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20.1.04



São Sebastião
Botticelli

SEBASTIAN
(Gilberto Gil / Milton Nascimento)

Sebastian, Sebastião
Diante de tua imagem
Tão castigada e tão bela
Penso na sua cidade
Peço que olhes por ela

Cada parte do teu corpo
Cada flecha envenenada
Flechada por pura inveja
É um pedaço de bairro
É uma praça do Rio
Enchendo de horror quem passa

Oô cidade, oô menino
Que me ardem de paixão
Eu prefiro que essas flechas
Saltem pra minha canção
Livrem de dor meus amados

Que na cidade tranqüila
Sarada cada ferida
Tudo se transforme em vida
Canteiro cheio de flores
Pra que só chorem, querido.
Tu e a cidade, de amores

19.1.04

Amigos do mundo inteiro na cidade (alguns com camiseta dada pela prefeitura)... de férias.

Filho e marido em casa.. de férias.

Alguns dos principais clientes em silêncio... de férias.

A Cidade Maravilhosa fervilhando nas Noites Cariocas, no Vivo Open Air, nos shows do Canecão, no Cardume do Humaitá, nos Sambas da Cidade do Moacyr Luz, no Claro Rio de Verdade nas Quintas, na Gafieira Moderna da Joyce, no Pagode do Arlindo no Rival, nas quadras das Escolas... de férias.

Assim sendo, para o bem de todos e felicidade geral da nação, declaro-me PARCIALMENTE de férias.

16.1.04

Conhecia bem pouco do trabalho do Tadeu Aguiar. Só em televisão mesmo. Por isso, ao ganhar o ingresso para a pré-estréia de sua peça, achei simplesmente legal. Afinal os tempos andam bicudos e um programinha cultural de graça é sempre bem-vindo.

Fui surpreendida por uma peça que não era um musical, como eu esperava. Os dois atores em cena, Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr, conseguem lidar com o texto fronteiriço, que poderia facilmente, sem o talento deles, descambar para o risível ou para o piegas. Ambos estão muito bem em Despertando para sonhar, que já foi apresentada em muitas escolas e agora estréia para o público em geral.

Cheia de citações de grandes mestres, a peça fala sobre um rapaz que não consegue entender-se com o pai, não aceita o caminho apontado por ele, mas não sabe exatamente o que quer e encontra uma ajuda inesperada na busca por suas respostas. Mas a forma como isso é contado é bem interessante. Na verdade, isto é um filme, é a história dentro de outra história. Bom, se eu contar muito, acabo sendo inconveniente. Gostei, achei divertida e instrutiva, principalmente para as almas jovens, e acho que deve funcionar ainda melhor para pais e mães acompanhados de filhos adolescentes.

Despertando para sonhar
Teatro do Leblon
Sala Marília Pêra
Rua Conde de Bernadotte, 26, loja 104
Tel.: 2294-0347

15.1.04

Mais uma dica de primeira para quem quer curtir boa música gastando pouco:

A Banda Quasar e minha amiga Rosane Côrrea tocarão no Bar Toque Final (Av. Ataulfo de Paiva, 900 - Leblon) sábado dia 17/01/2004 a partir das 22:00h.

Rosane tem uma voz doce e delicada e uma interpretação sempre acertada.

Além disso, não tem consumação mínima.
Quem consumir fica isento do couvert de R$10,00.

14.1.04

Aquele tipo de gente que vai comprar CD da Rita Lee e do Lulu Santos e leva do Nirvana e do D2, também recebe e-mails desta natureza do próprio dentista, que faz parte da banda:

HUSBAND
Dany - Vocal
Marcelo Vidal- Guitarra base
Márcio- Guitarra solo
Edinho- Baixo
Marcelo Miranda-Bateria


Quem não conseguiu enfrentar a fila do bondinho para os Noites Cariocas, não teve coragem de ir até o Rio Centro enfrentar a galera do Hip Hop e ta sem grana pra ir ao show do Iron Maiden.

Dia 18, Domingo das 20:30hs as 23:30hs no quiosque DRINK- CAFÉ no Parque dos Patins na Lagoa Rodrigo de Freitas ao lado do estacionamento, agora sem o caos da arvore de natal, a HUSBAND vai tocar muito rock'n'roll nacional e internacional.

Como nem tudo é perfeito...se chover não rola.


Veja fotos da banda
Já tinha recebido este teste por e-mail antes, mas como já tinha esquecido como era fiz de novo. E já está virando praticamente uma tradição reproduzir por aqui os e-mails que recebo da preciosíssima Meca.

Teste de Prioridades

Cinco coisas acontecem simultaneamente as quais precisam ser atendidas:

1. O telefone está tocando.
2. O bebê está chorando.
3. Alguém bate na porta da frente.
4. Há roupa lavada pendurada no varal do quintal e começa a chover.
5. A torneira da cozinha está aberta e jorrando água.

Em que ordem você resolve os problemas? Anote sua ordem, e veja abaixo como você tomou sua decisão. Cada situação representa algo em sua vida. Não trapaceie o teste olhando as conclusões antes de respondê-lo! Ilumine o trecho que parece estar em branco abaixo.

[Ilumine daqui]
1. O telefone representa ............ (seu trabalho ou carreira).
2. O bebe representa ................ (sua família).
3. A visita representa ............ (seus amigos).
4. A roupa lavada representa ........ (sua vida sexual).
5. A água corrente representa ...... (dinheiro ou riqueza).

[Até aqui]

O resultado te fez pensar ?...
Bateu com as suas prioridades?...
A roupa do varal molhou toda, né?...
Escrevi isso no século passado, quando tinha a idade do título. Reproduzo aqui para ela:

19 anos


São tantas as perguntas que ficam ecoando na nossa cabeça sem resposta. E se multiplicam e se adicionam e se entrelaçam e ficam cada vez mais complexas.

Será que a gente está batalhando pela coisa certa? Será que a gente está do lado certo da batalha? Quem são os nossos aliados? Quem são os nossos inimigos?

Na hora que a gente encosta a cabeça no travesseiro elas falam mais alto! Gritam mesmo. Até se misturarem aos sonhos e ficam mais confusas no dia seguinte. Não dá para dizer exatamente qual é o problema, mas a gente sabe que ele existe.

A gente fica procurando a essência, a nossa essência, o início de tudo. É duro ver que muito se perdeu e se confundiu com a poeira da estrada. Será que isso é amadurecer? Aí, a gente se sente culpado porque não é mais adolescente e não é mais tempo de vacilar na hora das decisões.

Mas o que fazer se o mundo nos abre tantas portas para caminhos que seguem em direções tão diferentes?

Não dá mais para parar para chorar e aquelas velhas amizades do tempo de colégio não têm mais tempo para ouvir os seus problemas.

Cada um tem seus próprios problemas e agora a palavra amizade tem outro significado. A gente é arrancado de onde sempre foi e jogado na vida, mais isso é opção e tudo o que se podia almejar.

Ser independente e livre tem o seu preço.

Ser livre é também ser só, porque a liberdade machuca quem não a tem e essas pessoas ainda são influentes na opinião de quem nos cerca aqui fora e, porque não dizer, em nós mesmos.

O segredo, acho, é não ceder um palmo sequer do que se é, porque quando você cede um pouco para se adaptar, te cobram mais e mais. E cá estou, buscando a mim mesma, nas folhas em branco de um caderno velho, sem ter alguém com quem dividir.

Por que é tão difícil ser feliz? Esse deveria ser um direito de todos.

Sinto falta, muita falta dessa pessoa para compartilhar alegrias e tristezas e fica cada vez mais difícil porque a cada bofetão eu me fecho mais e acredito menos nas pessoas.

E se por acaso um amigo estiver cara a cara comigo, já não sei se serei capaz de reconhecê-lo.

***********

E apesar de eu ter lido dia desses que os sábios procuram aprender e os ignorantes tentam ensinar, só queria complementar este texto antigo dizendo que essa história está tendo um final, ou melhor, desdobramento feliz.
O Vulcão e a Angústia Existencial



O Grito
Edward Munch
1893


As coisas, muitas vezes, tem explicações ao mesmo tempo simples e fascinantes. E quando assim o é, depois que descobrimos a verdade pensamos no tempo que nos detivemos em elocubrações e como podemos ser criativos para tentar adivinhar intenções alheias, freqüentemente projetando muito de nós mesmos.

Penso nisso quando acho um recorte de jornal. Manias todos temos. Alguns muitas, outros apenas selecionadíssimas esquisitices. Estou entre aqueles que tem várias. Uma delas é recortar dos jornais artigos e matérias que não tive tempo para ler no dia em que foram publicadas, mas que acho que vão me interessar. Em minha defesa tenho o fato de que recorto jornais e revista também por motivos profissionais, mas nem sempre. Este recorte, cuja data não anotei, não tem nada a ver com trabalho. Fui fisgada pelo título "Ciência desvenda quadro de Munch".

Foi lá que fiquei sabendo que a revista Sky and Telescope publicou um artigo onde identificava o local exato na Noruega onde Munch estava caminhando quando viu o céu vermelho-sangue. Ainda segundo o tal artigo, também foi dada a explicação para esta excepcional cor. Segundo professores de física e astronomia da Universidade do Texas detritos expelidos na atmosfera pela erupção do vulcão Krakatoa, em Java, criaram crepúsculos vermelho-vivo na Europa entre novembro de 1883 e fevereiro de 1884. Munch teria se inspirado nesses creprúsculos ao pintar seu famoso quadro.

Com a determinação do local retratado na pintura, sabe-se que Munch olhava para o sudoeste, direção em que os crepúsculos de Krakatoa apareceram.

A notícia é velha, mas só li agora. Mas não é tarde para achar lindo, simples e sensacional, não?

12.1.04

O primeiro tique nas intenções de ano novo a gente não esquece.
Deve haver algo de muito errado com alguém que entra numa loja para comprar os novos CD's da Rita Lee e do Lulu Santos e acaba voltando com um do Nirvana, outro do D2 e uma vontade danada de conseguir o do Seu Jorge.

8.1.04

Recebido por e-mail:

QUANDO ME AMEI DE VERDADE


Quando me amei de verdade, pude compreender que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa. Então pude relaxar.

Quando me amei de verdade, pude perceber que o sofrimento emocional é um sinal de que estou indo contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que aconteceu contribuiu para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma coisa ou alguém que ainda não está preparado, inclusive eu mesmo.

Quando me amei de verdade, comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável. Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças e qualquer coisa que me pusesse pra baixo. Minha razão chamou isso de egoísmo.

Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer meu tempo livre e desisti de fazer planos. Hoje faço o que acho certo e no meu próprio ritmo.

Como isso é bom!

Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão, e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.

Isso me mantém no presente, que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade, percebi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar.

Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração ela se torna uma grande e valiosa aliada.



(Não sei que é o autor. Se você souber, por favor, me avise para que eu possa dar o devido crédito.)
Bastou o final de tratamento da alergia para que a dieta e os exercícios mostrassem algum efeito. E olha que eu já estava relaxando com eles, naufragada num mar de tender e rabanadas.

Tenho maxilar inferior novamente!

6.1.04

A HIDRA DE LERNA


Depois de matar o leão de Neméia, Hércules cobriu-se com a pele mágica do animal, cuja cabeça lhe serviria de capacete. A seguir, Euristeu, encarregou-o de matar a Hidra. O monstro criado por Hera, nos pântanos de Lerna, destruía as colheitas e os rebanhos e, com seu hálito pestilento, matava quem dele se aproximasse. O mito varia, ele podia ter cabeças de serpentes em número variável (os mais comuns são 5, 6, 7, 9 ou 100). Quando Hércules cortava uma das cabeças da Hidra, nasciam duas no lugar. Hércules matou a figura colossal com a ajuda de Iolau, seu sobrinho, que cauterizava as cabeças que Hércules decepava. Porém, a cabeça central da Hidra era imortal e Hércules esmagou-a debaixo de um enorme rochedo.

Como todo mito, este é usado para ratificar as mais variadas teorias.

Assim, a Hidra simbolizaria a vaidade e os vícios que renascem em dose dupla como suas cabeças. O pântano seriam as águas estagnadas, como um inconsciente não criativo, parado. O sangue da Hidra, que era venenoso, podia contaminar a água do pântano, assim como os vícios que corrompem aqueles que com ele têm contato.

Outra teoria afirma que a Hidra habita nas cavernas da mente, florescendo na escuridão e lama do interior da mente. É preciso muito tempo para que se descubra que se esta nutrindo esta criatura terrível. Lutar contra este inimigo é uma tarefa heróica. A cada cabeça (desejo ou pensamento baixo) decepada, outra cresce em seu lugar.

Enquanto Hércules lutou no pântano em meio à lama e as areias movediças ele foi incapaz de dominar a hidra. Ele teve de erguer o monstro no ar; isto é deslocar seu problema para outra dimensão, para poder resolvê-lo.

A cabeça imortal da hidra separada do corpo é sepultada sob uma rocha. Isto significaria que a energia concentrada que cria um problema permanece aumentada após a vitória ter sido conquistada. Tal poder deve então ser corretamente canalizado e controlado sob a rocha da vontade persistente.

Quem soma o número de cabeças da Hidra e encontra o número 9, tem ainda uma outra suposição. Seria esse o número de problemas que assaltam quem busca conquistar o domínio de si mesmo. Três dessas cabeças simbolizariam os apetites (sexo, conforto e dinheiro). As outras três diriam respeito às paixões (o medo, o ódio e o desejo de poder). As ultimas 3 cabeças representariam os vícios da mente não iluminada (orgulho, separatividade, crueldade).
"Quem mantém os dois pés no chão não sai do lugar."
(Tor Age Bringsvaerd)
Acabou o milho, acabou a pipoca, diria meu pai.
Foram-se os feriados de final de ano, os finais de semanas emendados e cá estamos de volta ao batente.
Minha lista de intenções para este novo ano está enorme e já comecei alguns movimentos para concretizar alguns dos meus intentos.
Eu tinha um grande plano para 2004, mas sou uma pessoa absurdamente impaciente. Ter que esperar tanto tempo até a virada do calendário foi arrefecendo minha vontade. Bom para mim é agir por impulso. Se começar a colocar coisas nos pratos da balança tendo a imobilidade ou pior, à desistência. Assim, acho que aquele sonho tão dourado, tão longamente acalentado, foi-se, passou do tempo, amadureceu demais e caiu por terra. Sabe o que é inteligência emocional? Pois é, eu não.
Por outro lado, o do bem, estou sempre arrumando novos sonhos, planos e rotas. Acredito que este janeiro inaugura uma fase linda, límpida, brilhante da minha vida. Estou em pleno processo de arregimentação em alguns aspectos e conclusões, por outro. Isso me dá equilíbrio.
E continuo repetindo como me ensinaram: "estou aberta a todas as riquezas do universo".

Feliz Ano Novo!

19.12.03

A FESTA


Que maravilha, né? Ninguém está morrendo nas filas dos hospitais estaduais por falta de verba para a saúde, de medicamentos e de profissionias. O quê? Isso ainda está acontecendo?

Mas pelo menos as escolas do estado estão com os professores satisfeitos e em número adequado para todas as disciplinas, as turmas tem o número recomendado de alunos e a educação funciona em patamares elevados, pois não?
Como não? Não é assim?

Ah, eles mostraram a nova frota de carros da PM. Imagina se o povo vai se importar que as viaturas estacionadas irregularmente em torno do Maior do Mundo mais o afluxo das caravanas fretadas pelos políticos do interior e dos subúrbios mais distantes tenham dado um nó no trânsito já tumultuado de fim de tarde às véspera de Natal. Agora a polícia tem carros adequados para agir nos pontos mais violentos da cidade e... O que você quer dizer com "os carros não são blindados" e "aquele tipo de veículo não consegue trafegar nas vielas das favelas"?

Então o que foi aquela festa ontem no Maracanãzinho? Ah, prestação de contas de um ano de governo do casal campista. E as contas bateram, o orçamento fechou direitinho? Como não houve menção a nenhum número? Mas que prestação de contas é essa, gente?

Ainda bem que valeu a pena o dinheirão que a governadora gastou com publicidade em jornais, rádio e televisão para anunciar que paga o décimo terceiro dos funcionários estaduais. Todo mundo recebeu seu dinheirinho que todo empregador tem a obrigação de pagar e não é favor nenhum, né? Hein!? O que você está me dizendo? Os servidores estão recebendo cartas dos bancos em casa dizendo que este dinheiro é um adiantamento deles ao governo do estado e se D. Garotinha não tiver acertado com eles até o dia 5 de janeiro, os bancos vão debitar o valor das contas dos funcionários públicos sem reajustes desde Deus sabe quando?

Mas você falando assim desse jeito até parece que a festa ontem foi uma palhaçada, uma sem-vergonhice sem tamanho, uma canalhice comandada por um grupo de uma desfaçatez sem igual.

Que coisa!

12.12.03

Tendo a respeitar as coincidências num fervor quase religioso. Quando alguma coisa começa a repetir-se, um tema torna-se recorrente em minha vida, costumo pensar que algo quer me chamar a atenção para aquilo. Nunca perdi nada com isso, nem tive motivos para me arrepender. Portanto continuo seguindo faro e instintos.

Uma das minhas primeiras professoras costumava brincar com a minha mãe, que trabalhava na mesma escola onde eu estudava, dizendo que eu tinha sangue azul. Ela referia-se ao meu narizinho empinado, que, ao que tudo indica, pela precocidade do comentário da mestra, é inato. Foi mais ou menos nessa época que tive o primeiro problema por causa dele, o nariz.

Fui uma criança quieta, muito mais de prestar atenção do que de falar. Na escola, conseguia ser ainda mais silenciosa, respondendo apenas laconicamente o que me era perguntado. E um dia a professora perguntou qual era a profissão do meu pai e onde ele trabalhava. Eu respondi que ele era médico de bichos e que estava trabalhando fora do país. Naquele época, viagens ao exterior não eram comuns como hoje e eu estudava em escola pública, onde pouquíssimas crianças eram filhas de "doutor". E, aos 5 anos, ainda não tinham me ensinado o que significava a palavra inveja.

Um menino levantou de sua carteira gritando: "Mentira, sua mentirosa, mentira!"

Ele empunhava um lápis de ponta recém-afiada como Anthony Perkins empunhava a faca na cena do chuveiro em Psicose. Não me acudisse o reflexo e hoje talvez fosse cega de um olho. A ponta do lápis cravou-se na palma da minha mão e quebrou. Eu, que sempre fui fraca para cenas de sangue, fui carregada pelas escadas, gotejando até a secretaria.

Desde então, por mais discreta que seja, vez ou outra desperto este tipo de fúria. Pessoas bem-resolvidas, com a auto-estima, serotonina e a endorfina em dia costumam ser imunes a este meu talento para involuntariamente (e às vezes deliberadamente, como nesta frase) excitar vis instintos nos medíocres.

Uma amiga me disse ainda outro dia que eu deveria evitar fazer coisas que mexessem com a invídia. Respondi pra ela que era impossível, a não ser que eu deixasse de ser eu. Naquela sala de aula, não estava exultante, mas muito triste porque meu pai estava longe. Entretanto, o invejoso não vê as coisas como são. Ele enxerga as coisas pelas lentes das próprias comparações, que sempre dizem que ele está em desvantagem e que portanto houve uma injustiça cometida contra ele que precisa ser reparada. E a realidade não tem a mínima importância.

Alguns acham que inveja é o simples desejo de cópia. Não é. Isso seria cobiça. Inveja é querer que o outro não tenha, é o desejo de destruição. Mas como ele se acha inferior, raramente tem a coragem e a ausência de máscara do meu coleguinha. Sua arma não é um lápis. São indiretas, fofocas, maledicências, sabotagem, calúnia...

Todavia, apesar da cicatriz na minha mão direita, graças às suas viagens e pesquisas por toda América Latina, meu pai tornou-se um dos maiores especialistas brasileiros em febre aftosa e foi um dos responsáveis por sua erradicação no nosso país (com recentes e raros focos); cresci e sou eu, com todos os meus inúmeros defeitos e algumas qualidades apreciáveis, gosto de crer. Os cães ladram e a caravana passa. Ah, sim. Estou me gabando do meu pai agora. Sinto muito sua falta desde que ele passou para outro plano espiritual. E toda vez que sou obrigada a recordar de episódios como este, sei que não é coincidência: tenho uma missão e enquanto ela não for cumprida vou precisar ser lembrada dela.

Voltando à cópia, um amigo alerta para as diversas cópias de um texto que ele escreveu e que é republicado pela grande rede nem sempre com os devidos créditos. Como fazia muito tempo que não olhava o que anda rolando por aí de meu, fui brincar de Google. E eis que descubro, pesquisando meu nome e sobrenome, que uma antepassada casou-se com um barão.

Minha professora não estava tão errada em sua brincadeira, afinal.

(Gente sadia não vai ver sub-textos neste post e pode até achar divertida, como eu achei, esta história.)

9.12.03

UM DIA BEM SUCEDIDO


Barbara De Angelis, em seu livro
Secrets About Life Every Woman Should Know, diz que nosso dia-a-dia pode ser mais bem-sucedido e nós, mais felizes. Basta entendermos que o sucesso depende mais de nós do que das coisas que nos acontecem.

De acordo com ela, um dia bem-sucedido é aquele em que conseguimos pelo menos um adas conquistas abaixo:

Aprendemos pelo menos uma coisa nova a respeito de nós mesmos.

Conseguimos nos relacionar melhor com os outros.

Somos mais pacientes e temos mais compaixão sobre alguma coisa ou sobre outra pessoa.

Ganhamos um pouco mais de entendimento sobre alguma coisa ou sobre outra pessoa.

Resistimos reincidir em um padrão antigo e destrutivo de comportamento, ou de pensamento, e escolhemos um novo padrão.

Somos amáveis com os outros.

Conseguimos nos amar, mesmo não fazendo tudo com perfeição.

Somos gratos pelo dom da vida e pela oportunidade de aprender e crescer.

Vista desse ângulo, a vida passa a ser mais agradável e feliz. Não teremos mais dias bons ou dias ruins, mas sim, dias nos quais aprendemos mais ou menos, dias nos quais crescemos mais ou menos. Tudo passa a ser um aprendizado. Eu acredito que o verdadeiro gênio é aquela que consegue conquistar a felicidade, não importando o que a vida tenha lhe oferecido.

(Ômar Souki)

5.12.03

Ele não usa luvas, mas só se veste de branco e azul.
Não era negro e virou branco, mas estica o cabelo até não mais poder.
Não come criancinha, mas faz todas as refeições com um prato extra na mesa como se a falecida esposa ainda estivesse ali com ele.
Não é do pop, mas também é rei.
Por essas e muitas outras, pergunto: Roberto Carlos é ou não o Michael Jackson brasileiro?

E não sei se é essa proximidade com o universo dele, afinal os shows do final de semana serão nas minha barbas (se eu as tivesse), mas a verdade é que tenho estado atenta às doideiras que me cercam.

Gente que ao invés de agradecer presentes, passa uma descompostura. Tem aqueles que ligam depois do sujeito deixar um desejo de feliz aniversário na secretária eletrônica deles pedindo pra não lige no próximo ano, porque detestam aquele monte de mensagens. Os que laboriosamente construíram uma vida desastrosa só para depois tentar infernizar a vida dos outros com pitis, acusações e reclamações, mesmo esses outros nem estivessem lá quando eles enfiaram os pés pelas mãos. O povinho que diz sinceramente preocupado: "Se eu fosse você tomava cuidado. Sua vida anda muito estável e feliz, viu?" Tem de tudo.

Por isso, mesmo invocando vez ou outra aquela que o Rei se recusa a cantar hoje em dia - Quero que Vá Tudo pro Inferno - estou com Lenine, meu caro interlocutor, e não abro:

"Normal só tem você e eu."

3.12.03

Papagaio come milho, periquito leva a fama. Mas, em compensação, em rio que tem piranha, jacaré nada de costas. Isso porque gato escaldado sente medo de água fria.

Deixa estar, jacaré, que a lagoa vai secar.