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1.7.13

O QUE MUDOU


É quase padrão, nos raros momentos em que fujo da minha rotina gastronômica em busca dos sabores da infância, ficar me questionando se mudou a fórmula do doce ou se mudei eu. Acontece com produtos padronizados, como refrigerante que consumo muito esporadicamente. Tem tempo que fui me afastando dessas bebidas, mas em dada conjunção astral, tenho vontade de sorver a água negra do imperialismo. E é batata: decepção!

A princípio, pensei ser uma questão de embalagem. A garrafa de vidro manteria as propriedades de sabor que o alumínio e o pet não conseguiriam manter. E até funcionou relativamente. Era um prazer quando encontrava aquela garrafinha miúda, com chapinha, do tamanho certo da vontade, sem pesar muito na culpa de quem sapateia fora da dieta. Agora nem isso. Só desilusão. Não valem as numerosas calorias ingeridas.
 
Desde que comecei a fazer reeducação alimentar, fiquei mais consciente de certas propriedades de determinados alimentos. Nunca fui muito amiga de confeitos, salvo em caso de nostalgia infantil, como já disse. Sempre preferi os sabores salgados e picantes. Mas comecei a ficar atenta para a quantidade de gordura, principalmente a hidrogenada, e do sódio presente na comida industrializada. Optar por alimentos menos processados me levou a descobrir novos ingredientes e temperos e abriu novos horizontes para o meu paladar, longe do apelo ancestral e fácil do doce, do gordo e do salgado.

Por essas e outras fico cabreira quando falam, sempre em tom de elogio, que alguém não mudou nada, apesar de ter se tornado bem-sucedido, rico ou famoso... As pessoas podem manter valores familiares, o caráter. Elas podem continuar tratando com respeito e cortesia quem cresceu ao seu lado, quem ajudou a formar seu caráter. É lógico. Mas continuar o mesmo? Quem viaja pelo mundo, conhece outras gentes e outros costumes, experimenta outros cheiros e gostos, dá a cara a bater, toma porrada, faz e recebe um carinho especial, perde e ganha, lê sobre assuntos diversos... e permanece igual?
 
Por outro lado, o louvor a estagnação parece uma reprovação a quem procura novos caminhos. A desconfiança é ainda maior se o sujeito tem sucesso. Sabe-se lá se por que razão, há na alma de muita gente a crença de que só se dá bem quem é desonesto. Daí, talvez, eu veja por aí muita auto-sabotagem. Imagina: se alguém acredita que só quem é corrupto pode se desenvolver, então desenvolver-se é tornar-se corrupto, portanto deve-se permanecer onde está, como está. Mesmo que as condições não sejam as melhores. E, olha, há muitos vigias do êxito alheio, todos prontinhos para apontar dedos acusatórios. Até porque se o outro progrediu e eu não a culpa tem que ser dele ou terei que encarar certos fatos.

Enquanto isso, os ponteiros do relógio avançam e sei cada vez menos. Mas suspeito que a Coca-Cola continua igual.


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