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19.3.05

VEM, VENTO

Ruminar arrependimento, preocupação e angústia não faz o meu estilo. Geralmente minha cabeça, já bem educada neste aspecto, não se perde nesses labirintos. Porém sempre tem aquela noite em que o sono custa a vir ou aquele dia mais turvejante em que a gente se descobre a um passo dessas armadilhas.

Uma coisa que gosto de mentalizar nessas horas é uma nuvenzinha bem escura e pesadona, daquelas que a gente vê por sobre a cabeça de tanta gente por aí. Então cantarolo:

“Vem, vento
Caxinguelê
Cachorro do mato
Quer me morder”


Ou em casos mais urgentes, evoco rapidamente: “Vento!” ou “Sopro!” ou ainda simples e onomatopeicamente “Fuuuuuuu!”.

Quando o que tenta se apossar de mim são lembranças tristes, esconjuro com “Algodão-doce!”. Dá pra ficar melancólico pensando numa matéria etérea cor-de-rosa que sempre está cercada de sons e imagens infantis, música e festa? Entretanto ultimamente venho evitando fixar minha alma nisso, principalmente quando o sentimento negativo me acomete sob o edredon. É que vai me dando uma larica...

E acabei descobrindo outra palavra mágica: “Veleiro!”. O cheiro e o balanço suave do mar, o toque da brisa e do sol na pele, o horizonte, o céu...

Como açúcar na água, baixo astral se dissolve com lufadas de iodo, mesmo que apenas imaginário. É importante manter os cantos do espírito bem arejados.

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