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1.3.07

Quanto você pagaria por uma visão do futuro?

Aqui você pode ver o futuro. É uma cortesia minha.

Assista e depois fale comigo. Tenho outros detalhes pra você.

28.2.07

COMO COBRAR ATITUDES DOS POLÍTICOS SEM SAIR DE SUA CASA?


Use apenas 5 minutos de seu tempo para cobrar de quem tem o DEVER de fazer seu estado funcionar!

Não se esqueça de que NINGUÉM pode pressionar tanto os políticos quanto o POVO. Medidas como aumento salarial de políticos foram bloqueadas por PRESSÃO POPULAR através de TELEFONEMAS e INTERNET. FAÇA SUA PARTE! Os verdadeiros responsáveis por garantir a sua segurança são ELES!

Como fazer isso?

1) PELA INTERNET

Aqui, você cobra dos deputados estaduais do Rio de Janeiro.
Aqui, você cobra dos deputados federais.
Aqui, você cobra dos senadores.


2) POR TELEFONE

A ligação é GRATUITA em todos os casos:

Aqui, você cobra dos deputados federais do Rio de Janeiro: 0800220008
Aqui, você cobra dos deputados federais: 0800619619
Aqui, você cobra dos senadores: 0800 612211

22.2.07

O Carnaval deste ano foi uma delícia.

Filho viajou com a família de um amiguinho e revivi meus carnavais de solterice, livre, leve e solta. Quer dizer, solta, mas não avulsa. Meu amo e senhor e eu mais um par de amigos animadíssimos nos metemos em todos os blocos que conseguimos alcançar, enfiamos o pé na jaca (com a devida responsabilidade, afinal já não somos, digamos, bebês) e nos divertimos muito.

O Rio de Janeiro é uma vila. A gente sai de casa e esbarra nos amigos e conhecidos. Quem está no desvio tem que se cuidar :-) É também o retrato da resiliência. Mesmo com faixa de luto no braço, com um minuto de silêncio antes de começar a batucada, ninguém deixou a peteca cair. Banda de Ipanema, Bloco de Segunda, Bip Bip, Banda da Sá Ferreira, Rio Maracatu, capoeira com jongo que não sei o nome... E muita praia, porque o sol resolveu dar as caras lindamente após um verão de muito fazer doce.

Não sou o olho que tudo vê, é claro, mas circulei muito e não vi uma briga sequer. Ou meu anjo da guarda está merecendo um Oscar de melhor ator coadjuvante ou esta foi uma festa de muita paz.

Ontem, em plena quarta-feira de cinzas, lá estava eu no rabo de mais um bloco, o Virtual. Depois, lavei os confetes, a espuma, os respingos de cerveja e muito suor no pôr-de-sol de Ipanema.

Hoje, vida que segue.

Domingo tem Monobloco.

16.2.07

"As leis se complicam quando se multiplicam."
(Marquês de Maricá)

"Seja a mudança que você quer no mundo."
(Gandhi)

"Arriscar e amar até o fim."
(Marina Lima)

"O tempo apara todas as arestas e dá o acabamento necessário a tudo."
(Maria Bethânia)

"O papel mais difícil que já enfrentei foi o de amadurecer."
(Elizabeth Taylor)

"Passamos a amar não quando encontramos uma pessoa perfeita, mas quando aprendemos a ver perfeitamente uma pessoa imperfeita."
(San Kenn)

"Passarinho que acompanha morcego dorme de cabeça para baixo."
(João Nogueira)

"A língua resiste porque é mole; os dentes cedem porque são duros."
(provérbio chinês)

"Mas / o silêncio / só existe disfarçado."
(Francisco Bosco)

"A glória é um alimento que se dá a quem já não pode saboreá-lo."
(Carlos Drummond de Andrade)

12.2.07

Sobre a pena capital

Como todo mundo, fiquei estarrecida com o brutal assassinato do Joãozinho.
Mas hoje, começaram a chegar aqueles e-mail que pipocam na caixa postal quando coisas desse tipo acontecem. São sempre os mesmos, o discurso é sempre igual.
Um amigo me enviou um convite para participar de uma comunidade que pregava o "olho por olho, dente por dente".
Eis o que respondi:

Obrigada pelo convite, mas não posso aceitar. Estou super-revoltada com esse crime. Sou super a favor de punição rigorosa para os criminosos. Mas olho por olho dente por dente, como dizia Gandhi, gera uma terra de cegos banguelas. (...) Bom, estou fora de qualquer coisa que me faça ficar minimamente parecida com esses monstros. Pena de morte, além de não resolver, nivela a todos por baixo.

Mas mensagens com o mesmo teor parecem brotar dos bueiros, então prefiro as palavras do Fausto Wolff:

Dizem que, durante uma entrevista na TV, Sandra Cavalcanti defendeu a pena de morte. Jaguar, um dos entrevistadores, teria perguntado: - O que a senhora sugere: garrote vil, afogamento, decapitação ou fogueira?

Sempre fui contra a pena de morte e passei a achar que os Estados Unidos eram governados por psicopatas quando, ainda garoto, soube que Ethel Rosemberg fora assassinada pela Justiça americana na cadeira elétrica. Era pequenininha e aqueles cintos de couro e metal não apertaram bem suas pernas. Ainda viva foi eletrocutada novamente, ocasião em que sua cabeça quase pegou fogo. Mais tarde fui a favor da pena de morte para os que eram a favor da pena de morte. Depois mudei de idéia. Não se pode matar alguém apenas por ser burro, caso contrário nem teríamos gente aparecendo na TV.

16.1.07

12.1.07

"O certo é reconhecer: no fundo de mim / Sou sem fundo."
(Antônio Cícero)

"O prêmio por uma coisa bem feita é tê-la feito."
(R. W. Emerson)

"Não precisa correr tanto; o que tiver de ser seu às mãos lhe há de ir."

(Machado de Assis)

"A espera às vezes dura um pouco / Um dia, um mês, um existir."
(Marina Lima)

"Preserve os gatos pingados. Afinal, eles são só meia dúzia."
(anônimo)

"De tudo somente fica / O que for para ser vivido."
(Thereza Christina Motta)

"Deixe que o beijo dure / Deixe que o tempo cure."
(Jorge Dexter / Zélia Duncan)

"A moda é passageira, como as pessoas, mas ressucita, e elas não."

(Carlos Drummond de Andrade)

"Moda é o que você adota quando você não sabe quem você é."
(Quentin Crisp)

"O que é chamado de moda é tradição momentânea."

(Goethe)

"Só há uma maneira de se chagar ao coração de um homem, minha filha. Com uma faca."
(Viviana Gómez Thorpe)

10.1.07

Sou Uma Criança, Não Entendo Nada
(Erasmo Carlos)

Antigamente quando eu me excedia ou fazia alguma coisa errada.
Naturalmente minha mãe dizia: "ele é uma criança, não entende nada".
Por dentro eu ria satisfeito e mudo. Eu era um homem e entendia tudo.
Hoje só, com meus problemas rezo muito, mas eu não me iludo.
Sempre me dizem quando fico sério: "ele é um homem e entende tudo".
Por dentro com a alma atarantada, sou uma criança, não entendo nada.


No final dos anos 1970, a escola onde eu estudava promoveu eleições, mas já não lembro qual eram os cargos que os vencedores ocupariam. Algo decorativo, imagino, pois vivíamos período de trevas na política. Recordo, entretanto, que os nomes das chapas causaram comoção. Devo destacar que naquela época, naquele bairro, o sinal da Rede Globo nem sempre chegava claro, não haviam as parabólicas, nem TV a cabo, e a torre de UHF no alto da Serra do Mendanha ainda era um projeto. Assim, a TV Tupi tinha forte audiência na região. Por isso as chapas receberam os nomes de "O Astro", em homenagem à novela de Janete Clair exibida pela Vênus Platinada em horário nobre e "O Profeta", folhetim de Ivani Ribeiro levada então pela Tupi. A cisão advinda dessa escolha fez com que a acalorada disputa sobre qual álbum de figurinhas era o mais interessante, o dos personagens da Disney ou o de ciências, fosse completamente esquecida.

Não perdia um capítulo de "O Profeta", com o saudoso Carlos Augusto Strazzer no papel título e Débora Duarte no papel de irmã feia carismática. Também lembro da Márcia de Windsor (que trabalhava como jurada em programa de calouros) como a mãe que acobertava as armações da irmã arrivista. Mas quase não tenho registro da história em si, além dos poderes do protagonista, usados em causa própria contra os conselhos dos sensatos e da paixão da feiosa por ele. Assisto a poucos capítulos do remake na Globo, mas eles não despertam qualquer recordação do original.

Estranho como nossas memórias são mais de sensações do que de fatos. E me lembro das sensações da disputa na escola, de como adorava ver a novela e tentar ver o rosto de Jesus na imagem do borrão na abertura, mas não recordo bem do enredo.

De qualquer forma, pelo pouco que vi, constato que muita coisa não despertaria interesse no mundo de hoje. O mocinho tendo que casar contra sua própria vontade porque engravidou a vilã? Hoje em dia o golpe da barriga não rola. Ou rola?

Aliás, acho que cada vez mais teremos novelas de época, porque os grandes clichês folhetinescos foram exterminados pelas novas tecnologias. Desencontros e bolos? Na era do celular!? Desconhecidos que se aproximam e se apaixonam, descobrem que são irmãos e só no final concluem que não. Ou quem é o verdadeiro pai da criança... Vai exame de DNA aí? E a carta, aquela que desvenda tudo, ou compromete, ou inocenta? Cadê os missivistas de caneta e papel em 2007?

É, o povo da dramaturgia tem que ralar para criar novos chavões. Mas por enquanto eles ainda falam de e com o pessoal que ainda não chegou no século XXI.
"Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza."
(Oscar Wilde)

"Odeio dinheiro. Mas odeio ainda mais a sua falta."
(Katherine Mansfield)

"Que ninguém se engane, só se consehue a simplicidade através de muito trabalho."
(Clarice Lispector)

"A arte de agradar é a arte de enganar."
(Marquês de Vauvernagues)

"A felicidade é como a saúde: se não sentes a falta dela, significa que ela existe."
(S. Turgenev)

"A idade nem sempre traz sabedoria. Às vezes a idade vem sozinha."
(anônimo)

"O homem está sempre desposto a negar tudo aquilo que não compreende."
(Pascal)

"Não menos do que saber, agrada-me duvidar."
(Dante Alighieri)

"Mesmo cativo o pássaro não liga / Prendem seu corpo, não sua cantiga."
(Billy Blanco)

"O que você não vê com seus olhos não invente com sua língua."
(provérbio inglês)

26.12.06

"A coroa real não impede a dor de cabeça."
(George Herbert)

"Não corra atrás das borboletas. Plante uma flor em seu jardim e todas as borboletas virão até ela."
(D. Elhers)

"A morte do homem começa no instante em que ele desiste de aprender."
(Albino Teixeira)

"O homem começa a morrer na idade em que perde o entusiasmo."
(Balzac)

"Brincar é condição fundamental para ser sério."
(Arquimedes)

"As reticências são os três primeiros passos do pensamento que continua por conta própria o seu caminho."
(Mário Quintana)

"A loucura é diagnosticada pelos sãos,que não se submetem a diagnóstico."
(Carlos Drummond de Andrade)

"Temos uma boca e dois ouvidos mas jamais nos comportamos proporcionalmente."
(provérbio chinês)

"As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades."
(Millôr Fernandes)

"As mulheres são capazes de tudo. Os homens, do resto."
(Henry de Régnier)

20.12.06

Merda no ventilador

Demitido, repórter da Globo critica direçãoDemitido, repórter da Globo critica direção


Demitido, Rodrigo Vianna, repórter da TV Globo, critica a direção da emissora.

A TV Globo informa que Rodrigo Vianna encaminhou a mensagem após ter sido informado pela emissora de que seu contrato não seria renovado.

Leia íntegra da carta de Rodrigo Vianna:

LEALDADE

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.

Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira?"

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?

Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?

Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.

Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.

Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.

Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...

Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo.

Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades.

Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo.

Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais.

Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários!

Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais.

Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.

Rodrigo Vianna.

19.12.06

Parece que Papai Noel está mesmo em baixa. Cada vez fica mais difícil convencer às espertíssimas crianças de hoje em dia da ubiqüidade e das generosidade e riqueza infinitas do Bom Velhinho.

Na Alemanha e na Áustria este ano, a afirmação de que a imagem do senhor barbudo em pijama vermelho de pom-pons brancos é uma criação da Coca-Cola que acabou desvirtuando o espírito natalino da louvação do Menino-Deus para o consumo desenfreado, desaguou num boicote sem precedentes à figura. As vitrines da Germânia aboliram a imagem de Papai Noel. Por lá não se ouve mais o ho-ho-ho.

Imagine você que Papai Noel foi expulso da Disney World. Duvida?

E agora este artigo.

18.12.06

Coloquei no ar um blog novinho em folha. Este aqui continua a bagunça de sempre. o papo é mais sobre música e assuntos afins. Dá um pulinho também.
"Tento entender a vida, o mundo e o mistério e, para isso, escrevo."(Lya Luft)

"Contradizer-se... Que luxo!"
(Jean Cocteau)

"A arte é um compêndio da natureza formado pela imaginação."
(Eça de Queiroz)

"Qualquer idiota é apaz de pintar um quadro. Mas só um gênio é capaz de vendê-lo."

(Samuel Buttler)

"Os poetas têm autorização para mentir."
(Plínio, o jovem)

"A vaidade é dos mesquinhos, o orgulho é dos grandes."
(Lorde Byron)

"A intriga humana me fascina."
(Nélida Piñon)

"A injustiça feita a um é ameaça feita a todos."
(Mostequieu)

"A sabedoria é filha da experiência."
(Leonardo Da Vinci)

"Há pessoas silenciosas que são muito mais interessantes que os melhores oradores."
(Benjamin Disraeli)
As Melhores de 2006

No sábado trabalhei o dia inteiro. Este final de ano tem sido de lascar. Mas não estou reclamando. Quando parei, já às sete, por tanto tempo lutando mentalmente contra o alvoroço da turba que se reunia sob a minha janela para o show da Sangalinha, estava absolutamente moída. Mas mantive o combinado, tomei um banho e fui para a festa de aniversário de um amigo. O convite dizia: chegue cedo, porque à meia-noite o som pára. Bom, ia ter música. Oba!

Conhecemos o sujeito e ele logo nos deixou de boca aberta. Era nosso dentista. Mas as afinidades eram grandes e logo descobrimos que além do consultório, o papo tinha que continuar em torno de uma mesa de bar. Claro que meu dentista também tem uma banda e foi ele quem primeiro me falou do Estephanio's, o melhor bar com música no Rio de Janeiro.

A festa rolou num estúdio e quem chegava tocava, cantava ou simplesmente, como eu, aplaudia. Tenho muitas turmas. E essa é uma que me dá muita alegria. Ouvi música velha e música nova. Música brasileira e do Velho Continente. Rock, reggae, blues, jazz... Gente que sente um prazer evidente em se reunir para cultuar Orfeu.

E entre as canções que foram entoadas, aquela que se tornou uma obsessão para mim em 2006: Crazy, do Gnarls Barkley. Até o clipe se encaixava com uma pesquisa que eu estava fazendo sobre o teste de Rorschach, porque estava muito interessada na projeção pessoais que fazemos nas situações independente do que de fato é apresentado.

Desconheço muitas das canções apresentadas abaixo, mas além de Crazy, também Smile me fisgou. Senti falta de uma outra que cantarolo sempre. Dizem que uma boa música é aquela que traduz sentimentos que estão no ar. Muitos dos grandes dizem que não compuseram suas obras primas, colheram do cosmo. Keith, por exemplo, sonhou com o riff de Satisfaction. Guardadas as devidas proporções, eu tinha uma mensagem importante para passar para uma pessoa muito amada e não estava conseguindo encontrar um jeito de fazer minha mensagem chegar sem soar como um sermão de tia chata. E aí veio Put your records on para eu tentar entrar em sintonia com quem eu precisava. Rolou.


Bom, eis a lista das Melhores de 2006, segundo a revista Rolling Stones:


1 - Crazy, Gnarls Barkley
2 - Steady As She Goes, Raconteurs
3 - Ridin', Chamillionaire
4 - What You Know, TI
5 - Vans, The Pack
6 - Thunder on the Mountain, Bob Dylan
7 - Smile, Lily Allen
8 - Wamp Wamp (What it Do), Clipse e Slim Thug
9 - Dimension, Wolfmother
10 - Ooh La La, Goldfrapp

(fonte)

15.12.06

"Sonhar é acordar-se para dentro."
(Mário Quintana)

"Imaginação é mais importante do que conhecimento."
(Albert Einstein)

"Não fique na cama. A não seu que você possa ganhar dinheiro nela."
(George Burns)

"O que foi, já se foi/Quero o que será."

(Gonzaguinha)

"Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação(...), ninguém precisará enseinar-lhe a amar seu semelhante."

(Albert Shweitzer)

"A paz não pode ser mantida à força; só pode ser conseguida pela compreensão."
(Einstein)

"Somos estrangeiros/Onde quer que estejamos."
(Fernando Pessoa)

"Viver sozinha é como estar numa festa onde ninguém olha para você."
(Marilyn Monroe)

"O que não provoca minha morte faz com que eu fique mais forte."
(Friedrich Nietzsche)

"Engraçado, costumam dizer que tenho sorte. Só eu sei que, quanto mais eu me preparo, mais sorte eu tenho."
(Anthony Robbins)

9.12.06

O site dele voltou, com força total.

1.12.06

A ONG A Força do Bem realiza a I Caminhada pela Acessibilidade de Pessoas Portadoras de Deficiência.

O evento que pretende mobilizar, conscientizar e sensibilizar a população da cidade para os problemas enfrentados em todos os níveis pelos portadores de deficiência.

Participarão do evento, além de vários artistas e autoridades, o Conselho Estadual para a Política de Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – CEPDE, composto pelos 92 Municípios do Estado; o Fórum da Arquidiocese e outras Instituições que se solidarizam com a causa.

A caminhada será animada pela bateria da Escola de samba Império Serrano cujo enredo para o carnaval de 2007 será “Ser Diferente é Normal: O Império Serrano Faz a Diferença no Carnaval”; e, também pelo Bloco Bangalafumenga que serão acompanhados por dois carros de som.

O locutor oficial da caminhada será o ator e cantor Sérgio Loroza.

A data escolhida é o dia 3 de Dezembro, instituído pela ONU como o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

O percurso abrangerá toda a Avenida Atlântica, partindo do Posto 6, com dispersão no Leme - começando a concentração às 8h30.


Isabel Fillardis
Presidente da ONG A Força do Bem

14.11.06

26.10.06

MARTA E AS JUSTIFICATIVAS

Silvio de Abreu fez com que sua personagem Bia Falcão tivesse um final feliz. Rica, em Paris, ela era paparicada pelo jovem e belo amante a despeito de todas as artimanhas e crueldades que cometeu ao longo do folhetim. O público assim desejou, segundo demonstraram as pesquisas, e foi atendido. Talvez a simpatia suscitada pela personagem viesse colada ao carisma de sua intérprete, uma das poucas - talvez única – unanimidades nacionais: Fernanda Montenegro.

Entretanto o fenômeno se repete. A personagem de Lilia Cabral em Páginas da Vida, escrita por Manoel Carlos para ser uma grande vilã, encontra inúmeros defensores. É aquela mulher que (para quem não viu ou esqueceu) nos primeiros momentos da novela afirmava que deveriam passar com o carro por cima da cabeça de um pivete recém-atropelado. E outra personagem rebate: “é um menino, poderia ser seu filho”, ao que ela retruca “se fosse meu filho, eu matava”. Depois de maltratar a filha grávida, torturar o neto e planejar vendê-lo ao pai rico, ainda encontra quem diga que na pele dela faria o mesmo, coitadinha, tão sofrida. Numa aparentemente doce dona-de-casa, num profissional liberal com acesso à melhor educação e informação, num vizinho polido habitam latentes um membro de quadrilha de extermínio, um pai / uma mãe insensível, um torturador, um traficante de seres humanos. Estou com medo.

Medo das pessoas que defendem que se suba o morro atirando, independente da maioria honesta que mora lá. Medo de quem ignora as conquistas da nossa civilização, como os direitos humanos e civis e defende massacre em presídio e invasão de privacidade em nome de justiça e segurança. Que justiça? Que segurança? Não basta o mundo ter encaretado desde a última década, estamos retrocedendo também no que íamos indo bem, com os avanços das conquistas humanitárias. E aí vem o Bush e seus pretextos ocos e as vilãs da Globo angariando sentimentos amistosos.

A defesa para os atos da Marta da Lilia Cabral talvez explique o porquê de os pecados do PT terem influenciado pouco nos resultados, apontados até agora pelas pesquisas (sempre elas), da eleição para presidente. Aliás, os candidatos que chegaram ao segundo turno estão empatados no quesito (falta de) ética partidária, porque não dá para esquecer o inferno que foram os anos sob o PSDB. Mas o carisma do Lula, como o de Fernanda Montenegro, absolve-o de qualquer possível crime. Espera-se que a gente faça vistas grossas para os erros daqueles de quem gostamos, não vale a pena estragar uma relação longa por causa de uma falha de caráter, dizem. Bia Falcão vai para a Cidade Luz com seu bofe, Lula lá e me vejo cercada de Martas.

Estou assustada com esta lógica mafiosa. Para os amigos, tudo, para os inimigos, os rigores da lei. Ou a vala. Gente! O que é isso? Será que ninguém está lembrando que o que nos diferencia dos bandidos é que não cometemos as mesmas atrocidades que eles. Não somos ladrões porque não roubamos. Não somos assassinos porque não matamos. Não somos monstros porque não trucidamos outros seres humanos. Se roubarmos, matarmos e trucidarmos, seremos iguais a eles. Mesmo que façamos isso silenciando nos massacres, votando em quem defende a pena de morte, levando um por fora aqui e ali. Cada um por si é coisa da barbárie. É a favor disso que nossa voz se levanta?

Fico muito triste com o que sinaliza a identificação do público com as grandes vilãs e as urnas. Desculpem a falta de modéstia, mas eu não sou a Marta, não.