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28.10.04

Entre os meus hábitos, não incluo o de ler matérias e entrevistas com “famosos quem?”, cujos feitos e relevâncias nacionais e internacionais incluem “exatamente o quê?”. A revista Veja anda especializando-se neste tipo de coisa, destacadamente nas suas páginas amarelas. Aliás, para ser fiel à verdade, devo revelar que gosto cada vez menos daquele periódico e é cada vez menor o número de artigos que decido ler ali.

Foi assim que passei por cima da entrevista da tal Mônica Dallari. Pensei que se tratava apenas das cobras e lagartos proferidos por uma mulher que se sente extremamente ameaçada pela ex-esposa mãe dos filhos do namorado. Então veio a avalanche de comentários de todas as partes, de rodas de amigos a colunas dos jornais. Diziam que as declarações da morena poderiam abalar ainda mais a candidatura de Marta Suplicy a novo mandato na Prefeitura de São Paulo.

Depois que Maluf foi protagonista de mais um de seus escândalos assim que decidiu associar seu nome ao de Mme. Favre (e ela topou!) e que o chefe da campanha pela re-eleição foi preso numa rinha de galos, era só o que faltava. Resolvi romper com minha birra e sentei com a revista sobre os joelhos para conferir o que havia de tão bombástico ali.

Sinceramente, não vi nada de mais. Era precisamente o que eu tinha imaginado. O povo gosta mesmo de uma fofoca. Uma boa baixaria, um barraco, uma lavação pública de roupa suja é a glória pra muita gente. O pior é que esse tipo de coisa infelizmente pode chegar a grandes proporções e mudar a história. Não creio que essa dona Ih-esqueci-o-nome-dela vá de fato abalar. Tem terra muito mais pesada para enterrar as aspirações de Marta que, se perder a disputa, vai ser embaixadora do Brasil em Paris. Não acho que seja exatamente uma situação que mereça ser chamada de penosa. Mas conseguir dar sua contribuição de alguma forma, por menor que seja, pra empurrar uma ex poderosíssima para fora país, bem longe do seu pretendido, pode ser o episódio mais importante da vida daquela lá. Minha opinião sobre o conteúdo da entrevista: despeito muitíssimo mal disfarçado, aquele tipo de assunto que não deveria sair das páginas da revista Contigo.

Outro dia li na coluna do Roberto Pompeu de Toledo – e talvez ele seja um dos últimos motivos para eu não cancelar definitivamente minha assinatura da Veja – que há uma nova versão sobre a morte de Getúlio Vargas que indica que tudo começou com uma questão de alcova. Já é tido como mais ou menos certo o enredo que diz que a nora de Getúlio expulsa do país não era propriamente uma espiã alemã, como se conta na história oficial. Ela, que ainda está viva e é pintora em Nova York, teria sido pega na cama com outra mulher. Como era mais digerível a primeira opção que a segunda, lá está ela nos livros como nazista. Lacerda teria descoberto tudo e estava perigando publicar toda a verdade. Daí o corno teria encomendado o crime da Rua Tonelero, então blábláblá, até o suicídio de Vargas.

E antes que alguém venha com uma aquelas frases que eu detesto, como “só no Brasil” ou “brasileiro é assim mesmo”, tenho algumas palavrinhas a dizer: Clinton e Lady Di.

Pelo menos aprendi minha lição. Quando meu instinto me disser que não vale a pena perder meu tempo lendo alguma coisa, devo ouvi-lo.
Incrível!
Fantástico!
Extraordinário!
Assim como tinha ido pras Cucuias, meu blog, de forma igualmente misteriosa, volta a funcionar.
There is a God!
Vamos chegando de volta, meu povo, que agora é só alegria!
será?

10.9.04

A empresa com a qual trabalho, que está há 20 anos no mercado e presente em mais de 30 países, está realizando no mês de setembro alguns eventos super interessantes, abordando tópicos relacionados com os produtos que comercializa, numa indústria que movimenta bilhões de dólares por ano ao redor do mundo e desconhece a palavra crise.

Também serão tratados assuntos como negócios, empregabilidade e tendências de mercado. É uma excelente oportunidade para se conhecer assuntos do interesse de todos, firmar parcerias e realizar negócios.

Esses eventos ocorrerão nos estados de RJ, SP, PR e SC com entrada gratuita, para convidados.

Se você tiver interesse em participar, me mande um e-mail que passo os detalhes.

1.9.04

O difícil diálogo das gerações


É comum ver pessoas reclamando que as crianças vêm sem manual. Elas se esquecem dos idosos, principalmente os que não são nossos, mas contraídos nas núpcias. Se formos estabelecer comparação, com os pequenos é até fácil conciliar o trabalho em casa. Como os recém-chegados a este mundo não têm idéias pré-concebidas sobre local de trabalho ou sobre o gênero de quem deve garantir a entrada de dinheiro na conta corrente, não acham que o fato de você passar a tarde em casa e fora da cozinha significa ócio e disponibilidade. Além disso, por alguma razão, os pequenos são mais sensíveis a uma folha de papel, alguns lápis de cor e a frase “Faz um desenho bem bonito pra mim”. Também costumam reagir melhor quando a gente sugere que assistam a Shrek pela trigésima nona vez.

O diálogo abaixo é típico em um dia que você está cheio de trabalho. Você está sentado ao computador desde cedo dando duro. O representante da terceira idade que lhe cabe nesse latifúndio chega da rua.

- Bom dia!
- Bom dia!
- Alguém morreu.
- O quê?
- Tem um cartaz no elevador avisando da morte de alguém?
- É? Quem?
- Não sei.
- Ah!
- Quer dizer, o nome está lá, mas eu esqueci.
- Deve ser o seu Oswaldo. Ele teve um derrame e caiu na garagem outro dia. Falei com a filha dele na portaria anteontem e ela disse que não tinha muita esperança.
- Ah, deve ser esse mesmo. Era aquele gordo, né?
- Não ele era magro.
- Então não sei quem é.
- Pois é, deve ter sido seu Oswaldo mesmo. Mas não vou poder ir ao sepultamento porque estou muito ocupada hoje, cheia de trabalho pra entregar.
- Mas como é que ele era?
- Era um senhor moreno que ficava sempre ali pela garagem.
- Ah! Aquele que tem duas filhas moças?
- Não, aquele é seu Zé. E ele ainda é jovem. A filha me falou que seu Oswaldo ia completar 80 anos agora em setembro.
- Então não era tão velho assim.
- Ahn!? Ah, sim. Não era tão velho.
- Deve ter sido por ele ser gordo.
- Ele não era gordo. O gordo é o português.
- Ah, é. Mas é uma pena, né? Deixar mulher e duas filhas tão novinhas ainda.
- O que tem as duas filhas é o seu Zé, é outro.
- Mas você não falou que era o que ficava na garagem.
- Falei, mas acho que foi o seu Oswaldo que morreu, o mais velho, o que já ia fazer 80 anos.
- Mas você não disse que ele ainda era novo?
- Ahn!? Ah, é. Pois é.
- E quem colocou o anúncio no elevador?
- Não sei. Deve ter sido a filha dele.
- Tem um erro de ortografia nele.
- Coitada, deve estar abalada, né? Nessas horas essas coisas escapam.
- Imperdoável.
- Então tá.
- Você vai ao enterro?
- Não, tenho muito trabalho hoje. Já estou atrasada. Dá licença.
- Você conhecia bem o falecido?
- Não muito.
- Deve ter sido por causa da bebida né?
- Bebida!?
- É, toda vez que eu passava ali na esquina ele estava no bar bebendo.
- Não! Aquele é o português gordo, que... [Ai, meu Deus!] É, tá bom, deve ter sido.
- Será que na hora que estava bebendo, não pensava na mulher e nas duas filhas?
- Um-hum...
- Deve ter sido por isso que tem um erro ortográfico no anúncio do elevador. As filhas devem ter estudado em escolas horríveis enquanto ele gastava todo o dinheiro da família enchendo a cara no botequim.
- Tá bom, me dá licença agora. Preciso terminar este trabalho.
- Ele teve o derrame e caiu na garagem?
- Foi.
- Deve ter caído de bêbado, isso sim. E depois é que teve o derrame.
- [Oh, senhor!] Anh-hã! Olha, preciso terminar isso aqui e...
- E deve ter ficado lá um tempão sem ninguém socorrer porque todo mundo sabia que ele bebia e pensou que fosse só mais um pileque.
- Na verdade ele foi atendido na hora, porque a porteira estava conversando com ele quando ele caiu e chamou a filha que o botou no carro e levou pro hospital.
- Mas aquela menina tão novinha já dirige? E como é que conseguiram levantar e colocar aquele homem gordo dentro do carro?
- A filha do seu Oswaldo não é novinha. Ela tem um filho adulto. E o gordo é o outro... Olha, quer saber? Não sei. Aliás, nem sei se foi mesmo o seu Oswaldo que morreu. [Respira. Conta até dez.] Olha só. Estou cheia de trabalho, não dá pra continuar agora. Depois a gente conversa mais, tá?
- Tá. Tá bom, tá bom! Já vou deixar você em paz. Não vou mais incomodar. Pode deixar. Não precisa se incomodar.
- Obrigada.
- Mas já contei que tem um anúncio fúnebre no elevador?

23.8.04

"Se queres mel, não dê pontapés na colméia".
Provérbio popular
"Nem ataque cardíaco acontece de súbito. São necessários anos de preparação. Existem duas opções na vida: resignar-se ou indignar-se. E eu não vou me resignar nunca."

DARCY RIBEIRO

Por favor, leiam a coluna da Lya Luft na Veja desta semana!

17.8.04

Os posts estão se acumulando sem que eu consiga publicar. Pelo menos não estão perdido, espero.
Mais comentários sobre Pavor na Escola:

Adorei o livro do Pedro. Percebe-se que foi escrito por uma criança mas com incrível maturidade literária. As expressões onomatopéicas são um barato! A história é ótima, o mistério bem engendrado e as imagens que o texto passa ao leitor permitem que o mesmo participe intensamente da aventura.
A última capa com a foto do Pedro e seu perfil, foi uma excelente idéia.
(Neide Poyart)

Gostei muito do livro do seu Pedro e já emprestei para algumas mães aqui do pedaço que também se divertiram muito.
(Andrea Bianchi)
Post retirado para teste

12.8.04

Estou tomando um capuccino mentolado. É ruim, mas é bom.

Cheia de coisa pra fazer e pensando besteiras. Como o fato de que algumas pessoas são coisas que não aparentam, ou que não aparentam mais ou até que aparentam, mas elas adorariam poder disfarçar. Essas características estão impressas em seu perispírito.

Quer alguns exemplos?

Um gordo de alma sempre tem na bolsa uma balinha, um bombonzinho ou qualquer outro docinho sempre no diminutivo. Ninguém vai ter pra você uma recita de bolo de chocolate melhor do que a dele. Aliás, obesos de espírito são, geralmente, excelentes cozinheiros e adoram expressar seus afetos preparando quitutes para seus queridos. São os maiores consumidores do paradoxo conhecido como refrigerante light.

O gago, mesmo quando o quiquiqui está só na aura, tem as unhas roídas, os cabelos oleosos e, conseqüente ou coincidentemente, espinhas nas costas. Ele sua muito.

Um galináceo tem em seu halo luminoso as roupas que considera mais finas (isso pode variar de Armani à camisa aberta com medalão no peito) e se trata muitíssiomo bem. E exige o mesmo dos outros, embora poucas vezes esteja disposto a sequer ouvir das necessidades alheias. Dirige o carro mais caro que seu dinheiro pode comprar. Tem a mina de fé que ele freqüentemente induz a não usar maquiagem, não cortar o cabelo e se vistir com coisas parecidas com saco de estopas desde que sejam bem compridas. E ela há de vê-lo como um Amex (não sai de casa sem ele) funcionando como porto seguro quando ele está cansado, porque galiforme que é galiforme considera que figurinha repetida não completa álbum e que a fila tem que andar. Ela é uma espécime vinda de rebanho. Enquanto ela prepara o jantar dele, ele avança sobre as matilhas ou lagos onde jacaré nada de costas.

O corno - perdoem a redundância - é manso. E flácido.

11.8.04

Tomei um susto e fiquei com medo. Ainda não passou. E quase estou achando que gostei.


Nem às paredes confesso.

Daqui a pouco chega mais um grande momento dele. Está difícil conter a ansiedade do moleque. Os amiguinhos perguntam: "Você vai ficar famoso? Vai aparacer na TV? Vai ganhar dinheiro? Vai ficar rico?"


O meu destino é ser star.

Mais uma amiga deu a notícia de sua gravidez. Será que é epidemia? Não sei se me vacino ou se estou mesmo é querendo brincar de médico.


Dá-dá chupeta pro neném não chorar.

Claro o relógio de rua marcando 10ºC foi ilusão de ótica ontem no início da madrugada ao sair da Academia. Da Cachaça, é lógico.


E o inverno no Leblon é quase glacial.

6.8.04

Entre outros, este é um dos motivos para este blog andar tão relagado a segundo plano:


Convite Lancamento Livro Pedro
E claro que estou esperando você por lá.

29.7.04

Lua Azul

         A próxima lua azul acontecerá no dia 31 de Julho às 15h15min. A primeira Lua Cheia do mês foi no dia 02/07. Chama-se Lua Azul a segunda lua cheia num mesmo mês.
 
Significados
 
Pesquisadores afirmam que a expressão é usada desde o século XVI para representar uma Lua cheia especial, perigosa, onde pode acontecer o desatino e a alucinação.
Ao contrário do que o nome sugere, a Lua Azul é associada a perigos e desvario, a desafios emocionais difíceis de viver que requerem humildade e despojamento. É considerada um acontecimento de muita força magnética e poder espiritual, onde acontecem profundas purificações emocionais.
No ocidente, a Lua Azul, foi projetada como uma Lua romântica propícia ao Amor e ao Prazer.
 
Blue Moon
(Lorenz Hart/Richard Rodgers)
 
Blue moon, you saw me standing alone
Without a dream in my heart,
Without a love of my own
 
Blue moon, you knew just what I was there for
You heard me saying a prayer
For someone I really could care for
 
A Lua Azul acontece, em média, uma vez a cada dois anos e sete meses, sete vezes a cada dezenove anos e trinta e seis vezes num século. Isso se deve a que um mês terrestre tem em média 30,5 dias enquanto o mês lunar tem 29,5 dias.

Existe uma particularidade com a Lua Azul, é quando tem dois meses no mesmo ano com Lua Azul. Isto acontece se a primeira Lua Cheia cair no primeiro de janeiro,  como fevereiro tem apenas 28 dias,  as próximas duas luas cheias se repetem em março. Tal coincidência ocorre apenas quatro anos em cada século, (o próximo será só no distante 2018).

Outro tipo de Lua também chamada de Lua Azul
 
Nos calendários lunares , à lua cheia do décimo terceiro mês se lhe chama também de Lua Azul . Neste caso, da para entender o porque esta Lua Cheia pode ser especial,  já que ao ser o último ciclo de lua do ano,  deve ocorrer nele uma síntese do vivido durante todo o ano.

Ritual da Lua Azul
(Mirella Faur)
 
“Com o surgimento do calendário Juliano, no início do cristianismo, o culto à Lua Azul passou a ser reprimido por ser considerado uma exacerbação da simbologia lunar, do poder feminino e do culto às Deusas, assuntos perseguidos e proibidos. Mesmo assim, permaneceu sua aura romântica e poética e a Lua Azul passou a ser associada à crença de que era propícia ao romance e ao encontro de parceiros. Surgiu o termo inglês blue moon, significando algo muito raro, impossível, dando origem a inúmeras músicas e poemas melancólicos ou esperançosos”.

Na Mitologia Celta, esta Lua favorece o contato com o Reino Encantado dos seres da natureza. Invocam-se as Rainhas das Fadas – Aeval, Aine, Aynia, Bri, Creide, Mah e Sin – e empreendem-se viagens reais ou imaginárias para as “Sidhe”, as colinas encantadas, morada do “Little People”, o Povo Pequeno.

Para agradar as Fadas, os Celtas cultivavam perto de suas casas suas plantas preferidas – calêndulas, verbenas, violetas, prímulas, e tomilho – e deixavam oferendas de mel, leite, manteiga, pão, e cristais nas clareiras onde os círculos de cogumelos denotavam sua presença. Para favorecer a “visão”, abrindo a percepção psíquica, usava-se Artemísia, em chá ou em infusões para banhos, suco de samambaias ou orvalho passado nas pálpebras, saches de mil folhas e hipericão, invocações mágicas adequadas.

A Lua Azul é regida pela Matriarca da 13 Lunação . Ela é “aquela que se torna a visão”, a guardiã de todos os ciclos de transformação, a mãe das mudanças. Esta Matriarca nos ensina a importância de seguir nosso caminho sem nos deixar desviar por ilusões que possam vir a interferir em nossas visões. Cada vez que nos transformamos, realizando nossas visões, uma nova pespectiva e compreensão se abre, permitindo-nos alcançar outro nível na eterna espiral da evolução do espírito. A última visão a ser alcançada é a decisão de simplesmente SER. Sendo tudo e sendo nada, eliminamos os rótulos e definições que limitam nossa plenitude.

Para criar uma atmosfera adequada a uma celebração da Lua Azul, use velas e roupas azuis. Prepare água lunarizada expondo garrafas de vidro azul, cheias de água, aos raios lunares. Prepare “travesseiros dos sonhos” enchendo uma fronha de tecido azul com flores de sabugueiro, lavanda ou alfazema, hipericão, folhas de artemísia e sálvia. Imante cristais e pedras azuis como o topázio azul, a safira, o berilo, a água-marinha, o lápiz-lazuli ou a sodalita. Usando músicas com sons da natureza, como pios de corujas, cantos de baleias ou uivos de lobos, permita que sua criatividade e intuição levem-no/a ao Reino das Fadas ou ao encontro das Deusas Lunares. Olhe fixamente para a Lua, eleve seus braços e “puxe” a luz da Lua para sua testa, seu coração e seu ventre.

Conecte-se, em seguida, à Matriarca, pedindo-lhe orientação sobre as mudanças necessárias para alcançar uma real transformação.

Permaneça, depois, em silêncio e ouça as mensagens e respostas ecoando em sua mente ou alegrando seu coração.”

A Lua
(Fernando Pessoa)
 
A Lua (dizem os Ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.
E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.
Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua(dizem os Ingleses)
É azul de quando em quando .
(resumido e adaptado de um e-mail recebido indicando hectorastrologia@globo.com como autor(a) do texto original)

28.7.04

Recebida por e-mail:

A ROSA E A COUVE-FLOR
 
Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:

- Que petulância, se chamar de flor!Veja sua pele áspera e a minha, lisa e sedosa.Veja seu cheiro desagradável e meu perfume, sensual e envolvente.Veja seu corpo grosseiro e o meu, delgado e elegante...Eu, sim, sou uma flor!!!

E a couve-flor respondeu:

- É...mas ninguém te come.

Moral da História:De que vale ser bonita se não for gostosa?

26.7.04

Meu colega do Levanta, Rio , o professor Antônio Argenor está promovendo um curso que é a cara de quem ama esta maltratada e linda cidade.


"Caminhos da Arquitetura e do Urbanismo Carioca": (Re) conhecendo o Rio a pé.

Local: Espaço Cultural da Livraria e Editora Renovar Rua Visconde de Pirajá, 273 - A - Ipanema
Tel: 2287 4080 / Fax: 2287 4888 e-mail: livrariaipanema@editorarenovar.com.br
Horário: Terças-feiras das 9:30 hs ao 12:00 hs
Início: 17 de agosto de 2004 - R$ 140,00
Duração: de agosto a outubro de 2004
Informações e inscrições - Tel: (21) 9304 2645

O Curso:
Programa de aulas expositivas que pretendem iniciar os alunos em estudos que abordem os processos de fundação, desenvolvimento e consolidação da cidade do Rio de Janeiro. Ao longo do curso e durante as aulas serão elaborados alguns Roteiros Temáticos que ocorrerão em visitas guiadas pelo professor aos principais espaços públicos, monumentos e arquiteturas da cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo de (re) conhecer os diversos e mais significativos momentos históricos da evolução urbana da cidade, desde a época da sua fundação no século XVI até o século XX. As visitas serão a pé e em grupos de aproximadamente 20 pessoas para cada um dos roteiros a serem cumpridos.

Professor: Antônio Agenor de Melo Barbosa Arquiteto e Urbanista e Mestre em Urbanismo (Fau-UFRJ)

Rio antigo, / Rio eterno, / Rio-oceano, / Rio amigo, / O governo vai-se? Vá-se! / tu ficarás, e eu contigo.
Canção do Fico - Carlos Drummond de Andrade

OBS: Aos 15 primeiros alunos que efetuarem a inscrição serão concedidos descontos e promoções em diversos livros que abordam os temas do curso.


23.7.04

Li esta frase hoje e fiquei pensando: será?

"A boca fala do que o coração está cheio e os olhos vêem o que estamos buscando."
 
Ai-ai...

22.7.04

Impressões sobre Dogville

 
Li em tudo quanto era canto, todo mundo já tinha dito que era maravilhoso, mas só ontem consegui assistir a Dogville. E achei muito mais interessante e instigante do que qualquer coisa que eu tivesse lidou ou ouvido a respeito do filme de Lars von Trier.

Sim, o cenário, ou melhor, a falta dele é provocante e talvez esconda uma metáfora quanto a promiscuidade e falta de privacidade da vida em pequenas cidades. E tem câmera na mão, o que pode ser enervante. E mais uma série de outras coisas que podem ser comentadas sobre técnicas de cinema. O problema é que eu adoro cinema, mas não sou profissional da área. Sou daquele tipo de pessoa que, na verdade, se envolve realmente com a história e só depois que o filme acaba, se houver algo realmente marcante, como nesse caso, o não-cenário, é que me dou conta. Gosto de histórias.

E esse filme, parece, é sobre arrogância, muito mais do que sobre manipulação. Só que não a arrogância que surge imediatamente em nossas cabeças quando pensamos na palavra, mas outra, bem mais sutil e talvez destrutiva.

(Se você ainda não viu o filme, pare aqui e vá até a locadora para alugá-lo. Caso contrário, prossiga a leitura e, por favor, comente.)
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Durante o filme uma pergunta que me ocorreu era por que ela se sujeita a isso. O que a esperava além das montanhas ou em Georgetown poderia ser assim tão pior? Depois que o filme acabou a resposta veio bem nítida.

Outro dia ouvi num programa de televisão que é fácil viver na permissividade e no desregramento. Tão fácil quanto viver na negação total: não fumo, não bebo, não jogo, não trepo, não saio à noite, não ouço música alta, não vou a festas, não, não, não... Bem mais complexo é encontrar o tão falado caminho do meio. Da mesma forma é muito simples ser "boazinha" quando se é oprimida. Difícil é continuar sendo boa quando se tem poder. E isso a gente vai descobrindo no decorrer da fita. À medida que os ninguéns moradores da cidade - a princípio gente apenas miserável e desconfiada, mas muito boa - vão vendo o poder que têm sobre Grace, sua crueldade e ausência de consciência moral vai aumentando.

A Grace de Nicole Kidman, com sua passividade e aceitação irrestrita das maldades, traições e punições a ela impostas, na verdade exerce, ao contrário do que pode parecer num primeiro olhar, a arrogância compassiva explicada magistralmente pelo personagem de James Caan.
Não era o temor de que se tratasse de uma criminosa que fustigava o sadismo da população. As mulheres sentiam-se ameaçadas por sua beleza. Os perdedores sentiam-se ofendidos e desrespeitados por seu jeito nobre. O cego humilhado por sua capacidade de enxergar. E ela deixava-se consumir dócilmente, às vezes até sob débil protesto, talvez também como uma forma de punição, porque expunha a eles suas próprias fraquezas e deficiências. "Você pode me ter agora como qualquer um deles. E será (tão vil) como eles." Desta forma, quanto maior o castigo aplicado a ela, mais seriam eles mesmos condenados à visão de sua própria iniquidade. Contudo não era suficiente que se soubessem culpados. Não era complicado para aquela laia encontrar desculpas para seus próprios desvios. Foi o fato de ela apontar publicamente os pecados de cada um que os fez desejá-la longe, de uma vez por todas.

O que esperava Grace além das montanhas ou em Georgetown poderia ser assim tão pior que a matilha de almas corrompidas de Dogville? Os gângsters? A polícia? Sim, o que a esperava fora de Dogville era bem pior: era ela mesma.

"O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente."