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6.4.05

Sobre os tecnossexuais

E como é confortável e poupa o trabalho de pensar viver à base de rótulos!

As tribos de outras épocas buscavam alguma coisa e tinham, em suas diversas linhas, uma ideologia, uma esperança... Até os yuppies retratavam um tempo, viviam tentando se encaixar num molde de sucesso, mas as figuras eram reais. Existiam mesmo.

O que me incomoda nesses novos tipos é o vazio. E são termos e símbolos fabricados, definidos em relação ao consumo e não quanto ao que pensam, o que gostam, o que sonham... Eles elegem um bezerro de ouro e tudo o que se tem que fazer é copiá-lo: pensar, sonhar e gostar do que dizem para você pensar, sonhar e gostar.

A velocidade com que os tipos surgem e somem me parece adequada. Tudo anda mesmo mais rápido, o tempo das pessoas mudou. A vida de um movimento - e cadê os movimentos? -, portanto, deveria mesmo ser mais breve para acompanhar a velocidade com que a informação circula. Já reparou que quando você se depara com algo que mexe lá dentro de você, passa por algumas fases básicas? Espanto, encantamento, pesquisa, elaboração, divulgação (esses 3 últimos podem durar mais ou menos) e, finalmente, desinteresse ou desencanto. Muitas vezes um novo ciclo atropela o anterior, alguma coisa nova nos causa espanto e nossos olhos giram em direção. Pois bem, hoje o processo é muito veloz, porque estamos expostos a tanta coisa...

Tudo vai passar, como passaram os hippies, os punks, as feministas que queimaram sutiãs... O que me interessa é: será que eles vão deixar também algum rastro além do lucro para as empresas patrocinadoras?

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