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29.6.02

27.6.02

Segunda-feira vai ser mesmo feriado nacional?

(Repare que eu deliberadamente retirei a condicional da pergunta.)

Já estou recebendo convites para a festa do penta no domingo à noite.

24.6.02

FESTAS JUNINAS



Festa Junina - Yole Travassos



As comemorações de São João (24 de junho) fazem parte de um ciclo festivo que passou a ser conhecido como festas juninas e homenageia, além desse, outros santos reverenciados em junho: Santo Antônio (dia 13) e São Pedro e São Paulo (dia 29).

A origem dessas festividades remontam a um tempo antigo, anterior ao surgimento da era cristã. O mês de junho, tempo do solstício de verão (no dia 21 ou 23 de junho o Sol, ao meio-dia, atinge seu ponto mais alto no céu e tem-se o dia mais longo e a noite mais curta do ano) no Hemisfério Norte, era a época do ano em que diversos povos - celtas, bretões, bascos, sardenhos, egípcios, persas, sírios, sumérios - faziam rituais de invocação de fertilidade para estimular o crescimento da vegetação, promover a fartura nas colheitas e trazer chuvas.

Na Europa, os festejos do solstício de verão foram adaptados à cultura local, de modo que em Portugal foi incluída a festa de Santo Antônio de Lisboa ou de Pádua, em 13 de junho. E a tradição cristã completou o ciclo com os festejos de São Pedro e São Paulo, em 29 de junho.

Quando os portugueses chegaram por aqui, a partir de 1500, introduziram este costume, acendendo fogueiras que atraiam grandemente os índios.

Mesmo que no Brasil essa época marcasse o início do inverno, ela coincidia com a realização dos rituais mais importantes para os povos que aqui viviam, referentes à preparação dos novos plantios e às colheitas. Sendo em muitas regiões a época de seca, os rios estão baixos e o solo pronto para enfrentar o plantio.

Nessa época os roçados velhos, do ano anterior, ainda estão em pleno vigor, repletos de mandioca, cará, inhame, batata-doce, banana, abóbora, abacaxi, e a colheita de milho, feijão e amendoim ainda se encontra em período de consumo. Esse é um tempo bom para pescar e caçar. Uma série ritual, que dura todo o período, inclui um conjunto muito variado de festas que congregam as comunidades indígenas em danças, cantos, rezas e muita fartura de comida. Deve-se agradecer à abundância, reforçar os laços de parentesco (as festas são uma ótima ocasião para alianças matrimoniais), reverenciar as divindades aliadas e rezar forte para que os espíritos malignos não impeçam a fertilidade. O fato de atear fogo para limpar o mato, além de fertilizar o solo, serve principalmente para afastar esses espíritos malignos.

Houve, portanto, uma certa coincidência entre o propósito católico de atrair os índios ao convívio missionário catequético e as práticas rituais indígenas, simbolizadas pelas fogueiras de São João. Talvez seja por causa disso que os festejos juninos tenham tomado as proporções e a importância que adquiriram no calendário das festas juninas.


Festa Junina - Ladário Ribeiro Teles


Hoje as festas juninas possuem cor local. De acordo com a região do país, variam os tipos de dança, indumentária e comida. A tônica é a fogueira, o foguetório, o milho, a pinga, o mastro e as rezas dos santos.
SÃO JOÃO



João Batista nasceu no dia 24 de junho, alguns anos ates de seu primo Jesus Cristo, e morreu em 29 de agosto do ano 31 d.C., na Palestina. Foi degolado por ordem de Herodes Antipas a pedido de sua enteada Salomé, pois a pregação do filho de Santa Isabel e São Zacarias incomodava a moral da época. Antes mesmo de Jesus, João Batista já pregava publicamente às margens do Rio Jordão. Ele instituiu, pela prática de purificação através da imersão na água, o batismo, tendo inclusive batizado o próprio Cristo nas águas desse rio.




LENDAS


A fogueira



Dizem que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora e, por isso, costumavam visitar-se. Uma tarde, Santa Isabel foi à casa de Nossa Senhora e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista. Nossa Senhora então perguntou:

_ Como poderei saber do nascimento dessa criança?

_ Vou acender uma fogueira bem grande; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu. Mandarei também erguer um mastro com uma boneca sobre ele.

Santa Isabel cumpriu a promessa . Certo dia Nossa Senhora viu ao longe uma fumaceira e depois umas chamas bem vermelhas. Foi à casa de Isabel e encontrou o menino João Batista.

As bombinhas


Antes de São João nascer, seu pai, São Zacarias, andava muito triste por não ter filhos. Certa vez, um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai.

A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia o nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um enorme esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram um barulhão enorme. Foram vivas para todos os lados.

Vem daí o costume de as bombinhas, tão apreciadas pelas crianças, fazerem parte dos festejos juninos.

JOGOS

de terreiro:


* pau-de-sebo
* corrida de saco
* ovo na colher

de barraquinha:


* acertar o alvo
* jogo das argolas
* pescaria
* toca do coelho

















CASAMENTO NA ROÇA



QUADRILHA



Esse tipo de dança (quadrille) surgiu em Paris no século XVIII, tendo como origem a contredanse française, que por sua vez é uma adaptação da country dance inglesa.

A quadrilha foi introduzida no Brasil durante a Regência e fez bastante sucesso nos salões brasileiros do século XIX, principalmente no Rio de Janeiro, sede da Corte. Depois desceu as escadarias do palácio e caiu no gosto do povo, que modificou suas evoluções básicas e introduziu outras, alterando inclusive a música.

A sanfona, o triângulo e a zabumba são os instrumentos musicais que em geral acompanham a quadrilha. Também são comuns a viola e o violão.

O marcador, ou "marcante", da quadrilha desempenha papel fundamental, pois é ele que dá a voz de comando, em francês não muito correto misturado com o português, e dirige as evoluções da dança.
TRILHA SONORA


* Olha pro céu, meu amor (Luiz Gonzaga e José Fernandes)
* Derramendo o gai (Luiz Gonzaga e Zé Dantas)
* Cai, Cai, Balão
* Capelinha de Melão (João de Barro e Adalberto Ribeiro)
* Pedro, Antônio e João (Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago)
* Isto é lá com Santo Antônio (Lamartine Babo)
* Chegou a hora da fogueira (Lamartine Babo)
* Sonho de Papel (Carlos Braga e Alberto Ribeiro)
* Pula a fogueira (João B. Filho)
PRÁ CUMÊ





* arroz doce
* bolo de batata-doce
* bolo de fubá
* bolo de aipim
* bolo de milho
* broa de fubá
* canjica
* curau
* cuscuz
* pamonha
* pé-de-moleque
* pipoca
* sopa de milho verde
* tapioca
* batata-doce assada na fogueira

PRÁ BEBÊ



* quentão
* vinho quente






(Fonte: Festas juninas, festas de São João: origens, tradições e história / Lúcia Helena Vitalli Rangel)

21.6.02

Neste inverno de araque, continuo tendo aquelas sensações de mal-estar típicas do calorão.

Andando pela rua com Pedro sinto que não estou bem e peço para ele andar rápido para chegar logo em casa.

- O que foi, mãe?
- Nada. Só estou um pouquinho tonta.
- Ok. Fique tranqüila. Se chegar no túnel fique longe da luz.
O dia de hoje:

- palavra:jogão
- visual: olheiras
- sonho de consumo: sesta

20.6.02

Antes que minha cabeça encontre novamente o travesseiro:

- bater e assar um bolo de milho;
- pregar apliques coloridos na calça jeans para imitar remendos;
- preparar uma newsletter;
- deixar prontas pelo menos duas páginas do novo site;
- colocar correspondência em dia;
- buscar o moleque na escola;
- levar o moleque para a natação (levar sunga, touca, óculos, chinelo, roupão);
- acompanhar o moleque à festa junina (levar bolo de milho, camisa quadriculada, lenço vermelho, caixa de fósforo, delineador, calça jeans com remendos, chapéu de palha, tênis e meia);
(- desenvolver projeto para criação de um serviço de carregadores e mensageiros exclusivos para mães;)
- festa de aniversário adulta no Jardim Botânico;
- ver jogo do Brasil.

(primeira atualização às 17:15)
(última atualização às 12:21 do dia seguinte)

Depois da catuaba, do quentão e da cerveja, achei melhor deixar não ir ao aniversáriop e concentrar forças para a torcida. Parece que fiz o certo.:-)

Querer colocar a correspondência em dia também era demais, né?

18.6.02

Já devo ter comentado por aqui porque é uma característica brasileira que me chama a atenção. As pessoas adoram falar mal do nosso país. Fazem campanha contra mesmo. Outro dia ouvi alguém dizendo (acho que foi o Jabor) que brasileiro gosta de torcer contra para se surpreender positivamente depois. Pode ser, mas algumas vezes me dá agonia ver o povo metendo o pau no Brasil mesmo quando não tem a mínima noção do que está dizendo.

Também já devo ter dito que acho que isso é um ranço da ditadura, em que torcia-se contra o país porque o alvo era o governo militar. Questionável, mas plenamente justificável. E agora? O que acontece? O Brasil jogava, neguinho torcia contra porque o Médici receberia louros. Se agora a CBF planeja evitar a visita ao presidente no retorno caso o Seleção brasileira seja campeã, em que a vitória ajudaria FHC para legitimar (ainda que remotamente) a postura espírito de porco?

Os absurdos abundam porque muita gente se acha inteligente e questionadora por simplesmente pichar e ser do contra.

Quanto discurso bem-intencionado e inflamado eu já tive que interromper para esclarecer que o fato de o livro escrito por meu marido ainda não ter sido publicado no Brasil nada tem a ver com vergonha nacional, mercantilismo e falta de qualidade editorial.

Ainda há pouco alguém reclamou - juro! - porque as crianças de hoje em dia não teriam acesso às músicas compostas para os personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo. Claro que ninguém é obrigado a saber o que se passa na maior emissora de TV aberta do país no final da manhã, nem que índices de audiência este programa tem, nem qual os números de venda do CD com a trilha sonora, nem acompanhar a cobertura da imprensa a respeito, nem conhecer o belíssimo artigo da Ana Maria Machado. Mas seria prudente fazer o dever de casa antes de iniciar a ladainha da preocupação com a ignorância que assola nossa pobre terra, que apenas visa a simpatia do coro dos descontentes ao engrossá-lo.

Sérgio Rodrigues, que é um cara que eu admiro grandemente, no último domingo em sua coluna Mascando Clichê da Revista de Domingo comenta que "é um equívoco o viés pacifista que até hoje tem presidido a mobilização da sociedade contra esse inferno [a violência na cidade]" e ainda que "quando estamos lidando com assassinos, psicopatas e fascínoras, falar em paz seja o supra-sumo da covardia", para concluir que "sacudir lenços brancos para eles ao som de Imagine é simplesmente ridículo". E eu fico pensando se ele realmente acha que é para os criminosos e assasinos que essas pessoas acenam ou se quer apenas conquistar os leitores céticos e desiludidos. Porque para mim é difícil acreditar que alguém com Q.I. acima de 70 considere a possibilidade das manifestações terem outro alvo além de legisladores, juízes, candidatos em ano eleitoral ou cidadãos comuns que querem e podem fazer a sua parte.

Geralmente tenho paciência para explicar porque é que não ver as coisas boas não significa que elas não existam. Num dia mais inspirado posso até apontar onde elas estão. Mas dá um cansaço às vezes.


Hoje tem Arthur Maia na melhor casa do Rio na atualidade (excelentes atrações, bons preços, atendimento cordial e eficiente, horário razoável para quem trabalha, tem filhos pequenos ou simplesmente quer curtir a noite um pouco mais cedo).

Foi na época em que trabalhava com livros e quadros personalizados que tomei consciência do tamanho do fascínio que ver o próprio nome impresso exerce sobre as pessoas.

Claro que é mais gostoso quando o nome está ali, preto no branco, em um jornal de grande circulação, mas também tem seu encanto chegar em casa com um regalo em que o presenteado vê o som mais doce - aquele ofertado na pia batismal, no cartório ou inventado por amigos criativos (ou seja lá como se chama este povo que adora inventar apelidos) - gravado no papel. O encanto é maior nas crianças. Ou talvez elas reprimam menos a sensação de deslumbramento. Sim, porque nós, os adultos maduros, discretos e modestos, nos comportamos como bons moços: muito bobamente.

Gostei muito de ter recebido a visita, o destaque e a mensagem do Gravatá. Além do prazer infantil, a visibilidade proporcionada faz com que novos amigos em potencial cheguem por aqui. Sejam bem-vindos.

Tem sido divertido. Um amigo sacana me escreve: "Parabéns pelo sucesso. Espero que ele não suba à cabeça. Por favor, não deixe de nos convidar, a mim e a A., para aquele cineminha de sábado, o churrasco no terraço etc, etc.". Outras gentes levam mais a sério. Muitas aproveitam para distribuir o carinho de sempre. Mamãe corre para conseguir uma edição impressa de O Globo e mostra com as canjicas arreganhadas para a vizinhança. E vou resistir à tentação de citar Andy Warhol e à armadilha de me enveredar por análises birabolantes.

E devo contar que por causa desta breve referência aportou por aqui um amigo do meu marido dos tempos de faculdade e o contato está sendo retomado. E ainda tem gente achando que a Internet entristece e isola as pessoas...

17.6.02

Jogando com 12...
Que lindo!
Cadê esta criatura safada que não escreve mais em blog, não responde e-mail, tem o topete de deixar passar diversos comentários?

Ando mergulhada na vida real ou indo por outros caminhos aqui mesmo. Como uma voyage autour de ma table.

12.6.02

Você não vai lembrar. Para falar a verdade nem sei se percebeu. Porque este também é um de seus encantos: fazer magia sem sequer se dar conta.

Era uma destas festas infantis em que os animadores insistem para que os convidados adultos também brinquem. E quem está de bem com a vida, geralmente faz um doce, finge certa contrariedade, mas cai na farra e se diverte.

Havia uma plataforma de madeira no chão onde as crianças aprontavam. Uns 12 metros quadrados talvez. Mas não havia ninguém com menos de 16 anos por ali. Apenas casais. Alguns formados ali naquele momento para a brincadeira, outros namorados, noivos, amásios, casados...

O jogo consistia em separar os pares e cada um tinha que dançar para longe do parceiro. As animadoras ficavam ali pelo meio para garantir a distância regulamentar. Quando a música parasse, um tinha que ir na direção do outro e abraçá-lo. O casal que se unisse por último em cada rodada era retirado do jogo. Era preciso manter a concentração e a sintonia com o parceiro. Olho no olho era fundamental.

Assim saíram imediatamente os casais formados para a ocasião, depois os namoricadores, foram-se os pares em atrito... E estávamos, por fim, eu e meu cavalheiro e os avós maternos da aniversariante sobre o tablado. E por me dar conta do que aquilo representava e porque era mesmo para ser assim, a música parou e eu não estava tão atenta. O outro casal se abraçou primeiro e comemoraram a vitória com beijinhos e risinhos. E eu fiquei olhando meio abobalhada porque apenas 30 anos de um casamento feliz e cúmplice tinha conseguido abater nossa dupla. E eu vi o carinho transbordando na comemoração de nossos adversários e pensei que se apenas aqueles dois tinham conseguido superar nossa harmonia, havia algo realmente significativo e especial entre nós.

E talvez pouquíssima gente entenda esta história.

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!