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22.12.01

Não me peça o que não posso dar. Sou toda intuitiva e empírica. Deixei as certezas na casa dos vinte. As condições morrem uma a uma a cada dia. Vivo apenas o real. Idealizações não mais.

Apesar de tudo isso, algo é perene em mim: eu mesma. E algo aqui dentro me diz que nem tudo é relativo. É preciso acreditar e guiar-se por alguma coisa que se crê absoluta.

Sob pena de perder a razão. Mesmo que seja apenas em uma discussão.

Ninguém me conhece...

Sequer preciso de uma poção para me transformar em Mr. Hyde.

Quem dera este aparelho de ar condicionado liberasse oxigênio.

O calor está derretendo meu pobre e preguiçoso cérebro...


AA UU
(Sérgio Britto/Marcelo Fromer)



AA UU AA UU
AA UU AA UU
Estou ficando louco de tanto pensar
Estou ficando rouco de tanto gritar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como
Eu como, eu durmo, eu durmo, eu como

Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Estou ficando cego de tanto enxergar
Estou ficando surdo de tanto escutar

AA UU AA UU
AA UU AA UU
Não como, não durmo, não durmo, não como
Não como, não durmo, não durmo, não como

Está na hora de acordar
Está na hora de deitar
Está na hora de almoçar
Está na hora de jantar


O MUIRAQUITÃ




Muiraquitã é o nome que os índios davam a um pequeno objeto em forma de rã, que segundo eles trazia felicidade a quem o possuísse.

A lenda do Muiraquitã vem desde os tempos do descobrimento, mas só nos séculos XVIII e XIX os amuletos se tornaram mais procurados, sendo atribuídas a eles qualidades de amuleto ou talismã.

Encontrado principalmente na região do Baixo Amazonas - região na qual encontravam-se as índias Icamiabas ou "mulheres sem maridos", mulheres guerreiras que viviam em uma sociedade isolada, e que regiam suas próprias leis. As Icamiabas realizavam uma festa anual dedicada à lua, e durante a qual recebiam os índios Guacaris (tribo localizada próxima a das Icamiabas), com os quais se acasalavam. Depois do acasalamento, mergulhavam em um lago chamado Iaci-uaruá (Espelho da Lua) e iam buscar no fundo do rio a matéria-prima com que moldavam os Muiraquitãs, que ao saírem da água endureciam. Então presenteavam os companheiros com os quais tinham feito amor... Os que recebiam, usavam orgulhosamente pendurados no pescoço, como um troféu e como símbolo de fertilidade e felicidade.

De qualquer forma quando se pronuncia Amazonas, não se pode deixar de pensar em Muiraquitã. O Muiraquitã é o amuleto de fertilidade e da sorte da Amazônia.


*****

Retirando-se a referência sexual da lenda, nada mais adequado que o texto acima para descrever a beleza do que trago agora. Uma guerreira amazônica me recebeu. Recebi um Muiraquitã para jamais esquecer esse momento único (como se fosse necessário alguma prova material do que arranhou minha alma...). Não sou eu que mereço o troféu por uma vitória, mas fico muito feliz por ter participado dela.

Meg, você é uma anfitriã maravilhosa, além de todas as suas outras qualidades, que eu não canso de louvar.

Peço desculpas, mas é impossível não gostar da Selma :-). Mas fique tranqüila, meu coração é grande... Prova disso é que o espaço que tenho reservado para você inchou ainda mais...

Foi muito bom poder abraçar você, olhar dentro dos seus olhos... Obrigada por reunir este povo querido (Letti, Nana, Joyce, Giselle) para que pudéssemos compartilhar esta alegria que é a sua presença...

20.12.01

Mensagem codificada:

Por favor, repare no canto direito das fotos, naquelas letrinhas bem pequenas. Tem nenguinho triste por aqui achando que ninguém reparou que a família inteira participou :-)

19.12.01

Era uma daquelas propagandas-brindes que a gente não agüenta mais receber. Mas achei lindo um pedacinho, recortei e mantenho sempre por perto:

O fundo é verde. No respaldar de uma janela azul, um globo terrestre com os continentes desenhados em amarelo e laranja serve de vaso para um viçoso girassol. Sob tudo isso:

Sua vida pode ter mais cor.

Sempre pode, sim!


Aflora
A flor - Ah!

Gracejo
Gaguejo - Beijo!

Imploro
Um poro - Hum!

Vambora
Agora - Ora!

Espreme
É fome - Homi!

Defloro
A flor - Oh!


18.12.01

A palavra da semana é Anamnésia!
ai-ai!

O que será
(À flor da pele)

Chico Buarque
1976


O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores que vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será
(À flor da terra)


Chico Buarque
1976


O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será
(Abertura)


Chico Buarque
1976


E todos os meu nervos estão a rogar
E todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem ljuízo

O que será que lhe dá
O que será meu nego, será que lhe dá
Quando não lhe dá sossego, será que lhe dá
Será que o meu chamego quer me judiar
Será que isso são horas dele vadiar
Será que passa fora o resto da dia
Será que foi-se embora em má companhia
Será que essa criança quer me agoniar
Será que não se cansa de desafiar
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de um folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo


17.12.01

Matéria de capa da Revista de Domingo de ontem:

Malu Mader, Cláudia Abreu e Carolina Ferraz: as musas de verdade. Elas têm em comum o fato de não terem posado nuas para a Playboy, não terem aplicado silicone nos seios (elas têm a fantasia, mas acham arriscado ou acabam concluindo que ainda dá para encarar do jeito que a natureza fez enquanto a gravidade não for muito severa), não gostarem do assédio dos paparazzi. Além disso, estão todas na casa dos trinta. Por todas estas razões são admiradas (e muitas vezes criticadas).

Gente! Eu sou musa e não sabia.

hahahahahahaha
Uma coisa que me dá imenso prazer é mostrar as coisas da minha cidade, do meu país para quem estiver interessado em conhecer. Não estou falando do pacotão clássico, que constam do catálogo de qualquer agência de turismo internacional, mas das coisas legítimas, que fazem parte do cotidiano dos locais.

O trabalho da amiga francesa que nos acompanhou ontem é relacionado com o candomblé e para isso ela está acostumada a ir onde o povo está. No final de semana anterior ela foi filmar um terreiro em Mauá. Conosco ela queria lazer, ir a um bar que tivesse samba de verdade. Estephanio´s nos pareceu a melhor opção.

Quando chegamos, reparamos que algo estava diferente. A mesa em torno da qual o grupo Roda de Saia faz o show estava do lado de fora do bar, ao contrário das outras vezes. A gente bonita que freqüenta o lugar não estava dando muita bola para a chuva insistente e tomava a rua. Quando nos aproximamos, reparamos que, além de tantã e cavaquinho geralmente usados no local, num canto havia surdão e outros instrumentos de bateria. Teríamos sambão!

No processo de aclimatação, ouvimos samba de raiz. Não consigo deixar de me emocionar com coisas como Folhas Secas e A Voz do Morro. De repente os grandes instrumentos tomaram o lugar dos demais. Ficamos sabendo que vai sair um bloco do bar. E que o enredo é Beth Carvalho.

Existe uma lenda que afirma que carioca não sai de casa quando chove. Talvez antes do Estephanio´s abrir suas portas...

Houve um tempo em que eu me sobressaia na multidão com 1,78m. Agora não mais. Pelo menos entre a juventude sarada e amante do samba na Zona Norte. Êta gente grande e forte!

E a chuva cai... E alguém anuncia que o enredo havia se materializado ali. E a ma-ra-vi-lhosa, po-de-ro-sa e vi-ta-mi-na-da Beth assume o microfone e é ovacionada. E dá uma canja de primeiríssima com seus maiores sucessos. E o povo canta junto... E a moçada samba... E a chuva cai lá fora, você vai se molhar, já lhe pedi não vá embora... E vou festejar... E é impossível ficar triste quando a gente se propõe a colocar o nariz fora de casa nesta cidade...

Botecos abrem e fecham... Alguns têm música... Outros têm bom chope... Alguns quitutes deliciosos... Pouquíssimos transcendem e têm espírito...
Fiquei tocada com os elogios que a Meg dirigiu a mim. E não sou boba de refutá-los. Guardo meu rubor e minhas dúvidas para mim.

Sabe, querida, não é à toa que a Janela de Johari está aqui no meu blog. É importante o feedback de quem nos quer bem. E não falo apenas de elogios, mas também das críticas bem intencionadas. (Por isso somos todos loucos pelos comentários. Será que o Falasério vai continuar me barrando na porta?) Talvez você tenha razão quando afirma que as pessoas questionam tantos os elogios quanto as críticas. No primeiro caso, embora todo mundo goste de ser enaltecido, há que se lutar contra os ensinamentos de que bonito é ser humilde. Alguém disse que a modéstia é para os medíocres. Portanto luto diariamente para fugir da mediocridade e aceitar com alegria os carinhos que recebo.

Sonho um dia me concentrar na questão da inveja. Para mim, ela nada tem a ver com a admiração que você expressou (e que é mútua). Tampouco é a mesma coisa que querer ter o que o outro tem (cobiça). O invejoso deseja destruir o outro, tomar o que é dele. Assim, como tantas vezes você sabiamente me alertou para o uso correto de certas palavras, peço licença para fazer o mesmo com você.

14.12.01

Houve festa.

Nenhuma novidade. Nesta época do ano abundam celebrações.

Faltava pouco tempo para a hora do encontro e lembrei que não tinha preparado o quitute que havíamos combinado que cada uma levaria. Esta é a vantagem de ser uma mestre-cuca de meia tigela. Todas as minhas receitas são práticas e rápidas. Em pouco tempo já tinha em mãos um bolo cheiroso e bonitão (gostoso também, disseram).

E foi na hora de arrumá-lo para o transporte que me dei conta da forma como o fazia. Coloca o pano assim, puxa essas pontas para cá e amarra com um nó específico, puxa as outras pontas e amarra só um pouquinho diferente. De onde tirei isso? Lá de trás fui puxando lentamente um fio comprido de memórias.

Como era mesmo o nome dela? Não sei. Mas me lembro do cheiro bom de lavanda que invadia o ambiente quando ela chegava. Seus cabelos crespos estavam sempre muito bem arrumados num coque e enfeitados com presilhas, pentes e grampos coloridos. Suas roupas nunca eram novas, mas estavam invariavelmente muito ajeitadas e combinadas com capricho. Seus filhos, um casalzinho, apresentavam também muito apuro no quesito cuidados com a aparência.

Essa senhora era viúva e para dar conta de criar os meninos lavava roupa para fora. Eu achava bonito sentar ao lado dela e ver as palavras surgirem desenhadas formando o rol. E era tão interessante a forma como ela amarrava a trouxa. Coloca o pano assim, puxa essas pontas para cá e amarra com um nó específico, puxa as outras pontas e amarra só um pouquinho diferente. Gostava muito de olhar para ela. Uma das minhas fixações de infância eram as peles. A dela era muito lisa e negra e, nos dias de calorão, criava-se um bigodinho de gotículas sobre suas palavras doces. Um dia minha mãe elogiou o requinte. “Não é porque sou pobre que devo ser desleixada”.

Também morria de amores por uma senhora talvez nem tão velha quanto a relatividade da minha pouca idade indicava. Toda vez que se falava em século, minha imaginação corria para a sua imagem. Ela era um encanto com as crianças. Tinha sempre balinhas e outras delícias no bolso do avental que não tirava nem para ir à rua. E histórias, muitas histórias. A maior beleza dela, eu achava, era a pele completamente enrugada, como os urbanos já quase não vêem. Ela viera do campo, trabalhara de sol a sol e a marca de cada raio estava ali cravada. Eu me deslumbrava com a maciez de seus braços flácidos, achava que para se ser assim tão leve era preciso ter algo de angelical. Criança maravilha-se até com encarquilhamento...

“Mãe, o que é desleixada?”

“Mãe, faz umas traças em mim como as da filha da D. Lavadeira?”

“Mãe, quando eu ficar velhinha vou ficar igual à Vovó Donana?”

“Mãe, olha só a trouxa que eu fiz para fazer de conta que vou fugir de casa!”

E assim, construímos o que somos...

13.12.01

Uma rosa desabrochando no mundo dos blogs...
O bom, quando a gente está começando a descobrir uma nova amiga, é ir encontrando pontos em comum.

Além de termos gosto musical parecido, ela também gosta de fazer crochet.

Cadê tempo para retomar este meu gosto?


A Janela de Johari




O INDIVÍDUO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Modelo elaborado pelos Drs. Joseph Luft e Harry Ingham. O termo "Johari" foi obtido a partir da junção dos dois nomes dos autores, Joseph e Harry.



Em suas relações interpessoais o indivíduo apresenta quatro facetas diferentes, como se vê na figura acima: o "eu aberto", o "eu fechado", o "eu cego" e, o "eu desconhecido".

As duas áreas da figura, o "eu aberto" e o "eu fechado", correspondem às partes conhecidos pela própria pessoa. As áreas, o "eu cego" e o "eu desconhecido", são por elas ignoradas.

A região 1, do "eu aberto", representa os aspectos da personalidade de que o indivíduo tem conhecimento e aceita compartilhar com os outros. Segundo pesquisas, a produtividade e a eficácia estão relacionadas à quantidade de informações possuídas mutuamente num relacionamento, ou seja, dependem de uma maior área aberta.

Quanto menor a área aberta no relacionamento interpessoal de um grupo ou organização, menor a sua eficácia.

A região 2, do "eu fechado", representa os aspectos que a pessoa conhece, mas consciente e deliberadamente esconde dos outros por motivos diversos, tais como: insegurança, status, medo da reação, medo do ridículo etc. Essa região constitui a chamada fachada em que o indivíduo se comporta de maneira defensiva. A defesa é inerente a toda pessoa. Mas a questão é saber qual a quantidade de defesa tolerável que não iniba o inter-relacionamento nem impeça seu crescimento.

A região 3, do "eu cego" refere-se àquilo que inconscientemente escondemos de nós mesmos, mas que faz parte de nossa personalidade e é comunicado aos outros através de nossas atitudes e desconhecidas por nós. As pessoas falam através de tudo e não apenas pelas palavras. Em suas atitudes e comportamentos muita coisa é transmitida, sem que o próprio indivíduo perceba.

A área cega é um fator limitante da região 1 e é inibidora da eficácia interpessoal.

Finalmente a região 4, do "eu desconhecido", é a área desconhecida pelo próprio e pelos outros. Nelas estão incluídas as potencialidade, talentos e habilidades ignoradas, os impulsos e sentimentos mais profundos e reprimidos, a criatividade bloqueada. Como exemplo da área desconhecida, pesquisadores em Criatividade afirmam que, em geral, utilizamos apenas cerca de 15 ou 20 por cento de nosso potencial criativo. A região 4 pode tornar-se conhecida à medida que aumenta a eficácia interpessoal dentro de um processo dinâmico.

Não obstante o quadro estático na representação gráfica, o modelo da Janela de Johari é bastante dinâmico e pode ser combinado diferente de acordo com o estilo de cada indivíduo.

As diversas áreas não são estáticas e podem variar de dimensão. O inter-relacionamento grupal pode aumentar a região do "eu aberto". Esse alargamento ocorre com a redução da fachada: aumenta a confiança grupal e o indivíduo se comporta de maneira menos defensiva e disposto a correr riscos. Esse processo é chamado pelos criadores da Janela de Johari, Luft e Ingham, de exposição. Ele implica numa abertura de sentimentos e de conhecimentos pertinentes, com diminuição progressiva do "eu oculto".

Igualmente, o "eu cego", dentro de um processo dinâmico, pode diminuir cada vez mais com a boa vontade estabelecida de lado a lado.

Do lado do indivíduo, a superação das barreiras defensivas facilita-lhe realizar o feedback aceitando as informações e avaliações grupais e vendo como é visto pelos outros.

Do lado do grupo, a maior cooperação e o clima de confiança possibilitam a maior transmissão de dados. Numa palavra, a superação do "eu cego" só é possível com a queda das defesas rígidas e com o estabelecimento da confiança grupal

O objetivo de uma dinâmica de grupo é o de aumentar o "eu aberto" dos indivíduos, diminuindo o "eu fechado e o "eu cego", e conseqüentemente, descobrindo e explorando mais o "eu desconhecido" de cada um.

(continua...)
Combinando as quatro regiões, é possível estabelecer quatro estilos diferentes de relacionamento.

TIPO A
É o estilo bastante impessoal de relacionamento, com o mínimo de exposição e o mínimo de feedback. A área do "eu aberto" é muito pequena e o "eu desconhecido" é a área dominante. As pessoas que usam este estilo são retraídas, distantes e fechadas.

Este tipo de pessoa é mais encontrado em organizações burocráticas. Pelo seu aspecto de relacionamento muito frio e impessoal, as pessoas que adotam esse estilo provocam muita hostilidade, pois põem barreiras às necessidades de comunicação dos outros.

TIPO B
Como no primeiro caso, é um estilo também avesso à exposição, sendo o "eu fechado" a área dominante por causa de uma desconfiança básica nos outros. A fachada é grande e nada de pessoal é comunicado.

Ao contrário do tipo A, este tipo utiliza excessivamente o feedback no desejo de estabelecer relacionamento. Sua falta de confiança provoca a desconfiança dos outros membros, gerando também sentimentos de desprezo e de hostilidade. Este estilo é adotado pelas pessoas inibidas que bloqueiam a sua comunicação pessoal, particularmente quando estão em grupo. Preferem falar pouco e ouvir muito. Estão muito atentas ao que passa, mas ninguém sabe o que elas pensam.

TIPO C
Ao contrário do tipo B, este estilo baseia-se no uso excessivo da exposição, em detrimento do feedback.

O "eu cego"é a área dominante por isso a pessoa não se dá conta do impacto negativo que transmite aos outros. Ela reflete muita necessidade de afirmação e pouca confiança na opinião alheia. As próprias opiniões são muito valorizadas. Este é o estilo característico dos autocratas.

As outras pessoas sentem-se desconsideradas pelo indivíduo que apresenta este estilo. Acham que ele não dá atenção às suas contribuições e não se preocupa com seus sentimentos. Por isso alimentam frequentemente em relação a ele sentimentos de hostilidade, insegurança e ressentimentos. Em contrapartida, aprendem a se comportar de forma a perpetuar o " eu cego " do indivíduo, privando-o de informações importantes ou fornecendo-lhe apenas um feedback seletivo.

TIPO D
Neste estilo, que é o ideal, os processos de exposição e de feedback são bastante usados e de maneira equilibrada. Procede-se com sinceridade e honestidade e ao mesmo tempo, com sensibilidade em relação aos outros. O "eu aberto" é a região dominante no relacionamento. Graças à sua atuação, a área do "eu desconhecido", própria e dos outros, pode ser progressivamente descoberta e aproveitada.

De início, este estilo pode provocar certa atitude defensiva dos outros, por não estarem acostumados a relacionamentos baseados em sinceridade e confiança. Mas a perseverança tende a promover uma norma de sinceridade recíproca com o passar do tempo, possibilitando a obtenção de confiança e o aproveitamento do potencial criativo.

(continua...)
Fatores que contribuem para a eficácia e a qualidade do feedback:


1 - CONSTRUTIVIDADE
É o fator número 1.Deve ficar bem claro, através de clima positivo criado, que ao dar o feedback a intenção é contribuir para o melhorar e desenvolver o outro e não usar o feedback como pretexto para atacar, diminuir ou derrubar ("fodeback").

2 - TRANSPARÊNCIA
Expressar realmente o que se pensa e sente. "Amigo é o que diz o que precisamos ouvir e não o que gostaríamos de ouvir."

3 - SENSIBILIDADE E TATO
É preciso dizer a verdade mas com sensibilidade e habilidade, de forma a não estimular e provocar atitudes defensivas. O ser humano é por natureza defensivo.

Necessário se torna saber expressar as verdades incômodas, de forma a ser de fato ouvido, conseguindo receptividade.

4 - CONFIANÇA
Tentar ganhar a confiança da outra parte de modo a que ela se desarme e se predisponha a ouvir. A melhor forma é dar exemplo, sabendo ouvir e expor-se.

5 - POSITIVIDADE
Dar feedback não é apontar somente os pontos negativos ou a melhorar.

Reconhecer os pontos fortes/positivos é fundamental do ponto de vista psicológico. É o reconhecimento do que a pessoa tem de bom que dá a ela a força e a segurança para ouvir sobre o que tem a melhorar.

6 - CLAREZA
Falar de forma clara, evitando obscuridades. Dar exemplos, ajudando a parte interessada à aprender melhor.

7 - OBJETIVIDADE
Saber ir aos pontos mais importante e prioritários, evitando prolixidade, detalhes sem importância ou excesso de feedback de uma só vez.

8 - SENSO NAS COLOCAÇÕES
Ter o senso exato do que se afirma, evitando julgamentos radicais e generalizados. Ao invés afirmar: "você é isto", dizer "Está se comportamento de tal forma" é diferente.

9 - INICIATIVA
Sempre que necessário, tomar a iniciativa para receber ou dar feedback. Não esperar que os outros venham primeiro. Demostrar que ele será sempre bem recebido. Igualmente, tomar a iniciativa para dar feedback sempre que necessário sem esperar que primeiro seja pedido.

10 - PERSISTÊNCIA E CONTINUIDADE
Repetir o feedback tantas vezes quanto for necessário. Apesar da boa intenção, as recaídas fazem parte do ser humano. A prática do feedback deve ser constante.

11-PLANO DE AÇÃO
É a chave de ouro.

Não adianta só ouvir, entender e aceitar. É preciso agir com determinação estabelecendo um plano de ação, começando por atacar o que for mais importante e prioritário: o que, como e quando. Buscar ajuda quando necessário.

(continua...)
Fatores que prejudicam o feedback:

A- DA PARTE DE QUEM DÁ O FEEDBACK

1 - CLIMA DE LUTA, ABERTA OU MASCARADA, E/OU COMPETIÇÃO EXCESSIVA:
Usar o feedback como arma para diminuir ou derrubar o opositor/competidor a quem se dá feedback.

2 - POSTURA NEGATIVA:
Apontar apenas os pontos negativos que deixam a desejar sem reconhecer os pontos positivos.

3 - COLOCAÇÕES AGRESSIVAS OU FRIAS:
Falta de tato e sensibilidade ao dar feedback sem preocupar-se com a forma de expressar-se e como a pessoa vai receber e entender.

4 - JULGAMENTOS MUITO RADICAIS:
Ao invés de dizer "você me passa tal impressão ou está agindo assim", fazer afirmações categóricas e generalizadas: "você é isto".

5-COLOCAÇÕES EXCESSIVAMENTE POLÍTICAS E SEM AUTENTICIDADE:
Por insegurança ou por interesse não expressar o que pensa ou sente, mas o que pega melhor ou o que a outra parte quer ouvir. É o que acontece em geral quando liderados dão feedback para líderes autoritários e temíveis.

B - DA PARTE DE QUEM RECEBE O FEEDBACK:

1-POSTURA EXCESSIVAMENTE DEFENSIVA / FALTA DE RECEPTIVIDADE:
Encarar o feedback como um ataque e não uma contribuição, fechando-se numa posição defensiva. Pessoas que têm fantasias persecutórias são as mais defensivas. Tudo é vivido como ataque ou perseguição.

2 - AUTO-SUFICIÊNCIA E COMPORTAR-SE COMO O DONO DO VERDADE:
Essas pessoas muito auto-suficientes mantêm-se muito fechadas e têm um "eu cego" grande, rejeitando qualquer feedback: "Não é nada disto" ou "não concordo." Aceitam apenas feedback positivos ainda que não verdadeiros.

3-INSEGURANÇA:
Medo de ouvir feedback de pontos não positivos ou a melhorar, achando que vai ficar arrasado e nada vai sobrar.

4-TEIMOSIA:
Teimar contra a evidência e contra todos." Não é, não é, não é."

5-COMPORTAMENTO POLÍTICO:
Representa. Fazer de conta que ouve e aceita para impressionar bem sem de fato aceitar internamente.

6-ESCUTAR SEM OUVIR E PROCESSAR:
Escutar superficialmente sem aprofundar nem processar, trabalhando o que foi ouvido. Tudo morre ali e nada muda.

7-NÃO PARTIR PARA A AÇÃO:
Pode-se até aceitar bem e ouvir, mas sem tomar atitudes concretas para mudar e melhorar. Não se estabelece um plano de ação: "O que precisa mudar e o que vou fazer para isto ". É a consciência sem a conscientização.

(imagem e texto retirados daqui)
Recebi uma notícia de morte. Não era alguém muito próximo, mas fazia parte de um grupo ao qual pertenço. Além disso, uma morte precoce sempre nos alerta, nos impele a avaliações.

Não faz muito alguém segurou na minha mão e perguntou se eu havia morrido. Temo dizer que sim e me escondo no escuro e no silêncio. Não sei se morri, mas com certeza estou mais etérea, quase diáfana. Essa transparência traz vantagens e também desvantagens. Posso ser eu à vontade em meu próprio mundo particular e oculto. Entretanto as pessoas passam através de mim sem saberem que depois tenho que repor tudo no devido lugar sozinha. E elas sequer se dão conta disso.

Tinha um sonho que quase se cumpriu uma vez antes de transformar em pesadelo. Hoje já o abandonei porque sei que ele só me traz sofrimento. Tenho outros que não sei se já passaram do tempo. Talvez sim. Não é confortante a idéia de que se passou da idade para certas coisas. Foco então no possível e tento, do meu jeito canhestro, torná-los reais, que não sou do tipo de gente que se farta com migalhas e restos. Revirar lixeiras? Estou fora! Nasci para brilhar. E gosto de ter a minha volta quem, como eu, saiba polir. A si mesmo e a mim. Gosto de quem também sonha bonito. Gosto de realizar sonhos, que sonhos não realizados são espinhos doloridos demais. Felizmente há ainda muito tempo para muita coisa. Dou as boas vindas a quem se dispuser a embarcar comigo. Para os demais, lenço branco.

Mixaria me cansa. Gosto da fartura de sorrisos, de carícias, de afeto, de troca, de amor. Comedimento é coisa para fracos. Sou franca e não gosto de jogos. Nem dos de guerra, nem dos afetivos, nem dos das regras sociais. Quero arrebatamento! Quero tesão! Quero amplos gramados onde possa soltar as feras da minha insanidade sem ferir ninguém... Fazer-me miúda para não incomodar me exaure e me adoece. Quero espaço para ser! Rir quando estiver com vontade e ter motivos para querer a toda hora.



A seta e o alvo
(Paulinho Moska / Nilo Romero)

Eu falo de amor à vida
Você, de medo da morte
Eu falo da força do acaso
E você, de azar ou sorte
Eu ando num labirinto
E você, numa estrada em linha reta
Te chamo pra festa
Mas você só quer atingir sua meta
sua meta

É a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera

Eu olho pro infinito
E você de óculos escuros
Eu digo: "Te amo"
E você só acredita quando eu juro

Eu lanço minha alma no espaço
Você pisa os pés na terra
Eu experimento o futuro
E você só lamenta não ser o que era
E o que era?

Era a seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera

Eu grito por liberdade
Você deixa a porta se fechar
Eu quero saber a verdade
E você se preocupa em não se machucar

Eu corro todos os riscos
Você diz que não tem mais vontade
Eu me ofereço inteiro
E você se satisfaz com a metade

É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?

Sempre a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?




12.12.01

Sou duas.

Mas não é um bom dia para falar sobre isso. Não é um bom dia para coisa alguma.

Comecei o dia apelando para o humor cáustico e cítrico, mas não me valeu. Melhor reunir todas as almofadas da casa sob meu corpo e esperar a dor de cabeça passar, o enjôo dar trégua, a luz e o som pararem de machucar e as águas se acalamarem.

Um dia à deriva. Só por hoje parei de remar. Só por hoje não vou sorrir. Só por hoje vou calar. Só por hoje a imobilidade. Só por hoje um flerte com o lado negro. Só por hoje nem música nem luz. Só por hoje solidão. Só por hoje...

Amanhã a enxaqueca passa e retomo meu vício de felicidade.