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3.6.03


Toda saída é entrada para outra coisa.
(Tom Stoppard)

2.6.03

O RIO DO MEU TEMPO
(Heloisa Seixas)

O Rio do meu tempo tinha cor e luz e cheiros, como em lugar algum. Tinha manhãs de outono em que o sol vencia o ar frio e tocava a pele devagar, numa carícia. Tinha também tardes de primavera, em que floriam os espinheiros das praças, espalhando na atmosfera um cheiro de jasmim. Tinha buganvílias, flamboyants e amendoeiras. E coqueiros enfileirados junto à orla, cujas palmas delicadas, mexidas pela brisa, se recortavam diante do horizonte lilás, como um cenário de filme. O Rio do meu tempo tinha montanhas, cadeias e mais cadeias de montanhas esbatendo-se em degradê pela paisagem afora e ainda um pôr do sol que no verão deixava um rastro de cobre na areia molhada, transformando em silhuetas os retardatários das praias, que se deixavam ficar junto às ondas até a última réstia de luz. Ah, e tinha mar, um mar enorme no Rio do meu tempo.

O Rio do meu tempo tinha também sons, murmúrios, batuques. Choros e sambas em velhos casarões, burburinhos sem fim nas madrugadas sob os Arcos, risadas nas portas dos botequins, onde os embates sobre futebol tinham sabor de cerveja, de fritura e churrasquinho. O Rio do meu tempo tinha a nova Bossa, que era mais que Nova e reinava em templos com nome de maestro, de sons modernos ou finas misturas. Música, música, muita música - é o que tinha o Rio do meu tempo. Sem falar no carnaval, porque aí já é covardia. O Rio do meu tempo sabia ser espalhafatoso, quando fazia de sua ópera popular um milagre gigantesco, com dezenas de milhares de atores em ação. Ou ainda quando deixava escoar pelas ruas uns rios brancos, feitos não de água mas de gente, para saudar na praia o novo ano. Mas a cidade sabia também ser acolhedora e mansa, envolvendo quem a amasse em pequenos refúgios, em seus cafés, em suas livrarias. Eram coloridas e animadas as livrarias do Rio, e nelas nos deixávamos ficar por horas e horas, folheando os livros sem pressa, conversando nas mesas de seus cafés, encontrando amigos.

Ah, como era bom o Rio do meu tempo.

É claro que havia, também, problemas. Corrupção, drogas, violência. Muita violência. Mas ainda assim o Rio do meu tempo era maravilhoso. E nós não podíamos deixar que as notícias ruins tomassem todo o espaço, não podíamos deixar que o pânico crescesse e gerasse mais pânico, numa escalada sem fim. Sabíamos bem que éramos uma caixa de ressonância, tudo o que acontecia em nossa cidade repercutia mais. Precisávamos fazer alguma coisa, mostrar a nós mesmos nossos encantos, para nunca esquecê-los. Dizê-los em voz alta como a recitar um mantra, com o qual ganharíamos força para vencer o medo. E porque era tempo - sempre seria - de salvar aquela cidade feita de beleza e pavor.

Era assim, no Rio do meu tempo - esse tempo chamado agora.

A moça que trabalha como diarista aqui em casa está para ter bebê ainda este mês. Para garantir que eu não fique ao deus-dará e que sua vaga vai estar aqui quando ela estiver pronta para voltar ao batente, sua irmã será sua substituta. Hoje vieram as duas para que eu conhecesse e conversasse com a doméstica reserva, uma ensinasse o serviço a outra e para que a transição fosse tranqüila.

Passava pouco das nove da manhã. Com exceção do moleque, que teve um final de semana de arromba para comemorar o aniversário e ainda dormia, a casa seguia em ritmo acelerado. De repente, ele aparece na porta do meu quarto, pijama e cara amassados e meio tortos ainda. Estava lívido, olhos arregalados, expressão de total desespero:

- Mamãe, me ajude, por favor. Estou ficando louco. Estou vendo coisas.
- O que foi que você viu, meu filho?
- Vi duas jussaras limpando a sala.
A cenografia da violência na capital que é internacionalmente símbolo do País tem mais visibilidade, ressalta ele [coronel José Vicente da Silva Filho]. "Mesmo um crime que não tem a ver com o tráfico é tratado de um jeito que acaba dando a impressão de que a cidade está contaminada, dominada. O conjunto se torna até meio teatral devido às ações executadas pelos traficantes, que acabam reforçando esta situação", analisa Vicente.

Para o ex-secretário, a quantidade de assaltos e mortes não difere de centros urbanos como São Paulo e Vitória. "A cobertura é injusta para
o Rio na proporção do que acontece em outras capitais. Está havendo uma espécie de demonização. A situação no Rio é grave, como é grave em São Paulo e em outras cidades."


***


A juíza aposentada e deputada federal Denise Frossard (PSDB-RJ) acredita que o crime organizado tem tudo a ver com a violência do cotidiano. "Ao contrário do que se diz, não é um poder paralelo, antes fosse. É um poder transversal. Há um momento em que essa criminalidade cruza com o Estado constitucional pela corrupção. Esse mau exemplo passa para toda a sociedade", acredita Denise. "Com esse desarranjo no andar de cima, a base agrega o valor da impunidade", diz. O juiz Wálter Maierovitch, ex-secretário Nacional Antidrogas e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, aponta que a chave do enigma passa por abrir a "caixa preta" das polícias. Os níveis de violência no Brasil são comparáveis aos de zonas de guerra ou à situação em Israel e nos territórios palestinos. É o que diz o último relatório da Anistia Internacional, espécie de guardiã dos direitos humanos no planeta. De acordo com o relatório, entre janeiro e outubro de 2002, 703 pessoas foram mortas pela polícia em São Paulo.


(Leia tudo aqui)

30.5.03

Bons agouros para o final de semana:

- filho acordando com inacreditável bom humor;
- a água na temperatura perfeita da hidroginástica sob o céu de brigadeiro e com trilha sonora caprichada;
- almoço de duas horas com o "namorado" no shopping em pleno dia útil;
- spa do pé;
- flores do campo frecas;
- a última cortina sendo posta no lugar (o que oficializa o fim da mudança);
- presente para terminar de arrumar e embrulhar;
- manicure, máscara facial, hidratação capilar;
- ainda não são quatro da tarde e é sexta-feira.

O trabalho? Depois do - como dizem os franceses - weekend.

28.5.03

Outro dia retomei conversas com uma pessoa de quem gosto muito, mas que a vida tinha levado numa onda para mais distante. Pois outra onda trouxe a amiga para perto novamente, agora que nas reuniões já não precisamos ficar todo o tempo atrás de nossos respectivos filhos. Também ela tem a vida toda cronometrada, cada pequeno evento encaixado artesanalmente de forma que nenhum dos aspectos cotidianos de uma mulher moderna seja negligenciado. Com um pouco de disposição e organização é possível lidar com peões sonsos, porteiros abusados, treinadores sarados, educadores amalucados, clientes estressados, familiares carentes, filhos instantes, maridos famintos e cabeleireiros afetados com diferença de poucos minutos ou, em alguns casos, até simultaneamente. Minha vida, assim como a desta parenta afetiva e de várias outras mulheres, é um Diagrama Pert.

Entretanto, não há organização e planejamento que sobreviva ao inesperado, ao insólito, ao - talvez - sobrenatural.

Era aquele dia da semana em que normalmente deixamos para cumprir algumas questões práticas que exigem decisões de casal. Em dias assim, deixamos o moleque no curso e aproveitamos aqueles instantes para resolver algumas pendências. O curso começa exatos 70 minutos depois que ele é liberado da escola. Neste tempo, é preciso que ele se desloque da escola para casa, tome banho, vista-se (com a roupa que eu separei), jante, escove os dentes e desloque-se de casa para o curso. Normalmente é tempo suficiente. Enquanto ele toma banho (graças a Deus as crianças crescem!), eu sirvo seu jantar e enquanto ele janta, termino de combinar alguns detalhes com meu parceiro de empreitada. Para que funcione, é preciso que eu já esteja pronta, do tamanco plataforma ao batom, quando os dois homens da minha vida aportam em nosso lar doce lar.

E foi num desses dias, bem na hora em que eu fechava a tenda, ou melhor, desligava o computador, e me preparava para entrar no banho que eu ouvi um barulho assustador. A auxiliar para serviços domésticos tinha acabado de sair, portanto o outro único ser que poderia ser causador e vítima era minha sogra, já que o hamster e o canário, e evidentemente as samambaias, haviam sido eliminados da suspeita dada a grandiosidade do estardalhaço. Enquanto eu ia em direção ao quarto dela, encontrei-a vindo em minha direção e nos fizemos a mesma pergunta:

- O que que aconteceu?

Já que não havia culpados ou feridos, fui passando, com calma, todos os cômodos em revista até que pressionei o interruptor da cozinha e não obtive a resposta esperada: luz. Com ajuda da pouca claridade que ainda vinha da janela naquele início de noite, examinei o lugar onde deveria estar a luminária e encontrei o nada. Minha educação européia não vai deixar que eu reproduza aqui o puta-que-o-pariu que eu soltei ao ver as quatro lâmpadas mais a estrutura que as sustentava completamente espatifadas no chão da cozinha.

Sabe aquele tempinho que eu tinha para me arrumar? Pulou para debaixo da vassoura e dela para cima da pá e de lá para dentro do jornal e do saco de lixo. Ainda deu mais uns passos agonizantes com o meu olhar biônico de mãe em busca de algum caquinho derradeiro e estertorou nas tiras do esfregão, suspirou naquele pensamento mórbido cheio de "e se" (a empregada grávida, o filho pequeno, a sogra idosa, o marido grande e forte, mas mortal) e esticou as canelas definitivamente na virada da chave que anunciou a chegada dos meus amores.

E o mais incrível é que estrondos assim quase mortais, em acidentes vindos do além, não acontecem pela primeira vez em torno de nós, embora seja a primeira vez na casa nova. Mas isso é outra história.

Esta aqui termina com o garoto chegando à aula na hora certa, pela mão de uma mãe que acabara de colocar os brincos e de passar o batom dentro do carro, onde naquele exato momento um marido esperava por ela para executar uma daquelas tarefas conjuntas. A daquele dia envolvia acertos para uma celebração de vida.
Detesto desmarcar compromissos. Pior das descortesias pra mim é marcar comigo e furar. É certo que imprevistos acontecem, mas depois que inventaram o telefone e agora, mais que nunca o celular, nenhuma desculpa alivia os que apreciam um forfait, principalmente os que fazem isto para valorizar o próprio passe (ou porque usam o método argentino de autoavaliação).

Claro que já fiz, todo mundo já fez. Uma amiga marcou casamento, avisou; trouxe convite em casa pessoalmente; a resposável pelo cerimonial ligou para confirmar presença na véspera e eu confirmei mesmo com gripe forte. No dia seguinte, o do casamento, não consegui sair da cama com pneumonia (e sinusite!). Passaram-se anos e ainda me sinto mal por não ter estado lá.

Então não foi sem uma ponta de contrariedade que liguei para o dentista e transferi a consulta. Afinal, era um motivo escolar e, tratando-se do pimpolho, tudo que tenha a ver com a escola é prioridade. Mas eis que a escola, usando das suas prerrogativas, abusando da pouca elaticidade dos horários das famílias modernas, rearranja seus próprios horários e me deixa com cara de tacho diante do odontólogo. Não que eu me importe sobre o que a atendente vai pensar a respeito da minha sanidade mental - até me divirto quando as pessoas me olham com estranheza; normose mata! - mas tenho mais o que fazer da vida além de ficar remarcando consulta.
Consegui!

Cheguei ao mesmo peso que estava antes de parar de fumar e começar o abominável processo inflável.
Entre a última tragada e hoje passou-se pouco mais de um ano.
Comemoração com chope e muitos belisqueites dentro daquele vestinho que fazia tempo que eu não tinha coragem de vestir.
Se você for ao médico e ele disser que você está com uma virose, fuja dele.
Os mais antenados hoje em dia sempre diagnosticam sinusite, quaisquer que sejam os sintomas.
Virose? Humpft! Coisa mais anos 90...

26.5.03

Treetap vem de "sangrar a árvore" para extrair o látex. Já a bola de borracha que, derretida se mistura no tecido de algodão e vira couro vegetal, é chamada de "pele" na Amazônia. Daí o nome de "pelada", vide as "peladas" que muitos Romários já jogaram com bolas de borracha na sua infância.

Os primeiros registros do que hoje está ganhando o mundo datam de 1736, feitos por um geógrafo francês. Coincidência ou não, o tecido Treetap já é utilizado na fabricação de mochilas da empresa francesa Hermés.

O couro vegetal, com sua linha de acessórios de moda, quando cair no gosto do eco-cidadão, será uma alternativa para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

(JB Ecológico - 28 de abril de 2002 - parcial)

Cordas Dedilhadas


Junho
CORDAS DEDILHADAS - AUDITÓRIO DO ARTE SESC

Toda Segunda-feira de Junho - 19:00hs - Entrada Franca
Senha 1 hora antes

ARTE SESC
Rua Marquês de Abrantes 99 – Auditório - Tel: 3138-1343


02/6/2003: Duo Fel (SP)
"DUOFEL 20", comemora os vinte anos do DUOFEL através de um passeio por suas histórias e influencias, mostrando músicas de todos os Cds lançados.
Formado pelos violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, O Duofel vem há anos trilhando o caminho da música instrumental. Em 1993, o Duofel ganhou o Prêmio Sharp de Música na categoria Instrumental. Após bem-sucedidas apresentações em festivais de prestígio, como o Summerstage, em Nova York (EUA), e no Jazz à Vienne, em Lyon ( França), em 1998, a dupla grava finalmente o CD "Atenciosamente, Duofel". Lançado pela Trama, em 1999. Em 2000 foi lançado pela Trama o disco comemorativo "Duofel 20", celebrando os 20 anos de carreira do duo.


09/6/2003: Armandinho
“RETOCANDO O CHORO”
Quando Armandinho toca, a gente se toca da diferença que há entre o talento e o gênio. Brasileirinho assanhado, música por todos os lados, desafia o tempo tocando a alma no ritmo do coração, na batida. Traz a vida debaixo do dedo.
Um dos seus segredos é a bela educação musical dada por seu pai, Osmar Macedo, excelente músico e compositor além de inventor do Trio Elétrico.
Desde garoto conheceu Garoto, importante figura do instrumental brasileiro, além de outros grandes, dentre eles Waldir Azevedo, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, este com certeza a sua mais forte referência. Além dos populares também teve acesso aos clássicos.
Tudo isto, porém, poderia ter ficado parado no tempo, não fosse Armandinho um virtuose, capaz de visitar e revitalizar toda essa arquitetura musical, jogando pro futuro tudo o que seu pai lhe dera de presente no passado.
A falta de sensibilidade da Mídia tem relegado a música instrumental brasileira a um plano inaceitável. Apesar e acima de tudo, o bandolim e a guitarra baiana de Armandinho brilham intensamente neste pedacinho de céu, nos palcos, nos trios elétricos e agora neste show, acompanhado de Zé Paulo Becker, onde além do solista genial está também o compositor, registrando em algumas músicas as parcerias com Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Fred Góes.
Texto de Moraes Moreira.

Baiano e filho de Osmar - inventor do trio elétrico juntamente com Dodô -, desde criança Armandinho teve ligação com a música de carnaval e os trios elétricos. Destacou-se tocando guitarra e bandolim eletrificado, a "guitarra baiana". Nos anos 70 formou o grupo A Cor do Som, que inicialmente acompanhava Moraes Moreira e em seguida gravou cinco LPs sem o cantor. Excursionou pela Europa e Estados Unidos com o grupo O Trio Elétrico, alternando discos solo e com o Trio. É um dos maiores representantes e divulgadores da música de trio elétrico. Ao mesmo tempo, é um dos nomes da renovação do choro, e gravou discos ao lado de Raphael Rabello e do Época de Ouro.


16/6/2003: Homenagem ao Luizão Maia
Arthur Maia e Zé Luis Maia

Tributo a Luizão Maia

Nesse tributo, Zé Luiz e Arthur Maia, filho e sobrinho de Luizão Maia, divulgam as composições desse mestre do contrabaixo brasileiro. Atuando durante 12 anos ao lado de Elis Regina em discos e shows, e tendo participado de 9 entre 10 encartes dos principais ícones da MPB na década de 70 - Djavan, Maria Bethânia, Chico Buarque, Tom Jobim, Gal Costa, entre outros – Luizão sem dúvida se tornou um dos pilares da nossa música. Ele hoje reside no Japão, onde encontra melhores condições para se recuperar de um derrame e de uma deficiência renal. Embora tenha gravado mais de dois mil discos em sua carreira, Luizão não possui o seu próprio CD. Entre seus pertences deixados no Brasil, havia uma fita antiga de duas polegadas deteriorada onde ele começara a registrar suas músicas. Esse material foi recuperado e em breve seu primeiro CD será lançado. A renda desse show será toda destinada para a produção desse projeto.
Zé Luiz será acompanhado por Fernando Moraes, piano; Eduardo Neves, sax e flauta; Kleberson Caetano, bateria. Arthur Maia se apresentará em seguida, com Marcelo Martins, sax e flauta; Claudio Andrade, teclado; Kinder, bateria; Fernando Caneca, guitarra; Orlando, percussão. E para aqueles que dizem que essa família é uma “baixaria”, apresentaremos Lupa Maia, 19 anos, filho do segundo casamento de Luizão.


23/6/2003: Paulo Freire (SP)

Neste show solo, o violeiro apresenta a viola como é tocada no sertão e a sua evolução para os dias de hoje. Paulo Freire aprendeu a tocar viola no sertão do Urucuia, norte de Minas Gerais - região que inspirou João Guimarães Rosa a escrever o romance “Grande Sertão: Veredas”.
Além dos temas caipiras tradicionais, e suas próprias músicas - que foram temas de seriados da TV Globo, Paulo Freire vai tocar e contar os causos: “a receita para se fazer o pacto com o tinhoso”, “como São Gonçalo virou lenda no sertão e sua peleja com a mulher-dama”, “a revelação de Angelino de Oliveira e sua ‘Tristezas do Jeca’”. O violeiro também apresenta canções com arranjos inéditos para viola de cocho, como, por exemplo, “All Blues”, de Miles Davis.
Para mostrar toda a inteligência e senso de humor do caipira brasileiro, interpretará incríveis canções das duplas: Alvarenga e Ranchinho e Zé Mulato e Cassiano.


30/6/2003: Marcel Powell(filho do Baden) e João de Aquino

Num encontro sublime que une duas gerações do melhor do violão brasileiro, Marcel Powell (filho de Baden Powell) e João de Aquino (primo de Baden Powell) fazem um show no qual passeiam pelo repertório dos grandes criadores da escola brasileira de violão. Neste show de rara beleza estética, ficamos cada vez mais convencidos da genialidade do legado de Baden Powell e de seu “violão vadio”, que levou o mundo inteiro render-se às belezas criadas pelos compositores brasileiros com suas melodias raras e harmonias sofisticadas e, muito especialmente, as composições dele próprio e seus parceiros. Este show fará a delícia dos fãs carentes e saudosos de sua levada e dinâmica únicas aliadas a emoção que transbordava das cordas de seu violão.
No matter what the object is, whether business, pleasures, or the fine arts; whoever pursues them to any purpose must do so con amore.

(William Melmoth, sob o pseudônimo Sir Thomas Fitzosborne)

25.5.03

Observações:

- Na loja Edson Freitas do Shopping Iguatemi você pode pagar R$43,20 por uma coisa chamada Penetraite Extra Longo.

- Não entendi quase nada da fala do Arquiteto na sala dele. E você? É propositalmente rápido, confuso e incompreensível pra gente ter que ir ver de novo? Ou meu Q.I. está encolhendo? Ou estou ficando velha demais para compreender as coisas em velocidade/estética MTV? E quem falou que é legal pagar uma entrada integral no cinema para ver o filme pela metade? E como vou queimar todas as calorias do Super Hiper Mega Combo com 1 Kg de pipoca e 700 ml de coca-cola que comprei para ganhar um pôster? Grandes questões filosóficas...

- É ótimo ter amizades sinceras de quase 20 anos com pessoas do sexo masculino e de muito bom gosto. Só eles têm aval (e generosidade e carinho por você) para fazer certas observações gentilmente mentirosas.

22.5.03

Definição de raiva, muita raiva:

Você escreve um post caprichado, cheio de links e idéias (que pelo menos você acha) interessantes e na hora de publicar: ploft, ele some no limbo.

E agora o trabalho me chama, não dá para re-escrever.

Entaõ fica combinado assim.

20.5.03

Agora só faltam as benditas cortinas e o bendito sofá.
E então a mudança será dada como concluída.
Quando isso acontecerá?
Só sei que se no dia 1º de junho não estiver tudo em seus devidos lugares, fujo de casa (deixando os tecidos e seus retalhos e o sofá desarmado pra trás).
Num intervalo comercial na TV, um anúncio conta uma história em flash back. Na primeira cena, crua, um jovem grita desesperado ao ver a mãe ser assassinada dentro do caroo, em um cruzamanento. Fato tragicamente banal nas metrópoles brasileiras. Na seqüência, as imagens mostram o assaltante comprando a arma. Usa o dinheiro arrecadado na venda de dois sacolés de cocaína. Quem paga é justamente o filho da mulher morta. E o grand finale: "Quem financia a violência é o tráfico de drogas - e quem sustenta o tráfico é você. Se você vai comprar, lembre-se do preço". Tiro certeiro no alvo da conscientização diante da batalha cotidiana em ruas, becos e favelas do Brasil. Munição pesada, o filme de 30 segundos é um dos melhores produtos saídos da trincheira do marketing na difícil luta contra o vício das drogas. Pela primeira vez, materializa-se explicitamente na TV a ligação da milionária indústria de entorpecentes, sustentada pelos viciados, com a violência. Um é o combustível do outro.

O ponto de partida para a campanha foi o bárbaro assassinato do jornalista Tim Lopes, conta o consultor de marketing Paulo Heise, presidente da Parceria [Parceria Contra as Drogas, iniciativa de empresários de vários setores, com a missão de produzir e veicular campanhas educativas, que ajudem a prevenir o uso de drogas].

_ Sempre houve uma noção velada da relação tráfico/violência, mas a morte do Tim provocou um despertar geral de consciência. E daí surgiu o foco da campanha. Autor dos filmes, o diretor de criação da Full Jazz, Luiz Lobo, abraçou a idéia, a ponto de hoje, entusiasmado, falar em trabalho coletivo. - Os subprodutos da droga são o sequestro, o assalto, as armas no morro e na periferia - argumenta o publicitário, que contou com assessoria do Denarc, a delegacia de entorpecentes de São Paulo.

Logo ele, que confessa nunca ter "parado para pensar nisso", apesar de toda a angústia de ser pai de três filhos adolescentes na maior cidade brasileira. Pior: Lobo está entre os que sempre acharam ridículas as campanhas do tipo "drogas faz mal". -Seviam apenas para encher o saco - critica, consciente de que o trabalho de 30 segundos não vai, por si só, reabilitar viciados. - Mas tem o mérito de pôr todos no mesmo barco, o das vítimas da violência - arremata.

Paulo Heise tem consciência de que seu público não é o dependente, "que às vezes não muda nem com tratamento". O trabalho mira em quem ainda não experimentou drogas, mas cogita fazê-lo, ou no consumidor eventual. - A idéia não é parar de usar porque faz mal, mas porque financia a violência que ataca o vizinho, o parente - assegura Heise. O marketing, entretanto, continua sendo arma leve nessa batalha, alerta Lula Vieira, sócio da V&S Comunicação. - O problema das camapanhas é que elas estão atreladas ao establishment. Esta acerta porque tira o glamour, ao mostrar o drogado como financiador. É o caminho.

(veja matéria completa aqui)
(veja o anúncio aqui e, a partir de hoje, também ao clicar no menu lateral em )
Ele voltou!
Não, você não está entendendo. Voltou a escrever no blog.
Do ladinho desta que vos escreve ele nunca saiu, ora.
Oba!