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23.3.05

De que somos feitos?


Outro dia estava assistindo a uma reportagem sobre estresse pós-traumático sofrido por quem passa pela experiência de um seqüestro na TV e me peguei conjecturando se o Washington Olivetto e o Abílio Diniz chegaram a padecer desse mal. E se foram vítimas dele, como se recuperaram tão rapidamente?

Será que os vencedores são assim porque tem uma capacidade maior de enfrentar e dar a volta por cima mesmo dos problemas mais terríveis sem desistir, sem perder a fé e a esperança? O que faz com que alguns sobrevivam emocionalmente enquanto outros soçobram num pesadelo sem fim?

Ontem minha irmã detalhava a cirurgia que terá que fazer nos olhos, enquanto eu comentava sobre os remédios que estou tendo que tomar para compensar o defeito congênito. Paramos de falar e começamos a rir porque estávamos soando patéticas, como duas velhotas, daquelas bem murchas, que só sabem falar de desgraça e doença. Fomos para a sala e nos juntamos ao restante da família para festejar meu aniversário, afinal foi por este motivo que ela venceu, à noite, num dia de semana, os 40 Km que separam nossas casas. Sem mencionar a volta. Por muito menos, acho que muita gente pararia a vida para apenas lamentar o diabetes e a cardiopatia na casa dos trinta.

Lembrei também da modelo tcheca Petra Nemcova que teve os ossos do quadril esfacelados contra um coqueiro no qual se agarrou para resistir à força da tsunami que devastou partes da Ásia e da África no último mês de dezembro. Ela manteve-se ali por 8 horas aguardando socorro. Apoiada nas muletas, hoje ela só pensa em participar de programas de cunho social. "Minha visão do mundo mudou completamente, bem como meus valores essenciais”, diz. Muitas pessoas que não saíram na capa da Sports Illustrated também sobreviveram com o mesmo tipo de atitude raçuda. Outras não.

E você? Está fomentando traumas ou erguendo as mangas da camisa? Está na cozinha se lamentando das contingências do viver ou está na sala celebrando a vida? Está chorando pela pélvis fraturada ou procurando descobrir como fazer deste mundo um lugar melhor? Está agarrado ao coqueiro ou deixando-se levar pela cotidiana tsunami?

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