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24.6.04

TPM


Quem, nesse mundo de Deus, toca o interfone da casa de alguém com quem não tem qualquer intimidade às 08h15 da matina sem nem ao menos ligar antes? E que tipo de espírito das trevas incita uma criatura dessas a fazer isso justo no dia em que a desinfeliz aqui está em plena TPM?

Depois, (mais) uma manhã infernal com telefone tocando sem parar, pedreiro, ajudante e engenheiro entrando e saindo, demolição do outro lado do rua, criança em pré-adolescência precoce discutindo tudo ponto por ponto... Da real necessidade do banho na vida urbana moderna, passando pela ditadura do dever de casa até a quantidade adequada de creme de desembaraçar cabelo. Outras questões relevantes: “Tarefas escolares e televisão: mutuamente excludentes ou mais um paradigma a ser quebrado?”, “A existência de Deus e a necessidade de manter o quarto arrumado: teorias ainda não comprovadas cientificamente.” e “Lágrimas e outros fortes apelos dramáticos: até onde se pode ir por um capricho?”

Eu considero que nessas horas é que sai Piaget e entra Pinochet.

Mas, para mim, Deus é sábio e criou o homem, que criou o milk-shake do ovomaltine do Bob’s. Momento de abandonar o almoço dietético sem graça em casa e cair de boca nas delícias da comida desqualificada e calórica preparada por desconhecidos.

E lá se foi uma fortuna com meias para mim, cada uma de uma cor. Tudo para combinar com meu novo/velho vestido. Eu não encontrei o chapéu desfiado de festa junina que eu queria comprar pro filho.

Eu achei na locadora o filme que eu queria ver (Adeus Lenin). Mas mim achou melhor trazer também uma comédia com o Steve Martin (A Casa Caiu) para relaxar. Eu olhei pro relógio e vi que já estava na hora de correr de volta, os peões estariam de volta do almoço a qualquer instante.

Mas sempre se pode dar um toquezinho pra melhorar e mim entrou na floricultura e voltou pra casa abraçando aquele lindo arranjo de flores do campo com o girassol. A providencial caminhada acompanhada de moderado surto consumista ajudou a aliviar o peso do prato imenso que mim devorou. Eu sabia que comendo daquele jeito não ia sobrar espaço nem tempo pro ovomaltine. Mas eu prometi pra mim que ainda vai rolar.

E quanto a isso, só tranqüilidade, já que eu e mim temos isso em comum. Ambas honramos nossas palavras. E no pequeno passeio fez-se a luz. Talvez a TPM pontencialize, quem sabe o cotidiano esmagador inflame, pode ser que o problema grave e insuportável exarcebe, mas o que realmente irrita, deprime, destroi e arrasa é a contumaz quebra das promessas e compromissos.

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