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14.7.04

Quero o segundo volume do livro A Casa da Mãe Joana de Reinaldo Pimenta.

Mas nem tenho coragem de entrar numa livraria com a pilha de livros que se acumulam na minha cabeceira aguardando sua vez de serem lidos.

Esta é mais uma prova de que eu precisava de uma daquelas férias em lugar ermo e silencioso, bom pra fazer nada, quer dizer, só ler e/ou namorar. E comer muito. E voltar depois de uma semana, morrendo de saudade de todas as facilidades da vida moderna e caçando uma boa dieta que compre nossa indulgência. Ah, queria mesmo.

Aliás, ando querendo um monte de coisas ultimamente, sabe?

Será que isso é bom?

Tem uma frase que eu li outro dia que ainda está flutuando aqui na cachola e diz mais ou menos que "Bom é ter esperanças, não expectativas."

Eis a história da minha vida nos últimos dias:



Ou Isto ou Aquilo
(Cecília Meireles)

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Além de poeta e benfeitora, pioneira e rebelde, sobretudo o melhor colo do mundo, minha avó adorava jardinagem. Quando ela faleceu, minha mãe com três crianças ainda pequenas e trabalhando fora fez o melhor que pôde para manter suas plantas. Nas últimas décadas, regou, podou, transferiu de vasos, plantou mudas...

Outro dia trouxe da casa da minha mãe vasinhos com mudas de antúrio e flor de maio, originários dos canteiros da vovó. E tanto quanto a cópia de seu caderno de poesias, essas plantas fazem, agora, parte dos meus tesouros.

Hoje logo que acordei, vi a primeira flor aberta no meu Zigocactus e pensei, como sempre, na minha fonte e referência de amor inesgotável, que me fez ser tão exigente nos meus parâmetros sobre o que é ser amada, e nessa crônica do Rubem Braga, que é a minha favorita.



FLOR DE MAIO

(Rubem Braga)

Entre tantas notícias do jornal - o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro
com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés - há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais
publicaram.

Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta dágua, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a
administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonema a dar, providências a tomar. Agora já desce a
noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol - ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e
choram gotas e flores no chão.

Suspiro e digo comigo mesmo - que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a
notícia ficará no que foi - um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer
uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e
então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem
outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém - uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que
tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão
gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-de-maio" - talvez com a mulher e
as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia
inteiro da cdade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que
vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser
salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.

13.7.04

Eu fui ao Anima Mundi no sábado e no domingo, no Odeon para ver animações infantis com o filhote e Ricardo, mas acho que fui eu quem mais se divertiu. Bem, foi páreo duro. O programa agradou porque foi de ótima qualidade. No sábado ainda demos uma esticada até o Centro Cultural dos Correiros para brincar com as técnicas de animação. Com ajuda do moleque, que já tinha experiência acumulada do último ano, fiz meu primeiro filme (um curtíssima-metragem de animação com massinha). Convites para a première estarão disponíveis em breve.

Foi lá que fiquei sabendo de uma coisa que todo mundo já deve saber, mas achei que valia a pena mencionar, já que sempre pode ter alguém, como eu, desembarcando agora de Vênus. É o seguinte:


EDUCAÇÃO A 24 QUADROS
Uma aula diferente

Sessões especiais com filmes do mundo inteiro.
Não deixe sua escola perder essa!

Filmes para todas as idades.
Sessões seguidas de debates, atividades lúdicas e visitas guiadas aos bastidores do cinema.


Alguns filmes oferecidos:

Narradores de Javé, de Eliane Caffé
Cidade de Deus, de Fernando Meirelles
Diários da Motocicleta, de Walter Salles
As Bicicletas de Belleville, de Sylvain Chomet
Aventuras com Tio Maneco, de Flávio Migliaccio
Buena Vista Social Club, de Wim Wanders
Memórias Póstumas, de André Klotzel
A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyasaki
Ônibus 174, de José Padilha
Adeus, Lênin!, de Wolfgang Becker
Promessas de um Novo Mundo, de Justine Shapiro, B. Z. Goldberg e Carlos Bolado
Tainá, Uma Aventura na Amazônia, de Tania Lamarca e Sergio Bloch
entre outros lançamentos e clássicos

PROFESSOR VAI DE GRAÇA AO CINEMA
Sessões gratuitas para professores, acompanhadas de debate.



Informações
tel.: 21 2539-6142
e-mail: oce@estacaovirtual.com

www.estacaovirtual.com

12.7.04

Programa super legal e diferente!!!
E de graça!



João Gabriel Alves se apresentará tocando piano na próxima quinta-feira, dia 15 de julho às 18:30 h.
O recital solo será na Uni-Rio, Avenida Pasteur 436, Urca. (Sala Alberto Nepomuceno)
No programa Bach, Villa-Lobos, Mozart e Debussy.
Para quem for de ônibus tem que saltar no último ponto da Av. Pasteur. Fica pertinho da Biblioteca da Uni-Rio.

8.7.04

To be the big person


É certo que uma das (poucas) dádivas do acúmulo de anos é ganhar sabedoria. Ou pelo menos assim deveria ser. Na batata, o que acontece é que a lição se repete como um antigo disco quebrado até que se tire dela o ensinamento de que se necessita. Afinal, aprendizagem é mudança de comportamento. Se a gente continua (re)agindo da mesma forma, é porque ainda não aprendeu.

Onde uma pessoa jovem poria as mãos à cintura e perguntaria “Está pensando que eu sou idiota, é?”, uma alma maturada daria de ombro: “Que pense o que melhor lhe aprouver.” Repare que juventude e maturidade aqui tem pouco a ver com idade cronológica. Conheço velhos moços e adolescentes anciãs.

Levar o mundo à ponta de lança requer ânimo de que já não disponho. Gosto de pensar que não é preguiça, mas certa dose de generosidade. Por que seria tão importante demonstrar que tenho razão? Exponho meu ponto de vista, ouço o que há para ser dito do outro lado, analiso, assimilo ou pondero, conforme o caso. Tudo o mais fica por conta de Cronos.

A vida é professora rígida e implacável, entretanto paciente e incansável. Muitas vezes lança mão de um “monitor”, colocado em nosso caminho para dizer o que precisamos ouvir naquele momento exato. Um dos meus “monitores”, esta semana, depois de ouvir de mim algumas queixas, me olhou e disse uma única palavra: “Perdoa”.

Por mais difícil que seja, também é preciso aprender que não é possível modificar ninguém, a não ser nós mesmos e que se disso chegou-se ao limite, sempre se pode desviar a rota e evitar desastrosas colisões. Tudo é uma questão de avaliar o quanto (tempo, energia, saúde,...) se está disposto a investir para não perder uma nesga de jardim, quando o mundo pode ser seu quintal. Você se contenta com as migalhas (de atenção, poder, carinho, posses, reconhecimento...) e acha que realmente vale a pena todo o esforço que tem empenhado por elas?

Magnanimidade também pode ser abrir mão em favor de quem realmente jamais conseguirá nada além.

Desapego não é um conceito apenas material.

E os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis.

6.7.04

Sabe o que ia ser bom mesmo agora?

Pó de pirlimpimpim.

Sabe quem tem?

30.6.04

VOZinVENTO - curso gratuito no Rio


VOZinVENTO
o vento da criacao traz o canto INtenso


oficina de criacao a partir da voz e do movimento em cena,
com Suely Mesquita

O curso acontece no palco e na plateia do teatro do Espaco SESC, as 3as. e 5as. de 11 as 14hs, de 6 a 29 de julho, privilegiando exercicios praticos e aproveitando a presenca do outro durante a criacao.

LOCAL:
Espaco SESC - Rua Domingos Ferreira 160 - Copacabana

PRECO:
2kg de alimento nao perecivel

DATA E HORARIO:
3as. e 5as. de 11 as 14hs
de 6 a 29 de julho

INFORMACOES:
vozinvento@suelymesquita.com.br
espacosesc.info@sescrj.com.br
(021) 2547-0156
(021) 2548-1088 R 229 ou 255

INSCRICOES:
de 3a. a domingo, na bilheteria do teatro, das 15 as 19hs
Espaco SESC - Rua Domingos Ferreira 160 - Copacabana

29.6.04

Você sabe onde vende repelente de urubu?
Tô precisada, viu?
O Quilombo do Leblon


"Sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e empolgantes panoramas, abundante em caulim de fina qualidade para fabricação de porcelana, cortado por um riacho, sussurrante entre seixos e taiobas, com magnífica fonte de excelente água potável, com varada plantação de árvores frutíferas, das de melhor espécie, com extenso corte em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos libertatórios, era a afamada chácara - batizada sob o nome de quilombo do Leblon - benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocratas. (...) Transportando-me a tão ditosa quadra da vida lembro-me das viagens para o bendito quilombo. Saltava-se do bonde no Largo das Três Vendas (atualmente Praça Santos Dummont). Apeando uma charrete, fornecida pelo asilador dos pretos (José Seixas), carrinho que, sob a tração de reforçado burro, tomava a Rua do Sapé (atual Avenida Bartolomeu Mitre), entrava no Largo da Memória, continuava pela Rua do Pau (hoje Dias Ferreira e Ria Igarapava), e transpunha a linha divisória do quilombo do Leblon, galgando um morro que acabava na pitoresca vivenda dentro da qual a mais carinhosa recepção aguardava o feliz visitante."
(Trechos do depoimento do jornalista Brício Filho, publicado no Jornal do Brasil, em 27 de setembro de 1928)

O nome Leblon surgiu por causa de um francês, seu primeiro morador, acabou se estendendo ao quilombo e mais tarde ao bairro, hoje um dos mais conhecidos da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro.

O terreno pertencia ao fabricante de malas português José de Seixas Magalhães. Ele foi adquirido em 1881 como parte de uma dívida hipotecária na qual José Seixas era credor, e possuia uma extensão de dois milhões e setecentos mil metros quadrados. Onde existia a casa principal do quilombo, hoje fica o Clube Campestre Guanabara, na rua seu saída Alberto Rangel, 71, no Alto Leblon, um ponto, sem dúvida, estratégico, que oferecia o necessário isolamento e grande proteção natural. O território oficial do quilombo do Leblon, em síntese, era: desde a praia do Leblon até um pouco além do Clube Guanabara, chegando quase na atual Rua Timóteo da Costa e, por dentro, até a pedra Dois Irmãos.

Preconceitos e mais preconceitos


Como a princesa Isabel e as damas mais importantes enfeitassem o colo com camélias abolicionistas, os inimigos do regime logo afetaram grande escândalo moral, tentando assim ganhar a simpatia dos escravocratas. Silva Jardim, por exemplo, bate forte na tecla dos bons costumes: "(...) homens sérios querem ser seriamente representados, e não por quarentonas que desconhecem a própria idade, o próprio sexo, a própria posição... Batalha de flores! Cuidado, Senhora! que estas flores não se vos tornem demasiado encarnadas, que elas se não vos tornem vermelhas!"


Um achado


O Museu do Negro está situado no conjunto arquitetônico do século XVIII na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, fundada pelos alforriados e escravos, e que tem profundos vínculos com fatos históricos da vida desta cidade.

O museu foi tombado em 1937 reunindo instrumentos da escravidão, móveis, documentos, estandartes, bandeiras abolicionistas, livros, fotografias de homes que se celebrizaram no campanha da abolição como: Luiz Gama, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Castro Alves, André Rebouças, Cuz e Sousa e outros.

No ano de 2000 sofreu estrutura museológica com exposições permanentes e temporárias abordando temas desde o negro arrancado de sua terra, aviltado no trabalho escravo e sofrendo discriminações até hoje na sociedade, mas preservando as tradições culturais e artísticas.

A partir de 2001 foram criados: o Setor Museu da Educação, o Museu Itinerante, o Projeto de Incentivo à Arte, a Sala de Orientação Bibliográfica e a Lojinha do Museu.

2004 - Ano Internacional da Luta Contra a Escravidão


"Esta comemoração não é apenas um ato de solidariedade histórica para com as vítimas de uma terrível injustiça e para com aqueles que combateram por sua liberdade e seus direitos, como também é um ato de reafirmação do combate ainda em curso contra toda as formas de recismo, discriminação, xenofobia, intolerância e injustiça."

(Koichiro Matsuura - Diretor Geral da UNESCO)




Não é incrível que eu tenha descoberto tudo isso num trabalho escolar do meu filho que está cursando a 3ª série?

25.6.04

Eu odeio


Caga-regras em geral;
Quem não olha o próprio rabo;
Apatia;
Flacidez de caráter;
Mentira;
Falsidade;
Traição;
Preconceito;
Mau hálito, chulé e cê-cê;
Barulho de obra;
Burrice.
Ai, ai! Pois é...


"Gente que é fogo, no mais literal que possa ser a palavra. Fogo de entusiasmo, fogo de coragem, fogo de energia e de amor. Atividade e dinamismo, emoções determinadas, sucesso social. Audácia e aventura, firme disposição para qualquer empreendimento. Inteligência, muita inteligência, capacidade de reter grande volume de conhecimentos sem despender grandes esforços. Mentalidade inquieta e ansiosa, com mostras de imaginação ativa, incrível criatividade. Lógica e poesia, comando de muitas artes. Determinação e ousadia acima de tudo. Fogosa, difícil de domar, temperamental.Tem paixões à primeira vista, 'ferve', faz loucuras. Não gosta de conquistas fáceis. Prefere conquistar a ser conquistado. Precisa do amor romântico com um pouco de risco. Geralmente elegante, bonita, a ariana tem traços marcantes, orgulhando-se da própria beleza e do seu porte altivo. Quando ama, é sincera, apaixonada e leal. Orgulhosa, não admite recusa de amor. Que me desculpe, as mulheres de outros signos, mas a ariana é um ser privilegiado da criação."
(Wanderlino Arruda)

24.6.04

TPM


Quem, nesse mundo de Deus, toca o interfone da casa de alguém com quem não tem qualquer intimidade às 08h15 da matina sem nem ao menos ligar antes? E que tipo de espírito das trevas incita uma criatura dessas a fazer isso justo no dia em que a desinfeliz aqui está em plena TPM?

Depois, (mais) uma manhã infernal com telefone tocando sem parar, pedreiro, ajudante e engenheiro entrando e saindo, demolição do outro lado do rua, criança em pré-adolescência precoce discutindo tudo ponto por ponto... Da real necessidade do banho na vida urbana moderna, passando pela ditadura do dever de casa até a quantidade adequada de creme de desembaraçar cabelo. Outras questões relevantes: “Tarefas escolares e televisão: mutuamente excludentes ou mais um paradigma a ser quebrado?”, “A existência de Deus e a necessidade de manter o quarto arrumado: teorias ainda não comprovadas cientificamente.” e “Lágrimas e outros fortes apelos dramáticos: até onde se pode ir por um capricho?”

Eu considero que nessas horas é que sai Piaget e entra Pinochet.

Mas, para mim, Deus é sábio e criou o homem, que criou o milk-shake do ovomaltine do Bob’s. Momento de abandonar o almoço dietético sem graça em casa e cair de boca nas delícias da comida desqualificada e calórica preparada por desconhecidos.

E lá se foi uma fortuna com meias para mim, cada uma de uma cor. Tudo para combinar com meu novo/velho vestido. Eu não encontrei o chapéu desfiado de festa junina que eu queria comprar pro filho.

Eu achei na locadora o filme que eu queria ver (Adeus Lenin). Mas mim achou melhor trazer também uma comédia com o Steve Martin (A Casa Caiu) para relaxar. Eu olhei pro relógio e vi que já estava na hora de correr de volta, os peões estariam de volta do almoço a qualquer instante.

Mas sempre se pode dar um toquezinho pra melhorar e mim entrou na floricultura e voltou pra casa abraçando aquele lindo arranjo de flores do campo com o girassol. A providencial caminhada acompanhada de moderado surto consumista ajudou a aliviar o peso do prato imenso que mim devorou. Eu sabia que comendo daquele jeito não ia sobrar espaço nem tempo pro ovomaltine. Mas eu prometi pra mim que ainda vai rolar.

E quanto a isso, só tranqüilidade, já que eu e mim temos isso em comum. Ambas honramos nossas palavras. E no pequeno passeio fez-se a luz. Talvez a TPM pontencialize, quem sabe o cotidiano esmagador inflame, pode ser que o problema grave e insuportável exarcebe, mas o que realmente irrita, deprime, destroi e arrasa é a contumaz quebra das promessas e compromissos.

23.6.04

O FEIJÃO, O SONHO E A VIAJANTE DO TEMPO


Ao dobrar a esquina, na calçada estreita, quase tropecei no casal de adolescentes que, de pé, debuçavam-se um sobre o outro. Ele, protetor, talvez carrasco, passava um braço sobre os ombros dela e com a outra mão enxugava suas lágrimas. Ela, sofrida, quem sabe dissimulada, apoiava de leve a cabeça no ombro dele e murmurava sua lamúria.

Lembrei daquele meu sonho que jamais se realizará e quase chorei de novo. Um dia as lágrimas para essa quimera secarão e eu também. No vagar vespertino da rua residencial, quase pude me ver sentada ali no meio-fio, com aquele vestido quadriculado que eu adorava aos 8 anos, segurando o joelho ralado e ensangüentado e tentando engolir o pranto que poderia desencadear mais uma bronca. Era a menina na cena, sua voz, mas fala era minha:

- Mas, mas, mas... (fung, fung, fung) Tenho tanto amor pra dar aqui dentro de mim.

Não gosto de pet shops nem daquelas gaiolas, com bichinhos aprisionados, mas parei diante daquela, hipnotizada pelo olhar órfão do cãozinho. Perguntei telepaticamente se ele me entendia. Ele continuou me olhando, melancólico e solitário. Achei que a vitrine era um espelho. O gato siamês no box ao lado também me olhou. Só que altivo, desafiador, seguro e firme. Achei que também aquela vitrine era um espelho.

Subi as escadas do prédio antigo, brincando de claro e escuro com suas clarabóias. No fim dos degraus, a viajante do tempo me aguardava com cheiro de feijão.

21.6.04

Aqui jaz um post que não deu certo.

Lembranças eternas e saudosas da minha paciência e do meu tempo.
A Associação Saúde Criança Renascer, fundada em 1991 pela Dra. Vera Cordeiro, é um ONG sem fins lucrativos e sem filiação política ou religiosa.

O projeto nasceu da indignação de profissionais da área de saúde pública do Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro, frente ao sofrimento a que são submetidos as crianças miseráveis e doentes lá internados.

O objetivo da Associação é quabrar o ciclo vicioso:

"Miséria - Doença - Internação - Reinternação - Morte"

Nesses anos todos, o Saúde Criança Renascer já ajudou na recuperação e amparo de cerca de 4.000 crianças e 1.200 famílias. Eles doam medicamentos, alimentos, material de construção e intrumentos de trabalho. Também encaminham para empregos e cursos profissionalizantes, além de promover palestras sobre saúde para as mães em atendimento.

Sua missão é auxiliar, em conjunto com setores da sociedade civil, crianças e suas famílias, oriundas do Hospital da Lagoa, quebrando o ciclo vicioso e criando bases para a melhoria biopsicossocial e auto-sustentação.

A visão do grupo é transformarem-se em um centro de referência que permita a multiplicação do modelo atual, fornecendo serviços de alta qualidade e alto impacto na saúde de crianças e adolescentes. Montar uma instituição semelhante perto de cada hospital público do país.

COMO PARTICIPAR

Seja sócio:
Você colabora periodicamente com o Saúde Criança Renascer (via ficha de inscrição ou ppor telefone)

Apadrinhe uma criança:
Doe mensalmente 1 cesta de alimentos e/ou medicamentos durante 6 meses.

Doe ou arrecade:
Alimentos, roupas, brinquedos, material escolar, colchões, filtro d'água, fraldas descartáveis, etc.

Doe serviços:
Vagas em creches e escolas, empregos para adolescentes para adolescentes e pais, trabalho para diaristas, etc.

Seja voluntário:
Dedique seu tempo livre ao trabalho.

Divulgue o Projeto Saúde Criança Renascer:
Quanto mais pessoas souberem, maior participação eles terão.


Para saber mais e doar:

www.saude-crianca.org.br
renascer@montreal.com.br
renascer@saude-crianca.org.br

R. Jardim Botânico, 414
Parque Lage - Jardim Botânico
Rio de Janeiro - RJ
CEP 22461-000

Tel. (21) 2286-9654 / 2286-9988
Final de semana agitado e feliz.

Entre as diversas pequenas tarefas do sábado pela manhã, tínhamos que comprar algumas roupas de inverno para o Pedro. Aqui vai uma dica "di grátis" para quem trabalha no ramo de confecções: durante toda semana procurei em diversas lojas de rua e de shopping e não achei roupas para menino de 8 anos alto e robusto; quem investir nesse filão fica rico. Calça de moleton só consegui encontrar nas Lojas Americanas depois de bater muita perna, ter desistido e encomendado sob medida. Pijamas: impossível! Só uma loja tinha tamanho 12, mas ele disse que pijamas com figura do Tigrão ele não usava nem que a vaca tossisse. Pois é, ainda tem isso, a pré-adolescência precoce. Outro dia ele queria levar um jogo pra escola e eu peguei a primeira sacola que encontrei e coloquei o tal jogo dentro. Ele veio cheio de dedos: "Mãe, sua sacola é bonita, mas desculpa dizer, se eu aparecer com essa sacola na escola vão me zoar. Sacolinha rosa com florzinha não dá, né, mã?." Ó, céus!

Também fomos ao alfaiate. Eu queria recuperar um vestido pretinho que desmontei pra consertar e não consegui remontar. É uma coisa até trivial, não fosse o alfaiate ser uma das pessoas ainda vivas com números de campo de concentração nazista tatuado no punho e a pessoa que ele amavelmente me indicou para realizar o serviço. A costureira parece saída de um túnel do tempo: sua casa, seu cachorro, seu estúdio, suas maneiras, seu vocabulário, seu descompromisso com horários. O papo rende sem pressa, ela liga em horários inusitados para perguntar coisas sem importância. Uma figura folclórica. Tomara que o vestido fique bom.

Mas o evento do sábado foi mesmo o aniversário dos petizes da Lu. Como eles crescem rápido! Como são lindos! Tão adoráveis! Meu Pedro, que finalmente os conheceu depois de algumas tentativas frustradas, ficou encantado com os novos amiguinhos. Ele adorou a festa e as brincadeiras e nós ficamos muito felizes por termos sido convidados a participar de um momento tão alegre e rever a Lu, tão querida.

Domingão teve matinê de Shrek 2. Eu estava esperando um bom filme, mas assistia a um ótimo filme. Além de toda a graça dos protagonistas e da fuga das fórmulas esquemáticas dos contos de fadas, ainda traz diversas referências cinematográficas, que são deliciosas também para os pais.

E fomos tão cedo ao cinema porque de tarde tínhamos planos de ir ao Roça in Rio no Jockey. Foi muito bom. Um casal de amigos com 2 filhos nos acompanhou. Adoro festa junina, adoro comida, brincadeiras e roupas típicas e adoro uma badalação moderada. Tinha tudo isso e mais. Rolou show de pop rock satírico com uma banda chamada Parabrisas do Fracasso, e um bom show com o Reggae B (Bi Ribeiro, George Kid Abelha Israel, João Fera e outros grandes músicos) que acabamos não vendo até o final porque o moleque já estava cansado. Teve observação de celebridade também. A mulherada fez fila pra tirar foto com o bombeirão, aquele. O Bernard do vôlei ficou só dando entrevista com a tocha apagada na mão. As mulheres queriam mesmo era a mangueira. Mas o mais divertido foi na hora de vir embora. A gente saiu perseguindo o Sidney Magal.

A história começou há alguns dias quando Ricardo viu a Rosi Campos beijando o cantor em Da Cor do Pecado. Ele disse que a atriz deveria ser muito grande, porque já tinha visto o Magal de pertinho e que era muito maior que ele. Meu marido não é exatamente baixinho e eu disse que tudo bem, a Rosi é grande, mas que eu achava que devia ser porque na época bagaceira ele usava salto. Quando vi o moço pedi pro Ricardo ir se aproximando pra eu conferir se havia uma diferença tão grande assim de altura. Só que na hora em que a gente conseguiu se aproximar ele saiu descendo uma rampa. E lá fomos atrás, perseguindo disfarçadamente pro sujeito não notar. Isso durou um tempo, até que consegui fazer a verificação? Magal é mais alto uns dois dedos. Portanto a Rosi ou atua sobre um banquinho ou dá duas de mim, que tenho 1,78 m.

E aqui mais uma dica de negócios gratuita. Se você pensa em investir no ramo de alimentação, não hesite. Pastéis são ótima pedida. A fila para a barraquinha do pastel eram bem grandes, mas ela estava, no máximo, em terceiro lugar. Na segunda posição, o cachorro-quente não fez feio e já era uma pista para a vedete do gosto popular. A barraquinha campeã tinha aquela fila imensa que fez a gente duvidar que as pessoas estavam realmente pagando pela iguaria. Tamanha fila, só para refeição gratuita. Mas não. Esta é a indicação definitiva e passo pra você de bandeja: invista tudo em salsichão!

19.6.04

CHICO BUARQUE

60 ANOS




A Banda e não outra entre tantas lindezas emoldura este meu registro sobre Chico Buarque porque minha mãe conta que era a música que tocava quando ela foi para o maternidade, no dia do meu nascimento.

Mais que trilha sonora para minha chegada nesta terra, mais que um ídolo, Chico Buarque é uma espécie de pai, que acompanhou todo o meu desenvolvimento e toda a minha educação musical, política, emocional e amorosa. Até sobre ser mulher aprendi muito com ele.

A bênção, Chico.

Parabéns, Chico.

Muito, muito obrigada, Chico.

17.6.04

Entre o riso e a lágrima há apenas o nariz.
Millôr Fernandes

Velho abandonado não foi moço ajuizado.
Provérbio brasileiro

A vida é um circo gratuito: basta você prestar atenção.
Bill Copeland

Nada dura, mas muda.
Heráclito

Sob um bom governo, deveríamos nos envergonhar da pobreza; sob um mau governo, da riqueza.
Confúcio

Os perfeccionistas nunca são perfeitamente felizes.
Anônimo

O passado é o futuro usado.
Millôr Fernandes

Se você não sabe para onde vai, é provável que chegue lá.

Anônimo
As três peneiras


Um rapaz procurou Sócrates e disse que precisava contar-lhe algo.

Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras?

- Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer aí mesmo. Suponhamos então que seja verdade.

Deve então passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?

Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta e, arremata Sócrates:

-Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu irmão nos beneficiaremos. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.



O problema com a maldição de Cassandra é que também me caem no colo certas informações que eu não desejo e pelas quais não procuro. O pior é quando você sabe que, mesmo que a sua intenção seja das melhores, a pessoa que precisaria desses dados, se ouvisse de você, não acreditaria e ainda lhe imputaria maldade.

Fico em silêncio e torço que não me deixem ver o sofrimento da pessoa quando souber a verdade. Talvez seja melhor caminhar assim mesmo, às cegas, tateando a realidade, sentindo-a penetrar em seus ossos, mas sem coragem para abrir os olhos e encará-la. Se não há nada que eu possa fazer para minimizar sua dor, por que estou em seu caminho? Não quero mais testemunhar desastres que prevejo, mas não posso evitar.