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31.10.01


Nem fazia tanto tempo assim, mas retomar o ritmo de alguma atividade física regular me deixa moída nos primeiros dias. É assim que estou. Contudo é um cansaço bom.

Tenho tido preguiça de escrever muito. Deixo os assuntos passarem por mim e não estou morrendo por isso. Exercitando alguma flexibilidade em pontos estratégicos. Ainda preciso aprender que perco muito com a minha lógica. Por outro lado, tenho que deixar de ser coração mole. Vamos trabalhar o equilíbrio...

Deixar algumas coisas apenas em repouso na água morna. Mais tarde eu vejo como fica. Não dá para ser tudo para hoje, me lembra a Andréa. Vamos boiar um pouquinho para resguardar as forças para nadar até a praia.

Junta, estica, abre, fechar, em cima, embaixo, direita, esquerda, relaxa, contrai...

Às vezes a vida cansa. Na maior parte do tempo é só diversão.

30.10.01





Os seres de outros planetas têm os membros avantajados (estou falando de braços e pernas, hein!). Isto faz com que sejam bastante estabanados, vitimados constantemente por acidentes estúpidos. São comuns cortes nos dedos causados por normalmente inofensivas folhas de papel. É praticamente impensável uma passagem pela cozinha sem pelo menos uma pequena queimadura.

Outro dia, estava dando a preparação do almoço como encerrada. Estava contente, porque, excepcionalmente não havia me ferido. Neste instante o interfone tocou e o primeiro convidado chegava. Corri para o banho. ETs são vaidosos, não gostam de receber visitas com a aparência de quem passou a manhã inteira pilotando panelas.

Já em pleno processo de higienização, esta alien que vos fala percebeu que o frasco de shampoo estava no final. O banheiro estava tão arrumadinho que não quis molhar tudo para pegar outro no armário. Então, esquecida de que na Terra seus poderes mágicos não funcionam plenamente, espremi bastante o recipiente esperando que milagrosamente algum líquido saísse de lá. A mão ensaboada executado esta manobra fez com que o frasco escorregasse descrevendo um círculo perfeito no ar e caindo com a ponta de plástico duro naquele lugarzinho sensível entre a base do nariz e o olho. ETs sangram como terráqueos e recebem os visitantes com olho roxo.

Eletrodomésticos também podem representar grande risco potencial. Hoje prendi a unha sem perceber num vão da porta da máquina de lavar depois de, abaixada, colocar roupas em seu interior. Com a falta de jeito que me é peculiar, deixei-a ali enquanto me levantava de supetão e descobri da forma menos teórica possível porque a tortura de arrancar as unhas é uma prática abominável.






ET e ainda por cima míope e/ou analfabeta, que lê Gonçalves e entende Gonzales. Deve ser a vontade de que todos os meus queridos entrem no mundo blogueiro. :-) Valeu me-ni-nas!

29.10.01

Mais uma prova de que sou mesmo um ET.

Só mesmo uma estadia longa em outro planeta para não ter ainda percebido e aportado antes no blog da minha doce AninhaGon.

Dea me fez perceber que lá da galáxia de onde venho o dia tem mais de 24 horas.

27.10.01


PÉROLAS


Vocês são do tipo que lêem bulas ou qualquer outra coisa? Eu sou! De vez em quando a gente se depara com algumas pérolas como estas.

1 - Na contracapa de um DVD alugado na Blockbuster:

"Favor rebobinar após assistir."

2 - Na contracapa do LP de The Beach Boys (Surfin´U.S.A.)

"This monophonic microgroove recording is playable on monophonic and stereo phonographs. It cannot become obsolete. It will continue to be a source of outstanding sound reproduction, providing the finest monophonic performance from any phonograph."


26.10.01

Dando início aos trabalhos de mudanças por aqui...

25.10.01


Dor de cabeça...
Sem saco...
Não tô podendo...
E ainda tem festa infantil à noite...
SOCORRO!

24.10.01


Num curto passeio, alguns motivos para sorrir:

* O médico disse que minha saúde está perfeita. Prescreveu um remédio para o pequeno incômodo e me deu os parabéns.
* A estátua no meio da praça presta homenagem ao pioneiro da ginástica pelo rádio!
* A rua das flores.
* Encontrei aquele papel raro que estava procurando há tempos e ainda me diverti olhando as novidades da papelaria.
* Fiz matrícula na hidroginástica, agora em outra academia que tem mais a minha cara.
* A moradora de rua me desejou boa tarde e não pediu nada em troca.

23.10.01


Meu silêncio não significa aquiescência.
Chamando a atenção

Não sei se é uma questão de deslocamento espacial ou temporal. A verdade é que certas expressões comuns na minha infância raramente chegam aos meus ouvidos nos dias de hoje.

Vagando pela calçada, acompanhei a conversa de uma mulher que levava o filho pela mão e dirigia-se ao marido. Ela mesma parecia ter saído de um canto recôndito da minha memória. Usava um vestido colorido barato, tinha um pano amarrado à cabeça que merecia um tratado de cultura afro-brasileira, o corpo rijo das jovens lavadeiras, uma fala de veludo e a pele negra era homogênea e brilhante. Tudo nela exalava elegância popular. Era destas mulheres que quase já não vejo, criada com feijão, verduras e legumes da horta da mãe, ovos e galinha do quintal e frutas roubadas dos galhos que escapam pela cerca do vizinho.

Ela contava que havia chamado a atenção da filha. Onde ainda se chama a atenção de alguém? Hoje briga-se, dá-se esporro, no máximo uma chamada. Os metidos a intelectuais desancam. O malandro dá uma idéia, um toque... Minha avó chamava a atenção.

E este ato revela uma relação hierarquizada. Quem faz isto deve ter forte influência moral sobre o chamado. E carece de classe, não deve humilhar, precisa apontar seus argumentos e razões sem tornar-se agressivo. É necessário também deixar claro que ao chamar a atenção não há chance para questionamento ou debate. Fica implícito que tudo deve ser acatado ou passa-se então para a fase de punição.

Talvez exatamente por tudo isto a expressão tenha caído em desuso. Os que chamavam a atenção geralmente eram aqueles a quem pedíamos a bênção.

22.10.01


Eu sei, eu sei, a gente vive em gueto, cercada de pessoas que em algum ponto tocam nossa própria realidade.

Mas não posso deixar de observar que num encontro em que estavam presentes quatro casais, três (e nós éramos a exceção) formaram-se a partir da Internet.

Da série As Mais Terríveis Pervesões:

Continuar amando o mesmo homem depois de dez anos.


Galeria do amor


femmes
Femmes de Tahiti (Sur la Plage)
Gaugin


A primeira vez que meu amo e senhor foi a Paris, não pude acompanhá-lo. Ele trouxe para mim, de uma loja do Louvre um sarongue vermelho que reproduz o que aparece nesta pintura. Só uso em ocasiões especialíssimas.


beijo
O Beijo
Klint


Quando oficializamos nossa união, recebemos alguns amigos mais íntimos para comemorar. Os convites que seguiram por e-mail tinham esta ilustração, não apenas por refletir nosso gosto artístico, mas também porque eu, atacada de um romantismo exacerbado, achei o casal parecido com nós dois.
A chuva cai afastando a ameaça de um verão sem ar condicionado.

As gotas de chuva formam um pequeno rio nas canaletas que formam os trilhos por onde correm os portões de ferro da garagem do prédio. Há uma certa poesia nisto e demoro a identificar o que é. São memórias remotíssimas da casa da minha infância onde a criança quieta e tímida que fui passava muito tempo obrservando as brincadeiras da água que vinha do céu nas vidraças e depois nas esquadrias, passeando em trenzinhos líquidos.

Estas percepções minúsculas de coisas absurdas foi parte da minha vida íntima por muito tempo. Durante as viagens eu me entregava ao zumbido do carro em movimento, à massa verde que a vegetação ao lado da estrada criava com o movimento acelerado, as listras contínuas que apareciam no asfalto quando sua heterogeneidade era submetida à nossa velocidade. Este era meu mundo particular. Só eu via estas coisas, eu pensava então.

O filme foi muito comentado na época, mas o que mais me encantou foi perceber que alguém compartilhava desta minha visão um tanto alucinada. Rain man tem umas cenas vistas pelo olho do autista que reproduzem meu pequeno universo. Foi assim que descobri que não sou tão original quanto pensava. A vulgaridade assusta, mas é bom não se sentir tão só.

Foi mais ou menos a mesma sensação que tive ao descobrir que a drag queen que vive em mim tem a sua turma. Sou uma ploc enrustida [o JB online está com problemas, por isso não tem link para a revista de Domingo com matéria de capa sobre esta nova tribo urbana]. Um dia vou deixar de lado os escrúpulos e sair por aí com uma mochila com a cara de uma das Meninas Superpoderosas estampada. Ou, quando a poeira assentar e eu for de novo a Nova Iorque, gasto uma pequena fortuna na Ricky´s da Brodway, comprando fiapos de cabelos coloridos e outros apetrechos exóticos para usar quando for ao supermercado.

Minha sogra diz que velhos são os outros. Pois então. A turma da minha auto-imagem, que ainda está na casa dos vinte e pouquíssimos, é esta. Esta jovem senhora séria e respeitável não sou eu. O espelho está mentindo! Vou ignorar o que ele diz e apenas observar a chuva reinando no meu universo diminuto.


20.10.01


Da série As Mais Terríveis Perversões:

Sadomasô

- Bate!
- Não!

19.10.01

O Marcelo, me incluindo lá nas suas sinas, e a Andréa, estreando no mundo blogueiro, me deixaram com vontade não só de atualizar minha listinha dos mais mais como também de dar uma arejada por aqui. Vamos ver se vontade é coisa que dá e passa ou se no final de semana consigo fazer alguma coisinha.

Só agora sosseguei. Fiquei um tempão com minha irmã ao telefone tirando tooooooooodas as dúvidas sobre o antraz. Uma meleca isso de a gente achar que neguinho está escondendo informação. Porque ando com uma coisa rondando minha cabecinha. Ou o governo norte-americano está dando idéia para os terroristas ou estão sabendo das coisas com antecedência e não estão contando a história toda.

Sinceramente espero que a Letti esteja certa e que isso seja problema lá deles. Mas tenho a impressão de que um surto de varíola, por exemplo, chegaria facilmente por aqui. Esse é apenas um dos meus receios. E também não sei se é inadequado ocupar tantas páginas de jornal com o assunto (ainda).

18.10.01


Assinando embaixo III


Ensinando integridade
(Tania Zagury, O Globo, 02.07.2001)


Contou-me uma amiga que, outro dia, seu filho chegou em casa exultante.... Afinal, não é sempre que se tira dez em física. Ela percebeu, no entanto, que o professor havia se enganado na correção.

Qual não foi sua surpresa quando o menino lhe disse que não poderia, de forma alguma, apresentar o erro para revisão, porque "ninguém devolve nota". Foi preciso muita paciência para convencê-lo. Tinha medo das gozações dos colegas.

Às vezes é um fato corriqueiro que nos faz perceber quantos difíceis dilemas as crianças têm que resolver até que se tornem adultos
íntegros.

Não faz muito tempo, ser um bom menino significava, como dizia o palhaço Carequinha, não fazer pipi na cama nem fazer malcriação, concluir o trabalho de casa com capricho, deixar o quarto mais ou menos arrumado, não falar palavrão, dirigir-se respeitosamente aos mais velhos; tarefas, enfim, razoavelmente simples de serem aprendidas. Isso porque valores como
honestidade e integridade não estavam ainda em discussão.

Ser um "bom menino", hoje, significa não apenas saber o que é certo ou errado, mas também conseguir se opor a atitudes (bem freqüentes) que contrariam os princípios norteadores da sociedade - o que não é nada fácil nem para adultos, quanto mais para crianças e jovens.

Opor-se ao grupo e fazer escolhas adequadas demanda forte grau de segurança. Mais ainda: significa que nossos filhos têm que estar certos, em primeiro lugar, de que solidariedade, justiça e honestidade, por exemplo, não estão "fora de moda". Precisam, acima de tudo, acreditar que, mesmo quando parte dos homens não respeita esses princípios, não há a mínima condição de vivermos com segurança sem eles.

Como convencê-los, no entanto, se a TV, as novelas, as atitudes de muitos adultos, os jornais, alguns programas humorísticos e até certas músicas os bombardeiam com mensagens antiéticas? Como convencê-los, se parte dos colegas, com os quais convivem, quebra vidraças, desrespeita os mais velhos, picha muros, destrói o mobiliário das escolas, dirige sem carteira aos 16
anos ou falsifica documentos para poder entrar nas boates antes da idade permitida em lei, por vezes com a anuência dos responsáveis?

Criar adultos dignos depende basicamente de duas coisas: da maneira pela qual nós, pais, vivemos o dia-a-dia e da confiança que temos nos valores que guiam nossas ações. Ou seja, é necessário não só sermos íntegros, mas também não duvidarmos da força dos nossos princípios.

Quando crianças e jovens percebem nos seus mais fortes modelos (nós, seus pais!), segurança inabalável na retidão, na cooperação, na honra - independente do que estejam fazendo os vizinhos, parentes e amigos - eles muito provavelmente também acreditarão. Se, ao contrário, já que há tanta corrupção e impunidade, os próprios pais começam a afrouxar seus conceitos ou a repetir diariamente que "o Brasil não tem jeito", em que irão seus filhos acreditar? Por que e para que irão lutar?

O perigo maior para um jovem não são as drogas: é não crer no futuro e na sociedade em que vive. A falta de esperança, essa sim, é que pode levar à depressão, ao individualismo, ao consumismo exacerbado, ao suicídio, à marginalidade e às drogas. Em contrapartida, a convicção de um caminho produtivo a ser trilhado e o desejo de contribuir fazem com que os jovens progridam, criem, estudem e realizem. E para ter essa confiança, eles precisam conviver com pessoas que não apenas vivam de acordo com esse modelo, mas também que não se deixem abalar pelas notícias negativas que saem diariamente na mídia.

Existe, sim, gente desonesta, o que não significa que muitos outros - muitos mais - não sejam dignos, trabalhadores e corretos. Precisamos lutar vigorosamente para que nossos filhos percebam que quem leva o Brasil adiante é "a maioria silenciosa", aquela que é formada por pessoas honestas e trabalhadoras, e que, por isso mesmo, não constituem notícia, nem, portanto, aparecem nos jornais e na TV.

Os pais têm papel primordial na estruturação do caráter dos filhos. Resgatar a ética é hoje questão de sobrevivência. Que jovem poderá resistir às pressões negativas de uma sociedade em crise, se não aquele que tenha internalizado o respeito por si próprio e pelo outro?

Para isso é preciso, em primeiro lugar, que se reconheçam num modelo - isto é, que saibam quem são, que façam identificações adequadas. E para tanto precisam de modelos fortes e seguros, que não duvidem nem desanimem a cada notícia negativa nos jornais, ou a cada mau exemplo nas vizinhanças.

Muita gente acha que ensinar integridade é impossível nos tempos modernos. Talvez ignorem que isso se faz basicamente através de exemplos concretos de vida. Se os pais, "sem muito discurso", vivem de acordo com princípios, estarão encorajando os filhos a seguirem seus passos, mesmo sem perceber.

Quer dizer, não mentindo, não aceitando uma conta errada no restaurante, chegando à hora combinada aos encontros, respeitando a lei, não mudando ou querendo mudar as regras do jogo de acordo com as conveniências do momento, e, especialmente, não disseminando amargura e descrença, simplesmente porque nem todos agem de maneira honesta. Na grande maioria dos casos, essa forma de viver será suficiente para que seus filhos acreditem nos valores.

Afinal, não podem contestar - estão vendo! - que vocês vivem de acordo com o que defendem.

Por fim, é bom lembrar que, especialmente quando nossos filhos chegam à adolescência, quase com certeza irão opor alguma (ou bastante) resistência ao que defendemos. Não nos deixemos iludir pelas aparências - especialmente não desanimemos! Eles estão lutando para se independentizar, e isso pode significar ficar contra tudo (literalmente tudo, para nosso desespero) que
nós, pais, postulamos.

Ainda que seja difícil acreditar, nossas lições nunca são inúteis. Enquanto nossas atitudes forem coerentes com nosso discurso, estaremos provendo a base para a qual eles retornarão, quando a época da rebeldia terminar. E, mesmo na fase mais aguda de auto-afirmação, raramente se afastarão dos conceitos essenciais. Poderão até fazer algumas bobagens, mas nada que fira de forma irremediável a ética e os valores que aprenderam, por toda sua curta vida, a respeitar.

Mesmo quando parece que não nos ouvem nem vêem, é a nossa integridade que serve de fundamento para nossos filhos, hoje e sempre.

(Tânia Zagury é filósofa e mestre em educação)


Arsenal americano para bombardear o Afeganistão:


B1 e B2
B1 & B2
Em solidariedade à Andréa contra a ditadura da balança:


no body
I ain´t got no body