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8.3.02

Recebi por e-mail, de fontes diversas, duas dicas que quero partilhar com você. Fica registrado aqui meu agradedimento.

A primeira dica veio da Letti. Chama-se Mundo Perfeito é show de bola em forma e, principalmente, conteúdo.

A segunda veio da Cris, que ainda não tem blog, mas deveria, e é uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

Aliás, hoje é o dia certo para pensarmos seriamente sobre os passos que já demos e os que precisam ser ainda dados para que alcancemos o que nos é devido.

7.3.02

Ela toca chocalho na bateria do Salgueiro...
Ai-ai!

Hoje não deu tempo nem de escrever um post rapidinho.

E olha que não falta assunto...

Só para ficar registrado que, ao contrário de um povinho aí (muito querido, mas sádico com leitores assíduos), não estou em greve.

6.3.02

Eu estava muito abalada com a morte do meu pai e com a gavidez problemática da minha irmã mais nova. Ficava remoendo muitas questões. Um amigo perdeu o pai mais ou menos na mesma época e discutíamos sobre o toque do anjo da morte e a reviravolta que ele causa em nosso sistema de valores. A verdade é que comecei a me preocupar com coisas para as quais jamais tinha dado atenção.

Uma conhecida me disse que eu só me preocupava com isso porque estava deprimida. Fico com os dois pés atrás quando usam a palavra depressão para designar tristeza. De qualquer forma, ela estava certa ou simplemente consegui digerir e resolver o que agitava minha cabeça naquele tempo. Passou junto com a dor lancinante, que virou doce saudade e cicatriz, e se transformou em um novo código de postura mais elaborado. Mas quando ela me disse aquelas coisas reagi com veemência. Não estava pronta para ouvir. De qualquer modo, suas palavras ficaram registradas e hoje reflito sobre elas.

Observo algumas pessoas enumerando desgraças como se vivêssemos o final dos tempos. Sou daquelas que acreditam que nada é muito pior do que sempre foi. Mudaram a velocidade com que a informação nos chega e quantidade de dados que temos que processar diariamente. Sem mencionar que boas notícias definitivamente não rendem manchetes e não geram tantas discussões acaloradas.

Penso que se hoje, por exemplo, direito civis são violados é porque eles existem e há quem reclame e há como fazê-lo publicamente, quando há um segundo histórico eles eram apenas uma utopia.

Minha amiga Gaby diz que o mundo é uma rosquinha: alguns preferem saborear sua deliciosa massa, outros preferem lamentar o furo no meio.

Não sou tola para ignorar o enorme volume de miséria e desgraça que aborrota meus olhos e ouvidos, mas creio numa constante - embora lenta - evolução. Mexo meus pauzinhos quando está ao meu alcance, procuro tirar alguma lição de tudo e não perco o foco nas maravilhas que desabrocham sob minhas imaginárias barbas todo (definitivamente santo) dia.

Aos arautos do apocalipse só tenho a dizer que vai passar.

5.3.02

?????
Hoje estou para movimentos sutis...

Quem quiser que brinque de jogo dos sete erros...

Estou quase fazendo jus ao lado mineiro da família...
Você vai acreditar se eu contar que uma senhora com cara e jeito de Dona Benta desabou no chão hoje na minha frente quando eu levava meu filho para a escola? Pois acredite!
Porque camarão que dorme a onda leva, estou abandonando o Fala Sério e adotando o YACCS.

4.3.02

Meu filho,

Mamãe sente muito orgulho de você. Não apenas porque você é a criança mais linda do mundo para os meus olhos e os de seu pai, mas porque você vive enchendo minha vida de surpresas agradáveis.

Alegrei-me quando, ainda na classe de alfabetização, a professora pediu para você escrever uma frase, qualquer frase, aquela que seria uma das primeiras frases escritas por você e você redigiu: "É bom ser diferente".

Sim, meu filho, é muito bom ser diferente e vou ficar muito feliz se você escolher para sua vida o caminho da unicidade. Contudo, prepare-se. Não é uma estrada fácil.

Algumas vezes você pode se sentir sozinho. Aproveite esses instantes para conhecer-se melhor. Outras vezes você pode sentir-se tentado a simplesmente concordar com a maioria, mesmo acreditando que estão absolutamente errados. Muito cuidado nesses momentos. Procure não trair suas convicções. Seja flexível e aberto a novas idéias, mas mantenha sempre de pé o senso crítico e a capacidade de avaliar o mundo com sua própria cabeça. É ótimo ser aceito e querido, mas procure a afeição e o respeito sendo você mesmo e não apenas mais uma rês no rebanho.

Querido filho, a vida é um bem precioso e as pessoas são geralmente boas. Entretanto, viver exige cautela. É preciso saber ver, ouvir e principalmente interpretar... Infelizmente há homens maus. Desvie-se deles. Eles precisam de espaço para descobrirem uma outra direção. Procure o bem, que é abundante para quem tem os sentidos e sentimentos atentos. Não deixe que desilusões comprometam sua crença no futuro. Acredite que algo melhor sempre poderá vir e sustente a fé no ser humano e na vida, mesmo quando ouvir previsões catastróficas, blasfêmias ou injúrias contra os que você mais ama ou contra o seu país. Lembre-se que boas notícias, pequenos atos heróicos e milagres cotidianos não rendem manchetes e acontecem a toda hora, em toda parte.

Por favor, mantenha a nobreza de sentimentos que você enverga hoje. Compartilhe, sorria, acarinhe, acuda... Tome a iniciativa de melhorar o que você acredita precisar de ajustes. Ofereça amparo esperando nada em troca além de um espírito em paz.

Tenha desconfiômetro e respeite o tempo de cada um. Outros também podem ser diferentes e enxergar a vida de forma diversa da sua. Observe opiniões e experiências que não coincidem com as suas. Discorde quando for o caso, mas considere. Determinação não é antônimo de brandura. Argumente, mas não tente impor. Nada é mais triste do que pretender ser o dono da verdade. Use sempre as palavrinhas mágicas.

Aprenda também a discernir a ignorância da estupidez. Procure ser piedoso com esta e generoso com aquela. Perigosos são apenas os que se julgam detentores de um conhecimento que lhes foge. Inteligência é um dom, não um mérito. Meritórias são a sabedoria e a compaixão.

O mundo está repleto de riquezas. E dificilmente você irá encontrá-las no ouro. Trabalhe e lute pela satisfação. Jamais esqueça quais são as coisas realmente importantes. O maior tesouro é o amor. Amor nos aspectos mais variados. Todos diferentes e preciosos como você.

Não permita que ninguém faça você acreditar que é menor do que é. Olhe dentro dos olhos. Por mais desorientada que esteja, uma pessoa sempre terá alguma vitude. Evite arvorar-se de superior. Tenha um aperto de mão firme e um abraço caloroso. Beije.

Ser mal-interpretado faz parte do jogo. Não desista. Não perca o poder de indignação diante da injustiça e da miséria.

O segredo, querido, é respeito. O que você exige para si e o que demonstra pelos outros.

O objetivo, meu amor, é ser feliz e fazer feliz o maior número de pessoas que você puder.

E, quem sabe, um dia você escreverá uma carta como esta para um meu neto.

E você deverá saber que ele não irá lê-la, porque a graça está em descobrir tudo isso por si. Você estará lá para orientar e apoiar, mas deve deixá-lo tropeçar às vezes, como você mesmo tropeçou, pois é assim que se aprende e se fortalece. E você vai emocionar-se ao ver um caráter formando-se e vai amar este ser com tanta força que jamais conseguirá exprimir com precisão a extensão e intensidade de seu amor. Você deverá saber que nutre e forma esta pessoinha para que se torne um ser humano pleno para o mundo e não para ser um brinquedo em suas mãos ou uma extensão de seus sonhos. Você precisa ter consciência que está dando tudo de si para que ele seja muito venturoso e que um dia ele vai sair para cumprir sua própria missão, talvez bem longe de você. Mais ou menos nessa época, você deverá ter descoberto que a estrada é tão ou mais importante que o destino.

Seja diferente sabendo que, no fundo, somos todos iguais.

Amo você do tamanho do infinito.

Um beijo,

Mamãe.

Todo mundo que tem filho em idade escolar lembra que antes da dengue outra febre foi soberana. E alguns devem também lembrar que antes de ser politicamente corrigido para enquadrar-se às regras norte-americanas e muito antes de atracar por essas plagas de habitantes tão desesperados por consumir vorazmente tudo o que é moda na terra de Tio Sam, um certo programa andou causando ataques epiléticos. Graças aos seus poderosíssimos estímulos áudio-visuais, durante a exibição de um de seus episódios, diversas crianças, em diversas partes da terra do sol nascente - origem de tão curiosa atração - sucumbiram, literalmente babando, à experiêcia.

Pois hoje descobri que sou o Pikachu, o bichinho elétrico protagonista de Pokémon. Não alcanço qualquer outra razão para explicar a freqüência assusadora com que alguém cai diante de mim debatendo-se absolutamente sem controle sobre os próprios movimentos. Quem já presenciou tal cena sabe que ela não é bonita. E quem tem um pouco de discernimento sabe que não causa qualquer prejuízo a não ser ao próprio doente. O meu desespero é porque não sou daquelas pessoas de iniciativa diante de uma emergência. Minha tendência é a paralisia e o grito. Sangue me apavora. Talvez tudo isso seja uma espécie de chance de aprimoramento, porque geralmente os incidentes que presencio envolvem situações de grande risco.

Numa dessas vezes, um homem caiu numa escada e, com os espasmos, batia fortemente a cabeça na quina de um dos degraus. Para ajudá-lo tive que engolir minha fobia, despertada com toda fúria pelo sangue que escorria de sua boca e de sua testa, já que ninguém mais se prontificou a fazê-lo. Os policiais que passavam e a quem pedi socorro deram de ombro e disseram trata-se de um bêbado conhecido na vizinhança. Mais medo que de sangue, só da polícia... Só sosseguei quando a ambulância dos bombeiros, que chamei de um orelhão próximo, finalmente chegou.

Hoje, por volta de meio-dia, filho pela mão a caminho da escola, outro homem caiu diante de mim numa das pistas da Avenida Maracanã. Mesmo quem não conhece pode imaginar a intensidade e a velocidade do tráfego na hora do almoço em uma via que detém o título de avenida. Deixei o moleque na calçada com instruções de não sair dali e lá fui eu sinalizar para os carros desviarem. O sol quente, um antigo problema de saúde e o susto faziam minha cabeça girar. Agarrei pelo uniforme um gari que passava e o intimei a me ajudar a retirar o homem do asfalto. Uma pequena multidão reuniu-se, o homem já estava em segurança recostado no muro, aparentemente sem maiores ferimentos, minhas pernas paravam de formigar: segui meu caminho tentando explicar ao meu filho o que era epilepsia e aquela outra doença, a mais grave, que faz com que as pessoas virem o rosto em outra direção e finjam que nada acontece.

Acho que o Pikachu fica mesmo bambo depois de descarregar suas baterias...

3.3.02

Vi no blog da Telinha que vem aí a refilmagem de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Era um dos meus filmes favoritos na época vadia de estudante para um dia chuvoso de Sessão da Tarde. É, não sou mesmo original... Acho que este filme está na lista das memórias favoritas de muita gente...

O interessante é que esta notícia me animou a tirar uma dúvida. Desde que vi Philip Seymour Hoffman em Magnólia, cismei que ele era o menino Charlie da Fábrica de Chocolate. Os dois tinham um sorriso meio amarelo, um jeito especialmente sem graça de passar a língua nos lábios e caí de amores pela sua interpretação como havia acontecido com o garoto que interpretava o moleque pobre na outra fita... Na época em que assisti a Magnólia, um filme que me impressionou imensamente, fui ao IMDB pesquisar e não vi ligação entre os dois, já que os registros das aparições de Hoffman só começam a partir da década passada. As idades também não batiam muito bem... Mas não sabia o nome original do filme estrelado por Gene Wilder e a pesquisa ficou meio capenga. Com as informações colhidas no artigo publicado pela Telinha, finalmente pude concluir o assunto. O nome do ator mirim é Peter Ostrum e aquela foi sua única aparição na telona, embora tenha recebido alguns convites depois desse trabalho. Casou-se duas vezes, é pai de dois e trabalha como veterinário em Nova Iorque.

Então, como não consegui descobri nada mesmo importante e constatei que muitas vezes minha imaginação é bem mais emocionante do que a realidade (pelo menos para mim), resta-me esperar pelo lançamento do novo filme (baseado não no roteiro do primeiro, mas diretamente no livro em que foi inspirado) e continar acompanhando Mr. Hoffman emprestando seu brilho em diversas produções.

(imagens "tomadas emprestadas" daqui)

1.3.02

Babona


Meu filho de seis anos tem blog!
Cidade Maravilhosa


Hoje minha cidade faz aniversário e, como todos nós, tem muito o que comemorar e muito em que melhorar.

Parabéns, meu amor!

Para celebrar:

* Fernandinha Abreu no Armazém nº5 do Cais do Porto. Participações de Ivo Meirelles, Funk´n´Lata, Afroreggae e MV Bill. DJ Markinhos Mesquita agita antes e depois do show. R$5,00.

* Cinelândia com 5 palcos musicais (forró, rock, jazz, MPB e bossa nova). Presenças confirmadas: Trio Beija-Flor, Saísse e os Bois, Fugitivos de Tokio, Flávia Gabizo, Grupo Maracutaia, Guilherme Brício, Claadette Soares, Eduardo Costa, Taís Fraga e Markinhos Moura. Grátis!

* A Epopéia da Cidade do Rio de Janeiro. Peça de Leila Carvalho e Josué Soares, no Museu da Cidade até 31 de março aos domingos, às 11h30. Grátis!

* Aldir Blanc e Moacyr Luz hoje na Toca do Vinícius em Ipanema.

*Muito, muito mais. Fique de olho que os jornais oferecem várias opções interessantes sem precisar por a mão no bolso.

E para não dizerem que só falo mal da Globo, reconheço sempre que a emissora do Jardim Botânico faz um bom trabalho. Realmente gosto muito destes projetos do RJTV. Foi muito legal a escolha de uma música tema para a Cidade Maravilhosa (embora ache que seria muito mais interessante se a vencedora tivesse sido Rio 40 Graus da Fernandinha Abreu, do Fausto Fawcet e do Laufer). Também gostei muito de O Bairro que eu Quero, onde os moradores apontavam as maiores virtudes e defeitos dos locais onde moram. E esse novo projeto é bastante simpático.

A boa do final de semana

Se você tem mais ou menos a minha idade, decerto sonhou em ser (se seu gosto for diferente do meu, transar com) a Maria de Lourdes vivida por Malu Mader em Anos Dourados. Também deve ter apreciado muito os Titãs e sempre achou o Tony Belotto uma deliciosa exceção entre aqueles geniais paulistas que com certeza não venceram pelos rostinhos bonitos. Ficou surpresa(o) quando ele se lançou como autor de romances policiais? E quando o rapaz começou a apresentar um programa sobre língua portuguesa numa emissora de TV? Se estou afinada com o bom-senso, você também deve achar um desperdício o Fábio Assunção em tramas melosas como a nova novela das seis, enquanto ele arrebenta quando tem nas mãos um papel mais consistente. Sem mencionar a belíssima estampa que uma amiga minha classificava como criolouro (cor de olhos, pele e cabelos de louro e traços negróides).

Pois essa turma toda se reuniu em um filme que tem conseguido ótimas críticas. Trata-se de Bellini e a Esfinge, baseado no romance homônimo do titã casado com a poderosíssima atriz. O moço também participou da produção. A perfeita, digamos, vá lá, química que aconteceu entre a patroa e o menino dos mais lindos olhos azuis do Brasil em outros trabalhos resultou na convocação de Fábio Assunção para encabeçar o elenco. Sob a direção de Roberto Santucci Filho, essa galera tem arrancado aplausos de todo mundo que já teve a oportunidade de conferir o resultado. Parece que o prêmio de melhor filme do Festival do Rio BR 2000 foi merecido.

É a história de um detetive (vivido por Assunção) que para resolver um caso, mergulha no submundo de Sampa, habitado por prostitutas (como a personagem de Malu) e outros bichos. Tem mistérios, herói e bons diálogos...

Vou conferir e prestistigiar essa produção nacional. Em termos cinematográficos, o Brasil tem apresentado muitas coisas interessantes nos últimos tempos.

E para a turma masculina que ainda torce o nariz para o cinema brasileiro, um incentivo: a musa de Gilberto Braga aparece peladona! Ela está linda como sempre. Assisti a uma entrevista com ela no programa da Gabi no GNT e fui fisgada pelo charme e elegância que ela esbanja até para brincar com aquelas piadinhas infames. Você conhece, claro. "Qual o nome do pai da Malu Mader? Malu Father. Qual o nome do cachorro da Malu Mader? Malucão. E o gato? Malucat. E o irmão? O irmão é Felipe mesmo." Sem graça, né? Por que que eu estou colocando isso aqui? Ah, para dizer que ela encara tudo isso numa boa, com aquele sorriso iluminado que Deus lhe deu. O que dizer então daqueles olhos melancólicos emoldurados por sobrancelhas espetaculares? E além de uma carreira gloriosa na TV e agora no cinema, de fazer a clássica dobradinha como esposa de estrela pop acompanhando o maridão nas turnês, quando possível, e mãe de dois pimpolhos naquela idade terrível de dependência e crítica total (querida, como te compreendo!), de ter que viver respondendo a perguntas da estirpe de "como é essa coisa de ser artista, mãe e dona-de-casa?", ela ainda tem projetos de começar a dirigir e escrever roteiros. Maria Clara Machado deve estar orgulhosa, olhando de onde estiver. Dá-lhe, Malu!

Ave, Belotto!

Viva Fábio!

28.2.02

Ontem abri uma série de questionamentos neste blog e hoje quando abri o jornal, li grande parte das respostas que buscava na coluna do Eugênio Bucci. Ele vai pelo caminho que você apontava, Fer e concorda conosco, Mosca.

Debby, continuo achando que esta reflexão que você procura é muito melhor explorada em outros meios, com uma abordagem mais comprometida com a ética e a estética (não apenas corporal).

Dicas para quem está fascinado pelo tema, mas busca alternativas mais interessantes:

Livros:

* 1984 - Orson Welles (sei que há duas versões cinematográficas, embora uma delas seja completamente comprometida pela propaganda anti-comunista da CIA que corrompeu até o magnífico final)
* Senhor das Moscas (Lord of the Flies) - William Golding (Há também o filme de 1963 do diretor Peter Brook, disponível em formato DVD e VHS)

Filmes:

* Ed TV de Ron Howard
* O Show de Truman de Peter Weir

E para quem está buscando respostas sobre alma e relacionamentos humanos, nada melhor que Shakespeare, Machado de Assis ou mesmo Jane Austen, entre muitos e muitos outros...

27.2.02



Uma coisa que me impressiona é que todo mundo odeia a Globo, mas poucos se animam a evitá-la definitivamente.

Ando muito curiosa a respeito do comportamento humano desde que surgiu esse fenômeno chamado reality show. Fico lendo os comentários nos jornais e de vez em quando dou uma olhada nos programas para ver o que é que eles têm de tão hipnotizante. Não consigo atinar sobre o que passa na cabeça de quem paga (e caro) para ver gente fazendo nada interessante 24 horas por dia.

Outro dia entrei num desses blogs cuja pauta é o Big Brother. Todos, invariavelmente falavam mal. Diziam que era tudo armação, criticavam o nível intelectual dos participantes, apontavam defeitos e mais defeitos... E continuam todos ligadísimos minuto a minuto!

O que é isso? Não é apenas a curiosidade pelo outro, natural no ser humano. Será que as pessoas tentam se justificar, por se verem presas a algo tão medíocre, criticando? Algo como: "assisto sim, mas eles não me enganam, porque sou muito esperto"? Acho isso poderia ser traduzido por uma mente realmente crítica como: "eles estão conseguindo seus objetivos; enquanto eu olho para criticar, aumento a audiência, ajudo na conquista do apoio necessário para perpetuar esse tipo de produção e ainda me exponho voluntariamente aos patrocinadores que correm sempre para diante de meus olhos e ouvidos."

Seria mais honesto admitir que assiste porque gosta, porque acha as baixarias, os palavrões, a exposição dos corpos fascinantes; que se esqueceu de padrões éticos, do conceito de cultura e de privacidade em busca do prazer de olhar, de se comparar, de se identificar...

Também sinto um tom de revanche nos comentários como o similar do SBT é superior, porque tem gente conhecida e não uns ninguéns. Imagino o que de interessante pessoas tão nobres tenham para apresentar, além de músculos sarados e cabelos oxigenados... Mas há um gostinho de júbilo ao ver a Vênus Platinada batida semana após semana em um de seus horários mais nobres. Pouco importa como isso foi feito ou a que preço.

Parece estranho escrever num blog sobre a perda da importância da privacidade e acho que só mesmo para mim e muito poucos isso faz sentido.

Importante mesmo é saber que vai "pagar peitinho" hoje à noite ou quem será o próximo casal a causar ondulações sob o edredon. Quem é louco nesses tempos de falar de cinema, música, literatura, teatro e artes plásticas? Quem há de questionar o que é um artista agora que está definido que é aquele que colocou a cara na TV por mais de duas vezes?

Será que vou ter que começar a me preparar para ser mordida por ratos por renegar o Big Brother?




A GRANDE FAMÍLIA
(Tom e Dito)
(especialmente adaptada para anúncio importantíssimo)

Esta família é muito unida, e também muito ouriçada,
Blogam por qualquer razão, mas o importante é o refrão.
Bloga pai, bloga mãe, bloga filho
Eu também sou da família, também quero blogar,
Bloga pai, bloga mãe, bloga filho,
Eu também sou da família, também quero blogar.
Bloga pai, mãe, filho,
Eu também sou da família também quero blogar.

25.2.02



Netto
Caricaturista
Eventos e festas
(021)9697-0784
cartunetto@zipmail.com.br


O cara viu a gente rindo muito e achou que éramos ricos. Bem, ele está certo. Só que nossa riqueza não é dinheiro. É bem melhor que isso...

24.2.02



Rau tchu bi a CaRIOca

(título brasileiro do livro How to be a Carioca da escritora americana Priscilla Ann Goslin, uma fã incondicional da Cidade Maravilhosa)

Recortes de Sta. Teresa
Botequim e fachadas






















Hoje estou assim...

O QUERERES
(Caetano Veloso)


Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão
Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês
Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor
Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói
Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és
Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus
O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim