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17.10.05

Dia 07 de novembro, segunda-feira:

Clube Caiubi desembarca no Rio de Janeiro para se encontrar com a M-Música

Show na Funarte, com oito compositores, prossegue intercâmbio RJ/SP e revela a música que está ajudando a escrever a história da MPB em São Paulo


O compositor-intérprete Max Gonzaga, que sacudiu o último Festival da Cultura, com "Classe Média", e os também compositores e intérpretes Alexandre Cueva e Álvaro Cueva, cujo CD ( Canabi Emotiva) o Rio de Janeiro já andou sorvendo em turnê recente da dupla pela noite carioca, são três dos compositores de São Paulo ligados ao Clube Caiubi de Compositores a se apresentarem, dia 7 de novembro, às 18h e 30min, na Sala Funarte.

A caravana faz parte de uma parceria entre o 'Clube Caiubí de Compositores' (SP) e o e-group 'M-Música' (grupo de discussão sobre música com sede no RJ e forte representação por todo o Brasil) e se completa com Daniel Pessoa, autor, entre outras canções, da irrepreensível "Um outro eu", e Tito Pinheiro, que a mídia paulistana já batizou de "cavalheiro da paz", pelo sentimento que faz transbordar em músicas como "Cabra Cega". Mas quem for à Funarte também poderá ouvir Márcio Policastro, em peças como "Mundinho Cult", crítica social que combina acidez e ternura. Nesse campo, porém, o da ternura, imperdíveis são Fernando Cavallieri, com a teatral "La Sílvia", parceria com Sonekka, e que integra o segundo CD do autor (In Alpha), além de Liz Rodrigues. A "musa" do movimento musical emociona com "Cisco no Olho", parceria dela com outros dois compositores do Clube Caiubi: Ricardo Soares, o gaúcho que levou um dos Festivais da Globo, e Sonekka, parceiro de vários desses compositores, que lançou em 2003 o lindo CD 'Incríveis Amores'.

Essa parceria, 'Caiubí' / 'M-Música' se dá da maneira mais natural possível, uma vez que vários de seus integrantes são comuns e já se apresentaram em eventos menores nesse intercâmbio que prossegue agora, dia sete de novembro com shows de caiubistas e dia oito de novembro, na mesma sala Funarte, com shows dos 'musgueiros', como carinhosamente são chamados os membros da lista de discussão.

Sobre o Clube Caiubi

O Clube Caiubi de Compositores é um movimento musical que nasceu há pouco mais de dois anos, quando alunos, professores e funcionários da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) passaram a se encontrar ali, com o objetivo de compor, tocar e cantar composições próprias. Ao longo do tempo, o espaço da Rua Caiubi, 420 transformou-se em centro cultural, aberto e democrático, de convivência dos vários gêneros musicais.

O curador do Caiubi, o cantor e compositor Zé Rodrix, compara o clima do local ao dos cafés do Greenwich Village, em Nova York, na década de 60. Hoje, além dos oito fundadores, mais de 20 artistas integram o Clube Caiubi, recebe, nas já tradicionais Segundas e Quartas-Feiras Autorais, grande número de pessoas que amam a boa música. "Há quem diga que não existem mais bons compositores no Brasil, que não há mais renovação na MPB, que não existe público para a música nova de qualidade. Mas o Caiubi nega veementemente essa crença. As canções produzidas são, na minha opinião, a coisa mais nova e fascinante que eu vi nesses últimos 25 anos na música brasileira", afirma Zé Rodrix.

Os artistas do Caiubi ganharam a noite paulistana em 2004, com apresentações no Supremo Musical, Teatro da Universidade Católica (Tuca), Sesc Ipiranga, Crowne Plaza e diversos municípios do interior de São Paulo. Neste ano, a agenda registra shows no Crowne Plaza, Espaço Cultural Santo Agostinho e em São José dos Campos, entre outros espaços.


SERVIÇO

Show Caiubi na Funarte - Projeto M-Música

Local Sala Funarte Sidney Miller (225 lugares)

Endereço Rua da Imprensa 16, Palácio da Cultura Gustavo Capanema, Centro, Rio de Janeiro (Metrô Cinelândia saída Pedro Lessa)

Endereço virtual www.funarte.gov.br

Horário 18h e 30min

Preço R$ 10,00 (inteira), R$ 5,00 (meia)

Telefones 2240-5151 / 2279-8087

Ficha Técnica Alexandre Cueva. Álvaro Cueva, Daniel Pessoa, Fernando Cavallieri, Liz Rodrigues, Márcio Policastro, Max Gonzaga e Tito Pinheiro. Na percussão, Bebê do Góes. Participação especial, Tavito.


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Show do dia 08 de novembro, terça-feira:


ALGO DE NOVO NO AR



Há algo de novo acontecendo na música. Chega sem barulho, serpeando pelos entremeios da atual mesmice e da aridez constituída pelos poderosos interesses dos capitães da indústria e da mídia. Trata-se de um grupo heterogêneo ao extremo, formado por músicos, cantores, compositores, poetas, jornalistas, produtores, colecionadores de discos e agregados imprescindíveis, que são, antes de tudo, artífices do pensamento e do debate, além de apaixonados amantes dessa arte tão machucada e cambiante que é a música e seus entornos. O movimento, que, aliás, ainda não se reconhece como tal, originou-se de uma simples lista na Internet, inventada pela carioca Nana Soutinho há quase seis anos - despretensiosamente, como devem ser os movimentos humanos que geram dividendos culturais fortes e estabelecem zonas de equilíbrio significativas, que naturalmente se tornam pontos de partida para novas grandes idéias e ações conjuntas. Estabeleceu-se uma empatia natural entre os assinantes da lista; pela comunhão de interesses, pela liberdade de expressão inigualável impressa nos debates e pelo desejo imperioso de retomada da criatividade perdida nesses tempos onde tudo é fake, tudo se reporta a formatos ditados pela patética imitação do star-system hollywoodiano - da qual a cultura brasileira é refém como um todo. Na M-Música (esse é o nome da lista) discute-se e aprende-se tudo que se relaciona com a música mundial, das arábias ao Japão, do Oiapoque a Paris, de Nova Iorque ao Ceilão, de Lisboa a Ipanema. Há listeiros por todo o Brasil e muitos no exterior, amantes de todas as tendências, roqueiros, sambistas, jazzeiros aos magotes, MPBistas ferrenhos, antiquários da canção, estudiosos, eruditos... todos a defender seus pontos de vista, que convergem para um só ponto comum: a necessidade premente de se buscar novas orientações para o mercado e, principalmente, para nossos ouvidos. O listeiro Zé Rodrix, um dos mais atuantes, depois de mais de vinte anos afastado do mercado artístico, além de retomar as atividades com o genial trio Sá, Rodrix & Guarabyra, gravando um CD e um DVD pela Som Livre, voltou a exercer suas funções vitais de compor, cantar, tocar e ser feliz - segundo ele próprio nos relata:

" ...e fui retornando ao hábito de criar, compor, ainda de forma canhestra, desabituado que estava do exercício da criação livre. O surgimento da lista M-Música foi um alumbramento: aqui eu encontrava gente interessada no assunto de maneira real, disposta a debater e discutir suas preferências & gostos & idiossincrasias sem nenhum momento de terror, e a fim de provar que Música pode ser Arte, e que a Arte pode ser um exercício cooperativo e não competitivo, como vinha sendo ensinado nos ultimos vinte anos. (...) Hoje é impossível parar, depois de reiniciar corretamente o que antes havia sido apenas egoismo e auto-piedade. Hoje sei claramente o quanto valho: tenho certeza de que esse meu valor real não tem nada a ver com o que o mercado está disposto a pagar por mim, reconheço que existe um público real que persegue o novo mais do que gostaríamos de acreditar, e que é nossa obrigação correr o risco de errar e de acertar, sem medo das consequências; porque o futuro espera que sejamos, pelo menos, úteis."

Esse reflexo se alastrou por toda a lista, de variadas formas, se tornando uma verdade que revolucionou e abriu as comportas internas da alma de cada listeiro. Houve um envolvimento tal dos participantes da M-Música com seus pares que os compositores deram de compor furiosamente entre si, os jornalistas de reportar, os produtores de produzir, os agregados e colecionadores de gravar CDRs e distribuir através do Playing exclusivo dos listeiros. E, como era de se esperar, os amigos escritos não tardaram a se tornar amigos falados; e os encontros da lista se instalaram, oficiais e sólidos. Começaram pelo genial Clube Caiubi em São Paulo, com suas Segundas Autorais e suas Quartas Quartas (toda quarta quarta-feira de cada mês) e se sofisticando na "Sopa de Letrinhas". No Rio, instituiu-se a "Segunda Segunda" no Panorama, aprazível barzinho-restaurante do Leblon, e a já tradicional Domingueira do Grajaú, sob a exímia batuta culinária do João Bani. Nesses encontros, onde a democracia plena é exercida em todas as suas nuances, a moçada se solta como que em família, mostrando arte pura e autêntica, sem peias ou temores. Essas jams de liberdade se tornaram um dos mais vivos, atuantes e interessantes movimentos musicais de que se tem notícia nessa realidade seca e fosca da paisagem musical brasileira. A química é a da troca: os mais velhos passam generosas doses de experiência para os mais novos, que retribuem com sua energia borbulhante, tão imprudente quanto necessária. Gente como Etel Frota, Sérgio Santos, Alexandre Lemos, Sonekka, Cristóvão Bastos, Regina Makarem, Aparecida Silvino, Gut Guarabyra, João Bani, Tibério Gaspar, Marianna e Fernando Leporace, Celso Viáfora, Iso e Tato Fischer, Tavito, Tânia Méliga, Clarisse Grova, Cacala, Zé Edu Camargo, Cláudia Telles, Tavynho Bonfá, Cris Saraiva, Lucina, Sérvulo Augusto, Vlado Lima, Fernando Zdanovicz, Márcio Lott, Edu Camenietzki, Guilherme Rondon, Toninho Spessoto e muitos, muitos mais, tantos que não cabem nessa lauda, se misturam num saboroso pavê cultural de incontáveis tendências e formas e cores e credos – provando que a percepção e a construção de ideais sólidos estão diretamente atreladas ao talento, sim; mas também a um consistente e participativo espírito de grupo.

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