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19.10.05

Brasília, 17 de outubro de 2005

Companheiros Secretários Municipais de Saúde

Não podemos nos omitir no referendo sobre a proibição do comércio de armas no Brasil, nós que conhecemos de perto a tragédia da violência, as conseqüências não apenas para os agredidos, mas para a saúde de seus próximos e de toda a sociedade.

A violência é a grande doença da sociedade hoje. Nòs que trabalhamos com a dor e com a morte, sabemos que não é multiplicando pronto socorros e UTIs – necessários, é claro – que iremos reduzir essas mortes evitáveis, esse grande sofrimento pessoal e coletivo. Queremos utilizar nossos recursos, nossos saberes, nossa tecnologia em favor da vida, para promover a vida.

Muitas pessoas parecem ter ficado em dúvida sobre o voto, com a propaganda dos "lobbies" que querem proteger o comércio de armas. A que custo! São 40 mil mortes por ano, 108 por dia. A maioria jovem. Temos o direito à vida. Temos o dever de cuidar da vida. Não é possível sobrepor um interesse – chamado de direito individual – acima da vida.

É importante que nós secretários e profissionais de saúde ajudemos a esclarecer a população, para que ela vote consciente, informada.

Temos disponibilizado todo o tipo de material informativo no site do CONASEMS: www.conasems.org.br. A Secretaria Executiva do Conselho e os funcionários do Escritório podem ser acionados para enviar esse material por e.mail, por fax, por sedex. O importante é que a gente contribua para divulgar informações pela vida.

Junto um pequeno texto. Fala de três aspectos que têm sido abordados de modo falacioso na campanha. Ajudem a divulgar, chamem os profissionais de saúde para informá-los e esclarecê-los, pois eles são formadores de opinião.

O Brasil precisa dar esse primeiro passo em direção à paz. Sabemos que é apenas o primeiro passo, mas é muito importante. O CONASEMS, por meio da Rede Gandhi, continuará trabalhando em outras frentes, pela cultura de paz e não violência.


Sim à Vida.

Sílvio Fernandes da Silva

Presidente




VOTE SIM
VOTE 2


"Discurso de quem defende armas é teórico, não humano. A vida é por um fio."

Sandra Aparecida Silva, que perdeu o filho, Sandro, de 15 anos, por arma de fogo (depoimento para O Estado de S. Paulo, de 15 de outubro de 2005)


OS DEFENSORES DAS ARMAS ESTÃO DISTORCENDO FATOS PELA INTERNET E PELA MÍDIA

PREVINA-SE

AJUDE A ESCLARECER AS PESSOAS PRÓXIMAS A VOCÊ



Há muitos argumentos, pesquisas e dados, mas três precisam ser insistentemente lembrados:


1. ARMA DE FOGO É FEITA PARA MATAR

E "a vida é por um fio" como sabem as mães e pais que perderam seus filhos estupidamente, porque havia uma arma de fogo a disposição de alguém.

Por mais que os fabricantes das armas e seus lobistas falem, o fato é que :

A ARMA DE FOGO É FEITA PARA MATAR, NÃO TEM NENHUMA OUTRA UTILIDADE.

2. O BRASIL É O PAÍS DO MUNDO COM O MAIOR NÚMERO DE PESSOAS MORTAS POR ARMAS DE FOGO.

A comparação com outros países somente com percentuais induz ao engano. Veja só alguns países que têm sido usados como exemplo de que não faz diferença proibir a comercialização: O Japão tem 0,03 homicídios por 100 mil habitantes; o Reino Unido tem 0,13 homicídios por 100 mil habitantes; a Suíça tem 0,46 homicídios por 100 mil habitantes e a Austrália tem 0,56 homicídios por 100 mil habitantes. Em todos eles menos do que uma pessoa morre por arma de fogo em cada 100 mil. Os Estados Unidos da América, onde o direito individual é soberano mesmo a custo do direito coletivo e que vivem em conflitos armados, têm 6,24 homicídios por 100 mil habitantes.

E o Brasil? O Brasil tem 26,78 homicídios por 100 mil habitantes!

As comparações percentuais não ajudam a enxergar o nosso grande problema: morrem mais de 26 pessoas em cada 100 mil habitantes por homicídio, a maior parte por arma de fogo! 108 pessoas por dia (DataSUS, 2003)

Este é o nosso problema. O problema que temos de tratar para não perder mais tantos brasileiros, tantos jovens, porque são os jovens os que mais morrem por tiro.

3. O DESARMAMENTO NÃO É "COISA DESTE GOVERNO". NÃO VOTE A FAVOR DA MORTE PORQUE VOCÊ ESTÁ ZANGADO COM O GOVERNO.

O Estatuto do Desarmamento é uma conquista de quase vinte anos da sociedade brasileira. Embora tenha sido aprovado em 2003, pelo Congresso Brasileiro, havia em tramitação 70 projetos de lei, alguns desde 1988. Setenta! Todos engavetados. O primeiro era de 1988, do então Deputado Eduardo Jorge.

Em meados de 2003, foi criada uma Comissão Mista, Senado e Câmara, para analisar esses projetos de lei que se amontoavam. A Comissão foi composta por cinco deputados e cinco senadores, sob a Presidência do Senador Edson Lobão. O relator foi o Deputado Luiz Eduardo Greenhaugh, que fez a proposta depois de analisar os projetos existentes.

Conheça o depoimento do Deputado Greenhaugh, publicado na Revista CONASEMS, de agosto de 2004, fls. 7 a 12:

"Na bancada do meu partido tinha gente contra, a base do governo era majoritariamente contra. Acabei tendo alento com o depoimento daquela deputada Sandra Rosado, de Natal (...) que começou a dizer que ia votar pelo desarmamento por uma coisa que havia acontecido com ela. Tinha um filho de 25 anos que morreu porque tinha, num determinado momento, ao alcance de suas mãos, uma arma de fogo. Portanto, ela ficava até hoje pensando que se não tivesse aquela arma de fogo, talvez o filho estivesse vivo. Foi um depoimento muito comovente. As pessoas foram parando para ouvir. Ela chorando e discursando, chorando e discursando. Todo mundo prestou atenção no que ela falou:

"Eu tenho uma vítima. A pessoa que eu mais amava na minha vida, o meu filho, morreu porque num determinado momento de depressão tinha uma arma de fogo."

Isso foi muito marcante na Comissão. Eu me fortaleci com o testemunho dela e articulei mesmo para ganhar. Na base do governo eu perderia, então articulei fora da base do governo. Articulei com o PSDB e com a base do PFL. O relatório depois de aprovado na Comissão de Constituição de Justiça, foi rapidamente aprovado no plenário." (...)

"ONDE HÁ UMA ARMA DE FOGO NÃO TEM DIÁLOGO.
QUANDO VOCÊ RESOLVE UM ASSUNTO COM A ARMA DE FOGO,
ESTÁ NO LIMITE MÁXIMO DA INTOLERÂNCIA"

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