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6.11.03

Livin' la vida loca:

* Rei Charles Stuart na prancheta
* Influenza em ataque direto ao nariz e à garganta
* Chocolate europeu de presente na semana em que tento a última e definitiva dieta rumo ao verão
* Escreva rápido 30 vezes: "Morelenbaum"
* Coisas inadiáveis de mulherzinha e de Amélia deixadas para algum momento incerto no futuro
* Check in e check out
* Onde está a carteira de vacinação?
* Boletim, cadastro, relatório
* Terceira conta de e-mail
* Gente nova, gente velha
* Blog surdo-mudo

4.11.03

Você já foi à Bahia, nego? Não, então vá.

Eu fui.

De carona numa promoção, numa conspiração favorável dos deuses e na insistência dele para que eu apertasse aquele botãozinho do "F" por uns dias.

E voltei da cor do bronze, com algum excesso de bagagem na região subcutânea (eu disse cutânea) e a alma prontinha para o desespero de final de ano.

E por falar nisso, é hora de voltar ao batente, mesmo com a cabeça no acarajé da Cira do Rio Vermelho, na vista do quarto do hotel, na moqueca de siri mole, naquelas belezuras e gostosuras todas que a gente mal deixa e morre de saudade.

Mas antes, se não conhece (como eu não conhecia) aprenda mais uma, se já conhecia, desculpa o mico aê, viu?

Da boca de um representante local do tipo chato e insistente depois no enésimo não: "Calma! Baiano molesta, mas não seqüestra."
De cara nova.
No ritmo de Celebridade:

- Como é o nome do pai da Malu Mader?
- Malu Father.

- O do cachorro da Malu Mader?
- Malucão.

- E o gato?
- Malucat.

3.11.03

Recebido por e-mail:

A LENDA

Há muito tempo em certa tribo, era costume que os rapazes que atingiam idade própria e aspiravam a ser consagrados guerreiros se submetessem a uma dura prova. Próximo as aldeias haviam grandes montanhas, jamais transpostas. No dia designado para prova, partiam os candidatos e procuravam a íngreme escarpa. Ninguém conseguiria atingir os altos píncaros. Contudo, eram aprovados aqueles que demonstrassem haver subido tão alto quanto aos valentes dos anos anteriores. Para isso, deviam trazer, de volta, um ramo de certo arbusto que só crescia nas partes mais alta da montanha.

Certo ano, todos os jovens desceram trazendo orgulhosamente o ramo comprovante de sua façanha. Todos, exceto um que desceu por último. Seus camaradas estavam atônitos, pois sabiam ter ele subido mais alto que todos os demais. O chefe da tribo de fisionomia energética, fitou-o fortemente, perguntando se trazia alguma coisa que provasse ter alcançado a altura exigida.

O rapaz estendeu as mãos vazias. Mas havia um extasiante brilho em seus olhos quando serenamente explicou: "EU VI O OUTRO LADO !"


A grande lição a ser tirada dessas metafóricas palavras é que são muitas as posturas do homem diante dos desafios. Há os que buscam vencer, porque outros já venceram. São felizes apenas em cumprir as etapas, independente do que elas possam representar para suas vidas, além do valor material. Contribuem para a inércia coletiva, pois a normalidade limita o horizonte. São os escravos do ontem, do outro, do óbvio. Não criam, não ousam e não sonham.

Mas, felizmente, há os que buscam além dos padrões estabelecidos, as verdades que constituirão o amanhã. Para esses, vencer é, apenas, uma conseqüência, pois mais lhe importa vislumbrar o lado oculto das coisas e duvidar dos limites já pensados, que simplesmente repetir, para satisfazer a quem já sabe, o que cobrará amanhã como idéia própria. Deles dependerá o futuro. Criam, ousam, sonham. Que aquele JOVEM ÍNDIO GUERREIRO que existe dentro de cada um de nós, NÃO VENHA NUNCA A TRANFORMAR-SE EM MAIS UM ALGUÉM, limitando-se a buscar o ramo, sem ao menos saber o porque e para que o está fazendo!

QUE O EXTASIANTE BRILHO DOS OLHOS DO GUERREIRO da antiga lenda simbolize a
DETERMINAÇÃO de todos nós em ''EM VER O OUTRO LADO!'' Por derradeiro, o insigne George Washington, quando com tamanha lucidez, referiu: ''Alguns homens vêem as coisas como são e perguntam: por que? Eu sonho com as coisas que nunca existiram e digo: por que não?''

23.10.03

Você já ficou contrariada porque aquela loja que fechou era única que você realmente gostava naquela praça de alimentação horrorosa, daquele shopping sem qualquer tratamento acústico, cuja única grande vantagem é ficar praticamente na esquina da sua casa.

Está certo que um dos motivos para a falência é que mesmo pessoas como você, que achavam que as roupas de lá eram realmente charmosas, consideram um absurdo pagar (e não pagavam) R$1. 750,00 numa batinha com trezentas mil e noventa e dez outras exatamente iguais esperando nas araras que a próxima otária, digo, consumidora levasse e que vocês duas e mais outras trezentas mil e noventa e dez parecessem par de jarros pelas ruas da Cidade Maravilhosa. Mas você gostava mesmo era do café que tinha lá dentro do espaço privilegiado da loja, longe da algazarra da turba que freqüenta Le MacDô e cia. O cardápio era uma ótima chance de você praticar seu francês (você até andou pensando em levar um dicionário, lembra?) e seu inglês de fast food metido a besta, digo, de cozinha cosmopolita globalizada. Tinha musiquinha modernosa e você quase aposta que aquele sujeito que ficava dentro de um aquário sem água, olhando você com cara de quem pisou em alguma coisa marrom pastosa, era um deejay. O lugar muito era - desculpem não consigo outra palavra que defina melhor - cool. E cobrando 30 paus num PF, mesmo com nome gaulês, faliu, claro.

Mas você é um ser que crê, que gosta de alimentar esperanças nobres e ficou imaginando coisas lindas para aquele lugar onde, por muito tempo, viu a placa: "Em breve uma nova atração pra você".

E hoje você passa por aquela ruidosa praça de alimentação, na busca desesperada por um caixa automático que aceitasse seu humilde rachado e rejeitado cartão e vê. Não quer acreditar, mas é verdade. Toda expectativa se desfaz num átimo. Lá, onde você sonhava ter um lugar para gastar com prazer seu suado dinheirinho, onde quem sabe até uma calça 42, vestisse alguém com corpo 42, ali, você enxerga a dura realidade.

A nova atração é uma churrascaria. Mas isso não é tudo.

Ela tem estampada em sua fachada a cara de pau de uma dupla sertaneja.
Recebido em mensagem especial:

We wish you all

A Very Happy And Prosperous Diwali the festival of light.

We Hope This Brings Peace Prosperity and Happiness in Your Life



Diwali guia até a Verdade e a Luz e é celebrado por toda a Índia no Amavasya - o 15º dia da escura quinzena do mês hindu de Ashwin (Aasho) (Outubro/Novembro) todo ano. Simboliza a cultura ancestral do país que ensina a subjulgar a ignorância que domina a humanidade e bane a escuridão que traga a luz da sabedoria. Diwali, o festival da luz projeta no mundo moderno de hoje o passado da Índia e ensina a preservar os verdadeiros valores da vida.

A palavra "Diwali" é uma corruptela da palavra "Deepavali" em sânscrito. Deepa significa luz e Avali, significa seqüência. De fato, a iluminação é uma de suas maiores atrações. Todas as casas, da mais humilde à mais rica é iluminada de forma típica para dar as boas vindas a Lakshmi, a deusa da riqueza e da prosperidade. Figuras Rangoli multicoloridas, decoração floral, fogos de artifício emprestam grandeza ao festival que anuncia alegria, júbilo e felicidade no ano que chega.

Este festival é celebrado em grande escala em quase todas as regiões da Índia e é visto por muitos como a chegada do Ano Novo. Tanto as bênçãos de Lakshmi, como as de seu consorte celestial Lord Vishnu são invocadas com preces.

Diwali ou mais precisamente Deepavali é celebrado entusiasticamente por cinco dias contínuos e cada dia tem seu significado com vários mitos, lendas e crenças.

16.10.03

Percebam, meus caros, o quanto sofre uma mulher no mundo moderno.

Ontem foi dia dos professores, portanto, as crianças não tiveram aula e você, minha amiga, que providencie um jeito pra uma criança sem aula em pleno dia útil. Para as mais sortudas, que dispõem de avós de boa vontade de plantão, não chega a ser uma grande transtorno, afinal, um diazinho cuidando do futuro genético sobre a terra, aquele ser que dizem amar tanto, não vai matar ninguém. Além disso aposentadoria ou a simples continuidade de uma vida dedicada à madamice foi feita pra isso mesmo: mimar os netos. Mas avós ou boa vontade nem sempre são artigos disponíveis. E a você, companheira, que numa hora que não sabe onde estava com a cabeça, decidiu que, para o bem de todos e felicidade geral da família, ia desenvolver sua vida profissional dentro dos limites do próprio lar, conciliando vida doméstica com ganha-pão, cabe o papel de sempre: vire-se.

E daí que o seu trabalho acumule? Você tem flexibilidade de horário. Vamos parar com essa bobagem de dormir 6 horas por noite. Amanhã você acorda às 6 e corre atrás dos atrasos. E nem adianta pensar em ir deitar antes das 2, viu? Hoje você dá um descanso para a regiamente paga escola do seu filho e faz você mesmo a função que era dela de ficar com ele no horário que você tem para ganhar o dinheiro para pagá-la.

O.K. Cinema, então, que a casa não agüenta uma criança quicando sobre todos os móveis durante um dia inteiro. É preciso liberar energia ou, pelo menos, distrair. É pouco ver um filme que não te interessa nadinha. Vamos completar a alegria do moleque que é o que interessa. Convidemos um amiguinho que, também filho único, passou igualmente a manhã chuvosa trancado num apartamento acumulando carga.

Vou poupá-los dos detalhes sórdidos que incluem "o que fazer se esta sessão está lotada e só tem ingresso pra próxima quando se está num shopping com dois meninos de oito anos?". Pulo para a parte em que encontrei uma colega de sina, acompanhada da filhota. Já na fila, com nossos ingressos e pipocas nas mãos damos as duas, atônitas, de cara com isso:



Que vem a ser a foto que ilustra o cartaz do filme Amar Custa Caro (Intolerable Cruelty), estrelado pela indubitavelmente bela Catherine Zeta-Jones e George "Olhos de Travesseiro" Clooney.

Mas espera lá. Lembra do Oscar 2003, em março? Ela estava gravidíssima. Corre lá e vê se este filme é produção deste ano. É. Mas como que uma criatura consegue esta cintura num vestido justo vermelho se há pouco mais de seis meses (nem vamos contar tempo de produção, divulgação, delay para chegar ao Brasil, etc.) ela estava assim:



Então você começa a se questionar se existe mesmo um Deus e se Ele realmente ama todas as suas filhas da mesma forma. Porque se alguém em menos de seis meses consegue parir e retornar a uma cintura dessas, você, pobre mortal excluída do Olimpo hollywoodiano, deve ser uma ímpia que não merece nada.

Mas há a luz. E ela vem através de raios catódicos. Você dá um pulinho na Internet e olhando fotos do tal filme, descobre que:



Ela é linda, talentosa, rica, usa os melhores vestidos e as melhores jóias, freqüenta os melhores lugares, tem o mundo aos seus pés e um Oscar na estante, mas, recém-parida, ao contrário do que querem impigir a nós como verdade, padrão e régua, só arruma cintura de vespa e abdômen reto com muita cinta e photoshop.

15.10.03

Enquanto não consiguia reestabelecer a conexão, fui anotando os posts:


Bode expiatório


The history of "scapegoat" is based on a linguistic misunderstanding. On Yom Kippur, the ancient Hebrews would sacrifice one goat for the Lord and lead another one into the wilderness bearing the sins of the people. The ceremony is described in Leviticus, where it is said that one lot shall be cast for the Lord and one for "Azazel." Modern scholars usually interpret "Azazel" as being the name of a demon living in the desert. But ancient biblical translators thought "Azazel" referred to the goat itself, apparently confusing it with the Hebrew phrase "‘ez ’ozel," meaning "goat that departs." The mistranslation was carried through Greek and Latin into a 16th-century English translation, where the goat was rendered as "scapegoat"; that is, "goat that escapes."


***


"Conhecendo o Rio a pé: Aspectos Arquitetônicos e Urbanos da Cidade"
a partir do dia 11 de novembro próximo pela Universidade Veiga de Almeida
(campus Barra da Tijuca)


Curso de extensão universitária: "Conhecendo o Rio a pé: Aspectos Arquitetônicos e Urbanos da Cidade"
Professor: Antônio Agenor de Melo Barbosa - Arquiteto / Urbanista e Prof. de Evolução Urbana do Rio
Público-alvo: Qualquer pessoa interessada em conhecer a história urbana e arquitetônica da Cidade.
Carga horária: 25 horas/aula (15 horas em sala de aula e 10 horas em visita de campo no centro do Rio)
Investimento: R$ 140,00 (com certificado de participação emitido pela UVA)
Início do curso: dia 11 / 11 / 2003 (terça-feira) às 13:30 horas.
Local das aulas teóricas: Campus da Universidade Veiga de Almeida na Av. Felicíssimo Cardoso n. 500 em frente ao Barra Shopping na Barra da Tijuca.
Aulas externas: aos sábados, no Centro do Rio, a partir das 9:00 horas da manhã.
Inscrições: 3325 2333 / r. 113 (coordenação de extensão da UVA) com Viviane ou Rogério das 9:00 h às 21:00 horas.
Informações: extensaobarra@uva.br


13.10.03

Recebido por e-mail:

Pleasing Others

Most importantly you understood that you are the creator of your experience and that pleasing others is not what is at the heart of being the creator of your own experience. In other words, pleasing others compromises your vibrational pattern....

..You come forth with this very powerful decision that you are going to be independently aware of how you feel that you are going to line up the energy within YOU. You see, the people who have the hardest time being deliberate creators, are the people who have the most people in their lives to please.

Abraham 8/16/03 W. Los Angeles
Ele pergunta, balançando uma barra de chocolate diante do meu rosto:
- O que você faz para ganhar um Chokito?
- Te dou um beijo estalado na bochecha.
- Não... (resposta completa no final do post).





Aos 80 anos de Fernando Sabino, dia das crianças, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, com o Teatro João Caetano completando 190 anos, o Rio de Janeiro estava sob chuva.

Uma criança, você sabe, já foi uma delas, espera ansiosamente por esse dia. E chovia. Tudo o que tínhamos planejado de antemão, literalmente por água abaixo. Mas houve um iluminado que inventou revistas e cadernos culturais nos jornais que salvam pais e mães desesperados. A palavra grátis parecia piscar para nós em neon.

Meio como convidados, meio como penetras assistimos a uma peça/espetáculo promovida pela FIA (Fundação da Infância e Adolescência), cheia de todas aquelas coisas que criança gosta: música, dança, circo, brincadeiras, umas carinhas conhecidas da TV e no final um sacão de doces. E já que tínhamos passado a manhã inteira no teatro nada melhor para um programa mais para a tarde/noite chuvosa que... mais algum tempo no teatro.

Com a palavra Fernando Bicudo:

"Terra Brasilis luta por um resgate de nossas riquíssimas raízes culturais - as mais valiosas e diversas do planeta.

Terra Brasilis é um casamento de extremos, de opostos que se unem, de clássico com moderno, de erudito com popular, de real com virtual, de passdo com futuro, que se unem no todo da imensidão da cultura de nossa gente.

Terra Brasilis é, sobretudo, um grito de amor ao Brasil, um grito de amor ao que faz a nossa grandeza: o povo brasileiro.

O brasileiro é a síntese do melhor de todas as raças, e isso se espelha nas nossas manifestações populares, de norte a sul.

Apesar de nosso passado de injustiças sociais, somos o povo mais feliz do mundo, o que melhor sabe viver, o que mais cultua seu amor à vida. Somos o povo do perdão e da esperança. Somos o país do belo.

Somos o país da música, da dança, das festas, das celebrações, da excelência da cultura.

O objetivo maior de Terra Brasilis é promover um mutirão pela cidadania brasileira e pela busca de nossas verdades.

Viva o Brasil!"


O espetáculo é belíssimo e conta do Brasil de antes do Big Bang até o futuro. Com ótima música, figurinos caprichadíssimos, coreografias algumas vezes beirando o fantástico e principalmente um amor e uma alegria que fizeram esquecer que lá fora o Rio de Janeiro não se reconhecia, apresentam lundu, maculelê, caboclinho, maracatu, coco, ciranda, xaxado, capoeira, chula, samba de roda, valsa, maxixe, chorinho, gafieira, partido-alto, mangue beat e dança de rua, entre muitos outros.



- Não. Para ganhar um chokito, você enfia a mãozita na tomadita.

10.10.03

quandoéqueseabreumaportaaberta?
(resposta no final do post)



Living de pegnoir

Quando eu era pequena, no bairro onde eu morava, o sinal da Rede Globo não chegava com nitidez. Só no final dos 70 é que colocaram uma super-antena lá no alto do que dizem ser um vulcão extinto e eu finalmente me vi livre de chuviscos e fantasmas. Antes, preferíamos a Tupi, não pela programação, mas porque conseguíamos ver o que se passava. Crianças, vocês estão diante de uma balzaquina testemunha ocular da história. Sim, eu assisti a TV Tupi.

E eu acho que foi na extinta emissora que eu vi uma cena de novela que jamais me esqueci, embora, como muitas outras memórias remotas minhas, ela viva adormecida e só desperte à força de algum estímulo do mundo presente. Não me lembro qual eram os atores, nem qual era o folhetim televisivo, mas recordo que ele era um mordomo daqueles bem caricatamente pernósticos e ela uma moça simples que acabara de casar-se com um ricaço. Os dois fizeram um trato de que ele ensinaria a ela como portar-se no novo ambiente social.

Na tal cena ela vinha esbaforida da parte íntima da casa, porque tinham avisado que havia uma visita a sua espera. O mordomo a olha com total reprovação. Ela o puxa para o canto e pergunta o que estava errado. Ele empina o nariz e responde:

- Madame, uma dama jamais vai ao living de peignoir.

Eu, que queria crescer e ser uma dama, corri para Mamãe para saber onde é que ficava aquele lugar onde nunca deveria ir. Será que era perto de casa ou na Europa, o tal Lívin Dipenhoá?


Resposta: Quando Berta bate à porta.

9.10.03

Será que a Marina Lima não tem um amigo sincero que sente com ela e diga:

- Escuta, querida, sua voz acabou, já era, babau, kaput. Pega toda essa sua musicalidade e gosto musical estupendo e concentre-se em composição, ou invista na carreira de instrumentista, ou vai produzir o trabalho de alguém. Cantar não dá mais, nega.

8.10.03

Prenhe de idéias.
Tricotando projetos.
Aguarde convite para o batizado.

1.10.03

Cara feia
Gabriel O Pensador/Liminha

Cara feia... pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come
Cara feia... pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come

É, não me distraí, não me distraí
Me deixa aproveitar a sensação um pouco mais
A sensação de esperança que invadiu o meu peito
Não me envergonha com esse velho preconceito
Não me atrapalha agora não, por favor
Não me apavora com as notícias do terror
O seu terror psicológico e as previsões sinistras dos seus mapas astrológicos
Não vão fazer o papai aqui fazer pipi na cama
Não sou do tipo que tem medo de sair da lama
Nós não somos covardes
E nunca é tarde pra cuidar de quem a gente ama
A gente sabe se amar, a gente sabe se amar, a gente sabe da vida

A gente sabe somar, e quer saborear a soma dividida
A gente sabe se amar, a gente sabe se amar, a gente sabe da vida
A gente sabe sonhar, e desse sonho a gente não duvida
Cara feia... pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come
Cara feia... pra mim é fome
E cara alegre é a cara de quem come

E quem não mata a fome, a fome mata
Quem não mata a fome some; quem não mata a fome, a fome come
(A fome não é só um nome)
E tem também a outra fome, fora do abdômen
Cara feia... eu vi na cara de um cara que matou um homem, por causa dessa outra fome
Fome de vingança, vingança do destino
E essa cara eu já vi na cara de um menino
E os meninos assassinos vão se renovando
E vão nascendo, vão morrendo e vão matando
É que eles pensam que o crime é o único caminho
Pra chegar em qualquer tipo de comando
Mas se os meninos forem mais malandros
Vão saber que ser trabalhador não é ser otário
Um bom exemplo vem da nossa presidência
Porque lá quem tá mandando é um operário

Refrões

Não faça cara feia de barriga cheia
Não faça cara feia de barriga cheia
Não faça cara feia de barriga cheia
Nem meta a colher em cumbuca alheia
Quem deixa um pé atrás
Nunca chega na frente
Quem tem medo do futuro
Vira escravo do presente
Não me enche com essa fome de derrota
Nem me bota nesse time que defende o pessimismo
Agora eu sei, cansei da linha burra que separa, desune
E empurra todo mundo pro abismo
O caminho é mais pro alto
No mar e no sertão, na favela e no asfalto
Todo mundo sente fome, fome de futuro
Pra que pichar, se eu posso derrubar o muro?
Não é com tanque, nem com trator
Não é com ódio, nem com rancor
Não é com medo, nem com terror
Minha campanha também é paz e amor.

29.9.03

"Paulinho da Viola - Meu tempo é hoje", documentário de Izabel Jaguaribe sobre o sambista que eu só consegui ir conferir no último final de semana é simplesmente o máximo. Mais uma prova de que o Brasil faz documentários de gente grande. Além de divertido, é informativo, bonito, inteligente e comovente sem ser piegas. Tem a melhor música do mundo e a Cidade Maravilhosa no que ela tem de melhor: sua gente e seu espírito. Tem Paulinho da Viola lindo, transbordando sua dignidade, sua nobre musicalidade, sua vida entre familiares, amigos e parceiros, suas idiossincrasias... Tem Monarco, Nelson Sargento, Zeca Pagodinho, Walter Alfaiate, Cristina Buarque, Teresa Cristina e mais um monte de gente boa. Tem mais ou menos 30 músicas amarrando as saborosas histórias e depoimentos. Tem expectador aplaudindo no final da exibição porque ficou se segurando para não fazer isso durante o filme.

Se você já viu, deve estar se perguntando como é que eu ainda não sabia disso tudo. Pois é, eu estava querendo ver este filme há um tempão, mas a chance ainda não tinha aparecido. Se você ainda não viu, corre que ainda está levando lá no Museu da República. E em volta tem os jardins, tem o café, tem o teatro, tem a livraria, tem as exposições ao ar livre, tem os saraus, tem o Museu do Folclore...

28.9.03

Imperdível!
E é de graça!

O artista plástico brasileiro Vik Muniz, radicado há 20 anos em Nova York, apresenta uma série inédita de fotografias. Intitulada Retratos de revista, a série traz imagens que são reconstituição do retrato de personalidades e personagens, que ele admira e/ou convive, com pequenas pastilhas feitas de papel recortado de revistas.

O ponto de partida do artista foi a observação de retratos publicados em revista que mostram a intimidade das celebridades, ao mesmo tempo em que são essas publicações que tornam famosos quase anônimos. Vik se colocou a pergunta: como fragmentar e reconstruir a fisionomia das pessoas com pedaços de outras imagens e ainda assim mantê-las reconhecíveis? Partiu então para fotografar cada um dos seus 'heróis'. De posse dos retratos, submeteu-os, em estúdio, a um processo de ampliação com lentes que ele próprio construiu e que produzem cromos de 20 x 25 cm, com definição extraordinária. A partir daí, remontou os retratos, a mão livre, com pastilhas de páginas de revista, feitas com furador de papel. A última etapa é a foto da remontagem, enfim o formato final, em ampliações de até 230 x 180 cm, que dá a impressão de um desenho pontilhista.

(trechos retirados daqui)

Em exposição no Paço Imperial até 12 de outubro.
Deliciosa e gay em todos os sentidos, especialmente o original:

27.9.03

Para Carolzinha:

"...E agora meus ombros se retesavam não pelo que eu via, mas no afã de captar ao menos uma palavra. Palavra? Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava ou até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio a faca. Aos meus ouvidos o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro. E o avião reapareceu na pista, numa imagem distante, escura, estática, que salientava mais ainda a voz masculina da locução em off. A notícia do avião já pouco me importava, o mistério do avião era ofuscado pelo mistério do idioma que dava a notícia".

“única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita”.