De feliz; de felina ou felóideo (quando alguma ternura é necessária); de felsítica; de felugem; de felação (porque minha grande boca às vezes f. tudo); em tempos de paixões políticas, de felonia; da sua felpa ou não...
Todos na família de Helena eram belos. A mãe mantinha uma loja de roupas, que, de alguma forma, lhe dava a confortável impressão de que não havia abandonado de todo a vida de modelo de outrora. O irmão era um atleta de renome, assediado tanto por seu talento quanto por sua aparência que despertava paixões nas mocinhas em tempestade hormonal. Com o pai Helena não tinha muito contato, desde que ela deixara a família para unir-se a uma jovem que, na época, tinha metade de sua idade.
Helena atraía olhares por onde quer que passasse. Ninguém ficava indiferente a ela. Com o tempo ela aprendeu a lidar com pescoços torcidos e olhares perplexos. Helena era incrível e irremediavelmente feia.
A mãe que sonhara com uma bonequinha para reviver seus próprios passos não deixou-se abater por esta adversidade. Desde cedo a menina foi matriculada em cursos de modelo e no balé. Se alguém esboçasse alguma crítica a mãe tinha a resposta na ponta da língüa e aos poucos Helena aprendeu a repeti-la: tinham inveja do seu talento.
Não era de todo mentira. O que lhe faltava em graça e beleza ela compensava com uma técnica irrepreensível. Além disto, era uma pessoa de trato agradável e muito simpática. Assim, aos dezoito anos começou a ensinar seus ofícios sem jamais ter conseguido qualquer contrato ou convite para exercê-los, exceto nos eventos promovidos pela própria mãe.
Helena nunca tivera um namorado. Ninguém estranhava quando ela dizia isto. Estava na cara. Mas havia aprendido bem a lição com mãe e repetia que era muito exigente. As pessoas se entreolhavam. Havia um agravante: os rapazes, principalmente os amigos dos irmãos, consideravam que ela era carta definitivamente fora do baralho e permitiam-se brincar com ela como se ela fosse café-com-leite. Gracejavam, simulavam convites e olhares apaixonados, como em casa fariam com uma tia idosa ou alguém que se visita no hospital. Achavam-se divertidos e imaginavam que ela jamais poderia levar aquilo a sério. Mas ela levava. E diante do recuo quando fazia menção de retribuir as atenções afirmava que os meninos de hoje não queriam compromisso de verdade.
O irmão não interferia nestes assuntos. Agia naturalmente, como se nada fosse. Silenciosamente compactuava com o jogo das mulheres da família. Se mesmo os estranhos, apreciando o bom gênio da irmã, poupavam-na de um confronto com a realidade, por que ele, sangue do seu sangue, deveria despertá-la de sua fantasia?
Assim, a jovem seguiu com sua auto-imagem distorcida até que...
Como quase todo mundo, já fui submetida a testes de QI. Nunca soube resultados numéricos, mas sei que estou alguns pontinhos acima da minha xará ex-Tchan.
Estou falando isso porque me passou pela cabeça que se descobrissem algumas das minhas preferências, como esta, minha (questionável) reputação ficaria comprometida.
Ontem meu amo e senhor me presenteou, colocando para tocar a canção que eu precisava ouvir. Hoje, a Fer cantou "Take me to the River" e me fez lembrar daquele peixinho que começa a cantar quando a gente passa por ele. Além desta música, o simpático ser da água canta meu mantra, o melhor presente que eu poderia ter recebido ontem.
Esta criaturinha chegou ontem da escola dizendo que tinha uma surpresa para a hora de dormir. Ao contrário de nossa rotina, ontem foi ele quem leu um livro para mim. Quanto orgulho eu senti dele! Como fico feliz em ver o seu sorriso largo, onde já está faltando um dentinho! Que venham muito mais lágrimas de alegria!
Chega uma hora em que não podemos nos enfiar embaixo da cama para esperar o desastre. Se o sistema em que vivemos tem algum mérito é o de permitir que todo e qualquer cidadão expresse suas opiniões. Nós, que amamos a paz, nos chocamos com os atentados, mas discordamos veementemente das medidas de guerra que estão sendo tomadas. Defendemos a prisão e julgamento dos agressores, mas não concordamos com o extermínio de milhares de civis inocentes que vem sendo anunciado.
Marília, uma amiga virtual, começou a pedir informações sobre sites onde pudesse manifestar o repúdio à guerra. A Fer surgiu com algumas sugestões. Recomendo a todos que visitem os links abaixo, deixem suas assinaturas e/ou opiniões e repassem para o maior número possível de pessoas.
Uma urgência toma conta de mim.
Padeço com a sofreguidão dos que se despedem.
Demoro um pouco mais nos abraços.
Declaro meu amor com mais freqüência.
Faço ouvidos moucos para os agravos.
Danço a Macarena tendo a Baía da Guanabara como cenário e tomo chopp com amigos novos e de décadas.
Sorrio para todos na rua.
Estou tirando as manchas daquela camiseta pacifista e me engajando em todo e qualquer movimento pela paz.