Pesquisar este blog

17.4.03

Seis Graus de Separação ou Globalização


O que aquela adolescente beatlemaníaca, espinhenta e mal-humorada de um subúrbio carioca na década de 1980 diria se alguém lhe informasse que em 2003 ela estaria envolvida em um mesmo projeto que o Paul McCartney?
Hoje eu me comprometo a relevar todo o inconveniente e a toda a contrariedade que senti ontem, decido desligar o modo menina mimada e resolvo esquecer o crescente desespero que tomou conta de mim, culminando com o vizinho batendo à porta às 22:30 para avisar que tinha batido e arrebentado a fechadura do nosso carro na garagem.

Hoje eu tomo em minhas mãos a decisão de ir adiante e de retomar minha postura de contar bênçãos e não contratempos.

Hoje estou olhando meu lar amoroso e não os consertos que o apartamento demanda.

Hoje já consegui avançar dois passos no projeto nº1, já resolvi deixar para trás o passado no CD de backup e já recomecei.

Hoje é o primeiro dia do futuro.

Hoje recebi nova encomenda de trabalho.

Hoje está fazendo um dia lindo, a noite será de lua cheia e amanhã é dia de família toda em casa.

16.4.03

Pois é, estou de volta.

O computador pifou, o provedor parou de receber e de enviar mensagens, meu blog saiu do ar na rebarba. E tudo bem.

O pintor só trabalha final de semana e feriado, meu sintekeiro de confiança está com o joelho operado e fora da jogada por 8 meses, o eletricista casou, mudou e não deixou endereço. Eu continuo sorrindo.

Tenho que comprar ovos de Páscoa para a pivetada da família, livros que a escola do moleque pediu, presente para minha sobrinha que faz um aninho, tela de proteção, tomadas, bocais, cortinas e tudo o mais que se possa imaginar para tornar um apartamento habitável e o banco só sabe fazer operação de subtração na minha conta corrente. A vida é bela.

Sou highlander, podes crer. A vida manda, a gente encara. Sorrindo, pra ficar mais bonito. E cheia de idéias, planos, sonhos e esperanças, pra pelo menos valer a pena.

Mas, por via das dúvidas, um ramo de arruda atrás da orelha e um espelho à porta.

Esta é uma dica para quem quer comprar presente para o Dia das Mães:


BAZARTE
bazar das artes
especial Dia das Mães



Moda, decoração e arte:

* Papel machê
* Cartões personalizados e papelaria
* Bolsas de crochê
* Pinturas a óleo
* Cerâmica
* Mosaicos e muito mais

Data: dias 3 e 4 de maio
Horário: de 14h às 21h
Local:


Pedido de doação de sangue
Rio de Janeiro



Luiz Fernando Marques Linhares se encontra com uma enfermidade hepática grave, e agora conseguiu, depois de 5 anos na fila de espera, a possibilidade de realizar uma cirurgia de transplante de fígado. Porém, o Hospital que irá realizar esta cirurgia precisa de 50 doadores de sangue de qualquer tipo. A família já conseguiu 20, faltam 30.
Pedimos aos que puderem doar ou indicar doadores que se dirijam ao Hospital Clementino Fraga, na UFRJ do Fundão (Recepção) e especifiquem que se trata de uma doação em nome dele (Luiz Fernando Marques Linhares).

Horário das 07:30 as 11:30.

A pessoa deve ir em jejum.

Os requisitos do doador são:
Peso acima de 50 Kg e não possuir nenhuma histórico de doença hepática e/ou infecto-contagiosa, sem tatuagens.

Maiores informações, por favor entrem em contato com Osmar, ormarques@urbi.com.br

8.4.03

Não estou acostumada às coisas dando errado para mim.
Sempre ganho o que desejo com força.
Ou caminhos bons surgem como alternativa para o que não pode, não deve, não quer ser.
Então, no fundo, eu sei que tudo isso é uma enorme seqüência de contratempos.
Mas, ô, já tá de bom tamanho, viu?
Meu computador está louco.
Estou virando uma mulher almodovariana (pré-Fale com Ela).
Minha irmã sugere que eu gaste bastante joelho diante do Ser Supremo. Oferece os joelhos dela também. Agradeço enternecida.
Corro de cartório em cartório, de guichê em guichê. O mal mora por detrás daqueles vidros.
Entro e saio dos buracos do chão chamados estações de metrô. Tento por a leitura em dia.
Olho para o céu. O cinza ameaçador parece adequado ao frio esperado no outono. Ando quadras e mais quadras. Suo muito.
Trabalho. Ofereço oportunidades. Contrato. Fecho parcerias.
Pintura, taco, puxadores, sinteco, tinta, espelhos, bocais, lustres, lustradores...
Assinaturas, contratos, reconhecimento de firma, advogados, burocracia, fiador, Light, CEG...
Dever de casa, caraca atrás da orelha, aparelho para os dentes, reunião de pais e mestres, presente para a amiguinha aniversariante do final de semana...
Depilação, hidratação capilar, podólogo, limpar, esfoliar, tonificar, hidratar e provar (sei lá porque) que, não, ainda não preciso usar tintura principalmente para esconder os brancos...
Instinto Selvagem, O Império dos Sentidos, O Último Tango em Paris, Corpos Ardentes, Carne Trêmula, Garganta Profunda, Rio Babilônia, Nove Semanas e Meia de Amor, Eu Te Amo...
Bagdá, Rio de Janeiro, China...
Meu computador trava enquanto leio as mensagens.
Meu computador está louco.
Estou louca.
O (meu) mundo está louco.

3.4.03

LIÇÕES INQUESTIONÁVEIS?

Você é daqueles que repetem as lições de D. Maricotinha, sua professora do primário, como verdade absoluta? Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil em 22 de abril de 1500? Graham Bell inventou o telefone? Tem certeza? Você admite a idéia de que questionamentos empurram a humanidade para a frente ou acha que esta história de ser cético muito torturante e prefere ficar bem quietinho no seu canto repetindo que Copérnico, Galileu Galilei e Darwin são uns chatos desmancha-prazeres?

Pois eu sempre achei D. Maricotinha muito simpática e carinhosa, mas que se até muitas das coisas que Mamãe me ensinou não eram bem daquele jeito, porque eu teria que ter fé cega na minha professorinha?

Quero abrir uma nova série por aqui e quero contar com sua colaboração.

Para inaugurá-la, Antonio Meucci, o inventor do telefone.

O Congresso norte-americano já corrigiu o erro histórico e os parlamentares reconheceram o florentino Antonio Meucci como o verdadeiro inventor do telefone. O escocês Alexander Graham Bell seria um oportunista que se aproveitou do trabalho de Meucci, um imigrante miserável que não tinha um tostão para pagar o registro de patetente de seu invento. O governo canadense discorda desta versão e defende Bell. D. Maricotinha também.

Saiba mais:

http://www.uol.com.br/debate/1109/cadd/cadernod05.htm
jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/domingo/ 2002/06/29/jordom20020629008.html
www2.correioweb.com.br/cw/EDICAO_20020620/ vid_mat_200602_9.htm
epoca.globo.com/edic/214/peri2a.htm
http://www.fotonadia.art.br/ameucci/
http://www.rnw.nl/parceria/html/so020618bell.html
http://planeta.terra.com.br/arte/arteculturanews/art262.htm


Que versão dos fatos você prefere?

A cultura do respeito à vida exigia que a impiedade se ocultasse na sombra da virtude. A infração assassina se estruturava de tal maneira que o nexo entre a causa e o crime se tornava inteligível à luz dos princípios éticos dominantes. Outra coisa são os crimes sem razão ou por razões morais irrelevantes. Nesses casos, o abismo entre a causa e o crime é tão profundo que não temos como entender, do ponto de vista moral ou emocional, o que aconteceu.

Nos dias atuais, é justamente isso que horroriza. As razões pelas quais se mata são tão irrisórias ou mentirosas que, frequentemente, somos levados a pensar que só há duas saídas: ou damos as costas ao que vemos ou desejamos que a lei do talião venha massacrar a baixeza, o cinismo e a brutalidade dos matadores. Em outras palavras, estamos prestes a jogar para o alto séculos de cultura humanitária, em favor de um mundo cuja escala moral é a sarjeta.


(trecho do texto maravilhoso de Jurandir Freire Costa , que encontra-se na íntegra aqui; dica do Repórter Mosca)
E por falar nisso:

Mutante
(Rita Lee)

Juro que não vai doer se um dia roubar
o seu anel de brilhante
Afinal de contas eu dei meu coração
e você pôs na estante
Como um troféu no meio na bugiganga
você me deixou de tanga
ai de mim que sou romântica
Quando eu me sinto um pouco rejeitada
me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
depois eu passo pra outra
Como um mutante
no fundo sempre sozinho
seguindo o meu caminho
ai de mim que sou romântica
Kiss me Baby, Kiss me
pena que você não me quis
Não me suicidei por um tris
ai de mim que sou assim

Sou um ser mutante.

Assim, vou passando de fase para fase continuamente e quase sempre gradualmente. Entretanto, algumas vezes, sou capaz de detectar o momento exato do fechamento de um ciclo. Acontece agora.

Outras vezes, percebo que um relacionamento se exauriu. Não houve brigas ou confrontos, simplesmente as pessoas evoluem em direções diversas. E entra lei tostines. Você não vai perdendo o lastro porque a vida puxa para longe. A vida puxa para longe porque o lastro se perdeu.

Num momento e no outro, é preciso exercitar o desapego, deixar ir, arejar, abrir espaço para o novo.

Os mutantes são capazes de fazer isto sem grandes dramas.

2.4.03

Informação inútil, mas bonitinha:

Tesape, em guarani, significa iluminação, radiação, raio de luz.

Tesape para todos nós, então.
Acho engraçado pessoas que, mesmo depois de velhas, quando os argumentos acabam apelam:

- Boba, feia, chata!
Para arejar e dar um tempo nas grandes questões mundiais: colette!

1.4.03

31.3.03

Ráutchubi a carioca II

Olha, eu sou dura na queda, mas ando bem balançada. Tenho recebido e-mails de pessoas dos EUA que viram um programa que passou aí com aquele meu amigo que foi assassinado em janeiro. No fim do tal programa (minha irmã e o irmão dele, com quem ela é casada, acabaram de receber uma cópia em fita) há uma nota dizendo que ele faleceu pouco depois da gravação. É onde ele aparece como o carioca típico, feliz, em boa forma, trabalhando duro como professor de Educação Física, aproveitando a vida... As pessoas vêem aquele homem lindo, sarado, contente que só ele e logo depois uma nota sobre sua morte e correm para a Internet para saber o que houve e acabam me encontrando no blog. Como explicar que agora ser carioca típico também implica em morrer assasinado sem razão?

Ontem eu fui à missa de sétimo dia da Gabriela, a menina que morreu ao ser atingida por uma bala perdida durante um assalto a uma estação do metrô. Fui pelo Fábio, fui porque como mãe não consigo alcançar o que seja a dor de pais que perdem uma filha desta maneira estúpida, fui porque o assassinato aconteceu na minha estação de metrô, fui porque eu amo esta terra - caramba! - e quero andar pela rua (e estar em casa) com segurança.

Além de uma visível consternação de todos, havia no ar um clamor pelas providências,
pela punição dura dos culpados, por mais que uma mensagem de pêsames por parte da governadora mentiRosinha. Por todo lado lágrimas, branco e revolta.

Ainda durante a celebração da missa (na verdade, um culto ecumênico) foram anunciadas mais duas cerimônias-manifesto (uma pelo juiz assassinado no ES - dia 3/4 paróquia N. S. de Loudes em Vila Isabel; outra pela paz em geral - próximo sábado, a partir das 10:00 na Praça Saens Peña). Devo ir também às duas.

Porque há pouco mais a fezer além de prestar muita atenção para as próximas eleições e continuar se manifestando, mostrando o profundo descontentamento, protestando e rezando, rezando muito, muito, muito...
Ráutchubi a carioca I

Outono no Rio
(Ed Motta/Ronaldo Bastos)

Me dê a mão
Vai amanhecer
Juntos pela madrugada
Luz, contra-luz
Sobre os Dois Irmãos

Pra mim
Há um lugar para ser feliz
Além de abril em Paris
Outono, outono no Rio

No seu olhar
Já se fez manhã
Vamos logo a Guanabara
Vai se fechar
Vou levar você
Pra mim...

28.3.03

UMA REVISTA CONSCIENTE
Vendida nas ruas, Ocas repete no Brasil experiência que deu certo no exterior


A revista Ocas (Organização Civil de Ação Social) é produzida por uma equipe de profissionais que trabalha de forma voluntária e contando com alguns apoios. Trata-se de um instrumento que tenta desenvolver auto-estima e devolver cidadania à população de rua da cidade. Uma iniciativa que vai se consolidando no Brasil, no Rio e em São Paulo, repetindo uma bem-sucedida experiência de outros 42 países, que, como aqui, enxergam na informação e oportunidade de trabalho um atalho para o resgate da dignidade.

Ocas nasceu ano passado, fazendo parte da International Network of Street Papers, uma rede composta por diversas publicações que funcionam em esquema similar: são vendidas por moradores de rua, que, depois de cadastrado, ganham os primeiros exemplares gratuitamente, passando, adiante, a ser os agentes de sua própria transformação. No Brasil, as revistas são vendidas a R$2. Desse valor, R$1,50 fica para o vendedor.

A equipe da Ocas é formada por uma série de profissionais voluntários como jornalistas, designers e fotógrafos. Uma psicóloga, Elaine Santos Caetano, é contratada do projeto no Rio. Faz o contato e cadastramento dos vendedores e avaliação de sua situação social. No Rio são 194 vendedores inscritos, mas apenas cerca de sete trabalham regularmente.

A Ocas não tem sede própria. Um galpão no Dispensário Imaculada Conceição, em Botafogo, serve como centro de distribuição e contato. Em São Paulo, está instalada em um espaço cedido por uma igreja no Brás. Fundalmentalmente conta o apoio de uma gráfica paulista e de patrocínios de instituições como o British Council e a empresa M. Officer, que agora estudam a continuidade da ajuda.

Com tiragem de 7,5 mil, Ocas tem todo mês cerca de 70% dos exemplares vendidos. Vez por outra esgota a edição, como a do mês de outubro, centrada no problema da pobreza.

Ocas mescla reportagens de viés social, comportamento, ensaios críticos, notícias internacionais e espaço para os próprios vendedores se expressarem. Mas é preciso ressaltar, não se trata de um projeto assistencialista.

_ As pessoas devem comprar a revista não para ajudar, mas porque conhecem e gostam do trabalho _ diz o editor.

Luciano Rocco sabe que o projeto não é a solução para todos.

_ Ninguém acha que eles vão vender revista a vida toda. Esse é apenas o primeiro passo para um caminho em direção à reconquista da cidadania e reintegração social _ sublinha.


(resumo da matéria publicada no Jornal do Brasil em 1º de fevereiro de 2003)

Os vendedores têm idade mínima de 18 anos, recebem treinamento, assinam um código de conduta e portam crachá. Por favor, compre apenas de vendedores identificados.
"O preço da liberdade é a eterna vigilância"
(Thomas Jefferson)


Esta tem sido uma semana de lançamentos.

Na segunda foi dia de dar um beijo na nossa amiga Graça, que não é outra senão a premiadíssima ilustradora Graça Lima. Era dia de lançamento de outro livro que ela ilustrou com todo o seu talento: Dadá e Dazinha de Luiz Antonio Aguiar.

Na ocasião, o autor interrompeu por alguns minutos a sessão de autógrafos para fazer uma reflexão sobre a guerra.

Ele lembrou dos tempos da infância, da descoberta do mundo através do encantamento dos livros de Monteiro Lobato e citou A Chave do Tamanho. Depois leu, lembrando dos avanços do Império, um lindo poema de Vladimir Maiakóvski que divido com vocês:

Na primeira noite
eles se aproximaram
e colheram uma flor
no nosso jardim.
E nao dissemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam nas flores,
matam nosso cão.
E não dissemos nada.
Até que um dia
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
CIDADANIA


A vida é muito rica para quem se abre para o universo. Ontem cedo fui ao velório e ao sepultamento de um tio muito querido, mas não pude deixar que a saudade me imobilizasse e à noite fui participar da conquista importantíssima de amigos preciosos.

Assim, fui a inauguração do site Cidadania. Cria da Rits, pelas mãos de gente como nossos queridos Paulo Lima e Graciela (e dedinho de Cláudia Letti), o evento ainda contou com a participação de heróis nacionais anônimos e famosos, como Marcelo Yuka e Zequinha Barbosa. Os dois últimos usaram de seu carisma para falar sobre a necessidade de diminuir as distâncias entre os brasis e como a internet é um meio importante para que isso aconteça. Também teve show dos meninos da Fundação São Martinho e dos Doutores da Folia.

A festa foi muito bonita, mas o mais legal é saber que tem muita gente se mexendo, fazendo seu trabalho de formiguinha para transformar o país e o mundo em um lugar melhor. E, mesmo tendo me impressionado com os diversos exemplos que o Yuca trouxe de dentro das comunidades para mostrar o interesse de todos pelo acesso à tecnologia (segundo ele, todos querem liberté, egalité e tecnologê), o que ficou reverberando na minha cabeça foi a sublinha que o regente do coral dos meninos colocou num verso de uma marchinha de carnaval: "Eu não quer colar, Índio quer apito."

É preciso dar voz a todos.

E amanhã é dia da inclusão digital.

PS: Corrigi no texto acima os doutores: de Doutores da Alegria, que também realizam um trabalho maravilhoso, para Doutores da Folia, que eram os caras que realmente estiveram no evento.