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5.11.02

Hoje está sendo o dia de umas descobertas ligüísticas interessantes (pelo menos para mim).

Devo começar dizendo que minha mãe é uma pessoa que tem uma enorme capacidade de vocabulário que só agora estou levando mais a sério. Em algumas situações me chegam determinadas palavras ou expressões à cabeça que lembro perfeitamente saídas da boca da minha progenitora. Só que ninguém mais (pelo menos que eu conheça) as usa, então ficava com a impressão de que ela as inventava. Nos últimos tempos, resolvi verificar no dicionário algumas delas e, até agora, estão todas lá, devidamente registradas.

Parte dois da história: recebo diariamente, via e-mail, uma palavra em inglês, com seu significado, sua origem, um exemplo de seu uso e mais algumas informações interessantes. Hoje não foi uma palavra, mas uma expressão _ quid pro quo _ que, na verdade, vem do latim. Aí pensei que Mamãe tivesse feito uma confusão e tivesse misturado alho com bugalhos. Que nada! Lá está no Aurélio: qüiproquó! Do jeitinho que D. Wilma se referia ao resultado das minhas brincadeiras com minhas irmãs lá nos idos da era original da calça boca de sino.

(Meg, eu sei que esta história, para você, não tem a mínima graça ou traço de novidade :-))


Quid pro Quo
Jim Caron
Fui pesquisar Imbondeiro e descobri Adansonia digitata, daí:

Adansonia digitata - Bombacaceae - African Baobab - The famous Baobab or "upside down" tree from tropical Africa (a.k.a. Judas Fruit, because it has 30 seeds). The spongy acid pulp has been used as a substitute for Parmesan cheese on pasta - no cholesterol! Facetiously called the "Dead Rat Tree" because its furry fruits resemble rats strung up by their tails. This is one of the longest lived and largest trees in the world - so large that they have been used as jails in Africa. This tree has beautiful creamy white flowers that hang down and are pollinated by bats. Also known as the "TREE of LIFE" popularized by Disney in the Lion King and their new amusement park.

Sim, tudo isso é a mesma coisa: o bom e velho baobá.


oil 45-45 cm
Baoba Tree
Otto Klar
(1908-1984)

4.11.02

Sempre digo que tem uma linha que une as pessoas de mesma sintonia que se querem bem. Ela não precisa dizer para mim e não preciso dizer para ela, porque a gente sabe da torcida de uma pela outra, mas a gente diz assim mesmo. Toda vez que o bicho pega feio ou que a alegria estrapola os níveis normais, sei que vem um sinal dela. Carinho e amizade é assim...

Mas eu ia falar de sintonia e da minha estupefação quando li em seu blog agorinha:

Aquele que deseja e não age engendra a peste.
(William Blake)


Ui, ui, ui!

Raramente tenho febre. Uma vez, já consegui a proeza de apresentar um quadro de pneumonia sem febre. Mas para que ela não venha, meu corpo inventa compensações alucinadas como onda de suores e calafrios que se sucedem. Às vezes acho que sou meio anfíbio.

Estou com uma gripe encostada por aqui que não arria nem sai da moita. Ontem à noite estava sem voz. Mas devo, para ser absolutamente sincera, dizer que a culpa não é somente dos vírus influenza. Os que gostam de explicar tudinho de um jeito meio torto e dizem que raiva ataca o fígado, diriam que foi o sapo que está entalado na minha garganta. Não digo que sim, nem que não. Entretanto para que sua teoria fique melhor abalizada, é justo que eu informe que fiz uso abusivo das cordas vocais durante toda a tarde de domingo.

E hoje suo baldes. Expurgo a gripe. O batráquio mal parado na traquéia expulso aos berros que, dizem, não ficaram nada mal.

E é desse jeitinho que sou...

1.11.02

Dona Vida, o negócio é o seguinte:

Tenho enfrentado com a cabeça erguida e, na medida do possível, bom humor tudo, tudo, todos os sapinhos e sapões que a senhora tem colocado no meu caminho para eu engolir. E eles não tem sido poucos nem pequenos nos últimos tempos. Finjo que não vejo que quem me chama de medrosa é justamente quem estava com a cabeça enfiada debaixo das cobertas quando o bicho pegou e eu tive que segurar as pontas. Sozinha! Tenho sido brava, corajosa, compreensiva, silenciando tudo o que a natureza me impele a gritar. Sou solidária e companheira. Já engoli lágrimas suficientes para afogar muita gente que faz pose de duro na queda. Cultivei amores natimortos e paguei caro por eles sem desanimar. Faço vista grossa à injustiça, à falta de reconhecimento, ao silêncio. Perdôo sem que o pedido de desculpas jamais venha. Disfarço as puxadas de tapete brincando de tapete voador.

Sabe o que é, Dona Vida? Cansei.

Agora é a hora da pomba-gira!

Essa eu peguei lá na Telinha:


Procurando a dor
Danuza Leão


Outro dia, na ginástica, ao começar uma nova série com halteres pesadíssimos (para mim, pelo menos), minha coluna deu um grito -ou teria dado, se coluna falasse. O lugar é sensível e muito meu conhecido: nunca me esqueci do dia em que um amigo, ao me abraçar afetuosamente, pressionou com tal força o ponto crucial -para mostrar seu carinho-, que passei seis meses fugindo dele.
Voltando à aula: disse a meu professor que não podia continuar, que aquele movimento não ia dar e partimos para outro; no fim da aula ele fez as recomendações de praxe, explicou que a dor é sempre um aviso e que quando ela surge é preciso ficar atenta, para que não volte. E mais: que quando eu chegasse em casa não procurasse a dor.
Como assim, procurar a dor? E alguém procura a dor? Ele explicou que o corpo tem tendência a se testar e procurar a dor, sim, para ter certeza de que ela está lá -ou de que não está mais. Nunca te aconteceu de estar com uma dorzinha (pequena) e provocá-la? Ou vai me dizer que você nunca passou a língua numa afta?
Curioso esse nosso corpo; comecei a pensar nos sentimentos e como nos comportamos em relação a eles. Sobretudo a comparar os males do corpo com os da alma, ou falando mais claramente, com os do coração.
É verdade; quantas vezes a gente procura a dor sem perceber, e quando encontra não imagina que a tendência dela é sempre aumentar. Se soubéssemos viver -e poucos sabem-, o primeiro sinal de dor emocional deveria soar como um alarme, e deveríamos cuidar para que ele não se repetisse. Só que muita gente faz exatamente o contrário.
Quando seu namorado te fez sofrer pela primeira vez -nada de muito grave, ele apenas sumiu por dois dias ou olhou de maneira pouco convencional para sua irmã-, em lugar de voltar para os braços do outro que é gentil, delicado, telefona na hora combinada e te trata como uma deusa, o que você fez? Se apaixonou, e pior: quanto mais ele aprontava mais a paixão aumentava. A cabeça e os sentimentos são bem parecidos com o corpo e costumam procurar uma complicação que vai -pode- nos levar a dores futuras. Qual a graça de uma existência com pessoas que só dizem coisas agradáveis e gentis, namorados que nos fazem felizes o tempo todo? Para muita gente, a graça é viver perigosamente, no limite.
Quem não cultiva um amigo bem maldito, que diz maldades vis mas sempre divertidas sobre nossos mais caros amigos? Quem nunca se apaixonou por um homem que nos fez passar por momentos atrozes, sempre em sobressalto, com o coração na boca, sofrendo mas morrendo de medo de que ele fosse embora?
É elementar saber que esse amigo tão divertido vai, assim que você virar as costas, fazer comentários maldosos -e sempre divertidos- sobre você, que quando souber não vai achar a menor graça. E que seu namorado, que faz com que você viva no fio da navalha -isso é que é vida, você acha- vai aprontar cada vez mais, muito mais do que você jamais sonhou, até te deixar arrasada -e sozinha. Quando se fazem escolhas erradas se está procurando a dor, e esta é uma procura inútil; supérflua, eu diria.
Não é preciso procurar por ela porque mesmo tentando viver da maneira mais certa ela nos encontra na hora em que quer e bem entende.
E com a maior facilidade.

31.10.02

Porque hoje é um dia muito especial de comemorar centenários e porque hoje, talvez mais que nunca, estas palavras traduzam o que vai dentro de mim.

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

(Carlos Drummond de Andrade, claro)


29.10.02

Only thin lines separate poetry, prophecy, and madness.
OFICINA EXPERIMENTAL DE INSTRUMENTOS INFORMAIS


Ementa: Proporcionar a vivência dos fenômenos e parâmetros do som, com ênfase na experimentação, improvisação e estruturação do sonoro, através de atividades práticas de aprendizagem e criação com instrumentos informais descobertos e resgatados pelos participantes.

A Oficina Experimental de Instrumentos Informais consiste na exploração dinâmica e participativa (ativa - manuseio e passiva - observação/escuta dos espécimes sonoros - instrumentos informais. É constituída em algumas etapas que consistem na descoberta dos sons, exploração do material sonoro-musical e processos de criação com a
elaboração de pequenas estruturas rítmica-sonoras, texturas diversas (simples, complexas, etc.).

Dentro deste contexto, a oficina se desenvolverá em torno dos seguintes temas:

1. A escuta consciente do som relacionada com o espaço e o movimento.

2. A experimentação perceptiva e a manipulação de espécimes sonoros. Trabalhos de geração de som utilizando objetos do seu cotidiano. Pequenas interferências, manipulação, criação e experimentação de diversos meios operantes, ex: baquetas, varetas, objetos metálicos, etc.

3. Os ruídofones. Um paralelo com o conceito de 'ready-made' de Marcel Duchamp e de 'objet trouvée' de Pierre Schaeffer. Experimentações em torno de materiais básicos como: papel, plástico, metal, material de sucata e ferro-velho.

4. Investigação de paisagens sonoras - observar, investigar, descrever, representar diversos ambientes sonoros no espaço externo. Praças, ruas movimentadas, parques, jardins, rua de pedestre, feiras, sons predominantes, características sonoras.

5. Sons pictóricos - grafismos sonoros - primeiras tentativas de grafismos, um paralelo com Kandinsky - Ponto e linha sobre o plano.

Ministrante: João Mendes (Compositor, Bacharel e Mestre em música)

Público alvo: Professores, educadores, compositores, intérpretes, instrumentistas, músicos e não-músicos.

A oficina compreende 8 workshops com uma apresentação final dos resultados.

Início: novembro de 17:00 às 19:00 horas
Preço: R$ 50,00/mês c/ direito a certificado
Informações e inscrições: Coordenação de Música da Funarte
Rua da Imprensa, n 16 - sala 1308 - Centro - Rio de Janeiro
Tels: (21) 2279.8105 / 2279.8106 / 2279.8107

Breve curriculum
João Mendes, violonista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro [1958], é Bacharel em Violão [UFRJ] e Mestre em Musicologia [UNIRIO]. Teve como principais orientadores, Turíbio Santos, Edelton Gloeden (violão clássico), Michell Phillippot, Hans-Joachim Koellreutter, Jorge Peixinho, Aurélio de la Vega (composição), Conrado Silva, Rodolfo Caesar (técnicas eletroacústicas) e José Maria Neves (musicologia). Tem atuado como compositor e intérprete em diversos eventos nacionais e internacionais relacionados com a música nova, tais como: VIII ao XX Panorama da Música Brasileira Atual [RJ], VI, VII, XII
e XIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea [RJ], Elektrokomplex em Viena - Áustria [1998], 2º Encontro de Música Eletroacústica em Sárvar - Hungria [1998], III Bienal Internacional de Música Eletroacústica de São Paulo [2000], Seoul International Computer Music Festival 2000 - Coréia do Sul, ICMC2002 - International Computer Music Conference 2002 em Gothemburg (Suécia).
Empanzinada!!!

24.10.02

Estou em falta com amigos, visitantes, correspondentes...

Meu vidro de acetona entornou e preciso pedir/ir à farmácia comprar ouro (há restos de esmalte nas minhas unhas)...

Uma amiga fez aniversário e fui visitá-la de mãos abanando porque não tive tempo de comprar nem uma lembrancinha para ela...

Preciso ir ao banco...

Tenho que pagar a academia...

Tenho que comprar presentes para alguns aniversariantes infantis...

Preciso arrumar uma bolsa de coisas que preciso levar para a casa da minha mãe no domingo...

Correio...

Um passeio que prometi ao filho...

etc...

Ah, sim! Trabalho, trabalho, trabalho...

22.10.02

"Seria completamente impossível que Jimmy Carter estivesse financiando as operações do franco-atirador de Washington? Afinal, foi o ex-presidente que, em seu ÚNICO discurso às Nações Unidas em 1977 cunhou a frase 'caros policiais, eu sou Deus' e, no passado, mostrou interesse pela arte negra do tarô. O padrão é bem claro".
Comprimento de dedo pode indicar tamanho do pênis
Conheço uma mulher cujo grande orgulho é conseguir amarrar seus seios um no outro com um nó. Com alguma insistência e munido de algumas cervejas, pode-se conseguir que ela apresente seu show de horror. Ela tem uma opinião forte e não muito simpática a meu respeito. Você deve imaginar (ou saber) que não tenho muito controle sobre a forma como minhas sensações e meus sentimentos passam para o meu rosto.

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Era pouco mais de meio-dia. Já havia trocado e-mails com a Carol em Aman e já havia falado com Manu em Paris. Tenho que tomar muito cuidado com quem comento este tipo de coisa. É freqüentemente necessário optar entre o clamor da felicidade de ter amigos que entram em contato com você não importando a que distância no globo estão de você e a manutenção de uma imagem de modéstia. Adivinha qual é a minha opção! É por isso, gente, é por isso...

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Outra conhecida dispensa o álcool ou a insistência. Em qualquer cozinha de festa, sob qualquer pretexto ou ausência dele, ela levanta a blusa para mostrar os peitos achatados e as cicatrizes de uma cirurgia plástica, na minha opinião, mal-sucedida. Esta também parece não ter gostado da minha reação (semi)involuntrária quando começou a falar de sua (suposta) educação esmerada.

Mulher afirma que Spielberg controla sua mente com microchip

Terça, 22 de outubro de 2002, 07h43



O diretor de cinema Steven Spielberg obteve uma ordem judicial de proteção contra uma mulher que o assediava afirmando que o cineasta implantou um microchip em seu cérebro.

A ordem foi emitida na quinta-feira passada pelo Tribunal Superior de Los Angeles (Califórnia) contra Diana Napolis, de 47 anos, que acusava Spielberg de usar o microchip para controlar sua mente.

A equipe de segurança de Spielberg teme que a mulher sofra de algum problema mental e represente "um sério risco de confrontação violenta".

Diana escreveu um panfleto, que distribuiu na estréia do filme The Tuxedo e na entrega do Grammy Latino, onde acusa Spielberg e sua esposa, a atriz Kate Capshaw, de pertenecer a um culto satânico que lhe implantou um microchip no cérebro denominado "receptor de almas", com o qual a controlam.

Segundo a mulher, o culto satânico opera a partir do sótão da casa de Spielberg. O diretor de Tubarão e Indiana Jones qualificou as ações de Diana Napolis de "alarmantes e ameaçadoras". "Estou preocupado com minha saúde, minha segurança, a segurança de toda a minha família e das pessoas que me rodeiam".

"Para afirmar o óbvio, não estou envolvido em qualquer forma de manipulação da mente ou corpo da senhora Napolis, mediante controle remoto ou qualquer outra tecnologia", disse Spielberg.

Retirado daqui

21.10.02

Por onde anda Viviane Pasmanter?
Franco-atirador quer dizer atirador francês?
Quanto mais as patricinhas, os barões do comodismo e os intelectualmente preguiçosos esperneiam contra o Lula, mais eu gosto da idéia...