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30.4.04

O fio de raciocínio e conversa


Ele viu o post sobre o Guilherme de Brito e puxou papo:

- Você está com essa música na cabeça?
- Hum-hum. Quem gravou primeiro foi a Nora Ney, né?
- Acho que sim.
- Que de Nora Ney? Morreu?
- Não sei. Só sei que foi casada com o Jorge Veiga.
- Desse nunca ouvi falar.
- Ele cantava a música do bigorrilho.
- Minha mãe cantava essa música pra mim quando eu era criança.




[consulta, consulta, consulta]





Nora Ney (Iracema de Sousa Ferreira) gravou seu primeiro disco em 1952. Conquistou o disco de ouro como melhor cantora por cinco anos consecutivos. Foi eleita, em 1953, Rainha do Rádio. Ao longo dos anos 50, sua voz grave e dicção empostada (famosa por carregar nos erres) alcançou o sucesso cantando sambas-canção em casas noturnas e através da Rádio Nacional, da qual passou a fazer parte do elenco em 1952. Clássicos do período como Ninguém me Ama, Menino Grande (ambas de Antonio Maria), Só Louco (Dorival Caymmi) e Preconceito (Maria/Fernando Lobo) foram alguns de seus êxitos. Curiosamente, foi também uma das primeiras (ou mesmo a primeira, segundo alguns pesquisadores) a gravar um rock no Brasil, cantando Rock Around the Clock, de Bill Haley.

Apresentou-se nas Américas, Europa, África e Oriente Médio, tornando-se grande divulgadora da música brasileira em países nos quais era praticamente desconhecida (Rodésia, Chipre, China e a então URSS). Casou-se com Jorge Goulart em 1992, após 39 anos de vida em comum. Faleceu em outubro de 2003, na sua Rio de Janeiro natal, aos 81 anos.

Fontes: CliqueMusic, Enciclopédia da Música Brasileira Popular, Erudita e Folclórica (PubliFolha)




Bigorrilha

S. 2 g.
1. Indivíduo reles, vil, desprezível; bigorrilhas, bigorrilho.
2. Bras. RS Sujeito fraco metido a valentão.

(Dicionário Aurélio - século XXI)




Bigorrilho
(Paquito/Romeu Gentil/Sebastião Gomes)
Gravado em 1964, por Jorge Veiga

Lá em casa tinha um bigorrilho,
Bigorrilho fazia mingau,
Bigorrilho foi quem me ensinou,
A tirar o cavaco do pau,
Trepa Antonio, siri tá no pau,
Eu também sei tirar,
O cavaco do pau.

(bis)

Dona Dadá, Dona Didi,
Seu marido entrou alí,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair,
Ele tem que sair.

29.4.04

Conheci o Guilherme de Brito num carnaval em Conservatória. Aliás, fui parar em Conservatória no carnaval porque li numa entrevista que ele concedeu que era ali o lugar onde ainda havia carnaval de verdade.

A cidade (acho que nem é uma cidade, é um distrito) é uma gracinha, parece de boneca, parada no tempo e tem a tradição de atrair o pessoal da terceira idade. Nunca fui lá para desfrutar de sua principal atração, que são as serestas das sextas e dos sábados, mas gostei do carnaval, com seus blocos populares, sem nenhum traço de violência, tudo muito familiar. Como as coisas acontecem cedo, é ótimo para quem está com criança pequena e não quer abrir mão de divertir-se no período momesco.

A cidade tem algumas atrações pitorescas, mas elas podem ser exploradas em algumas poucas horas, pricipalmente para quem não tem os passos vagarosos dos anciãos. Assim muito tempo passamos sentados em cafés e bares, vendo a banda passar, literalmente ou não.

E de vez em quando sentava na mesa ao lado o ilustre compositor, que, descobrimos depois, estava hospedado no mesmo hotel em que estávamos. Do alto de sua elegância octagenária, ele envergava indefectivelmente um terno branco com camisa rosa e gravata verde. Tudo para homenagear sua amada Mangueira.

As pessoas aproximavam-se dele com carinho e respeito e ele tinha sempre um sorriso simpático para oferecer e uma caixa de fósforo à mão para acompanhar quem quisesse homenageá-lo cantando um de seus clássicos.

A fala de uma pessoa hoje me despertou a lembrança da música abaixo e fiquei feliz por esta lembrança ter puxado da memória o encontro com o grande mestre.






A Flor e O Espinho
(Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha)

Tire seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor

Eu só errei quando juntei
Minha alma junto à sua
O sol não pode viver perto da lua - BIS

É no espelho que vejo a minha mágoa
A minha dor e os meus olhos rasos d’água
Eu na sua vida
Já fui uma flor
Hoje sou espinho sem amor
"Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento."
I Coríntios 14, 20

"Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino."
I Coríntios 13, 11

28.4.04

O cavaco não cai longe do tronco.
Não é uma coisa "linda" para nos atacar com toda força num dia lindo e iluminadíssimo de abril, quando a gente tem acúmulo de trabalho para ser feito diante de uma tela de computador?

A insuficiência de convergência, causada por anormalidades no equilíbrio da musculatura extrínseca do olho, dificultando a convergência normal para os objetos de interesse próximos, gerará danos na interação das imagens de cada olho, exigindo esforço adicional para esta musculatura, com conseqüentes sintomas de fadiga, acarretando a Astenopia*.

O uso prolongado da visão com vícios de refração não corrigidos, levam as pessoas a terem sensações de turvação, dificuldade de fixação de detalhes, perda de linhas na leitura, cefaléia constante, ardência nos olhos, sonolência, náuseas, dores irradiadas para a nuca e pescoço, pontos móveis no campo de visão, que podem ser negros ou cintilantes e até tremores nas pálpebras.

*Astenopia - cansaço visual e que tem como sintomas fortes dores de cabeça e nos olhos provocadas pelo excesso de trabalho diante do monitor de vídeo.


Enquanto as novas sessões de exercícios ortópticos não vêm, haja Dorflex!!!

27.4.04

Tô cansada demais.

Será o tempo nublado?
Será muito trabalho?
Será uma virose?
Será resultado de tanta obra nos meus ouvidos?
Será a casa toda desorganizada?
Será medinho?
Será o Benedito?

Não importa. Lá vou eu.

Vruuuuuuuuuuuuuuuum.

26.4.04

'No final do dia, sucesso é saber que eu ajudei alguém.'

Victoria Conte
"O homem parado é com água estagnada: corrompe-se."
Latena



Anote na agenda:


1 - À meia noite cantarei sua trilha

Jornalista e produtor musical, Ricardo Soneto é daquelas figuras que sabem tudo de música. Mas não é só. Ele gosta de soltar a voz. E para este show, escolheu com capricho um repertório que inclui aquelas canções que fizeram com que nossos filmes favoritos ficassem ainda melhores. Ele canta acompanhado por um trio de jazz.

Cine Odeon
30/04/2004
à meia-noite



2 - MDC World Music, Lua Discos e Atelier Cultural apresentam:
Show de lançamento do CD A Música de Chaplin

Gilson Peranzzetta

1- Fox trot - The Idie Class (A Classe Indolente)
2- The ballet of bread rolls - The Gold Rush (Em busca do ouro)
3- Clown's apprentice - The Circus (O Circo)
4- Secrets in your eyes – A dog´s Life (Vida de Cachorro)
5- Non sense song - Modern Times (Tempos Modernos)
6- Wages and the wife - Pay Day (Dia de Pagamento)
7- The spring song - A king in the New York (Um rei em Nova York)

Leandro Braga

8- Jazz (Dancing on board ship) - A Day´s Pleasure (Um dia de Prazer)
9- Smile - Modern Times (Tempos Modernos)
10- The Clown´s last crazy Act" - Limelight (Luzes da Ribalta)
11- Dog´s life" - A Dog´s Life (Vida de Cachorro)
12- The organ waltz - The Kid (O Garoto)
13- A huge meal, thanks to the police - Modern Times (Tempos Modernos)

João Carlos Assis Brasil

14- Suite Chaplin
Non sense song - Modern Times (Tempos Modernos)
Dog´s life - A Dog´s Life (Vida de Cachorro)
Love song
Fox trot - The Idie Class (A Classe Indolente)
Debussy music - Pay Day(Dia de Pagamento)
Smile - Modern Times (Tempos Modernos)
The dictator - The Great Dictador (O Grande Ditador)
Jazz (Dancing on board ship) - A Day´s Pleasure (Um dia de Prazer)
Charlie´s theme - The Idie Class (A Classe Indolente)
Limelight/Smile - Limelight (Luzes da Ribalta)/Modern Times (Tempos Modernos)

Sala Cecília Meirelles
29/04/2004
19h00
R$10,00

25.4.04

Quitutes na casa (nova e linda) da Flavinha, pizza no Luigi, biscoitos palmier e canudinhos de chocolate da Casa do Alemão, língua de gato do Katz...

Quando (reparem que não usei a condicional; é assim que os sonhos se transformam em realidade) me mudar de volta para Petrópolis vou ter que pensar seriamente sobre reeducação alimentar.

É isso ou engordar, como da primeira vez, 10 quilos em 1 ano. E isso sem ter mais 17 primaveras e aquela saudosa facilidade de perder peso.

23.4.04

Oração de São Jorge

Eu estou vestida com as roupas
e as armas de São Jorge.
Para que meus inimigos
tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me enxerguem
e nem pensamentos eles possam ter
para me fazerem mal.
Armas de fogo
o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem
sem ao meu corpo chegar,
cordas e correntes se quebrem
sem o meu corpo amarrar.


17.4.04

reZistro
cederrUm
taUba
fRamengo
laRgatixa
meio-dia e meiO
pra MIM fazer
uma perCa irreparável
menAs gente
estRupo
Maneiras
(O Rappa)


Se eu quiser fumar eu fumo
Se eu quiser beber eu bebo
Pago tudo que consumo, com suor
Do meu emprego
Confusão eu não arrumo
Mas, também não peço arrego
Eu um dia me aprumo
Tenho fé no meu apego
Eu só posso ter chamego
Com quem me faz cafuné
Como o vampiro e o morcego
É o homem e a mulher
O meu linguajar é nato,
Eu não estou falando grego
Amores a amigos de fato
Nos lugares onde eu chego
Eu estou descontraído
Não que eu tivesse bebido
Nem que eu tivesse fumado, pra falar
Da vida alheia
Mas digo sinceramente
Na vida a coisa mais feia
É gente que vive chorando de barriga cheia
RESILIÊNCIA


"O problema não é o problema.
O problema é sua atitude com relação ao problema."

(Kelly Young)

Na Física, "resiliência" refere-se a uma força de recuperação (por exemplo: a capacidade que tem uma barra submetida a forças de distensão até seu limite elástico de voltar ao seu original quando essas forças deixam de atuar sobre ela).

Tomado emprestado pela saúde mental, o termo "resiliência" define a capacidade que o indivíduo tem de ser imune, se recuperar psicologicamente e sair bem na vida, quando submetido à violência de outros seres humanos ou das catástrofes da natureza. Enquanto a maioria dos indivíduos se torna vítima, adquirindo transtornos do desenvolvimento ou psicológicos na infância, de conduta na adolescência e juventude, e psiquiátricos na vida adulta, outros são resilientes e saem bem na vida.

As ciências humanas, desde o final do século 19, enfocavam os estados patológicos do indivíduo submetido às várias formas de violência. Estudos e pesquisas se concentravam na descrição das doenças, para descobrir causas ou fatores que explicassem as condições biológicas ou mentais negativas no ser humano atingido por violência. Verificou-se que a maioria das pessoas se torna vítima, adquirindo transtornos do desenvolvimento ou psicológicos na infância, de conduta na adolescência e juventude, e psiquiátricos na vida adulta.

Entretanto, muitas questões ficaram sem resposta: como pôde o ser humano se recuperar de guerras devastadoras, genocídios, holocaustos, epidemias e grandes perdas oriundas dos desastres naturais?

Observações sistemáticas mostraram que o resultado positivo na sobrevivência foi obtido por muitos que tiveram imunidade e proteção frente aquelas situações. Assim, no final do século 20, a Psiquiatria e a Psicologia já enfatizavam essa positividade na manutenção da saúde mental e à "resiliência".

Embora a resiliência pode ser parcialmente inata, conhecer os fatores de risco, de sua intensidade e duração, e dos fatores de proteção de um indivíduo, nos possibilitará desenvolver resiliência em crianças, proporcionando-lhes a oportunidade de não responderem à violência com os transtornos previsíveis.

Resiliência reduz riscos de doenças e melhora a qualidade de vida

O estresse é uma realidade observada hoje nas mais diferentes áreas e setores. Como manter a qualidade de vida e o equilíbrio emocional?

A resposta é simples: treinando a capacidade de cada indivíduo de desenvolver a resiliência. O termo vem da física e significa a capacidade humana de superar tudo, tirando proveito dos sofrimentos, inerentes às dificuldades. O resiliente é aquele que recupera-se e molda-se a cada "deformação" (obstáculo) situacional.

O equilíbrio humano é semelhante à estrutura de um prédio, se a pressão for superior à resistência, aparecerão rachaduras (doenças e lesões, por exemplo). Dentre as mais diferentes doenças psicossomáticas que se manifestam no indivíduo que não possui resiliência, estão não apenas o estresse, mas doenças graves como a gastrite até a síndrome do pânico, incluindo ainda problemas como vaginites, doenças intestinais, hipertensão arterial, entre outros males.

Durante o ciclo de vida normal, é necessário ao indivíduo desenvolver a resiliência para conseguir ultrapassar as passagens com "ganhos", nas diferentes fases: infância, adolescência, juventude, fase adulta e velhice, incluindo mudanças como de solteiro para casado.

O indivíduo que possui resiliência desenvolve a capacidade de recuperar-se e moldar-se novamente a cada obstáculo, a cada desafio. Se transportarmos o raciocínio para o dia-a-dia, poderemos observar que, quanto mais resiliente for o indivíduo, haverá menos doenças e perdas e mais desenvolvimento pessoal será alcançado.

Um indivíduo submetido a situações de estresse e que sabe vencer sem lesões severas (rachaduras) é um resiliente. Já quem não possui resiliência é o chamado "homem de vidro", que se "quebra" ao ser submetido às pressões e situações estressantes. A idéia de resiliência pode ser comparada às modificações da forma de uma bexiga parcialmente inflada, se comprimida, adquirindo as formas mais diversas e retornando ao estado inicial, após pressões exercidas sobre a mesma.

A resiliência consiste em equilíbrio entre a tensão e a habilidade de lutar, além do aprendizado obtido com obstáculos (sofrimentos). Traduzindo em outras palavras, é atingir outro nível de consciência. O indivíduo que não possui ou não desenvolve a resiliência, pode sofrer severas conseqüências, que vão da queda de produtividade ao desenvolvimento das mais diferentes doenças psicossomáticas.

Dicas para aumentar a capacidade de resiliência:

* Mentalizar seu projeto de vida, mesmo que não possa ser colocado em prática imediatamente. Sonhar com seu projeto é confortante e reduz a ansiedade.
* Aprender e adotar métodos práticos de relaxamento e meditação.
* Praticar esporte para aumentar o ânimo e a disposição. Os exercícios aumentam endorfinas e testosterona que, conseqüentemente, proporcionam sensação de bem-estar.
* Procurar manter o lar em harmonia, pois este é o "ponto de apoio para recuperar-se".
* Aproveitar parte do tempo para ampliar os conhecimentos, pois isso aumenta a autoconfiança.
* Transformar-se em um otimista incurável, visualizando sempre um futuro bom.
* Assumir riscos (ter coragem).
* Tornar-se um "sobrevivente" repleto de recursos.
* Apurar o senso de humor (desarmar os pessimistas).
* Separar bem quem você é e o que faz.
* Usar a criatividade para quebrar a rotina.
* Examinar e reflitir sobre a sua relação com o dinheiro.
* Permitir-se sentir dor, recuar e, às vezes, enfraquecer, para em seguida retornar ao estado original.




Resiliência - Resiliência
(Tom Coelho)

Hoje, a tristeza me visitou. Tocou a campainha, subiu as escadas, bateu à porta e entrou. Não ofereci resistência. Houve um tempo em que eu fazia o impossível para evitá-la adentrar os meus domínios. E quando isso acontecia, discutíamos demoradamente. Era uma experiência desgastante. Aprendi que o melhor a fazer é deixá-la seguir seu curso. Agora, sequer dialogamos. Ela entra, senta-se na sala de estar, sirvo-lhe uma bebida qualquer, apresento-lhe a televisão e a esqueço! Quando me dou por conta, o recinto está vazio. Ela partiu, sem arroubos e sem deixar rastros. Cumpriu sua missão sem afetar minha vida.

Hoje, a doença também me visitou. Mas esta tem outros métodos. E outros propósitos. Chegou sem pedir licença, invadindo o ambiente. Instalou-se em minha garganta e foi ter com minhas amígdalas. A prescrição é sempre a mesma: amoxicilina e paracetamol. Faço uso destes medicamentos e sinto-me absolutamente prostrado. Acho que é por isso que os chamam de antibióticos. Porque são contra a vida. Não apenas a vida de bactérias e vírus, mas toda e qualquer vida...

Hoje, problemas do passado também me visitaram. Não vieram pelo telefone porque palavras pronunciadas ativam as emoções apenas no momento e depois perdem-se, difusas, levadas pela brisa. Vieram pelo correio, impressos em papel e letras de baixa qualidade, anunciando sua perenidade, sua condição de fantasmas eternos até que sejam exorcizados.

Diante deste quadro, não há como deixar de sentir-se apequenado nestes momentos. O mundo ao redor parece conspirar contra o bem, a estabilidade e o equilíbrio que tanto se persegue. O desânimo comparece estampado em ombros arqueados e olhos sem brilho, que pedem para derramar lágrimas de alívio. Então, choro. E o faço porque Maurice Druon ensinou-me, através de seu inocente Tistu, que se você não chora, as lágrimas endurecem no peito e o coração fica duro.

Limão e Limonada

As Ciências Humanas estão sempre tomando emprestado das Exatas, termos e conceitos. A última novidade vem da Física e atende pelo nome de resiliência. Significa resistência ao choque ou a propriedade pela qual a energia potencial armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a tensão incidente sobre o mesmo.

Em Humanas, a resiliência passou a designar a capacidade de se resistir flexivelmente à adversidade, utilizando-a para o desenvolvimento pessoal, profissional e social. Traduzindo isso através de um dito popular, é fazer de cada limão, ou seja, de cada contrariedade que a vida nos apresenta, uma limonada, saborosa, refrescante e agradável.

Aprendi que não adianta brigar com problemas. É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E rapidamente, de maneira certa ou errada. Problemas são como bebês, só crescem se forem alimentados. Muitos deles resolvem-se por si mesmos. Mas quando você os soluciona de forma inadequada eles voltam, dão-lhe uma rasteira e, aí sim, você os anula corretamente. A felicidade, pontuou Michael Jansen, não é a ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados.

Aprendi a combater as doenças. As do corpo e as da mente. Percebê-las, identificá-las, respeitá-las e aniquilá-las. Muitas decorrem não do que nos falta, mas do mal uso que fazemos do que temos. E a velocidade é tudo neste combate. Agir rápido é a palavra de ordem. Melhor do que ser preventivo é ser preditivo.

Aprendi a aceitar a tristeza. Não o ano todo, mas apenas um dia, à luz dos ensinamentos de Victor Hugo. O poeta dizia que "tristeza não tem fim, felicidade, sim". Porém, discordo. Penso que os dois são finitos. E cíclicos. O segredo é contemplar as pequenas alegrias ao invés de aguardar a grande felicidade. Uma alegria destrói 100 tristezas...

Modismo ou não, tornei-me resiliente. A palavra em si pode cair no ostracismo, mas terá servido para ilustrar minha atitude cultivada ao longo dos anos diante das dificuldades, impostas ou auto-impostas, que enfrentei pelo caminho, transformando desânimo em persistência, descrédito em esperança, obstáculos em oportunidades, tristeza em alegria.

Nós apreciamos o calor porque já sentimos o frio. Apreciamos a luz porque já estivemos no escuro. Apreciamos a saúde porque já fomos enfermos. Podemos, pois, experimentar a felicidade porque já conhecemos a tristeza.

Olhe para o céu, agora! Se é dia, o Sol brilha e aquece. Se é noite, a Lua ilumina e abraça. E assim será novamente amanhã. E assim é feita a Vida.




fontes:
1 - esta apresentação do assunto, com adaptações;
2 - texto do Dr. Alberto D'Auria aqui , com adaptações; e
3 - texto de Tom Coelho aqui

15.4.04

Recadão coletivo:

- para a Arabella:Obrigada pelas visitas e recadinhos constantes. Fui visitar o blog que você indicou. É bem legal mesmo. Valeu!

- para o Batalha: 1 - Onde você leu sobre as alterações do filme Troy? Fiquei curiosa. Não gosto de filmes de guerra, mas adoro essa história e seus personagens maravilhosos, principalmente a Cassandra. Você sabe quem vai fazer esse papel? / 2 - Não coloquei o Beckham na lista dos metrossexuais porque, em primeiro lugar, não estava na original, na revista Glam e, depois, acho que incluir sempre ele, o Mion e aquele jogador estadunidense de basquete pode dar uma conotação meio trans. A minha definição desse fenômeno é mais para o lado da sofisticação, da vaidade e do consumismo. Acho muito diferente cuidar dos cabelos e hidratar a pele do rosto, gostar de restaurantes chiques e roupas da moda de depilar a sobrancelha ou usar saia à la Darlene (mas kilt é muito sexy) e maquiagem pesada.

- para a Lu: Parabéns por o Rafael ser um índigo! Sabendo lidar com isso com muito amor e paciência, você vai ter um adulto com a inteligência plenamente desenvolvida, muito criativo, amoroso e principalmente feliz. Manda beijo pra ele e pro Pedro.

- para Paula: Tem muita coisa sobre as crianças índigo na rede. Você pode ler mais sobre o assunto aqui (abordagem em primeira pessoa), aqui (visão espiritualizada), aqui (cientificamente) e aqui (observações sobre o livro). Mas com a ajuda do Google você vai encontrar material de leitura pra muito tempo... :-) Meu lindinho está dando trabalho, é? Dá muito beijinho nele que é a terapia que a Tia Carla mandou, viu? :-) No lindão grandão também, quando você estiver com ele. Lembranças para maridão. E, sim, filhos (e sobrinhos, né, Lu?) são as grandes bênçãos da nossa vida. Mas tem um livro de que gosto muito chamado Os Nós e os Laços que fala que os nós são aquelas relações que não escolhemos, como as de sangue. Essas podem ou não trazer afinidades, podem ser apenas prova e expiação, eu diria. Mas os laços, aqueles contatos que cultivamos por décadas, por escolha, os irmãos de alma, estes são grandes tesouros. Já parou para contar há quantos anos você pegou aquele saquinho de doces de Cosme e Damião, maninha? :-) Saudades também. Muitas!
Neste Domingo 18/04 tem HUSBAND na Lagoa, no quiosque Drink Café, a partir das 20:30 h.

O melhor do Rock, Blues, Soul, Pop...


Husband

Dany - Vocal
Marcelo Vidal - Guitarra base e gaita
Marcio - Guitarra solo
Edinho - Baixo
Marcelo Miranda - Bateria
O grande pessimista colhe todas as notícias ruins do jornal e manda aos amigos cada manhã; acha que o ser humano não presta mesmo, o mundo é mero palco de guerras e corrupção. O excessivamente otimista acha que a realidade é a das telenovelas e dos sonhos adolescentes, das modas, das revistas, da praia, do clube. O sensato (não o sem graça, não o chato) sabe que o ser humano não é grande coisa, mas gosta dele; que a vida é luta, mas quer vivê-la bem; que existem _ além de injustiça, traição e sofrimento _ beleza e afetos e momentos de esplendor. Que se pode confiar sem ser a toda hora traído por quem se ama.

Posso ser um pessimista essencial, por natureza ou formação ou circunstâncias. Posso porém estar apenas deprimido.

Para sair de uma fase depressiva há mil recursos à disposição de qualquer pessoa. Terapia, uma bela caminhada, um novo amor, pintar o cabelo, jantar num lugar delicioso, mudar de lugar os vasos do jardim, ver o que acontece nas artes. Ler, refletir, observar o dentro e o fora. Comprar um cachorro, ir ao futebol, planejar uma viagem (pode ser só até ali). Tentar aproximar-se da arte, qualquer que ela seja. Renovar interesses e afetos, cultivá-los.

Mas se eu curto a minha depressão ou minha visão negra de tudo, se com isso pretendo chamar a atenção dos outros ou puni-los (ou a mim mesmo), posso optar pelo eterno descontentamento. Aos poucos ficarei segregado do círculo dos que a~so os vitais amantes da esperança.


(Perdas & Ganhos, Lia Luft, Ed. Record, página 104)
Qual É?
(Marcelo D2/Davi Corcos)

eu tenho algo a dizer explicar pra você
mas não garanto porém que engraçado eu serei dessa vez
para os parceiros daqui para os parceiros de lá
se você se porta como um homem
será que você mantém a conduta?
será que segue firme e forte na luta?
aonde os caminhos da vida vão te levar?
se você agüenta ou não o que será será
mas sem esse kaô de que tá ruim não dá
esse eu já vim, vi, venci deixa pra lá
tá ruim pra você, também tá ruim pra mim
tá ruim pra todo mundo o jogo é assim
sem sorte no jogo, feliz no amor
quem nasceu pra malandragem não quer ser doutor
há 500 anos essa banca manda à vera
abaixou a cabeça já era

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

então vem devagar no miudinho
então vem chega devagar no sapatinho
malandro que sou não vou vacilar
sou o que sou e ninguém vai me mudar
porque eu tenho um escudo contra o vacilão
papel e caneta e um mic na minha mão
e é isso que é preciso coragem e humildade
a atitude certa na hora da verdade
o que você precisa para evoluir
me diz o que você precisa pra sair daí
o samba é o som e o Brasil é o lugar
o incomodado que se mude e eu tô aqui pra incomodar
ô de que lado você samba e você samba de que lado?
na hora que o côro come é melhor ta preparado
e lembrando de Chico comecei a pensar
que eu me organizando posso desorganizar

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

amar como ama um black, brother
falar como fala um black, brother
andar como anda um black, brother
usar sempre o cumprimento black, brother

quantas vezes já cheguei no fim da festa
quantas vezes o bagaço da laranja é o que resta
não me dou por vencido, vejo a luz no fim do túnel
a corrente tá cerrada, como meus punhos
vai dizer que você é um perdedor
daqueles que quando sua família precisa cê dá no pé
vai dizer que você prefere o ódio ou amor

então me diz neguinho...Qual é?

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

essa onda que tu tira qual é?
essa marra que tu tem qual é?
tira onda com ninguém qual é?
qual é neguim? qual é?

qual é? qual é? qual é? qual é neguinho? qual é?

14.4.04

Centro Cultural Justiça Federal

Apresenta


QUARTAS INSTRUMENTAIS DELIRA MÚSICA
Instrumental do Brasil – Abril de 2004


Produção e realização: André Oliveira


Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 – Tel.: 3212 2550 – Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 10,00

* estudantes, idosos e assinantes do JB pagam meia entrada

* associados do Clube Delira Música têm 20% de desconto no ingresso e 10% de desconto na compra de CDs Delira Música no local.


Em abril de 2004 o projeto Quartas Instrumentais no CCJF convida dois grandes nomes da cena instrumental brasileira. O craque dos sopros Carlos Malta e o grupo Cama de Gato se alternarão nas quartas-feiras do mês, com um cardápio musical fortemente calcado na brasilidade. Nada mais próprio, já que em abril comemoramos o Descobrimento, o Dia de São Jorge e o aniversário de São Pixinguinha. Carlos Malta se apresenta em duo com o pianista Philippe Baden Powell e depois com seu grupo Pife Muderno. O grupo Cama de Gato retorna de uma turnê pela América do Sul e mostra o repertório de seu sexto CD, lançado no ano passado, ao lado dos seus hits de sempre. Viva a música do Brasil.



14 de Abril – 19h

Cama de Gato


Mauro Senise, sax e flauta – Pascoal Meirelles, bateria
Jota Moraes, piano – Mingo Araújo, percussão – André Neiva, baixo


O quinteto instrumental Cama de Gato faz duas apresentações no Centro Cultural Justiça Federal (dias 14 e 28 de abril) para continuar a divulgar o disco Água de Chuva, uma produção independente do selo Perfil Musical. O álbum marca o retorno do grupo às prateleiras – e, naturalmente, uma volta mais constante aos palcos – após um intervalo fonográfico de sete anos. Jota Moraes, Mauro Senise, Pascoal Meirelles e Mingo Araújo aproveitam o clima de festa para apresentar o baixista André Neiva, que substitui Arthur Maia. Turnês pela Europa, Estados Unidos e pelo Brasil inteiro são mais do que comuns na rotina do quinteto, que tem no currículo uma apresentação memorável no famoso Town Hall, em Nova York (1989), e três concertos inesquecíveis no Free Jazz, em São Paulo e no Rio de Janeiro (1994, 1996 e 1997). Entre os feitos que enriquecem a história do grupo e merecem registro, destaque para a venda de 75 mil cópias do disco de estréia, Cama de Gato (Som da Gente, 1986), um número fantástico para o tímido mercado instrumental do país. De acordo com o baterista Pascoal Meirelles, fundador do grupo ao lado do flautista e saxofonista Mauro Senise e de Jota Moraes (que se divide entre piano, teclado, marimba e vibrafone), o diferencial deste novo CD é a sofisticação do tratamento sonoro "por conta dos arranjos, que são mais elaborados e usam cordas", avalia. Um segundo fator relevante é a pulsação dos instrumentos, que denuncia a brasilidade do álbum, fazendo uma mistura bem dosada de ritmos nacionais, como o frevo e o maracatu, ambientados numa gafieira. Outro diferencial importante é que todas as composições levam a assinatura dos músicos do grupo, com exceção da faixa de abertura “Bimini”, escrita pelo pianista Rique Pantoja. O papel autoral de Rique Pantoja foi assumido por Jota Moraes, com a preciosa colaboração de Pascoal Meirelles e André Neiva. Jota compôs os temas "Prateado", “Homem", "Seu Arthur", "Pau de sebo" e a faixa-título, "Água de Chuva". Os temas “Aruba" e "Pontanegra" são de Pascoal, e Neiva incrementa com "Porque também não fui". "É mais do que uma opção gravar apenas composições próprias", segundo o bem-humorado baterista. "Não é uma atitude exclusivista. É que gostamos de tocar nossas músicas. Não tocamos material alienígena", brinca.



21 de Abril – 19h

Carlos Malta e Pife Muderno


Carlos Malta, direção musical, arranjos, flautas e saxofones
Andréa Ernest Dias, flautas
Marcos Suzano, pandeiro
Oscar Bolão, pratos e tarol
Durval Pereira, zabumba


Uma das maiores expressões no atual cenário musical, Carlos Malta & Pife Muderno já foram aplaudidos de pé na Sala Cecília Meireles, no Percpan na Bahia, no New Orleans Jazz and Heritage Festival, Festival de Caracas, Sabath Tóquio, Essaouira Gnawa Festival no Marrocos, Rock in Rio 3, no Cité de la Musique de Paris e no 22º Festival de Jazz et Musiques d’Ailleurs d’Amien em Abril de 2003, na França. Poliglotas musicais, o grupo dá um nó na teoria musical, passando a harmonia para os tambores, onde a zabumba vira piano e o pandeiro vira contrabaixo. Os ritmos e a temática passam pela tradição e ao mesmo tempo projetam a vanguarda num novo universo sonoro, com recriações de clássicos como Ponteio (Edu Lobo), Açum Preto e Asa Branca (Luis Gonzaga), bem como os originais Tupyzinho, Lá no Suzano e Carááá...caíííí, ambas composições de Malta. A sonoridade do Pife Muderno é pra lá de original, onde pifes do Brasil se encontram com flautas da China (di-zi) , da India e do Japão (shakuhachi), além das grandes flautas baixo e contralto . A cortina harmônica percussiva completa a “voz“ desta banda que arrebata as platéias com sua energia vibrante e seu balanço contagiante.

28 de Abril – 19h

Cama de Gato


Mauro Senise, sax e flauta – Pascoal Meirelles, bateria
Jota Moraes, piano – Mingo Araújo, percussão – André Neiva, baixo

O grupo encerra o mês, com o repertório do CD Água de Chuva e sucessos dos trabalhos anteriores.


Informações:

André Oliveira – Tel 3325 4113/9122 0679 ou andreoliveira@rjnet.com.br
CHORO NO SESC 2004
COMEMORAÇÃO DO DIA NACIONAL DO CHORO
Produção Artística - Marcos Souza / Atelier Cultural

CHORO NO SESC - AUDITÓRIO DO ARTE SESC
20 de Abril - terça - 19:00hs - Entrada Franca
ARTE SESC Rua Marquês de Abrantes 99 - Auditório - Tel: 3138-1343

20/4/2004 - terça
TIRA POEIRA

Formado por Henry Lentino (bandolim), Caio Márcio (violão), Samuel DeOliveira (saxofone), Fábio Nin (violão 7cordas) e Sérgio Krakowski (pandeiro), todos entre 20 e 30 anos, o Tira Poeira investe na vertente chorística que abre espaço para o improviso e a experimentação.
E foi experimentando daqui e dali que o grupo partiu para espanar definitivamente a poeira do convencionalismo, sem abrir mão da tradição. O repertório revisita temas de Waldir Azevedo ("Delicado", "Vê se Gostas", "Carioquinha"), Jacob do Bandolim ("Receita de Samba", "Santa Morena"), Pixinguinha e Benedicto Lacerda ("Segura Ele"), Nelson Cavaquinho ("Caminhando"), dialogando com o samba, a gafieira, o jazz.

Homenageados 2004:
Choro na Feira, Daniela Spielmann, Bruno Rian