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18.8.05

Crônica pouco original do medo
(Antônio Torres)




Nada de pânico. Embora o horizonte continue sombrio e o estado da atmosfera indique que ainda não atravessamos as zonas de turbulência, este país não pode ser considerado uma nau sem rumo. Ao longo dos seus 505 anos de navegações, já deve ter aprendido a se proteger das tempestades e a se defender dos ataques dos flibusteiros.
No entanto, isto não nos torna refratários ao mais humano dos sentimentos: o do medo. E não estou me referindo aos sobressaltos do cotidiano. Mas aos papos nas filas dos bancos, dos motoristas de táxis e na boca do caixa da mercearia ali na esquina:

- Estamos precisando de um novo marechal Castelo Branco, para fechar logo este Congresso!

- Vira essa boca pra lá, homem!

- Mas para que serve essa democracia? Para fazer a gente eleger ladrão? Pra mim, chega. Nunca mais voto em ninguém.

- Nunca mais é o PT! Nunca mais é o Lula!

- Impeachment! Impeachment!

Neste exato momento, há no ar sinais tão preocupantes quanto o perigo das balas a esmo, dos assaltos à mão armada, de um ou outro laivo de saudosismo da ditadura militar. Incorpora-se a esta lista a confiança perdida neste governo, a um ano e meio do seu fim, o que faz com que as raposas oposicionistas saiam de suas selvas de dentes arreganhados. Por conveniências eleitorais, porém, estão dando um tempo. Mas atenção. Nesse mato não tem só flores cheirosas, não é o que estamos vendo, diante das câmeras?

Alguns Zés ali da esquina estão com medo do que os raposões possam vir a aprontar. E ponderam: que o chefe da nação assuma o leme para o barco não ficar à deriva. Depois de cumprida a sua missão (ainda falta um ano e meio, ufa!), que tal procurar outra ocupação, como qualquer um de nós, ao perder o emprego? Seja qual for o destino que tiver, com certeza será melhor do que o dos milhões de brasileiros que acreditaram nas suas promessas de esperança. Certo. Ao deixar o comando, perderá o seu atual cartão de crédito. Em compensação, sairá dessa sem precisar entrar nas filas dos programas assistenciais, como o Fome Zero.

Para baixar o tom editorializante até aqui, mas sem fugir do assunto, recorro a uns versos de O poema pouco original do medo, do português Alexandre O'Neill. Embora escrito em outra circunstância histórica - a ferrenha era do salazarismo -, a sua essência confere-lhe atualidade, como veremos:

''O medo vai ter tudo/ pernas/ ambulâncias/ e o luxo blindado de alguns automóveis./ Vai ter enredos quase inocentes/ ouvidos não só nas paredes/ mas também no chão/ no teto/ no murmúrio dos esgotos/ e talvez até (cautela!)/ ouvidos nos teus ouvidos./ O medo vai ter tudo./ Milagres/ cortejos/ frases corajosas/ congressos muitos/ ótimos empregos/ projetos altamente porcos/ heróis (o medo vai ter heróis!)/ a tua voz talvez/ talvez a minha/ com certeza a deles./ Vai ter suspeitas como toda a gente... (Penso no que o medo vai ter/ e tenho medo/ que é justamente/ o que o medo quer.)''

Assino embaixo. Digo, lá em cima.

(fonte)
Texto que chegou anônimo por e-mail e mesmo anônimo segue, porque merece ser divulgado:


O Brasil está envolvido numa das piores crises da sua história, sim.

O mar de lama está grande, sim.

O PT está infestado de corruptos, sim, que devem ser punidos, sim, mas...

...sentir saudades de FHC, dos tucanos, do PFL e de toda essa corja que governou o Brasil até 31/12/2002? Aí já é demais.

É engraçado como antigamente todos os processos contra o FHC eram arquivados pelo PGR, se não me engano Geraldo Brindeiro era o Homem Engavetador. Era ali que as CPI's viravam pizza.

É engraçado como a Polícia Federal não fazia quase nenhuma operação, pois era impedida pela cúpula do governo FHC.

É engraçado como o Jader Barbalho, mesmo após alguns escândalos ligados ao Banco da Amazônia e o escândalo das pererecas da sua mulher (ahn... digamos "rãs" da sua mulher), foi indicado para a presidência do Senado por duas vezes pelo FHC.

É engraçado como a Roseana Sarney deu 1/2 dúzia de desculpas diferentes para a origem dos milhões de reais que estavam no cofre da empresa Lumus (era assim mesmo o nome? Enfim, empresa de seu marido Jorge Murad) e ninguém falou nada, nem CPI aconteceu.

É engraçado como o FHC comprou dezenas de votos para garantir sua reeleição por R$ 200.000,00 cada... e a CPI foi mais uma vez engavetada.

É engraçado como, por ordem do FMI, o FHC enxugou e quase aniquilou o funcionalismo público durante os oito anos em que esteve no poder, sem um realzinho sequer de aumento, e ninguém fala nada.

É engraçado como o governo dizia não ter dinheiro para o aumento do funcionalismo, mas emprestava milhões para salvar os banqueiros - lembram do PROER? Do Cacciola, que está na Itália?

É engraçado como o FHC liquidou todas as nossas empresas estatais com a desculpa de pagar a dívida pública e, além de não pagar, deixou que a dita quintuplicasse... E só não conseguiu liquidar o Brasil de vez com a ALCA porque não ganhou a eleição.

É engraçado como todos reclamam dos reajustes das contas de luz e telefone de hoje em dia e se esquecem de que quem deixou que os reajustes fossem feitos pelo maior índice existente (o da FGV) foi o FHC.

E isso tudo é engraçado?

Não. Não é, não. É... TRÁGICO. É trágico ter como oposição partidos e pessoas como PFL, PSDB, PPB, ACM Neto, Michel Temer, Rodrigo Maia, Roberto Jefferson. Esses que posam agora de fiéis escudeiros da população, marco da honestidade e da moral!

E o pior de tudo é ver que realmente a população tem memória fraca. Aliás, nem memória tem, porque esses fatos aconteceram há poucos anos.

Só para refrescar a memória dos manés de plantão:

- fraude no painel do senado;
- compra de votos para reeleição;
- PROER (ajuda a bancos que deviam para o governo);
- SIVAN;
- liquidação das empresas estatais (privatizações);
- Banestado;
- Banco Marka (Cacciola);
- Fonte Sindam;
- engavetamento de diversos processos etc etc etc...
'Tá bom ou querem mais?

AVISO: Roberto Jefferson não é herói. Ele fez um bem ao Brasil ao denunciar toda a sujeira, mas isso não o isenta de sua história de corrupção, roubos e esquemas.

Parece que o PFL, o PSDB e a turma de FHC fizeram "reconstrução de hímen": são todos virgens de ladroagem agora!

Não se enganem. Não votem nesses canalhas por causa da desilusão com o governo petista.

Lutem pela mudança, pela expurgação desses cânceres que há séculos estão entranhados na nossa política. Não façam voltar ao poder as mesmas raposas velhas que têm uma contribuição muito maior que o PT para o lamaçal que há muito tempo tomou conta do país.

E lutemos todos pelo fim da impunidade, não importa se o corrupto joga pela direita ou pela esquerda. Ele tem de ser expulso desse jogo.

Não se esqueçam disso!!!!!!!

15.8.05

"A maior parte das pessoas é tão feliz quanto resolve ser."
(Abraham Lincoln)

"Quando um homem se vende quase sempre vale menos do que recebeu."
(Barão de Itararé)

"Aquele no qual todos, em toda parte, sempre acreditam, tem todas as possibilidades de ser falso."
(Paul Valléry)

"Pratique uma alimentação saudável: coma sempre homens de fibra."
(Anônimo)

"A inteligência é uma espécie de paladar que son dá a capacidade de saborear idéias."
(Susan Sontag)

12.8.05

"Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam."
(Provérbio árabe)

"O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça."
(Coco Chanel)

"É mais fácil amar a humanidade inteira do que amar o seu vizinho."
(Eric Hoffer)

"O que me assusta não é o grito dos violentos, mas o silêncio dos bons."
(Benjamin Frankilin)

"Coragem é a resistência ao medo, o domínio do medo - não a ausência do medo."
(Mark Twain)
Do you speak English?

9.8.05



“Zungu”
Fernando Martins


Pianista do renomado quinteto de Victor Assis Brasil, com trabalhos em parceria com Hélio Delmiro, Maurício Einhorn e Rildo Hora, Fernando Martins lança seu segundo CD solo no Brasil. Em formação de quarteto, com o talentoso e lírico saxofonista francês Idriss Boudrioua, o baterista Kléberson Caetano e o craque Luís Alves no contrabaixo, Fernando traz no repertório, entre outras pérolas, “Alegria de Viver” de Luís Eça, “Refém da Solidão” de Baden Powell e P.C.Pinheiro e um arranjo inovador e instigante para “A Rã” de João Donato.


Shows de Lançamento

10/08 - 19:00h - FNAC Barra Shopping - Entrada Franca

17/08 - 20:00h - Armazém Digital - Entrada Franca

24/08 - 19:00h - Quartas Instrumentais - Centro Cultural Justiça Federal - Ingresso R$10,00
"Um santo é um pecador morto, revisto e corrigido."
(Ambrose Bierce)

"Se você se sente só é porque construiu muro em vez de pontes."
(Anônimo)

"Poucos são os que nunca tiveram uma oportunidade de alcançar a felicidade - e menos ainda os que aproveitaram esta oportunidade."
(André Maurois)

"Sonho que se sonha junto é realidade."

(Raul Seixas)

"Não julgue as pessoas pelas amizades. Judas, por exemplo, tinha amigos exemplares..."

(Anônimo)
O Planeta Vermelho está em vias de se tornar espetacular!

Neste mês e no próximo a Terra e Marte se aproximam num encontro que culminará com a maior aproximação entre os dois planetas registrada na história.

A próxima vez que Marte poderá eventualmente chegar tão perto de nós será no ano 2287. Devido à maneira como a gravidade de Júpiter arrasta Marte e perturba a sua órbita, os astrônomos estão seguros de que Marte não chegou tão perto da Terra nos últimos 5000 anos, e pode bem ser que leve 60000 anos para que aconteça de novo.

O encontro culminará no dia 27 de agosto, quando Marte estará à cerca de 56 milhões de quilômetros da Terra e será o astro mais brilhante no firmamento depois da lua. Atingirá a magnitude de -2,9 e parecerá ter uma largura de 25,11 segundos. Com uma modesta ampliação de 75 vezes, Marte parecerá tão grande quanto a lua a olho nu.

Será fácil identificar Marte: no começo de Agosto ele "nascerá" no leste às 22 horas e atingirá o seu azimute por volta das 3 horas da manhã.

Lá pelo fim de agosto, quando os dois planetas estiverem mais próximos um do outro, Marte "nascerá" ao anoitecer e atingirá seu ponto mais alto por volta de 30 minutos depois da meia noite.

Será muito interessante ver algo que nenhum ser humano jamais viu até hoje na história da humanidade conhecida. Por isso, marque o seu calendário e não se esqueça de olhar no início do mês: Marte se tornará progressivamente mais brilhante durante o mês de agosto.

Diga aos seus parentes e amigos, particularmente aos seus filhos e netos.

E lembre-se:

Nenhuma pessoa viva, hoje, verá esse espetáculo novamente!!!

8.8.05

"Há coisas que são tão sérias que você tem que rir delas."
(Niels Bohr)

"Toda vez que um justo grita
Um carrasco vem calar"

(Cecília Meireles)

"Que falem mal de alguém é espantoso, porém há uma coisa pior: que não falem."
(Oscar Wilde)

"Vim para quebrar os relógios deste tempo que insiste em dar voltas sobre ele mesmo."
(Moacyr Félix)

"A melhor maneira de se preparar para a vida é começar a viver."
(Elbert Hubbard)
PELOS DIREITOS HUMANOS
PELA DEMOCRACIA
PELA IGUALDADE E JUSTIÇA,

Assinem a petição pelo casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Aqui!
Novas dicas. Desta vez, especial para mulheres e seus parceiros: TPM e menopausa.
Rosa de Hiroshima
(Vinícius de Moraes)

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas,
Pensem nas meninas
Cegas inexatas,
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas,
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas.

Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa, da rosa!

Da rosa de Hiroshima,
A rosa hereditária,
A rosa radioativa
Estúpida e inválida,
A rosa com cirrose,
A anti-rosa atômica.
Sem cor, sem perfume,
Sem rosa, sem nada

7.8.05

"Algo de lúdico certamente há nessas obras, quer quando vemos o modo de articulação cromática e espacial das esculturas, quer quando imaginamos sua 'execução'. Mas há nestes trabalhos recentes uma vontade de estruturação da forma e, um caráter adicional, uma 'civilidade' que vão muito além do lúdico, resultado de uma atitude que privilegia a reflexão antes de tudo."

(Reynaldo Roels Jr., maio de 2005)

A exposição da Carli Portella, "Quase Pintura", continua na Galeria 90 até o dia 20. Carli expõe 18 obras nas quais apresenta diversas técnicas. Quase Pintura utiliza colagem, desenho e recorte em tinta acrílica sobre papel de diversas texturas e formatos. Eu já fui conferir e amei.

Quase Pintura
Carli Portella
Galeria 90

Rua Marquês de São Vicente, 90 101 B
Gávea - Rio de Janeiro - RJ
de segunda a sexta, das 14h às 19h;
sábado, das 12h às 17h

3.8.05

Pois é, dona Eliane, faz parte do meu "jeitinho" atender a uma pendência quando já estão achando que eu dei chabu. Felizmente também às vezes responde e-mails antes do emissor apertar o send. Tudo uma questão de momento. Vai entender esta louca aqui, né? Ainda bem que com a gente não tem disso. A gente se afina mesmo quando desafina.


Cinema é a maior diversão

1) Qual o seu filme favorito?

Muitos. Tantos. Entre os mais recentes: Mulholland Drive, Dogville, Antes do Pôr-do Sol, Matrix (só o primeiro), Magnolia...

2) Qual o último DVD que você comprou?

Nunca compro DVD pra mim. Não sou muito de rever, mesmo os que gosto muito. São pouquíssimas as exceções: A Fantástica Fábrica de Chocolate, Bonequinha de Luxo, Dirty Dancing (pela nostalgia da adolescência)... O último que comprei foi para presentear. Foi o show do Hendrix em Woodstock.

3) Quais os 5 últimos filmes que você viu?

1- Papai Noel às Avessas (em DVD)
2- A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005)
3- Sideways (em DVD)
4- Em Boa Companhia
5- Quarteto Fantástico

4) Qual o melhor filme brasileiro de todos os tempos?

Central do Brasil

5) Qual o seu diretor/ator/atriz e o seu gênero favoritos?

Diretor: Woody Allen, David Lynch, Pedro Almodóvar, Walter Salles, Jorge Furtado...
Ator: Muitos. Sean Penn, Tim Robbins, José Dumont...
Atriz: Muitas. Atualmente ando adorando observar a Scarlett Johansson...
Gêneros: Quase tudo o que não explore violência como filão.

6. Escolha 5 pessoas para passar a corrente…

Ricardo
Pedro
Marcelo
Lu
Carol

26.7.05

Afinal, o que é a inveja?:: Bel Cesar ::
A inveja é um sentimento intrigante. Apesar de todos nós o experimentarmos, ninguém gosta de reconhecer quando o está sentindo. Afinal, é um sentimento controverso: indica que algo positivo desperta algo negativo. Vamos imaginar uma conversa entre pessoas que estão “jogando papo fora”. Do nada, alguém começar a falar das coisas boas que estão lhe acontecendo. Quantos rostos e mentes diferentes surgem naquele momento! Poucos expressam interesse real e se regozijam com sinceridade. A maioria irá sentir inveja, mesmo que não se dê conta...Alguns expressam sua inveja com brincadeiras de “mau gosto”. Outros, calados, costumam pensar: “Como ele é exibido e gosta de contar vantagem!”. Já aqueles que não conseguem conter o ardor da inveja a queimar o seu interior, passam a criticá-lo, com a intenção de depreciar abertamente a sua boa sorte. Há ainda aqueles que passam a dar conselhos para ajudar aquela pessoa de sucesso a garantir o seu triunfo. O clima pesa, pois não há mais empatia entre as pessoas. Provavelmente, muda-se de assunto. Pois a essa altura da conversa todos estão sofrendo: quem contou sente-se só e arrependido. Quem escutou, agora sente-se incomodado, inquieto e talvez nem saiba porquê. A inveja é destrutiva, tanto para quem a sente quanto para quem a recebe. Quem já não vivenciou um mal-entendido quando alguém resolveu dar boas notícias!O senso comum concorda que é melhor se precaver: “Inveja traz mau-olhado. Quando estamos vivendo uma situação muito boa é melhor calar”.Olho-gordo é um nome popular para a inveja. Pois quando o invejado toma para si as projeções negativas do invejoso, acaba por concretizá-las. O tema que evoca a inveja é sempre alguma coisa que poderia revelar o que está faltando na personalidade daquele que a sente. É como se o invejoso falasse em voz alta algo que o invejado não gostaria que jamais viesse à tona. Neste sentido, para não se deixar contaminar pelo veneno do invejoso, o invejado deve observar com honestidade sua reação frente ao ataque do invejoso. Se ele estiver livre das questões expostas pelo invejoso, sua clareza de intenção irá protegê-lo do possível ataque do “olho-gordo”. Quando somos criticados por avaliações contaminadas pela inveja, podemos nos sentir injustiçados e vulneráveis frente ao ataque externo. Neste momento, é bom lembrar que é praticamente impossível ser compreendido por todos, assim como é inviável agradar a gregos e troianos. O importante é mantermos o foco em nossas metas para não nos contaminarmos pela inveja alheia, pois ela sempre estará presente, de uma forma ou de outra. A inveja surge do sentimento de que somos incapazes de viver nossos próprios sonhos, de alcançar nossas metas e realizarmo-nos. Por isso, o exemplo daqueles que realizaram algo nos faz lembrar aquilo que não fomos capazes de fazer. No entanto, muitas vezes a sensação de incapacidade, a matriz da inveja, deve-se à escolha inadequada de metas, como desejar algo que não está ao nosso alcance. Em geral, costumamos não valorizar as coisas que já realizamos e assim cultivamos a sensação de desvalia sem nos darmos conta de nosso próprio valor. Neste sentido, a inveja consome o invejoso, porque o faz dar valor apenas ao que está além de seu alcance.A inveja é um dos sentimentos mais difíceis de serem aceitos pelo ser humano, pois na maioria das vezes é inconsciente. Isto ocorre porque ela se forma muito cedo em nossa vida. A inveja surge nos primeiros meses de vida na relação com quem nos alimenta! Quando queremos mais alimento e não temos, não toleramos a frustração, ficamos com raiva de quem tem o alimento. Com inveja dele, queremos destruí-lo. Como podemos constatar, a inveja é um sentimento primitivo, pouco elaborado. Ela está baseada no sentimento de inferioridade, adquirido pela comparação que se faz com outra pessoa em algum aspecto específico.Assim como escreve Elisa Cintra em Melanie Klein Estilo e Pensamento (Ed. Escuta): “`Quem desdenha quer comprar´, diz o ditado: a inveja é quase sempre detectável na vida cotidiana por esse trabalho de desvalorização do outro, o que também foi narrado pela fábula da raposa e das uvas. Impossibilitada de ter acesso às uvas, a raposa começou a tecer considerações sobre a falta de valor dos frutos, o fato de estarem verdes... A inveja dirigiu-se aos frutos, isto é, à criatividade da árvore, àquilo que ela pode oferecer e criar. A idéia de `frutos´permite que se lembre a inveja da obra do outro, de suas idéias, de seu trabalho e de sua capacidade de criar obras de arte ou científicas. Entretanto, a inveja vai mais longe: além de depreciar os frutos, ela tenta diminuir o prazer da própria situação de gratificação, como na expressão popular `não dar o braço a torcer´, admitir o poder do outro”.As impressões registradas no psiquismo durante os primeiros meses de vida são de grande relevância para o desenvolvimento posterior. Quando a criança não consegue sentir que é capaz de modificar seu ambiente (quem a alimenta), fica com um sentimento "eterno" de impotência: um sentimento profundo de inadequação e insuficiência. Esta é a base da inveja: supervalorizar os outros (que podem, segundo a fantasia do invejoso, fazer tudo) e esvaziar a si mesmo (que é inferior porque não pode fazer nada). Assim, nasce o desejo de esvaziar o outro para que tudo fique igual e ele não fique só. Segundo o psicanalista Mário Quilici, a inveja dá-se em quatro fases especificas:1- Primeiramente, o indivíduo olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. Compreende a importância daquele traço para ele. Ou seja, vê, admira e deseja. 2- No momento seguinte, faz uma comparação entre o que o outro tem e o que o indivíduo não tem. Ele toma consciência de uma falta sua porque já discrimina. Aqui o processo cognitivo é importante. 3- Aí se dá o terceiro momento da inveja, que é a percepção - e ao mesmo tempo a vergonha - de uma falta nele do que foi admirado (e valorizado) no outro. Surge aí, também, a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido por ele. 4- Logo estamos na quarta e última fase: A inveja é disparada pela percepção de uma falta no indivíduo. Essa insuficiência faz com que ataque e conseqüentemente espolie o objeto invejado para fazer desaparecer a diferença que foi percebida. Numa luta secreta e constante, aquele que se sente insuficiente tenta esconder sua vergonha de ser incapaz. Assim, procurando evitar qualquer situação que o faça sentir mais humilhado, ele ataca antes de ser atacado. Isto é, ele compete sozinho. A competição é um hábito do invejoso, pois ele tem dificuldade de receber ajuda, fazer junto e cooperar. O invejoso sente tem até mesmo dificuldade de receber presentes, pois ele teme qualquer situação que revele sua auto-imagem de carência e necessidade. Por isso, quando os recebe, procura sempre retribuí-los logo. Muitas vezes, a dificuldade de delegar tarefas também pode estar relacionada à inveja.A inveja impossibilita o sentimento de gratidão. Isso ocorre porque o invejoso é incapaz de sentir que o outro lhe dá algo de bom grado e sim, o faz por necessidade de humilhar o invejoso.O Novo Dicionário Aurélio explica: “Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio”. Já o Dicionário de Psicologia Dorsch esclarece: “A inveja pertence aos sentimentos intencionais. É uma insatisfação, o aborrecimento com a alegria do outro”. Portanto, aquilo que é invejável é encarado como algo de muito valor.Se prestarmos atenção às qualidades do objeto, pessoa ou situação pela qual sentimos inveja, poderemos compreender melhor o que nos sentimos incapazes de conquistar. Neste sentido, a inveja é um espelho que revela uma parte de quem somos, onde estamos e para onde queremos ir. Saber para onde queremos ir é a condição básica para sair da imobilidade. Por isso, se aprendermos a reconhecer os padrões emocionais que sustentam nossa inveja poderemos torná-la um método eficiente para diagnosticar nossas faltas. Desta forma, poderemos transformar a inveja numa força inspiradora de conscientização, no lugar de um sentimento apenas desagradável. Reconhecer para onde queremos ir é em um estímulo para tomarmos uma atitude proativa diante de nossas dificuldades. Talvez não possamos modificar nada ao nosso redor. Mas se pararmos para aprender com nossos sentimentos negativos, poderemos mudar a nossa atitude mental e atrair o novo para nossa vida. Thomas Moore faz um comentário interessante em seu livro Cuide de sua alma (Ed. Siciliano): “Por um lado, a inveja é o desejo por alguma coisa, e por outro, é uma resistência ante o que o coração realmente quer. Mas inveja, desejo e abnegação trabalham juntos para criar um senso característico de frustração e de obsessão. Apesar de a inveja ter um ar masoquista - a pessoa invejosa acha que é uma vítima de má sorte -, ela também envolve forte vontade na forma de resistência ao destino e ao caráter. Quando invejosa, a pessoa torna cega a sua própria natureza. [...] O verdadeiro problema da inveja não é a capacidade do indivíduo viver bem, é a sua capacidade de não viver bem”.

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Tolo é aquele que naufragou seus navios duas vezes e continua culpando o mar.
Publilius Syrus (século I a.C.)
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(enviado por Lilia)
Aldir Blanc - Rua dos Artistas:
Varejeiras na sopa




O deputado Sérgio Guerra (PSDB-PE) expectorou, na CPI dos Correios, em tom mucho surpreso:
- Nós falamos em milhões como se falássemos de trocados...

É verdade, deputado. Vossa Excelência tem razão. Como político profissional, deveria estar acostumado ao fenômeno (não confundir com o Ronaldo). No textículo abaixo, fornecerei alguns subsídios à perplexidade de Vossa Excelência.

O amigo e leitor Isaac Goldenberg respondeu a meu pedido de ajuda lançado em crônica passada. Recebi um suculento e-mail que, certamente, será de utilidade pra alcatéia que gosta de carniça fresca e omite o que lhe convém. Vamos ver alguns milhões que viraram trocados, deputado Sérgio Guerra:

1. Sivam - O tal Sistema de Vigilância da Amazônia, que derrubou ministros e assessores presidenciais de FHC I e II. Cifra estimada do contrato, entre outras denúncias de corrupção e tráfico de influências: US$ 1,4 bilhão!

2. Com o Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro (Proer), tucanagens de FHC I e II beneficiaram com R$ 9,6 bilhões o Banco Econômico, para favorecer o aliado ACM, vulgo Malvadeza. Hoje já temos até o Malvadinho atuando na CPI dos Correios.

3. Precatórios - Mutreta com pagamentos de títulos no DNER (Departamento de Estradas de Rodagem). Prejuízo estimado: R$ 3 bilhões.

4. Compra de votos - Essa foi muito bacaninha, deputado Sérgio Guerra, porque mostra a diferença entre mensalão do PT e mesadão das elites. Aqueles que votaram a favor dos projetos de governo de FHC I e II teriam recebido R$ 200 mil (cada um, claro). O pedido de uma CPI foi afundado pelos dignos parlamentares governistas.

5. Socorro nas coxas aos bancos Marka e FonteCidam - Rombo no bolso da galera em torno de R$ 1,6 bilhão. Tem até banqueiro foragido. Pra variar e ficar igual, proposta de criação de uma CPI foi arquivada pela bancada governista.

6. Apoio à Previ, caixa de previdência do Banco do Brasil, pra uma mãozinha - grande - ao consórcio do Banco Opportunity. Um dos donos do banco era o tucano Pérsio Arida. A negociata envolvia a Telebrás, o BNDES, o então ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros etc., etc. Valor estimado da cartada: R$ 24 bilhões. CPI evitada.

7. Denúncia em torno da grande figura tucana Eduardo Jorge, secretário geral da Presidência de FHC - esquema de liberação de verbas no valor de R$ 169 milhões para o TRT/SP; lobbies para favorecer empresas de informática; uso dos fundos de pensão nas privatizações.

8. O procurador-geral da República da época, Dr. Geraldo Brindeiro, foi batizado de ''Engavetador Geral''. Dos 626 inquéritos instalados até maio de 2001, 242 foram engavetados e 217 arquivados. Envolviam 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e ex-ministros e, em quatro deles, o próprio FHC I I e II.

Não apuraram lhufas. De nada, deputado Sérgio Guerra. Disponha sempre.


***
Neto redime, lava a alma. Vejam que maravilha a tirada do meu caçula, o Vinícius:

- Vô, é verdade que o Garotinho chamou o PT de ''Partido da Boquinha''?

- Acho que sim.

- Pô, como é que um sujeito com aquela boquinha pode falar mal da boquinha dos outros?!?

(fonte)