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14.3.04

De muito mal gosto e desnecessária a capa da Veja esta semana.

Será que foi uma homenagem em estilo reality show ao sangrento A Paixão de Cristo de Mel Gibson?

Ou quem sabe sucumbiram à estética do jornal O Povo?

Dá para registrar o horror da tragédia de um atentado sem ser tão grotescamente explícito.

Cadáver esfacelado na capa? Ora, faça-me o favor!

13.3.04

"O mundo não vai superar sua crise atual, usando o mesmo pensamento que criou esta situação."

(Albert Einstein)

Minha alma anda espanhola por esses dias...

12.3.04

Pra quem tem cavalo esperto, toda lonjura é perto.

10.3.04

Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.

(Filipenses 4-8)
Nem Viradouro, nem Mocidade.
Bom mesmo foi quando a Mangueira entrou.


Como disse a Mônica no Saia Justa, ninguém quer saber de Haiti, nem de CPI, nem Waldomiro, nem Waterfall. E eu complementaria que nem da lição de coragem que os argentinos nos deram diante do FMI, nem de greve da polícia federal. Só se fala naquele assunto.

Já tentaram explicar sob a ótica jornalística porque o caso foi parar nas primeiras páginas dos maiores e mais sérios jornais do país. Li explicações sociológicas, antropológicas, psicológicas e o escambau. Mas nada disso importa. Estamos diante do grande momento de glória das preteridas e mal-amadas. São elas as mais excitadas com o interesse excusivo da nação.

Afinal, tá pensando o quê? Ninguém pode ser linda, famosa e riquíssima impunemente. Tem mais é que ter o nome enxovalhado. Tá pensando que vai roubar do altar o homem de outra e que vai ficar por isso mesmo? Nananinanão! As desprezadas de todo o país aguardaram treze anos para dizer: "Eu não disse? Bem feito!" Aquelas que aturaram, carnaval após carnaval, seus homens - ou aqueles homens que deveriam ser seus - babando diante da imagem semi-nua e rebolativa, agora finalmente soltam livremente o grito: "Vagabunda!"

E como se não bastasse tudo isso ainda ousa trocar o sonho bilionário de princesa pela fantasia erótica de uniforme. Atrevida!

9.3.04

una, duna, trena, catena...
Fui visitar o Centro Cultural da Justiça Federal que eu ainda não conhecia. Entre algumas exposições bem interessante, uma sobre os direitos civis e sua história no Brasil. Uma das coisas que me chamaram mais atenção foi o acompanhamento da história da dinâmica familiar (amparada pela lei). A mulher não poderia, por exemplo, trabalhar sem ordem expressa do marido ou de um juiz. E para ilustrar situações como essa, alguns textos.

Um deles, contava a história de uma família que não tinha farinha para acompanhar o almoço. Como a mulher sabia que o marido tinha o hábito de comer farinha em todas as refeições, tratou de providenciar a dita cuja para o jantar. Ao ver o alimento na mesa à noite o marido pergunta onde a mulher tinha conseguido dinheiro para aquilo. Ela responde que tinha lavado uma trouxa de roupas. O marido dá-lhe uns catiripapos pra ela aprender a não trabalhar nem sair de casa sem o consentimento dele.

Em outro texto, uma espécie de 10 mandamentos para a esposa e mãe ideal de 1929. Seria para rir, se não fosse trágico.

Mas depois de acompanhar a fartura de ontem, dia internacional da mulher, por todos os cantos, descrevendo o “ser mulher”, cheguei a algumas explicações possíveis:

- Os textos são muito antigos e refletem uma realidade feminina que não existe mais.
- Mesmo em grupos geográficos e sociais que você acha que isso é impensável, tudo o que aconteceu nas últimas décadas parece ter passado ao largo e algumas mulheres continuam em 1929. Elas esperam os maridos em casa com os chinelos em uma mão e o jornal em outra. Estão perfumadíssimas, apavoradas com a idéia de que alguma aventureira lance mão deles. Elas abrem as pernas quando eles querem, porque faz parte de seus deveres de esposa amantíssima, mas sexo para elas é apenas algo que tem que ser tolerado. Elas são as únicas responsáveis pela criação dos filhos e pelo bom andamento dos assuntos domésticos. Seus maridos são provedores e tudo o que possa aborrecê-los deve ser evitado ou sumariamente descartado. Por isso elas sempre os aceitam de volta e nem perguntam porque eles demoraram três meses para comprar um maço de cigarros ali na esquina. Afinal, têm muita sorte por tê-los de volta.
- Eu não sou uma mulher.

2.3.04

"Os políticos são como as fraldas. Devem ser trocados constantemente. E sempre pelo mesmo motivo".

26.2.04

As crianças atendidas no ambulatório do HOSPITAL GAFRÉE E GUINLE estão precisando da ajuda. O hospital, referência no tratamento da AIDS, tem um trabalho bonito de auxílio às crianças. Eles estão precisando de alimentos como leite em pó integral, creme de arroz, cremogema e outros. Também necessitam de fraldas e roupinhas.

O sistema vai começar a funcionar com força total a partir de março. Então esta é a hora de falar com os amigos e começar a se movimentar.

HOSPITAL GAFRÉE E GUINLE
Ambulatório da PEDIATRIA RUA MARIZ E BARROS, 775 - Térreo
Tijuca - Rio de Janeiro
TEL: (21)2569-1620 ramal:253 (251 e 252 - somente pela manhã)
Falar com Ana Maria
"Drab as a fool, aloof as a bard"

"A man, a plan, a canal: Panama"

"race car"
Vote no Rio para sediar os Jogos Olímpicos de 2012 no site da CNN.

Visite também o site oficial da nossa candidatura aqui.

23.2.04

Praia de Ipanema domingo e feriado sem tumulto.
Queen Mary II.
Carros alegóricos das melhores escolas ali dando sopa para serem vistos enquanto você simplesmente volta pra casa.
Blocos, bandas, batucadas.
Todas línguas, todos os sotaques em todos os lugares.
Gente fantasiada.
Este é o Carnaval de quem não viajou este ano.

21.2.04

Total estranheza

Por que a Alcione, notória mangueirense, está cantando um samba-enredo antigo da Portela (Contos de Areia) que será levado para o Sambódromo pela Tradição?

20.2.04

E amanhã tem Fla-Flu.

Quando eu era pequena torcia pro Flamengo ganhar não só pelo time, mas também porque da vitória do time da Gávea dependiam os semanais humor, leniência e propensação ao sim do meu pai.

Agora tenho marido e filho rubro-negros. O moleque foi com o uniforme da equipe para o bailinho de carnaval da escola. Tem mais: estou de cara pro crime, pendurada sobre o Maior do Mundo. O grande clássico carioca pulsa forte. É carnaval, afinal.

E tenho que reforçar minha mandinga. O Flu vem com os quatro R's: Romário, Roger, Ramon e o Ridículo do Edmundo.

Estou torcendo por pelo menos um gol do Ivson.
O que será de mim quando o Império Serrano entrar na avenida cantando Aquarela Brasileira do Silas de Oliveira? Este samba me arrebata a alma, me arranca lágrimas sempre que o ouço. E não só por si - e olha que ele é uma coisa de lindo - mas por tudo o que evoca, seja historicamente*, seja nas minhas mais remotas lembranças
particulares.


Bacanal
(Manuel Bandeira)

Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada.
A gargalhar em doudo assomo...
Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos...
Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?...
- Vinhos!... o vinho que é meu fraco!...
Evoé Baco!

O alfanje rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!...
Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!...
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos.
Evoé Vênus!



* Aquarela Brasileira foi composto em homenagem a Ary Barroso, autor de Aquarela do Brasil, conhecido internacionalmente como hino informal do nosso país, simplesmente como Brasil. Ary faleceu no dia do desfile e a notícia chegou na hora que a escola entrava na avenida. Os componentes desfilaram em silêncio e chorando e o mais lindo samba-enredo de todos os tempos não ganhou o carnaval.

Muitos componentes seguiram direto para o funeral e, ainda fantasiados, carregaram o caixão de Ary.
Consegui uma receitinha quase básica de um dos meus favoritos:

LULAS COM ARROZ DE BRÓCOLIS

Ingredientes

30 ml de azeite
8 g de curry ou açafrão
10 g de pimenta preta
100 ml de vinho branco
20 g de limão
250 g de lulas
30 g de bacon
100 g de brócolis
10 g de alho (eu poria mais, muito mais)
30 g de arroz

Modo de fazer

Refogue o bacon em cubos até que fiquem crocantes. Ferva as lulas cortadas em anéis de 2 centímetros de espessura no vinho branco e no limão por aproximadamente 5 minutos ou até começarem a dourar. Dissolva o curry no caldo. Em seguida, adicione tudo ao refogado de bacon, deixando pelo menos 15 minutos. Cozinhe o brócolis em água fervente. Refogue o arroz com alho e azeite. Quando estiver quase pronto, acrescente o brócolis.
Rende um prato.

19.2.04

Roubei um tempinho hoje e estou vendo aquelas coisas que estou sempre deixando pra depois, ocupada em apagar incêndios ou em simplesmente tocar a vida.

Esta eu vi no blog da Vicky:

Não corra atrás das borboletas; plante uma flor em seu jardim e todas as borboletas virão até ela.
(D. Elhers)
Plus ça change, plus c'est la même chose.
That's pure banana oil!

17.2.04

Calor


Tenho tido tanto de tudo, que quando o ponteiro pequeno aponta para o dez s? quero encontrar meu travesseiro. Mas como ? fevereiro e a cidade ? o Rio, normalmente esse encontro tem sido adiado por algumas horas. E recebo mais de muitas coisas. Samba, bom papo e cerveja, por exemplo.

Outro dia, pedi uma por??o de jil? para acompanhar o chope. Sabe que rolou? Juro!

As conseq??ncias do dil?vio (leia abaixo) continuam, mas coloquei em a??o o meu pensamento m?gico. Faz-de-conta que este pedreiro n?o est? quebrando esta parede do banheiro com azulejos que ningu?m vai encontrar igual para repor bem aqui do lado da minha mesa de trabalho. Faz-de-conta que quando ele terminar aqui, ele n?o vai come?ar na cozinha. Funciona, sabia? Pergunta pra este elefante rosa com la?o verde-lim?o aqui do lado.

F. furou para o desfile-ensaio da Vila, no Boulevard 28 de Setembro. Foi uma pena. Teria sido uma noite ainda mais divertida, se a L. (chilena) e ao G. (estadunidense) al?m dos brazucas se juntasse uma francesa. [N?o esquecer: me matricular na aula de esperanto.] De qualquer forma n?o faltou anima??o e a noite foi ?tima.

Perdi 30 minutos da minha vida numa fila e ao ser atendida descobri que eu n?o precisava ter entrado nela. A sorte ? que sempre ? poss?vel fazer observa??o de seres humanos numa situa??o dessas. E esse ? um dos meus hobbies, muito melhor observar p?ssaros. Por exemplo, hoje consegui observar uma mo?a com as unhas do p? pintadas de um azul turquersa que acompanha as cores da sand?lia, da bolsa e da blusinha de alcinha (os diminutivos desta frase s?o uma homenagem especial). Ela tinha os cabelos rec?m-pintados de vermelho e raspados na altura da nuca de modo a formar um sol em espiral com retas que saiam dele formando seus raios. Quando me aproximei da carnavalesca figura, reparei que ela descrevia uma cena de agonia e o subseq?ente funeral. O outro senhor parecia ter tingido os parcos cabelos que come?avam na altura das orelhas com papel crepon, tamanha a irregularidade das mechas que variavam do vinho ap?tico ao preto desbotado. O resto era bem normalzinho, se n?o levarmos em considera??o a meia branca tipo sapatilha usada com uma sand?lia Rider preta.

Imagina uma laranja bem espremidinha. Pois ?. Mas vou deixar para descansar apropriadamente quando estiver sob 7 palmos de terra. Ou, como quase tudo nesta terra, fica pra depois do carnaval.