estava acontecendo. Olhei para a médica. Ela estava quase tão assustada e surpresa quanto eu. Não sei fazer parto e a barriga dela parecia maior que nunca.

Próxima parada: pronto-socorro infantil. O gigantesco galo cantava retumbantemente. O garoto só reclamando de fome e muito sono. Oh, céus! Sono não. Cadê o neurologista? Compromisso em Copacabana? Que compromisso em Copacabana? Cliente esperando retorno de ligação? Amanhã é outro dia.

Raio X. Ficha a preencher. Pesa, mede, examina. E então, doutora? Talvez seja necessária uma tomografia. Talvez seja necessário internar para ficar em observação. Alergia a algum alimento?

Finalmente o neurologista chega. Antecedentes? Não. Histórico familiar? Não. Ô garoto, você tava nervoso por causa do exame? Bingo! Ele até deu um nome bonito e pomposo pra esse tipo de reação de medo, comum em crianças em relação aos procedimentos médicos, mas já não estava mais ouvindo, tamanho o alívio.

O restaurante que eu quiser, mãe? A comida que eu quiser, pai?

Muita pizza no rodízio da Parmê pra comemorar que do coração não morremos mais.

Mas adivinha quem passou a noite em claro, levando muito a sério, corujamente, a recomendação de observação!

11.5.04

Kill Bill


Uma vez assisti na televisão a uma entrevista Maria Adelaide Amaral em que ela falava sobre a língua e os povos. Ela contava de uma viagem de carro que fazia com amigos brasileiros pelo interior de seu Portugal natal quando resolveram parar e pedir informações:

- Com licença, senhor. Bom dia. Esta estrada vai para a Espanha, perguntou um de seus companheiros de jornada.
- Se for, respondeu o lusitano abordado por eles, há de nos fazer muita falta.

A autora usava o episódio para ilustrar as diferenças entre o idioma português falado no Brasil e aquele usado na terrinha, observando que eles diziam muito sobre o caráter de cada povo. Concluiu afirmando que não é o gênio da nação que molda a língua, mas a língua que determina os limites do pensamento da nação.

Algo como o defendido por George Orwell no livro 1984, onde uma nova língua é imposta. Assim, especulava o grande escritor, sem palavras como “liberdade” seria impossível dominar seus conceitos.

E ainda havia um artigo que li uma vez que aventava a hipótese de as expressões em cada idioma acabarem por entregar as mazelas de cada civilização. Um flagrante, por exemplo, no Brasil seria “ser pego com a boca na botija”, o que indicaria o delito de quem furta para saciar a própria fome, traindo a endêmica miséria. Já em inglês, “caught with a smoking gun”, traduziria o traço armamentista dos estadunidenses.

Arrisco ao ir um pouco mais longe dizendo que todo o produto cultural de um país é a transpiração de sua essência em termos de sentimentos e visão da vida.

Kill Bill
fala muito mais do que deveria sobre a substância da gente que na primeira metade da primeira década do novo milênio já invadiu dois países, sustentou um golpe de estado na América do Sul e apoia incondicionalmente todas as insanidades israelense. Kill Bill também deixa escapar que tipo de alma habita jovens que resolvem seus problemas saindo um dia para a escola com o irredutível propósito de chacinarem todos os seus colegas e professores. Kill Bill imprime na tela o mesmo sorriso que a soldado torturadora tinha no Iraque. Kill Bill espirra sangue e o mal gosto. Kill Bill pretende transformar em arte o grotesco, evocando a honra samurai, assim como Bush pretende convencer o mundo de que sua sanha petrolífera tem a ver com Deus e o espírito dos pais da América, que devem estar se revolvendo em seus túmulos. Kill Bill entrega tudo. Com o risco adicional de ser uma retroalimentação.

Uma débil esperança me faz acreditar que depois da publicação das fotos hediondas o mundo vai acordar e começar a agir em relação às arbitrariedades do império e talvez até acabe com a vergonha para a humanidade chamada Guantanamo e outras bases ianques espalhadas pelo globo. Também me permito crer que não financiando mais produções como essas com o suado dinheiro do meu ingresso posso ajudar - como o beija-flor que transporta em seu bico a água para apagar o incêndio da floresta – a transformar este mundo num lugar melhor, onde pessoas como Tarantino recebam tratamento de saúde adequado ao seu caso.

Se perder essa fé, talvez acabe concordando com aqueles que apontam o roteirista e diretor como genial e eu deva me auto-flagelar por ser tão inculta e não dominar o universo citado em seu filme, por não admirar o desrespeito à vida humana, por não vislumbrar toda a plasticidade de uma mutilação, de uma decapitação, de uma chacina, de uma multidão sanguinolenta gemendo.

Kill Bill é a obra perfeita para quem prefere deixar de lado tudo de bom com que os Estados Unidos brindou o mundo - desnecessário desfiar exemplos como rock’n’roll e Woody Allen - e escolhe a cardina e o chorume do Tio Sam.

10.5.04

Eu sei, você tá achando tudo uma bosta.

Mas já reparou que:

* já são dois anos sem mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas?
* os manguezais dão sinais claros de crescimento?
* os socós começaram a voltar à região?

Você é uma das 50 mil pessoas que desfrutam as delícias da Lagoa nos finais de semana? Aproveita o local privilegiado pra umas caminhadas?

Já reparou o que está diante de você quando sai do Túnel Rebouças?
Fico abismada com a quantidade de Medéias que encontro.

Essas mulheres mal-amadas e/ou traídas que usam os filhos para punir e torturar (ex-)maridos podem até ratificar um dos mais antigos mitos da humanidade, mas que é nojento, covarde e pesadão pro carma, não há dúvidas.
Respondendo a um e-mail (com adaptações):

Vejo muitas meninas hoje reclamarem dos garotos que exigem super-mulheres perfeitas em todos as novas necessidades dos novos papéis, sem descuidar em nada do velho roteiro da Amélia e da mulher de Atenas.

Sabe que eu venho de um ponto no tempo e no espaço que ainda se valorizava a virgindade. Minha mãe, mesmo dando um excelente educação sexual pra mim e minhas irmãs, vivia repetindo que os rapazes não queriam casar com meninas que não fossem virgens. Até que um dia respondi pra ela que era eu quem não queria me casar com um homem tão inseguro que tivesse que se calcar na virgindade da moça.

Pois esses moços impertinentes não servem para nós, mulheres cheias de qualidades, mas passíveis de falhas pela própria condição humana.

Mas temos que tomar cuidado para não virarmos uma versão feminina desses chatos, exigindo deles o impossível.
No sábado, mais uma vez, fui à Portela para um de seus almoços de samba. Adoro o ambiente de samba. Há sempre uma aura de confraternização, uma felicidade contagiante, um prazer...

E cada dia vejo que isso é o contrário do que ocorre com outra grande riqueza da cultura nacional, o futebol. O esporte bretão anda rodeado de violência dentro e fora dos campos, muita briga, muita morte. Da minha janela, observo as torcidas indo e vindo. Enquanto nas escolas de samba, independente da competição, há sempre respeito pelas adversárias, no futebol, faz parte da graça espezinhar o oponente.

Noto - em algumas torcidas isso é mais evidente - que ainda mais comemorada que a própria vitória é a derrota do rival. Se você duvida, procure um vascaíno num dia em que o time cruzmaltino arrebenta a boca do balão e depois num dia de derrota do rubro-negro. É fácil constatar que nada lhe dá mais prazer que ver o Flamengo perder. Se for vexaminosamente, tanto melhor.

É por essas e por outras que acho que um ciclo do futebol brasileiro está encerrado. Talvez também faça parte do processo o enfraquecimento dos times cariocas, com sua jugular entregue aos cartolas. Outra razão poderia ser o fato de os jogadores não mais fazerem a bola rolar por gosto pelo esporte ou por amor ao seu clube. Joga-se pelos grandes deuses, o dólar e o euro. Tão logo conseguem alguma projeção, os rapazes arribam para o Velho Continente, para as Arábias, para a Terra do Sol Nascente. Fica por aqui quem (ainda) não conseguiu se destacar, quem não se adaptou e voltou com rabinho entre as pernas, quem já deveria ter se aposentado. Enfim, o sobejo.

E é dessa lavagem que se faz o futebol que se joga no Brasil hoje.
A cara nova do Blogger está muito bonitinha. Ainda estou testando pra ver se ficou mais prática também.

Ele está de volta, com carga total. Por favor, visitem e comentem.

6.5.04

Século XX - década de 40:

AI, QUE SAUDADES DA AMÉLIA
(Ataulfo Alves e Mário Lago)

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz

Você sé pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia
Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade


Século XX - década de 70:

MULHERES DE ATENAS
(Chico Buarque - Augusto Boal/1976
Para a peça Mulheres de Atenas de Augusto Boal)

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quandos eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obcenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas


Século XXI:

PAGÚ
(Rita Lee e Zélia Duncan)

Mexo e remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira, nem sou puta

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagú indignada no palanque
Fama de porra louca...tudo bem
Minha mãe é Maria ninguém

Não sou atriz
Modelo ou dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem



ELA É BAMBA
Ana Carolina

Ela é bamba
Ela é bamba essa preta do Pontal
Cinco filhos pequenos pra criar
Passa o dia no trampo pau e pau
Ainda arranja um tempinho pra sambar
Quando cai na avenida ela é demais
Todo mundo de olho ela nem aí
Fantasia bonita ela mesmo faz
Manda todas não erra a mira
Mãe passista atleta manicure diplomata
Dona da boutique enfermeira acrobata

Ela é bamba ela é bamba ela é bamba
Ela é bamba ela é bamba ela é bamba

Ela é bamba essa índia da Central
Vai no ombro um cestinho com neném
Oito quilos de roupa no varal
Ainda vende cocada nesse trem
Toda sexta ela fica mais feliz
Vai dançar numa boate do Jaú
Faz um jeito e já pensa que é atriz

Cada dia inventa um nome
Dora Isaura Emília Teresinha e Marina
Ana Rita Joana Iracema e Carolina

Ela é bamba

Ela é bala a mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz
Quando compra briga ela é demais

Vai no groove e não deixa desandar
Ela é pop ela é rap ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha
Laura Lígia Luma Lucineide Luciana
Quer seu nome escrito numa letra bem bacana

5.5.04

Tá legal!

É imaturidade dizer "Viu? Eu não disse?"

É crueldade dizer "Bem feito!"

Mas tem umas situações, para as quais a gente alertou, advertiu, aconselhou, em que o óbvio se cumpre e a gente tem que se prostrar rogando por maturidade e compaixão.

Haja antídoto para ignorância temperada com teimosia!
Graças a um trabalho que às vezes se torna bem duro, estou tendo muito contato com a Bíblia. Como tudo o que vivencio acaba se grudando à minha história e a mim, de alguma forma e já que esse blog, embora não seja um retrato, é um eco da minha vida, talvez eu sinta vontade de postar alguma coisa que me toque mais profundamente por aqui, com suas reflexões associadas ou não.

Tudo depende de impluso, vontade e tempo, o que não é mau.

Mas, talvez, esta vontade não surja mais, simplesmente por seguir os ensinamentos contidos nas mensagens que enviaria.
Sabe o que é melhor do que assistir um show de uma artista cuja carreira que você vem observando de longe há tempos?

Assistir a este show no espaço VIP.

Sabe que é mais bacana que assistir àquele show especial no espaço VIP?

Receber um telefonema informando que você foi sorteado e vai para o espaço VIP em esquema BLT (boca livre total).

O que, além da companhia já confirmada do homem da sua vida, poderia ser mais legal que isso?

Um amigo de fora da cidade ligar e marcar de encontrar com você lá.

4.5.04

"O mundo pertence aos otimistas; os pessimistas são meros espectadores."
Eisenhower

"De nada vale tentar ajudar aqueles que não se ajudam a si mesmos."
Confúcio

"O pessimista considera o sol apenas como um fazedor de sombras."
Décio Valente

"Os fracos acomodam-se... Os fortes lutam por uma melhor posição na vida."
Dinamor

"Nunca está só quem possui um bom livro para ler e boas idéias sobre as quais meditar."
Renato Kehl

"Nada tem qualquer poder sobre mim, além daquilo que permito por meio de meus pensamentos conscientes."
Harold Hoppkins

"Há pessoas que não sabem viver sem depender dos outros.São como certos animais que só vivem bem quando têm dono."
Célio Devenat

"Há um momento que é preciso parar de sonhar ....... e partir."
Amir Klinck

"Nada jamais será tentado, se todas as objeções possíveis tiverem de ser superadas antes."
Samuel Johnson

"Qualquer um pode ficar zangado - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na intensidade correta, no momento adequado, pelos motivos justos e da maneira mais apropriada - isto não é fácil. "
Aristóteles

"O que somos é conseqüência do que pensamos."
Buda

"Pelos erros dos outros, o homem sensato corrige os seus."
Oswaldo Cruz
Você conhece a Valquíria?
"Quem inicia a Busca sabendo o que vai encontrar, está longe da verdade".

3.5.04

Estranhos no paraíso
(Paulo Blank)


Não fosse a cobra, falaríamos todos a mesma língua clara, sem subterfúgios. Foi ela que introduziu a sedução como modo de desviar o outro do próprio caminho. Sua fala enganadora nos expulsou do paraíso da transparência. Foi sobre isso que conversei com o vendedor de cachorro-quente na esquina de casa, em Botafogo. Gilberto, um Bíblia, como se dizia, vive pregando e tentando me converter. Inteligente, daria bom pastor de almas. Ando até pensando em propor-lhe uma esquina de estudos bíblicos, um Café Philo tropical.

Quando passei, Gilberto me saudou com o Shalom de sempre e puxou papo. Dia quente de céu azul, o cheiro do cachorro-quente enchendo o ar, os carros passando, entabulamos uma conversa que já inventou um povo e está em vias de criar outro. Refiro-me ao apego ao texto bíblico e ao desejo obsessivo de não parar de extrair mensagens dele. Hábito que eu e Gilberto cultivamos com prazer. Só que há duas maneiras de entrar neste pomar secreto. Uma é penetrar as palavras sabendo que ali podemos encontrar uma infinidade de sentidos. Outra é fazer todo mundo ler pela mesma cartilha e, se alguém entender diferente, vêm as expulsões e as excomunhões para deixar claro qual a largura da estrada que o pensamento pode trilhar sem oferecer perigo.

Agora éramos três na esquina. De calção e chinelo, o recém-chegado foi dizendo: "Para entrar no céu tem que quebrar o ego". Olhei espantado, o homem me tocou. Quis saber de onde saíra aquela conversa budista de quebrar o ego e me mostraram o livro. Guardado com carinho numa pasta de plástico transparente, fechado com zíper a salvo de respingos impuros de fritura, o livrinho surgiu nas mãos do Gilberto. O autor é japonês, só podia. Argumentei que esta contribuição era do Oriente e eles, dois sábios seguindo a estrela de Belém, concordaram. Pouco a pouco, uma ponte de entendimentos de erguia sobre a fumaça do cachorro-quente e o abismo social que nos separa. A miscigenação holística dos trópicos dava vida às palavras geradas no ardor do longínquo deserto. Esqueci de dizer, um fícus centenário lança enorme sombra sobre a esquina, abrigando passantes que param para um lanche ou uma conversa bíblica.

Quando a cobra entrou no papo, peguei um guardanapo e anotei: narrash. Em hebraico, a língua em que a história foi escrita, cobra é narrash. Ao lado escrevi nirrush, que significa adivinhação. Os sábios antigos concluíram, comparando as palavras, que a cobra era sedutora e falava por alusões misteriosas como falam os adivinhos quando querem impressionar. O seu nome já dizia quem era. A cobra, o tal narrash, introduziu no paraíso o papo envolvente. Antes, Adão e Eva eram seres de luz. Sua relação era transparente, suas palavras claras. Depois de comer a fruta da enganação, Eva transou com a serpente e seu esperma misturado ao de Adão gerou filhos que perderam a luz divina da qual foram criados. Cobertos de peles, Adão e Eva ficaram opacos, perderam a existência translúcida e nós, descendentes desse triângulo pouco amoroso, vivemos até hoje falando através de vestimentas que disfarçam nossos objetivos. A cobra, como é fácil perceber, deixou vestígios. Prometemos coisas que não cumprimos, inventamos motivos que não existem, camuflamos sentimentos e intenções sob camadas de peles rugosas para que outros não percebam a luz de nossas intenções. E, quando alguém resolve falar claro, sem subterfúgios, é chamado de radical e, num julgamento cheio de cobras espertas, condenado ao desterro. Em certos países tropicais, estranhos são os que insistem em falar claro.

30.4.04

Compre!
DORIVAL CAYMMI
90 ANOS




A história da música popular brasileira passa obrigatoriamente pela música de Dorival Caymmi, que para nossa alegria continua firme e saudável ao completar hoje 90 anos.

Como não poderia deixar de ser, as homenagens pululam pelo Brasil afora.

A imagem da Bahia como é hoje no imaginário popular deve-se, em grande parte, à obra deste grande compositor. Mas ele, malandro velho, não se deixa pegar quando lhe perguntam porque mora no Rio e passa longas temporadas em Minas - seria ele realmente baiano, carioca ou mineiro? Ele sorri daquele jeito gostoso e responde com calma: sou brasileiro.

Viva Caymmi!




Pachorra

Contam que a música João Valentão demorou uma década para ficar pronta.

Quem compôs Suíte dos Pescadores, É Doce Morrer no Mar, A Preta do Acarajé, O que É que a Baiana Tem?, Só Louco, só para citar algumas, pode passar a vida cochilando na rede.

Amor

Hoje também é aniversário de casamento de Dorival Caymmi com Stella Maris. São 64 anos de um amor que começou na Rádio Nacional.

Prole

Outro aniversário comemorado hoje é o de Nana, a primogênita. Além dela o casal teve Dori e Danilo. Todos são talentosíssimos elementos da música popular brasileira. Assim, Caymmi, além de uma obra musical primorosa, enriqueceu a terra com seus genes.
O fio de raciocínio e conversa


Ele viu o post sobre o Guilherme de Brito e puxou papo:

- Você está com essa música na cabeça?
- Hum-hum. Quem gravou primeiro foi a Nora Ney, né?
- Acho que sim.
- Que de Nora Ney? Morreu?
- Não sei. Só sei que foi casada com o Jorge Veiga.
- Desse nunca ouvi falar.
- Ele cantava a música do bigorrilho.
- Minha mãe cantava essa música pra mim quando eu era criança.




[consulta, consulta, consulta]





Nora Ney (Iracema de Sousa Ferreira) gravou seu primeiro disco em 1952. Conquistou o disco de ouro como melhor cantora por cinco anos consecutivos. Foi eleita, em 1953, Rainha do Rádio. Ao longo dos anos 50, sua voz grave e dicção empostada (famosa por carregar nos erres) alcançou o sucesso cantando sambas-canção em casas noturnas e através da Rádio Nacional, da qual passou a fazer parte do elenco em 1952. Clássicos do período como Ninguém me Ama, Menino Grande (ambas de Antonio Maria), Só Louco (Dorival Caymmi) e Preconceito (Maria/Fernando Lobo) foram alguns de seus êxitos. Curiosamente, foi também uma das primeiras (ou mesmo a primeira, segundo alguns pesquisadores) a gravar um rock no Brasil, cantando Rock Around the Clock, de Bill Haley.

Apresentou-se nas Américas, Europa, África e Oriente Médio, tornando-se grande divulgadora da música brasileira em países nos quais era praticamente desconhecida (Rodésia, Chipre, China e a então URSS). Casou-se com Jorge Goulart em 1992, após 39 anos de vida em comum. Faleceu em outubro de 2003, na sua Rio de Janeiro natal, aos 81 anos.

Fontes: CliqueMusic, Enciclopédia da Música Brasileira Popular, Erudita e Folclórica (PubliFolha)




Bigorrilha

S. 2 g.
1. Indivíduo reles, vil, desprezível; bigorrilhas, bigorrilho.
2. Bras. RS Sujeito fraco metido a valentão.

(Dicionário Aurélio - século XXI)




Bigorrilho
(Paquito/Romeu Gentil/Sebastião Gomes)
Gravado em 1964, por Jorge Veiga

Lá em casa tinha um bigorrilho,
Bigorrilho fazia mingau,
Bigorrilho foi quem me ensinou,
A tirar o cavaco do pau,
Trepa Antonio, siri tá no pau,
Eu também sei tirar,
O cavaco do pau.

(bis)

Dona Dadá, Dona Didi,
Seu marido entrou alí,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair.

29.4.04

Conheci o Guilherme de Brito num carnaval em Conservatória. Aliás, fui parar em Conservatória no carnaval porque li numa entrevista que ele concedeu que era ali o lugar onde ainda havia carnaval de verdade.

A cidade (acho que nem é uma cidade, é um distrito) é uma gracinha, parece de boneca, parada no tempo e tem a tradição de atrair o pessoal da terceira idade. Nunca fui lá para desfrutar de sua principal atração, que são as serestas das sextas e dos sábados, mas gostei do carnaval, com seus blocos populares, sem nenhum traço de violência, tudo muito familiar. Como as coisas acontecem cedo, é ótimo para quem está com criança pequena e não quer abrir mão de divertir-se no período momesco.

A cidade tem algumas atrações pitorescas, mas elas podem ser exploradas em algumas poucas horas, pricipalmente para quem não tem os passos vagarosos dos anciãos. Assim muito tempo passamos sentados em cafés e bares, vendo a banda passar, literalmente ou não.

E de vez em quando sentava na mesa ao lado o ilustre compositor, que, descobrimos depois, estava hospedado no mesmo hotel em que estávamos. Do alto de sua elegância octagenária, ele envergava indefectivelmente um terno branco com camisa rosa e gravata verde. Tudo para homenagear sua amada Mangueira.

As pessoas aproximavam-se dele com carinho e respeito e ele tinha sempre um sorriso simpático para oferecer e uma caixa de fósforo à mão para acompanhar quem quisesse homenageá-lo cantando um de seus clássicos.

A fala de uma pessoa hoje me despertou a lembrança da música abaixo e fiquei feliz por esta lembrança ter puxado da memória o encontro com o grande mestre.






A Flor e O Espinho
(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)

Tire seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor

Eu só errei quando juntei
Minha alma junto à sua
O sol não pode viver perto da lua - BIS

É no espelho que vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d’água
Eu na sua vida
Já fui uma flor
Hoje sou espinho sem amor
"Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento."
I Coríntios 14, 20

"Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino."
I Coríntios 13, 11

28.4.04

O cavaco não cai longe do tronco.
Não é uma coisa "linda" para nos atacar com toda força num dia lindo e iluminadíssimo de abril, quando a gente tem acúmulo de trabalho para ser feito diante de uma tela de computador?

A insuficiência de convergência, causada por anormalidades no equilíbrio da musculatura extrínseca do olho, dificultando a convergência normal para os objetos de interesse próximos, gerará danos na interação das imagens de cada olho, exigindo esforço adicional para esta musculatura, com conseqüentes sintomas de fadiga, acarretando a Astenopia*.

O uso prolongado da visão com vícios de refração não corrigidos, levam as pessoas a terem sensações de turvação, dificuldade de fixação de detalhes, perda de linhas na leitura, cefaléia constante, ardência nos olhos, sonolência, náuseas, dores irradiadas para a nuca e pescoço, pontos móveis no campo de visão, que podem ser negros ou cintilantes e até tremores nas pálpebras.

*Astenopia - cansaço visual e que tem como sintomas fortes dores de cabeça e nos olhos provocadas pelo excesso de trabalho diante do monitor de vídeo.


Enquanto as novas sessões de exercícios ortópticos não vêm, haja Dorflex!!!

27.4.04

Tô cansada demais.

Será o tempo nublado?
Será muito trabalho?
Será uma virose?
Será resultado de tanta obra nos meus ouvidos?
Será a casa toda desorganizada?
Será medinho?
Será o Benedito?

Não importa. Lá vou eu.

Vruuuuuuuuuuuuuuuum.

26.4.04

'No final do dia, sucesso é saber que eu ajudei alguém.'

Victoria Conte
"O homem parado é com água estagnada: corrompe-se."
Latena



Anote na agenda:


1 - À meia noite cantarei sua trilha

Jornalista e produtor musical, Ricardo Soneto é daquelas figuras que sabem tudo de música. Mas não é só. Ele gosta de soltar a voz. E para este show, escolheu com capricho um repertório que inclui aquelas canções que fizeram com que nossos filmes favoritos ficassem ainda melhores. Ele canta acompanhado por um trio de jazz.

Cine Odeon
30/04/2004
à meia-noite



2 - MDC World Music, Lua Discos e Atelier Cultural apresentam:
Show de lançamento do CD A Música de Chaplin

Gilson Peranzzetta

1- Fox trot - The Idie Class (A Classe Indolente)
2- The ballet of bread rolls - The Gold Rush (Em busca do ouro)
3- Clown's apprentice - The Circus (O Circo)
4- Secrets in your eyes – A dog´s Life (Vida de Cachorro)
5- Non sense song - Modern Times (Tempos Modernos)
6- Wages and the wife - Pay Day (Dia de Pagamento)
7- The spring song - A king in the New York (Um rei em Nova York)

Leandro Braga

8- Jazz (Dancing on board ship) - A Day´s Pleasure (Um dia de Prazer)
9- Smile - Modern Times (Tempos Modernos)
10- The Clown´s last crazy Act" - Limelight (Luzes da Ribalta)
11- Dog´s life" - A Dog´s Life (Vida de Cachorro)
12- The organ waltz - The Kid (O Garoto)
13- A huge meal, thanks to the police - Modern Times (Tempos Modernos)

João Carlos Assis Brasil

14- Suite Chaplin
Non sense song - Modern Times (Tempos Modernos)
Dog´s life - A Dog´s Life (Vida de Cachorro)
Love song
Fox trot - The Idie Class (A Classe Indolente)
Debussy music - Pay Day(Dia de Pagamento)
Smile - Modern Times (Tempos Modernos)
The dictator - The Great Dictador (O Grande Ditador)
Jazz (Dancing on board ship) - A Day´s Pleasure (Um dia de Prazer)
Charlie´s theme - The Idie Class (A Classe Indolente)
Limelight/Smile - Limelight (Luzes da Ribalta)/Modern Times (Tempos Modernos)

Sala Cecília Meirelles
29/04/2004
19h00
R$10,00

25.4.04

Quitutes na casa (nova e linda) da Flavinha, pizza no Luigi, biscoitos palmier e canudinhos de chocolate da Casa do Alemão, língua de gato do Katz...

Quando (reparem que não usei a condicional; é assim que os sonhos se transformam em realidade) me mudar de volta para Petrópolis vou ter que pensar seriamente sobre reeducação alimentar.

É isso ou engordar, como da primeira vez, 10 quilos em 1 ano. E isso sem ter mais 17 primaveras e aquela saudosa facilidade de perder peso.

23.4.04

Oração de São Jorge

Eu estou vestida com as roupas
e as armas de São Jorge.
Para que meus inimigos
tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me enxerguem
e nem pensamentos eles possam ter
para me fazerem mal.
Armas de fogo
o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem
sem ao meu corpo chegar,
cordas e correntes se quebrem
sem o meu corpo amarrar.


17.4.04

reZistro
cederrUm
taUba
fRamengo
laRgatixa
meio-dia e meiO
pra MIM fazer
uma perCa irreparável
menAs gente
estRupo
Maneiras
(O Rappa)


Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que consumo, com suor
Do meu emprego
Confusão eu não arrumo
Mas, também não peço arrego
Eu um dia me aprumo
Tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego
Com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego
É o homem e a mulher
O meu linguajar é nato,
Eu não estou falando grego
Amores a amigos de fato
Nos lugares onde eu chego
Eu estou descontraído
Não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado, pra falar
Da vida alheia
Mas digo sinceramente
Na vida a coisa mais feia
É gente que vive chorando de barriga cheia
RESILIÊNCIA


"O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema."

(Kelly Young)

Na Física, "resiliência" refere-se a uma força de recuperação (por exemplo: a capacidade que tem uma barra submetida a forças de distensão até seu limite elástico de voltar ao seu original quando essas forças deixam de atuar sobre ela).

Tomado emprestado pela saúde mental, o termo "resiliência" define a capacidade que o indivíduo tem de ser imune, se recuperar psicologicamente e sair bem na vida, quando submetido à violência de outros seres humanos ou das catástrofes da natureza. Enquanto a maioria dos indivíduos se torna vítima, adquirindo transtornos do desenvolvimento ou psicológicos na infância, de conduta na adolescência e juventude, e psiquiátricos na vida adulta, outros são resilientes e saem bem na vida.

As ciências humanas, desde o final do século 19, enfocavam os estados patológicos do indivíduo submetido às várias formas de violência. Estudos e pesquisas se concentravam na descrição das doenças, para descobrir causas ou fatores que explicassem as condições biológicas ou mentais negativas no ser humano atingido por violência. Verificou-se que a maioria das pessoas se torna vítima, adquirindo transtornos do desenvolvimento ou psicológicos na infância, de conduta na adolescência e juventude, e psiquiátricos na vida adulta.

Entretanto, muitas questões ficaram sem resposta: como pôde o ser humano se recuperar de guerras devastadoras, genocídios, holocaustos, epidemias e grandes perdas oriundas dos desastres naturais?

Observações sistemáticas mostraram que o resultado positivo na sobrevivência foi obtido por muitos que tiveram imunidade e proteção frente aquelas situações. Assim, no final do século 20, a Psiquiatria e a Psicologia já enfatizavam essa positividade na manutenção da saúde mental e à "resiliência".

Embora a resiliência pode ser parcialmente inata, conhecer os fatores de risco, de sua intensidade e duração, e dos fatores de proteção de um indivíduo, nos possibilitará desenvolver resiliência em crianças, proporcionando-lhes a oportunidade de não responderem à violência com os transtornos previsíveis.

Resiliência reduz riscos de doenças e melhora a qualidade de vida

O estresse é uma realidade observada hoje nas mais diferentes áreas e setores. Como manter a qualidade de vida e o equilíbrio emocional?

A resposta é simples: treinando a capacidade de cada indivíduo de desenvolver a resiliência. O termo vem da física e significa a capacidade humana de superar tudo, tirando proveito dos sofrimentos, inerentes às dificuldades. O resiliente é aquele que recupera-se e molda-se a cada "deformação" (obstáculo) situacional.

O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de um prédio, se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, incluindo ainda problemas como vaginites, doenças intestinais, hipertensão arterial, entre outros males.

Durante o ciclo de vida normal, é necessário ao indivíduo desenvolver a resiliência para conseguir ultrapassar as passagens com "ganhos", nas diferentes fases: infância, adolescência, juventude, fase adulta e velhice, incluindo mudanças como de solteiro para casado.

O indivíduo que possui resiliência desenvolve a capacidade de recuperar-se e moldar-se novamente a cada obstáculo, a cada desafio. Se transportarmos o raciocínio para o dia-a-dia, poderemos observar que, quanto mais resiliente for o indivíduo, haverá menos doenças e perdas e mais desenvolvimento pessoal será alcançado.

Um indivíduo submetido a situações de estresse e que sabe vencer sem lesões severas (rachaduras) é um resiliente. Já quem não possui resiliência é o chamado "homem de vidro", que se "quebra" ao ser submetido às pressões e situações estressantes. A idéia de resiliência pode ser comparada às modificações da forma de uma bexiga parcialmente inflada, se comprimida, adquirindo as formas mais diversas e retornando ao estado inicial, após pressões exercidas sobre a mesma.

A resiliência consiste em equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, além do aprendizado obtido com obstáculos (sofrimentos). Traduzindo em outras palavras, é atingir outro nível de consciência. O indivíduo que não possui ou não desenvolve a resiliência, pode sofrer severas conseqüências, que vão da queda de produtividade ao desenvolvimento das mais diferentes doenças psicossomáticas.

Dicas para aumentar a capacidade de resiliência:

* Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade.
* Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação.
* Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam endorfinas e testosterona que, conseqüentemente, proporcionam sensação de bem-estar.
* Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o "ponto de apoio para recuperar-se".
* Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança.
* Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom.
* Assumir riscos (ter coragem).
* Tornar-se um "sobrevivente" repleto de recursos.
* Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas).
* Separar bem quem você é e o que faz.
* Usar a criatividade para quebrar a rotina.
* Examinar e reflitir sobre a sua relação com o dinheiro.
* Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer, para em seguida retornar ao estado original.




Resiliência - Resiliência
(Tom Coelho)

Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.

Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: amoxicilina e paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado. Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida...

Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e depois perdem-se, difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.

Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.

Limão e Limonada

As Ciências Humanas estão sempre tomando emprestado das Exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da Física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.

Em Humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada, saborosa, refrescante e agradável.

Aprendi que não adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E rapidamente, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se forem alimentados. Muitos deles resolvem-se por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula corretamente. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.

Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem não do que nos falta, mas do mal uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.

Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que "tristeza não tem fim, felicidade, sim". Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias ao invés de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói 100 tristezas...

Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades, impostas ou auto-impostas, que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.

Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Apreciamos a luz porque já estivemos no escuro. Apreciamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.

Olhe para o céu, agora! Se é dia, o Sol brilha e aquece. Se é noite, a Lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a Vida.




fontes:
1 - esta apresentação do assunto, com adaptações;
2 - texto do Dr. Alberto D'Auria aqui , com adaptações; e
3 - texto de Tom Coelho aqui

15.4.04

Recadão coletivo:

- para a Arabella:Obrigada pelas visitas e recadinhos constantes. Fui visitar o blog que você indicou. É bem legal mesmo. Valeu!

- para o Batalha: 1 - Onde você leu sobre as alterações do filme Troy? Fiquei curiosa. Não gosto de filmes de guerra, mas adoro essa história e seus personagens maravilhosos, principalmente a Cassandra. Você sabe quem vai fazer esse papel? / 2 - Não coloquei o Beckham na lista dos metrossexuais porque, em primeiro lugar, não estava na original, na revista Glam e, depois, acho que incluir sempre ele, o Mion e aquele jogador estadunidense de basquete pode dar uma conotação meio trans. A minha definição desse fenômeno é mais para o lado da sofisticação, da vaidade e do consumismo. Acho muito diferente cuidar dos cabelos e hidratar a pele do rosto, gostar de restaurantes chiques e roupas da moda de depilar a sobrancelha ou usar saia à la Darlene (mas kilt é muito sexy) e maquiagem pesada.

- para a Lu: Parabéns por o Rafael ser um índigo! Sabendo lidar com isso com muito amor e paciência, você vai ter um adulto com a inteligência plenamente desenvolvida, muito criativo, amoroso e principalmente feliz. Manda beijo pra ele e pro Pedro.

- para Paula: Tem muita coisa sobre as crianças índigo na rede. Você pode ler mais sobre o assunto aqui (abordagem em primeira pessoa), aqui (visão espiritualizada), aqui (cientificamente) e aqui (observações sobre o livro). Mas com a ajuda do Google você vai encontrar material de leitura pra muito tempo... :-) Meu lindinho está dando trabalho, é? Dá muito beijinho nele que é a terapia que a Tia Carla mandou, viu? :-) No lindão grandão também, quando você estiver com ele. Lembranças para maridão. E, sim, filhos (e sobrinhos, né, Lu?) são as grandes bênçãos da nossa vida. Mas tem um livro de que gosto muito chamado Os Nós e os Laços que fala que os nós são aquelas relações que não escolhemos, como as de sangue. Essas podem ou não trazer afinidades, podem ser apenas prova e expiação, eu diria. Mas os laços, aqueles contatos que cultivamos por décadas, por escolha, os irmãos de alma, estes são grandes tesouros. Já parou para contar há quantos anos você pegou aquele saquinho de doces de Cosme e Damião, maninha? :-) Saudades também. Muitas!
Neste Domingo 18/04 tem HUSBAND na Lagoa, no quiosque Drink Café, a partir das 20:30 h.

O melhor do Rock, Blues, Soul, Pop...


Husband

Dany - Vocal
Marcelo Vidal - Guitarra base e gaita
Marcio - Guitarra solo
Edinho - Baixo
Marcelo Miranda - Bateria
O grande pessimista colhe todas as notícias ruins do jornal e manda aos amigos cada manhã; acha que o ser humano não presta mesmo, o mundo é mero palco de guerras e corrupção. O excessivamente otimista acha que a realidade é a das telenovelas e dos sonhos adolescentes, das modas, das revistas, da praia, do clube. O sensato (não o sem graça, não o chato) sabe que o ser humano não é grande coisa, mas gosta dele; que a vida é luta, mas quer vivê-la bem; que existem _ além de injustiça, traição e sofrimento _ beleza e afetos e momentos de esplendor. Que se pode confiar sem ser a toda hora traído por quem se ama.

Posso ser um pessimista essencial, por natureza ou formação ou circunstâncias. Posso porém estar apenas deprimido.

Para sair de uma fase depressiva há mil recursos à disposição de qualquer pessoa. Terapia, uma bela caminhada, um novo amor, pintar o cabelo, jantar num lugar delicioso, mudar de lugar os vasos do jardim, ver o que acontece nas artes. Ler, refletir, observar o dentro e o fora. Comprar um cachorro, ir ao futebol, planejar uma viagem (pode ser só até ali). Tentar aproximar-se da arte, qualquer que ela seja. Renovar interesses e afetos, cultivá-los.

Mas se eu curto a minha depressão ou minha visão negra de tudo, se com isso pretendo chamar a atenção dos outros ou puni-los (ou a mim mesmo), posso optar pelo eterno descontentamento. Aos poucos ficarei segregado do círculo dos que a~so os vitais amantes da esperança.


(Perdas & Ganhos, Lia Luft, Ed. Record, página 104)
Qual É?
(Marcelo D2/Davi Corcos)

eu tenho algo a dizer explicar pra você
mas não garanto porém que engraçado eu serei dessa vez
para os parceiros daqui para os parceiros de lá
se você se porta como um homem
será que você mantém a conduta?
será que segue firme e forte na luta?
aonde os caminhos da vida vão te levar?
se você agüenta ou não o que será será
mas sem esse kaô de que tá ruim não dá
esse eu já vim, vi, venci deixa pra lá
tá ruim pra você, também tá ruim pra mim
tá ruim pra todo mundo o jogo é assim
sem sorte no jogo, feliz no amor
quem nasceu pra malandragem não quer ser doutor
há 500 anos essa banca manda à vera
abaixou a cabeça já era

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

então vem devagar no miudinho
então vem chega devagar no sapatinho
malandro que sou não vou vacilar
sou o que sou e ninguém vai me mudar
porque eu tenho um escudo contra o vacilão
papel e caneta e um mic na minha mão
e é isso que é preciso coragem e humildade
a atitude certa na hora da verdade
o que você precisa para evoluir
me diz o que você precisa pra sair daí
o samba é o som e o Brasil é o lugar
o incomodado que se mude e eu tô aqui pra incomodar
ô de que lado você samba e você samba de que lado?
na hora que o côro come é melhor ta preparado
e lembrando de Chico comecei a pensar
que eu me organizando posso desorganizar

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

amar como ama um black, brother
falar como fala um black, brother
andar como anda um black, brother
usar sempre o cumprimento black, brother

quantas vezes já cheguei no fim da festa
quantas vezes o bagaço da laranja é o que resta
não me dou por vencido, vejo a luz no fim do túnel
a corrente tá cerrada, como meus punhos
vai dizer que você é um perdedor
daqueles que quando sua família precisa cê dá no pé
vai dizer que você prefere o ódio ou amor

então me diz neguinho...Qual é?

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

qual é? qual é? qual é? qual é neguinho? qual é?

14.4.04

Centro Cultural Justiça Federal

Apresenta


QUARTAS INSTRUMENTAIS DELIRA MÚSICA
Instrumental do Brasil – Abril de 2004


Produção e realização: André Oliveira


Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 – Tel.: 3212 2550 – Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 10,00

* estudantes, idosos e assinantes do JB pagam meia entrada

* associados do Clube Delira Música têm 20% de desconto no ingresso e 10% de desconto na compra de CDs Delira Música no local.


Em abril de 2004 o projeto Quartas Instrumentais no CCJF convida dois grandes nomes da cena instrumental brasileira. O craque dos sopros Carlos Malta e o grupo Cama de Gato se alternarão nas quartas-feiras do mês, com um cardápio musical fortemente calcado na brasilidade. Nada mais próprio, já que em abril comemoramos o Descobrimento, o Dia de São Jorge e o aniversário de São Pixinguinha. Carlos Malta se apresenta em duo com o pianista Philippe Baden Powell e depois com seu grupo Pife Muderno. O grupo Cama de Gato retorna de uma turnê pela América do Sul e mostra o repertório de seu sexto CD, lançado no ano passado, ao lado dos seus hits de sempre. Viva a música do Brasil.



14 de Abril – 19h

Cama de Gato


Mauro Senise, sax e flauta – Pascoal Meirelles, bateria
Jota Moraes, piano – Mingo Araújo, percussão – André Neiva, baixo


O quinteto instrumental Cama de Gato faz duas apresentações no Centro Cultural Justiça Federal (dias 14 e 28 de abril) para continuar a divulgar o disco Água de Chuva, uma produção independente do selo Perfil Musical. O álbum marca o retorno do grupo às prateleiras – e, naturalmente, uma volta mais constante aos palcos – após um intervalo fonográfico de sete anos. Jota Moraes, Mauro Senise, Pascoal Meirelles e Mingo Araújo aproveitam o clima de festa para apresentar o baixista André Neiva, que substitui Arthur Maia. Turnês pela Europa, Estados Unidos e pelo Brasil inteiro são mais do que comuns na rotina do quinteto, que tem no currículo uma apresentação memorável no famoso Town Hall, em Nova York (1989), e três concertos inesquecíveis no Free Jazz, em São Paulo e no Rio de Janeiro (1994, 1996 e 1997). Entre os feitos que enriquecem a história do grupo e merecem registro, destaque para a venda de 75 mil cópias do disco de estréia, Cama de Gato (Som da Gente, 1986), um número fantástico para o tímido mercado instrumental do país. De acordo com o baterista Pascoal Meirelles, fundador do grupo ao lado do flautista e saxofonista Mauro Senise e de Jota Moraes (que se divide entre piano, teclado, marimba e vibrafone), o diferencial deste novo CD é a sofisticação do tratamento sonoro "por conta dos arranjos, que são mais elaborados e usam cordas", avalia. Um segundo fator relevante é a pulsação dos instrumentos, que denuncia a brasilidade do álbum, fazendo uma mistura bem dosada de ritmos nacionais, como o frevo e o maracatu, ambientados numa gafieira. Outro diferencial importante é que todas as composições levam a assinatura dos músicos do grupo, com exceção da faixa de abertura “Bimini”, escrita pelo pianista Rique Pantoja. O papel autoral de Rique Pantoja foi assumido por Jota Moraes, com a preciosa colaboração de Pascoal Meirelles e André Neiva. Jota compôs os temas "Prateado", “Homem", "Seu Arthur", "Pau de sebo" e a faixa-título, "Água de Chuva". Os temas “Aruba" e "Pontanegra" são de Pascoal, e Neiva incrementa com "Porque também não fui". "É mais do que uma opção gravar apenas composições próprias", segundo o bem-humorado baterista. "Não é uma atitude exclusivista. É que gostamos de tocar nossas músicas. Não tocamos material alienígena", brinca.



21 de Abril – 19h

Carlos Malta e Pife Muderno


Carlos Malta, direção musical, arranjos, flautas e saxofones
Andréa Ernest Dias, flautas
Marcos Suzano, pandeiro
Oscar Bolão, pratos e tarol
Durval Pereira, zabumba


Uma das maiores expressões no atual cenário musical, Carlos Malta & Pife Muderno já foram aplaudidos de pé na Sala Cecília Meireles, no Percpan na Bahia, no New Orleans Jazz and Heritage Festival, Festival de Caracas, Sabath Tóquio, Essaouira Gnawa Festival no Marrocos, Rock in Rio 3, no Cité de la Musique de Paris e no 22º Festival de Jazz et Musiques d’Ailleurs d’Amien em Abril de 2003, na França. Poliglotas musicais, o grupo dá um nó na teoria musical, passando a harmonia para os tambores, onde a zabumba vira piano e o pandeiro vira contrabaixo. Os ritmos e a temática passam pela tradição e ao mesmo tempo projetam a vanguarda num novo universo sonoro, com recriações de clássicos como Ponteio (Edu Lobo), Açum Preto e Asa Branca (Luis Gonzaga), bem como os originais Tupyzinho, Lá no Suzano e Carááá...caíííí, ambas composições de Malta. A sonoridade do Pife Muderno é pra lá de original, onde pifes do Brasil se encontram com flautas da China (di-zi) , da India e do Japão (shakuhachi), além das grandes flautas baixo e contralto . A cortina harmônica percussiva completa a “voz“ desta banda que arrebata as platéias com sua energia vibrante e seu balanço contagiante.

28 de Abril – 19h

Cama de Gato


Mauro Senise, sax e flauta – Pascoal Meirelles, bateria
Jota Moraes, piano – Mingo Araújo, percussão – André Neiva, baixo

O grupo encerra o mês, com o repertório do CD Água de Chuva e sucessos dos trabalhos anteriores.


Informações:

André Oliveira – Tel 3325 4113/9122 0679 ou andreoliveira@rjnet.com.br
CHORO NO SESC 2004
COMEMORAÇÃO DO DIA NACIONAL DO CHORO
Produção Artística - Marcos Souza / Atelier Cultural

CHORO NO SESC - AUDITÓRIO DO ARTE SESC
20 de Abril - terça - 19:00hs - Entrada Franca
ARTE SESC Rua Marquês de Abrantes 99 - Auditório - Tel: 3138-1343

20/4/2004 - terça
TIRA POEIRA

Formado por Henry Lentino (bandolim), Caio Márcio (violão), Samuel DeOliveira (saxofone), Fábio Nin (violão 7cordas) e Sérgio Krakowski (pandeiro), todos entre 20 e 30 anos, o Tira Poeira investe na vertente chorística que abre espaço para o improviso e a experimentação.
E foi experimentando daqui e dali que o grupo partiu para espanar definitivamente a poeira do convencionalismo, sem abrir mão da tradição. O repertório revisita temas de Waldir Azevedo ("Delicado", "Vê se Gostas", "Carioquinha"), Jacob do Bandolim ("Receita de Samba", "Santa Morena"), Pixinguinha e Benedicto Lacerda ("Segura Ele"), Nelson Cavaquinho ("Caminhando"), dialogando com o samba, a gafieira, o jazz.

Homenageados 2004:
Choro na Feira, Daniela Spielmann, Bruno Rian
Blues do elevador
(Zeca Baleiro)


ora quem é que não sabe
o que é se sentir sozinho
mais sozinho que um elevador vazio
achando a vida tão chata
achando a vida mais chata
do que um cantor de soul
sou eu quem te refresca a memória
quando te esqueces de regar as plantas
e de dependurar as roupas brancas no varal
só faz milagres quem crê que faz milagres
como transformar lágrima em canção
vejo os pombos no asfalto
eles sabem voar alto
mais insistem em catar as migalhas do chão
sei rir mostrando os dentes
e a língua afiada
mais cortante que um velho blues
mas hoje eu só quero chorar
como um poeta do passado
e fumar o meu cigarro
na falta de absinto
eu sinto tanto eu sinto muito eu nada sinto
como dizia madalena
replicando os fariseus
quem dá aos pobres e empresta
quem dá aos pobres e empresta
adeus
Cristal, site caprichadísimo da minha querida amiga Eliane, foi indicada como site do dia pelo Terra no dia 12/04!

Quem ainda não conhece o trabalho da Li, precisa fazer uma visitinha e conhecer aquela beleza, tanto em forma quanto em conteúdo.

Anote na agenda, será na próxima segunda-feira, 19/04, Dia do Índio, às 20:00h, na Modern Sound, a Primeira Festa Jam Delira Música. A festa começará com uma canja do violonista Turíbio Santos, seguida de um pocket com Taluá e Luiz Avellar, e uma jam com o pianista Philippe Baden Powell convidando, Carlos Malta, José Staneck e outros ases da música instrumental brasileira. Convidem os amigos, divulguem, compareçam, prestigiem. Será uma grande confraternização.


Serviço:

Sem couvert artístico / sem consumação mínima

O show começa às 20:00h e depois das 21:00h as portas da loja se fecham.

É prudente reservar lugar pelo telefone 2548-5005 - as reservas são garantidas até às 19:00h

Modern Sound - Rua Barata Ribeiro, 502 - Copacabana

Estacionamento rotativo no local - R$ 5,00 primeiras 2 horas / R$ 2,00 hora excedente ou fração.

13.4.04

Agressão nas escolas


O que é o "bullying"?

"Bullying" direto: "Um aluno está a ser vítima de violência continuada quando é exposto repetidamente, durante um longo período de tempo, a uma ação negativa por parte dos outros alunos." (Olweus, 1991)

"Bullying" relacional: "Consiste em provocar danos emocionais num colega, manipulando as suas relações com os outros; provocando-lhe assim uma sensação de exclusão social." (Crick & Grotpeter, 1995)

Quais são os diferentes tipos de "bullying"?

Físico: Bater, pontapear, roubar ou danificar bens alheios.
Verbal: Chamar nomes, provocar cruelmente, ameaçar e intimidar.
Relacional/psicológico: Exclusão social, espalhar rumores maliciosos, pôr fim à amizade propositadamente.

O problema da agressão continuada

Uma criança é considerada vítima quando está exposta a ações negativas repetidas ao longo do tempo e quando há desequilíbrio de poder.(Olweus, 1991) Investigações fazem geralmente a distinção entre agressão física direta, agressão verbal e agressão indireta ou relacional. A agressão física direta constitui comportamentos tais como ser roubado ou levar uma sova. Agressão verbal inclui chamar nomes, gozar ou fazer pouco, fazer chantagem ou ameaçar. Agressão indireta ou relacional refere-se a comportamentos tais como boatos maldosos, deixar a vitima fora das brincadeiras.

A agressão continuada é um comportamento social complexo. As crianças podem ser consideradas unicamente agressores quando só agridem outras crianças e nunca são as vítimas, unicamente vítimas quando é agredida por outras crianças mas nunca as agride, agressor/vítima quando a criança por vezes agride outras crianças e por vezes é agredida, e crianças neutras que nãos e envolvem em situações de agressão nem são vitimas destas. Alguns investigadores (Salmivalli et al., 1996) examinaram aprofundadamente a agressão continuada como um processo de grupo e ainda usaram outros termos como 'assistente' para a criança que ajuda o agressor, 'defensor' para a criança que ajuda a vítima e 'outsiders' para as crianças que observam a agressão mas não se envolvem diretamente nela.

Qual é a dimensão deste problema?

Investigações recentes revelam que a agressão continuada é um problema a nível mundial, no entanto a incidência varia nos diferentes países e culturas. Investigações de Wolke et al. (2001) revelam que 1/3 de crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico são freqüentemente vítimas de agressão continuada e 17% das crianças admitem agredir outras crianças regularmente.

Outros estudos sobre o 1ª e 2ª Ciclo do Ensino Básico (com idades compreendidas entre os 8 e os 12 anos) mostram que a vitimização varia entre os 8% e os 46% enquanto a agressão é menor, variando entre 3% e 23%.

Wolke et al. (2001) concluíram também que chamar nomes feios é a forma mais freqüente de agressão continuada, seguida de bater e dizer mentiras sobre a vítima. Muitas crianças relataram serem agredidas na sala de aula e no recreio por colegas da sua própria turma.

Conseqüências da agressão continuada

Ser vítima de agressão continuada pode trazer sérias conseqüências para o indivíduo e para a sua família e este problema tem sido associado a comportamentos como distúrbios na conduta, hiperatividade, e rivalidades (Wolke et al., 2000), problemas de saúde (Wolke et al., 2001), insucesso escolar (Sharp & Thompson, 1992), vadiagem (Sharp & Thompson, 1992), depressão e problemas de ansiedade (Salmon et al., 1998), e até suicídio (Rigby, 1998).

O problema da agressão continuada

Problemas de agressão continuada acontecem em todas as escolas e estudos de investigação indicam que é um problema com grande incidência. As escolas têm um contexto social perfeito para a agressão continuada, porque muitos comportamentos conseguem passar despercebidos. Os lugares mais citados para ocorrerem as agressões são os recreios e as salas de aula. A agressão no recreio é difícil de detectar por parte dos professores porque estes nem sempre estão presentes. Na sala de aula é difícil de identificar porque é normalmente uma agressão mais subtil, de natureza relacional. Muitas vezes, pela cultura da escola, a criança prefere sofrer em silêncio do que acusar o agressor.

Os professores podem estar a par dos efeitos possíveis da agressão continuada nas crianças mas por vezes não conhecem os sinais de aviso:

- Uma criança muito calada pode tornar-se mais retraída
- Algumas vítimas podem tornar-se agressivas como meio de lidar com a frustração
- Pode haver deterioração na performance escolar
- Pode haver falta de concentração no trabalho escolar
- No intervalo, a vítima pode hesitar e perder a vontade de ir ao recreio
- A vítima pode sentir-se perturbada ou aflita antes da hora do intervalo
- A vítima pode fingir estar doente ou atrasar-se de propósito
- As outras crianças da turma podem mostrar relutância em sentarem-se perto da vítima
- As outras crianças podem recusar-se a trabalhar em grupo com a vítima
- A vítima pode mostrar-se relutante em responder a perguntas da aula
- Outros alunos da turma podem rir-se, escarnecer, gozar a vítima
- A vítima pode mostrar-se relutante em receber um elogio do professor
- Os bens da vítima podem começar a desaparecer ou a aparecer vandalizados.

O que deves tentar NÃO fazer se estiveres a ser vítima de agressão continuada:

· Lutar com o agressor, especialmente se ele for mais forte do que tu
· Culpar-te por seres agredido
· Não ir à escola e fingir estar doente
· Começar a chorar em frente do agressor
· Ignorar o agressor e rir na cara dele
· Chamar nomes ao agressor e gozar com ele também

Se és um agressor, pensa nas razões porque está a agredir os outros:

· Pensa em formas melhores de te divertires - Como te sentirias se fosses a vítima?
· Pensa se os teus amigos realmente gostam de ti e admiram o que fazes
· Passa-se alguma coisa na tua vida que te leve a agredir os outros?
· Tens noção de como estás a fazer a vítima sentir-se e das conseqüências do teu comportamento nas outras pessoas?


(retirado daqui, com algumas adaptações para português do Brasil)

**************


O assédio moral no ambiente de trabalho


O assédio moral no trabalho, também conhecido como mobbing, é muito mais grave e comum do que se pensa: na Inglaterra, por exemplo, 16,3% dos trabalhadores já foram vítimas do mesmo. Na Europa, atualmente, o mobbing responde por cerca de 15% dos casos de suicídio. No entanto, entre nós o fenômeno não vem recebendo a atenção que mereceria.

Conceitua-se como mobbing a adoção deliberada e continuada de comportamentos que visam à humilhação e ao constrangimento da vítima, com o objetivo de destruí-la psicologicamente e afastá-la do ambiente do trabalho em virtude de licença médica, forçando-a a pedir demissão ou, em casos mais graves, levando-a ao suicídio. Pode ser praticado por um superior hierárquico (mobbing vertical), pelos colegas de trabalho (mobbing horizontal) ou, em casos raros, até mesmo pelos empregados contra um chefe (mobbing ascendente). Veja-se que o assédio moral não se confunde com o assédio sexual, pois este busca a sujeição sexual da vítima, enquanto aquele se destina à destruição psicológica da mesma. Além disso, as pesquisas mostram que a vítima do assédio sexual, majoritariamente, ainda é a mulher, enquanto no assédio moral não há qualquer relação com o sexo da vítima. Muitas vezes, no entanto, a rejeição ao assédio sexual é a causa do assédio moral, pois o superior rejeitado dá início à perseguição sistemática da vítima.

Os métodos mais comuns, na prática, são os seguintes:

a) isolar a vítima do grupo, cortando-lhe as relações sociais. No mobbing horizontal, são os colegas que evitam dirigir a palavra, tratando a vítima com desprezo e não a convidando para as festas e comemorações, conversando sobre ela como se não estivesse presente; no vertical, o chefe coloca a vítima para trabalhar em sala isolada, onde não possa ter contato com os colegas, não lhe permite participar das reuniões ou dá informação errada sobre a hora da mesma, etc.;
b) destruir-lhe a auto-estima, com brincadeiras ou humilhações que a ridicularizem na frente dos colegas ou mesmo dos clientes, às vezes resultando em uma reação descontrolada, que será usada contra a própria vítima;
c) constrangimento e desqualificação, atribuindo-lhe tarefas inúteis ou degradantes, aquém da qualificação profissional do cargo, ou então fixando metas impossíveis de serem atingidas, forçando a vítima a um desdobramento no trabalho para, ao final, dizer-lhe que aquilo não vai servir para nada.

Esse terror psicológico, além das conseqüências psíquicas, também gera conseqüências orgânicas, podendo causar problemas gástricos, úlceras, dificuldades respiratórias, dores musculares, etc. Por outro lado, o empregador pode ser responsabilizado por danos materiais e morais, mesmo no caso do mobbing horizontal, pois tem a obrigação de fornecer aos seus empregados um meio ambiente de trabalho saudável, fiscalizando e intervindo toda vez em que essa obrigação não estiver sendo atendida.

(texto de Aldemiro Rezende Dantas Júnior - Juiz do Trabalho e Mestre em Direito Civil)

(retirado daqui)
"Great minds discuss ideas;
Average minds discuss events;
Small minds discuss people."


( Eleanor Roosevelt )
Deu hoje na coluna da Hilde no JB e eu apóio, desde que não seja uma solução apenas para a Zona Sul, mas que tenha continuidade pra toda a cidade:


Vou voltar a um tema, que já abordei no passado: a erradicação das favelas. Não dá pra nos enganarmos de que há outra solução além dessa. Não há. O Favela Baiiro, projeto maravilhoso, de urbanização das comunidades pobres, ficou muito bom em termos de obra de engenharia, mas não cumpriu seu objetivo quanto à qualidade de vida e de coibir a violência. As favelas, com sua esquizofrenia urbanística, ruas estreitas que não se sabe onde começam e onde terminam, são o habitat ideal para o tráfico, nicho para marginais, que aterrorizam seus moradores e toda a vizinhança, estabelecem regras para ir e vir, expõem os cidadãos ao fogo cruzado das balas perdidas...

Faltam aos nosso políticos vontade e coragem, para aruivar a demagogia "politicamente correta" e partir para soluções radicais, como o Rio de Janeiro, em outras épocas, já ousou, e com sucesso. Nossas autoridades equilibram-se em cima do muro, acendendo sua vela no mesmo altar que serve à reza dos traficantes. Longe elas estão de se concentrar na busca de uma solução real para o problema que afeta os cidadãos...

Pois bem, se os políticos não agem, a sociedade civil vai à luta. Um grupo de empresários do setor imobiliário formatou um projeto para a remoção geral das favelas de Recinha, Vidigal, Vila Parque da Cidade, Vila Pedra Bonita e Vila Canoas, para áreas ociosas da Rede Ferroviária Federal - nas cercanias de Cais do Porto, Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Cidade Nova. São áreas descontinuadas, numa região da cidade à espera de iniciativas para revitalizá-la, que perfazem os 650 mil m2 necessários a isso, dotadas de infraestrutura básica, com o Metrô bem ali e potencial de empregos para toda a população a ser removida...

Segundo esse projeto já pronto, formatado, detalhado, que nos chegou às mãos, a área comportaria cerca de 17.500 habitações. Mais do que as 15 mil residências dos 56 mil moradores da Rocinha e dos 20 mil das outras comunidades citadas. São prédios de quatro andares, sem elevador, com apartamentos de sala e dois quartos, de 45 m2 de área útil cada um. Nessa área pretendida de 650 mil m2, o projeto também prevê escola, postos de saúde, comércio, praças, ruas, vilas olímpicas para treinamento esportivo etc...

Todos iriam morar contentes, em casas novas, mais seguras, mais decentes, que lhes seriam presenteadas pela Prefeitura e custaria zero ao governo. Os empreendedores, que arcariam com todo o custo do projeto, seriam ressarcidos recebendo 15% da área da favela da Rocinha, onde construiriam condomínios residenciais e prédios, obedecendo a legislação do bairro de São Conrado. Enquanto os restantes 75% daquela área seriam reflorestados e devolvidos à Mata Atlântica. Bom demais, não acham?...

Isso resolve o problema do tráfico? Não, não resolve, mas impede que ele, entocado nas favelas, atue livremente, utilizando cidadãos honestos como escudos humanos.

Então, vamos trabalhar por essa idéia?





Como o poder público não age, talvez esperando as próximas eleições para tentar capitalizar as tragédias da violência imputando culpa uns sobre os outros, penso que somos nós, os cidadãos, que devemos nos levantar e agir da forma que estiver ao nosso alcance.

Evidentemente a polícia deveria afastar sumaria e definitivamente aqueles maus profissionais que enxovalham o nome da instituição. Também deveria praticar ações que combatessem e prevenissem a prática de crimes. Está claro que a prefeitura deveria ser mais rigorosa na questão de ocupação do solo urbano. Lógico que o governo estadual deveria cumprir sua obrigação constitucional e garantir a segurança dos cidadãos. Perfeito é o raciocínio que aponta o poder federal como responsável pelo controle das fronteiras e da entrada de contrabando de armas e de drogas e ainda o apoio ao governo estadual para assegurar ao povo seus direitos à vida, a ir e vir e à paz.

Entretanto, não é com eles que podemos contar. Só conosco. E a nossa parte é aplicar a lei de oferta e procura. O dinheiro que arma marginais até os dentes vem da venda das drogas que se consomem em todas as classes sociais. Seu baseado e sua carreirinha são os fortificantes para este estado de coisas.

Se for comprar, lembre do preço.

12.4.04

Odeio segunda-feira de manhã


O vizinho

Temos um vizinho que funciona em outro fuso horário. Ele trabalha normalmente madrugada a dentro em eventos promocionais. Ele compartilha o mesmo espaço que nosso carro na garagem do prédio. Muitos vieram antes dele e o arranjo era simples: o vizinho ficava com as chaves do nosso carro e nós com as chaves do carro do vizinho. Assim, por mais chato que fosse ter que tirar dois carros e colocar um de volta a garagem, não havia maiores problemas na hora de sair motorizado de casa.

Mas nosso atual colega de vaga cada dia dirige um carro diferente, de acordo com a empresa em cuja promoção esteja envolvido. Não é possível nos deixar um conjunto único de chaves. Então o combinado é que ele, depois de estacionar, deixe a chave do veículo do momento à nossa disposição.

Ontem ele esqueceu deste acerto e não deixou a chave. E ao que tudo indica o mesmo fator que afetou sua memória quando chegou em casa em hora avançada, provavelmente o fez ter um sono de pedra hoje bem cedinho. E na hora de meu marido favorito sair para o trabalho, nem chaves, nem campainha, nem interfone, nem telefone, nem batidas à porta, nem berros ou chutões fizeram o querido amigo do andar debaixo largar a conversinha com Morfeu.

As notas fiscais do taxi para o escritório estão guardadas e qualquer eventual desconto por atraso já tem credor garantido.

Alvorecer perfumoso

Como se não fosse suficiente a poeira e o barulho gerados pelo furor demolidor de nosso alcaide, que resolveu reconstruir praticamente a partir do zero o famoso ginásio aqui em frente e deixá-lo pronto para o Pan de 2007 antes das eleições no final do ano, agora tenho meu próprio inferno particular.

Os operários chegaram cedo para concluir a obra que deixaram inacabada no meu banheiro desde aquele dilúvio doméstico do início do ano. Os mais assíduos por aqui devem lembrar que os canos do condomínio estouraram sobre a minha cabeça e inundaram meu apê. Os azulejos estavam fora de linha, havia outros pontos urgentes a serem consertados, patati, patatá e só hoje voltaram para arrumar as paredes que deixaram nuas, em carne viva.

Uma mudança básica fez-se necessária e lá fui eu transportando para outros lugares potes e vidros e frascos e toalhas e toda sorte de tranqueira que acumulo num dos meus cantos favoritos da casa, principalmenete para a leitura. Não quero minhas coisinhas empoeiradas. Nem os objetos que cuidam do meu amor.

Arranjei umas bolsas bonitinhas e fui ajeitando nossos pertences de forma a deixar mais à mão o que usamos com mais freqüência. Não que eu acredite nos prazos que eles nos deram para conclusão. Páscoa foi ontem e o coelhinho já foi embora. Mas tenho muita esperança, sempre.

Só que uma das bolsas estava já meio velhusca, parece que a cola venceu seu prazo de validade e ela desfez seu fundo quando a levantei pelas alças. Plém-belém-plá-pim-pim-pim! Sabe aquele vidro de perfume masculino. Pois é, o vidro não existe mais, mas o perfume está pela casa inteira.

Assim como o esporro e o pó.
Por que o governo sofre pressões internacionais para revelar a inovadora tecnologia de enriquecimento de urânio.

Para proteger seu segredo, os brasileiros esconderam as centrífugas dos inspetores e exibiram a eles um vídeo. Bastou isso para levantar a ira americana, que comparou o Brasil ao “eixo do mal”, que reúne os países que representam ameaça bélica, entre eles, Síria, Irã e Coréia do Norte. “É inaceitável nos comparar ao Irã”, diz o físico Anselmo Paschoa, que negociou com a Aiea o controle das instalações brasileiras. “Aplicamos aos adversários as mesmas regras que usamos com os amigos”, explicou James Goodby, negociador americano. Em dezembro, o assunto foi tema de reportagem do The New York Times.


Presta atenção, hein!

11.4.04

Quando convidamos C. para o almoço de Páscoa com prato principal de bacalhau preparado pelas mãos de meu amo e senhor, ela disse que só poderia vir se trouxesse a mãe que não queria deixar sozinha, já que os outros irmãos estavam viajando. Que bom!

Bem verdade que eu nunca tinha conversado muito com a matriaca, embora fosse uma fã, com quadros dela pendurados na parede de casa e principalmente por gostar tanto de seus filhos e pupilo. A gente sempre se encontrava em festas, em vernissages, muita gente em volta e pouca chance de trocar mais que parcas palavras.

Pois hoje tivemos tempo e gosto de nos conhecermos um pouco melhor, animadas pela simples alegria de estarmos todos juntos e ainda contarmos com a presença de Baco.

Tudo é agradável quando trocamos idéias com pessoas sensíveis, generosas e inteligentes. E se ainda recebemos como brinde uma história linda, cheia de cor e emoção, o dia vale, a vida fica mais saborosa.

E até aquela dúvida - recomeço a dieta amanhã ou antes dou cabo de todo o chocolate? - toma a real dimensão: uma bobagem.
Recebi por e-mail sem o nome do(a) autor(a). Depois fui informada de que era do Lula Vieira. Se não for e você souber de quem é, por favor, me informe para eu dar o devido (e merecidíssimo crédito):

Chaturas


Não me lembro direito, mas li numa revista, acho que na Carta Capital, um artigo levantando a hipótese de que todo o cara que tem mania de fazer aspas com os dedinhos quando faz uma ironia é um chato. Num outro artigo alguém escreveu que achava que jamais tinha conhecido um restaurante de boa comida com garçons vestidos de coletinho vermelho.

Joaquim Ferreira dos Santos, em "O Globo" de domingo, fala do seu profundo preconceito por quem usa a expressão "agregar valor".

Eu posso jurar que toda mulher que anda permanentemente com uma garrafinha de água e fica mamando de segundo em segundo é uma chata. São preconceitos, eu sei. Mas cada vez mais a vida está confirmando estas conclusões.

Um outro amigo meu jura que um dos maiores indícios de babaquice é usar o paletó nos ombros, sem os braços nas mangas. Por incrível que pareça, não consegui desmentir. Pode ser coincidência, mas até agora todo cara que eu me lembro de ter visto usando o paletó colocado sobre os ombros é muito babaca.

Já que estamos nessa onda, me responda uma coisa: você conhece algum natureba radical que tenha conversa agradável? O sujeito ou sujeita que adora uma granola, só come coisas orgânicas, faz cara de nojo à simples menção da palavra "carne", fica falando o tempo todo em vida saudável é seu ideal como companhia numa madrugada? Sei lá, não sei.

Eu ando detestando certos vícios de linguagem, do tipo "chegar junto", "superar limites", essas bobagens que lembram papo de concorrente a big brother. Mais uma vez repito: acho puro preconceito, idiossincrasia, mas essa rotulagem imediata é uma mania que a gente vai adquirindo pela vida e que pode explicar algumas antipatias gratuitas.

Tem gente que a gente não gosta logo de saída, sem saber direito por quê. Vai ver que transmite algum sintoma de chatice. Tom de voz de operador de telemarketing lendo o script na tela do computador e repetindo a cada cinco palavras a expressão "senhoooorrr" me irrita profundamente.

Se algum dia eu matar alguém, existe imensa possibilidade de ser um flanelinha. Não posso ver um deles que o sangue sobe à cabeça. Deus que me perdoe, me livre e me guarde, mas tenho raiva menor do assaltante do que do cara que fica na frente do meu carro fazendo gestos desesperados tentando me ajudar em alguma manobra, como se tivesse comprado a rua e tivesse todo o direito de me cobrar pela vaga.
Sei que estou ficando velho e ranzinza, mas o que se há de fazer?

Não suporto especialista em motivação de pessoal que obrigue as pessoas a pagarem o mico de ficar segurando na mão do vizinho, com os olhos fechados e tentando receber "energia positiva". Aliás, tenho convicção de que empresa que paga bons salários e tem uma boa e honesta política de pessoal não precisa contratar palestras de motivação para seus empregados. Eles se motivam com a grana no fim do mês e com a satisfação de trabalhar numa boa empresa. Que me perdoem todos os palestrantes que estão ficando ricos percorrendo o país, mas eu acho que esse negócio de trocar fluidos me lembra putaria. E para terminar: existe qualquer esperança de encontrar vida inteligente numa criatura que se despede mandando "um beijo no coração"?
No aniversário da azul e branco de Madureira teve feijoada e, obviamente muito samba. Oitenta e um aninhos, corpinho de vinte e a Portela tem fôlego para sambar muito ainda.

Dos dois carros lotados que nos levaram margeando a linha do trem, saiu, na porta da quadra, um povo alegre e disposto a curtir os encantos que só o subúrbio carioca tem.

E tem uma turma que defende que a Portela fica em Oswaldo Cruz, que essa história de Madureira é pra não iniciados. O importante é que todo mundo se divertiu. A turminha miúda logo se enturmou com a molecada local; quem era de beber, bebeu; quem era de comer, comeu; quem era de sambar, inclusive a rapaziada boa que veio da terra da garoa, sambou; quem era de paquerar, paquerou...

Companhia classe AAA.

Marquinho de Oswaldo Cruz mostrou pra todo mundo o que quer dizer raiz. Dorina cantou e encantou. Muita gente chegou no meio da roda e mostrou que samba é na palma da mão, no gingado do corpo e na manha dos pés. A Velha Guarda... Ah, a Velha Guarda... Tanta gente bonita... Tanta gente bamba...

Pelo sorriso colado na cara, o Arnaldo Jabor gostou.

C., pai de M.M., que nos recebeu e ciceroneou, também parecia contente toda vida. Sua mulher é madrinha de L., que toda lambuzada de ovo de Páscoa, foi parar no colo da Tia Surica.

Aliás, foi uma delícia ouvir uma palhinha do seu CD. Tenho um carinho todo especial por ela. Mas foi incrível saber que ela gravou sambas que eu cantava e ninguém parecia conhecer. Sim, eu canto muito, principalmente quando estou em casa ou tenho que percorrer um longo trecho a pé sozinha. Neguinho olha e acha estranho aquela mulher cantando no meio da rua. Deixa o povo olhar.

Deixa falar!