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21.10.02

17.10.02

Regina Duarte é internada para tratamento psiquiátrico

Já dizia meu sábio e falecido pai:

- Dia de muito, véspera de nenhum.

O problema é que sempre fui rebelde e para não deixar cumprir a profecia depois do surto de posts de ontem, estou aqui só para marcar território e contrariar mais um ditado.

16.10.02









REGINA DUARTE TEM MEDO DO QUE?

Cara Regina,

Surpreendeu-me sua participação, hoje, no programa gratuito eleitoral do candidato Serra, pregando o medo. Sua tentativa em dividir o seu medo com a Nação brasileira chega a ser patético. O seu medo de que Lula venha a ganhar as eleições, no próximo dia 27, é cômico se não fosse sério, parodiando Dürremath. Cômico, na medida em que imagina que a vida da maioria dos brasileiros seja tal qual a sua. Lamentavelmente, não é. A notoriedade da
qual você, por mérito, desfruta não é vivenciada pela maioria da população brasileira. O que tem sido um terror para você (a vitória do Lula) para muita gente, quem sabe, seja a salvação. 39 milhões de pessoas depositaram em Lula a esperança de dias melhores; e isso não é pouco.

Sério, porque há justo 27 anos, numa semana qualquer de outubro de 1975, você, com outros atores, participou de uma leitura de uma peça teatral, onde o que se via era acima de tudo coragem. Estou falando do Concerto nº 1 para Piano e Orquestra (teatro Paiol, segunda quinzena daquele outubro maldito). Numa sexta-feira à meia-noite, como uma nesga de esperança, atores como João José Pompeu, Madalena Nicol, Maria Ylma, entre outros, davam prova de que alternativa não havia, a não ser enfrentar com coragem a ditadura militar. Enfretamento que fazíamos com as únicas armas de que dispúnhamos, a nossa profissão, ainda que improvisados. O texto, escrito por João Ribeiro Chaves, cunhado de Vladimir Herzog, sacudiu a todos e nos encheu de esperança, não de medo. Na semana seguinte, ou no dia seguinte (existe uma divergência entre este que escreve e Sergio Mamberti, também diretor daquela leitura), Vlado foi morto nas dependências
do DOI-CODI. Vlado esteve naquela meia-noite de sexta-feira assistindo a segunda leitura que falava de esperança, embora debaixo de pancada. Você, demonstrando ainda maior coragem quando tomou a frente e meses depois veio a montar a mesma peça, comercialmente, mantendo grande parte daquele elenco.

Surpreendo-me, sinceramente, que nesse momento você lance dúvidas a respeito da idoneidade e importância histórica do ex-metalúrgico e hoje político mais importante do Brasil. A notoriedade de Lula foi conseguida com trabalho e seriedade, a mesma seriedade com que você pacientemente construiu seu prestígio, ao longo dos anos de sua carreira.

Lula representa esperança e não retrocesso, o caos. Caos e medo é o que grande parte dos que nele votaram, dentre eles eu, têm vivido. Ele significa a mudança, a mesma mudança que um dia você ajudou a construir. Destaco você, ao lado de Lélia Abramo, Fernanda Montenegro, Camila Pitanga, Regina Case, Fernanda Abreu, Lilia Cabral, como um patrimônio cultural brasileiro que não pode ser destruído. Da mesma forma não é correto, com todo o respeito, que tente transformar uma pessoa como Lula, ao qual muitos de nós brasileiros devemos, num causador de caos maior. Até porque ele teve a coragem de enfrentar os militares, junto com seus companheiros metalúrgicos do ABC. Naquela época o combustível da vida era a busca da liberdade que hoje você desfruta e todos nós também desfrutamos. Hoje o combustível da vida é a luta pela igualdade de oportunidades que Lula também representa.

Você fala que ele mudou, que não é mais o homem que você conheceu. A qual Lula você se refere? Aquele que mobilizou seus companheiros para votar em FHC para senador, em 78? Ou o Lula que comandou as greves contra o regime militar, nos anos seguintes? Nota-se que você conhece tudo de teatro e pouco de política. Permita-me, ele é o mesmo homem generoso com seus companheiros e com o destino da Nação Brasileira. Lula não renega seu passado, muito menos o que escreveu, até porque tudo o que escreveu o fez com a própria vida.

Acho que apesar da tristeza que deverá cair sobre seu coração sensível - uma possível derrota de Serra no dia 27, você deve votar, sim, nele. É o seu direito. Acho mais, espero que nos próximos dias tenha a oportunidade de dizer o quanto ele, Serra, pode fazer pelo Brasil, como economista, por exemplo. Só lamento que nesses anos todos o seu partido do coração, governando o Brasil, não tenha usado seu candidato como economista. Sei que ele é muito competente como tal, porém, não foi capaz de evitar a situação que as notícias dos jornais diários não nos deixam esquecer. A crise econômica em que nos meteram.

Acho ainda, para finalizar, que você despreza a inteligência dos eleitores, apelando para o coração sofrido de quem, em situação outra, poderia embarcar no seu medo.

Regina, sua contribuição ao teatro, tevê, cinema e à cultura brasileira, enfim, não será esquecida. O seu gesto de hoje, eu espero que sim. Para o bem de todos nós!

Respeitosamente,

Jair Alves - Dramaturgo - São Paulo

09/10/02




Lucia Guanaes Photographies
Satori 20 de Francis Dumas
(invité du mois)

A audácia!

L. F. Veríssimo (O Globo, 15/10/2002)

Quem o Lula pensa que é, tomando Romanée-Conti? Gente! O que é isso? Onde é
que estamos? Romanée- iiiiiiiiiiiiiii Conti não é pro teu bico não, ó
retirante. Vê se te enxerga, ó pau-de-arara. O teu negócio é cachaça. O teu
negócio é prato-feito, cerveja e olhe lá. A audácia do Lula!


Hoje tomam Romanée-Conti, amanhã vão querer o quê? No mínimo se achar iguais
a nós. Pedir os mesmos direitos. Viver como a gente, que tem berço, que tem
classe, que tem bom gosto e portanto merece o melhor. E nós sabemos como isso
acaba. Logo, logo vão estar querendo subir pelo elevador social.

O Lula tomando Romanée-Conti... Ora faça-me o favor. Que coisa grotesca. Que
coisa ridícula. Que acinte. Que escândalo. E que desperdício. Vai ver ele não
sabe nem pronunciar o nome, quanto mais apreciar o sabor. Vai ver derramou um
pouco pro santo, na toalha. Romanée-Conti não é pra gentinha, não, Lula. As
coisas boas da vida são para as pessoas finas do mundo, não pra pé-rapado que
bota gravata e acha que é doutor. Muito menos pra pé-rapado brasileiro.

Está bom, foi só um gole. Mas é assim que começa. Hoje tomam um gole de
Romanée-Conti, amanhã estão com delírio de grandeza, pedindo saneamento
básico, habitação decente, oportunidade de trabalho e até - gentinha metida a
grande coisa não sabe quando parar - mais saúde pública, mais igualdade e
caviar. Enfim, essas coisas que intelectual comunista põe na cabeça deles.
Sim, porque a índole natural da nossa gentinha, em geral, é boa. Se pudessem
escolher, escolheriam angu aguado e vinho Boca Negra, coisas autênticas, às
vezes mortais, mas pitorescas. Como eles, que até hoje nunca tinham
incomodado ninguém, que até hoje conheciam o seu lugar. Agora, depois da
gentinha provar Romanée-Conti, ninguém sabe o que pode acontecer neste país.
Deram álcool para os índios! Nenhum branco está mais seguro.

O Lula tomando Romanée-Conti... É o cúmulo. É uma inversão completa dos
valores sob os quais nos criamos, segundo os quais se Deus quisesse que os
pobres tomassem vinho de rico daria uma ajuda de custo. É o fim de qualquer
hierarquia social, portanto o caos. Ainda bem que ainda existem patriotas
alertas para denunciar o ridículo, o acinte, o escândalo, e chamar o Lula de
volta à humildade. Para mandar o Lula se enxergar.

Sim, porque hoje é Romanée-Conti e amanhã pode ser até a Presidência da
República. Gentinha que não conhece o seu lugar é capaz de tudo.
Na íntegra, carta da CUT para a atriz Regina Duarte:

À Regina Duarte

O direito de defender os próprios pontos de vista é inalienável. Acreditar que seu candidato, por suposto José Serra, é o melhor, é direito seu e que ninguém questiona.

Também está no campo da total inquestionabilidade seu direito de fazer campanha para qualquer candidato que você queira, o que, aliás, é um direito de qualquer cidadão numa sociedade democrática.

Mas já transcende não só o direito, mas até a dignidade, prestar-se ao papel de terrorista e/ou patrulheira do voto dos que querem mudança, dos milhões de brasileiros prejudicados (o que felizmente não é o seu caso) por um modelo econômico excludente e perverso.

Lula, por sua história e por seu presente, merece respeito; o mesmo respeito, ao menos, com que trata seus adversários.

Você, Regina, é uma figura pública, até então merecedora de todo nosso respeito, mas para que ele continue, você também deve dar-se a ele.

João Antonio Felício
Presidente Nacional
Central Única dos Trabalhadores


(Uma central sindical que te admira mas que se sente indignada com o papel que você desempenhou na noite de 14/10/2002)


Biblioteca de Alexandria é reinaugurada hoje no Egito

14.10.02

Mantra:

- Eu tenho o mais importante.

10.10.02

E, por falar em Dia das Crianças, eis aqui algumas preciosidades. Tudo de graça!
Se você tem alguma dúvida sobre o que há na cabeça dos fãs e dos pais de fãs de Sandy & Júnior, leve em consideração os seguintes dados:

- a cidade de Rio de Janeiro passa por uma terrível onda de calor;
- o bairro do Maracanã costuma marcar as mais altas temperaturas da cidade;
- o calor acumula sobre o cimento, atingindo temperaturas elevadíssimas no meio da tarde;
- não há sombra à tarde próximo à bilheteria que está vendendo ingressos para o show da dupla no dia das crianças;
- a fila só cresce desde o início da manhã;
- uma garrafinha de água mineral (da bica) custa R$1,20.

Mas o ponto definitivo para que você possa fechar seu diagnóstico ou veredicto é o seguinte:

- há um 0800 vendendo os ingressos com entrega em domicílio!

Quer mais?

- há centenas de atividades mais interessantes, educativas e inteligentes programadas para o mesmo dia na Cidade Maravilhosa. Muitas delas gratuitas.



8.10.02

Agora que parei de fumar e faço de conta que foi porque fui catequizada por aquela história de danação eterna e inferno para os fumantes, estou quase me convertendo a outra daquelas verdades que se você questionar encontra a perdição.

Deve mesmo ter havido uma Lilith e eu sou descendente dela. Não consigo atinar em outro motivo para uma LPM (Larica Pré-Menstrual) justo agora que eu tinha conseguido me livrar de 2,5 Kg mesmo sem voltar aos diabólicos cigarros.

Ah, sim. Talvez eu deva alguma explicação por um silêncio tão longo.

- Trabaio, misifio, muitcho trabaio...

... e vontade nenhuma de falar sobre a maldição que se abateu sobre o estado do Rio de Janeiro vinda das urnas do interior e da Baixada Fluminense.

Talvez eu devesse olhar o copo meio cheio. Certo, certo... Então imaginem que estou acenando com um lenço branco em direção à cova do esquecimento:

- Adeus Maluf, Brizola, Collor, Quércia... Vão atazanar o diabo que os carregue!

E, como se dizia nos velhos tempos, a luta continua, companheiro!

Quero Lula lá mais que nunca!

30.9.02

Dado que não houve qualquer motivo para que o tráfico resolvesse mostrar seu poder de fogo justo a uma semana das eleições;

dado que nenhuma favela foi invadida, nenhum grande líder do tráfico morreu para que se decretasse o fechamento dos estabelecimentos comerciais por toda a cidade e região metropolitana;

dado que o passado condena as pessoas que seriam beneficiadas por uma farsa desta envergadura;

dado que a possibilidade de Benedita da Silva, atual governadora do Estado do Rio de Janeiro (leia-se responsável pela segurança pública do estado) e candidata a permanecer no cargo, chegar ao segundo turno com Rosinha Garotinho tira definitivamente Solange Amaral, candidata do prefeito César Maia do páreo;

publico aqui trecho de uma reportagem da revista Época e um texto que escrevi em 25/05/2001 e na mesma época publicado na Crônica do Dia, descrevendo caso semelhante já ocorrido, posterior ao citado no tal livro.

Por favor, como cidadãos, leiam e tirem suas próprias conclusões:

***


Admitidos como prática política, os rumores dispõem de propagadores de plantão no cenário nacional. Com as lorotas que conta sobre a própria biografia, Anthony Garotinho já pode ser definido como o autoboato. Outro profissional muito aplicado desse mercado negro, que não demonstra o menor constrangimento em valer-se de informações falsas para tentar iludir a população e colher benefícios, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), revela no livro Política É Ciência como inventou um burburinho para prejudicar a candidatura de Sérgio Cabral, adversário de seu seguidor Luiz Paulo Conde nas eleições de 1996. O prefeito diz que ordenou a um assessor de campanha: ?Pegue o celular e mande colocar 150 pessoas em botequins tomando cafezinho e dizendo: ?Eu soube que Sérgio Cabral vai renunciar...? Dali a três dias alguém veio me dizer: ?Serginho vai renunciar, vai renunciar...?? No dia 4 de março, Maia aplicou esse golpe mais uma vez, num esforço para tirar do noticiário o R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo encontrados na empresa de Roseana Sarney e de seu marido, Jorge Murad. ?Foi uma manipulação PF-PSDB-ÉPOCA?, mentiu o prefeito.
(retirado daqui)

***


POLÍTICA DE BOTEQUIM
(Carla Cintia Conteiro)


- O Salgueiro vai descer.
- Me disseram que o Turano também.
- Por que que aquele povo tá correndo?
- Sei lá, mas não vou ficar aqui esperando para saber.

As lojas da Praça Saens Peña e adjacências baixaram as portas. Todo mundo sabia: o morro ia descer. Pânico! Mães foram buscar os filhos mais cedo na escola. Pelo telefone, parentes e amigos recomendavam que a Tijuca fosse evitada a qualquer custo. O zunzunzum alastrava-se como fogo pela cidade. O policiamento da área foi reforçado, mas os comerciantes, temendo o pior mantiveram seus estabelecimentos fechados. Quem não tinha outro jeito passava pela Rua Conde de Bonfim agarrado à carteira e à bolsa e com olhos na nuca, preparado para atirar-se ao chão ou sair em disparada mediante qualquer ruído ou movimento suspeito. Nunca num só dia tantas pessoas arranharam joelhos e mãos ao som do motor de um fusca velho.

A tarde do apocalipse acabou, vieram a noite e a madrugada, o dia amanheceu e a Igreja de Santo Afonso ainda assistiu a passos, ouvidos e olhos desconfiados desfilando pela vizinhança, apesar de nada, absolutamente nada além de pequenos sustos, terem acontecido na véspera. Os policiais continuavam de plantão. Surpresa: paz!

As investigações comprovaram que um enorme boato tinha acontecido. Só mesmo uma população receptiva a tragédias e calamidades levaria a sério a história de que uma comunidade pacífica como a do Salgueiro ia tomar o asfalto de assalto. Apenas quem não entende nada de política de tráfico pensaria que os chefões deixariam um evento destas proporções acontecer e atrapalhar seus negócios.

- Eu sabia que só podia ser balela. Só liguei prá Glorinha e fui prá casa mais cedo porque nunca se sabe, né?
- Eu também. Mas a gente nunca sabe direito o que se passa na cabeça dessa gente... Ficam lá em cima só fazendo filho e pensando besteira... Mas ainda bem que foi só história... Vamos ali tomar um cafezinho?
- Claro! E você, hein? Já escolheu seu candidato?
- Eu ia votar no Conde, mas depois do susto que passei ontem... O César Maia é meio doido, mas, sei lá...

Discretamente, os jornais publicaram um trecho de um livro do prefeito que sairia das urnas logo depois. Lá ele ensinava a arte do boato. Bastava plantar em pontos estratégicos da cidade _ nos botequins, é claro _ indivíduos pagos pelo mentor do rumor, que divulgariam a história, recheando com citações de fontes seguríssimas.

- Olha... (pausa... uma olhada discreta para os dois lados... braço do interlocutor entre os dedos...) Meu primo trabalha na PM, tá sabendo? Sabe o que mais? Tão reforçando o policiamento aqui por essas bandas... Descobriram um plano dos traficantes, xará... O morro desce hoje. Éééé, mermão... Eles querem mostrar quem é que manda. Tá me entendendo? Isso aqui vai virar uma praça de guerra, cumpadi. Se eu fosse tu, fazia que nem eu: tomava a saideira e sartava fora.
- Ô, Zé! Põe um pingado aqui prá mim rapidinho, que eu não tô a fim de dar bobeira por essas bandas hoje não. Tu não sabia? Tão falando que o Salgueiro vai descer. Vai ser um auê dos bons...

Sempre fui fascinada por botequins. Cada um tem seu espírito, sua identidade, sua própria dinâmica e porcaria. Não são apenas fontes de boatos ou local barato de lazer. São, antes de tudo, bom termômetro do ânimo da sociedade. Parar e ouvir o que se passa nestes redutos de carioquice é tema de arte e entretenimento.

Junto com o maço de cigarro hoje no balcão, peguei uma das melhores análises sobre o problema energético e demais questões que envolvem o governo atualmente. O cabra nordestino que dirige a bodega foi se entusiasmando com o meu interesse, as veias do pescoço crescendo e a cara ficando vermelha. Dava gosto de se ver. Foi lá no rádio e quase tirou a voz do Falamansa. A cozinheira veio ver o que se passava com o chefe e também palpitou duro. O cara que estava fazendo hora numa das mesas da calçada espichou o ouvido, cuspiu o palito que vadiava no canto da boca e soltou o verbo. O outro não tirou o olho do copo de cerveja quente, mas assentia martelando com a cabeça. De repente, já não se podia distinguir o que se falava, tamanha era a vontade e a necessidade de todos e de cada um daqueles indivíduos de expressar a sua revolta . Tempo quente num Rio abaixo de 20º C.

E ainda tem quem defenda a tese de povo inconsciente e alienado... Pois sim! Será que ninguém reparou que nas últimas eleições, quando os escândalos ainda não tinham tomado estas proporções que vemos nos últimos tempos, nem tinham atingido direta e claramente o orçamento doméstico, as urnas já mostravam a insatisfação popular com o governo?

Pena que o tempo dos grandes líderes tenha se acabado. Os botecos da Cidade Maravilhosa já estariam prontos para sair às ruas com suas tropas rotas, bêbadas e vadias.

26.9.02

Sou definitivamente uma pervertida. Tive um sonho erótico com meu próprio marido.
Eu tinha uns 16 anos quando o anti-galã entrou na minha vida. Meus ídolos até então eram bonitinhos. Ele não, mas tinha muita coisa para oferecer. Era divertido, inteligente e muito talentoso e de muitas maneiras falava a minha língua. Devo ter batido o record de audição de Passo do Lui.

Ricardo diz que seu amor pelo Flamengo é um amor puríssimo, que não espera nada em troca. Assim também é meu amor pelo Paralamas, como também foi pela Legião Urbana e alguns outros que fizeram parte da minha vida adolescente, me viram crescer e ajudaram a fazer meu mundo interior melhor.

Chorei no dia em que Renato morreu como se tivesse perdido um irmão. Fiquei triste durante muito tempo. Quando Herbert sofreu o acidente eu também fiquei desesperada a ponto do meu filho ficar preocupado comigo. Essas pessoas fazem parte da minha família afetiva, caramba! Eles me ajudaram a me construir, me inspiraram, me alegraram, compreendiam minhas angústias, fizeram fundo musical para todo tipo de coisa pela qual passei nas últimas décadas.

E agora vejo o Herbert fênix. Estou muito feliz por tê-lo de volta. Escuto o que ele tem a dizer e ele continua lindo como sempre, brilhante, iluminado. E é uma sensação maravilhosa saber que ele está aí de novo. E é difícil demais falar dessas coisas sem ser piegas e melosa.

Este post é só para dar um beijo virtual no meu irmão Herbert Vianna...

25.9.02

What happened to those filmes inteligentes que a gente via descontraidamente e no final sabia reproduzir com exatidão a história que acabou de testemunhar?
Depois de procurar Do Cóccix até o Pescoço até na Modern Sound e não encontrar ameacei entrar em pânico. Se o que você está procurando não tem por lá é possível que não encontre em lugar algum. Mas fui salva por uma lojinha no shopping aqui pertinho.

E cá estou dando continuidade ao prazer de que desfrutei no show de Elza Soares no Rival na última sexta-feira. Para quem ainda não foi conferir, a boa notícia é que no próximo final de semana também tem. Mas é bom comprar logo os ingressos porque o show está concorridíssimo.

Portanto, confirmo que quando a temporariamente ausenteMeg insiste em chamar a atenção sobre alguma coisa é bom ficar atento.

Mas por lá mesmo na Modern Sound fizemos umas comprinhas básicas. Achei alguns CD´s preciosos. Estou alternando Elza Soares com Novos Baianos. Estou me sentindo de volta à infância :-)))

E também tinha uma estante comprida e fininha que - dizem - suporta até 240 CD´s. Como diria Seu Creysson: "Nossus pobrema se acabarum-se!" Infelizmente não tem muito tempo que compramos outra estante que também seria a "solução definitiva". Além dos CD's que ganhamos por motivos e motivações profissionais, nossos amigos, que sabem de nosso lar musical, contribuem e ainda tem essas excursões às lojas de disco. Quem dera todos os problemas do mundo fossem desse tipo...

24.9.02

Quem me acompanha nessa?

Uma verdadeira viagem no tempo, com direito a delícias servidas em pratos que imitam as louças da época do Império, é um dos atrativos do chá completo servido toda última quinta-feira do mês [como a próxima, dia 26] no Museu do Primeiro Reinado. O programa inclui uma visita guiada por todos os salões da Casa da Marquesa de Santos. O chá é servido no Salão Oval, com portas e janelas envidraçados que se abrem para o jardim do museu. No menu, pães, tortas e chás para todos os gostos justificam o preço salgado. No final, você pode levar para casa a xícara que usou. "É uma delícia. Pouca gente conhece e isso torna o lugar ainda mais charmoso. O chá tem quitutes deliciosos, fresquinhos, diz a estilista Gabriela Saldanha.

Casa da Marquesa de Santos
Av. Pedro II, 293
São Cristóvão
2589-9627