A cultura do respeito à vida exigia que a impiedade se ocultasse na sombra da virtude. A infração assassina se estruturava de tal maneira que o nexo entre a causa e o crime se tornava inteligível à luz dos princípios éticos dominantes. Outra coisa são os crimes sem razão ou por razões morais irrelevantes. Nesses casos, o abismo entre a causa e o crime é tão profundo que não temos como entender, do ponto de vista moral ou emocional, o que aconteceu.
Nos dias atuais, é justamente isso que horroriza. As razões pelas quais se mata são tão irrisórias ou mentirosas que, frequentemente, somos levados a pensar que só há duas saídas: ou damos as costas ao que vemos ou desejamos que a lei do talião venha massacrar a baixeza, o cinismo e a brutalidade dos matadores. Em outras palavras, estamos prestes a jogar para o alto séculos de cultura humanitária, em favor de um mundo cuja escala moral é a sarjeta.
(trecho do texto maravilhoso de Jurandir Freire Costa , que encontra-se na íntegra aqui; dica do Repórter Mosca)
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