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10.5.06


No próximo dia 17/05, quarta-feira, às 14 horas, a Faculdade CCAA exibirá o filme Favela Rising . Em seguida, José Júnior e Anderson Sá farão uma palestra sobre o trabalho desenvolvido à frente do Grupo Cultural Afro Reggae.

SOBRE O GRUPO CULTURAL AFRO REGGAE

Quem diria que de uma festa de reggae, sem mais compromissos, nasceria um projeto que hoje é referência entre as ações sócio-culturais desenvolvidas em favelas? Pois sim. O sucesso obtido com a realização da 1º Rasta Reggae Dancing, em 1992 no Centro do Rio de Janeiro, estimulou a criação, no ano seguinte, do Jornal Afro Reggae Notícias, um veículo direcionado à divulgação da cultura afro-brasileira. As dificuldades financeiras para editar o jornal levaram seus organizadores, dentre eles José Junior, atual coordenador executivo do grupo, a procurarem uma alternativa de interferir socialmente de maneira mais eficaz. Nasceu, assim, a idéia de usar a cultura como instrumento de mudança social que é, até hoje, a característica mais marcante do Afro Reggae.
Em agosto de 1993, o Brasil assistiu, com perplexidade, as notícias sobre o assassinato de 21 moradores de Vigário Geral por policiais militares, em represália ao assassinato de quatro policiais por traficantes da favela. O AfroReggae, que chegou a Vigário um mês após a tragédia, começou, com a ajuda da associação de moradores, a oferecer oficinas de percussão, reciclagem de lixo, capoeira e dança afro para os jovens daquela comunidade marcada pelo trauma. Em 1994 estava montado o Núcleo de Vigário Geral.
Atualmente, o AfroReggae se estabelece em mais três comunidades: Parada de Lucas, Cantagalo-Pavão-Pavãozinho e Complexo do Alemão e desenvolve, também, projetos em mais quatro: Morro do Estado, Honório Gurgel, Paciência e Parque Arará.

Em Vigário Geral são desenvolvidas oficinas de percussão, capoeira, dança, teatro e tai chi chuan, oficina voltada para a terceira idade. Há o Criança Legal, um programa de preparação de crianças para a educação formal, e também o NAH (Núcleo Afro Hip-Hop), que vem desenvolvendo oficinas baseadas nos elementos da Cultura Hip-Hop. Dentre todas as atividades artísticas desenvolvidas, a música tem sido o instrumento mais eficaz para atrair os jovens. Após a criação da banda AfroReggae, surgiram mais oito grupos musicais, denominamos subgrupos, além da trupe de teatro. Essas atividades ainda são desenvolvidas em diferentes espaços na comunidade, já que será inaugurado um espaço próprio, o Centro Cultural Waly Salomão.

Em Parada de Lucas – favela vizinha a Vigário, e que mantém com esta uma guerra desde o início da década de 80, há um centro de cultura e informática, o Centro de Inteligência Coletiva Lorenzo Zanneti. Fora as oficinas ligadas à informática, realizam-se oficinas de Alfabetização de Adultos (em parceria com o CEASM), História em Quadrinho, Teatro, Violino e Teoria Musical (projeto Acorda Lucas).

No Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, situado entre Copacabana e Ipanema, desde 1996, está o Anfiteatro Benjamim de Oliveira, onde se formaram outros dois subgrupos: O Afro Circo, formado pelos circenses mais experientes, e a trupe do Levantando a Lona.

No segundo semestre de 2005 o Afro Reggae instalou um projeto no Complexo do Alemão. São realizadas oficinas de circo, dança, percussão e teatro.

Não se pode deixar de mencionar o Conexões Urbanas. Através deste projeto o AfroReggae, em parceria com a Secretaria Especial de Eventos da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, tem levado espetáculos, entretenimento, cidadania e informação para inúmeras favelas do Rio de Janeiro.

Outro projeto que merece atenção é o Juventude e Polícia. A iniciativa é coordenada pelo Grupo Cultural AfroReggae e pelo CESeC, em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais e o Programa Fica Vivo, através da Secretaria de Defesa Social de Minas. O objetivo é diminuir as barreiras de estigma e preconceito que envolvem a relação entre a juventude das favelas e a corporação policial.

Há ainda outros projetos e idéias sendo desenvolvidas. Em breve, um outro documentário, este dirigido por Cacá Diegues, contará de forma abrangente a história do grupo. Essa mesma história é narrada por José Junior em seu livro Da favela para o mundo, que terá sua segunda edição (revista e atualizada) lançada no início de 2006. Ali episódios da história do AfroReggae são revividos em detalhes, como por exemplo, a recente experiência de mediação de conflito – uma das principais estratégias de ação do grupo hoje –, que colocou integrantes do grupo numa situação de muito risco pessoal, mas que contribuiu para abrir caminhos no sentido de estabelecer medidas reais, realizáveis, de mediação em áreas marcadas por guerras do narcotráfico.

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