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12.5.04

Ligaram ontem da escola para que eu fosse buscá-lo mais cedo porque apresentava sintomas da epidemia do momento: conjuntivite.

Como ele teria que ter um atestado médico para hoje, fosse garantindo que não era contagioso e que ele poderia freqüentar as aulas ou abonando suas faltas, de lá fomos direto para oftalmologista. Conseguimos o último horário do dia na clínica. O pai passou de carro pela escola e por aqui em casa porque a carteirinha do plano de saúde estava comigo. Resolvi ir junto, na última hora, embora tivesse um compromisso profissional marcado em Copacabana às 19h00. Ia dar tempo.

Ele veio chorando no carro, aborrecidíssimo porque não poderia ir à aula de vôlei. Na sala de espera do consultório, observei sua apreensão, porque ele não conseguia se manter sentado. Ao contrário do normal, nada prendia sua atenção, nem a onipresente TV, nem as revistas, nem o game do celular, nem o papo de mãe tentanto tranquilizar o filho.

A médica, já conhecida, mal conseguia andar. Era o último horário de seu último dia antes da licença maternidade. No primeiro exame verificou-se que o menino está com dificuldades para enxergar. Ele, ainda mais contrariado, ouviu quando ela disse que depois que terminar a infecção, ele deve voltar para um exame mais detalhado. Provavelmente terá que usar óculos. Pinga colírio. Protestos inúteis. Aplica anestésico. Aí, isso arde muito! Não fique nervoso, só vou mexer na pálpebra pra ter certeza. Ei, não faz isso. Não se joga desse jeito que...

Bum! Ele caiu desmaiado pra trás e bateu com o parte posterior da cabeça com toda força no chão de granito. E ali ficou, com os olhos abertos e sem qualquer reação, completamente desacordado. Só me dei conta de que eu estava gritando quando a recepcionista entrou no consultório com ar desesperado para ver o que estava acontecendo. Olhei para a médica. Ela estava quase tão assustada e surpresa quanto eu. Não sei fazer parto e a barriga dela parecia maior que nunca.

Próxima parada: pronto-socorro infantil. O gigantesco galo cantava retumbantemente. O garoto só reclamando de fome e muito sono. Oh, céus! Sono não. Cadê o neurologista? Compromisso em Copacabana? Que compromisso em Copacabana? Cliente esperando retorno de ligação? Amanhã é outro dia.

Raio X. Ficha a preencher. Pesa, mede, examina. E então, doutora? Talvez seja necessária uma tomografia. Talvez seja necessário internar para ficar em observação. Alergia a algum alimento?

Finalmente o neurologista chega. Antecedentes? Não. Histórico familiar? Não. Ô garoto, você tava nervoso por causa do exame? Bingo! Ele até deu um nome bonito e pomposo pra esse tipo de reação de medo, comum em crianças em relação aos procedimentos médicos, mas já não estava mais ouvindo, tamanho o alívio.

O restaurante que eu quiser, mãe? A comida que eu quiser, pai?

Muita pizza no rodízio da Parmê pra comemorar que do coração não morremos mais.

Mas adivinha quem passou a noite em claro, levando muito a sério, corujamente, a recomendação de observação!

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