ALÔ GERAL
Neste período pré, durante e pós viagem, recebi algumas visitas por aqui que fizeram a gentileza de me mandar recadinhos carinhosos e ainda não tive tempo de fazer um agradecimento público. Vai agora: alô e obrigada, pessoal!
Eu fiquei curiosa para ver a "cara" deles, mas aconteceu o seguinte:
- A página do Marcus não abre
- A do William informa que está fora do ar para troca de servidores
- A Babi esqueceu de dar o endereço
Mas consegui conhecer os escritos do Thiago e adorei seu jeito informal, sensível e de cidadão do mundo de escrever.
É muito importante para mim ler o que as pessoas que passam por aqui têm a dizer, quem são... Mantenham contato, por favor. É um prazer.
8.8.01
CAPÍTULO I: NEW YORK
Demorei alguns dias, depois de voltar ao Brasil, para arrumar as coisas mais urgentes e poder escrever aqui neste meu cantinho.
É bom dar um giro por aí, mas a casa da gente é um lugar encantado.
Esta viagem pelas terras yankees foi uma verdadeira maratona: muitos lugares para conhecer, muitos amigos para reencontrar, tanto para fazer e o tempo pareceu insuficiente quando o referencial era o lá e infinito quando o referencial era o aqui, onde deixamos filho, amigos, família e cacarecos de estimação.
Foi minha primeira visita ao Tio Sam. Digo que é exatamente como eu pensava: Nova Iorque é hiperbólica, São Francisco é linda e Los Angeles é uma Barra da Tijuca multiplicada por cinqüenta em todos os aspectos.
Eric foi nos buscar no aeroporto e nos levou diretamente para sua casa de praia em Fire Island. O lugar é muito bonito e tranqüilo e Eric é uma das melhores companhias que posso pensar para estar em qualquer lugar do mundo. Lá conhecemos sua nova namorada brasileira, Geysa, um doce de menina, e seu amigo Jeffrey. A ilha é fina e comprida: de um lado a baía, de outro o oceano. À noite, na área do comércio, há um espírito meio Búzios e por lá comi um cachorro-quente (só pão e salsicha) e tomei uma coca-cola por US$6,60. Esta viagem vai ser uma ótima oportunidade para experimentar a dieta indiana, pensei, aquela que segue o método Gandhi de nutrição. Depois descobri que havia escolhido a lanchonete errada. Foi num destes passeios noturnos que cruzei na rua com aquele ator que fez o namorado da Rose em Titanic. Enquanto estávamos falando com minha sogra pelo telefone, três primos do Bambi invadiram o quintal.
- Temos três veados bem aqui na nossa frente.
- Mas vocês já estão em São Francisco!?
No domingo, depois de tanto ar puro, tanta calma e relaxamento, já estávamos loucos para mergulhar no caos novaiorquino.
Foi o tempo de largamos a bagagem, tomar um banho rápido e partimos para a primeira mordida na grande maçã. O apartamento de Eric fica numa área que já foi proletária e agora caracteriza-se por uma multidão alternativa, artística. Sentamos num bar de esquina onde servia-se comida colombiana, francesa, cubana e brasileira. Típico! A garçonete era a cara da Adriane Galisteu e sabia que para nos agradar o certo era obrigada e não gracias. Foi uma festa ficar ali, vendo a banda passar, a fauna humana sortida desfilando para nós... Depois meu amo e senhor e eu fomos andar a pé para sentir de perto o clima da cidade.
Os dias seguintes foram de muito turismo, conhecimento travado com espécimes de todas as partes do mundo, passagens por points descolados que somente um habitante local poderia indicar, alguns shows, alta gastronomia (e muito hot dog suspeito) e muito calor.
Um dia estávamos indo para um show de música colombiana. Tínhamos andado o dia inteiro e fomos encontrar com Eric no escritório. Começava a chover, era hora do rush e todos os táxis estavam ocupados. Nosso amigo, com seus dois metros e dez de altura foi para o meio da rua e começou a acenar. Parou uma limusine. Bicho, o cara tem um papo que deixa qualquer carioca parecendo ingênuo... Logo logo ele fazia sinal para entrarmos no enorme carro branco. Foi divertido andar pelas ruas naquela coisa cheia de luz neon, teto estrelado e espaço para uma festa inteira. Brega, mas muito divertido.
Foram tantas aventuras como essa que fica difícil contar tudo assim de uma vez. Depois conto mais...
Demorei alguns dias, depois de voltar ao Brasil, para arrumar as coisas mais urgentes e poder escrever aqui neste meu cantinho.
É bom dar um giro por aí, mas a casa da gente é um lugar encantado.
Esta viagem pelas terras yankees foi uma verdadeira maratona: muitos lugares para conhecer, muitos amigos para reencontrar, tanto para fazer e o tempo pareceu insuficiente quando o referencial era o lá e infinito quando o referencial era o aqui, onde deixamos filho, amigos, família e cacarecos de estimação.
Foi minha primeira visita ao Tio Sam. Digo que é exatamente como eu pensava: Nova Iorque é hiperbólica, São Francisco é linda e Los Angeles é uma Barra da Tijuca multiplicada por cinqüenta em todos os aspectos.
Eric foi nos buscar no aeroporto e nos levou diretamente para sua casa de praia em Fire Island. O lugar é muito bonito e tranqüilo e Eric é uma das melhores companhias que posso pensar para estar em qualquer lugar do mundo. Lá conhecemos sua nova namorada brasileira, Geysa, um doce de menina, e seu amigo Jeffrey. A ilha é fina e comprida: de um lado a baía, de outro o oceano. À noite, na área do comércio, há um espírito meio Búzios e por lá comi um cachorro-quente (só pão e salsicha) e tomei uma coca-cola por US$6,60. Esta viagem vai ser uma ótima oportunidade para experimentar a dieta indiana, pensei, aquela que segue o método Gandhi de nutrição. Depois descobri que havia escolhido a lanchonete errada. Foi num destes passeios noturnos que cruzei na rua com aquele ator que fez o namorado da Rose em Titanic. Enquanto estávamos falando com minha sogra pelo telefone, três primos do Bambi invadiram o quintal.
- Temos três veados bem aqui na nossa frente.
- Mas vocês já estão em São Francisco!?
No domingo, depois de tanto ar puro, tanta calma e relaxamento, já estávamos loucos para mergulhar no caos novaiorquino.
Foi o tempo de largamos a bagagem, tomar um banho rápido e partimos para a primeira mordida na grande maçã. O apartamento de Eric fica numa área que já foi proletária e agora caracteriza-se por uma multidão alternativa, artística. Sentamos num bar de esquina onde servia-se comida colombiana, francesa, cubana e brasileira. Típico! A garçonete era a cara da Adriane Galisteu e sabia que para nos agradar o certo era obrigada e não gracias. Foi uma festa ficar ali, vendo a banda passar, a fauna humana sortida desfilando para nós... Depois meu amo e senhor e eu fomos andar a pé para sentir de perto o clima da cidade.
Os dias seguintes foram de muito turismo, conhecimento travado com espécimes de todas as partes do mundo, passagens por points descolados que somente um habitante local poderia indicar, alguns shows, alta gastronomia (e muito hot dog suspeito) e muito calor.
Um dia estávamos indo para um show de música colombiana. Tínhamos andado o dia inteiro e fomos encontrar com Eric no escritório. Começava a chover, era hora do rush e todos os táxis estavam ocupados. Nosso amigo, com seus dois metros e dez de altura foi para o meio da rua e começou a acenar. Parou uma limusine. Bicho, o cara tem um papo que deixa qualquer carioca parecendo ingênuo... Logo logo ele fazia sinal para entrarmos no enorme carro branco. Foi divertido andar pelas ruas naquela coisa cheia de luz neon, teto estrelado e espaço para uma festa inteira. Brega, mas muito divertido.
Foram tantas aventuras como essa que fica difícil contar tudo assim de uma vez. Depois conto mais...
20.7.01
19.7.01
15.7.01
Quem sabe ainda sou uma garotinha...
... que acha que música tem que ter tempero...
Eu adorei o show da Cássia Eller. Muito mais contida (nunca me importei com os exageros dela, pelo contrário), com uma voz a cada dia melhor, se isso é possível, a criatura domina o palco e audiência com uma precisão rara. A impressão que eu tive foi que ela estava se segurando o tempo todo, mas de repente não agüentava e fazia o que todo mundo estava esperando: coçou o saco imaginário, cuspiu no palco, balangou os peitos, simulou rapidamente uma siririca. E como canta a diaba! Eclética, completa, perfeita... Só não vou fazer como as mocinhas que gritavam sem parar coisas como "gostosa".
Corro desta história de "grandes cantoras lésbicas" como corro da história de "ator negro". O que me cativa não é a orientação sexual, a cor da pele, o credo ou qualquer coisa que mais do que abrir portas reforça pré-conceitos. E esta história de "cantora lésbica" já me dói.
Ontem fomos à Modern Sound para comprar alguns CD's encomendados e aproveitei para comprar o primeiro CD da Ana Carolina que eu ainda não tinha. O vendedor prontamente me ofereceu também o disco da Adriana Calcanhotto. Se eu aceitasse, provavelmente ele viria com Zélia Duncan. Não vejo muita coisa semelhante entre estas três artistas. Considero o trabalho da Calacanhotto interessante artisticamente e o respeito, mas para o meu paladar falta sal. Quanto a Zélia, nunca me despertou maior interesse, apesar de sua voz bonita. Agora a Ana Carolina... O que é aquilo, gente? A mulher tem uma vibração, uma pulsação que me ganhou desde o primeiro momento e minha admiração por ela cresce a cada dia, um vício que me faz querer mais sempre. O show dela me nocauteou de vez e virei fã, coisa que não sou de ninguém desde os primeiros tempos da Legião.
Aliás, voltando ao início da conversa, Cássia faz belíssimas interpretações de algumas canções desta banda como já fez antes com a obra do Cazuza. Pensando bem, o que é que cai ali que não ganha brilho novo, mais beleza e vida?
... que acha que música tem que ter tempero...
Eu adorei o show da Cássia Eller. Muito mais contida (nunca me importei com os exageros dela, pelo contrário), com uma voz a cada dia melhor, se isso é possível, a criatura domina o palco e audiência com uma precisão rara. A impressão que eu tive foi que ela estava se segurando o tempo todo, mas de repente não agüentava e fazia o que todo mundo estava esperando: coçou o saco imaginário, cuspiu no palco, balangou os peitos, simulou rapidamente uma siririca. E como canta a diaba! Eclética, completa, perfeita... Só não vou fazer como as mocinhas que gritavam sem parar coisas como "gostosa".
Corro desta história de "grandes cantoras lésbicas" como corro da história de "ator negro". O que me cativa não é a orientação sexual, a cor da pele, o credo ou qualquer coisa que mais do que abrir portas reforça pré-conceitos. E esta história de "cantora lésbica" já me dói.
Ontem fomos à Modern Sound para comprar alguns CD's encomendados e aproveitei para comprar o primeiro CD da Ana Carolina que eu ainda não tinha. O vendedor prontamente me ofereceu também o disco da Adriana Calcanhotto. Se eu aceitasse, provavelmente ele viria com Zélia Duncan. Não vejo muita coisa semelhante entre estas três artistas. Considero o trabalho da Calacanhotto interessante artisticamente e o respeito, mas para o meu paladar falta sal. Quanto a Zélia, nunca me despertou maior interesse, apesar de sua voz bonita. Agora a Ana Carolina... O que é aquilo, gente? A mulher tem uma vibração, uma pulsação que me ganhou desde o primeiro momento e minha admiração por ela cresce a cada dia, um vício que me faz querer mais sempre. O show dela me nocauteou de vez e virei fã, coisa que não sou de ninguém desde os primeiros tempos da Legião.
Aliás, voltando ao início da conversa, Cássia faz belíssimas interpretações de algumas canções desta banda como já fez antes com a obra do Cazuza. Pensando bem, o que é que cai ali que não ganha brilho novo, mais beleza e vida?
13.7.01
Soltar as amarras
Içar velas
Começar a velejar num mar de umidades
Sentir o arrepio que o vento traz
O coração batendo mais forte
Prevendo a futura experiência
Transcender ao permitido
Invadir e conquistar, aos poucos
Territórios estrangeiros, misteriosos
Deixando uma saudade quente
Por onde sua presença foi sentida
Até que a viagem termine
E só reste a certeza
De estar aportado
Em plaga segura
Içar velas
Começar a velejar num mar de umidades
Sentir o arrepio que o vento traz
O coração batendo mais forte
Prevendo a futura experiência
Transcender ao permitido
Invadir e conquistar, aos poucos
Territórios estrangeiros, misteriosos
Deixando uma saudade quente
Por onde sua presença foi sentida
Até que a viagem termine
E só reste a certeza
De estar aportado
Em plaga segura
12.7.01
Amo tanto o vento
A essência airada
Qual minh'alma ariana
Acendo um incenso
E desato pelo ar
Minha ária sacana
Arriscando que caia
Numa terra árida
Tão arisca é ela
Até quando pálida
Pousada entre pedras
Propagará a aura
Que dia destes lustrou
E a beleza animal
Poderia se dar mal
Mas o vento ajudou
Durante a madrugada soprou um vento louco. As portas batiam nos apartamentos vizinhos, objetos eram derrubados, as cortinas requebravam e as persianas cantavam. Levantei para fechar as janelas e tive que lidar com um som de todos os espíritos do além batendo para entrar. ("I see dead people.":-)) Já que toda hora um ou outro ruído me despertava com susto, comecei a me contar histórias e fiquei num estágio intermediário entre o sonho e a vigília por muito tempo.
Tenho um repertório básico de meia dúzia de historietas que revezo nestes casos. Vou mudando alguns detalhes aqui e ali, continuo alguns episódios... Esporadicamente, alguma se torna urgente ou termina, sem que eu encontre nada para acrescentar ou modificar e então escrevo. Duas delas estão chegando a este ponto. Outra era uma ficção científica tão maluca que acabei abandonando. O Jornal Nacional informou que está prestes a se tornar realidade pelas mãos dos cientistas. Meu queixo grudou no colo. Não sei porque mantive a ilusão de ser a única lunática autêntica sobre a face da Terra.
A essência airada
Qual minh'alma ariana
Acendo um incenso
E desato pelo ar
Minha ária sacana
Arriscando que caia
Numa terra árida
Tão arisca é ela
Até quando pálida
Pousada entre pedras
Propagará a aura
Que dia destes lustrou
E a beleza animal
Poderia se dar mal
Mas o vento ajudou
Durante a madrugada soprou um vento louco. As portas batiam nos apartamentos vizinhos, objetos eram derrubados, as cortinas requebravam e as persianas cantavam. Levantei para fechar as janelas e tive que lidar com um som de todos os espíritos do além batendo para entrar. ("I see dead people.":-)) Já que toda hora um ou outro ruído me despertava com susto, comecei a me contar histórias e fiquei num estágio intermediário entre o sonho e a vigília por muito tempo.
Tenho um repertório básico de meia dúzia de historietas que revezo nestes casos. Vou mudando alguns detalhes aqui e ali, continuo alguns episódios... Esporadicamente, alguma se torna urgente ou termina, sem que eu encontre nada para acrescentar ou modificar e então escrevo. Duas delas estão chegando a este ponto. Outra era uma ficção científica tão maluca que acabei abandonando. O Jornal Nacional informou que está prestes a se tornar realidade pelas mãos dos cientistas. Meu queixo grudou no colo. Não sei porque mantive a ilusão de ser a única lunática autêntica sobre a face da Terra.
11.7.01
A gente se vira pelo avesso para atender às necessidades dos filhos. O difícil é saber onde termina a necessidade e começam os desejos.
Tania Zagury faz uma listinha básica de dicas em seu livro Limites Sem Trauma. Ela afirma que "necessidade é algo inevitável, algo que, se não atendido, pode levar o indivíduo a ter problemas sérios no seu desenvolvimento, seja físico, intelectual ou emocional", enquanto "desejo é a vontade de possuir algo, de realizar algo, que pode ou não ser importante para o desenvolvimento. Está mais vinculado ao prazer". As necessidades seriam (em ordem inversa de importância): auto-realização, reconhecimento e prestígio, amor e afeto, segurança (física, psicológica, social) e fisiológicas (ligadas à sobrevivência).
Mas, no dia-a-dia as coisas são diferentes e não esperam que a gente consulte um guia prático para saber se aquela vontade expressa é uma necessidade de auto-realizacão ou apenas mais um fogo de palha.
Meu filho é uma criança de muito espírito. É inteligente, divertido, curioso, criativo, esperto. Estou tentando não ser coruja, hein! Ele se interessa por tudo que está à sua volta. Pratica esportes e adora as artes. Está descobrindo o mundo das letras e se orgulha dos dois livros que já leu sozinho e dos três que elaborou e ilustrou. Aliás, desenhar é um de seus maiores interesses e acho que ele tem realmente um dom para a coisa. Então, penso em inscrevê-lo em um curso de desenho. A questão é: quanta atividade extra-curricular uma criança pode absorver? A escola dele é bastante voltada para a cultura. Ele precisa de natação que alivia seus problemas respiratórios. Continua no judô, sua paixão. E ainda deseja fazer capoeira e escolinha de futebol. Eu piso no freio. Digo que é demais.
Agora apareceu um amiguinho mais velho fazendo aulas de violão. Ele está encantado com a idéia. Desencavou um velho violão que juntava poeira sobre o armário e vive com o instrumento para cima e para baixo, tirando uns acordes de free jazz :-)
Devo assumir que tenho um gênio multimídia em casa? :-) Como é que se faz para descobrir o que pode realmente ser mais adequado para ele entre tantas opções e interesses? Chuto o balde e loto a agenda dele para ver o que cansa mais rapidamente? E daqui a pouco ainda vamos ter providenciar aulas de línguas. Ufa! Estou cansada por ele...
Tania Zagury faz uma listinha básica de dicas em seu livro Limites Sem Trauma. Ela afirma que "necessidade é algo inevitável, algo que, se não atendido, pode levar o indivíduo a ter problemas sérios no seu desenvolvimento, seja físico, intelectual ou emocional", enquanto "desejo é a vontade de possuir algo, de realizar algo, que pode ou não ser importante para o desenvolvimento. Está mais vinculado ao prazer". As necessidades seriam (em ordem inversa de importância): auto-realização, reconhecimento e prestígio, amor e afeto, segurança (física, psicológica, social) e fisiológicas (ligadas à sobrevivência).
Mas, no dia-a-dia as coisas são diferentes e não esperam que a gente consulte um guia prático para saber se aquela vontade expressa é uma necessidade de auto-realizacão ou apenas mais um fogo de palha.
Meu filho é uma criança de muito espírito. É inteligente, divertido, curioso, criativo, esperto. Estou tentando não ser coruja, hein! Ele se interessa por tudo que está à sua volta. Pratica esportes e adora as artes. Está descobrindo o mundo das letras e se orgulha dos dois livros que já leu sozinho e dos três que elaborou e ilustrou. Aliás, desenhar é um de seus maiores interesses e acho que ele tem realmente um dom para a coisa. Então, penso em inscrevê-lo em um curso de desenho. A questão é: quanta atividade extra-curricular uma criança pode absorver? A escola dele é bastante voltada para a cultura. Ele precisa de natação que alivia seus problemas respiratórios. Continua no judô, sua paixão. E ainda deseja fazer capoeira e escolinha de futebol. Eu piso no freio. Digo que é demais.
Agora apareceu um amiguinho mais velho fazendo aulas de violão. Ele está encantado com a idéia. Desencavou um velho violão que juntava poeira sobre o armário e vive com o instrumento para cima e para baixo, tirando uns acordes de free jazz :-)
Devo assumir que tenho um gênio multimídia em casa? :-) Como é que se faz para descobrir o que pode realmente ser mais adequado para ele entre tantas opções e interesses? Chuto o balde e loto a agenda dele para ver o que cansa mais rapidamente? E daqui a pouco ainda vamos ter providenciar aulas de línguas. Ufa! Estou cansada por ele...
10.7.01
A Vick é sempre de uma delicadeza admirável quando me escreve. Seu blog é para ser curtido com calma e gula.
ZAPEANDO
Outro dia ouvi a Gal cantando Honey Baby com participação do Zeca Baleiro no rádio e os versos ficaram martelando na minha cabeça: "ando tão à flor da pele que até beijo de novela me faz chorar".
Não é de todo mal. Estou mais sensível, mas ando menos chorona. Talvez porque eu mais sinta do que verbalize. É batata! Se eu começo a fazer uma declaraçãozinha de nada a voz embarga e meu olho vira uma cachoeira. Tenho calado. Bobagem...
Recebi muito carinho nos últimos dias. É bom... Amor alimenta... O que eu posso fazer se meu filho me dá um saco de delicado ou se a fatia de bolo de chocolate que aceitei na casa da minha amiga se transformou em um prato cheio com calda quentinha por cima? Vai daí que amor não só alimenta como também faz o mundo girar: sobre pneus.
E por falar em mundo, lá vou eu ganhar mais um pedacinho dele.
Neste final de semana, tem Cássia Eller no Canecão. Sem barriga (porque fértil têm estado as cabeças dos colunistas de fofoca), mas com aquele talento todo que Deus lhe deu. Eu babo por CE!
Não vou falar sobre o mais novo evento André Gonçalves, mas sobre a cobertura da Globo. A princípio, nem uma nota (pelo menos em horário nobre). Depois, no rastro do movimento internacional dos profissionais de vôo para abolir passageiros problemáticos, acabou se falando rapidamente no Jornal Nacional, que mostrou uma das fotos por um intervalo de tempo quase subliminar. Somente após a publicação da matéria de duas páginas na Veja, o moço ganhou os microfones do Fantástico para desmentidos (ele não cuspiu, não quis beijar o Pelé na boca, não arrumou confusão em Portugal, não tem culpa de ser gostoso, não quis agredir ninguém, não sabia o que estava fazendo ao consumir vinho com tranquilizantes, etc..), solidária e simpaticamente. E eu que achei que ele só fosse aparecer no Vídeo Show daqui a umas duas semanas mostrando algo como sua criação de bromélias e, já no finzinho da "reportagem" a Cissa Guimarães fosse perguntar assim, como quem não quer nada: "E essa coisa de ser ator, namorador e baderneiro de avião? Como você lida com isso?" Não foi assim com a chipada Elba?
Um texto me chamou a atenção na semana passada. O colunista comentava a entrevista do Daniel Filho para Observatório da Imprensa. Eu vi um trecho da entrevista, mas não me senti particularmente atraída e parti para o controle remoto. Só depois fiquei sabendo que ele falou de coisas muito interessantes sobre a televisão brasileira e o que chamou a atenção do jornalista foi o comentário sobre o deputado americano que se suicidou em frente às câmeras em 1987. Lembrei imediatamente do episódio e do choque que me causou (e ao colunista) o corte no exato momento do corte da imagem, quando a bala atingiria a cabeça do infeliz. O brilhantismo do texto fica por conta da comparação que se fez entre a morte diante das câmeras ontem e hoje, da banalização atual, quando uma professora é assassinada na frente de milhões através de diversos ângulos e estas imagens são reproduzidas até tornarem-se vulgares.
Para não dizerem que só falo mal da televisão, quero deixar registrado meu contentamento com Os Normais. Parece que vai virar filme. Oba!
Outro dia ouvi a Gal cantando Honey Baby com participação do Zeca Baleiro no rádio e os versos ficaram martelando na minha cabeça: "ando tão à flor da pele que até beijo de novela me faz chorar".
Não é de todo mal. Estou mais sensível, mas ando menos chorona. Talvez porque eu mais sinta do que verbalize. É batata! Se eu começo a fazer uma declaraçãozinha de nada a voz embarga e meu olho vira uma cachoeira. Tenho calado. Bobagem...
Recebi muito carinho nos últimos dias. É bom... Amor alimenta... O que eu posso fazer se meu filho me dá um saco de delicado ou se a fatia de bolo de chocolate que aceitei na casa da minha amiga se transformou em um prato cheio com calda quentinha por cima? Vai daí que amor não só alimenta como também faz o mundo girar: sobre pneus.
E por falar em mundo, lá vou eu ganhar mais um pedacinho dele.
Neste final de semana, tem Cássia Eller no Canecão. Sem barriga (porque fértil têm estado as cabeças dos colunistas de fofoca), mas com aquele talento todo que Deus lhe deu. Eu babo por CE!
Não vou falar sobre o mais novo evento André Gonçalves, mas sobre a cobertura da Globo. A princípio, nem uma nota (pelo menos em horário nobre). Depois, no rastro do movimento internacional dos profissionais de vôo para abolir passageiros problemáticos, acabou se falando rapidamente no Jornal Nacional, que mostrou uma das fotos por um intervalo de tempo quase subliminar. Somente após a publicação da matéria de duas páginas na Veja, o moço ganhou os microfones do Fantástico para desmentidos (ele não cuspiu, não quis beijar o Pelé na boca, não arrumou confusão em Portugal, não tem culpa de ser gostoso, não quis agredir ninguém, não sabia o que estava fazendo ao consumir vinho com tranquilizantes, etc..), solidária e simpaticamente. E eu que achei que ele só fosse aparecer no Vídeo Show daqui a umas duas semanas mostrando algo como sua criação de bromélias e, já no finzinho da "reportagem" a Cissa Guimarães fosse perguntar assim, como quem não quer nada: "E essa coisa de ser ator, namorador e baderneiro de avião? Como você lida com isso?" Não foi assim com a chipada Elba?
Um texto me chamou a atenção na semana passada. O colunista comentava a entrevista do Daniel Filho para Observatório da Imprensa. Eu vi um trecho da entrevista, mas não me senti particularmente atraída e parti para o controle remoto. Só depois fiquei sabendo que ele falou de coisas muito interessantes sobre a televisão brasileira e o que chamou a atenção do jornalista foi o comentário sobre o deputado americano que se suicidou em frente às câmeras em 1987. Lembrei imediatamente do episódio e do choque que me causou (e ao colunista) o corte no exato momento do corte da imagem, quando a bala atingiria a cabeça do infeliz. O brilhantismo do texto fica por conta da comparação que se fez entre a morte diante das câmeras ontem e hoje, da banalização atual, quando uma professora é assassinada na frente de milhões através de diversos ângulos e estas imagens são reproduzidas até tornarem-se vulgares.
Para não dizerem que só falo mal da televisão, quero deixar registrado meu contentamento com Os Normais. Parece que vai virar filme. Oba!
6.7.01
Eu quero uma cadeira de vime daquelas de pendurar no teto da varanda, cheia de almofadas. Um bom livro. Um copão de suco de uma fruta exótica. Um pôr-do-sol para daqui a pouco. Ana Carolina, Marisa Monte ou Zizi Possi pré-italiana cantando para mim. Ed Motta também ia bem. Alguém manda desligar todas as sirenes do mundo, por favor. Dá para aumentar a intensidade e diminuir um pouquinho o calor da brisa? Quem está mais perto para ir verificar se o bolo já está pronto no fogão a lenha? Incenso de rosas? Tudo bem. Não tem um com o cheiro que tinha o colo da minha mãe de quando eu era bem pequena? Será que já estamos na época de mangas? Nunca mais comi cajá e nem ouvi aquela piada infame da menina que quer cajá com homi. Será que alguma criança ainda come jabuticaba do pé? Cerveja, champanhe e café, só com companhia: UJ, RP e CL, respectivamente. Vício é o que se faz sozinho. Como há tempos ninguém me escreve por aqui, acho que estou viciada em blog.
Sou um bicho estranho. Ao mesmo tempo em que a mesmice e a falta de paixão me deixam desanimada, a pressão me tira completamente a disposição.
Parece esquisito e é. Tenho zilhões de pequenas coisas para realizar hoje e cá estou escrevendo para não dormir. Sim, pressão me dá um sono e simultaneamente me causa insônia. Fico meio paralisada, com vontade de largar tudo de mão e tão tensa que não páro de lembrar de mais detalhes e mais tarefas e mais pequenas questões para resolver.
Outro dia, eu comentava sobre a falta de tempo e as escolhas que a gente tem que fazer continuamente, diante de tantas ofertas e possibilidades do mundo atual e uma amiga me presenteou com uma poesia da Cecília Meireles que falava de alternativas mutuamente excludentes. Isso me lembra que hoje no final da tarde meu filhote participa uma apresentação para comemorar o centenário da poetisa e de que amigos merecem apenas o melhor de mim sempre.
Se eu ganhasse um real a cada vez que determinada pessoa me liga, eu já teria amealhado somente hoje uma pequena fortuna. Que tipo de serviço anda-se prestando hoje em dia, quando o porteiro abre a porta para que alguém estranho ao prédio toque direto a campainha sem se identificar ao interfone e que esse alguém à porta responde apenas que é a entrega, sem informar o que está entregando nem qual empresa representa? O interrogatório através do olho mágico, recebendo respostas lacônicas, me tomou um tempo de que definitivamente não disponho. Hoje quero ter a opção de desperdiçar meu tempo apenas fazendo coisas absolutamente úteis. Como escrever aqui.
Será que apenas eu me atrapalho distribuindo tópicos na agenda e encaixando ginástica, médico, aquele filme imperdível, a peça super elogiada, o show histórico, as visitas, as festas, o chopp, o nada fazer, as compras, o salão, aquele documentário, os livros e familiares entre as atividades profissionais e a rotina doméstica? Será que estou naquela fase ansiosa querendo tudo ao mesmo tempo agora que só passa quando chegamos aos quarenta? Quantas horas seriam suficientes para que tudo fluísse sem correria? Do que eu seria capaz de abrir mão para ter uma vida mais tranqüila e menos rica? Será que eu seria mais feliz se deixasse que outras pessoas tomassem a direção e apenas curtisse a paisagem?
Parece esquisito e é. Tenho zilhões de pequenas coisas para realizar hoje e cá estou escrevendo para não dormir. Sim, pressão me dá um sono e simultaneamente me causa insônia. Fico meio paralisada, com vontade de largar tudo de mão e tão tensa que não páro de lembrar de mais detalhes e mais tarefas e mais pequenas questões para resolver.
Outro dia, eu comentava sobre a falta de tempo e as escolhas que a gente tem que fazer continuamente, diante de tantas ofertas e possibilidades do mundo atual e uma amiga me presenteou com uma poesia da Cecília Meireles que falava de alternativas mutuamente excludentes. Isso me lembra que hoje no final da tarde meu filhote participa uma apresentação para comemorar o centenário da poetisa e de que amigos merecem apenas o melhor de mim sempre.
Se eu ganhasse um real a cada vez que determinada pessoa me liga, eu já teria amealhado somente hoje uma pequena fortuna. Que tipo de serviço anda-se prestando hoje em dia, quando o porteiro abre a porta para que alguém estranho ao prédio toque direto a campainha sem se identificar ao interfone e que esse alguém à porta responde apenas que é a entrega, sem informar o que está entregando nem qual empresa representa? O interrogatório através do olho mágico, recebendo respostas lacônicas, me tomou um tempo de que definitivamente não disponho. Hoje quero ter a opção de desperdiçar meu tempo apenas fazendo coisas absolutamente úteis. Como escrever aqui.
Será que apenas eu me atrapalho distribuindo tópicos na agenda e encaixando ginástica, médico, aquele filme imperdível, a peça super elogiada, o show histórico, as visitas, as festas, o chopp, o nada fazer, as compras, o salão, aquele documentário, os livros e familiares entre as atividades profissionais e a rotina doméstica? Será que estou naquela fase ansiosa querendo tudo ao mesmo tempo agora que só passa quando chegamos aos quarenta? Quantas horas seriam suficientes para que tudo fluísse sem correria? Do que eu seria capaz de abrir mão para ter uma vida mais tranqüila e menos rica? Será que eu seria mais feliz se deixasse que outras pessoas tomassem a direção e apenas curtisse a paisagem?
4.7.01
EU E O OUTRO
Sempre me incomodou aquela frase do Pequeno Príncipe: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Não me acho responsável pela resposta que as pessoas tenham em relação a minha forma de ser e agir, da mesma maneira que ninguém tem que cuidar do amor ou repulsa que causa em mim. O sentimento é íntimo, pessoal e intransferível. Se eu amo, o problema (ou solução) é meu. E é maravilhoso quando sabemos que alguém nos ama, mas é ingênuo pensar que uma atitude deliberada e calculada pode conquistar ou manter simplesmente porque assim o queremos.
Entretanto, não me canso de me surpreender com o impacto que somos capazes de provocar nas pessoas. Não estou falando apenas de primeiras impressões. Sou péssima nisso. A esmagadora maioria dos meus amigos mais queridos em algum momento me confessam que me acharam insuportável num primeiro contato. Imagino que muitos outros não fizeram qualquer esforço para ir além desta primeira leitura e jamais poderão descobrir que o diabo não é tão feio quanto se pinta. Quando alguém me interessa especialmente sou eu quem faço o movimento e geralmente sou bem sucedida, porque sei que apesar dos meus muitos defeitos tenho também muita coisa boa a oferecer. E se não consigo, bem, paciência, porque também não posso ser outra pessoa só para agradar quem não está muito a fim de ser agradado.
Eu falava do impacto... Uma vez uma amiga me disse que eu fizera a diferença para alguém com algo que eu dissera. Ela jamais me contou que comentário foi este ou para quem eu fiz este bem. O interessante é que não houve apenas isto. Já se passaram quase vinte anos e eu jamais esqueci que em algum momento eu fui importante para alguém. Foi a vez dela de fazer a diferença para mim.
Por outro lado, às vezes a gente faz uma simples observação, segue adiante e esquece o assunto, porque ele é realmente de menor importância na nossa história. No entanto, quem ouve, coloca um enorme rótulo no caso e, mesmo quando já estamos a anos-luz do ocorrido, vemos a criatura se debatendo, remoendo, querendo digerir algo que ficou entalado, tentando retomar do ponto em que foi abandonado. Pouca gente é capaz de introjetar a desimportância que pode representar para o outro, a indiferença e desinteresse que pode suscitar. O que é uma pena, porque, como eu dizia lá no início, ninguém é responsável ou capaz de modificar - se não houver resposta do outro lado - o afeto, a apatia ou o desamor que provoca.
Sempre me incomodou aquela frase do Pequeno Príncipe: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Não me acho responsável pela resposta que as pessoas tenham em relação a minha forma de ser e agir, da mesma maneira que ninguém tem que cuidar do amor ou repulsa que causa em mim. O sentimento é íntimo, pessoal e intransferível. Se eu amo, o problema (ou solução) é meu. E é maravilhoso quando sabemos que alguém nos ama, mas é ingênuo pensar que uma atitude deliberada e calculada pode conquistar ou manter simplesmente porque assim o queremos.
Entretanto, não me canso de me surpreender com o impacto que somos capazes de provocar nas pessoas. Não estou falando apenas de primeiras impressões. Sou péssima nisso. A esmagadora maioria dos meus amigos mais queridos em algum momento me confessam que me acharam insuportável num primeiro contato. Imagino que muitos outros não fizeram qualquer esforço para ir além desta primeira leitura e jamais poderão descobrir que o diabo não é tão feio quanto se pinta. Quando alguém me interessa especialmente sou eu quem faço o movimento e geralmente sou bem sucedida, porque sei que apesar dos meus muitos defeitos tenho também muita coisa boa a oferecer. E se não consigo, bem, paciência, porque também não posso ser outra pessoa só para agradar quem não está muito a fim de ser agradado.
Eu falava do impacto... Uma vez uma amiga me disse que eu fizera a diferença para alguém com algo que eu dissera. Ela jamais me contou que comentário foi este ou para quem eu fiz este bem. O interessante é que não houve apenas isto. Já se passaram quase vinte anos e eu jamais esqueci que em algum momento eu fui importante para alguém. Foi a vez dela de fazer a diferença para mim.
Por outro lado, às vezes a gente faz uma simples observação, segue adiante e esquece o assunto, porque ele é realmente de menor importância na nossa história. No entanto, quem ouve, coloca um enorme rótulo no caso e, mesmo quando já estamos a anos-luz do ocorrido, vemos a criatura se debatendo, remoendo, querendo digerir algo que ficou entalado, tentando retomar do ponto em que foi abandonado. Pouca gente é capaz de introjetar a desimportância que pode representar para o outro, a indiferença e desinteresse que pode suscitar. O que é uma pena, porque, como eu dizia lá no início, ninguém é responsável ou capaz de modificar - se não houver resposta do outro lado - o afeto, a apatia ou o desamor que provoca.
3.7.01
Voltamos da lua-de-mel trazendo na bagagem uma mandala cujo nome é Casamento. No verso do quadro tem uma descrição. Ela diz:
"O Casamento
Círculos de lótus expandem-se paralelos a outros, rítmicos, inspiração de etnias e ciclos da Natureza em exuberante colorido.
Ao Centro, na profundeza negra rodeada por pétalas puramente brancas gravita harmoniosa uma esfera incandescente cujo brilho ilumina e faz dançar alegremente as composições que a cercam.
Nos cantos, sagazes e irreverentes primitivas máscaras sorrindo na sabedoria maior que não leva tão a sério as turbulências externas porque "sabe" que no Centro paira infalivelmente a verdadeira luz.
Suavizar rígidos padrões
Fazer fluir alegria de viver e sentimento de paz
Estimular iniciativa e criatividade
Assimilar qualidade mutante de cada experiência"
Não sei se entendi direito, mas achei muito bonito.
Aliás, acho que a gente perde muito tempo tentando entender coisas que são feitas apenas para sentir. Se esmiuçarmos muito, buscarmos explicações, justificativas, porquês, o encanto se quebra. Que triste é pensar na Lua como um árido satélite da Terra cheio de buracos. Gosto mais do envolvimento do luar, de contemplar e imaginar que ela brilha em homenagem ao que vai no coração humano, que não deve ser lembrado como um órgão que bombeia sangue para o corpo.
Observo a análise profunda que as pessoas fazem das coisas mais simples e vejo o quanto elas perdem por não deixarem fluir.
Não defendo a ignorância, mal odioso. Apenas gostaria de mais leveza, naturalidade, desafetação para observar as coisas.
Lembro que quando engravidei, sentia um poder enorme, por gerar uma vida. Nada demais. A maioria das mulheres é capaz de ser mãe. Mas eu me sentia especial, vivendo o meu pequeno milagre. E me sentia abençoada ao amamentar e ver meu corpo se transformando em alimento.
Então, estava numa varanda de chalé, pendurada sobre um vale deslumbrante, ladeada por um verde inacreditável, a natureza vibrando, o frio do ar da montanha entrando pela pele como que querendo dar uma prova de vida, um cheiro que misturava clorofila, lenha queimando e boa comida, o ouro reluzindo no anular esquerdo, o homem que amo à distância de um gesto e vivi mais um dos meus pequenos milagres.
Vou tentar explicar o quê?
"O Casamento
Círculos de lótus expandem-se paralelos a outros, rítmicos, inspiração de etnias e ciclos da Natureza em exuberante colorido.
Ao Centro, na profundeza negra rodeada por pétalas puramente brancas gravita harmoniosa uma esfera incandescente cujo brilho ilumina e faz dançar alegremente as composições que a cercam.
Nos cantos, sagazes e irreverentes primitivas máscaras sorrindo na sabedoria maior que não leva tão a sério as turbulências externas porque "sabe" que no Centro paira infalivelmente a verdadeira luz.
Suavizar rígidos padrões
Fazer fluir alegria de viver e sentimento de paz
Estimular iniciativa e criatividade
Assimilar qualidade mutante de cada experiência"
Não sei se entendi direito, mas achei muito bonito.
Aliás, acho que a gente perde muito tempo tentando entender coisas que são feitas apenas para sentir. Se esmiuçarmos muito, buscarmos explicações, justificativas, porquês, o encanto se quebra. Que triste é pensar na Lua como um árido satélite da Terra cheio de buracos. Gosto mais do envolvimento do luar, de contemplar e imaginar que ela brilha em homenagem ao que vai no coração humano, que não deve ser lembrado como um órgão que bombeia sangue para o corpo.
Observo a análise profunda que as pessoas fazem das coisas mais simples e vejo o quanto elas perdem por não deixarem fluir.
Não defendo a ignorância, mal odioso. Apenas gostaria de mais leveza, naturalidade, desafetação para observar as coisas.
Lembro que quando engravidei, sentia um poder enorme, por gerar uma vida. Nada demais. A maioria das mulheres é capaz de ser mãe. Mas eu me sentia especial, vivendo o meu pequeno milagre. E me sentia abençoada ao amamentar e ver meu corpo se transformando em alimento.
Então, estava numa varanda de chalé, pendurada sobre um vale deslumbrante, ladeada por um verde inacreditável, a natureza vibrando, o frio do ar da montanha entrando pela pele como que querendo dar uma prova de vida, um cheiro que misturava clorofila, lenha queimando e boa comida, o ouro reluzindo no anular esquerdo, o homem que amo à distância de um gesto e vivi mais um dos meus pequenos milagres.
Vou tentar explicar o quê?
27.6.01
26.6.01
DE SALAMANDRAS E ALIENÍGENAS
Quando criança, fui voraz leitora de contos-de-fadas e lendas, principalmente brasileiras. E vez por outra me deparava com uma princesa salamandra e seu fogo misterioso, mas nunca entendi direito esta associação entre o bicho e o elemento.
Pois quem me esclareceu foi um programinha infantil que eu assistia com o moleque. Como sabemos, a geração expontânea era uma teoria amplamente aceita até pouco tempo. E as salamandras habitavam nos tocos usados como lenhas e se escondiam tão bem que as pessoas não viam que elas estavam por lá até acenderem suas fogueiras e lareiras e verem os anfíbios correrem para livrarem-se das chamas. Assim, dentro do conhecimento disponível na época, deduziam que era o fogo que gerava as salamandras.
Aliás, tenho reparado que os programas infantis não são como costumavam ser. Li que o nível de inteligência da humanidade aumentou muito no último século e parece que a televisão (pelo menos os canais infantis a cabo), sempre atenta ao seu público, tentam acompanhar esta evolução, respeitando e atendendo aos interesses das novas gerações. Há pouquíssimo gugu-dadá e muita informação interessante para quem procura qualidade. "A Magia do Cinema", por exemplo, é um programa que fala das técnicas da sétima arte em linguagem ao mesmo tempo didática e divertida, explicando como são elaborados e realizados os efeitos especiais, as animações e outro dia tive que ouvir uma aula do meu filho de seis anos sobre chroma key. Às vezes assisto com ele e outro dia vi uma reportagem bem interessante sobre o porquê do sucesso dos filmes de invasão alienígena. Falavam sobre a época áurea deste gênero e os traumas depois de duas grandes guerras, do início da guerra fria e a constante ameaça que isto representava no inconsciente coletivo, da sensação generalizada de que os governantes escondiam informações das pessoas comuns e eu fiquei pensando até que ponto uma criança pode registrar uma análise tão sofisticada.
A verdade é que eu mesma tenho prestado bastante atenção a este assunto desde que surgiu a história de que a Elba Ramalho havia sido chipada por ETs. Gosto de ouvir as teorias e suas bases de justificativa. Há coisas incríveis espalhadas por esta rede e com alguma paranóia e uma dose de asceticismo dá para embarcar nesta viagem mística intergalática.
Brincando com esta teoria de dominação da Terra por seres estranhos, vi um filme muito divertido no final de semana. Chama-se "A Família Applegate" (Meet the Applegates), uma produção de 1991 dirigida por Michael Lehmann e estrelada por Ed Begley Jr., Stockard Channing (por que será que eu jamais consigo memorizar o nome desta atriz, mesmo adorando o seu trabalho?) e Dabney Coleman. É a história de uma família de super-insetos que tentam se passar por cidadãos comuns, visando, claro, dominar o mundo. É filme para desopilar o fígado.
Ontem vi "Sabor da Paixão" de Fina Torres com Penelope Cruz e Murilo Benício. Apesar de tratar o Brasil como um grande objeto folclórico e exótico, pelo menos alguém se deu ao trabalho de pesquisar um pouquinho mais e não fazer o avião sobrevoar a Amazônia cinco minutos antes pousar no Aeroporto Antônio Carlos Jobim, por onde correm bodes e galinhas e se fala espanhol. Falta brasilidade a Penélope, uma alienígena na Bahia, mas ela é indubitavelmente linda. Não dá para deixar de imaginar o que uma Sônia Braga dos velhos tempos faria numa personagem como aquela. Aliás tem muito de Jorge Amado na história, uma espécie de Dona Flor sem o segundo marido. Murilo tem talento de sobra para ser ótimo em qualquer papel, mesmo neste bem tolo. Enfim, deu para rir um bocado, mas nós brasileiros engasgamos com uma malagueta aqui e ali, por mais complacência que se tenha.
Quando criança, fui voraz leitora de contos-de-fadas e lendas, principalmente brasileiras. E vez por outra me deparava com uma princesa salamandra e seu fogo misterioso, mas nunca entendi direito esta associação entre o bicho e o elemento.
Pois quem me esclareceu foi um programinha infantil que eu assistia com o moleque. Como sabemos, a geração expontânea era uma teoria amplamente aceita até pouco tempo. E as salamandras habitavam nos tocos usados como lenhas e se escondiam tão bem que as pessoas não viam que elas estavam por lá até acenderem suas fogueiras e lareiras e verem os anfíbios correrem para livrarem-se das chamas. Assim, dentro do conhecimento disponível na época, deduziam que era o fogo que gerava as salamandras.
Aliás, tenho reparado que os programas infantis não são como costumavam ser. Li que o nível de inteligência da humanidade aumentou muito no último século e parece que a televisão (pelo menos os canais infantis a cabo), sempre atenta ao seu público, tentam acompanhar esta evolução, respeitando e atendendo aos interesses das novas gerações. Há pouquíssimo gugu-dadá e muita informação interessante para quem procura qualidade. "A Magia do Cinema", por exemplo, é um programa que fala das técnicas da sétima arte em linguagem ao mesmo tempo didática e divertida, explicando como são elaborados e realizados os efeitos especiais, as animações e outro dia tive que ouvir uma aula do meu filho de seis anos sobre chroma key. Às vezes assisto com ele e outro dia vi uma reportagem bem interessante sobre o porquê do sucesso dos filmes de invasão alienígena. Falavam sobre a época áurea deste gênero e os traumas depois de duas grandes guerras, do início da guerra fria e a constante ameaça que isto representava no inconsciente coletivo, da sensação generalizada de que os governantes escondiam informações das pessoas comuns e eu fiquei pensando até que ponto uma criança pode registrar uma análise tão sofisticada.
A verdade é que eu mesma tenho prestado bastante atenção a este assunto desde que surgiu a história de que a Elba Ramalho havia sido chipada por ETs. Gosto de ouvir as teorias e suas bases de justificativa. Há coisas incríveis espalhadas por esta rede e com alguma paranóia e uma dose de asceticismo dá para embarcar nesta viagem mística intergalática.
Brincando com esta teoria de dominação da Terra por seres estranhos, vi um filme muito divertido no final de semana. Chama-se "A Família Applegate" (Meet the Applegates), uma produção de 1991 dirigida por Michael Lehmann e estrelada por Ed Begley Jr., Stockard Channing (por que será que eu jamais consigo memorizar o nome desta atriz, mesmo adorando o seu trabalho?) e Dabney Coleman. É a história de uma família de super-insetos que tentam se passar por cidadãos comuns, visando, claro, dominar o mundo. É filme para desopilar o fígado.
Ontem vi "Sabor da Paixão" de Fina Torres com Penelope Cruz e Murilo Benício. Apesar de tratar o Brasil como um grande objeto folclórico e exótico, pelo menos alguém se deu ao trabalho de pesquisar um pouquinho mais e não fazer o avião sobrevoar a Amazônia cinco minutos antes pousar no Aeroporto Antônio Carlos Jobim, por onde correm bodes e galinhas e se fala espanhol. Falta brasilidade a Penélope, uma alienígena na Bahia, mas ela é indubitavelmente linda. Não dá para deixar de imaginar o que uma Sônia Braga dos velhos tempos faria numa personagem como aquela. Aliás tem muito de Jorge Amado na história, uma espécie de Dona Flor sem o segundo marido. Murilo tem talento de sobra para ser ótimo em qualquer papel, mesmo neste bem tolo. Enfim, deu para rir um bocado, mas nós brasileiros engasgamos com uma malagueta aqui e ali, por mais complacência que se tenha.
25.6.01
Final de semana por aqui é sempre dedicado à família, quase em tempo integral. Desta vez, entre penúltimos preparativos para o grande dia e uma crise de bronquite do pimpolho, não deu para escrever.
Tenho recebido muito carinho da turma blogueira. A Fer colocou um elogio na sua página que me fez corar e trouxe até aqui (e me levou até) gente interessante. A Vicky tem um jeito divertido de nos colocar dentro de sua intimidade. O Binho gosta de brincar. Também recebi a visita da Daniela. Uma delicadeza de menina, cheia de citações. Sem falar das blogueiras amigas de todas as horas que já ganharam espaço cativo aí ao lado. Obrigada a todos.
Ando meio monotemática com toda esta história de casamento. E o mundo continua girando com seus infanticídios, suas guerras, seus desastres, suas mazelas, sua corrupção... Quanto mais leio, menos entendo. E o pior é que nada é realmente novidade, nem acontece mais do que sempre aconteceu. Apenas sabemos mais, temos mais acesso. E a informação torna-se vital porque qualquer coisa que aconteça do outro lado do mundo tem repercussão global. Mas daí a achar que tudo é um grande sinal, vai um abismo colossal...
Estou em tempo de aconchego doméstico. Ontem vimos O Homem Sem Sombra e, apesar dos incríveis efeitos especiais, achei bobo. Aliás, estou muito mais para romance que para terror sci-fi. É como eu disse: rodo, rodo, e acabo sempre no mesmo tema.
Descobri que uma pessoa que amo está ficando velha. E nem é uma questão de idade, porque conheço pessoas mais idosas que não ficam o tempo inteiro falando de doença e reclamando de barulho de criança. Acontece... Um belo dia você olha para alguém e percebe que o viço acabou, que ela abandonou o sonho, que cansou, desistiu. É triste...
Por outro lado, reafirmei a teoria de que as verdadeira amizades ficam apenas latentes na distância de tempo e espaço. Como é bom retomar contato com alguém querido!
Céu de brigadeiro e alma de passarinho...
Tenho recebido muito carinho da turma blogueira. A Fer colocou um elogio na sua página que me fez corar e trouxe até aqui (e me levou até) gente interessante. A Vicky tem um jeito divertido de nos colocar dentro de sua intimidade. O Binho gosta de brincar. Também recebi a visita da Daniela. Uma delicadeza de menina, cheia de citações. Sem falar das blogueiras amigas de todas as horas que já ganharam espaço cativo aí ao lado. Obrigada a todos.
Ando meio monotemática com toda esta história de casamento. E o mundo continua girando com seus infanticídios, suas guerras, seus desastres, suas mazelas, sua corrupção... Quanto mais leio, menos entendo. E o pior é que nada é realmente novidade, nem acontece mais do que sempre aconteceu. Apenas sabemos mais, temos mais acesso. E a informação torna-se vital porque qualquer coisa que aconteça do outro lado do mundo tem repercussão global. Mas daí a achar que tudo é um grande sinal, vai um abismo colossal...
Estou em tempo de aconchego doméstico. Ontem vimos O Homem Sem Sombra e, apesar dos incríveis efeitos especiais, achei bobo. Aliás, estou muito mais para romance que para terror sci-fi. É como eu disse: rodo, rodo, e acabo sempre no mesmo tema.
Descobri que uma pessoa que amo está ficando velha. E nem é uma questão de idade, porque conheço pessoas mais idosas que não ficam o tempo inteiro falando de doença e reclamando de barulho de criança. Acontece... Um belo dia você olha para alguém e percebe que o viço acabou, que ela abandonou o sonho, que cansou, desistiu. É triste...
Por outro lado, reafirmei a teoria de que as verdadeira amizades ficam apenas latentes na distância de tempo e espaço. Como é bom retomar contato com alguém querido!
Céu de brigadeiro e alma de passarinho...
22.6.01
JUNHO, MÊS DE FESTAS
Jamais ouvi alguém falando mal de festa junina. Imagino que estes detratores devam existir. Apenas não são tão barulhentos ou não tem tanto acesso aos microfones públicos como os que não gostam de Natal, alegando que trata-se de puro comércio; os que afirmam que os festejos de Ano Novo são muito barulho por apenas uma convenção do calendário; os que dizem que Carnaval é o ópio do povo; e ainda os que dizem que detestam Caetano porque ele vende um milhão de cópias (isso é outra história, que ratifica a fantástica frase do Tom que dizia que no Brasil sucesso é imperdoável).
Eu adoro todas estas datas e penso com meus botões que muitas pessoas reagem a elas simplesmente porque acham que é bonito ser contestador, que é sinal de inteligência mostrar-se questionador e acabam embarcando em causas furadas. Fico com a impressão de que isso é ranço dos tempos de ditadura, em que tudo era censurado e que mostrar-se conhecedor de esquemas ocultos dava status. Vejo gente contando como vantagem o fato de ter sido abordado para alguma negócio escuso e, mesmo jurando que negou-se a participar, crê que o simples fato de ter sido cogitado como integrante de uma negociata ou falcatrua ou esquemão lhe empresta superioridade.
Mas eu ia falar das festas juninas, sobre as quais jamais ouvi um issozinho. Até na escola da minha sobrinha, que é dirigida por protestantes, há uma festa junina. Claro que não é em homenagem a São João ou a seus colegas Antônio e Pedro, mas há barraquinhas, decoração especial e apresentação de dança (que não é quadrilha). Também recebe um nome especial, algo como Festival de Inverno, mas é essencialmente uma festa junina.
Eu adoro tudo. Principalmente quando toda a tradição é mantida, incluindo os preparativos: cortar bandeirinha, selecionar e preparar os pratos típicos, montar fogueira e pau-de-sebo, martelar as barraquinhas, ensaiar a quadrilha, costurar remendos nas roupas dos rapazes e fitinhas nos vestidos das mocinhas, a maquiagem... E quando está pronto e a festa começa, a gente engorda quilos sem pensar em balança, adora aquelas músicas com sabor de infância que para os urbanóides só cabem mesmo neste espaço, dança que nem palhaço, vira criança, fica vendo se alguém vai ter coragem de pular a fogueira, espera o primeiro animado por quentão escorregar no mastro... Delícia das delícias!
Ontem fui a uma destas. Minha incumbência foi a canjica, que fiz com todo carinho (trabalhgo recompensado por uma super-panela cheia até a boca detonada em tempo recorde). Arrumei o pimpolho a caráter. Peguei meu par pelo braço e me diverti a valer numa noite de céu aberto e temperatura que convidava a abraços.
Devo estar com um erê encostado, porque estas coisas simples têm me alegrado tanto a vida... Hoje já corri pela rua, já soprei bolinha de sabão, já fiz e recebi cosquinha, já vi desenho animado...
Mas também tenho brincado de mulherzinha. E o bom de ser uma mulher moderna é poder vestir esta personagem sem problemas, sem medo de estar abrindo a retaguarda. Que maravilha preocupar-se com roupa e salão de beleza! Ainda mais por uma causa nobre...
Viva a visita ao shopping! Viva a panela de canjica! Viva São João, Santo Antônio e São Pedro!
Jamais ouvi alguém falando mal de festa junina. Imagino que estes detratores devam existir. Apenas não são tão barulhentos ou não tem tanto acesso aos microfones públicos como os que não gostam de Natal, alegando que trata-se de puro comércio; os que afirmam que os festejos de Ano Novo são muito barulho por apenas uma convenção do calendário; os que dizem que Carnaval é o ópio do povo; e ainda os que dizem que detestam Caetano porque ele vende um milhão de cópias (isso é outra história, que ratifica a fantástica frase do Tom que dizia que no Brasil sucesso é imperdoável).
Eu adoro todas estas datas e penso com meus botões que muitas pessoas reagem a elas simplesmente porque acham que é bonito ser contestador, que é sinal de inteligência mostrar-se questionador e acabam embarcando em causas furadas. Fico com a impressão de que isso é ranço dos tempos de ditadura, em que tudo era censurado e que mostrar-se conhecedor de esquemas ocultos dava status. Vejo gente contando como vantagem o fato de ter sido abordado para alguma negócio escuso e, mesmo jurando que negou-se a participar, crê que o simples fato de ter sido cogitado como integrante de uma negociata ou falcatrua ou esquemão lhe empresta superioridade.
Mas eu ia falar das festas juninas, sobre as quais jamais ouvi um issozinho. Até na escola da minha sobrinha, que é dirigida por protestantes, há uma festa junina. Claro que não é em homenagem a São João ou a seus colegas Antônio e Pedro, mas há barraquinhas, decoração especial e apresentação de dança (que não é quadrilha). Também recebe um nome especial, algo como Festival de Inverno, mas é essencialmente uma festa junina.
Eu adoro tudo. Principalmente quando toda a tradição é mantida, incluindo os preparativos: cortar bandeirinha, selecionar e preparar os pratos típicos, montar fogueira e pau-de-sebo, martelar as barraquinhas, ensaiar a quadrilha, costurar remendos nas roupas dos rapazes e fitinhas nos vestidos das mocinhas, a maquiagem... E quando está pronto e a festa começa, a gente engorda quilos sem pensar em balança, adora aquelas músicas com sabor de infância que para os urbanóides só cabem mesmo neste espaço, dança que nem palhaço, vira criança, fica vendo se alguém vai ter coragem de pular a fogueira, espera o primeiro animado por quentão escorregar no mastro... Delícia das delícias!
Ontem fui a uma destas. Minha incumbência foi a canjica, que fiz com todo carinho (trabalhgo recompensado por uma super-panela cheia até a boca detonada em tempo recorde). Arrumei o pimpolho a caráter. Peguei meu par pelo braço e me diverti a valer numa noite de céu aberto e temperatura que convidava a abraços.
Devo estar com um erê encostado, porque estas coisas simples têm me alegrado tanto a vida... Hoje já corri pela rua, já soprei bolinha de sabão, já fiz e recebi cosquinha, já vi desenho animado...
Mas também tenho brincado de mulherzinha. E o bom de ser uma mulher moderna é poder vestir esta personagem sem problemas, sem medo de estar abrindo a retaguarda. Que maravilha preocupar-se com roupa e salão de beleza! Ainda mais por uma causa nobre...
Viva a visita ao shopping! Viva a panela de canjica! Viva São João, Santo Antônio e São Pedro!
Assinar:
Postagens (Atom)