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12.2.04

GLUB GLUB GLUB


Estorou um cano ainda não identificado no terraço do meu prédio.
Chove torrencialmente dentro do meu apartamento e na casa dos vizinhos.
O aguaceiro desce por todo o edifício até o térreo.
Baldes e panos-de-chão são os objetos mais requisitados.
Uma boa pedida para um presente de aniversário adiantado para mim é um escafandro.
Começou o quebra-quebra.
Instalações elétricas ameaçadas.
Pinturas de paredes e de tetos vão para o beleléu.
Rebaixamentos com gesso apresentam risco de desabamento.
Marido super-tenso, filho assustado, sogra em pânico.
Sou uma flagelada.

9.2.04

"Quando nossas mentes se encherem de paz, não haverá nada que não possamos compreender."
Tsai Chih Chung

"Dentro de nós está o poder do consentimento para a saúde, a riqueza e a pobreza, a liberdade e a escravidão; somos nós que controlamos isso, e não os outros."
Richard Bach

7.2.04

No que ele pensa?

2.2.04

Quem ainda n?o foi, tem que ir:

A exposi??o com a obra de Keith Haring no Centro Cultural Banco do Brasil est? imperd?vel.

Uma palhinha:

No in?cio dos anos 80, as ruas e o metr? de Nova York foram a primeira vitrine da obra de Keith Haring, com seus grafites vigorosos, ?ndices de seu engajamento com a cultura de massa. (...)

A exalta??o da sociedade americana n?o entorpece o olhar cr?tico de Haring em rela??o ao seu meio e seu momento hist?rico. Humor e ironia pulsam na espontaneidade dos tra?os flu?dos de um artista cuja liberdade tem?tica e formal ganhou espa?o e contribui para a constitui??o de uma linguagem direta e por vezes quase simples, que tem a raiz no vocabul?rio da cultura de massa e dos meios de consumo.

(texto do panfleto da exposi??o)

E ainda tem, no mesmo CCBB, uma mostra com as polar?ide se Andy Warhol. Esta acho que pode ser especialmente rica para os fotologgers.

Base para a cria??o de suas pinturas e portraits, as fotos [polar?ides] mostram personalidades famosas do mundo todo e um conjunto de objetos inusitados, constituindo material fundamental para a compreens?o da g?nese da obra de um ?cone da pop art americana.
(texto do panfleto da exposi??o)

Pensa que acabou? Que nada! Aquele espa?o ? riqu?ssimo em atra??es. Logo que voc? chega no sag?o tem uma exposi??o no melhor estilo "Rio 40 graus, purgat?rio da beleza e do caos" com trabalhos de fotojornalistas.

E como passar por fevereiro na Cidade Maravilhosa sem Carnaval? Est? l? tamb?m, numa forma po?tica (com Beatriz Milhazes), moderna (com Eva e Adele), mas tamb?m alegre (Hans Nieswandt) e hist?rica (como Bajado) do jeito que precisa ser a festa de Momo (mesmo que o atual seja magro).

Eu sei a grana est? pouca, n?? Tem problema n?o! ? tudo gr?tis.
Constatação Metafísica

Jogo o tempo
na água
E ele
nada.


(Marina Colassanti - Rota de Colisão - Rocco - 1993)

28.1.04

A Rolinha Nossa de Cada Dia


A rolinha entrou pela janela aberta. Todas nós soltamos gritinhos de surpresa. A professora de hidroginástica encolheu-se num canto. Tem gente que morre de medo de aves.

Meu filho quer inventar o oiránoicid, que é o dicionário ao contrário, onde você entraria com o significado e ele diria qual é a palavra que você está procurando. Se já existisse, poderia colocar aqui o nome que me fugiu da cabeça da fobia dos que abominam bichos de pena.

Em volta da piscina, do chão à metade da altura até o teto transparente é parede de tijolo, emboço, tinta... Daí para cima é janela. Quando faz frio, os vidros são fechados. Num dia quente como hoje, abre-se tanto quanto possível. E foi por aí que a rolinha entrou. E gorjeamos nossa surpresa. E a instrutora espremeu-se contra a parede.

Não é a primeira vez que acontece. Ainda outro dia, quando nossa treinadora estava de férias, deixando em seu lugar uma estagiária, foi outra rolinha que entrou e ficou girando procurando a saída até cansar. Não foi simples agarrá-la e soltá-la de volta para o vôo livre.

A rolinha de hoje talvez tenha se apavorado com o nosso pequeno susto, com o medo da mestra, com a música alta que marcava nosso ritmo. Passou sobre nossas cabeças cruzando todo o comprimento da piscina, ouvindo nosso sobressalto, nosso pavor injustificado, nosso barulho que insistimos em chamar de música e tocou a parece no lado oposto. Deve ter sido então que ela armou-se de toda coragem para fugir dali e arremessou-se numa velocidade incrível contra a vidraça caindo do nosso lado, dentro d'água.

Quando N. a resgatou das águas com suas luvas de pato, a ave se debatia. Eu, sempre a mais alta de quase qualquer turma, me ofereci para colocá-la no peitoril da janela para que pudesse alçar vôo assim que se recuperasse. Mas a rolinha morreu nas minhas mãos e eu fiquei com uma tristeza infantil no peito.

Até o final da aula o servente ainda não tinha vindo para pegar o bichinho morto e eu passei o restante do tempo ouvindo sobre notícias do dia, novelas, filhos e netos, exposta, mesmo que não olhasse mais, àquele testemunho de uma pequena infelicidade diária, fingindo ser o cloro que me ardia os olhos, numa tentativa brutal de voltar a ser adulta.

Update: Minha mãe me contou agora ao telefone que meu primo mais velho descobriu que estava com um problema sério de saúde e precisava de uma cirurgia. Ele estava com muito medo da operação e saiu visitando diversos familiares em busca de apoio. Foi inclusive na casa de uma tia nossa com a qual ele não falava havia décadas e pediu perdão. Ao sair de lá sofreu um acidente de moto fatal.

23.1.04

Há na cidade um movimento de revitalização fomentado pelo verão. Mas só para quem tem olhos de ver. Muita gente resolveu finalmente reagir ao baixo-astral que só faz render ibope para tele-jornal vagabundo e jornalzinho carniceiro. Todo dia a gente se pega na dúvida sobre o que fazer: show, teatro, passeios ao ar livre, um restaurante novo (ou um bar bem antigo)...

Ontem fomos para a Marina da Glória ver o show do Rogê, com o Arlindo Cruz e o
Falcão d'O Rappa. Ainda teve Nelson Sargento substituindo o Walter Alfaiate (ele teve que se submeter a uma cirurgia). Quando a gente queria pegar um arzinho, era só ir até a beirada da tenda e curtir o vento que vinha do mar, o Pão de Açúcar de um lado e o MAM fervendo com a Fashion Rio do outro.

A idade pesou e acabamos saindo de lá antes do final, cansados, satisfeitos e com um pouco de receio de ter que encarar uma retenção na saída do estacionamento, afinal, o evento bombou. Foi por isso que chegamos em casa às 3 de la matina. E me senti a própria highlander porque pouco depois das 8 já estava de pé para malhar e preparar o corpo e o espírito para mais um dia de labuta.

Não sei por que senti no final da tarde um impulso irrefreável por comprar um corretivo que hidrata as pálpebras e "visualmente corrige tons de pele azulados, ajudando a minimizar os sinais de inchaço e olheiras".

Uma privação de sentidos me obrigou a preparar um bolo de cenoura com cobertura de chocolate, que teve que passar por um rigoroso controle de qualidade baseado em degustação que foi perpetrado por mim mesma.

Mas o que eu queria contar para vocês é que na próxima quinta na Marina, o Claro Rio de Verdade nas Quintas de Janeiro (ufa! quem inventa esses nomes quilométricos pros eventos?) vai ter Bezerra da Silva e João Bosco, além do anfitrião Rogê. A roda de samba (abertura) vai ser com Wilson Moreira e o encerramento com a bateria da Grande Rio. Como nada é perfeito, lá só tem cerveja Bavaria (o que aconteceu com a Baviera, hein?)

Titia aqui vai adiantar bem o trabalho para tirar uma sesta bem dotosa na quinta e estar inteirona na night. Seja ela na Marina ou pelaí.
"Melhor manter-se calado e deixarem pensar que você é um idiota do que abrir a boca e não deixar dúvida nenhuma quanto a isso".

21.1.04

"Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores."
(Dalai Lama)

20.1.04



São Sebastião
Botticelli

SEBASTIAN
(Gilberto Gil / Milton Nascimento)

Sebastian, Sebastião
Diante de tua imagem
Tão castigada e tão bela
Penso na sua cidade
Peço que olhes por ela

Cada parte do teu corpo
Cada flecha envenenada
Flechada por pura inveja
É um pedaço de bairro
É uma praça do Rio
Enchendo de horror quem passa

Oô cidade, oô menino
Que me ardem de paixão
Eu prefiro que essas flechas
Saltem pra minha canção
Livrem de dor meus amados

Que na cidade tranqüila
Sarada cada ferida
Tudo se transforme em vida
Canteiro cheio de flores
Pra que só chorem, querido.
Tu e a cidade, de amores

19.1.04

Amigos do mundo inteiro na cidade (alguns com camiseta dada pela prefeitura)... de férias.

Filho e marido em casa.. de férias.

Alguns dos principais clientes em silêncio... de férias.

A Cidade Maravilhosa fervilhando nas Noites Cariocas, no Vivo Open Air, nos shows do Canecão, no Cardume do Humaitá, nos Sambas da Cidade do Moacyr Luz, no Claro Rio de Verdade nas Quintas, na Gafieira Moderna da Joyce, no Pagode do Arlindo no Rival, nas quadras das Escolas... de férias.

Assim sendo, para o bem de todos e felicidade geral da nação, declaro-me PARCIALMENTE de férias.

16.1.04

Conhecia bem pouco do trabalho do Tadeu Aguiar. Só em televisão mesmo. Por isso, ao ganhar o ingresso para a pré-estréia de sua peça, achei simplesmente legal. Afinal os tempos andam bicudos e um programinha cultural de graça é sempre bem-vindo.

Fui surpreendida por uma peça que não era um musical, como eu esperava. Os dois atores em cena, Tadeu Aguiar e Eduardo Bakr, conseguem lidar com o texto fronteiriço, que poderia facilmente, sem o talento deles, descambar para o risível ou para o piegas. Ambos estão muito bem em Despertando para sonhar, que já foi apresentada em muitas escolas e agora estréia para o público em geral.

Cheia de citações de grandes mestres, a peça fala sobre um rapaz que não consegue entender-se com o pai, não aceita o caminho apontado por ele, mas não sabe exatamente o que quer e encontra uma ajuda inesperada na busca por suas respostas. Mas a forma como isso é contado é bem interessante. Na verdade, isto é um filme, é a história dentro de outra história. Bom, se eu contar muito, acabo sendo inconveniente. Gostei, achei divertida e instrutiva, principalmente para as almas jovens, e acho que deve funcionar ainda melhor para pais e mães acompanhados de filhos adolescentes.

Despertando para sonhar
Teatro do Leblon
Sala Marília Pêra
Rua Conde de Bernadotte, 26, loja 104
Tel.: 2294-0347

15.1.04

Mais uma dica de primeira para quem quer curtir boa música gastando pouco:

A Banda Quasar e minha amiga Rosane Côrrea tocarão no Bar Toque Final (Av. Ataulfo de Paiva, 900 - Leblon) sábado dia 17/01/2004 a partir das 22:00h.

Rosane tem uma voz doce e delicada e uma interpretação sempre acertada.

Além disso, não tem consumação mínima.
Quem consumir fica isento do couvert de R$10,00.

14.1.04

Aquele tipo de gente que vai comprar CD da Rita Lee e do Lulu Santos e leva do Nirvana e do D2, também recebe e-mails desta natureza do próprio dentista, que faz parte da banda:

HUSBAND
Dany - Vocal
Marcelo Vidal- Guitarra base
Márcio- Guitarra solo
Edinho- Baixo
Marcelo Miranda-Bateria


Quem não conseguiu enfrentar a fila do bondinho para os Noites Cariocas, não teve coragem de ir até o Rio Centro enfrentar a galera do Hip Hop e ta sem grana pra ir ao show do Iron Maiden.

Dia 18, Domingo das 20:30hs as 23:30hs no quiosque DRINK- CAFÉ no Parque dos Patins na Lagoa Rodrigo de Freitas ao lado do estacionamento, agora sem o caos da arvore de natal, a HUSBAND vai tocar muito rock'n'roll nacional e internacional.

Como nem tudo é perfeito...se chover não rola.


Veja fotos da banda
Já tinha recebido este teste por e-mail antes, mas como já tinha esquecido como era fiz de novo. E já está virando praticamente uma tradição reproduzir por aqui os e-mails que recebo da preciosíssima Meca.

Teste de Prioridades

Cinco coisas acontecem simultaneamente as quais precisam ser atendidas:

1. O telefone está tocando.
2. O bebê está chorando.
3. Alguém bate na porta da frente.
4. Há roupa lavada pendurada no varal do quintal e começa a chover.
5. A torneira da cozinha está aberta e jorrando água.

Em que ordem você resolve os problemas? Anote sua ordem, e veja abaixo como você tomou sua decisão. Cada situação representa algo em sua vida. Não trapaceie o teste olhando as conclusões antes de respondê-lo! Ilumine o trecho que parece estar em branco abaixo.

[Ilumine daqui]
1. O telefone representa ............ (seu trabalho ou carreira).
2. O bebe representa ................ (sua família).
3. A visita representa ............ (seus amigos).
4. A roupa lavada representa ........ (sua vida sexual).
5. A água corrente representa ...... (dinheiro ou riqueza).

[Até aqui]

O resultado te fez pensar ?...
Bateu com as suas prioridades?...
A roupa do varal molhou toda, né?...
Escrevi isso no século passado, quando tinha a idade do título. Reproduzo aqui para ela:

19 anos


São tantas as perguntas que ficam ecoando na nossa cabeça sem resposta. E se multiplicam e se adicionam e se entrelaçam e ficam cada vez mais complexas.

Será que a gente está batalhando pela coisa certa? Será que a gente está do lado certo da batalha? Quem são os nossos aliados? Quem são os nossos inimigos?

Na hora que a gente encosta a cabeça no travesseiro elas falam mais alto! Gritam mesmo. Até se misturarem aos sonhos e ficam mais confusas no dia seguinte. Não dá para dizer exatamente qual é o problema, mas a gente sabe que ele existe.

A gente fica procurando a essência, a nossa essência, o início de tudo. É duro ver que muito se perdeu e se confundiu com a poeira da estrada. Será que isso é amadurecer? Aí, a gente se sente culpado porque não é mais adolescente e não é mais tempo de vacilar na hora das decisões.

Mas o que fazer se o mundo nos abre tantas portas para caminhos que seguem em direções tão diferentes?

Não dá mais para parar para chorar e aquelas velhas amizades do tempo de colégio não têm mais tempo para ouvir os seus problemas.

Cada um tem seus próprios problemas e agora a palavra amizade tem outro significado. A gente é arrancado de onde sempre foi e jogado na vida, mais isso é opção e tudo o que se podia almejar.

Ser independente e livre tem o seu preço.

Ser livre é também ser só, porque a liberdade machuca quem não a tem e essas pessoas ainda são influentes na opinião de quem nos cerca aqui fora e, porque não dizer, em nós mesmos.

O segredo, acho, é não ceder um palmo sequer do que se é, porque quando você cede um pouco para se adaptar, te cobram mais e mais. E cá estou, buscando a mim mesma, nas folhas em branco de um caderno velho, sem ter alguém com quem dividir.

Por que é tão difícil ser feliz? Esse deveria ser um direito de todos.

Sinto falta, muita falta dessa pessoa para compartilhar alegrias e tristezas e fica cada vez mais difícil porque a cada bofetão eu me fecho mais e acredito menos nas pessoas.

E se por acaso um amigo estiver cara a cara comigo, já não sei se serei capaz de reconhecê-lo.

***********

E apesar de eu ter lido dia desses que os sábios procuram aprender e os ignorantes tentam ensinar, só queria complementar este texto antigo dizendo que essa história está tendo um final, ou melhor, desdobramento feliz.
O Vulcão e a Angústia Existencial



O Grito
Edward Munch
1893


As coisas, muitas vezes, tem explicações ao mesmo tempo simples e fascinantes. E quando assim o é, depois que descobrimos a verdade pensamos no tempo que nos detivemos em elocubrações e como podemos ser criativos para tentar adivinhar intenções alheias, freqüentemente projetando muito de nós mesmos.

Penso nisso quando acho um recorte de jornal. Manias todos temos. Alguns muitas, outros apenas selecionadíssimas esquisitices. Estou entre aqueles que tem várias. Uma delas é recortar dos jornais artigos e matérias que não tive tempo para ler no dia em que foram publicadas, mas que acho que vão me interessar. Em minha defesa tenho o fato de que recorto jornais e revista também por motivos profissionais, mas nem sempre. Este recorte, cuja data não anotei, não tem nada a ver com trabalho. Fui fisgada pelo título "Ciência desvenda quadro de Munch".

Foi lá que fiquei sabendo que a revista Sky and Telescope publicou um artigo onde identificava o local exato na Noruega onde Munch estava caminhando quando viu o céu vermelho-sangue. Ainda segundo o tal artigo, também foi dada a explicação para esta excepcional cor. Segundo professores de física e astronomia da Universidade do Texas detritos expelidos na atmosfera pela erupção do vulcão Krakatoa, em Java, criaram crepúsculos vermelho-vivo na Europa entre novembro de 1883 e fevereiro de 1884. Munch teria se inspirado nesses creprúsculos ao pintar seu famoso quadro.

Com a determinação do local retratado na pintura, sabe-se que Munch olhava para o sudoeste, direção em que os crepúsculos de Krakatoa apareceram.

A notícia é velha, mas só li agora. Mas não é tarde para achar lindo, simples e sensacional, não?

12.1.04

O primeiro tique nas intenções de ano novo a gente não esquece.
Deve haver algo de muito errado com alguém que entra numa loja para comprar os novos CD's da Rita Lee e do Lulu Santos e acaba voltando com um do Nirvana, outro do D2 e uma vontade danada de conseguir o do Seu Jorge.