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21.6.04

A Associação Saúde Criança Renascer, fundada em 1991 pela Dra. Vera Cordeiro, é um ONG sem fins lucrativos e sem filiação política ou religiosa.

O projeto nasceu da indignação de profissionais da área de saúde pública do Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro, frente ao sofrimento a que são submetidos as crianças miseráveis e doentes lá internados.

O objetivo da Associação é quabrar o ciclo vicioso:

"Miséria - Doença - Internação - Reinternação - Morte"

Nesses anos todos, o Saúde Criança Renascer já ajudou na recuperação e amparo de cerca de 4.000 crianças e 1.200 famílias. Eles doam medicamentos, alimentos, material de construção e intrumentos de trabalho. Também encaminham para empregos e cursos profissionalizantes, além de promover palestras sobre saúde para as mães em atendimento.

Sua missão é auxiliar, em conjunto com setores da sociedade civil, crianças e suas famílias, oriundas do Hospital da Lagoa, quebrando o ciclo vicioso e criando bases para a melhoria biopsicossocial e auto-sustentação.

A visão do grupo é transformarem-se em um centro de referência que permita a multiplicação do modelo atual, fornecendo serviços de alta qualidade e alto impacto na saúde de crianças e adolescentes. Montar uma instituição semelhante perto de cada hospital público do país.

COMO PARTICIPAR

Seja sócio:
Você colabora periodicamente com o Saúde Criança Renascer (via ficha de inscrição ou ppor telefone)

Apadrinhe uma criança:
Doe mensalmente 1 cesta de alimentos e/ou medicamentos durante 6 meses.

Doe ou arrecade:
Alimentos, roupas, brinquedos, material escolar, colchões, filtro d'água, fraldas descartáveis, etc.

Doe serviços:
Vagas em creches e escolas, empregos para adolescentes para adolescentes e pais, trabalho para diaristas, etc.

Seja voluntário:
Dedique seu tempo livre ao trabalho.

Divulgue o Projeto Saúde Criança Renascer:
Quanto mais pessoas souberem, maior participação eles terão.


Para saber mais e doar:

www.saude-crianca.org.br
renascer@montreal.com.br
renascer@saude-crianca.org.br

R. Jardim Botânico, 414
Parque Lage - Jardim Botânico
Rio de Janeiro - RJ
CEP 22461-000

Tel. (21) 2286-9654 / 2286-9988
Final de semana agitado e feliz.

Entre as diversas pequenas tarefas do sábado pela manhã, tínhamos que comprar algumas roupas de inverno para o Pedro. Aqui vai uma dica "di grátis" para quem trabalha no ramo de confecções: durante toda semana procurei em diversas lojas de rua e de shopping e não achei roupas para menino de 8 anos alto e robusto; quem investir nesse filão fica rico. Calça de moleton só consegui encontrar nas Lojas Americanas depois de bater muita perna, ter desistido e encomendado sob medida. Pijamas: impossível! Só uma loja tinha tamanho 12, mas ele disse que pijamas com figura do Tigrão ele não usava nem que a vaca tossisse. Pois é, ainda tem isso, a pré-adolescência precoce. Outro dia ele queria levar um jogo pra escola e eu peguei a primeira sacola que encontrei e coloquei o tal jogo dentro. Ele veio cheio de dedos: "Mãe, sua sacola é bonita, mas desculpa dizer, se eu aparecer com essa sacola na escola vão me zoar. Sacolinha rosa com florzinha não dá, né, mã?." Ó, céus!

Também fomos ao alfaiate. Eu queria recuperar um vestido pretinho que desmontei pra consertar e não consegui remontar. É uma coisa até trivial, não fosse o alfaiate ser uma das pessoas ainda vivas com números de campo de concentração nazista tatuado no punho e a pessoa que ele amavelmente me indicou para realizar o serviço. A costureira parece saída de um túnel do tempo: sua casa, seu cachorro, seu estúdio, suas maneiras, seu vocabulário, seu descompromisso com horários. O papo rende sem pressa, ela liga em horários inusitados para perguntar coisas sem importância. Uma figura folclórica. Tomara que o vestido fique bom.

Mas o evento do sábado foi mesmo o aniversário dos petizes da Lu. Como eles crescem rápido! Como são lindos! Tão adoráveis! Meu Pedro, que finalmente os conheceu depois de algumas tentativas frustradas, ficou encantado com os novos amiguinhos. Ele adorou a festa e as brincadeiras e nós ficamos muito felizes por termos sido convidados a participar de um momento tão alegre e rever a Lu, tão querida.

Domingão teve matinê de Shrek 2. Eu estava esperando um bom filme, mas assistia a um ótimo filme. Além de toda a graça dos protagonistas e da fuga das fórmulas esquemáticas dos contos de fadas, ainda traz diversas referências cinematográficas, que são deliciosas também para os pais.

E fomos tão cedo ao cinema porque de tarde tínhamos planos de ir ao Roça in Rio no Jockey. Foi muito bom. Um casal de amigos com 2 filhos nos acompanhou. Adoro festa junina, adoro comida, brincadeiras e roupas típicas e adoro uma badalação moderada. Tinha tudo isso e mais. Rolou show de pop rock satírico com uma banda chamada Parabrisas do Fracasso, e um bom show com o Reggae B (Bi Ribeiro, George Kid Abelha Israel, João Fera e outros grandes músicos) que acabamos não vendo até o final porque o moleque já estava cansado. Teve observação de celebridade também. A mulherada fez fila pra tirar foto com o bombeirão, aquele. O Bernard do vôlei ficou só dando entrevista com a tocha apagada na mão. As mulheres queriam mesmo era a mangueira. Mas o mais divertido foi na hora de vir embora. A gente saiu perseguindo o Sidney Magal.

A história começou há alguns dias quando Ricardo viu a Rosi Campos beijando o cantor em Da Cor do Pecado. Ele disse que a atriz deveria ser muito grande, porque já tinha visto o Magal de pertinho e que era muito maior que ele. Meu marido não é exatamente baixinho e eu disse que tudo bem, a Rosi é grande, mas que eu achava que devia ser porque na época bagaceira ele usava salto. Quando vi o moço pedi pro Ricardo ir se aproximando pra eu conferir se havia uma diferença tão grande assim de altura. Só que na hora em que a gente conseguiu se aproximar ele saiu descendo uma rampa. E lá fomos atrás, perseguindo disfarçadamente pro sujeito não notar. Isso durou um tempo, até que consegui fazer a verificação? Magal é mais alto uns dois dedos. Portanto a Rosi ou atua sobre um banquinho ou dá duas de mim, que tenho 1,78 m.

E aqui mais uma dica de negócios gratuita. Se você pensa em investir no ramo de alimentação, não hesite. Pastéis são ótima pedida. A fila para a barraquinha do pastel eram bem grandes, mas ela estava, no máximo, em terceiro lugar. Na segunda posição, o cachorro-quente não fez feio e já era uma pista para a vedete do gosto popular. A barraquinha campeã tinha aquela fila imensa que fez a gente duvidar que as pessoas estavam realmente pagando pela iguaria. Tamanha fila, só para refeição gratuita. Mas não. Esta é a indicação definitiva e passo pra você de bandeja: invista tudo em salsichão!

19.6.04

CHICO BUARQUE

60 ANOS




A Banda e não outra entre tantas lindezas emoldura este meu registro sobre Chico Buarque porque minha mãe conta que era a música que tocava quando ela foi para o maternidade, no dia do meu nascimento.

Mais que trilha sonora para minha chegada nesta terra, mais que um ídolo, Chico Buarque é uma espécie de pai, que acompanhou todo o meu desenvolvimento e toda a minha educação musical, política, emocional e amorosa. Até sobre ser mulher aprendi muito com ele.

A bênção, Chico.

Parabéns, Chico.

Muito, muito obrigada, Chico.

17.6.04

Entre o riso e a lágrima há apenas o nariz.
Millôr Fernandes

Velho abandonado não foi moço ajuizado.
Provérbio brasileiro

A vida é um circo gratuito: basta você prestar atenção.
Bill Copeland

Nada dura, mas muda.
Heráclito

Sob um bom governo, deveríamos nos envergonhar da pobreza; sob um mau governo, da riqueza.
Confúcio

Os perfeccionistas nunca são perfeitamente felizes.
Anônimo

O passado é o futuro usado.
Millôr Fernandes

Se você não sabe para onde vai, é provável que chegue lá.

Anônimo
As três peneiras


Um rapaz procurou Sócrates e disse que precisava contar-lhe algo.

Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras?

- Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer aí mesmo. Suponhamos então que seja verdade.

Deve então passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?

Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta e, arremata Sócrates:

-Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu irmão nos beneficiaremos. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.



O problema com a maldição de Cassandra é que também me caem no colo certas informações que eu não desejo e pelas quais não procuro. O pior é quando você sabe que, mesmo que a sua intenção seja das melhores, a pessoa que precisaria desses dados, se ouvisse de você, não acreditaria e ainda lhe imputaria maldade.

Fico em silêncio e torço que não me deixem ver o sofrimento da pessoa quando souber a verdade. Talvez seja melhor caminhar assim mesmo, às cegas, tateando a realidade, sentindo-a penetrar em seus ossos, mas sem coragem para abrir os olhos e encará-la. Se não há nada que eu possa fazer para minimizar sua dor, por que estou em seu caminho? Não quero mais testemunhar desastres que prevejo, mas não posso evitar.
POLUIÇÃO SONORA

Pelo amor de Deus, alguém se compadeça e me ajude!!!!
Preciso dormir em paz!
Preciso trabalhar!
SOCORRO!
Pelo amor de Deus, estou desesperada!
Não sei mais o que fazer!!!
Preciso dormir!
Estou adoecendo terrivelmente!
Estou ficando louca!
SOCORRO!!!
SOCORRO!!!



A poluição sonora pode ser entendida como o excesso de ruídos – sons indesejáveis – que causam desconfortos e incômodos à população, desencadeando efeitos psicológicos ou fisiológicos negativos nos seres humanos". Além de prejudicar a audição, os ruídos podem causar sérias conseqüências à saúde. Um dos principais problemas é a alteração do sono, que pode afetar desde a memória até o humor do indivíduo.

EFEITOS DO RUÍDO SOBRE A SAÚDE

A Poluição Sonora hoje é tratada como uma contaminação atmosférica através da energia (energia mecânica ou acústica). Tem reflexos em todo o organismo e não apenas no aparelho auditivo. Ruídos intensos e permanentes podem causar vários distúrbios, alterando significativamente o humor e a capacidade de concentração nas ações humanas. Provoca interferências no metabolismo de todo o organismo com riscos de distúrbios cardiovasculares, inclusive tornando a perda auditiva, quando induzida pelo ruído, irreversível.

Alguns destes efeitos podem ser enumerados da seguinte forma:

Efeitos Psicológicos:

- Perda da Concentração
- Perda dos Reflexos
- Irritação permanente
- Insegurança quanto a eficiência dos atos
- Embaraço nas conversações
- Perda da Inteligibilidade das palavras e
- Impotência Sexual

Efeitos Fisiológicos:

- Perda auditiva até a surdez permanente
- Dores de Cabeça
- Fadiga
- Loucura
- Distúrbios Cardiovasculares
- Distúrbios hormonais
- Gastrite
- Disfunção Digestivas
- Alergias
- Aumento da Frequência Cardíaca e
- Contração dos Vasos Sangüíneos


A interferência do ruído com o repouso, descanso e sono é a maior causa de incômodo. A pior intervenção se dá na forma de ruído intermitente, como por exemplo: passagem de veículos pesados e passagens de aviões próximo às habitações.

O ruído pode dificultar o adormecer e causar sérios danos ao longo do período de sono profundo proporcionando o inesperado despertar. Níveis de ruído associados aos simples eventos podem criar distúrbios momentâneos dos padrões naturais do sono, por causar mudanças dos estágios leve e profundo do mesmo. A pessoa pode sentir-se tensa e nervosa devido as horas não dormidas. O problema está relacionado com a descarga de hormônios, provocando o aumento da pressão sangüínea, vasoconstrição, aumento da produção de adrenalina e perda de orientação espacial momentânea. Despertar de um sono depende do estágio do sono, dos horários noturnos e matinais, idade do indivíduo entre outros fatores.

Uma outra característica humana é a proteção natural aos eventos sonoros, este se dá quando o ser humano é previamente avisado que tal ruído ou sons elevados vão acontecer. Existe uma defesa psicológica que prepara o indivíduo para a exposição, o efeito contrário se dá exatamente quando é inesperado, é o caso do ruído se apresentar quando o indivíduo encontra-se desatento e/ou dormindo, comumente é considerado como som intrusivo. É extremamente desagradável pois, ele é pego de surpresa e não há tempo de armar sua defesa natural. Por isso deve-se preservar o direito de descanso das pessoas quando estas dormem a fim de protegê-las dos efeitos que talvez poderão ser considerados mais delicados.

A maioria das pessoas dorme de olhos fechados e pelo menos na penumbra, anulando a percepção visual responsável por mais de 90% das informações recebidas pelo homem. Mas, a audição, o segundo sentido em quantidade de informação, mantém seus canais abertos, varrendo de 360o o nosso espaço circundante a partir do nosso nicho, para detectar qualquer sinal de perigo. Para a pessoa dormindo no silêncio, o sono é liberado para se instalar na melhor qualidade. Caso contrário, o organismo, mesmo dormindo, começa manifestar gradualmente seu alerta. A partir do valor médio de 35 dBA, reações vegetativas e no EEG e mudanças na estrutura do sono são verificadas. Enquanto os estágios superficiais aumentam a duração, o tempo total de sono e os estágios profundos, MOR e estágio 4, reduzem bastante. O despertar já pode ser atingido em 44 dBA e 53 dBA de pico respectivamente para ambientes calmos, média de 25 dBA, e barulhentos, 45 dBA. Mas, quando o ruído do fundo está a 65 dBA, os reflexos protetores do ouvido médio parecem funcionar, anulando em parte a audição e introduzindo insegurança pela perda da vigília, mostrado pela reação de maior latência para dormir. Por isto provavelmente a 75 dBA de ruído de fundo a qualidade do sono se recupera parcialmente, mas longe da qualidade de níveis mais silenciosos. A poluição sonora portanto piora significantemente a qualidade absoluta do sono, acarretando pior desempenho físico, mental e psicológico e perda provável da alerta auditiva, que reflete a longo prazo em não habituação, mas que pode se recuperar logo em privação curta.

16.6.04

Divulgando:

Alcelmo Gois (O Globo):

Monobloco da Justiça
Pedro Luis vai levar seu Monobloco, bloco de rua do Rio, para frente do Forum, na quinta.
Eh o dia do julgamento de Thiago Almeida, acusado de ser o mentor das mortes da irma de Pedro, Denise, e seu amigo Pedro Peixoto, em 2000. Nilo Batista sera o assistente da acusacao.


Ciranda do Mundo
(Eduardo Krieger)

Pela profecia o mundo ia se acabar
Pelo vagabundo deixa o mundo como estah
Pelo americano pelo cano o mundo vai (ou nao)
Pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

Ciranda por mim
Ciranda por ti
Roda na ciranda que eh pro Nao virar pro Sim
Ciranda que vai o
Ciranda que vem
Roda na ciranda que eh pro Mal virar pro Bem





POR PEDRO E MARGOT
PELA JUSTICA E PELA PAZ
CONVITE PARA MANIFESTACAO

Aos amigos

Passados quatro anos do assassinato premeditado e gratuito que vitimou Denise Teixeira (Margot) e Pedro Peixoto em Santa Teresa, Rio de Janeiro, foi finalmente marcada a data do julgamento do principal acusado pelo crime, para o dia 17 de junho (quinta-feira), no Forum do Rio.

Neste momento em que nos aproximamos da tao ansiosamente aguardada hora de ver a justica cumprir seu papel, punindo devidamente o culpado por este crime hediondo, gostariamos e, mais que isso, precisamos contar com a presenca e a acao dos amigos e cidadaos que acreditam na justica como forma de protecao aos nossos direitos. Desta forma, acreditamos estar contribuindo para que esta historia seja devidamente encerrada com a mais severa punicao dos culpados e que possa servir como bem-sucedido exemplo da atuacao judicial neste tipo de crime.

Aproveitaremos este acontecimento para reafirmar publicamente nossas conviccoes contra a cultura da violencia, pelo desarmamento e, acima de tudo, pela JUSTICA e pela PAZ.

Ryta de Cassia e Pedro Luis

Forum do Rio de Janeiro
dia 17 de junho, quinta-feira
7:30h da manha
Av. Erasmo Braga, 115
esquina com Pres. Antonio Carlos

pedro_e_margot@pontoflash.com.br

e, por favor, se você ainda não assinou, assine a petição pela mudança do Código Penal contra a impunidade aqui

15.6.04

Para despedir de Ray Charles, toca um LP com Greatest Hits na vitrola:

Eleanor Rigby
(Lennon/McCartney)

Eleanor Rigby, picks up the rice
in the church where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window, wearing the face
that she keeps in a jar by the door
Who is it for

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Father McKenzie, writing the words
of a sermon that no one will hear
No one comes near
Look at him working, darning his socks
in the night when there's nobody there
What does he care

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor Rigby, died in the church
and was buried along with her name
Nobody came
Father McKenzie, wiping the dirt
from his hands as he walks from the grave
No one was saved

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?


Para exorcizar o espírito do Cazuza que me acompanhou na saída silenciosa e lacrimosa do cinema, Cássia Eller rasga:

Todo Amor Que Houver Nessa Vida
(Frejat/Cazuza)

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
Que ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio pra dar alegria

13.6.04

O Hino Olímpico me acordou bem cedinho. Já tinha gente se aglomerando para ver a tocha passar cantando coisas de paz. A gente acabou, depois de alguma discussão, decidindo ir ver o movimento lá no meio do povão, apesar do amplo camarote das nossas janelas.

No meio da ansiedade toda, todo mundo feliz da vida por estar presente naquele instante histórico, bonito foi ouvir meu filho falar com a amiguinha dele que estava conosco:

- Presta atenção agora, o Rei vai descer a rampa com a tocha e você vai contar isso pros seus netos e bisnetos.

E lá veio Pelé e sua enorme capacidade de mobilizar as multidões. Ao invés de seguirmos o cortejo, cortamos caminho e nos posicionamos num ponto mais adiante do circuito e foi ali que pudemos presenciar a passagem da tocha entre dois anônimos (pelo menos eu não os conhecia) com o rosto rasgado no sorriso de um orgulho que não cabia no peito.

Aliás, todo mundo que de alguma forma participou (ainda participa, enquanto escrevo a cerimônia continua pelas ruas do Rio) está levando pra casa um pouco mais de alegria no coração, seja como mero espectador, carregador do espírito olímpico, parte da organização do evento ou contratado dos patrocinadores.

Em cima de um dos trios elétricos, Loroza animava a galera e fiquei com vontade de ouvir o Monobloco. (Pra quem não sabe, o Serjão além de ator da Globo também manda muito bem como cantor da banda do Pedro Luís e A Parede.)

Domingo
(Aurinho da Ilha, Ione do Nascimento, Ademar Vinhais e Waldir da Vala)

Vem amor
Vem a janela ver o sol nascer
Na sutileza do amanhecer
Um lindo dia de alegria
Veja o despertar da natureza
Olha amor quanta beleza
O Domingo é de alegria
No Rio colorido pelo sol
As morenas na praia
Que gingam no samba
E no meu futebol

Veleiros que passeiam pelo mar
E as pipas vão bailando pelo ar
E no cenário de tão lindo matiz
O carioca segue o Domingo feliz
Vai o sol e a lua traz o manto
Novas cores, mais encanto
A noite é maravilhosa
E o povo na boate ou gafieira
Esquece da Segunda-feira
Nesta cidade formosa

Há os que vão pra mata
Pra cachoeira ou pro mar
Mas eu que sou do samba
Vou pro terreiro sambar




Bom, Bonito e Barato
(Robertinho Devagar, Jorge Ferreira e Edinho Capeta)

Colori
Com toda a minha simpatia
Um visual de alegria
Cante comigo essa
Canção de amor
Sou a comunicação
Não tenho luxo nem riqueza
Há simplicidade e beleza
Na festa do meu coração
Muito bom
O meu bonito é barato
Da simpatia, o retrato
Do povo no carnaval

Obrigado, madrinha Portela
Que me ajudou a caminhar
Por onde andei
Pelos caminhos meu nome deixei
Nos Confins de Vila Monte eu decantei
Com um sorriso de esperança
A Praça Onze, delirei
Domingo na sutileza do amanhecer
Meu colorido encantou você
O amanhã o que será o que será
E outra vez na passarela
Colorida e tão singela
O sangue novo faz toda gente vibrar

Sou, sou eu
Trazendo felicidade
Sou eu

11.6.04

DEMENTADORES



Dementadores são criaturas de capa, que tem a cara totalmente oculta por um capuz, mãos que brilham muito, um brilho cinzento, de aparência viscosa e coberta de feridas, como uma coisa morta que se decompusera na água.


Os dementadores são seres que tiram a sua alegria, felicidade, e o deixam muito triste, lembrando-se de coisas terríveis de seu passado e achando que você nunca mais poderá ser feliz na vida. Eles têm uma arma fatal, que só usam em caso extremos, o seu beijo. O beijo do dementador, não mata, mas tira a alma da pessoa, que é muito pior.


Onde deveria haver olhos, havia apenas uma pele sarnenta e cinza, esticada por cima das órbitas vazias. Mas havia uma boca... um buraco escancarado e informe, que sugava o ar com um ruído de uma matraca que anunciava a morte.


A chegada de um dementador traz o frio.

patrono

A forma de deter os dementadores é conjurar um patrono, que é um espécie de anti-dementador, age como um escudo.

O patrono é um tipo de energia positiva, uma projeção da coisa de que o dementador se alimenta: esperança, felicidade, desejo de sobrevivência, mas ele não consegue sentir desesperança, como um ser humano real, por isso o dementador não pode afetá-lo.
I Shot The Sheriff
by Bob Marley

I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.
I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.

All around in my home town
They're trying to track me down.
They say they want to bring me in guilty
For the killing of a deputy,
For the life of a deputy.
But I say:

I shot the sheriff, but I swear it was in self-defense.
I shot the sheriff, and they say it is a capital offense.

Sheriff John Brown always hated me;
For what I don't know.
Every time that I plant a seed
He said, "Kill it before it grows."
He said, "Kill it before it grows."
I say:

I shot the sheriff, but I swear it was in self-defense.
I shot the sheriff, but I swear it was in self-defense.

Freedom came my way one day
And I started out of town.
All of a sudden I see sheriff John Brown
Aiming to shoot me down.
So I shot, I shot him down.
I say:

I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.
I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.

Reflexes got the better of me
And what is to be must be.
Every day the bucket goes to the well,
But one day the bottom will drop out,
Yes, one day the bottom will drop out.
But I say:

I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy, oh no.
I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy, oh no.

9.6.04


Escritor
Retrato de um escritor quando jovem.


Fantasias
Let's groove!


Playcenter
Adivinha qual dos três morre de medo
de brinquedos de parque de diversão...

Baby steps...

6.6.04

A mulher me fitou com um olhar desenxabido e perguntou, porque tinha ouvido a conversa dos meninos, que comentavam o filme sem parar, se eu tinha comprado os ingressos para assistir ao novo filme do Harry Potter com muita antecedência. Estou pensando em começar a cobrar comissão do Ingresso.com

- Mas não tem que dar o número do cartão de crédito?
- Tem.
- É disso que eu tenho medo (síndrome de Regina Duarte).
- É seguro. Mais seguro que entregar seu cartão na mão de um garçom no restaurante blá-blá-blá...


Ainda tem muita gente que só consegue enxergar a Internet como lugar de criminosos, tarados e loucos. Mas digo que lugar de mais gente perturbada por metro quadrado é o (para muitos, não pra mim) insuspeito supermercado.

Tem as velhas donas-de-casa que vão passear entre as gôndolas pra espantar a solidão e ligam pras filhas, no meio de uma reunião de trabalho pra contar que hoje o açúcar está mais barato no Extra que na Sendas. Já comentei também sobre aquele pessoal que fica descascando alho para pagar milésimos de centavos a menos e provavelmente depois tem que gastar fortunas com sabonete pra tirar o cheiro das mãos. No entanto nada se compara com o homem que parou atrás de nós na fila do caixa hoje.

Antes de contar, claro que devo aqui fazer uma pausa para admitir que também estou incluída no rol dos doidecos de plantão. Que ser em juízo perfeito iria resolver fazer compras de mês num domingo, principalmente quando este é o primeiro dia de sol e céu de brigadeiro depois de muitos e muitos dias. Bem, talvez nem tantos dias assim, mas sou carioca. Vocês entendem, né?

Voltando ao homem, reparei que Ricardo estava conversando com ele enquanto tirava as compras do carrinho e colocava na esteira. Eu não conseguia ouvir o que eles diziam, porque estava ocupada empacotando e do outro lado do caixa. Contudo, reparei que o homem suava muito, mesmo que quente não pudesse de forma alguma descrever o dia de hoje, especialmente em ambiente refrigerado. E ele estava agitado, nervoso, aparentando estar muito preocupado.

Assim que pôde, Ricardo veio me contar que o homem estava muito angustiado, porque já se passava do meio-dia e ele teria que ir ainda a outro supermercado para comprar feijão. E tinha que ser aquele feijão daquele supermercado. Não adiantava ser da mesma marca. Tinha que ser comprado naquele supermercado específico que fechava pontualmente à uma hora. E por isso estava tão afobado. Eles eram muito rigorosos no supermercado do feijão maravilhoso. Se ele chegasse um minuto depois da primeira badalada vespertina, nada feito. E o homem suava. O mais interessante que ele não estava irritado, como geralmente ficam os ansiosos de plantão. Ele olhava pras pessoas com um olhar de quase súplica: será que vai dar tempo?

A mocinha do caixa contou que teríamos direito a raspadinhas e ganhei uma colher de cortar bolo. Enquanto Ricardo foi trocar a cartela pelo magnífico prêmio, fiquei ali parada ainda observando o cavalheiro, cada vez mais nervoso, cada vez mais suado, cada vez mais atrapalhado em colocar suas compras dentro das sacolas. Será que vai dar tempo de sair de um supermercado e ir pra outro para comprar o feijão da mesma marca que tem aqui?

Certas doidices são comoventes. Ricardo, que é mais expansivo que eu quando se enternece com a sandice alheia desejou sorte ao homem ao sairmos com nosso carrinho de compras de mês e pá de bolo em punho rumo ao domingo ensolarado e 40 Km em direção oeste na Avenida Brasil.

2.6.04

AGENDA DE JUNHO
(pra quem tem bom gosto, mas anda com problemas de liqüidez)

“Os Independentes” - Delira Música

Espaço Cultural Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163 – Tel: 2266-0896 – Rio de Janeiro
23 e 30 de Junho às 20:00h
Ingressos: R$ 10,00


Dentro do projeto “Os Independentes”, Delira Música apresenta dois programas especiais.

23 de Junho – 20h
Tributo às Divas do Jazz - Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Carmen McRae

Com Ana Zinger e Bernardo Bosísio

30 de Junho – 20h
Encontros Delira Música

Dois dos principais artistas do selo, lançando seus CDs em um encontro inédito – Luiz Avellar e Trio Taluá (pela primeira vez tocando juntos).


Centro Cultural Justiça Federal
Apresenta


QUARTAS INSTRUMENTAIS
Mistura de Estilos – Junho de 2004



Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 – Tel.: 3212 2550 – Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 10,00




2 de Junho – 19h
Carlos Bernardo, Ricardo Finazzi e Emílio Martins - Água Nova


Carlos Bernardo, guitarra, instrumentos exóticos e arranjos
Emílio Martins, bateria e percussão
Ricardo Finazzi, baixo elétrico, sons eletrônicos e samplers



9 de Junho – 19h
Ana de Oliveira Trio


Ana de Oliveira, violino
Silvio D’Amico, guitarra e arranjos
Toni Botelho, contrabaixo

16 de Junho – 19h
Quebra Pedra – Tributo a Ary Barroso


Thiago Picchi, saxofone e flauta
Luciano Correa, violoncelo
Márico Romano, percussão e bateria
Ana Santoro, piano

23 de junho – 19h
Jerzy Milewski e Nelson Faria
Tributo a Stéphane Grapelli


Jerzy Milewski, violino
Nelson Faria, guitarra
Toni Botelho, contrabaixo


30 de junho – 19h
Eloir de Moraes e Convidados
“50 anos de Jazz e Bossa”


Bateristas: Alfredo Gomes, Fernando Torres, Tião Cruz e Paschoal Meirelles.
Pianistas: Helvius Vilela, Haroldo Mauro Jr., Alberto Chimelli, Charles Rio e Chiquinho Chagas.
Baixistas: Sérgio Barroso, Edson Lobo, Norton Daielo.
Saxofonistas: Idriss Boudrioua, Mauro Senise e Rodolfo Novaes.
Flautista: Franklin
Trompetista: Bidinho

1.6.04

Enquanto isso, num dos meus recantos favoritos...



Alguns de vocês já conheceram Eric Taller, o grande, aqui em casa ou pelas quebradas cariocas. O que eu não sei se todo mundo sabe é que ele mudou-se para o Brasil e comanda a distribuição dos discos da Putumayo para todo o país.

Quem conhece o selo sabe que além de músicas do mundo todo de alta qualidade, ainda tem encartes lindos, com informações importantes para que se conheça o gênero, o artista, o país, o movimento ou a região abordada em cada título de CD.

Bom, estou contando isso tudo para que o convite abaixo faça ainda mais sentido pra quem anda por aqui.



Putumayo World Music
e
Sound System Attack


apresentam

FESTA DE LANÇAMENTO

do Novo CD da Putumayo

“World Reggae”


Uma jornada Musical no Reggae ao redor do Mundo!

- CD já a venda no Brasil -

Sexta-Feira, dia 4 de Junho
23:00h no Ballroom
Av. Humaita 110
Humaita, RJ
Tel: 2537-7600

Entrada: R$ 15
(R$ 12 com flyer ate 24:00h)



Produzido por
Sound System Attack em parceria com a Putumayo World Music

Live Percussion & Dancers
All Night!

Ganhe um CD da Putumayo!

RPSP: brasil@putumayo.com


ATRAÇÕES:
Digital Dubs Sound System
Uncle Jorge
Grave!
Urcasonica Sound System feat. U-Crew & Don Negrone
Marcelinho da Lua


Para receber mais informações sobre as festas da Putumayo no Brasil ou no exterior, contacte: brasil@putumayo.com



www.putumayo.com





APNÉIA DO SONO


O distúrbio do sono, que atinge até 9 por cento da população mundial, pode ter conseqüências graves, como arritmia e derrame, e deve ser tratado com o uso de um aparelho regulador da passagem de ar ou, nos casos mais graves, com intervenção cirúrgica. Quem sofre de apnéia ronca, mas nem todo mundo que ronca tem apnéia, distúrbio do sono caracterizado por diversas paradas da respiração ao longo da noite. As paradas ocorrem devido ao bloqueio da passagem do ar pelas vias respiratórias. A garganta fecha e a pessoa fica sem respirar por um instante. O estreitamento da faringe, garganta, leva, normalmente, ao ronco. Mas nem sempre o fechamento da estrutura é total, como acontece na apnéia. Às vezes, o ronco é somente uma vibração produzida pela garganta sem que esteja totalmente bloqueada.

A principal causa da apnéia é o excesso de peso. E pode ser agravada por ingestão de bebidas alcoólicas perto da hora de dormir, que provoca o relaxamento da musculatura do pescoço e tende a levar ao bloqueio do ar, e por cigarro, que irrita a garganta. Além disso, há um importante componente genético: pessoas que nascem com queixo "para dentro", com malformação da face ou com a amígdala grande têm maior tendência a desenvolver o problema, que é mais comum a partir dos 40 anos. O envelhecimento faz a musculatura da faringe ficar mais fraca. Crianças que roncam ou não conseguem respirar corretamente pelo nariz podem sofrer de apnéia mais tarde e necessitam acompanhamento médico.

O tratamento mais usado para corrigir o distúrbio chama-se CPAP, sigla para Continuos Positive Airway Pressure. Trata-se de um aparelho portátil, do tamanho de um telefone, acoplado a uma máscara que fornece um fluxo contínuo de ar sob pressão durante o período em que o paciente dorme. O aparelho permite que o ar chegue normalmente até os pulmões, porque dilata a faringe. A máscara é feita de material extremamente flexível, o usuário consegue dormir em qualquer posição.

O equipamento pode ser usado até que o paciente perca o excesso de peso e respire sem o seu auxílio. O índice de sucesso do CPAP é de quase 100 por cento. Isso significa que a pessoa praticamente deixa de sofrer paradas respiratórias que, em alguns casos, podem chegar a cem vezes em apenas uma hora".

E mais:

A insônia (segundo o dicionário Aurélio: "incapacidade, decorrente de causas diversas, de conciliar o sono"), um dos distúrbios do sono mais comum e pode ter como conseqüências sonolência, depressão, irritabilidade, disfunção sexual e dificuldades de aprendizado e memória. Pode também causar arritmia cardíaca, derrame e pressão alta.

(retirado daqui)
Certa vez, uma amiga me aconselhou a ser mais reservada. Dizia ela que sendo eu tão aberta e tendo tanta coisa bonita pra contar (sim, já disse, era uma amiga), estava abrindo a guarda e que algumas pessoas que se sentissem incomodadas com a felicidade alheia poderiam virar suas baterias contra mim. E o pior, continuava, é que esse tipo de pessoa agia pelas costas, armava intrigas e fofocas e poderia acabar influenciando pessoas próximas a mim.

Ela tinha razão em muita coisa. A questão é que não tenho controle sobre o comportamento de ninguém, além do meu próprio. Independente da forma como eu trate alguém, do que fale com essa pessoa, se seu espírito estiver armado, não importa o que, como, ou porque eu diga e faça, tudo e qualquer coisa pode ser interpretado da pior forma possível.

Há também a questão dos rótulos, tão práticos quanto injustos. Quem mora em tal cidade é assim, quem nasce sob determinado signo é assado. Haja! Mas o que é realmente interessante é que as pessoas que normalmente vivem com a maquininha etiquetadora nas mãos pulam que nem pipoca quando sequer suspeitam que possam estar também sendo enquadradas.

Mas tem muita gente que adora seguir diretrizes pré-estabelecidas, notícias pré-processadas, opiniões já formuladas. Para esses, ouvir o que outros tem a dizer e seguir a manada é mais simples do que analisar o comportamento que realmente testemunham. Muitos deliciam-se com as maledicências não só para delas tirarem algum alento para as próprias vidas vazias e infelizes, mas porque o diz-que-diz é a rosa-dos-ventos que vai apontar de quem se pode ou não gostar no momento.

O que esses pobres não se dão conta é que quem fala muito da vida dos outros pra eles, sendo os episódios verdadeiros ou não, vai falar da sua vida para os outros, da mesma forma. Ou aquele que se auto-proclama para o cargo de definir quais cabeças rolarão socialmente pode um dia acordar do lado esquerdo da cama e decidir decapitar membros de sua própria corte. E se todos acabam concordando com (ou temendo) seus poderes, por que não fomentar intrigas, instigar ódios, sem indispor-se diretamente com ninguém, desfilando seu sorriso pelos salões?

E foi nisso tudo que pensei depois da conversa com a minha amiga. Se alguém sumariamente se afasta de mim após dar ouvido a mexericos engendrados por uma alma vil, só posso agradecer ao que alguns chamariam de anjo da guarda por ter retirado pessoa tão mixuruca do meu campo vibracional. Só preciso dos seres de luz.

Além do mais, não posso tirar minha alegria do caminho pros desventurados passarem com suas dores. Afinal, eles é que são especialistas em recolhimento para a sombra, seu habitat, de onde espreitam e tentam atentar contra os que realmente vivem.

Por isso uma das minhas histórias favoritas é aquela que Caetano Veloso contou numa antiga peça publicitária, numa das primeiras campanhas do Natal Sem Fome, que era mais ou menos assim:

Um viajante de passagem por uma cidade reparou num homem que discursava na praça. Ele falava de solidariedade, justiça, compaixão. Versava sobre os males do materialismo e clamava pelo amor ao próximo. Insistia na necessidade de modificar a forma de enxergar o mundo e fazer dele um lugar melhor. O viajante também reparou que pouca gente parava para ouvir o que homem tinha a dizer, outros passavam e riam-se dele. Era chamado de louco. O homem, entretanto, continuava impávido.

Alguns anos depois, o mesmo viajante, passou pela mesma praça e viu o mesmo homem fazendo o mesmo discurso. Também era a mesma a reação das pessoas. O viajante dessa vez fez mais que observar: foi falar com o homem.

- Você não se cansa de falar dessas coisas nobres e bonitas pra essas pessoas que não querem ouvir e não podem entender o que você fala? Não vê que elas não vão mudar? Por que você não pára?

- Não posso parar. Senão eles terão vencido. Eles é que terão me modificado.

31.5.04

Hoje não vou assistir a telejornal.
Do jornal, só a parte cultural.
Fiz uma relação de nomes que precisam ser chamados.
Peguei meu livro. Fechei a porta. Deixei a boca maldita de fora. Que morda a própria língua e faleça. Quero só a minha história.
Entendi o que estava me intrigando. Não é bonito, mas é uma resposta. Preciso dormir longamente para digerir meu boi. Sapos andavam me dando soluços.
Ano de faxina histórica é assim: a gente faz feng shui sem nem se dar conta.
Agora é sentar, por os pés pro alto, puxar a manta sobre as pernas, curtir a literatura e o chá.
E respirar.

28.5.04

Ganhei um tratamento capilar de presente e quase deixo o prazo expirar neste mês corrido.

É muito bom usufruir de paparicação profissional sem gastar dinheiro com isso. E sair de lá mais bela? Ainda melhor.

Depois um chocolate quente que a tarde fresca pedia.

Mas na saída do shopping, ali na calçada, aparentemente o local combinada para o encontro, uma turma colorida e barulhenta me chamou a atenção. Elas tinham cabelos cor-de-rosa. Eles pinos metálicos em partes exóticas do rosto e do corpo. Uns de roxo, outros de preto, saias curtas, mangas compridas. Estavam excitados. Todos levavam bolsas grandes e malas. Uns trinta. Iam viajar.

Eu já preocupada com o meu atraso para o trabalho, não sabia se tinha algum festival de rock na cidade ou em algum lugar para onde eles estivessem indo. Acho o estilo interessante, mas ficaria ridícula se usasse a palavra "sinistro", quanto mais se copiasse a roupa daquelas meninas.

Ganho coisas grátis porque as pessoas me querem conquistar como consumidora.

Mas não posso por a mochila nas costas numa sexta-feira à tarde e sair por aí.

27.5.04

O entusiasmo conduz ao sucesso. A falta de entusiasmo só produz desculpas.

Walter Chrysler, fundador da Chrysler

"A oportunidade é como ferro: devemos batê-lo enquanto estiver quente."

José Hernandez

Errare humanum est.
Já que um dos sintomas da loucura é não perceber quando ela toma conta, talvez eu não devesse me alegrar tanto por ter mantido a lucidez diante da enxurrada de acontecimentos e tarefas dos últimos dias.

25.5.04

Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos.
(II Coríntios 12:14)

24.5.04

Maribel era sonsa. Aprontava seus números diante das pessoas certas e depois dissimulava com tanta perfeição diante dos demais que fazia com que suas vítimas até duvidassem do que tinham testemunhado.

Maribel desviava, conspirava, intrigava, usurpava, caluniava, difamava e mentia com cara de anjo e o povo quase lhe agradecia.

Maribel tinha de graça casa, comida, roupa lavada. E maldizia seu anfitrião, queixando-se a todos dos maus tratos que lhe impingiam.

Maribel não ganhava para seu sustento porque jamais trabalhara, mas nada lhe faltava porque sempre havia alguém que caia em sua troça.

Maribel tinha bons modos à mesa e fala mansa. Sabia contar piadas inocentes e era farta em bajulação.

Maribel armava o circo, tacava fogo e se ia embora.

Maribel estava sempre adoentada quando lhe pediam algum favor e esbanjava saúde quando era hora de gozar a vida.

Maribel usava sapatinho bonito, cabelo bem penteado e perfume francês. E pensava que escondia de mim o pé de bode, o chifre e o cheiro de enxofre.
You will know them by their fruits. Grapes are not gathered from thorn bushes nor figs from thistles, are they?
Matthew 7:16
A palavra da semana é LONGANIMIDADE.
O melhor presente que alguém pode dar a si mesmo é concientizar-se da própria responsabilidade sobre seu destino.

Enquanto se permanece culpando as outras pessoas, as contingências, o passado, ou seja lá o que for, não se evolui. É muito comum ver pessoas assim esforçando-se muito para não afundar, mas afundam sempre, porque são incapazes de reconhecer que estão fazendo o movimento errado.

Quem já tentou salvar alguém que se afoga sabe que isso é um perigo. O pânico faz com que o afogado puxe seu salvador para o fundo junto com ele. Com técnica, imobilizando, agarrando-o da forma adequada é possível ajudar e sair vivo. Caso contrário, jogue a bóia, mas não se aproxime demais.

Alguém que cava a própria ruína por toda a vida, rumina com morbidez suas tragédias e fracassos e ainda joga seus fardos sobre quem lhe cruzar o caminho não pode reclamar da infelicidade já que seu comportamento é como se a regasse diariamente.

Tornar-se leve aos ombros alheios, ao contrário do que possa parecer ao olho mais imediatista, agrega muito mais que chantagem emocional baseada em auto-comiseração.

Ninguém consegue amar quando está sobrecarregado.
Too much...

20.5.04

Em Utopia hoje tem chocolate quente, edredon e cafuné.
Na batata o que rola é dieta, microcomputador e muito trabalho.
Tem nada não.

18.5.04

Não sou rancorosa. Minha raiva, principalmente em relação às pessoas de que gosto muito, dura bem pouco. Mas... Sim, tem sempre um mas...

1 - Preciso verbalizar tudo o que me angustiou. Enquanto não ponho pra fora o que está me incomodando, minha relação com a pessoa fica envenenada e não consigo ser natural. Depois que falo (e ouço), as coisas voltam ao normal. Muitas vezes, apenas só pra mim.

2 - Fico irritadíssima quando quem pisou na bola comigo fica me paparicando para se desculpar. A puxação de saco só faz me lembrar o tempo todo do vacilo. Se quiser pedir desculpas, peça. Se tiver alguma coisa a esclarecer, esclareça. Mas não fica me adulando. Solta o texto e me dá um tempo para equalizar o pH do fígado.

3 - Facada nas costas não cicatriza.

4 - Certos casos nada tem a ver com perdão ou esquecimento. É só antipatia mesmo.

5 - Errar é humano, persistir no erro me causa náuseas eternas.

17.5.04

A semana passada foi bastante cinematopgráfica pra mim. Teve Kil Bill (argh! bleagh! puft!) na segunda, Duplex na quarta, Invasões Bárbaras em dvd na quinta e Diários da Motocicleta no sábado.

Invasões Bárbaras parece jiló, que eu adoro, mas é bem amargo. Fiquei
pensando num monte de coisas que acabaram se encaixando depois com o que senti ao assistir a Diários da Motocicleta. O último foi uma experiência maravilhosa. O filme é bem feito, bonito e, na falta de um adjetivo melhor, importante, muito importante nesses dias que correm. Ele me provocou uma avalanche de emoções (ainda mais, como disse, tão próximo de Invasões Bárbaras) que achei difícil colocar em palavras. Só conseguia pensar algo como:"A pior parte da vitória deles foi ter aniquilado o sonho."

E então, li este artigo na coluna Entre Nós do Pedro Blank, na Revista de Domingo do JB e me senti um pouco aliviada por ter encontrado alguém que entendesse o tipo de coisa que estava se passando em mim naquele momento.

Destaquei a parte que mais me tocou em negrito.




O Generoso Che

Nossos escritos são nossas próprias leituras do mundo e, curiosos como
naturalmente somos, procuramos encontrar alguém que pense da mesma forma, nos basta ao menos um. Acontecendo, permitimos que outros possam discordar de nós totalmente e até venham a gerar uma nova forma no nosso próprio ato de ler". (...)os escritos não passam de uma leitura do mundo que traz para perto os semelhantes e estabelece contato com os diferentes. Meu próximo não é meu semelhante, costumava dizer um dos meus mestres preferidos, o psicanalista mineiro Célio Garcia.

(...)Contração receptiva, eis o mistério do que chamamos de relação e que se reflete na comunicação que tecemos nesta página. Um mestre cabalista do século 16, o Ari de Zfat, da Galiléia, fez a pergunta: se tudo é Deus, como pode haver mundo? De modo surpreendente, concluiu que Deus se contraiu para que pudesse haver um espaço desocupado de sua presença e onde o mundo pudesse existir. Neste caminho, outros sábios construíram uma visão em que a relação entre os homens só pode existir à medida que aprendemos a contrair a mente para que o outro se faça mundo. É esse o motor de toda generosidade.

Generosidade é atitude que só surge se aprendemos a contrair a nossa mente egoísta por natureza e deixamos que o mundo nos afete e nos surpreenda. Esta generosidade tão fora de moda é que levou o jovem Che, montado na La Poderosa, a encontrar no meio da selva amazônica o início de uma vida doada ao próximo radicalmente diferente dele, os internos do leprosário de San Pablo. O que impressiona na viagem conduzida por Walter Salles no filme Diários de motocicleta é a ausência de discursos calcados em mensagens partidárias pré-fabricadas. Trata-se, isto sim, do antigo apelo que a mente bíblica trouxe para o mundo; a descoberta da existência do outro nos obriga a um compromisso de responsabilidade com ele. É a generosidade comprometida do jovem Che que o atira no Rio Amazonas em direção ao leprosário isolado pelas águas caudalosas e o leva a encontrar, em uma terceira margem, um destino hoje chamado de idealista com certo tom de desprezo. O desejo de libertar os abandonados da impiedosa indiferença a que são submetidos aparece no filme como resultado desta estranha e radical conversão ao outro.

O maior trunfo do neoliberalismo não é o papo do fim da divisão entre
esquerda e direita. A grande vitória do capital sobre a generosidade é a transformação do sentimento de indiferença numa atitude banal e presente em nosso dia-a-dia.
Indiferença e cinismo que nós cariocas vemos diariamente nas jogadas politiqueiras de nossos governantes e que vamos passivamente incorporando às nossas vidas junto com o medo que enclausura os corações e constrange as mentes. Mas, para ser realista, não acredito que a idéia da contração receptiva interesse a quem realmente precisa dela, os egos expandidos do poder achariam este papo um grande despropósito. A contração e a generosidade acabam sendo o objetivo de uma minoria persistente, uma ilhota de esperança no mar da indiferença.

16.5.04

O Arauto entra e anuncia o rei. (...)

Entram o Grão-duque, a Grã-duquesa, o Ministro e o Funcionário Honesto.

Tecelão - Excelência, quanta honra! (uma reverência) Aproximem-se, Excelências. Apreciem nossa obra.

Eles aumentam a luz. Tiram o pano que cobre o tear. O Grão-duque e a Grã-duquesa arregalam os olhos.

Tecelão - Vejo que estão admirados, Excelências, com nosso tecido...

Tecelã - Espantados com o nosso trabalho. Foi difícil e demorado. Passamos noites trabalhando.

Tecelão - Noites e noites...

O Alfaiate dá pulinhos atrás do Grão-duque.

Funcionário Honesto e Ministro - Oh! Oh! Oh!

O Grão-duque (para o público) - Oh, Jesus, sou um idiota! Um incompetente! Um burro! Que será de mim quando meus súditos souberem disto? Finjo tudo. Vou fingir que estou vendo.

Grão-duque - Senhores tecelões de ouro, estou realmente admirado! Tanta formosura, tanta beleza num tecido! Que maravilha. Veja, Alfaiate, pegue, admire! (o Grão-duque faz a mímica de pegar o tecido no tear vazio)

Grão-duque - E você, querida esposa... já viu tecido mais rico? Não é divino?

Grã-duquesa - Sim, querido!

Tecelão - Vejam os rococós.

Todos - Magníficos.

Grã-duquesa - Sim, querido.

Tecelã - Apreciem os bizurados!

Todos - Fantásticos!

Tecelão - Notem as quizumbas!

Todos - Fenomenais!

Grã-duquesa - Sim querido! (mais alto)

Tecelã - Observem os fricotes!

Todos - Chocantes!

Grã-duquesa - Sim, querido! (mais alto)

Grão-duque - Estou estupefato! Es-tu-pe-fa-to! Nunca vi tamanha obra de arte! Mal posso esperar pra ver o tecido transformado em trajes que usarei triunfalmente para que o povo me admire. Será minha milionésima qüinquagésima roupa. Tecelões, confio a tarefa a vocês. Comecem agora a fazer o mais lindo traje do mundo com o mais maravilhoso, misterioso dos tecidos!

Tecelã - Sim, meu senhor (ajoelha-se). Sob as ordens de Vossa Excelência e a bênção de Deus o faremos!

Tecelão - Cumpriremos a nossa missão!

Grão-duque - Então, mãos à obra.

Saem todos. Os dois vigaristas ficam a sós, dão gargalhadas, rodam o corrupio.

Tecelão e tecelã (para o público) - O que é a humanidade...


(Trecho da peça O Alfaiate do Rei, de Maria Clara Machado, baseada no conto de Hans Christian Andersen A Roupa Nova do Rei)

14.5.04

Sei lá porque, o Blogger não deu as caras por aqui ontem. Deve ser adaptação ao novo sistem, sei lá. De qualquer forma, estes são os posts acumulados enquanto Blogger está fora do ar:

"Se alguma mulher roubar seu marido, vingue-se: deixe que ela fique com ele."




Sobre o protesto de ontem dos funcionários do Pesagro, que distribuiriam 2.000 galinha, diz o JB hoje, na primeira página que eles "melhoraram o jantar de quem trabalha no Centro do Rio".

E fiquei pensando cá com meus botões: quem ainda abate frango em casa? Porque, que nem criança urbana, criada longe de fazendas e grandes quintais, eu mal consigo estabelecer conexão entre aquele animal cheio de penas e o mirrado filé de peito grelhado da minha dieta. Será que é sintoma de esquizofrenia não associar aquele pedaço de carne congelada do supermercado àquele bicho engraçado e dado à ciscadas?

Não consigo comer animal que eu vi vivo. Costumo dizer que se minha vida fosse mais rural, acabaria por virar vegetariana. Já vi muita galinha ser abatida nos fundos de casa pra poder contar pra vocês: meninos, não é uma coisa bonita de se ver.

Além disso, herdando a vocação do meu pai, minha irmã também é veterinária e de vez em quando, nos tempos de faculdade, levava uns frangos pra estudar em casa. Bem, não eram os frangos o seu dever de casa, eram os vermes dos galináceos. Depois de ter contaminado minha retina com aquelas imagens era pra eu nunca mais experimentar a ave. Fazer o quê? Sou sem-vergonha mesmo.

Mas a foto da cacarejante me fez imaginar o sujeito voltando da hora do almoço com a penosa de baixo do braço pro escritório. Será que amarrou o bichinho ao pé da escrivaninha? E ainda, sobraçando a bicuda enquanto espera o elevador, encontra a mulher, também ela voltando do trabalho e mostra orgulhoso o futuro jantar. Quem se encarregará da degola? Quem ainda se lembrará dos rituais? Em que parte do minúsculo apartamento fazer isso? Que estranho processo leva os construtores a entregar imóveis cada vez mais reduzidos em suas dimensões a uma população cuja altura média cresce visivelmente e quando floresce a geração canguru? Quem matou Lineu Vasconcelos? Perguntas que não querem calar...

Felizmente nos dias de hoje podemos devorar nossos fasianídeos com farofa e hipocrisia à mesa sem nos preocuparmos com a morte e o sangue no tanque de roupas. Fico muito contente em trazer pra casa meu prato do dia já depenado, sem pele e quiçá desossado.

Não sinto a menor nostalgia dos tempos de perseguição e decapitação no quintal. Por isso não sou como os saudosistas que vivem a chorar pelo tempo que se foi. Lembro daquela frase do saudoso sambista João Nogueira que dizia que não é que os carnavais de antigamente fossem melhores; você é que não tem mais dezoito anos.




Transcrição na íntegra das palavras de Lúcia de Jesus que contêm a revelação da primeira e segunda partes do segredo de Fátima escritas por Lúcia no ano de 1941 e conhecidas logo a seguir:

"(...) o segredo consta de três coisas distintas, duas das quais vou revelar. A primeira foi pois a vista do inferno! Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados nesse fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras , ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saiam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.

Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e acrosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros.
Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu; que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição) se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor.
Em seguida, levantamos os olhos para Nossa Senhora que nos disse com bondade e tristeza: Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores, para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração.

Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo dos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz".


Terceira parte do Segredo de Fátima, revelado em 13 de Julho de 1917, em Fátima, eue a Ir. Lúcia dos Santos, a única das três videntes ainda viva, redigiu em 03 de Janeiro de 1944:

"Escrevo, diz Ir. Lúcia, em ato de obediência a Vós meu Deus, que me mandais por meio de Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Bispo de Leuria, e da Vossa e minha Santíssima Mãe. Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um anjo com uma espada de fogo na mão esquerda.
Ao cintilar despedia chamas que pareciam incendiar o mundo. Mas, apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte dizia: - Penitência, penitência, penitência.

E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas no espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca. O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meia em ruínas e meio trêmulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho.

Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as almas que se aproximavam de Deus."

12.5.04

Ligaram ontem da escola para que eu fosse buscá-lo mais cedo porque apresentava sintomas da epidemia do momento: conjuntivite.

Como ele teria que ter um atestado médico para hoje, fosse garantindo que não era contagioso e que ele poderia freqüentar as aulas ou abonando suas faltas, de lá fomos direto para oftalmologista. Conseguimos o último horário do dia na clínica. O pai passou de carro pela escola e por aqui em casa porque a carteirinha do plano de saúde estava comigo. Resolvi ir junto, na última hora, embora tivesse um compromisso profissional marcado em Copacabana às 19h00. Ia dar tempo.

Ele veio chorando no carro, aborrecidíssimo porque não poderia ir à aula de vôlei. Na sala de espera do consultório, observei sua apreensão, porque ele não conseguia se manter sentado. Ao contrário do normal, nada prendia sua atenção, nem a onipresente TV, nem as revistas, nem o game do celular, nem o papo de mãe tentanto tranquilizar o filho.

A médica, já conhecida, mal conseguia andar. Era o último horário de seu último dia antes da licença maternidade. No primeiro exame verificou-se que o menino está com dificuldades para enxergar. Ele, ainda mais contrariado, ouviu quando ela disse que depois que terminar a infecção, ele deve voltar para um exame mais detalhado. Provavelmente terá que usar óculos. Pinga colírio. Protestos inúteis. Aplica anestésico. Aí, isso arde muito! Não fique nervoso, só vou mexer na pálpebra pra ter certeza. Ei, não faz isso. Não se joga desse jeito que...

Bum! Ele caiu desmaiado pra trás e bateu com o parte posterior da cabeça com toda força no chão de granito. E ali ficou, com os olhos abertos e sem qualquer reação, completamente desacordado. Só me dei conta de que eu estava gritando quando a recepcionista entrou no consultório com ar desesperado para ver o que estava acontecendo. Olhei para a médica. Ela estava quase tão assustada e surpresa quanto eu. Não sei fazer parto e a barriga dela parecia maior que nunca.

Próxima parada: pronto-socorro infantil. O gigantesco galo cantava retumbantemente. O garoto só reclamando de fome e muito sono. Oh, céus! Sono não. Cadê o neurologista? Compromisso em Copacabana? Que compromisso em Copacabana? Cliente esperando retorno de ligação? Amanhã é outro dia.

Raio X. Ficha a preencher. Pesa, mede, examina. E então, doutora? Talvez seja necessária uma tomografia. Talvez seja necessário internar para ficar em observação. Alergia a algum alimento?

Finalmente o neurologista chega. Antecedentes? Não. Histórico familiar? Não. Ô garoto, você tava nervoso por causa do exame? Bingo! Ele até deu um nome bonito e pomposo pra esse tipo de reação de medo, comum em crianças em relação aos procedimentos médicos, mas já não estava mais ouvindo, tamanho o alívio.

O restaurante que eu quiser, mãe? A comida que eu quiser, pai?

Muita pizza no rodízio da Parmê pra comemorar que do coração não morremos mais.

Mas adivinha quem passou a noite em claro, levando muito a sério, corujamente, a recomendação de observação!

11.5.04

Kill Bill


Uma vez assisti na televisão a uma entrevista Maria Adelaide Amaral em que ela falava sobre a língua e os povos. Ela contava de uma viagem de carro que fazia com amigos brasileiros pelo interior de seu Portugal natal quando resolveram parar e pedir informações:

- Com licença, senhor. Bom dia. Esta estrada vai para a Espanha, perguntou um de seus companheiros de jornada.
- Se for, respondeu o lusitano abordado por eles, há de nos fazer muita falta.

A autora usava o episódio para ilustrar as diferenças entre o idioma português falado no Brasil e aquele usado na terrinha, observando que eles diziam muito sobre o caráter de cada povo. Concluiu afirmando que não é o gênio da nação que molda a língua, mas a língua que determina os limites do pensamento da nação.

Algo como o defendido por George Orwell no livro 1984, onde uma nova língua é imposta. Assim, especulava o grande escritor, sem palavras como “liberdade” seria impossível dominar seus conceitos.

E ainda havia um artigo que li uma vez que aventava a hipótese de as expressões em cada idioma acabarem por entregar as mazelas de cada civilização. Um flagrante, por exemplo, no Brasil seria “ser pego com a boca na botija”, o que indicaria o delito de quem furta para saciar a própria fome, traindo a endêmica miséria. Já em inglês, “caught with a smoking gun”, traduziria o traço armamentista dos estadunidenses.

Arrisco ao ir um pouco mais longe dizendo que todo o produto cultural de um país é a transpiração de sua essência em termos de sentimentos e visão da vida.

Kill Bill
fala muito mais do que deveria sobre a substância da gente que na primeira metade da primeira década do novo milênio já invadiu dois países, sustentou um golpe de estado na América do Sul e apoia incondicionalmente todas as insanidades israelense. Kill Bill também deixa escapar que tipo de alma habita jovens que resolvem seus problemas saindo um dia para a escola com o irredutível propósito de chacinarem todos os seus colegas e professores. Kill Bill imprime na tela o mesmo sorriso que a soldado torturadora tinha no Iraque. Kill Bill espirra sangue e o mal gosto. Kill Bill pretende transformar em arte o grotesco, evocando a honra samurai, assim como Bush pretende convencer o mundo de que sua sanha petrolífera tem a ver com Deus e o espírito dos pais da América, que devem estar se revolvendo em seus túmulos. Kill Bill entrega tudo. Com o risco adicional de ser uma retroalimentação.

Uma débil esperança me faz acreditar que depois da publicação das fotos hediondas o mundo vai acordar e começar a agir em relação às arbitrariedades do império e talvez até acabe com a vergonha para a humanidade chamada Guantanamo e outras bases ianques espalhadas pelo globo. Também me permito crer que não financiando mais produções como essas com o suado dinheiro do meu ingresso posso ajudar - como o beija-flor que transporta em seu bico a água para apagar o incêndio da floresta – a transformar este mundo num lugar melhor, onde pessoas como Tarantino recebam tratamento de saúde adequado ao seu caso.

Se perder essa fé, talvez acabe concordando com aqueles que apontam o roteirista e diretor como genial e eu deva me auto-flagelar por ser tão inculta e não dominar o universo citado em seu filme, por não admirar o desrespeito à vida humana, por não vislumbrar toda a plasticidade de uma mutilação, de uma decapitação, de uma chacina, de uma multidão sanguinolenta gemendo.

Kill Bill é a obra perfeita para quem prefere deixar de lado tudo de bom com que os Estados Unidos brindou o mundo - desnecessário desfiar exemplos como rock’n’roll e Woody Allen - e escolhe a cardina e o chorume do Tio Sam.

10.5.04

Eu sei, você tá achando tudo uma bosta.

Mas já reparou que:

* já são dois anos sem mortandade de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas?
* os manguezais dão sinais claros de crescimento?
* os socós começaram a voltar à região?

Você é uma das 50 mil pessoas que desfrutam as delícias da Lagoa nos finais de semana? Aproveita o local privilegiado pra umas caminhadas?

Já reparou o que está diante de você quando sai do Túnel Rebouças?
Fico abismada com a quantidade de Medéias que encontro.

Essas mulheres mal-amadas e/ou traídas que usam os filhos para punir e torturar (ex-)maridos podem até ratificar um dos mais antigos mitos da humanidade, mas que é nojento, covarde e pesadão pro carma, não há dúvidas.
Respondendo a um e-mail (com adaptações):

Vejo muitas meninas hoje reclamarem dos garotos que exigem super-mulheres perfeitas em todos as novas necessidades dos novos papéis, sem descuidar em nada do velho roteiro da Amélia e da mulher de Atenas.

Sabe que eu venho de um ponto no tempo e no espaço que ainda se valorizava a virgindade. Minha mãe, mesmo dando um excelente educação sexual pra mim e minhas irmãs, vivia repetindo que os rapazes não queriam casar com meninas que não fossem virgens. Até que um dia respondi pra ela que era eu quem não queria me casar com um homem tão inseguro que tivesse que se calcar na virgindade da moça.

Pois esses moços impertinentes não servem para nós, mulheres cheias de qualidades, mas passíveis de falhas pela própria condição humana.

Mas temos que tomar cuidado para não virarmos uma versão feminina desses chatos, exigindo deles o impossível.
No sábado, mais uma vez, fui à Portela para um de seus almoços de samba. Adoro o ambiente de samba. Há sempre uma aura de confraternização, uma felicidade contagiante, um prazer...

E cada dia vejo que isso é o contrário do que ocorre com outra grande riqueza da cultura nacional, o futebol. O esporte bretão anda rodeado de violência dentro e fora dos campos, muita briga, muita morte. Da minha janela, observo as torcidas indo e vindo. Enquanto nas escolas de samba, independente da competição, há sempre respeito pelas adversárias, no futebol, faz parte da graça espezinhar o oponente.

Noto - em algumas torcidas isso é mais evidente - que ainda mais comemorada que a própria vitória é a derrota do rival. Se você duvida, procure um vascaíno num dia em que o time cruzmaltino arrebenta a boca do balão e depois num dia de derrota do rubro-negro. É fácil constatar que nada lhe dá mais prazer que ver o Flamengo perder. Se for vexaminosamente, tanto melhor.

É por essas e por outras que acho que um ciclo do futebol brasileiro está encerrado. Talvez também faça parte do processo o enfraquecimento dos times cariocas, com sua jugular entregue aos cartolas. Outra razão poderia ser o fato de os jogadores não mais fazerem a bola rolar por gosto pelo esporte ou por amor ao seu clube. Joga-se pelos grandes deuses, o dólar e o euro. Tão logo conseguem alguma projeção, os rapazes arribam para o Velho Continente, para as Arábias, para a Terra do Sol Nascente. Fica por aqui quem (ainda) não conseguiu se destacar, quem não se adaptou e voltou com rabinho entre as pernas, quem já deveria ter se aposentado. Enfim, o sobejo.

E é dessa lavagem que se faz o futebol que se joga no Brasil hoje.
A cara nova do Blogger está muito bonitinha. Ainda estou testando pra ver se ficou mais prática também.

Ele está de volta, com carga total. Por favor, visitem e comentem.

6.5.04

Século XX - década de 40:

AI, QUE SAUDADES DA AMÉLIA
(Ataulfo Alves e Mário Lago)

Nunca vi fazer tanta exigência
Nem fazer o que você me faz
Você não sabe o que é consciência
Nem vê que eu sou um pobre rapaz

Você sé pensa em luxo e riqueza
Tudo o que você vê, você quer
Ai, meu Deus, que saudades da Amélia
Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado
E achava bonito não ter o que comer
E quando me via contrariado
Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!"

Amélia não tinha a menor vaidade
Amélia é que era mulher de verdade


Século XX - década de 70:

MULHERES DE ATENAS
(Chico Buarque - Augusto Boal/1976
Para a peça Mulheres de Atenas de Augusto Boal)

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem pros seus maridos, poder e força de Atenas
Quandos eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obcenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem por seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro, se encolhem
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas


Século XXI:

PAGÚ
(Rita Lee e Zélia Duncan)

Mexo e remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira sabe o que que é ser carvão
Eu sou pau pra toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Minha força não é bruta
Não sou freira, nem sou puta

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagú indignada no palanque
Fama de porra louca...tudo bem
Minha mãe é Maria ninguém

Não sou atriz
Modelo ou dançarina
Meu buraco é mais em cima

Porque nem
Toda feiticeira é corcunda
Nem
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho que muito homem



ELA É BAMBA
Ana Carolina

Ela é bamba
Ela é bamba essa preta do Pontal
Cinco filhos pequenos pra criar
Passa o dia no trampo pau e pau
Ainda arranja um tempinho pra sambar
Quando cai na avenida ela é demais
Todo mundo de olho ela nem aí
Fantasia bonita ela mesmo faz
Manda todas não erra a mira
Mãe passista atleta manicure diplomata
Dona da boutique enfermeira acrobata

Ela é bamba ela é bamba ela é bamba
Ela é bamba ela é bamba ela é bamba

Ela é bamba essa índia da Central
Vai no ombro um cestinho com neném
Oito quilos de roupa no varal
Ainda vende cocada nesse trem
Toda sexta ela fica mais feliz
Vai dançar numa boate do Jaú
Faz um jeito e já pensa que é atriz

Cada dia inventa um nome
Dora Isaura Emília Teresinha e Marina
Ana Rita Joana Iracema e Carolina

Ela é bamba

Ela é bala a mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz
Quando compra briga ela é demais

Vai no groove e não deixa desandar
Ela é pop ela é rap ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha
Laura Lígia Luma Lucineide Luciana
Quer seu nome escrito numa letra bem bacana

5.5.04

Tá legal!

É imaturidade dizer "Viu? Eu não disse?"

É crueldade dizer "Bem feito!"

Mas tem umas situações, para as quais a gente alertou, advertiu, aconselhou, em que o óbvio se cumpre e a gente tem que se prostrar rogando por maturidade e compaixão.

Haja antídoto para ignorância temperada com teimosia!
Graças a um trabalho que às vezes se torna bem duro, estou tendo muito contato com a Bíblia. Como tudo o que vivencio acaba se grudando à minha história e a mim, de alguma forma e já que esse blog, embora não seja um retrato, é um eco da minha vida, talvez eu sinta vontade de postar alguma coisa que me toque mais profundamente por aqui, com suas reflexões associadas ou não.

Tudo depende de impluso, vontade e tempo, o que não é mau.

Mas, talvez, esta vontade não surja mais, simplesmente por seguir os ensinamentos contidos nas mensagens que enviaria.
Sabe o que é melhor do que assistir um show de uma artista cuja carreira que você vem observando de longe há tempos?

Assistir a este show no espaço VIP.

Sabe que é mais bacana que assistir àquele show especial no espaço VIP?

Receber um telefonema informando que você foi sorteado e vai para o espaço VIP em esquema BLT (boca livre total).

O que, além da companhia já confirmada do homem da sua vida, poderia ser mais legal que isso?

Um amigo de fora da cidade ligar e marcar de encontrar com você lá.

4.5.04

"O mundo pertence aos otimistas; os pessimistas são meros espectadores."
Eisenhower

"De nada vale tentar ajudar aqueles que não se ajudam a si mesmos."
Confúcio

"O pessimista considera o sol apenas como um fazedor de sombras."
Décio Valente

"Os fracos acomodam-se... Os fortes lutam por uma melhor posição na vida."
Dinamor

"Nunca está só quem possui um bom livro para ler e boas idéias sobre as quais meditar."
Renato Kehl

"Nada tem qualquer poder sobre mim, além daquilo que permito por meio de meus pensamentos conscientes."
Harold Hoppkins

"Há pessoas que não sabem viver sem depender dos outros.São como certos animais que só vivem bem quando têm dono."
Célio Devenat

"Há um momento que é preciso parar de sonhar ....... e partir."
Amir Klinck

"Nada jamais será tentado, se todas as objeções possíveis tiverem de ser superadas antes."
Samuel Johnson

"Qualquer um pode ficar zangado - isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na intensidade correta, no momento adequado, pelos motivos justos e da maneira mais apropriada - isto não é fácil. "
Aristóteles

"O que somos é conseqüência do que pensamos."
Buda

"Pelos erros dos outros, o homem sensato corrige os seus."
Oswaldo Cruz
Você conhece a Valquíria?
"Quem inicia a Busca sabendo o que vai encontrar, está longe da verdade".

3.5.04

Estranhos no paraíso
(Paulo Blank)


Não fosse a cobra, falaríamos todos a mesma língua clara, sem subterfúgios. Foi ela que introduziu a sedução como modo de desviar o outro do próprio caminho. Sua fala enganadora nos expulsou do paraíso da transparência. Foi sobre isso que conversei com o vendedor de cachorro-quente na esquina de casa, em Botafogo. Gilberto, um Bíblia, como se dizia, vive pregando e tentando me converter. Inteligente, daria bom pastor de almas. Ando até pensando em propor-lhe uma esquina de estudos bíblicos, um Café Philo tropical.

Quando passei, Gilberto me saudou com o Shalom de sempre e puxou papo. Dia quente de céu azul, o cheiro do cachorro-quente enchendo o ar, os carros passando, entabulamos uma conversa que já inventou um povo e está em vias de criar outro. Refiro-me ao apego ao texto bíblico e ao desejo obsessivo de não parar de extrair mensagens dele. Hábito que eu e Gilberto cultivamos com prazer. Só que há duas maneiras de entrar neste pomar secreto. Uma é penetrar as palavras sabendo que ali podemos encontrar uma infinidade de sentidos. Outra é fazer todo mundo ler pela mesma cartilha e, se alguém entender diferente, vêm as expulsões e as excomunhões para deixar claro qual a largura da estrada que o pensamento pode trilhar sem oferecer perigo.

Agora éramos três na esquina. De calção e chinelo, o recém-chegado foi dizendo: "Para entrar no céu tem que quebrar o ego". Olhei espantado, o homem me tocou. Quis saber de onde saíra aquela conversa budista de quebrar o ego e me mostraram o livro. Guardado com carinho numa pasta de plástico transparente, fechado com zíper a salvo de respingos impuros de fritura, o livrinho surgiu nas mãos do Gilberto. O autor é japonês, só podia. Argumentei que esta contribuição era do Oriente e eles, dois sábios seguindo a estrela de Belém, concordaram. Pouco a pouco, uma ponte de entendimentos de erguia sobre a fumaça do cachorro-quente e o abismo social que nos separa. A miscigenação holística dos trópicos dava vida às palavras geradas no ardor do longínquo deserto. Esqueci de dizer, um fícus centenário lança enorme sombra sobre a esquina, abrigando passantes que param para um lanche ou uma conversa bíblica.

Quando a cobra entrou no papo, peguei um guardanapo e anotei: narrash. Em hebraico, a língua em que a história foi escrita, cobra é narrash. Ao lado escrevi nirrush, que significa adivinhação. Os sábios antigos concluíram, comparando as palavras, que a cobra era sedutora e falava por alusões misteriosas como falam os adivinhos quando querem impressionar. O seu nome já dizia quem era. A cobra, o tal narrash, introduziu no paraíso o papo envolvente. Antes, Adão e Eva eram seres de luz. Sua relação era transparente, suas palavras claras. Depois de comer a fruta da enganação, Eva transou com a serpente e seu esperma misturado ao de Adão gerou filhos que perderam a luz divina da qual foram criados. Cobertos de peles, Adão e Eva ficaram opacos, perderam a existência translúcida e nós, descendentes desse triângulo pouco amoroso, vivemos até hoje falando através de vestimentas que disfarçam nossos objetivos. A cobra, como é fácil perceber, deixou vestígios. Prometemos coisas que não cumprimos, inventamos motivos que não existem, camuflamos sentimentos e intenções sob camadas de peles rugosas para que outros não percebam a luz de nossas intenções. E, quando alguém resolve falar claro, sem subterfúgios, é chamado de radical e, num julgamento cheio de cobras espertas, condenado ao desterro. Em certos países tropicais, estranhos são os que insistem em falar claro.

30.4.04

Compre!
DORIVAL CAYMMI
90 ANOS




A história da música popular brasileira passa obrigatoriamente pela música de Dorival Caymmi, que para nossa alegria continua firme e saudável ao completar hoje 90 anos.

Como não poderia deixar de ser, as homenagens pululam pelo Brasil afora.

A imagem da Bahia como é hoje no imaginário popular deve-se, em grande parte, à obra deste grande compositor. Mas ele, malandro velho, não se deixa pegar quando lhe perguntam porque mora no Rio e passa longas temporadas em Minas - seria ele realmente baiano, carioca ou mineiro? Ele sorri daquele jeito gostoso e responde com calma: sou brasileiro.

Viva Caymmi!




Pachorra

Contam que a música João Valentão demorou uma década para ficar pronta.

Quem compôs Suíte dos Pescadores, É Doce Morrer no Mar, A Preta do Acarajé, O que É que a Baiana Tem?, Só Louco, só para citar algumas, pode passar a vida cochilando na rede.

Amor

Hoje também é aniversário de casamento de Dorival Caymmi com Stella Maris. São 64 anos de um amor que começou na Rádio Nacional.

Prole

Outro aniversário comemorado hoje é o de Nana, a primogênita. Além dela o casal teve Dori e Danilo. Todos são talentosíssimos elementos da música popular brasileira. Assim, Caymmi, além de uma obra musical primorosa, enriqueceu a terra com seus genes.
O fio de raciocínio e conversa


Ele viu o post sobre o Guilherme de Brito e puxou papo:

- Você está com essa música na cabeça?
- Hum-hum. Quem gravou primeiro foi a Nora Ney, né?
- Acho que sim.
- Que de Nora Ney? Morreu?
- Não sei. Só sei que foi casada com o Jorge Veiga.
- Desse nunca ouvi falar.
- Ele cantava a música do bigorrilho.
- Minha mãe cantava essa música pra mim quando eu era criança.




[consulta, consulta, consulta]





Nora Ney (Iracema de Sousa Ferreira) gravou seu primeiro disco em 1952. Conquistou o disco de ouro como melhor cantora por cinco anos consecutivos. Foi eleita, em 1953, Rainha do Rádio. Ao longo dos anos 50, sua voz grave e dicção empostada (famosa por carregar nos erres) alcançou o sucesso cantando sambas-canção em casas noturnas e através da Rádio Nacional, da qual passou a fazer parte do elenco em 1952. Clássicos do período como Ninguém me Ama, Menino Grande (ambas de Antonio Maria), Só Louco (Dorival Caymmi) e Preconceito (Maria/Fernando Lobo) foram alguns de seus êxitos. Curiosamente, foi também uma das primeiras (ou mesmo a primeira, segundo alguns pesquisadores) a gravar um rock no Brasil, cantando Rock Around the Clock, de Bill Haley.

Apresentou-se nas Américas, Europa, África e Oriente Médio, tornando-se grande divulgadora da música brasileira em países nos quais era praticamente desconhecida (Rodésia, Chipre, China e a então URSS). Casou-se com Jorge Goulart em 1992, após 39 anos de vida em comum. Faleceu em outubro de 2003, na sua Rio de Janeiro natal, aos 81 anos.

Fontes: CliqueMusic, Enciclopédia da Música Brasileira Popular, Erudita e Folclórica (PubliFolha)




Bigorrilha

S. 2 g.
1. Indivíduo reles, vil, desprezível; bigorrilhas, bigorrilho.
2. Bras. RS Sujeito fraco metido a valentão.

(Dicionário Aurélio - século XXI)




Bigorrilho
(Paquito/Romeu Gentil/Sebastião Gomes)
Gravado em 1964, por Jorge Veiga

Lá em casa tinha um bigorrilho,
Bigorrilho fazia mingau,
Bigorrilho foi quem me ensinou,
A tirar o cavaco do pau,
Trepa Antonio, siri tá no pau,
Eu também sei tirar,
O cavaco do pau.

(bis)

Dona Dadá, Dona Didi,
Seu marido entrou alí,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair.

29.4.04

Conheci o Guilherme de Brito num carnaval em Conservatória. Aliás, fui parar em Conservatória no carnaval porque li numa entrevista que ele concedeu que era ali o lugar onde ainda havia carnaval de verdade.

A cidade (acho que nem é uma cidade, é um distrito) é uma gracinha, parece de boneca, parada no tempo e tem a tradição de atrair o pessoal da terceira idade. Nunca fui lá para desfrutar de sua principal atração, que são as serestas das sextas e dos sábados, mas gostei do carnaval, com seus blocos populares, sem nenhum traço de violência, tudo muito familiar. Como as coisas acontecem cedo, é ótimo para quem está com criança pequena e não quer abrir mão de divertir-se no período momesco.

A cidade tem algumas atrações pitorescas, mas elas podem ser exploradas em algumas poucas horas, pricipalmente para quem não tem os passos vagarosos dos anciãos. Assim muito tempo passamos sentados em cafés e bares, vendo a banda passar, literalmente ou não.

E de vez em quando sentava na mesa ao lado o ilustre compositor, que, descobrimos depois, estava hospedado no mesmo hotel em que estávamos. Do alto de sua elegância octagenária, ele envergava indefectivelmente um terno branco com camisa rosa e gravata verde. Tudo para homenagear sua amada Mangueira.

As pessoas aproximavam-se dele com carinho e respeito e ele tinha sempre um sorriso simpático para oferecer e uma caixa de fósforo à mão para acompanhar quem quisesse homenageá-lo cantando um de seus clássicos.

A fala de uma pessoa hoje me despertou a lembrança da música abaixo e fiquei feliz por esta lembrança ter puxado da memória o encontro com o grande mestre.






A Flor e O Espinho
(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)

Tire seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor

Eu só errei quando juntei
Minha alma junto à sua
O sol não pode viver perto da lua - BIS

É no espelho que vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d’água
Eu na sua vida
Já fui uma flor
Hoje sou espinho sem amor
"Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento."
I Coríntios 14, 20

"Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino."
I Coríntios 13, 11

28.4.04

O cavaco não cai longe do tronco.
Não é uma coisa "linda" para nos atacar com toda força num dia lindo e iluminadíssimo de abril, quando a gente tem acúmulo de trabalho para ser feito diante de uma tela de computador?

A insuficiência de convergência, causada por anormalidades no equilíbrio da musculatura extrínseca do olho, dificultando a convergência normal para os objetos de interesse próximos, gerará danos na interação das imagens de cada olho, exigindo esforço adicional para esta musculatura, com conseqüentes sintomas de fadiga, acarretando a Astenopia*.

O uso prolongado da visão com vícios de refração não corrigidos, levam as pessoas a terem sensações de turvação, dificuldade de fixação de detalhes, perda de linhas na leitura, cefaléia constante, ardência nos olhos, sonolência, náuseas, dores irradiadas para a nuca e pescoço, pontos móveis no campo de visão, que podem ser negros ou cintilantes e até tremores nas pálpebras.

*Astenopia - cansaço visual e que tem como sintomas fortes dores de cabeça e nos olhos provocadas pelo excesso de trabalho diante do monitor de vídeo.


Enquanto as novas sessões de exercícios ortópticos não vêm, haja Dorflex!!!

27.4.04

Tô cansada demais.

Será o tempo nublado?
Será muito trabalho?
Será uma virose?
Será resultado de tanta obra nos meus ouvidos?
Será a casa toda desorganizada?
Será medinho?
Será o Benedito?

Não importa. Lá vou eu.

Vruuuuuuuuuuuuuuuum.

26.4.04

'No final do dia, sucesso é saber que eu ajudei alguém.'

Victoria Conte
"O homem parado é com água estagnada: corrompe-se."
Latena



Anote na agenda:


1 - À meia noite cantarei sua trilha

Jornalista e produtor musical, Ricardo Soneto é daquelas figuras que sabem tudo de música. Mas não é só. Ele gosta de soltar a voz. E para este show, escolheu com capricho um repertório que inclui aquelas canções que fizeram com que nossos filmes favoritos ficassem ainda melhores. Ele canta acompanhado por um trio de jazz.

Cine Odeon
30/04/2004
à meia-noite



2 - MDC World Music, Lua Discos e Atelier Cultural apresentam:
Show de lançamento do CD A Música de Chaplin

Gilson Peranzzetta

1- Fox trot - The Idie Class (A Classe Indolente)
2- The ballet of bread rolls - The Gold Rush (Em busca do ouro)
3- Clown's apprentice - The Circus (O Circo)
4- Secrets in your eyes – A dog´s Life (Vida de Cachorro)
5- Non sense song - Modern Times (Tempos Modernos)
6- Wages and the wife - Pay Day (Dia de Pagamento)
7- The spring song - A king in the New York (Um rei em Nova York)

Leandro Braga

8- Jazz (Dancing on board ship) - A Day´s Pleasure (Um dia de Prazer)
9- Smile - Modern Times (Tempos Modernos)
10- The Clown´s last crazy Act" - Limelight (Luzes da Ribalta)
11- Dog´s life" - A Dog´s Life (Vida de Cachorro)
12- The organ waltz - The Kid (O Garoto)
13- A huge meal, thanks to the police - Modern Times (Tempos Modernos)

João Carlos Assis Brasil

14- Suite Chaplin
Non sense song - Modern Times (Tempos Modernos)
Dog´s life - A Dog´s Life (Vida de Cachorro)
Love song
Fox trot - The Idie Class (A Classe Indolente)
Debussy music - Pay Day(Dia de Pagamento)
Smile - Modern Times (Tempos Modernos)
The dictator - The Great Dictador (O Grande Ditador)
Jazz (Dancing on board ship) - A Day´s Pleasure (Um dia de Prazer)
Charlie´s theme - The Idie Class (A Classe Indolente)
Limelight/Smile - Limelight (Luzes da Ribalta)/Modern Times (Tempos Modernos)

Sala Cecília Meirelles
29/04/2004
19h00
R$10,00

25.4.04

Quitutes na casa (nova e linda) da Flavinha, pizza no Luigi, biscoitos palmier e canudinhos de chocolate da Casa do Alemão, língua de gato do Katz...

Quando (reparem que não usei a condicional; é assim que os sonhos se transformam em realidade) me mudar de volta para Petrópolis vou ter que pensar seriamente sobre reeducação alimentar.

É isso ou engordar, como da primeira vez, 10 quilos em 1 ano. E isso sem ter mais 17 primaveras e aquela saudosa facilidade de perder peso.