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10.1.02


GATO


... mamífero carnívoro de unhas retráteis;
... ligação elétrica clandestina;
... homem jovem e bonito;
... alteração na documentação do jogador de futebol que lhe diminui a idade para permitir que jogue nas categorias de base.

Tem gato escondido com o rabo de fora...


VERIFICANDO AS PREVISÕES


Consegui fazer uma coisa que sempre disse que faria e acabo esquecendo. No início do ano passado, recortei uma folha de jornal com previsões sobre 2001. O objetivo era checar os acertos e erros quando o ano acabasse. Frustração... As previsões são tão genéricas que não dá nem para saber se eles foram corretas.

Confira alguns pontos e tente também entender se batem ou não com o que aconteceu:

GERAL

1 – 2001 será o ano da comunicação (porque a soma dos algarismos resulta em 3) e gerará frutos para quem trabalha e lida com palavras, melhorará a qualidade de vida e concretizará projetos usando palavras como instrumento de meditação positiva.

Observação: Silvio Santos foi eleito o Homem do Ano. Será que é isso?

2 - Esta facilidade para a comunicação, entretanto também poderá ajudar maus políticos a acenarem de forma mais convincente e facilitará aqueles que têm boa lábia.

Observações: Bin Laden? As imagens exaustivamente repetidas do ataque às torres gêmeas? As cartas com antraz? A aparição de Roseana Sarney nas pesquisas de intenção de votos após os programas políticos do seu partido?

3 – Expansão e fertilidade. Energia favorável para concretizar projetos e para mulheres engravidarem com maior facilidade.

Observação: O clone humano?

4 – Será um período de renascimento, uma energia boa que só aparece a cada nove anos e que favorece o crescimento.

Observação:???

5 – O número três (2+0+0+1) traz à tona nosso lado criança. O que exige um certo cuidado para não se perder a noção de regras e valores.

Observação: “Quem sabe ainda sou uma garotinha” Música mais executada nas rádios do país no ano passado.

6 – Período de beleza, elegância e charme. Resultado: fogueiras de vaidades estarão a todo vapor. A convivência poderá ser custosa. O problema são os que só conseguem enxergar o próprio umbigo. Se não se modificarem, periga ficarem mais egoístas e fúteis.

Observação: Casa dos Artistas? A Guerra do Afeganistão?

PARA O RIO

7 – Uma “cara” diferente para a cidade em 2001. Uma nova imagem que pode atrair investimento e projeção.

Observação: Piscinão de Ramos? Os hotéis lotados? Rock in Rio?

8 – Preocupações que deverão estar sempre na mente dos cariocas dizem respeito a enchentes, poluição, deslizamentos e epidemias.

Observação: Sem comentários. Essa até eu!

9 – Anseio geral de renovação, uma idealização de cidade realmente maravilhosa. Netuno, planeta da maravilha e do sonho. Mas também é o planeta das ilusões e das drogas.

Observação: Ui!

10 – Tendência ao desejo de salvar a cidade, seja com apoio voluntário ou por meio de marketing para comover o público.

Observação: Isso eu tenho visto sim. Parece que foi a previsão mais clara e objetiva.

Quem fez as previsões:

- O numerólogo Gilson Chveidoen
- O tarólogo e numerólogo Namur Gopalla
- A astróloga Anna Maria Costa Ribeiro

(Sobre matéria de 07/01/2001 no JB)

7.1.02


TRIBUTO A RITA LEE




Lu (obrigada pela idéia e pelo convite, querida!), Ricardo e eu fomos ao show da Rita Lee ontem no Canecão,.

Nossa mesa lateral não era em local nobre, mas creio que era uma das melhores daquele setor. O Canecão está mudando. As arquibancadas foram retiradas e tudo indica que surgirão mais mesas onde elas estavam. Ontem este “nada” foi ocupado pelos sem-assento.

Rita, já avançada nos cinqüenta, está ainda vitaminada. Apesar da tristeza pela morte de Cássia Eller, que homenageou diversas vezes, e pelas guerras que insistem em aflorar em pleno século vinte e um, o show foi alegre. Ela é muito divertida sempre. Adoro suas músicas, mas gosto ainda mais quando ela fala, faz caretas, adota a quintessência da postura pop-rock, inclusive canibalizando alguns trejeitos de Jagger.

O repertório passeou pelas músicas do novo disco com canções dos Beatles e por aqueles sucessos que todo mundo sabe (ou deveria saber) de cor. Começou com A Hard Day´s Night, no original, emendada com Nem Luxo Nem Lixo. Pausa para agradecimentos pelo comparecimento do público, descrição do humor, piadinhas, saudades de Cássia Eller e de alguma forma este simpático discurso ficou redondinho com With a Little Help from My Friend. Ao cantar Alô Alô Marciano, citou Elis de leve, imitando as evoluções de braço que valeram à Pimentinha um outro apelido: Hélice. A seguir, a versão dos Beatles estouradaça nas rádios: Prá Você Eu Digo Sim. Depois de cantar Agora Só Falta Você, Rita se retirou do palco, deixando apenas os músicos. É hora de falar deles.

A banda é nova e não poderia ter um nome mais provocativo: Talebanda. Coisa de fera. Barone, Dadi, Ary Dias, William Magalhães e Roberto Carvalho. Mais tarde Rita apresentaria os músicos como seus filhos. Dadi seria resultado de seu casamento com Caetano; Ary da ligação com Gil; Wiliam de um caso com Tim Mais; de Barone ela não sabia bem quem era o pai, porque na época andava com Herbert e Bi...

Rita voltou travestida de Gal Costa para cantar Baby. É um dos momentos mais engraçados do espetáculo, quando a eterna mutante enverga uma peruca negra cacheada e uma echarpe de plumas e desce até a audiência para conversar, distribuir beijinhos e abraços e sentar em alguns colos afortunados.

Nada como um narizinho de palhaço para, no que ela descreveu como momento Tropicalismo, cantar Panis et Circensis. No meio da apresentação de Todas As Mulheres do Mundo surge no palco uma mulher vestindo a burqa. Ao final do número, a odiosa vestimenta é arrancada e surge uma bela mulher grávida de bikini. Acho que todas aplaudiram Leila Diniz.

Sim, estou pulando algumas músicas. O show foi deliciosamente longo, desses que você sente o prazer do artista por estar lá... Emoção que não conseguiria reproduzir aqui contando tudo nos mínimos detalhes. Você se cansaria...

Bom, como ameaçado, Rita apresentou uma das versões para músicas do quarteto de Liverpool que foram barradas pelas editoras por serem consideradas exóticas demais. Realmente A Cabra e o Bode (sobre I Wanna Hold Your Hand) não pode ser considerada ortodoxa. Exatamente por isso é hilariante.

Ótimo arranjo bossa nova para Lucy in the Sky with Diamonds, com refrão pesadão sublinhado pela iluminação.

Para encerrar, um pout-pourri com Chega Mais, Pega Rapaz e Jardins da Babilônia.

Pensa que acabou?

Ainda tinha o momento Miss Simpatia, ou seja, o bis atendendo a pedidos. Saúde para todos. Foi quando Zélia Duncan subiu ao palco para cantar com Rita e, acompanhadas apenas por Roberto, levaram uma série de antigos sucessos da titia do rock, como Doce Vampiro e Lança Perfume. Já no finalzinho e sem Zélia a banda toda retorna incrementada pelo filhão Beto e a Ovelha Negra se despede de vez.

Fiquei com a sensação de que faltou algo. O público estava meio frio, mesmo com aqueles chatos que ficam o tempo todo gritando gracinhas ou pedindo músicas fora de hora. E redescobri que eu amo Rita Lee. E não é apenas porque sua música alegre e sacana foi trilha sonora da minha adolescência. Foi através dela que cheguei a compreender o Tropicalismo. E olha que desde que me entendo por gente havia Gil e Caetano em casa. Mas eles eram (e são). Rita me fez querer saber de onde vinha, o que era, por quê...

No meio do show comecei a viajar. Durante muito tempo, achei estranho quando se perguntava a alguém o que ele ouvia na infância e juventude. Depois compreendi. E ontem me caiu a ficha de que muitas das coisas que navegam no mais profundo de mim talvez não fossem iguais (mesmo que muita gente olhe e só veja Clark Kent) se eu não houvesse me formado ouvindo:

“No ar que eu respiro
Eu sinto prazer
De ser quem eu sou
De estar onde estou
Agora só falta você”

“Roquem é ele?
Quem é ele?
Esse tal de Roque Enrow?
Um planeta, um deserto,
Uma bomba que estourou
Ele, quem é ele?
Isso ninguém nunca falou!”

“Levava uma vida sossegada
Gostava de sombra e água fresca
Meus Deus, quanto tempo
Eu passei sem saber?
Foi quando meu pai me disse:
Filha,
Você é a ovelha negra da família
Agora é hora de você assumir
Uh, e sumir “

“Ai, ai, meu Deus, o que foi que aconteceu
Com a música popular brasileira?
Todos falam sério, todos eles levam a sério
Mas esse sério me parece brincadeira “

“Agora é moda, sair nua em capa de revista
Agora é moda, pichar a vida de artista
Agora é moda, bionicar o corpo inteiro
Agora é moda, culpar o mercado estrangeiro
Dance, dance, dance - Dancei!”

“Suspenderam os Jardins da Babilônia
E eu pra não ficar por baixo
Resolvi botar as asas pra fora
Porque
Quem não chora dali, não mama daqui
Diz o ditado
Quem pode, pode, deixa os acomodados
Que se incomodem

Minha saúde não é de ferro, não
Mas meus nervos são de aço
Pra pedir silêncio eu berro
Pra fazer barulho eu mesma faço,
Ou não!”

“Eu e meu gato
Ele na cama
Eu no telhado
Ele sem as botas
E eu sem grana”

“Depois me leva pra casa
Me prenda, nos braços
Me torture de carinho
Beijinhos, abraços
Depois me coce, me adoce
Até eu confessar"

“Me acostumei com você,
Sempre reclamando da vida
Me ferindo, me curando a ferida
Mas nada disso importa,
Vou abrir a porta pra você entrar
Beijar minha boca,
Até me matar de amor!”

“A gente faz amor por telepatia
No chão, no mar, na lua, na melodia
Mania de você
De tanto a gente se beijar,
De tanto imaginar loucuras!”

“Me aqueça
Me vira de ponta-cabeça
Me faz de gato e sapato
Me deixa de quatro no ato
Me enche de amor, de amor”

“Você tem ciúme
Mas gosta de me ver rebolar
Eu topo tudo
Sou flor que se cheire em qualquer lugar”

“Se Deus quiser,
Um dia eu viro semente
E quando a chuva molhar o jardim
Ah, eu fico contente
E na primavera vou brotar na terra”

“Se me der na telha sou capaz
De enlouquecer, e mandar tudo
Práquele lugar
E fugir com você pra Shangrilá
E me deixar levar por um
Beijo eterno
Por seu corpo envolvente
Mais quente que o inferno”

“Não quero luxo nem lixo
Meu sonho é ser imortal, meu amor
Não quero luxo nem lixo
Quero saúde pra gozar no final”

“João Ninguém é dono da aldeia
Quem bobeou, dançou
Desconfia até da mãe,
Quanto mais do tataravô
João Ninguém não perde um vintém
Nouveau riche quatrocentão
Sem talento pra ser feliz,
Milionário por vocação”

“Como vai,tudo bem
Apesar,contudo,todavia,mas,porém
As águas vão rolar
Não vou chorar
Se por acaso morrer do coração
É sinal que amei demais
Mas enquanto estou viva
Cheia de graça
Talvez ainda faça
Um monte de gente feliz!”

“Fiquei mocinha
Sabe como é...
O tal bicho papão
Virou meu namorado
Eu sou má companhia
Pra quem não tiver
Um coração que vive apaixonado
Sempre fui levada-da-breca
Brincar de médico
É melhor que boneca... "

“Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica...”

“Se pintar um negócio na esquina
Corre e vê se eu estou lá na China
E se estiver, vê se me deixa em paz
Eu quero mais ficar bem longe desse tititi...”

“Que tal nós dois
Numa banheira de espuma
El cuerpo caliente,
Um dolce farniente
Sem culpa nenhuma”

“Porque a gente nem sabe por quê
Mas acontece que eu nasci pra ser só de você
É claro que a sorte também ajudou
Ultimamente, um romance dura pouco”

“Mulher é bicho esquisito
Todo mês sangra
Um sexto sentido maior que a razão
Gata borralheira, você é princesa
Dondoca é uma espécie em extinção”

“Meus amigos dizem que essa coisa vicia
Andaram até jurando que era anorexia
É uma neurose,
Uma overdose,
Sou dependente do amor!”

“Desculpe o auê,
Eu não queria magoar você,
Foi ciúme sim,
Fiz greve de fome, guerrilhas, motim,
Perdi a cabeça, esqueça!”

“As noviças do vício
Não medem sacrifícios
Fazem altas baixarias
Por um resto de sucesso
Ratazanas da publicidade
Pérolas da vulgaridade
Elas pecam pelo excesso
E morrem pela falta”

“Alô doçura
Me puxa pela cintura
Tem tudo a ver o teu xaxim
Com a minha trepadeira
Nós dois pra lá
Bem pra lá de Nirvana
Numa cama voadora, fazedora de amor
De frente, de trás
Eu te amo cada vez mais
De frente, de trás
Pega rapaz, me pega rapaz”

“Eu nem vejo a hora de lhe dizer
Aquilo tudo que eu decorei
E depois o beijo que eu já sonhei
Você vai sentir, mas...
Por favor, não leve a mal
Eu só quero que você me queira
Não leve a mal”

“Eu vou sabotar
Vou casar com ele
Vou trepar na escada
Pra pintar seu nome no céu
Sabotagem! Sabotagem! Sabotagem!
Eu quero que você se...
Top top top uh!”

“Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz, não é feliz
(...)
Sim, sou muito louco
Não vou me curar
Já não sou o único
Que encontrou a paz
Mais louco é quem me diz
E não é feliz
Eu sou feliz”

6.1.02


ENTRANDO NO CLIMÃO


Nomes da música brasileira homenageando os Beatles no Multishow. Preciso dizer que vou ao show da Rita Lee hoje à noite?

DOMINGO DE SOL NO PARQUE LAJE


sovaco do Cristo


recorte no tempo


verde 1


verde 2


homenagem a Chiquinha Gonzaga


"vejo flores em você"


cicatrizes


acompanhando Pedro Luís


alma



("cicatrizes" e "acompanhando Pedro Luís" são fotos de meu amo e senhor, Mr. Ricardo Pessanha)

NOVELÃO


Estou acompanhando a novela e está emocionante como toda história de verão carioca.

O Natal foi marcado pela tragédia das chuvas e a meteorologia anunciava possibilidade de novas pancadas com chances de granizo para 48 horas seguintes. Choveu um pouco, o sol quis sair, houve mormaço, choveu mais um pouquinho, mas não houve outra tempestade na cidade. A previsão continuava a mesma. As 48 horas passaram... Os boletins começaram a falar em 72 horas...+++ Nada de toró...

O dia 31 de dezembro foi nublado. Por volta das 22 horas, quase todo mundo estava olhando para o céu, não apenas buscando auspícios para o novo ano, mas também com medo da tão prometida chuvarada. E eis que a invés da tormenta, surge a lua linda e cheia, estrelas magníficas, as nuvens sentiram vergonha diante da alegria dos cariocas e dos turistas que ocuparam 100% das vagas dos hotéis e tomaram chá de sumiço.

Os fogos, nas balsas a 350 metros da arrebentação, não causaram a mesma emoção e o mesmo impacto de quando a queima acontecia nas areias. Entretanto, a segurança foi garantida. Ninguém estava disposto a arcar com os riscos de acidentes como o do ano anterior. Assim, um evento que reúne um público de 2 milhões de pessoas, sem qualquer ocorrência grave, não pode ser considerado um fracasso, como diz a revista Veja, com um ressentimento (ciúme, inveja?) indisfarçável em relação a tudo o que acontece aqui na Cidade Maravilhosa.

Aí a novela engrena. César Maia, o prefeito-factóide que andava até quietinho anuncia que vai processar o Instituto de Meteorologia por tentar sabotar os festejos cariocas de final de ano. Se vai mesmo processar ou não, isso é outra história, o importante é ter conseguido que se falasse disso por toda a semana.

Mas a história continua de forma ainda mais insólita quando a Fundação Cacique Cobra Coral envia ao prefeito uma carta em que pede para que ele não abra o processo, alegando que as mudanças atmosféricas são de responsabilidade deles e de seus ritos, que desafiam as leis da física e do bom senso, mas funcionam. Eles foram contratados por um empresário para garantir que a chuva não atrapalharia a festa. Para quem não lembra, a Fundação já havia sido contratada para garantir bom tempo durante o Rock in Rio do ano passado e na inauguração da árvore de Natal da Lagoa (quando as nuvens carregadas também se dissiparam inesperadamente em cima da hora do evento). O serviço é cobrado a posteriori e eles só recebem se o objetivo (nada de chuva) for atingido.

E o Carnaval?



CORUJICES


- É verdade que São Paulo é a maior cidade da América Latina?
- É. Antes era a Cidade do México, mas agora é São Paulo, sim.
- E o que que é América Latina?

Já repararam quantas coisas se precisa explicar antes de conseguir definir o que é América Latina?

As perguntas estão ficando cada vez mais complicadas e eu estou me dando conta de que algumas coisas que a gente assume como simples não são assim tão imediatas. Nada como uma criança esperta por perto para nos ensinar sobre a vida.


*******


Estávamos atrás de argila. Finalmente lembrei onde havia comprado da última vez, mas estávamos indo em direção oposta e a loja fechava em poucos minutos. Liguei para a assessora para assuntos pedrísticos - a avó - que estava mais próxima do dito estabelecimento e solicitei que providenciasse o material, já que o pequeno estava em crise criativa fortíssima e talvez morresse se em pouco tempo não tivesse em suas mãos argila para modelar.

Impossível parar em casa com o verão do Rio de Janeiro chamando lá fora. Assim, só depois de passadas 24 horas o moleque consegue um momento de tranqüilidade para dedicar-se ao tão desejado amasso.

- Mãe, dá para o Papai.

Olho a figura esculpida em minhas mãos.

- Sabe o que é, né?
- Sei. Obrigada.
- É daquela história que você me contou outro dia...

Fui fazer o combinado. Meu marido tinha uma figura idêntica para me entregar. Fizemos então a troca de muiraquitãs.


*******


- Quando eu era bebê, não sabia que você era minha mãe, nem que você era meu pai. Não sabia nem quem eu era. Só sabia que eu vivia.
- Oh!
- Hoje eu estou meio poético, né?

31.12.01

Movimento 1: Cantando para subir

Prefiro, metaforicamente, levar de 2001 aquele show maravilhoso no Canecão à notícia do último dia 29. Cássia Eller canta minha despedida para este ano tão louco...


Non, Je Ne Regrette Rien

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
C'est payé, balayé, oublié
Je me fous du passé
Avec mes souvenirs
J'ai allumé le feu
Mes chagrins, mes plaisirs
Je n'ai plus besoin d'eux
Balayés mes amours
Avec leurs trémolos
Balayés pour toujours
Je repars à zéro

Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait, ni le mal
Tout ça m'est bien égal
Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Car ma vie
Car mes joies
Aujourd'hui
Ça commence avec toi...



Movimento 2: Recepção

Para o novo ano, que, independente de religião, todo o mundo compreenda e viva o amor.


ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
Onde houver erros, que eu leve a verdade;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar,
que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado;
Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado;
E é morrendo que se vive para a vida eterna.



22.12.01

Não me peça o que não posso dar. Sou toda intuitiva e empírica. Deixei as certezas na casa dos vinte. As condições morrem uma a uma a cada dia. Vivo apenas o real. Idealizações não mais.

Apesar de tudo isso, algo é perene em mim: eu mesma. E algo aqui dentro me diz que nem tudo é relativo. É preciso acreditar e guiar-se por alguma coisa que se crê absoluta.

Sob pena de perder a razão. Mesmo que seja apenas em uma discussão.

Ninguém me conhece...

Sequer preciso de uma poção para me transformar em Mr. Hyde.

Quem dera este aparelho de ar condicionado liberasse oxigênio.

O calor está derretendo meu pobre e preguiçoso cérebro...


AA UU
(Sérgio Britto/Marcelo Fromer)



AA UU AA UU
AA UU AA UU
Estou ficando louco de tanto pensar
Estou ficando rouco de tanto gritar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como

Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Estou ficando cego de tanto enxergar
Estou ficando surdo de tanto escutar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Não como, não durmo, não durmo, não como
Não como, não durmo, não durmo, não como

Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar


O MUIRAQUITÃ




Muiraquitã é o nome que os índios davam a um pequeno objeto em forma de rã, que segundo eles trazia felicidade a quem o possuísse.

A lenda do Muiraquitã vem desde os tempos do descobrimento, mas só nos séculos XVIII e XIX os amuletos se tornaram mais procurados, sendo atribuídas a eles qualidades de amuleto ou talismã.

Encontrado principalmente na região do Baixo Amazonas - região na qual encontravam-se as índias Icamiabas ou "mulheres sem maridos", mulheres guerreiras que viviam em uma sociedade isolada, e que regiam suas próprias leis. As Icamiabas realizavam uma festa anual dedicada à lua, e durante a qual recebiam os índios Guacaris (tribo localizada próxima a das Icamiabas), com os quais se acasalavam. Depois do acasalamento, mergulhavam em um lago chamado Iaci-uaruá (Espelho da Lua) e iam buscar no fundo do rio a matéria-prima com que moldavam os Muiraquitãs, que ao saírem da água endureciam. Então presenteavam os companheiros com os quais tinham feito amor... Os que recebiam, usavam orgulhosamente pendurados no pescoço, como um troféu e como símbolo de fertilidade e felicidade.

De qualquer forma quando se pronuncia Amazonas, não se pode deixar de pensar em Muiraquitã. O Muiraquitã é o amuleto de fertilidade e da sorte da Amazônia.


*****

Retirando-se a referência sexual da lenda, nada mais adequado que o texto acima para descrever a beleza do que trago agora. Uma guerreira amazônica me recebeu. Recebi um Muiraquitã para jamais esquecer esse momento único (como se fosse necessário alguma prova material do que arranhou minha alma...). Não sou eu que mereço o troféu por uma vitória, mas fico muito feliz por ter participado dela.

Meg, você é uma anfitriã maravilhosa, além de todas as suas outras qualidades, que eu não canso de louvar.

Peço desculpas, mas é impossível não gostar da Selma :-). Mas fique tranqüila, meu coração é grande... Prova disso é que o espaço que tenho reservado para você inchou ainda mais...

Foi muito bom poder abraçar você, olhar dentro dos seus olhos... Obrigada por reunir este povo querido (Letti, Nana, Joyce, Giselle) para que pudéssemos compartilhar esta alegria que é a sua presença...

20.12.01

Mensagem codificada:

Por favor, repare no canto direito das fotos, naquelas letrinhas bem pequenas. Tem nenguinho triste por aqui achando que ninguém reparou que a família inteira participou :-)

19.12.01

Era uma daquelas propagandas-brindes que a gente não agüenta mais receber. Mas achei lindo um pedacinho, recortei e mantenho sempre por perto:

O fundo é verde. No respaldar de uma janela azul, um globo terrestre com os continentes desenhados em amarelo e laranja serve de vaso para um viçoso girassol. Sob tudo isso:

Sua vida pode ter mais cor.

Sempre pode, sim!


Aflora
A flor - Ah!

Gracejo
Gaguejo - Beijo!

Imploro
Um poro - Hum!

Vambora
Agora - Ora!

Espreme
É fome - Homi!

Defloro
A flor - Oh!


18.12.01

A palavra da semana é Anamnésia!
ai-ai!

O que será
(À flor da pele)

Chico Buarque
1976


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será
(À flor da terra)


Chico Buarque
1976


O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será
(Abertura)


Chico Buarque
1976


E todos os meu nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem ljuízo

O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Quando não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas dele vadiar
Será que passa fora o resto da dia
Será que foi-se embora em má companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de um folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo


17.12.01

Matéria de capa da Revista de Domingo de ontem:

Malu Mader, Cláudia Abreu e Carolina Ferraz: as musas de verdade. Elas têm em comum o fato de não terem posado nuas para a Playboy, não terem aplicado silicone nos seios (elas têm a fantasia, mas acham arriscado ou acabam concluindo que ainda dá para encarar do jeito que a natureza fez enquanto a gravidade não for muito severa), não gostarem do assédio dos paparazzi. Além disso, estão todas na casa dos trinta. Por todas estas razões são admiradas (e muitas vezes criticadas).

Gente! Eu sou musa e não sabia.

hahahahahahaha
Uma coisa que me dá imenso prazer é mostrar as coisas da minha cidade, do meu país para quem estiver interessado em conhecer. Não estou falando do pacotão clássico, que constam do catálogo de qualquer agência de turismo internacional, mas das coisas legítimas, que fazem parte do cotidiano dos locais.

O trabalho da amiga francesa que nos acompanhou ontem é relacionado com o candomblé e para isso ela está acostumada a ir onde o povo está. No final de semana anterior ela foi filmar um terreiro em Mauá. Conosco ela queria lazer, ir a um bar que tivesse samba de verdade. Estephanio´s nos pareceu a melhor opção.

Quando chegamos, reparamos que algo estava diferente. A mesa em torno da qual o grupo Roda de Saia faz o show estava do lado de fora do bar, ao contrário das outras vezes. A gente bonita que freqüenta o lugar não estava dando muita bola para a chuva insistente e tomava a rua. Quando nos aproximamos, reparamos que, além de tantã e cavaquinho geralmente usados no local, num canto havia surdão e outros instrumentos de bateria. Teríamos sambão!

No processo de aclimatação, ouvimos samba de raiz. Não consigo deixar de me emocionar com coisas como Folhas Secas e A Voz do Morro. De repente os grandes instrumentos tomaram o lugar dos demais. Ficamos sabendo que vai sair um bloco do bar. E que o enredo é Beth Carvalho.

Existe uma lenda que afirma que carioca não sai de casa quando chove. Talvez antes do Estephanio´s abrir suas portas...

Houve um tempo em que eu me sobressaia na multidão com 1,78m. Agora não mais. Pelo menos entre a juventude sarada e amante do samba na Zona Norte. Êta gente grande e forte!

E a chuva cai... E alguém anuncia que o enredo havia se materializado ali. E a ma-ra-vi-lhosa, po-de-ro-sa e vi-ta-mi-na-da Beth assume o microfone e é ovacionada. E dá uma canja de primeiríssima com seus maiores sucessos. E o povo canta junto... E a moçada samba... E a chuva cai lá fora, você vai se molhar, já lhe pedi não vá embora... E vou festejar... E é impossível ficar triste quando a gente se propõe a colocar o nariz fora de casa nesta cidade...

Botecos abrem e fecham... Alguns têm música... Outros têm bom chope... Alguns quitutes deliciosos... Pouquíssimos transcendem e têm espírito...
Fiquei tocada com os elogios que a Meg dirigiu a mim. E não sou boba de refutá-los. Guardo meu rubor e minhas dúvidas para mim.

Sabe, querida, não é à toa que a Janela de Johari está aqui no meu blog. É importante o feedback de quem nos quer bem. E não falo apenas de elogios, mas também das críticas bem intencionadas. (Por isso somos todos loucos pelos comentários. Será que o Falasério vai continuar me barrando na porta?) Talvez você tenha razão quando afirma que as pessoas questionam tantos os elogios quanto as críticas. No primeiro caso, embora todo mundo goste de ser enaltecido, há que se lutar contra os ensinamentos de que bonito é ser humilde. Alguém disse que a modéstia é para os medíocres. Portanto luto diariamente para fugir da mediocridade e aceitar com alegria os carinhos que recebo.

Sonho um dia me concentrar na questão da inveja. Para mim, ela nada tem a ver com a admiração que você expressou (e que é mútua). Tampouco é a mesma coisa que querer ter o que o outro tem (cobiça). O invejoso deseja destruir o outro, tomar o que é dele. Assim, como tantas vezes você sabiamente me alertou para o uso correto de certas palavras, peço licença para fazer o mesmo com você.