19.9.01
Chega uma hora em que não podemos nos enfiar embaixo da cama para esperar o desastre. Se o sistema em que vivemos tem algum mérito é o de permitir que todo e qualquer cidadão expresse suas opiniões. Nós, que amamos a paz, nos chocamos com os atentados, mas discordamos veementemente das medidas de guerra que estão sendo tomadas. Defendemos a prisão e julgamento dos agressores, mas não concordamos com o extermínio de milhares de civis inocentes que vem sendo anunciado.
Marília, uma amiga virtual, começou a pedir informações sobre sites onde pudesse manifestar o repúdio à guerra. A Fer surgiu com algumas sugestões. Recomendo a todos que visitem os links abaixo, deixem suas assinaturas e/ou opiniões e repassem para o maior número possível de pessoas.
1 - Working for Change - é uma carta para o presidente Bush solicitando uma solução pacífica.
2 - Café Utne - fórum e debate
3 - 9-11 Peace - Vamos romper o ciclo de violência
4 - Petição aos líderes mundiais contra a guerra - em português, espanhol, inglês, francês, italiano e alemão.
17.9.01
Uma urgência toma conta de mim.
Padeço com a sofreguidão dos que se despedem.
Demoro um pouco mais nos abraços.
Declaro meu amor com mais freqüência.
Faço ouvidos moucos para os agravos.
Danço a Macarena tendo a Baía da Guanabara como cenário e tomo chopp com amigos novos e de décadas.
Sorrio para todos na rua.
Estou tirando as manchas daquela camiseta pacifista e me engajando em todo e qualquer movimento pela paz.
Ando tão à flor da pele que até uma música antiga do Rei me faz chorar.
Padeço com a sofreguidão dos que se despedem.
Demoro um pouco mais nos abraços.
Declaro meu amor com mais freqüência.
Faço ouvidos moucos para os agravos.
Danço a Macarena tendo a Baía da Guanabara como cenário e tomo chopp com amigos novos e de décadas.
Sorrio para todos na rua.
Estou tirando as manchas daquela camiseta pacifista e me engajando em todo e qualquer movimento pela paz.
Ando tão à flor da pele que até uma música antiga do Rei me faz chorar.
14.9.01
Minha tia-avó faleceu ontem. Viveu uma vida feliz e parte quando já chegava aos noventa. Construiu uma família sólida e unida. Viu filhos, netos e bisnetos seguirem seus caminhos em paz. Nossa saudade é tranqüila.
Entretanto, minha madrinha, sua filha, não poderá lhe prestar pessoalmente as últimas homenagens. Nem minha prima ou seus filhos. Nem meu primo e os bisnetos que gerou para aquela que era a mais velha de nossa família. Estão todos nos EUA, alguns a passeio, outros residentes, alguns bem perto de onde aconteceu parte da tragédia, outros mais distantes. Todos tomados como reféns do terror.
Tristeza...
Mas em meios aos telefonemas familiares que informam horários e locais, a notícia: minha irmã do meio está novamente grávida.
Alegria e esperança.
A vida segue. Cíclica.
13.9.01
LOUCURA NÃO SE CURA COM MAIS LOUCURA
Outro dia comentava num grupo de amigos sobre o desejo revanchista de alguns ao presenciarem um crime hediondo. Defendia-se a pena de morte. São os mesmos que hoje defendem uma declaração de guerra, antes mesmo de saberem quem são os inimigos. Creio que nada melhora ao nos igualarmos aos criminosos.
Quando falo isso não defendo a impunidade. Não mesmo! Os crimes devem ser punidos com justiça. E justiça não é olho por olho dente por dente. Hoje no jornal leio que se houver retaliação, haverá re-retaliação e em breve não haverá olhos suficientes. Assim vejo. Matar um assassino não trará a vida perdida de volta. Apenas aplacará uma necessidade de vingança.
Perdão também não significa impunidade. O caso há algumas semanas na revista Veja sobre pai que ajuda o presídio onde os seqüestradores e assassinos de seus filhos estão detidos é um bom exemplo. Ele não defende que estas criaturas sejam
postas em liberdade, apenas conseguiu, com muito trabalho e exercício racional e de amor, retirar o ódio de seu coração. Se assim não tivesse sido, como ele mesmo declarou, poderia ter atentado contra os criminosos e alavancaria outra série de desgraças, sendo ele mesmo preso, deixando desamparadas a mulher e as filhas.
O sentimento de vingança, além de não repor o que foi perdido, geralmente volta-se contra seu agente, corroendo e envenenando, não raro desencadeando ainda mais desastres.
Ontem vi fotos de ruas de Nova Iorque. Pixações diziam: Matem os árabes. Cartazes exigiam um ataque ao Afeganistão. Nada disso trará de volta as dezenas de milhares de vidas perdidas e ainda causará a morte de outros tantos. Os culpados devem ser descobertos e punidos exemplarmente. Mas devemos estar atentos para este sentimento generalizado de ódio que cresce
contra o Islã, que abriga em seu seio milhões de humanos que nada têm a ver com toda esta monstruosidade.
Não podemos deixar de lembrar da lei da causa e efeito. É preciso recordar que o Talibã foi posto no poder pelos EUA e que o Iraque armou-se até os dentes com ajuda norte-americana, o apoio incondicional a Israel... Talvez os que comemoram hoje os ataques terroristas encontrem respaldo para esta insanidade em injustiças acumuladas por décadas. Eles estão certos? Não, não e não. Assim como não seremos justos ao apoiarmos uma retaliação que até o momento nem alvo definido tem.
Para concluir e enfatizar minha linha de raciocínio, vamos fazer um exercício de imaginação e supor que, como no atentado de Oklahoma, os responsáveis sejam cidadãos americanos. Seria apoiado com tanto imediatismo e naturalidade o bombardeio ao estado em que eles nasceram e foram criados?
Outro dia comentava num grupo de amigos sobre o desejo revanchista de alguns ao presenciarem um crime hediondo. Defendia-se a pena de morte. São os mesmos que hoje defendem uma declaração de guerra, antes mesmo de saberem quem são os inimigos. Creio que nada melhora ao nos igualarmos aos criminosos.
Quando falo isso não defendo a impunidade. Não mesmo! Os crimes devem ser punidos com justiça. E justiça não é olho por olho dente por dente. Hoje no jornal leio que se houver retaliação, haverá re-retaliação e em breve não haverá olhos suficientes. Assim vejo. Matar um assassino não trará a vida perdida de volta. Apenas aplacará uma necessidade de vingança.
Perdão também não significa impunidade. O caso há algumas semanas na revista Veja sobre pai que ajuda o presídio onde os seqüestradores e assassinos de seus filhos estão detidos é um bom exemplo. Ele não defende que estas criaturas sejam
postas em liberdade, apenas conseguiu, com muito trabalho e exercício racional e de amor, retirar o ódio de seu coração. Se assim não tivesse sido, como ele mesmo declarou, poderia ter atentado contra os criminosos e alavancaria outra série de desgraças, sendo ele mesmo preso, deixando desamparadas a mulher e as filhas.
O sentimento de vingança, além de não repor o que foi perdido, geralmente volta-se contra seu agente, corroendo e envenenando, não raro desencadeando ainda mais desastres.
Ontem vi fotos de ruas de Nova Iorque. Pixações diziam: Matem os árabes. Cartazes exigiam um ataque ao Afeganistão. Nada disso trará de volta as dezenas de milhares de vidas perdidas e ainda causará a morte de outros tantos. Os culpados devem ser descobertos e punidos exemplarmente. Mas devemos estar atentos para este sentimento generalizado de ódio que cresce
contra o Islã, que abriga em seu seio milhões de humanos que nada têm a ver com toda esta monstruosidade.
Não podemos deixar de lembrar da lei da causa e efeito. É preciso recordar que o Talibã foi posto no poder pelos EUA e que o Iraque armou-se até os dentes com ajuda norte-americana, o apoio incondicional a Israel... Talvez os que comemoram hoje os ataques terroristas encontrem respaldo para esta insanidade em injustiças acumuladas por décadas. Eles estão certos? Não, não e não. Assim como não seremos justos ao apoiarmos uma retaliação que até o momento nem alvo definido tem.
Para concluir e enfatizar minha linha de raciocínio, vamos fazer um exercício de imaginação e supor que, como no atentado de Oklahoma, os responsáveis sejam cidadãos americanos. Seria apoiado com tanto imediatismo e naturalidade o bombardeio ao estado em que eles nasceram e foram criados?
10.9.01
Vou te contar...
Ando sem paciência para certas coisas mínimas porque toda a (pouca) tolerância que eu arianamente tenho tem sido desviada para determinados aspectos da minha vida.
Frescura é uma destas pequenas coisas. Geralmente levo na brincadeira até porque sou um depósito de pequenas frescuras, mas tenho tido ímpetos de jogar na lata: meu filho, vai capinar um quintal ou virar um concreto.
Ando muito a fim de proferir frases não muito elegantes que começam com "vai prá..."
Tenho me sentido tentada a cuspir em cima de uns e outros os sapos que estas criaturas, sempre com as intenções mais nobres (como não poderia deixar de ser) andam querendo me fazer engolir.
Começo a desconfiar que o modelão que eu adotava antes, aquele de não levar desaforo para casa, precisa ser revisitado. Às favas o equilíbrio e a sobriedade da maturidade. Estou pelas tampas com este povo manipulador.
Já estou montada: saia rodada, tamancão e mãos nas cadeiras. O próximo a investir, leva a primeira.
24.8.01
A SEMANA QUE NÃO EXISTIU
Deixa quieto.
Já são quatro e logo a noite chega. Vou dormir cedo e torcer para amanhecer um sábado daqueles que chutam a gente para fora da cama e de casa e vou cair nos braços de uma Lagoa ou uma Ipanema generosa e ensolarada que acena com cores e sorrisos.
Fui me deitar na noite do dia 17 e só vou acordar amanhã. Pronto! E mais: vou passar dois dias flutuando, espreguiçando, fazendo alongamento em calçadões e areias, molhando os pés em águas salgadas que lavarão qualquer resto do que quer que tenha sido esta última semana.
E A Maré Levou...
O garoto me olhou hoje com cara de cão que mijou no tapete. Tenho um instinto maternal atrapalhado com adolescentes do sexo masculino. Eles me parecem tão desprotegidos, querendo parecer machinhos e eficientes. Ele não tem culpa, claro. Ninguém tem culpa. Só senti vontade de abraçá-lo e dizer que tudo estava bem. Mas ele ia saber que eu estava mentindo. Sou uma péssima mentirosa. Então apenas sorri e as lágrimas que iam lavar suas sardas secaram. Ele entendeu, enfim.
Tudo porque eu estou no Moulin Rouge, lá no alto, num balanço coberto de flores. O mundo é vermelho e dourado e a música está alta demais, mas eu não ligo. Se alguém olhar para cima vai ver minha calcinha e minha boca escancarada. Estou com sede. Parar a brincadeira para beber alguma coisa não passa pela minha cabeça. Tenho vertigem. Aperto com força as cordas e tudo gira. Estou no carrossel. Vejo manchas onde devem estar as pessoas. O vulto dele, aquele outro, é inconfundível. Quando estou deitada aqui, sua silhueta fica ainda mais alta. E eu vou ficando cada vez mais leve. A balança confirma: eu posso voar.
É o nome de um anjo que me ronda a cabeça. Acabo falando em voz alta, mas ninguém ouve. Devem estar todos surdos. Eu piso na seda e ela vira algodão - algodão algodão, não algodão tecido. Você consegue imaginar infinitos degraus feitos de algodão bem branquinho? Então... A escada vai se apertando cada vez mais naquele espiral lá em cima e eu digo oi para o João. Ele está
voltando da casa do gigante todo carregado de ouro. Para que tanto ouro? Ouro não compra o que mais se quer.
Claro que esta ela também não ouviu. Há tempos não nos falamos. Seu telefone está sempre ocupado e eu ocupada demais para ir lá. Melhor assim. Não me lembro da última vez que nos entendemos. Falamos idiomas diferentes. Não, não é isso. Vivemos em eras diversas. Seria pior se eu ainda alimentasse ilusões.
Há um dirigível sobrevoando a costa e as ninfas aprisionaram pirilampos em caixinhas transparentes para iluminar a praia. Antes de sairmos, elas escovaram meus cabelos e aplicaram pequenas flores que não combinavam em nada comigo. Arrastei meu visual clown até as areias e lá encontrei o lord inglês. Ele me reconheceu de imediato. Nos abraçamos e choramos e rimos. Era tempo.
Só havia frutas para comer. Frutas de todos os tipos, tamanhos, cores e sabores. Frutas com gosto de infância, com cheiro doce, com nomes que não sei. Virgínia estava de pé ao meu lado e disse sim. Quando eu respondi que era cedo ainda, ela ficou triste e foi conversar com o mago, me olhando de vez em quando de soslaio. Ela gosta de jogar xadrez e eu quero brincar de pique. Um dia ela desfaz o bico e descobre que é sempre sem querer...
Manitoq fala sem parar de futebol. Agora sim tenho com quem trocar idéias interessantes. Só ele entende o que quero dizer quando passo batom na ponta do nariz. A sessão vai começar e eu perco muito tempo tentando me ajeitar na posição de lotus. Resolvo plantar bananeira e tudo começa a fazer sentido.
Amanhã...
Deixa quieto.
Já são quatro e logo a noite chega. Vou dormir cedo e torcer para amanhecer um sábado daqueles que chutam a gente para fora da cama e de casa e vou cair nos braços de uma Lagoa ou uma Ipanema generosa e ensolarada que acena com cores e sorrisos.
Fui me deitar na noite do dia 17 e só vou acordar amanhã. Pronto! E mais: vou passar dois dias flutuando, espreguiçando, fazendo alongamento em calçadões e areias, molhando os pés em águas salgadas que lavarão qualquer resto do que quer que tenha sido esta última semana.
E A Maré Levou...
O garoto me olhou hoje com cara de cão que mijou no tapete. Tenho um instinto maternal atrapalhado com adolescentes do sexo masculino. Eles me parecem tão desprotegidos, querendo parecer machinhos e eficientes. Ele não tem culpa, claro. Ninguém tem culpa. Só senti vontade de abraçá-lo e dizer que tudo estava bem. Mas ele ia saber que eu estava mentindo. Sou uma péssima mentirosa. Então apenas sorri e as lágrimas que iam lavar suas sardas secaram. Ele entendeu, enfim.
Tudo porque eu estou no Moulin Rouge, lá no alto, num balanço coberto de flores. O mundo é vermelho e dourado e a música está alta demais, mas eu não ligo. Se alguém olhar para cima vai ver minha calcinha e minha boca escancarada. Estou com sede. Parar a brincadeira para beber alguma coisa não passa pela minha cabeça. Tenho vertigem. Aperto com força as cordas e tudo gira. Estou no carrossel. Vejo manchas onde devem estar as pessoas. O vulto dele, aquele outro, é inconfundível. Quando estou deitada aqui, sua silhueta fica ainda mais alta. E eu vou ficando cada vez mais leve. A balança confirma: eu posso voar.
É o nome de um anjo que me ronda a cabeça. Acabo falando em voz alta, mas ninguém ouve. Devem estar todos surdos. Eu piso na seda e ela vira algodão - algodão algodão, não algodão tecido. Você consegue imaginar infinitos degraus feitos de algodão bem branquinho? Então... A escada vai se apertando cada vez mais naquele espiral lá em cima e eu digo oi para o João. Ele está
voltando da casa do gigante todo carregado de ouro. Para que tanto ouro? Ouro não compra o que mais se quer.
Claro que esta ela também não ouviu. Há tempos não nos falamos. Seu telefone está sempre ocupado e eu ocupada demais para ir lá. Melhor assim. Não me lembro da última vez que nos entendemos. Falamos idiomas diferentes. Não, não é isso. Vivemos em eras diversas. Seria pior se eu ainda alimentasse ilusões.
Há um dirigível sobrevoando a costa e as ninfas aprisionaram pirilampos em caixinhas transparentes para iluminar a praia. Antes de sairmos, elas escovaram meus cabelos e aplicaram pequenas flores que não combinavam em nada comigo. Arrastei meu visual clown até as areias e lá encontrei o lord inglês. Ele me reconheceu de imediato. Nos abraçamos e choramos e rimos. Era tempo.
Só havia frutas para comer. Frutas de todos os tipos, tamanhos, cores e sabores. Frutas com gosto de infância, com cheiro doce, com nomes que não sei. Virgínia estava de pé ao meu lado e disse sim. Quando eu respondi que era cedo ainda, ela ficou triste e foi conversar com o mago, me olhando de vez em quando de soslaio. Ela gosta de jogar xadrez e eu quero brincar de pique. Um dia ela desfaz o bico e descobre que é sempre sem querer...
Manitoq fala sem parar de futebol. Agora sim tenho com quem trocar idéias interessantes. Só ele entende o que quero dizer quando passo batom na ponta do nariz. A sessão vai começar e eu perco muito tempo tentando me ajeitar na posição de lotus. Resolvo plantar bananeira e tudo começa a fazer sentido.
Amanhã...
14.8.01
Desisti de continuar falando sobre a viagem. Talvez, quando o tempo permitir, coloque umas fotos por aqui...
Mas quero mesmo ir falando do que vai acontecendo e do que deve acontecer logo. Tenho a sensação de início de ciclo, com algumas coisas importantes sendo concluídas e espaços sendo abertos para as pendências que se arrastam e muitas novidades.
Ontem chegou meu micro novo. Lindinho! Tudo fica mais fácil e rápido e é disso que preciso: lubrificação para que as coisas que já estão nos trilhos deslizem e cheguem aonde eu quero num intervalo menor e menos custoso. Também recebi o certificado de um curso que me ajudou muito, mas que já estava ficando longo demais. Vira página.
Estou reorganizando rotinas e disposições. Sacos e sacos de passado estão sendo jogados pela lixeira. Recebi um telefonema importante que talvez me ajude a recuperar ainda mais espaço.
As prioridades estão mudando. Outros relógios que se ajustem pelo meu. Acabou a fase barroca. Mas daí a me tornar parnasiana vai uma eternidade...
Mas quero mesmo ir falando do que vai acontecendo e do que deve acontecer logo. Tenho a sensação de início de ciclo, com algumas coisas importantes sendo concluídas e espaços sendo abertos para as pendências que se arrastam e muitas novidades.
Ontem chegou meu micro novo. Lindinho! Tudo fica mais fácil e rápido e é disso que preciso: lubrificação para que as coisas que já estão nos trilhos deslizem e cheguem aonde eu quero num intervalo menor e menos custoso. Também recebi o certificado de um curso que me ajudou muito, mas que já estava ficando longo demais. Vira página.
Estou reorganizando rotinas e disposições. Sacos e sacos de passado estão sendo jogados pela lixeira. Recebi um telefonema importante que talvez me ajude a recuperar ainda mais espaço.
As prioridades estão mudando. Outros relógios que se ajustem pelo meu. Acabou a fase barroca. Mas daí a me tornar parnasiana vai uma eternidade...
OS ANOS EM QUE VIVEMOS
Outro dia me peguei pensando em que década estamos.
A gente fala da música dos anos 90, do comportamento da década de 60, mas não consegui me lembrar de ninguém falando sobre a década atual. Como ela se chama?
Eu recebo diariamente um e-mail com uma palavra em inglês. É uma forma
prática e indolor de melhorar o vocabulário e, como tudo é muito bem desenvolvido, dar uma polida na cultura geral. Agora já sei a expressão proposta para batizar nossa década na língua da matriz:
aught \AWT or AHT\ (pronoun)
*1 : anything
2 : all, everything
Example sentence:
"It was too early for aught but a few dogs to notice us as we noticed birds." (Claire Gerber, _The Christian Science Monitor_, January 8, 1987)
Did you know?
"For aught I know, my lord, they do," answers the Duke of Aumerle to a question from his father in Shakespeare's _Richard II_. Shakespeare didn't coin the pronoun "aught," which has been a part of the English language since before the 12th century, but he did put it to frequent use. Plenty of other literary lights have found "aught" to be a useful term over the years, too. Writers living today may be less likely to employ "aught" than were their predecessors, but the pronoun does continue to turn up occasionally. "Aught" can also be a noun meaning "zero," and in recent years the phrase "the aughts" has been bandied about as a proposed label for the decade that began in the year 2000.
Quem surgirá com uma proposta para a nossa língua?
Outro dia me peguei pensando em que década estamos.
A gente fala da música dos anos 90, do comportamento da década de 60, mas não consegui me lembrar de ninguém falando sobre a década atual. Como ela se chama?
Eu recebo diariamente um e-mail com uma palavra em inglês. É uma forma
prática e indolor de melhorar o vocabulário e, como tudo é muito bem desenvolvido, dar uma polida na cultura geral. Agora já sei a expressão proposta para batizar nossa década na língua da matriz:
aught \AWT or AHT\ (pronoun)
*1 : anything
2 : all, everything
Example sentence:
"It was too early for aught but a few dogs to notice us as we noticed birds." (Claire Gerber, _The Christian Science Monitor_, January 8, 1987)
Did you know?
"For aught I know, my lord, they do," answers the Duke of Aumerle to a question from his father in Shakespeare's _Richard II_. Shakespeare didn't coin the pronoun "aught," which has been a part of the English language since before the 12th century, but he did put it to frequent use. Plenty of other literary lights have found "aught" to be a useful term over the years, too. Writers living today may be less likely to employ "aught" than were their predecessors, but the pronoun does continue to turn up occasionally. "Aught" can also be a noun meaning "zero," and in recent years the phrase "the aughts" has been bandied about as a proposed label for the decade that began in the year 2000.
Quem surgirá com uma proposta para a nossa língua?
8.8.01
ALÔ GERAL
Neste período pré, durante e pós viagem, recebi algumas visitas por aqui que fizeram a gentileza de me mandar recadinhos carinhosos e ainda não tive tempo de fazer um agradecimento público. Vai agora: alô e obrigada, pessoal!
Eu fiquei curiosa para ver a "cara" deles, mas aconteceu o seguinte:
- A página do Marcus não abre
- A do William informa que está fora do ar para troca de servidores
- A Babi esqueceu de dar o endereço
Mas consegui conhecer os escritos do Thiago e adorei seu jeito informal, sensível e de cidadão do mundo de escrever.
É muito importante para mim ler o que as pessoas que passam por aqui têm a dizer, quem são... Mantenham contato, por favor. É um prazer.
Neste período pré, durante e pós viagem, recebi algumas visitas por aqui que fizeram a gentileza de me mandar recadinhos carinhosos e ainda não tive tempo de fazer um agradecimento público. Vai agora: alô e obrigada, pessoal!
Eu fiquei curiosa para ver a "cara" deles, mas aconteceu o seguinte:
- A página do Marcus não abre
- A do William informa que está fora do ar para troca de servidores
- A Babi esqueceu de dar o endereço
Mas consegui conhecer os escritos do Thiago e adorei seu jeito informal, sensível e de cidadão do mundo de escrever.
É muito importante para mim ler o que as pessoas que passam por aqui têm a dizer, quem são... Mantenham contato, por favor. É um prazer.
CAPÍTULO I: NEW YORK
Demorei alguns dias, depois de voltar ao Brasil, para arrumar as coisas mais urgentes e poder escrever aqui neste meu cantinho.
É bom dar um giro por aí, mas a casa da gente é um lugar encantado.
Esta viagem pelas terras yankees foi uma verdadeira maratona: muitos lugares para conhecer, muitos amigos para reencontrar, tanto para fazer e o tempo pareceu insuficiente quando o referencial era o lá e infinito quando o referencial era o aqui, onde deixamos filho, amigos, família e cacarecos de estimação.
Foi minha primeira visita ao Tio Sam. Digo que é exatamente como eu pensava: Nova Iorque é hiperbólica, São Francisco é linda e Los Angeles é uma Barra da Tijuca multiplicada por cinqüenta em todos os aspectos.
Eric foi nos buscar no aeroporto e nos levou diretamente para sua casa de praia em Fire Island. O lugar é muito bonito e tranqüilo e Eric é uma das melhores companhias que posso pensar para estar em qualquer lugar do mundo. Lá conhecemos sua nova namorada brasileira, Geysa, um doce de menina, e seu amigo Jeffrey. A ilha é fina e comprida: de um lado a baía, de outro o oceano. À noite, na área do comércio, há um espírito meio Búzios e por lá comi um cachorro-quente (só pão e salsicha) e tomei uma coca-cola por US$6,60. Esta viagem vai ser uma ótima oportunidade para experimentar a dieta indiana, pensei, aquela que segue o método Gandhi de nutrição. Depois descobri que havia escolhido a lanchonete errada. Foi num destes passeios noturnos que cruzei na rua com aquele ator que fez o namorado da Rose em Titanic. Enquanto estávamos falando com minha sogra pelo telefone, três primos do Bambi invadiram o quintal.
- Temos três veados bem aqui na nossa frente.
- Mas vocês já estão em São Francisco!?
No domingo, depois de tanto ar puro, tanta calma e relaxamento, já estávamos loucos para mergulhar no caos novaiorquino.
Foi o tempo de largamos a bagagem, tomar um banho rápido e partimos para a primeira mordida na grande maçã. O apartamento de Eric fica numa área que já foi proletária e agora caracteriza-se por uma multidão alternativa, artística. Sentamos num bar de esquina onde servia-se comida colombiana, francesa, cubana e brasileira. Típico! A garçonete era a cara da Adriane Galisteu e sabia que para nos agradar o certo era obrigada e não gracias. Foi uma festa ficar ali, vendo a banda passar, a fauna humana sortida desfilando para nós... Depois meu amo e senhor e eu fomos andar a pé para sentir de perto o clima da cidade.
Os dias seguintes foram de muito turismo, conhecimento travado com espécimes de todas as partes do mundo, passagens por points descolados que somente um habitante local poderia indicar, alguns shows, alta gastronomia (e muito hot dog suspeito) e muito calor.
Um dia estávamos indo para um show de música colombiana. Tínhamos andado o dia inteiro e fomos encontrar com Eric no escritório. Começava a chover, era hora do rush e todos os táxis estavam ocupados. Nosso amigo, com seus dois metros e dez de altura foi para o meio da rua e começou a acenar. Parou uma limusine. Bicho, o cara tem um papo que deixa qualquer carioca parecendo ingênuo... Logo logo ele fazia sinal para entrarmos no enorme carro branco. Foi divertido andar pelas ruas naquela coisa cheia de luz neon, teto estrelado e espaço para uma festa inteira. Brega, mas muito divertido.
Foram tantas aventuras como essa que fica difícil contar tudo assim de uma vez. Depois conto mais...
Demorei alguns dias, depois de voltar ao Brasil, para arrumar as coisas mais urgentes e poder escrever aqui neste meu cantinho.
É bom dar um giro por aí, mas a casa da gente é um lugar encantado.
Esta viagem pelas terras yankees foi uma verdadeira maratona: muitos lugares para conhecer, muitos amigos para reencontrar, tanto para fazer e o tempo pareceu insuficiente quando o referencial era o lá e infinito quando o referencial era o aqui, onde deixamos filho, amigos, família e cacarecos de estimação.
Foi minha primeira visita ao Tio Sam. Digo que é exatamente como eu pensava: Nova Iorque é hiperbólica, São Francisco é linda e Los Angeles é uma Barra da Tijuca multiplicada por cinqüenta em todos os aspectos.
Eric foi nos buscar no aeroporto e nos levou diretamente para sua casa de praia em Fire Island. O lugar é muito bonito e tranqüilo e Eric é uma das melhores companhias que posso pensar para estar em qualquer lugar do mundo. Lá conhecemos sua nova namorada brasileira, Geysa, um doce de menina, e seu amigo Jeffrey. A ilha é fina e comprida: de um lado a baía, de outro o oceano. À noite, na área do comércio, há um espírito meio Búzios e por lá comi um cachorro-quente (só pão e salsicha) e tomei uma coca-cola por US$6,60. Esta viagem vai ser uma ótima oportunidade para experimentar a dieta indiana, pensei, aquela que segue o método Gandhi de nutrição. Depois descobri que havia escolhido a lanchonete errada. Foi num destes passeios noturnos que cruzei na rua com aquele ator que fez o namorado da Rose em Titanic. Enquanto estávamos falando com minha sogra pelo telefone, três primos do Bambi invadiram o quintal.
- Temos três veados bem aqui na nossa frente.
- Mas vocês já estão em São Francisco!?
No domingo, depois de tanto ar puro, tanta calma e relaxamento, já estávamos loucos para mergulhar no caos novaiorquino.
Foi o tempo de largamos a bagagem, tomar um banho rápido e partimos para a primeira mordida na grande maçã. O apartamento de Eric fica numa área que já foi proletária e agora caracteriza-se por uma multidão alternativa, artística. Sentamos num bar de esquina onde servia-se comida colombiana, francesa, cubana e brasileira. Típico! A garçonete era a cara da Adriane Galisteu e sabia que para nos agradar o certo era obrigada e não gracias. Foi uma festa ficar ali, vendo a banda passar, a fauna humana sortida desfilando para nós... Depois meu amo e senhor e eu fomos andar a pé para sentir de perto o clima da cidade.
Os dias seguintes foram de muito turismo, conhecimento travado com espécimes de todas as partes do mundo, passagens por points descolados que somente um habitante local poderia indicar, alguns shows, alta gastronomia (e muito hot dog suspeito) e muito calor.
Um dia estávamos indo para um show de música colombiana. Tínhamos andado o dia inteiro e fomos encontrar com Eric no escritório. Começava a chover, era hora do rush e todos os táxis estavam ocupados. Nosso amigo, com seus dois metros e dez de altura foi para o meio da rua e começou a acenar. Parou uma limusine. Bicho, o cara tem um papo que deixa qualquer carioca parecendo ingênuo... Logo logo ele fazia sinal para entrarmos no enorme carro branco. Foi divertido andar pelas ruas naquela coisa cheia de luz neon, teto estrelado e espaço para uma festa inteira. Brega, mas muito divertido.
Foram tantas aventuras como essa que fica difícil contar tudo assim de uma vez. Depois conto mais...
20.7.01
19.7.01
15.7.01
Quem sabe ainda sou uma garotinha...
... que acha que música tem que ter tempero...
Eu adorei o show da Cássia Eller. Muito mais contida (nunca me importei com os exageros dela, pelo contrário), com uma voz a cada dia melhor, se isso é possível, a criatura domina o palco e audiência com uma precisão rara. A impressão que eu tive foi que ela estava se segurando o tempo todo, mas de repente não agüentava e fazia o que todo mundo estava esperando: coçou o saco imaginário, cuspiu no palco, balangou os peitos, simulou rapidamente uma siririca. E como canta a diaba! Eclética, completa, perfeita... Só não vou fazer como as mocinhas que gritavam sem parar coisas como "gostosa".
Corro desta história de "grandes cantoras lésbicas" como corro da história de "ator negro". O que me cativa não é a orientação sexual, a cor da pele, o credo ou qualquer coisa que mais do que abrir portas reforça pré-conceitos. E esta história de "cantora lésbica" já me dói.
Ontem fomos à Modern Sound para comprar alguns CD's encomendados e aproveitei para comprar o primeiro CD da Ana Carolina que eu ainda não tinha. O vendedor prontamente me ofereceu também o disco da Adriana Calcanhotto. Se eu aceitasse, provavelmente ele viria com Zélia Duncan. Não vejo muita coisa semelhante entre estas três artistas. Considero o trabalho da Calacanhotto interessante artisticamente e o respeito, mas para o meu paladar falta sal. Quanto a Zélia, nunca me despertou maior interesse, apesar de sua voz bonita. Agora a Ana Carolina... O que é aquilo, gente? A mulher tem uma vibração, uma pulsação que me ganhou desde o primeiro momento e minha admiração por ela cresce a cada dia, um vício que me faz querer mais sempre. O show dela me nocauteou de vez e virei fã, coisa que não sou de ninguém desde os primeiros tempos da Legião.
Aliás, voltando ao início da conversa, Cássia faz belíssimas interpretações de algumas canções desta banda como já fez antes com a obra do Cazuza. Pensando bem, o que é que cai ali que não ganha brilho novo, mais beleza e vida?
... que acha que música tem que ter tempero...
Eu adorei o show da Cássia Eller. Muito mais contida (nunca me importei com os exageros dela, pelo contrário), com uma voz a cada dia melhor, se isso é possível, a criatura domina o palco e audiência com uma precisão rara. A impressão que eu tive foi que ela estava se segurando o tempo todo, mas de repente não agüentava e fazia o que todo mundo estava esperando: coçou o saco imaginário, cuspiu no palco, balangou os peitos, simulou rapidamente uma siririca. E como canta a diaba! Eclética, completa, perfeita... Só não vou fazer como as mocinhas que gritavam sem parar coisas como "gostosa".
Corro desta história de "grandes cantoras lésbicas" como corro da história de "ator negro". O que me cativa não é a orientação sexual, a cor da pele, o credo ou qualquer coisa que mais do que abrir portas reforça pré-conceitos. E esta história de "cantora lésbica" já me dói.
Ontem fomos à Modern Sound para comprar alguns CD's encomendados e aproveitei para comprar o primeiro CD da Ana Carolina que eu ainda não tinha. O vendedor prontamente me ofereceu também o disco da Adriana Calcanhotto. Se eu aceitasse, provavelmente ele viria com Zélia Duncan. Não vejo muita coisa semelhante entre estas três artistas. Considero o trabalho da Calacanhotto interessante artisticamente e o respeito, mas para o meu paladar falta sal. Quanto a Zélia, nunca me despertou maior interesse, apesar de sua voz bonita. Agora a Ana Carolina... O que é aquilo, gente? A mulher tem uma vibração, uma pulsação que me ganhou desde o primeiro momento e minha admiração por ela cresce a cada dia, um vício que me faz querer mais sempre. O show dela me nocauteou de vez e virei fã, coisa que não sou de ninguém desde os primeiros tempos da Legião.
Aliás, voltando ao início da conversa, Cássia faz belíssimas interpretações de algumas canções desta banda como já fez antes com a obra do Cazuza. Pensando bem, o que é que cai ali que não ganha brilho novo, mais beleza e vida?
13.7.01
Soltar as amarras
Içar velas
Começar a velejar num mar de umidades
Sentir o arrepio que o vento traz
O coração batendo mais forte
Prevendo a futura experiência
Transcender ao permitido
Invadir e conquistar, aos poucos
Territórios estrangeiros, misteriosos
Deixando uma saudade quente
Por onde sua presença foi sentida
Até que a viagem termine
E só reste a certeza
De estar aportado
Em plaga segura
Içar velas
Começar a velejar num mar de umidades
Sentir o arrepio que o vento traz
O coração batendo mais forte
Prevendo a futura experiência
Transcender ao permitido
Invadir e conquistar, aos poucos
Territórios estrangeiros, misteriosos
Deixando uma saudade quente
Por onde sua presença foi sentida
Até que a viagem termine
E só reste a certeza
De estar aportado
Em plaga segura
12.7.01
Amo tanto o vento
A essência airada
Qual minh'alma ariana
Acendo um incenso
E desato pelo ar
Minha ária sacana
Arriscando que caia
Numa terra árida
Tão arisca é ela
Até quando pálida
Pousada entre pedras
Propagará a aura
Que dia destes lustrou
E a beleza animal
Poderia se dar mal
Mas o vento ajudou
Durante a madrugada soprou um vento louco. As portas batiam nos apartamentos vizinhos, objetos eram derrubados, as cortinas requebravam e as persianas cantavam. Levantei para fechar as janelas e tive que lidar com um som de todos os espíritos do além batendo para entrar. ("I see dead people.":-)) Já que toda hora um ou outro ruído me despertava com susto, comecei a me contar histórias e fiquei num estágio intermediário entre o sonho e a vigília por muito tempo.
Tenho um repertório básico de meia dúzia de historietas que revezo nestes casos. Vou mudando alguns detalhes aqui e ali, continuo alguns episódios... Esporadicamente, alguma se torna urgente ou termina, sem que eu encontre nada para acrescentar ou modificar e então escrevo. Duas delas estão chegando a este ponto. Outra era uma ficção científica tão maluca que acabei abandonando. O Jornal Nacional informou que está prestes a se tornar realidade pelas mãos dos cientistas. Meu queixo grudou no colo. Não sei porque mantive a ilusão de ser a única lunática autêntica sobre a face da Terra.
A essência airada
Qual minh'alma ariana
Acendo um incenso
E desato pelo ar
Minha ária sacana
Arriscando que caia
Numa terra árida
Tão arisca é ela
Até quando pálida
Pousada entre pedras
Propagará a aura
Que dia destes lustrou
E a beleza animal
Poderia se dar mal
Mas o vento ajudou
Durante a madrugada soprou um vento louco. As portas batiam nos apartamentos vizinhos, objetos eram derrubados, as cortinas requebravam e as persianas cantavam. Levantei para fechar as janelas e tive que lidar com um som de todos os espíritos do além batendo para entrar. ("I see dead people.":-)) Já que toda hora um ou outro ruído me despertava com susto, comecei a me contar histórias e fiquei num estágio intermediário entre o sonho e a vigília por muito tempo.
Tenho um repertório básico de meia dúzia de historietas que revezo nestes casos. Vou mudando alguns detalhes aqui e ali, continuo alguns episódios... Esporadicamente, alguma se torna urgente ou termina, sem que eu encontre nada para acrescentar ou modificar e então escrevo. Duas delas estão chegando a este ponto. Outra era uma ficção científica tão maluca que acabei abandonando. O Jornal Nacional informou que está prestes a se tornar realidade pelas mãos dos cientistas. Meu queixo grudou no colo. Não sei porque mantive a ilusão de ser a única lunática autêntica sobre a face da Terra.
11.7.01
A gente se vira pelo avesso para atender às necessidades dos filhos. O difícil é saber onde termina a necessidade e começam os desejos.
Tania Zagury faz uma listinha básica de dicas em seu livro Limites Sem Trauma. Ela afirma que "necessidade é algo inevitável, algo que, se não atendido, pode levar o indivíduo a ter problemas sérios no seu desenvolvimento, seja físico, intelectual ou emocional", enquanto "desejo é a vontade de possuir algo, de realizar algo, que pode ou não ser importante para o desenvolvimento. Está mais vinculado ao prazer". As necessidades seriam (em ordem inversa de importância): auto-realização, reconhecimento e prestígio, amor e afeto, segurança (física, psicológica, social) e fisiológicas (ligadas à sobrevivência).
Mas, no dia-a-dia as coisas são diferentes e não esperam que a gente consulte um guia prático para saber se aquela vontade expressa é uma necessidade de auto-realizacão ou apenas mais um fogo de palha.
Meu filho é uma criança de muito espírito. É inteligente, divertido, curioso, criativo, esperto. Estou tentando não ser coruja, hein! Ele se interessa por tudo que está à sua volta. Pratica esportes e adora as artes. Está descobrindo o mundo das letras e se orgulha dos dois livros que já leu sozinho e dos três que elaborou e ilustrou. Aliás, desenhar é um de seus maiores interesses e acho que ele tem realmente um dom para a coisa. Então, penso em inscrevê-lo em um curso de desenho. A questão é: quanta atividade extra-curricular uma criança pode absorver? A escola dele é bastante voltada para a cultura. Ele precisa de natação que alivia seus problemas respiratórios. Continua no judô, sua paixão. E ainda deseja fazer capoeira e escolinha de futebol. Eu piso no freio. Digo que é demais.
Agora apareceu um amiguinho mais velho fazendo aulas de violão. Ele está encantado com a idéia. Desencavou um velho violão que juntava poeira sobre o armário e vive com o instrumento para cima e para baixo, tirando uns acordes de free jazz :-)
Devo assumir que tenho um gênio multimídia em casa? :-) Como é que se faz para descobrir o que pode realmente ser mais adequado para ele entre tantas opções e interesses? Chuto o balde e loto a agenda dele para ver o que cansa mais rapidamente? E daqui a pouco ainda vamos ter providenciar aulas de línguas. Ufa! Estou cansada por ele...
Tania Zagury faz uma listinha básica de dicas em seu livro Limites Sem Trauma. Ela afirma que "necessidade é algo inevitável, algo que, se não atendido, pode levar o indivíduo a ter problemas sérios no seu desenvolvimento, seja físico, intelectual ou emocional", enquanto "desejo é a vontade de possuir algo, de realizar algo, que pode ou não ser importante para o desenvolvimento. Está mais vinculado ao prazer". As necessidades seriam (em ordem inversa de importância): auto-realização, reconhecimento e prestígio, amor e afeto, segurança (física, psicológica, social) e fisiológicas (ligadas à sobrevivência).
Mas, no dia-a-dia as coisas são diferentes e não esperam que a gente consulte um guia prático para saber se aquela vontade expressa é uma necessidade de auto-realizacão ou apenas mais um fogo de palha.
Meu filho é uma criança de muito espírito. É inteligente, divertido, curioso, criativo, esperto. Estou tentando não ser coruja, hein! Ele se interessa por tudo que está à sua volta. Pratica esportes e adora as artes. Está descobrindo o mundo das letras e se orgulha dos dois livros que já leu sozinho e dos três que elaborou e ilustrou. Aliás, desenhar é um de seus maiores interesses e acho que ele tem realmente um dom para a coisa. Então, penso em inscrevê-lo em um curso de desenho. A questão é: quanta atividade extra-curricular uma criança pode absorver? A escola dele é bastante voltada para a cultura. Ele precisa de natação que alivia seus problemas respiratórios. Continua no judô, sua paixão. E ainda deseja fazer capoeira e escolinha de futebol. Eu piso no freio. Digo que é demais.
Agora apareceu um amiguinho mais velho fazendo aulas de violão. Ele está encantado com a idéia. Desencavou um velho violão que juntava poeira sobre o armário e vive com o instrumento para cima e para baixo, tirando uns acordes de free jazz :-)
Devo assumir que tenho um gênio multimídia em casa? :-) Como é que se faz para descobrir o que pode realmente ser mais adequado para ele entre tantas opções e interesses? Chuto o balde e loto a agenda dele para ver o que cansa mais rapidamente? E daqui a pouco ainda vamos ter providenciar aulas de línguas. Ufa! Estou cansada por ele...
10.7.01
A Vick é sempre de uma delicadeza admirável quando me escreve. Seu blog é para ser curtido com calma e gula.
ZAPEANDO
Outro dia ouvi a Gal cantando Honey Baby com participação do Zeca Baleiro no rádio e os versos ficaram martelando na minha cabeça: "ando tão à flor da pele que até beijo de novela me faz chorar".
Não é de todo mal. Estou mais sensível, mas ando menos chorona. Talvez porque eu mais sinta do que verbalize. É batata! Se eu começo a fazer uma declaraçãozinha de nada a voz embarga e meu olho vira uma cachoeira. Tenho calado. Bobagem...
Recebi muito carinho nos últimos dias. É bom... Amor alimenta... O que eu posso fazer se meu filho me dá um saco de delicado ou se a fatia de bolo de chocolate que aceitei na casa da minha amiga se transformou em um prato cheio com calda quentinha por cima? Vai daí que amor não só alimenta como também faz o mundo girar: sobre pneus.
E por falar em mundo, lá vou eu ganhar mais um pedacinho dele.
Neste final de semana, tem Cássia Eller no Canecão. Sem barriga (porque fértil têm estado as cabeças dos colunistas de fofoca), mas com aquele talento todo que Deus lhe deu. Eu babo por CE!
Não vou falar sobre o mais novo evento André Gonçalves, mas sobre a cobertura da Globo. A princípio, nem uma nota (pelo menos em horário nobre). Depois, no rastro do movimento internacional dos profissionais de vôo para abolir passageiros problemáticos, acabou se falando rapidamente no Jornal Nacional, que mostrou uma das fotos por um intervalo de tempo quase subliminar. Somente após a publicação da matéria de duas páginas na Veja, o moço ganhou os microfones do Fantástico para desmentidos (ele não cuspiu, não quis beijar o Pelé na boca, não arrumou confusão em Portugal, não tem culpa de ser gostoso, não quis agredir ninguém, não sabia o que estava fazendo ao consumir vinho com tranquilizantes, etc..), solidária e simpaticamente. E eu que achei que ele só fosse aparecer no Vídeo Show daqui a umas duas semanas mostrando algo como sua criação de bromélias e, já no finzinho da "reportagem" a Cissa Guimarães fosse perguntar assim, como quem não quer nada: "E essa coisa de ser ator, namorador e baderneiro de avião? Como você lida com isso?" Não foi assim com a chipada Elba?
Um texto me chamou a atenção na semana passada. O colunista comentava a entrevista do Daniel Filho para Observatório da Imprensa. Eu vi um trecho da entrevista, mas não me senti particularmente atraída e parti para o controle remoto. Só depois fiquei sabendo que ele falou de coisas muito interessantes sobre a televisão brasileira e o que chamou a atenção do jornalista foi o comentário sobre o deputado americano que se suicidou em frente às câmeras em 1987. Lembrei imediatamente do episódio e do choque que me causou (e ao colunista) o corte no exato momento do corte da imagem, quando a bala atingiria a cabeça do infeliz. O brilhantismo do texto fica por conta da comparação que se fez entre a morte diante das câmeras ontem e hoje, da banalização atual, quando uma professora é assassinada na frente de milhões através de diversos ângulos e estas imagens são reproduzidas até tornarem-se vulgares.
Para não dizerem que só falo mal da televisão, quero deixar registrado meu contentamento com Os Normais. Parece que vai virar filme. Oba!
Outro dia ouvi a Gal cantando Honey Baby com participação do Zeca Baleiro no rádio e os versos ficaram martelando na minha cabeça: "ando tão à flor da pele que até beijo de novela me faz chorar".
Não é de todo mal. Estou mais sensível, mas ando menos chorona. Talvez porque eu mais sinta do que verbalize. É batata! Se eu começo a fazer uma declaraçãozinha de nada a voz embarga e meu olho vira uma cachoeira. Tenho calado. Bobagem...
Recebi muito carinho nos últimos dias. É bom... Amor alimenta... O que eu posso fazer se meu filho me dá um saco de delicado ou se a fatia de bolo de chocolate que aceitei na casa da minha amiga se transformou em um prato cheio com calda quentinha por cima? Vai daí que amor não só alimenta como também faz o mundo girar: sobre pneus.
E por falar em mundo, lá vou eu ganhar mais um pedacinho dele.
Neste final de semana, tem Cássia Eller no Canecão. Sem barriga (porque fértil têm estado as cabeças dos colunistas de fofoca), mas com aquele talento todo que Deus lhe deu. Eu babo por CE!
Não vou falar sobre o mais novo evento André Gonçalves, mas sobre a cobertura da Globo. A princípio, nem uma nota (pelo menos em horário nobre). Depois, no rastro do movimento internacional dos profissionais de vôo para abolir passageiros problemáticos, acabou se falando rapidamente no Jornal Nacional, que mostrou uma das fotos por um intervalo de tempo quase subliminar. Somente após a publicação da matéria de duas páginas na Veja, o moço ganhou os microfones do Fantástico para desmentidos (ele não cuspiu, não quis beijar o Pelé na boca, não arrumou confusão em Portugal, não tem culpa de ser gostoso, não quis agredir ninguém, não sabia o que estava fazendo ao consumir vinho com tranquilizantes, etc..), solidária e simpaticamente. E eu que achei que ele só fosse aparecer no Vídeo Show daqui a umas duas semanas mostrando algo como sua criação de bromélias e, já no finzinho da "reportagem" a Cissa Guimarães fosse perguntar assim, como quem não quer nada: "E essa coisa de ser ator, namorador e baderneiro de avião? Como você lida com isso?" Não foi assim com a chipada Elba?
Um texto me chamou a atenção na semana passada. O colunista comentava a entrevista do Daniel Filho para Observatório da Imprensa. Eu vi um trecho da entrevista, mas não me senti particularmente atraída e parti para o controle remoto. Só depois fiquei sabendo que ele falou de coisas muito interessantes sobre a televisão brasileira e o que chamou a atenção do jornalista foi o comentário sobre o deputado americano que se suicidou em frente às câmeras em 1987. Lembrei imediatamente do episódio e do choque que me causou (e ao colunista) o corte no exato momento do corte da imagem, quando a bala atingiria a cabeça do infeliz. O brilhantismo do texto fica por conta da comparação que se fez entre a morte diante das câmeras ontem e hoje, da banalização atual, quando uma professora é assassinada na frente de milhões através de diversos ângulos e estas imagens são reproduzidas até tornarem-se vulgares.
Para não dizerem que só falo mal da televisão, quero deixar registrado meu contentamento com Os Normais. Parece que vai virar filme. Oba!
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