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20.11.02


Joel Rufino dos Santos
historiador, romancista, professor da UFRJ e membro do Comitê Científico Internacional do Programa Rota do Escravo, da Unesco


"Não lhe batiam por maldade, embora isso também ocorresse. A finalidade era esvaziá-lo da parte propriamente humana que todos os homens possuem - e são homens propriamente porque a possuem. Assim coisificado, o negro africano estava pronto para ser escravo."

"Numa noite qualquer do ano de 1597, quarenta escravos fugiram de um engenho no sul de Pernambuco. Fato corriqueiro. Escravos fugiam o tempo todo de todos os engenhos. O número é que parecia excessivo: quarenta de uma vez. Fora também insólito o que fizeram antes de optar pela fuga coletiva: armados de foices, chuços e cacetes haviam massacrado a população livre da fazenda. Já não poderiam se esconder nos matos e brenhas da vizinhança - seriam caçados furiosamente até que, um por um, tivessem o destino dos amos e feitores que haviam justiçado.

De manhã, certamente, a notícia correria a Zona da Mata - essa formidável galeria verde que, salpicada de canaviais, a uns dez quilômetros do mar, o acompanha sem nunca perdê-lo de vista. Tinham a liberdade e uma noite para agir.

Havia umas poucas mulheres, um que outro velho e diversas crianças, mas o grosso eram pretos fortes, canelas finas e magníficos dentes. Escolheram caminhar na direção do sol poente, um pouco para baixo. Com duas horas compreenderam que jamais qualquer deles havia ido tão longe naquela terra. Mesmo os crioulos, nascidos aqui, desconheciam o pio daquelas aves, nunca tinham visto aqueles cipós. Andaram toda a noite e a manhã seguinte; descansaram quando o sol chegava a pino; contornaram brejos e grotões, subiram penhascos e caminharam, um a um, na beirada de feios precipícios.

Se passou ainda uma noite. Eram observados, mas não tinham qualquer medo de índios. Então, na vigésima manhã se sentiram seguros. De onde estavam podiam ver perfeitamente quem viesse dos quatro cantos; com boa vista se podia mesmo vislumbrar o mar, além das lagoas. A terra, vermelho-escura, esboroava ao aperto da mão. Ouviam águas correndo sobre pedras. E havia palmeiras, muitas palmeiras.

Por que escravos fugiam?

A fuga era a única maneira de recuperarem a sua humanidade - esta é a melhor resposta que conheço."

Assim descreve Joel Rufino dos Santos, em seu livro Zumbi (ed. Moderna, 1985), o episódio que teria dado origem ao quilombo dos Palmares, na Serra da Barriga (que tem esse nome "talvez por parecer grávida a quem vem de Maceió, pelo Vale do Mundaú"), em Alagoas, onde é hoje o município de União dos Palmares.

(retirado daqui)

***


Memórias do cárcere


Vivianne Cohen

O quarto do escritor e historiador Joel Rufino dos Santos ficava a três andares do chão. Não era decorado com quadros, embora a tinta preta se destacasse da parede de tijolos largos. As fotografias e os livros ficavam acondicionados num canto. Em 12 de agosto de 1973, Rufino escreveria a primeira das 32 cartas enviadas ao filho Nélson, na época com 8 anos. "Moramos em quartos. O meu é o número 31", dizia um dos trechos. O menino sorria com o que pensava ser o diário de viagem do pai, quando na realidade as palavras enviadas por Rufino eram escritas de uma cela do Presídio do Hipódromo, em São Paulo, onde o escritor estava, junto com outros sete presos políticos.

Quando descobriu a verdade, o garoto, com lágrimas nos olhos, escondeu-se embaixo da cama abraçado à gaiola de seu passarinho de estimação. "Ele sempre resistiu à idéia de conversar sobre o assunto", recorda Rufino. Em maio, com 35 anos, Nélson rendeu-se ao passado ao revirar as cartas no fundo do baú. Os velhos envelopes corroídos pelo tempo foram reunidos em Quando voltei, tive uma surpresa, que Rufino, autor de mais de 20 livros infantis, está lançando pela Editora Rocco. "Só agora tenho a noção exata do que aconteceu naquela época", afirma Nélson, funcionário da Prefeitura do Rio de Janeiro, e pai de Eduardo, 6, Rafael, 4, e Isabel 2.

A tragédia familiar começou no reveillón de 1973. Militante da Aliança Libertadora Nacional, grupo armado que fazia oposição ao regime militar, Rufino viajava de São Paulo para o Rio de Janeiro para ver o filho e a mulher Teresa Garbayo dos Santos. Só não contava que fosse preso durante o trajeto e levado ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social), onde seria torturado antes de ser encarcerado no Presídio do Hipódromo. Nos primeiros seis meses, Rufino sustentou a versão de que estava viajando a trabalho. "Eu tinha medo de que ele me confundisse com um ladrão."

O menino passou a visitá-lo na cadeia acompanhado da avó Felícia e da tia Bena. A sala de espera era o pátio, onde outros filhos de presos políticos amontoavam-se em dias de visita. As duas horas passavam voando e Nélson pouco falava de si para o pai. Antes de despedir-se, porém, esticava o braço e levava para casa um presente feito pelo pai no cárcere, que geralmente era um cinto ou um brinquedo de cerâmica. Nesse cenário, o garoto chegou a comemorar seu aniversário de 9 anos. Ao voltar para casa, aumentava a espera por mais uma carta de Rufino. "Eu pedia para minha mulher ler antes dele dormir, como se estivesse narrando uma história", recorda o escritor.

A correspondência era uma maneira do pai aliviar o sofrimento do menino. As histórias desviavam a imaginação do garoto da dura realidade dos porões da ditadura militar. Eram coloridas e cheias de desenhos. Em uma delas, Rufino agradecia pelas canetas hidrocores que ganhara do filho no último encontro entre os dois. E ainda destacava que era o único preso da cadeia a contar com tamanho privilégio. O futebol também era um canal de contato. Em 21 de julho, ele queria saber se o menino havia visto o gol do ponta Jairzinho na partida da Seleção Brasileira contra a União Soviética. E chegava a comparar o juiz que o condenara aos árbitros de futebol. "Na hora de respondê-las, o Nélson ditava suas cartas para mim", lembra a mãe Teresa.

Na vida real, o menino conhecia pouco da militância do pai. Em 1964, Rufino soube do nascimento de Nélson por um telegrama. Membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ele vivia exilado na Bolívia e só veio a conhecer o garoto um mês depois no Chile, já em seu segundo exílio. "O Nélson já foi uma barriga sem pai", brinca Teresa. De volta ao Brasil, Rufino foi preso e ficou três meses longe de casa. Em 1970, trocou o PCB pela ALN e adotou o codinome Pedro Ivo. "Joel Rufino era um professor, que nos dava aulas de história", diz o deputado federal José Genoíno. Durante dois meses, ele foi companheiro de cela do escritor no Presídio do Hipódromo e chegou a ler correspondências que o garoto enviou ao pai e que ficaram retidas na prisão. "Foram as únicas coisas que eu quis levar quando saí", afirma Rufino.

Na volta para casa, em 1974, o escritor encontrou uma realidade diferente da idealizada durante os anos de cárcere. Havia perdido de uma só vez a mulher e o filho. "Não conseguimos nos reaproximar", diz. Separado, casou-se com uma adolescente, mas, em 1977, voltou para Teresa, com quem teve mais uma filha, Juliana, de 21 anos. No primeiro governo de Leonel Brizola no Rio, foi nomeado diretor do Museu Histórico Nacional. Hoje, Rufino é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ocupa um cargo na Unesco. "Meu pai é um grande herói", diz Nélson.

(retirado daqui)


Ricardo Pessanha
escritor, jornalista, fotógrafo, tradutor e profissional de marketing

"Quilombos, colonies formed by runaway slaves in the interior of Brazil, also helped perpetuate African culture. The largest and the most famous of these was Palmares, established in the rugged interior of northeastern Alagoas state in the seventeenth century. The inhabitants of Palmares made an effort to organize a society based in African traditions. It lasted for several decades and had a population in the thousands (some say as high as twenty thousand). To the Portuguese, Palmares was a threat to the established order, not to mention the institution of slavery. Numerous armed expeditions were mounted against it by the Portuguese crown, beginning in 1654. All were unsuccessful until the last major campaign, waged in 1694, which overwhelmed and destroyed Palmares. Zumbi, the quilombo's famed war commander, was captured and killed the following year. The legendary warrior is still celebrated in Brazilian music today, and his birthday (November 20) has been a holiday since 1995."

"Racial issues have often been addressed in popular music. Since the 1980s, Afro-Brazilian pride has been more frequently asserted _ and racial injustices protested _ in lyrics by artists like Gilberto Gil, Bezerra da Silva, and Batacotô, and in Carnaval songs written for Rio's escolas de samba and Bahia's blocos afro. This is a significant change from previous decades, when racial commentary in music usually consited of jokes at the expense of black and mulattos."


(trecho de The Brazilian Sound de Ricardo Pessanha e Chris McGowan -Temple University Press - 1998)

19.11.02

Fato ocorrido recentemente me deixou boquiaberta, pensativa e muitíssimo preocupada. Determinado assunto tendo tomado conta dos noticiários foi comentado numa roda de conhecidos. Três pessoas presentes no local onde a ação desenrolava-se, em pontos diferentes, testemunharam que havia outros fatos além do que a grande imprensa estava noticiando. Seus depoimentos foram rechaçados com veemência e um toque de ultraje. O que não aparecia no jornal não poderia ser real. Pouco importa se seus amigos são testemunhas oculares e defendem versão ligeiramente diferente da que está na primeira página para vender jornal. Se a Fátima Bernardes e o William Bonner não anunciam, não existe.

Fiquei incomodada não apenas por ter, de certa forma, sido chamada de mentirosa, mas por perceber o que acontece com a mente de algumas pessoas que já não conseguem aceitar qualquer verdade a não ser aquela regurgitada pelas agências de notícias.

Então, escolhendo textos de Joel Rufino dos Santos para amanhã, encontrei este aqui e essa história que estava adormecida, mas não esquecida dentro de mim, acordou.


RELAÇÕES PERIGOSAS
Joel Rufino


"Lançamentos redimensionam a relação entre os jornais brasileiros e a censura", copyright Jornal do Brasil, 21/10/00

"Por que os jornais quase nunca dizem a verdade?

A pergunta só tem cabimento se nos pusermos de acordo sobre o que são jornais e o que é verdade. Periódicos escritos para comunicar existem pelo menos desde Roma. Já verdade, em nosso tempo, é o que você convenceu alguém de que é verdade.

Acabam de sair dois livros sobre regime militar e imprensa que repõem em discussão esse velho tema. Têm méritos diferentes. O de João Batista de Abreu (Manobras da informação) é exibir, por dentro, como se fazia jornal nos anos de chumbo; o de Anne-Marie Smith (Um acordo forçado) é retirar o foco da censura prévia, visível, instalada nas redações, e pô-lo sobre a autocensura, invisível, instalada nas mentes. Falo dos méritos principais. Ambos são duros com os grandes jornais, produzindo análises complementares do mesmo fenômeno.

Os presos políticos da ditadura não conseguíamos nos explicar aos colegas ?comuns?, com quem repartíamos alojamento. Os diretores de presídio tinham ordem para nos chamar de terroristas: ?carta para o terrorista?, ?tira o terrorista para ir à Auditoria?... Expliquei ao Pelezinho (um ?colega?) que nosso nome correto era revolucionários. ?Tomar de rico pra dar a pobre? Então o que vocês são é bunda-mole?, ele concluiu. Havia uma guerra dos nomes e, analisando o vocabulário da imprensa sob a ditadura, João Batista nos mostra que a imprensa nos ajudou a perdê-la. Aceitando nomear o opositor armado (e logo também os outros) de terrorista, os jornais designavam um sujeito sem história, sem significado, irracional e, portanto, disponível para qualquer violência.

Vinte anos depois, alguns ex-diretores de jornal (escrito e televisivo) se vangloriam de terem resistido à ditadura. Inocência ou cinismo? O regime militar não fechou diretamente nenhum jornal, embora, por exemplo, O Correio da Manhã e, mais tarde, o Opinião e o Movimento tenham sido levados a nocaute econômico. ?As pessoas que bancam hoje o papel do censurado, que agem como se tivessem sofrido muito, são ridículas?, escreveu Mino Carta (diretor de Veja, entre 1968 e 76). A censura, de fato, foi seletiva. O Globo, por exemplo, jamais foi censurado, nem a Folha de S. Paulo ? e, sintomaticamente, os dois são, hoje, sólidas empresas. Censurados foram O Estado de S. Paulo, Veja, O São Paulo (da Arquidiocese de São Paulo, leia-se D. Evaristo Arns), a Tribuna da Imprensa, Opinião e toda a imprensa alternativa.

Ficam em melhor situação moral - pela sinceridade - os diretores que aderiram à ditadura, aceitando sua violência sem, necessariamente, apoiar a censura. Como Boris Casoy, o âncora do impeachment de Collor: ?O que eu quero dizer é que havia pontos de contato [entre as maneiras de ver da imprensa e do regime]. Os jornais são empresas vinculadas ao capitalismo, ao anticomunismo, e nunca estiveram do lado dos guerrilheiros, até aprovavam a repressão contra eles. O resto nós não aprovávamos mas aceitávamos. Do fundo do meu coração, eu os apoiava, apoiava!? Ou como Walter Fontoura que, quando do retorno dos exilados, insistiu em que as acusações da ditadura contra eles eram um fato jornalístico em si: ?Para mim, tanto fazia se a acusação fora obtida à custa de tortura. A acusação ainda existia. Agora, se fosse verdade que ela fora obtida sob tortura ? bem cabia ao acusado prová-la, vir defender-se.?

Para que servem os jornais? Em nosso país, eles funcionam como aparelhos ideológicos do Estado. Isso não diminui o prazer matinal, ao café, que proporcionam, quase uma Bíblia; nem significa que jornalistas não se esforcem todo o tempo para lhes dar outra função. O jornal de denúncia, de defesa classista, étnica, baluarte dos direitos humanos sempre existiu no Brasil, mesmo sob as ditaduras. A grande e média imprensa, porém, é um diálogo exclusivo entre as elites instruídas, visando a manter a ordem social que as beneficia. Em 1972, o Brasil tinha 37 jornais por mil habitantes, a Argentina 154. Apesar disso, seu alcance político é grande. Por exemplo: essa pequena imprensa de um país que não lê jornais pauta os veículos de massa, decidindo, em última instância, o que se vai e não se vai ficar sabendo. É ela que cria essa outra natureza social, essa prótese do real, expressa na fórmula: ?deu no jornal?. Se deu, existe. (Um acordo forçado: o consentimento da imprensa à censura no Brasil, Anne-Marie Smith, 264, páginas, R$ 29 e Manobras da informação, João Batista de Freitas, Mauad/Eduff, 270 páginas, R$ 29)"


(Texto retirado daqui)

Mesmo sendo fã de Luis Bruñel e Salvador Dalí, achei um pouco forte a imagem de mulher em frente ao meu portão pescando. Ela tinha um vidrinho de maionese em uma das mãos e com a outra, incentivada pelos dois filhos pequenos, coletava peixes que depositava no tal recipiente.

Pouco mais de meio-dia. A manhã já foi embora, e as donas de casa, porteiros e faxineiros dedicados já terminaram sua tarefa de limpeza, mas algumas marcas da tempestade apavorante da madrugada e da conseqüente enchente ainda estão por todo lado. Em alguns cantos de rua a lama acumulada é exposta ao mormaço, transformando-se em poeirão. Defronte aos estabelecimentos comerciais fadados ao fracasso, sacos plásticos e galhos sinalizam, agarrados a postes e orelhões, a altura que a água alcançou. Uma mocinha que parece ter recebido o carro de presente do pai por ter passado no vestibular faz cara de nojo para o lixo aglomerado às rodas de seu carro e resolve que a própria rolagem vai tratar de limpá-las, poupando assim suas mãos manicuradas de tão repugnante trabalho e garantindo emprego para os garis que terão que ir limpando o rastro de seu veículo. O barulho do carro quando arranca é horripilante - parece que há um gato se afogando - e a água ainda acumulada nas entranhas do carro transforma-se em vapor e sai por todos os cantos.

Cheiros, muitos cheiros.

Meu filho de sete anos me explica que tudo isto aqui era um charco antigamente e que Tijuca quer dizer pântano em tupi-guarani. Acho que eu mesma contei isso a ele em outra ocasião ou talvez tenha lido em algum trabalho que ele trouxe da escola.

E enquanto não há um plano para resolver este problema centenário, uma mulher recolhe o fruto de sua pescaria de asfalto em um pote de Hellmann's.

18.11.02

Jards Macalé apresenta-se amanhã (terça) num dos meus espaços favoritos na cidade, o Sesc Copacabana. O show faz parte do Projeto Novo Canto e junto com ele estarão Roberto Lara e Patrícia Ahmaral.
Entre as duas músicas mais tocadas, semana passada, na principal FM de jazz de Nova Iorque, a WBGO, estava um samba de Dorival Caymmi, Lá vem a Baiana, do novo CD de João Gilberto.

Fonte: Coluna de Márcia Peltier, que achou isso é a prova de que "o jazz se universalizou em excesso ou o mundo pirou". Boba, né?
Depois que vi o filme desse garoto, Karim Aïnouz , fiquei na dúvida. Qual é o Madame Satã mais fictício? O dele ou o que inventei ao longo desses anos todos? Depois da famosa entrevista no Pasquim, Satã e eu ficamos amigos e foi aí que, garante o Millôr, minha mente doentia criou um personagem que não tinha nada a ver com aquele porteiro de randevu da Lapa, malandro pé-de-chinelo, analfabeto e boiola. Nessa época eu morava na Rua Taylor, num balança-mas-não-cai que tinha uns duzentos conjugados.

Este é apenas o primeiro parágrafo. Mais motivos para amar o Jaguar e atiçar a vontade de ver Madame Satã (que ganhou no sábado o prêmio de melhor filme no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, na Espanha), aqui.
No blood for oil
Boicote aos discos com proteção anti-cópia


Na lista negra:

* Longo Caminho do Paralamas do Sucesso;
* Exaltasamba ao Vivo;
* Qu4tro do Natiruts;
* e Tribalistas de Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown

Saiba todos os detalhes de porque você não deve comprar estes CDs lendo o este artigo.




Mais uma solicitação que chega através da lista Doadores de Vida. Só esta aqui porque sei que é verdadeira, viu?

Cristiana Graça Couto é praticante de vôo livre. Mãe de dois filhos, com uma família linda , se deparou com uma leucemia que tem consumido as suas forças, e necessita de doação de sangue, que pode salvar-lhe a vida.

Ela está internada na Clinica Bambina assistida pelo Dr. Daniel Taback e precisa urgentemente de:

Hemácias: Sangue tipo A - ou O-
Plaquetas: Sangue tipo A+ ou A- ou O+ ou O-

Ao procurar qualquer um destes bancos de sangue, não se esqueçam de avisar que se trata de uma doação personalizada.

Ela tem 33 anos, precisando de pessoas como você, boas de saúde e de coração

Local para Doação de Plaquetas : Rua Riachuelo 43 - 3.º andar
Telefone 21 2509-2727 - Falar com Wilma

Local para Doação Hemácias: CERUM , Rua Conde de Irajá 429
Telefone 21 2266-5098
Beatriz Gorentsin escreveu para o Daniel Estill, que é o administrador da lista Doadores de Vida da qual participo, contando sobre o surgimento de uma nova ONG.

Bia é filha de uma portadora de Hepatite C que está na fila do transplante de fígado. A previsão é de 1 ano a 1 ano e meio de espera. Ao entrar em contato com a equipe do Hospital do Fundão que coordena o programa, percebeu o quanto a equipe é engajada e compentente, no entanto as condições do sistema de saúde não são ideais. Cabe ressaltar que o Hospital do Fundão é o único do Brasil que realiza todos os tipos de transplante, não se restringindo a um ou outro órgão.

Em um ato de solidariedade aos pacientes e reconhecimento ao esforço da equipe, a esposa de um paciente transplantado (ambos dentistas que também trabalham no Fundão, além de atividades particulares) acaba de fundar uma ONG, a Amigos do Transplante. Os papéis já estão assinados, mas os trâmites ainda vão demorar um pouco. É uma luta que se inicia, mas com um porvir promissor. A Amigos do Transplante conta com apoio da Viva Rio, que já treinou 50 voluntários para a Amigos do Transplante e tem estado disponível, no sentido de passar sua experiência de sucesso para que a Amigos do Transplante possa crescer.

A Amigos do Transplante tem muitas idéias e objetivos, mas por enquanto as
prioridades são:
- conscientizar e educar a população quanto à doação de órgãos e tecidos;
- treinar os médicos dos hospitais quanto à forma de preservação adequada de órgãos e tecidos, para que as escassas doações não se percam;
- prover os pacientes de medicação para os primeiros 4 meses após o transplante (períodos em que o custo para muitos é por demais elevado e acaba conduzindo a muito sofrimento e eventual rejeição do órgão e fracasso do tratamento).

Assim que a ONG estiver com a tramitação concluída, começará a fase de busca
de ajuda junto a empresas e entidades que desejem apoiar esta iniciativa. Por enquanto, o que a Amigos do Transplante está fazendo é vender camisetas, cujo logo foi criado pelo Ziraldo, por inciativa da própria ONG, para começar a arrecadar fundos para viabilizar os projetos. As camisetas vêm em 3 cores (branca, preta e cinza), em vários tamanhos para adultos (P/M/G/GG) e crianças(2 a 16 anos), a um custo de R$ 15,00 e R$ 10,00, respectivamente. Nesta época de fim de ano, costumam acontecer vários bazares, feiras e eventos esportivos, apresentações etc. e talvez você conheça alguém que organiza um deles, ou até mesmo participe de algum que você ache que há alguma chance de colocarmos as camisetas à venda pela equipe de voluntários.

Por favor entre em contato. A ONG tem também material impresso explicativo e elucidativo sobre a doença e seus objetivos, banner etc. que serão levados também. É claro que oportunidades de divulgação e venda para as camisetas depois do final do ano continuarão sendo bem vindas!!!!!!!!
Aliás, a Amigos do Transplante estará na Feira da Providência e quem for
terá oportunidade de ver as camisetas e saber mais sobre ela. Se você quiser se tornar um voluntário, ou conhecer alguém que tenha interesse em participar, entre em contato. Temos um futuro a conquistar!
Recebido por e-mail:

ÁGUIAS E GALINHAS
(Leonardo Boff )


Um camponês criou um filhotinho de águia junto com suas galinhas.

Tratava-a da mesma maneira que tratava as galinhas, de modo que ela pensasse que também era uma galinha. Dava a mesma comida jogada no chão, a mesma água num bebedouro rente ao solo, e fazia-a ciscar para complementar a alimentação, como se fosse uma galinha. E a águia passou a se portar como se galinha fosse.

Certo dia, passou por sua casa um naturalista que, vendo a águia ciscando no chão, foi falar com o camponês: "Isto não é uma galinha, é uma águia!"

O camponês retrucou:

"Agora ela não é mais uma águia, agora ela é uma galinha!"

O naturalista disse:

"Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa..."

Pegou a águia, e suspendeu-a acima da cabeça e falou:

"Vamos, águia, voe!"

Mas a águia caiu pesadamente no chão.

O camponês disse:

"Viu só? Ela é galinha!"

No dia seguinte, o naturalista voltou à casa do camponês.

Inconformado, levou a águia para cima da casa e elevou-a nos braços dizendo:

"Voa, você é uma águia, assuma sua natureza!"

A águia contemplou a imensidão do espaço desconhecido, e viu lá embaixo as galinhas ciscando e comendo. Ao invés de voar para o alto como esperava o naturalista, foi disputar os grãos jogados no chão, junto com as galinhas.

Então o camponês disse:

"Não adianta. Eu não lhe falei que ela agora era uma galinha?!"

O naturalista disse:

"Amanhã, veremos..."

No dia seguinte, logo cedinho, eles subiram até o alto de uma montanha. O naturalista levantou a águia e disse:

"Águia, veja este horizonte, veja o sol lá em cima e os campos verdes lá em baixo, veja, todas estas nuvens podem ser suas. Desperte para sua natureza, e voe como águia que é..."

Quando a luz do sol penetrou nas retinas da águia, ela começou a ver tudo aquilo e foi ficando maravilhada com a beleza das coisas que nunca tinha visto. De início, ficou um pouco confusa, sem entender o porquê de ter ficado tanto tempo alienada. Mas a luz do sol e o espaço infinito fizeram com que ela sentisse seu sangue de águia correr nas veias. Então, perfilou devagar suas asas e partiu num vôo lindo, até que desapareceu no horizonte azul.


Muitas vezes, criam as pessoas como se fossem galinhas; porém, elas são águias.

Por isso, todos podemos voar, se quisermos. Voe cada vez mais alto, não se contente com os grãos que lhe jogam para ciscar. Nós somos águias, não temos que agir como galinhas, como querem que a gente seja. Pois, com uma mentalidade de galinha, fica mais fácil controlar as pessoas, elas abaixam a cabeça para tudo, com medo.

Conduza sua vida de cabeça erguida, respeitando os outros, sim, mas com MEDO, nunca!

17.11.02

Sou uma menina mimada. Se me contrariar, eu fico doente. Aí, é só me dar uma caixa de bombons que eu volto a sorrir e fazer tudinho que você quer.

Não, esta não sou eu. Mesmo depois de muito tempo sob a batuta de um encantador de cavalos, você pode puxar as rédeas o quanto quiser que vou continuar dando coices.

É melhor ser um dragão cuspidor de fogo do que uma pobre heroína romântica vítima e agonizante.

Sou uma mulher que gosta de Almodóvar, de David Lynch, de Woddy Allen. A garotinha que gosta de idiotices púberes e adocicadas só existe dentro da sua cabeça, na sua fantasia. Se você ainda não reparou, só tenho a lamentar.

Além disso, é bom prestar atenção no tic-tac da bomba relógio. Sei que é difícil ouvir com a música tocando tão alto. Principalemnet quando é só isso que interessa ouvir. Entretanto, aconselho que fique atento às pausas. Nelas, a verdade se encontra.

14.11.02

Quem conta um conto, aumenta um ponto.

Descobri que não tenho salvação. Preciso escrever muito e sempre. E agora quero brincar de ficção. O conto de hoje está em sua sexta página e não demonstra vontade de encerrar-se. Não, não vou publicar aqui. Vou poupar minhas visitas dos meus surtos.

13.11.02

O tempo passa, o tempo voa...

Nina Luna chega já me passando atestado de tia velha. E coruja, evidentemente...
Mi casa es su casa, cariño.


Já que está difícil publicar isso por , coloco por aqui pra você não ficar tão tristinho e você usa a ferramenta de comentários para dizer o que queria sobre as figuras:









NILSON ATHAYDE
interpreta
SAMBA e CARNAVAL de ARY BARROSO


Samba sem telecoteco não é samba

Produção, Roteiro e Direção
NILSON aTHAYDE
Direção musical
PAULINHO ATHAYDE E ISRAEL MEIRELLES
Cenário e Figurino
SABRINA DI REI
inspirados na obra de Heitor dos Prazeres


violão e cavaquinho
PAULINHO ATHAYDE
gaita
ISRAEL MEIRELLES
percussão
CABELINHO, HÉRCULES, NETINHO
violão
GUSTAVO MERTINS
sax e flauta
PETER O'NEIL
coro
MÁRCIA, ROSE
dançarina
LUANA

Centro Cultural Carioca
Rua do Teatro, 37 - Centro
Rio de Janeiro
13 de novembro de 2002
quarta-feira às 20:30
Ingresso: R$12,00

Ontem fomos ao coquetel de lançamento do primeiro CD solo de Marcos Souza, que ouço agora, enquanto escrevo para vocês.

Todas as músicas são de autoria dele, exceto "Guerra de Canudos", composta por seu pai Francisco Mário. Sim, Marcos é sobrinho de Henfil e de Betinho. Além de outras tantas coisas. A realização do ciclo de shows de música intrumental no Sesc Copacabana é coisa dele, por exemplo.

Voltando ao disco, há participações preciosas: Adriano Giffoni, Carlos Malta, David Crew, Dom Chacal, Durval Pereira, Gilson Peranzzetta, Mauro Senise, Mauro Ruffino Martins, Nayran Pessanha, Pascoal Meirelles e Ubiratã Rodrigues.

É, basicamente, a trilha sonora original do filme Evandro Teixeira - Instantâneo da Realidade. Motivo pelo qual o encarte é decorado com lindos trabalhos do maravilhoso fotógrafo.


Evandro Teixeira
No Meio do Acude do Cocorobo, as Ruinas da Igreja de Canudos
1997
(Do livro Canudos 100 anos)




Minha saúde é boa, em geral.

Tenho três pequenos problemas apenas.

Todos irritantes e incômodos ao extremo.

Os três incuráveis.

Sim, meu amor, por mais inacreditável que pareça, por mais que você confie nas maravilhas prometidas pela medicina moderna, ela é incapaz de promover a cura de uma simples gripe, quanto mais a de três problemas que acometem, simultaneamente, uma habitante do terceiro mundo. Por favor, pára de brigar comigo cada vez que eu tenho uma crise, dizendo que eu tenho que procurar um médico.

Eles não podem me ajudar. Passam um tempão estudando, penduram um estetoscópio no pescoço, vestem branco e fazem aquela cara grave desprovida de compaixão quando me dizem: "Não, não podemos ajudar".

Há cura para ruga, para a impotência dos septuagenários, mas para mim não. Vivo cercada de medicamentos que apenas abrandam os desagradáveis sintomas e me mantêm refém. Até o dia da minha morte, amém. Até lá, os laboratórios farmacêuticos terão enriquecido um tantinho mais às custas do meu trabalho e do meu desespero.

E pedras para todo aquele que ousar falar mal do sacro-santo ofício.
Que coisa!

Estava ouvindo um CD que tem o título de Samba Bossa Nova e que na verdade é um grande saco de gatos, pois foi feito por e para gringos. Tem muita coisa interessante e aponta para alguns dos novos talentos da música brasileira, além de mostrar gente há muito prestigiada. Bom, por lá encontrei um samba do Jorge Aragão ("Preto, Cor Preta") que não conhecia e fiquei pensando que este artista faz um trabalho que inclui muita coisa de que gosto muito, mas jamais comprei um disco dele. É hora de conhecer melhor, conclui.

E vim para o micro para me deparar com a notícia de que ele está internado numa UTI aqui perto de casa após se submeter a uma delicada cirurgia cardíaca.

12.11.02

60 ANOS HOJE

PAULINHO DA VIOLA



(ilustração Baptistão)


Porque é bonito ter uma carreira de tão bela obra.
Porque é bonito ser lembrado como sinônimo de elegância.
Porque é bonito ter muito do que se orgulhar.
Porque é bonito saber que nossa terra dá à luz talentos assim.
Cantemos:

Timoneiro
(Paulinho da Viola / Hermínio Bello de Carvalho)

[ refrão ]
Não sou eu quem me navega
Quem me navega e o mar (bis)
E ele quem me carrega
Como se fosse levar (bis)

E quanto mais remo mais rezo
Pra nunca mais se acabar
Essa viagem que faz
O mar em torno mar
Meu velho um dia falou
Com seu jeito de avisar
Olha, o mar não tem cabelos
Que a gente possa agarrar

refrão

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega e o mar

refrão

A rede do meu destino
Parece a de um pescador
Quando retorna vazia
Vem carregada de dor
Vivo num redemoinho
Deus bem sabe o que faz
A onda que me carrega
Ela mesma é quem me traz


Sinal Fechado
(Paulinho da Viola)

Olá, como vai ?
Eu vou indo e você, tudo bem ?
Tudo bem, eu vou indo, correndo
Pegar meu lugar no futuro e você ?
Tudo bem, eu vou indo em busca
De um sono tranquilo, quem sabe ?
Quanto tempo ?
Pois é, quanto tempo ?
Me perdoe a pressa
É a alma dos nossos negócios
Qual, não tem de quê
Eu também só ando a cem
Quando é que você telefona
Precisamos nos ver por aí
Pra semana prometo, talvez
Nos vejamos, quem sabe ?
Quanto tempo ?
Pois é, quanto tempo ?
Tanta coisa que eu tinha a dizer
Mas eu sumi na poeira das ruas
Eu também tenho algo a dizer
Mas me foge a lembrança
Por favor, telefone, eu preciso
Beber alguma coisa rapidamente
Pra semana
O sinal
Eu procuro você
Vai abrir, vai abrir
Por favor, não esqueça
Não esqueço, não esqueço
Prometo, não esqueço
Não esqueça, não esqueça
Adeus...
Adeus...


Dança da Solidão
(Paulinho da Viola)

Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Camélia ficou viúva, Joana se apaixonou
Maria tentou a morte, por causa do seu amor
Meu pai sempre me dizia, meu filho tome cuidado
Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado

Desilusão, desilusão
Danço eu dança você
Na dança da solidão

Quando vem a madrugada, meu pensamento vagueia
Corro os dedos na viola, contemplando a lua cheia
Apesar de tudo existe, uma fonte de água pura
Quem beber daquela água, não tera mais amargura


Música mineira invade Rio de Janeiro



Teatro Rival BR - Horário: 20h30 - Informações: 2240-4469 / 2532- 4192
Ingressos a preços populares: R$ 10,00 (promocionais até 400 lugares) / R$ 20,00 (inteira)

15.nov - Regina Spósito convida Vander Lee

21.nov - Maurício Tizumba convida Wagner Tiso



Regina Spósito convida Vander Lee


Com dez anos de carreira, Regina Spósito lançou seu primeiro trabalho solo como cantora em agosto de 2001, que foi considerado pela crítica mineira um dos melhores do ano. Ela convidou para estar ao seu lado no Conexão um dos principais compositores desse CD, o também cantor Vander Lee. Segundo Regina, ele traduz com muita sensibilidade, criatividade e beleza os sentimentos do ser humano. "O show será o momento de estar ao lado de um dos artistas mais importantes da atual MPB", completa a cantora.


Maurício Tizumba convida Wagner Tiso


Cantor, ator, compositor e multi-instrumentista, Maurício Tizumba é um dos artistas mais populares e irreverentes de Minas Gerais, mesclando em seus trabalhos raízes afro-mineiras, elementos urbanos contemporâneos e um humor irônico. Tizumba é fã da música e do jeito de tocar de seu convidado no palco do Conexão Telemig Celular de Música 2002: o compositor e instrumentista Wagner Tiso. "Quero juntar os meus tambores com o piano de Wagner Tiso", explica Tizumba.


REGINA SPÓSITO CONVIDA VANDER LEE
Teatro Rival - 15/11 - 20h30


Regina Spósito é uma das artistas mais completas de Minas Gerais. Com dez anos de carreira, trabalha com segurança e desenvoltura todos seus lados criativos, no canto, no teatro e na dança. Seu convidado no Conexão Telemig Celular de Música 2002 é o cantor e compositor mineiro Vander Lee. A parceria não é novidade para os dois, "tive a oportunidade de gravar no meu primeiro CD algumas canções inéditas de Vander Lee", conta Regina. Segundo ela, o artista traduz com muita sensibilidade, criatividade e beleza os sentimentos do ser humano. O show será o momento de reunir no palco o talento de Regina Spósito com um dos artistas mais importantes da atual MPB.

Seu primeiro CD, Regina Spósito, foi gravado em Belo Horizonte, de janeiro a maio de 2001, através da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Com direção artística da própria cantora, produção musical de Flávio Henrique e direção musical e arranjos de Flávio Henrique, Regina Spósito e Rogério Delayon, o CD tem 11 faixas, oito delas compostas especialmente para o disco. Este trabalho tem a participação dos músicos Rogério Delayon (violão de nylon, aço, bandolim, cavaquinho, viola e guitarra), Enéias Xavier (baixo), Sérgio Silva (percussão), Daniela Ramos (percussão), Paulo Márcio (flueguel-horn), William Barros (violino), Ricardo Fiuza (teclado), Flávio Henrique (violão de nylon e teclado) e ainda como convidados especiais o próprio Vander Lee (violão de nylon), Carlos Malta (flauta), Lui Coimbra (violoncello), Queca Vieira (violino) e Affonsinho (violão de nylon).

Atuando na Cia. Burlantins, companhia de música e teatro de rua da qual é uma das fundadoras, Regina Spósito tem entre seus principais trabalhos os espetáculos O homem da gravata florida, com direção de Chico Pelúcio e no elenco Regina Spósito e Marina Machado, Show Hebraico, produção da fotógrafa Márcia Charnizon também com as duas cantoras e a Opereta O homem que sabia português, música e libreto de Tim Rescala e direção de Chico Pelúcio com Regina Spósito, Maurício Tizumba e Marina Machado. Os espetáculos foram apresentados em Belo Horizonte, no interior de Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e em outras capitais, sempre muito bem recebidos pelo público e crítica.

Atualmente está em cartaz em Belo Horizonte com a nova montagem da Cia. Burlantins, a opereta À Sombra do Sucesso, com música e libreto de Tim Rescala e direção de Chico Pelúcio e Marcelo Bones.

Vander Lee vem se destacando no cenário nacional por ser considerado pela crítica e público como um dos mais abrangentes artistas da atualidade. Além de compositor visceral, sem fronteiras e de olhar despretensioso sobre o cotidiano, ele interpreta suas baladas, sambas, reggaes e xotes com emoção e performance únicas. É música brasileira com ousadia e frescor, mas feita com respeito à tradição. Seu show, acústico, vem envolvendo platéias por todo o país, depois de ter conquistado a admiração de Elza Soares (juntos fizeram shows pelas maiores capitais Brasileiras), Luiz Melodia (seu parceiro no Projeto Novo Canto -RJ) e de cantoras da nova geração - que inseriram composições de Vander em seus últimos álbuns, como a atração do Conexão Telemig Celular de Música Regina Spósito ("Chazinho com Biscoito", "O Olho", "Pra ela Passar", "Eu Não Vejo Nada") e Rita Ribeiro ("Contra o Tempo", "Românticos") entre outros.


MAURÍCIO TIZUMBA CONVIDA WAGNER TISO
Teatro Rival - 21/11 - 20h30


Aos 44 anos e mais de trinta de carreira, o cantor, ator, compositor e multi-instrumentista Maurício Tizumba é um dos artistas mais populares e irreverentes de Minas Gerais. Mescla em seus trabalhos raízes afro-mineiras, elementos urbanos contemporâneos e um humor irônico. O público do Conexão Telemig Celular de Música irá conferir um encontro diferente. "Quero juntar os meus tambores com o piano de Wagner Tiso", revela o músico.
Seu convidado, o compositor e instrumentista Wagner Tiso, é um de seus grandes admiradores. Tizumba fez o convite por acreditar em uma "identidade da mineiridade", e é claro, por ser fã do músico respeitado no mundo inteiro.

Tizumba iniciou sua carreira aos 8 anos de idade, cantando na extinta TV Itacolomi. Aos 12, já tocava e cantava em bailes. Com 14, percorria o circuito de bares de Belo Horizonte e interior de Minas. A partir daí, fez inúmeros shows em teatros e casas noturnas no Brasil, Europa, Canadá e Estados Unidos. Há quatro anos fundou a Cia. Burlantis, juntamente com Regina Spósito e Marina Machado. Atualmente estão em cartaz com a terceira montagem, a opereta À Sombra do Sucesso, com música e libreto de Tim Rescala e direção de Chico Pelúcio e Marcelo Bonés.

Em 1999 lançou o CD independente África Gerais, possui 13 faixas compostas, em sua maioria, pelo próprio Tizumba. Como capitão de Guarda de Moçambique de Nossa Senhora do Rosário, o artista deixa de forma preponderante a marca de sua herança negra, com uma união de música de raiz ao pop, em busca de uma constante evolução do trabalho.

O show, repleto de bom humor e alegria, tem na sua base os tambores, que ditam os ritmos mais variados, todos remetendo às origens africanas da música mineira e brasileira.
Maurício Tizumba se apresenta tocando violão, gungas e patangome, acompanhado pelas cantoras e percussionistas Raquel Coutinho, Beth Leivas e Danusa Menezes como convidada especial, que fazem os vocais e tocam caixa de folia e pandeiro.

O compositor, intérprete e arranjador mineiro Wagner Tiso se apresenta como convidado de Maurício Tizumba no Conexão Telemig Celular de Música junto de um dos seus mais constantes e queridos colaboradores, o cellista Marcio Mallard. Este ano eles completam 35 anos de trabalhos juntos, e Marcio está sempre presente nos cds, trilhas e espetáculos.
Mineiro como Wagner, Mallard é considerado um dos maiores cellistas brasileiros, com inúmeros trabalhos em música de câmara, e como spalla da OSB. Neste show, a convite do "Mestre Tizumba", a dupla interpretará temas de Tom Jobim e Villa Lobos.
Vi lá no Despropósitos (vindo do Noa), achei a minha cara e, digamos, tomei emprestado:

Universe begins with U-N-I

11.11.02

Dando o recado:

E aí, blz ?

Estou atualizando meu diretório de blogs, o Blogalize. Hoje ele tem mais de 1200 blogs, esse final de semana tirei mais de 200 blogs que mudaram de endereço ou estavam parados a mais de 2 meses, mas ainda tem muita coisa pra consertar.

Estou fazendo essa revisão porque melhorei a forma de exibir esse blogs no meu site, além do pop-up que aparecia quando os usuários clicavam no link Blogalize, coloquei os blogs numa página em separado: http://www.interney.net/outrosblogs.php e também mostro em todas as páginas do meu site, do lado direito, um box com 5 blogs aleatórios, dependendo do dia seu blog pode aparecer de 10 a 100 vezes nesse box (+Blogs).

Gostaria que você conferisse o seu blog lá, caso estiver errado ou você não encontrar me envie seu blog clicando na opção "Coloque o seu blog aqui" essa opção está no box + Blogs que eu coloquei do lado direito com os 5 blogs aleatórios.

Se você puder divulgar esse novo diretório no seu blog avisando para as pessoas se cadastrarem eu agradeço também! :) Peça para elas entrarem em http://www.interney.net/ e clicarem no link "coloque o seu blog aqui" no box + Blogs.

[]'s

Edney Souza
http://www.interney.net/


EDITAL PARA 2003


Estamos comunicando a todos que a Fundação Nacional de Arte - FUNARTE - abriu o Edital de ocupação da Sala Funarte Sidney Miller para apresentações de música popular, sobretudo brasileira, no período de março de 2003 a janeiro de 2004.

Você já pode se inscrever com apresentações isoladas ou projetos temáticos. As inscrições serão feitas na Coordenação de Música / Departamento de Arte da FUNARTE/RJ, localizada à Rua da Imprensa n. 16, 13o andar, sala 1308, nos horários de 10 às 17 horas, do dia 04 de novembro até o dia 04 de dezembro de 2002.

Para obter mais informações, inclusive sobre o material necessário para inscrição, acesse o site www.funarte.gov.br e procure o link "Edital".

Você poderá também "baixar" as fichas de inscrição - Apresentação de Artista / Grupo ou Projeto Temático - e preenchê-la em sua própria casa.

Estamos aguardando você,
Boa Sorte!

Sala Funarte Sidney Miller


Apoio: www.cigam.mus.br e www.radiomec.com.br


Imperdível!

8.11.02

Trabalho é trabalho.
E o de hoje é:



Já viu, né? Aquela coisa. Então...
Já que a palavra da semana por aqui é qüiproquó, não poderíamos deixar de citar a crônica de hoje da Maria Lucia Dahl no JB. Com vocês: O qüiproquó.

Trecho:

"Vermelho-cheguei-finalmente, vermelho-vai-passar-nessa-avenida-um-samba-popular. Debalde. Do meu guarda-roupa não sai vermelho. Procurei nas coisas da minha filha. Muito vermelho pra nada. Manequi 38, ah! E aquela faixa que circunda barriga e bunda, a chamada faixa etária, como é que entra num tamanho small? Não há santo que faça. Não é uma questão de gordura. Com o perdão da má palavra, é de idade mesmo..."

7.11.02

hahahahahaha!
hehehehehehe!
hihhihihihihihihi!
hohohohohoho!

Marido é o maior fator de risco para mulher
Quem já viu, não se admira; quem não viu, não sabe o que é.

O trabalho por aqui hoje é:

Nana bate o tambor e avisa:

Brasil será tema do Midem 2003

PEDRO ALEXANDRE SANCHES
DA REPORTAGEM LOCAL

O Brasil será o país-tema e o principal homenageado da edição 2003 do Midem, o maior evento anual da indústria fonográfica mundial, que acontece em janeiro em Cannes, na França.

É a primeira vez que isso acontece desde a criação da feira de negócios musicais, há 37 anos. O Brasil terá local privilegiado para exposições e monopolizará a noite de abertura dos shows que acompanham a feira, com apresentação de oito artistas ainda não definidos.

Anunciada anteontem no consulado francês em São Paulo, com presença da diretora-geral do Midem, Dominique Leguern, a participação brasileira foi negociada pela associação Brasil Música e Artes (BM&A), que é ligada à Associação Brasileira de Música Independente (ABMI) e se direciona a ações do mercado brasileiro independente no exterior.

"Foi uma surpresa, a BM&A só tem um ano de idade e já conseguiu gerar uma ação dessa amplitude. Disputamos ser o país-tema do Midem com Inglaterra e Irlanda, e acho que ganhamos pela força da música brasileira e pelo ineditismo dessa homenagem na história da feira", afirmou o presidente da entidade, José Carlos Costa Netto.

Também presente, o cônsul francês em São Paulo, Jean-Marc Laforêt, sublinhou o ineditismo: "Eu achava que o Brasil havia sido convidado várias vezes ao Midem, porque é um dos principais países do mundo na música. Fiquei surpreso ao saber que é o primeiro convite. Isso vai fortalecer a MPB nos mercados musicais".

Dominique Leguern, falando pelo Midem, afirmou que a escolha do país como tema do evento é "um passo decisivo para o Brasil", mas preferiu destacar a atual crise da indústria fonográfica mundial.

"Não preciso dizer o quanto o mercado está difícil. Todos os mercados do mundo hoje sofrem com a pirataria, e por isso mais que nunca temos que sair de nossas próprias fronteiras e ir ao encontro de novas culturas", afirmou a diretora.

Uma comissão foi constituída para selecionar entre os independentes os oito artistas que comporão a delegação brasileira para os shows. Definindo Tom Zé como o nome de seus sonhos para liderar a noite, Costa Netto diz que se estuda também a possibilidade de a noite ser conduzida por um "mestre-de-cerimônias" vindo da grande indústria -cita Gilberto Gil e Lenine como exemplos.


(retirado daqui)

6.11.02

Dia de colocar ordem em algumas pendências.

Será que agora vou poder riscar comentários da minha lista?


"Quando tinha uns 12 anos, ouvi, ao acaso, uma conversa entre meu pai e minha mãe. Eles comentavam que eu não estava me tornando uma adolescente bonita. A maneira que encontrei para me relacionar com isso foi: 'Então vou me fazer bonita.' Posso não ser um modelo de beleza, mas tenho o direito e a capacidade de me enxergar dessa forma."
(Anjelica Huston, atriz americana)


Não era só por ela ser escandalosamente linda, boa atriz, ter (aparentemente) uma vida de "...e foram felizes para sempre". Nem por ela encarnar os personagens de uma forma que faz com que a gente os entenda (e ame e se identifique) imediatamente. Minha simpatia por ela vem de outros tempos, dos anos dourados e eu estou me disciplinando para respeitar mais a minha intuição a respeito das pessoas.

Numa entrevista para a Marília Gabriela na época do lançamento do filme Bellini e a Esfinge, Malu Mader falava em projetos particulares e ainda não muito bem definidos e eu fiquei com uma desconfiaça que havia muito mais ali do que supunha nosso vão interesse pela vida das celebridades. Pois vejam o que ela anda aprontando:

"Sei que muita gente considera cultura e educação supérfluos, já que não enche barriga, mas acredito que só a arte tem a capacidade de transformação, pois consegue equalizar diferenças sociais, de idade e de sentimentos."

"Quando alguém descobre que tem um talento, um dom, tudo muda."

A atriz está preparando, junto com a diretora Mini Kerti, um documentário sobre a Escola de Música Villa-Lobinhos. É aquele projeto do flautista Rodrigo Belchior, do violonista Turíbio Santos e de Greice Pimentel, que engloba aulas de vários instrumentos, teoria musical, informática e inglês, ajuda de custo e vale-transporte para jovens instrumentistas entre 12 e 20 anos vindos de famílias de baixa renda. Malu é ativa colaboradora do projeto desde o final de 2001.

"Hoje há uma safra de filmes que abordam a violência e suas razões, como Cidade de Deus, do Fernando Meirelles. Mas as manifestações de solidariedade que ocorrem nesses momentos de crise ainda são pouco registradas. Daí a idéia do documentário."

"Não importa porque as pessoas ajudam os outros - se é por culpa social ou generosidade. Importa, sim, é que façam algo. Blindando os carros e nos isolando atrás de portões rompemos os últimos laços humanos. Esta deveria ser uma hora de aproximação, não se exclusão."





Olhos de coruja
(julho/2002)
A Oficina Experimental de Instrumentos Informais, ministrada pelo Prof. João Mendes, começará nesta QUINTA-FEIRA, dia 07 de novembro, às 17h (até as 19h) no auditório Gilberto Freire (primeiro andar do Palácio Gustavo Capanema - prédio do MEC - Rua da Imprensa, 16 - Centro - Rio de Janeiro).

Valor mensal: R$ 50,00.

As oficinas do Rio Maracatu (Percussão - 50 reais mensais, e Dança - 30 reais mensais) permanecem com as inscrições abertas, também às quintas, mesmo local, às 10h e 12h, respectivamente.

Os interessados poderão fazer suas inscrições no local.



5.11.02


Vênus Calipígia
Museu de Nápoles
E ontem chegou pacote de CD's da Putumayo.


Não, nada de trabalho, só muita coisa boa para ser ouvida.







Por aqui o trabalho hoje é:

Hoje está sendo o dia de umas descobertas ligüísticas interessantes (pelo menos para mim).

Devo começar dizendo que minha mãe é uma pessoa que tem uma enorme capacidade de vocabulário que só agora estou levando mais a sério. Em algumas situações me chegam determinadas palavras ou expressões à cabeça que lembro perfeitamente saídas da boca da minha progenitora. Só que ninguém mais (pelo menos que eu conheça) as usa, então ficava com a impressão de que ela as inventava. Nos últimos tempos, resolvi verificar no dicionário algumas delas e, até agora, estão todas lá, devidamente registradas.

Parte dois da história: recebo diariamente, via e-mail, uma palavra em inglês, com seu significado, sua origem, um exemplo de seu uso e mais algumas informações interessantes. Hoje não foi uma palavra, mas uma expressão _ quid pro quo _ que, na verdade, vem do latim. Aí pensei que Mamãe tivesse feito uma confusão e tivesse misturado alho com bugalhos. Que nada! Lá está no Aurélio: qüiproquó! Do jeitinho que D. Wilma se referia ao resultado das minhas brincadeiras com minhas irmãs lá nos idos da era original da calça boca de sino.

(Meg, eu sei que esta história, para você, não tem a mínima graça ou traço de novidade :-))


Quid pro Quo
Jim Caron
Fui pesquisar Imbondeiro e descobri Adansonia digitata, daí:

Adansonia digitata - Bombacaceae - African Baobab - The famous Baobab or "upside down" tree from tropical Africa (a.k.a. Judas Fruit, because it has 30 seeds). The spongy acid pulp has been used as a substitute for Parmesan cheese on pasta - no cholesterol! Facetiously called the "Dead Rat Tree" because its furry fruits resemble rats strung up by their tails. This is one of the longest lived and largest trees in the world - so large that they have been used as jails in Africa. This tree has beautiful creamy white flowers that hang down and are pollinated by bats. Also known as the "TREE of LIFE" popularized by Disney in the Lion King and their new amusement park.

Sim, tudo isso é a mesma coisa: o bom e velho baobá.


oil 45-45 cm
Baoba Tree
Otto Klar
(1908-1984)

4.11.02

Sempre digo que tem uma linha que une as pessoas de mesma sintonia que se querem bem. Ela não precisa dizer para mim e não preciso dizer para ela, porque a gente sabe da torcida de uma pela outra, mas a gente diz assim mesmo. Toda vez que o bicho pega feio ou que a alegria estrapola os níveis normais, sei que vem um sinal dela. Carinho e amizade é assim...

Mas eu ia falar de sintonia e da minha estupefação quando li em seu blog agorinha:

Aquele que deseja e não age engendra a peste.
(William Blake)


Ui, ui, ui!

Raramente tenho febre. Uma vez, já consegui a proeza de apresentar um quadro de pneumonia sem febre. Mas para que ela não venha, meu corpo inventa compensações alucinadas como onda de suores e calafrios que se sucedem. Às vezes acho que sou meio anfíbio.

Estou com uma gripe encostada por aqui que não arria nem sai da moita. Ontem à noite estava sem voz. Mas devo, para ser absolutamente sincera, dizer que a culpa não é somente dos vírus influenza. Os que gostam de explicar tudinho de um jeito meio torto e dizem que raiva ataca o fígado, diriam que foi o sapo que está entalado na minha garganta. Não digo que sim, nem que não. Entretanto para que sua teoria fique melhor abalizada, é justo que eu informe que fiz uso abusivo das cordas vocais durante toda a tarde de domingo.

E hoje suo baldes. Expurgo a gripe. O batráquio mal parado na traquéia expulso aos berros que, dizem, não ficaram nada mal.

E é desse jeitinho que sou...

1.11.02

Dona Vida, o negócio é o seguinte:

Tenho enfrentado com a cabeça erguida e, na medida do possível, bom humor tudo, tudo, todos os sapinhos e sapões que a senhora tem colocado no meu caminho para eu engolir. E eles não tem sido poucos nem pequenos nos últimos tempos. Finjo que não vejo que quem me chama de medrosa é justamente quem estava com a cabeça enfiada debaixo das cobertas quando o bicho pegou e eu tive que segurar as pontas. Sozinha! Tenho sido brava, corajosa, compreensiva, silenciando tudo o que a natureza me impele a gritar. Sou solidária e companheira. Já engoli lágrimas suficientes para afogar muita gente que faz pose de duro na queda. Cultivei amores natimortos e paguei caro por eles sem desanimar. Faço vista grossa à injustiça, à falta de reconhecimento, ao silêncio. Perdôo sem que o pedido de desculpas jamais venha. Disfarço as puxadas de tapete brincando de tapete voador.

Sabe o que é, Dona Vida? Cansei.

Agora é a hora da pomba-gira!

Essa eu peguei lá na Telinha:


Procurando a dor
Danuza Leão


Outro dia, na ginástica, ao começar uma nova série com halteres pesadíssimos (para mim, pelo menos), minha coluna deu um grito -ou teria dado, se coluna falasse. O lugar é sensível e muito meu conhecido: nunca me esqueci do dia em que um amigo, ao me abraçar afetuosamente, pressionou com tal força o ponto crucial -para mostrar seu carinho-, que passei seis meses fugindo dele.
Voltando à aula: disse a meu professor que não podia continuar, que aquele movimento não ia dar e partimos para outro; no fim da aula ele fez as recomendações de praxe, explicou que a dor é sempre um aviso e que quando ela surge é preciso ficar atenta, para que não volte. E mais: que quando eu chegasse em casa não procurasse a dor.
Como assim, procurar a dor? E alguém procura a dor? Ele explicou que o corpo tem tendência a se testar e procurar a dor, sim, para ter certeza de que ela está lá -ou de que não está mais. Nunca te aconteceu de estar com uma dorzinha (pequena) e provocá-la? Ou vai me dizer que você nunca passou a língua numa afta?
Curioso esse nosso corpo; comecei a pensar nos sentimentos e como nos comportamos em relação a eles. Sobretudo a comparar os males do corpo com os da alma, ou falando mais claramente, com os do coração.
É verdade; quantas vezes a gente procura a dor sem perceber, e quando encontra não imagina que a tendência dela é sempre aumentar. Se soubéssemos viver -e poucos sabem-, o primeiro sinal de dor emocional deveria soar como um alarme, e deveríamos cuidar para que ele não se repetisse. Só que muita gente faz exatamente o contrário.
Quando seu namorado te fez sofrer pela primeira vez -nada de muito grave, ele apenas sumiu por dois dias ou olhou de maneira pouco convencional para sua irmã-, em lugar de voltar para os braços do outro que é gentil, delicado, telefona na hora combinada e te trata como uma deusa, o que você fez? Se apaixonou, e pior: quanto mais ele aprontava mais a paixão aumentava. A cabeça e os sentimentos são bem parecidos com o corpo e costumam procurar uma complicação que vai -pode- nos levar a dores futuras. Qual a graça de uma existência com pessoas que só dizem coisas agradáveis e gentis, namorados que nos fazem felizes o tempo todo? Para muita gente, a graça é viver perigosamente, no limite.
Quem não cultiva um amigo bem maldito, que diz maldades vis mas sempre divertidas sobre nossos mais caros amigos? Quem nunca se apaixonou por um homem que nos fez passar por momentos atrozes, sempre em sobressalto, com o coração na boca, sofrendo mas morrendo de medo de que ele fosse embora?
É elementar saber que esse amigo tão divertido vai, assim que você virar as costas, fazer comentários maldosos -e sempre divertidos- sobre você, que quando souber não vai achar a menor graça. E que seu namorado, que faz com que você viva no fio da navalha -isso é que é vida, você acha- vai aprontar cada vez mais, muito mais do que você jamais sonhou, até te deixar arrasada -e sozinha. Quando se fazem escolhas erradas se está procurando a dor, e esta é uma procura inútil; supérflua, eu diria.
Não é preciso procurar por ela porque mesmo tentando viver da maneira mais certa ela nos encontra na hora em que quer e bem entende.
E com a maior facilidade.

31.10.02

Porque hoje é um dia muito especial de comemorar centenários e porque hoje, talvez mais que nunca, estas palavras traduzam o que vai dentro de mim.

No Meio do Caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


José

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

(Carlos Drummond de Andrade, claro)


29.10.02

Only thin lines separate poetry, prophecy, and madness.
OFICINA EXPERIMENTAL DE INSTRUMENTOS INFORMAIS


Ementa: Proporcionar a vivência dos fenômenos e parâmetros do som, com ênfase na experimentação, improvisação e estruturação do sonoro, através de atividades práticas de aprendizagem e criação com instrumentos informais descobertos e resgatados pelos participantes.

A Oficina Experimental de Instrumentos Informais consiste na exploração dinâmica e participativa (ativa - manuseio e passiva - observação/escuta dos espécimes sonoros - instrumentos informais. É constituída em algumas etapas que consistem na descoberta dos sons, exploração do material sonoro-musical e processos de criação com a
elaboração de pequenas estruturas rítmica-sonoras, texturas diversas (simples, complexas, etc.).

Dentro deste contexto, a oficina se desenvolverá em torno dos seguintes temas:

1. A escuta consciente do som relacionada com o espaço e o movimento.

2. A experimentação perceptiva e a manipulação de espécimes sonoros. Trabalhos de geração de som utilizando objetos do seu cotidiano. Pequenas interferências, manipulação, criação e experimentação de diversos meios operantes, ex: baquetas, varetas, objetos metálicos, etc.

3. Os ruídofones. Um paralelo com o conceito de 'ready-made' de Marcel Duchamp e de 'objet trouvée' de Pierre Schaeffer. Experimentações em torno de materiais básicos como: papel, plástico, metal, material de sucata e ferro-velho.

4. Investigação de paisagens sonoras - observar, investigar, descrever, representar diversos ambientes sonoros no espaço externo. Praças, ruas movimentadas, parques, jardins, rua de pedestre, feiras, sons predominantes, características sonoras.

5. Sons pictóricos - grafismos sonoros - primeiras tentativas de grafismos, um paralelo com Kandinsky - Ponto e linha sobre o plano.

Ministrante: João Mendes (Compositor, Bacharel e Mestre em música)

Público alvo: Professores, educadores, compositores, intérpretes, instrumentistas, músicos e não-músicos.

A oficina compreende 8 workshops com uma apresentação final dos resultados.

Início: novembro de 17:00 às 19:00 horas
Preço: R$ 50,00/mês c/ direito a certificado
Informações e inscrições: Coordenação de Música da Funarte
Rua da Imprensa, n 16 - sala 1308 - Centro - Rio de Janeiro
Tels: (21) 2279.8105 / 2279.8106 / 2279.8107

Breve curriculum
João Mendes, violonista e compositor, nasceu no Rio de Janeiro [1958], é Bacharel em Violão [UFRJ] e Mestre em Musicologia [UNIRIO]. Teve como principais orientadores, Turíbio Santos, Edelton Gloeden (violão clássico), Michell Phillippot, Hans-Joachim Koellreutter, Jorge Peixinho, Aurélio de la Vega (composição), Conrado Silva, Rodolfo Caesar (técnicas eletroacústicas) e José Maria Neves (musicologia). Tem atuado como compositor e intérprete em diversos eventos nacionais e internacionais relacionados com a música nova, tais como: VIII ao XX Panorama da Música Brasileira Atual [RJ], VI, VII, XII
e XIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea [RJ], Elektrokomplex em Viena - Áustria [1998], 2º Encontro de Música Eletroacústica em Sárvar - Hungria [1998], III Bienal Internacional de Música Eletroacústica de São Paulo [2000], Seoul International Computer Music Festival 2000 - Coréia do Sul, ICMC2002 - International Computer Music Conference 2002 em Gothemburg (Suécia).
Empanzinada!!!

24.10.02

Estou em falta com amigos, visitantes, correspondentes...

Meu vidro de acetona entornou e preciso pedir/ir à farmácia comprar ouro (há restos de esmalte nas minhas unhas)...

Uma amiga fez aniversário e fui visitá-la de mãos abanando porque não tive tempo de comprar nem uma lembrancinha para ela...

Preciso ir ao banco...

Tenho que pagar a academia...

Tenho que comprar presentes para alguns aniversariantes infantis...

Preciso arrumar uma bolsa de coisas que preciso levar para a casa da minha mãe no domingo...

Correio...

Um passeio que prometi ao filho...

etc...

Ah, sim! Trabalho, trabalho, trabalho...

22.10.02

"Seria completamente impossível que Jimmy Carter estivesse financiando as operações do franco-atirador de Washington? Afinal, foi o ex-presidente que, em seu ÚNICO discurso às Nações Unidas em 1977 cunhou a frase 'caros policiais, eu sou Deus' e, no passado, mostrou interesse pela arte negra do tarô. O padrão é bem claro".
Comprimento de dedo pode indicar tamanho do pênis
Conheço uma mulher cujo grande orgulho é conseguir amarrar seus seios um no outro com um nó. Com alguma insistência e munido de algumas cervejas, pode-se conseguir que ela apresente seu show de horror. Ela tem uma opinião forte e não muito simpática a meu respeito. Você deve imaginar (ou saber) que não tenho muito controle sobre a forma como minhas sensações e meus sentimentos passam para o meu rosto.

****


Era pouco mais de meio-dia. Já havia trocado e-mails com a Carol em Aman e já havia falado com Manu em Paris. Tenho que tomar muito cuidado com quem comento este tipo de coisa. É freqüentemente necessário optar entre o clamor da felicidade de ter amigos que entram em contato com você não importando a que distância no globo estão de você e a manutenção de uma imagem de modéstia. Adivinha qual é a minha opção! É por isso, gente, é por isso...

****


Outra conhecida dispensa o álcool ou a insistência. Em qualquer cozinha de festa, sob qualquer pretexto ou ausência dele, ela levanta a blusa para mostrar os peitos achatados e as cicatrizes de uma cirurgia plástica, na minha opinião, mal-sucedida. Esta também parece não ter gostado da minha reação (semi)involuntrária quando começou a falar de sua (suposta) educação esmerada.

Mulher afirma que Spielberg controla sua mente com microchip

Terça, 22 de outubro de 2002, 07h43



O diretor de cinema Steven Spielberg obteve uma ordem judicial de proteção contra uma mulher que o assediava afirmando que o cineasta implantou um microchip em seu cérebro.

A ordem foi emitida na quinta-feira passada pelo Tribunal Superior de Los Angeles (Califórnia) contra Diana Napolis, de 47 anos, que acusava Spielberg de usar o microchip para controlar sua mente.

A equipe de segurança de Spielberg teme que a mulher sofra de algum problema mental e represente "um sério risco de confrontação violenta".

Diana escreveu um panfleto, que distribuiu na estréia do filme The Tuxedo e na entrega do Grammy Latino, onde acusa Spielberg e sua esposa, a atriz Kate Capshaw, de pertenecer a um culto satânico que lhe implantou um microchip no cérebro denominado "receptor de almas", com o qual a controlam.

Segundo a mulher, o culto satânico opera a partir do sótão da casa de Spielberg. O diretor de Tubarão e Indiana Jones qualificou as ações de Diana Napolis de "alarmantes e ameaçadoras". "Estou preocupado com minha saúde, minha segurança, a segurança de toda a minha família e das pessoas que me rodeiam".

"Para afirmar o óbvio, não estou envolvido em qualquer forma de manipulação da mente ou corpo da senhora Napolis, mediante controle remoto ou qualquer outra tecnologia", disse Spielberg.

Retirado daqui

21.10.02

Por onde anda Viviane Pasmanter?
Franco-atirador quer dizer atirador francês?
Quanto mais as patricinhas, os barões do comodismo e os intelectualmente preguiçosos esperneiam contra o Lula, mais eu gosto da idéia...
ESTESIA!!!

17.10.02

Regina Duarte é internada para tratamento psiquiátrico

Já dizia meu sábio e falecido pai:

- Dia de muito, véspera de nenhum.

O problema é que sempre fui rebelde e para não deixar cumprir a profecia depois do surto de posts de ontem, estou aqui só para marcar território e contrariar mais um ditado.

16.10.02









REGINA DUARTE TEM MEDO DO QUE?

Cara Regina,

Surpreendeu-me sua participação, hoje, no programa gratuito eleitoral do candidato Serra, pregando o medo. Sua tentativa em dividir o seu medo com a Nação brasileira chega a ser patético. O seu medo de que Lula venha a ganhar as eleições, no próximo dia 27, é cômico se não fosse sério, parodiando Dürremath. Cômico, na medida em que imagina que a vida da maioria dos brasileiros seja tal qual a sua. Lamentavelmente, não é. A notoriedade da
qual você, por mérito, desfruta não é vivenciada pela maioria da população brasileira. O que tem sido um terror para você (a vitória do Lula) para muita gente, quem sabe, seja a salvação. 39 milhões de pessoas depositaram em Lula a esperança de dias melhores; e isso não é pouco.

Sério, porque há justo 27 anos, numa semana qualquer de outubro de 1975, você, com outros atores, participou de uma leitura de uma peça teatral, onde o que se via era acima de tudo coragem. Estou falando do Concerto nº 1 para Piano e Orquestra (teatro Paiol, segunda quinzena daquele outubro maldito). Numa sexta-feira à meia-noite, como uma nesga de esperança, atores como João José Pompeu, Madalena Nicol, Maria Ylma, entre outros, davam prova de que alternativa não havia, a não ser enfrentar com coragem a ditadura militar. Enfretamento que fazíamos com as únicas armas de que dispúnhamos, a nossa profissão, ainda que improvisados. O texto, escrito por João Ribeiro Chaves, cunhado de Vladimir Herzog, sacudiu a todos e nos encheu de esperança, não de medo. Na semana seguinte, ou no dia seguinte (existe uma divergência entre este que escreve e Sergio Mamberti, também diretor daquela leitura), Vlado foi morto nas dependências
do DOI-CODI. Vlado esteve naquela meia-noite de sexta-feira assistindo a segunda leitura que falava de esperança, embora debaixo de pancada. Você, demonstrando ainda maior coragem quando tomou a frente e meses depois veio a montar a mesma peça, comercialmente, mantendo grande parte daquele elenco.

Surpreendo-me, sinceramente, que nesse momento você lance dúvidas a respeito da idoneidade e importância histórica do ex-metalúrgico e hoje político mais importante do Brasil. A notoriedade de Lula foi conseguida com trabalho e seriedade, a mesma seriedade com que você pacientemente construiu seu prestígio, ao longo dos anos de sua carreira.

Lula representa esperança e não retrocesso, o caos. Caos e medo é o que grande parte dos que nele votaram, dentre eles eu, têm vivido. Ele significa a mudança, a mesma mudança que um dia você ajudou a construir. Destaco você, ao lado de Lélia Abramo, Fernanda Montenegro, Camila Pitanga, Regina Case, Fernanda Abreu, Lilia Cabral, como um patrimônio cultural brasileiro que não pode ser destruído. Da mesma forma não é correto, com todo o respeito, que tente transformar uma pessoa como Lula, ao qual muitos de nós brasileiros devemos, num causador de caos maior. Até porque ele teve a coragem de enfrentar os militares, junto com seus companheiros metalúrgicos do ABC. Naquela época o combustível da vida era a busca da liberdade que hoje você desfruta e todos nós também desfrutamos. Hoje o combustível da vida é a luta pela igualdade de oportunidades que Lula também representa.

Você fala que ele mudou, que não é mais o homem que você conheceu. A qual Lula você se refere? Aquele que mobilizou seus companheiros para votar em FHC para senador, em 78? Ou o Lula que comandou as greves contra o regime militar, nos anos seguintes? Nota-se que você conhece tudo de teatro e pouco de política. Permita-me, ele é o mesmo homem generoso com seus companheiros e com o destino da Nação Brasileira. Lula não renega seu passado, muito menos o que escreveu, até porque tudo o que escreveu o fez com a própria vida.

Acho que apesar da tristeza que deverá cair sobre seu coração sensível - uma possível derrota de Serra no dia 27, você deve votar, sim, nele. É o seu direito. Acho mais, espero que nos próximos dias tenha a oportunidade de dizer o quanto ele, Serra, pode fazer pelo Brasil, como economista, por exemplo. Só lamento que nesses anos todos o seu partido do coração, governando o Brasil, não tenha usado seu candidato como economista. Sei que ele é muito competente como tal, porém, não foi capaz de evitar a situação que as notícias dos jornais diários não nos deixam esquecer. A crise econômica em que nos meteram.

Acho ainda, para finalizar, que você despreza a inteligência dos eleitores, apelando para o coração sofrido de quem, em situação outra, poderia embarcar no seu medo.

Regina, sua contribuição ao teatro, tevê, cinema e à cultura brasileira, enfim, não será esquecida. O seu gesto de hoje, eu espero que sim. Para o bem de todos nós!

Respeitosamente,

Jair Alves - Dramaturgo - São Paulo

09/10/02




Lucia Guanaes Photographies
Satori 20 de Francis Dumas
(invité du mois)

A audácia!

L. F. Veríssimo (O Globo, 15/10/2002)

Quem o Lula pensa que é, tomando Romanée-Conti? Gente! O que é isso? Onde é
que estamos? Romanée- iiiiiiiiiiiiiii Conti não é pro teu bico não, ó
retirante. Vê se te enxerga, ó pau-de-arara. O teu negócio é cachaça. O teu
negócio é prato-feito, cerveja e olhe lá. A audácia do Lula!


Hoje tomam Romanée-Conti, amanhã vão querer o quê? No mínimo se achar iguais
a nós. Pedir os mesmos direitos. Viver como a gente, que tem berço, que tem
classe, que tem bom gosto e portanto merece o melhor. E nós sabemos como isso
acaba. Logo, logo vão estar querendo subir pelo elevador social.

O Lula tomando Romanée-Conti... Ora faça-me o favor. Que coisa grotesca. Que
coisa ridícula. Que acinte. Que escândalo. E que desperdício. Vai ver ele não
sabe nem pronunciar o nome, quanto mais apreciar o sabor. Vai ver derramou um
pouco pro santo, na toalha. Romanée-Conti não é pra gentinha, não, Lula. As
coisas boas da vida são para as pessoas finas do mundo, não pra pé-rapado que
bota gravata e acha que é doutor. Muito menos pra pé-rapado brasileiro.

Está bom, foi só um gole. Mas é assim que começa. Hoje tomam um gole de
Romanée-Conti, amanhã estão com delírio de grandeza, pedindo saneamento
básico, habitação decente, oportunidade de trabalho e até - gentinha metida a
grande coisa não sabe quando parar - mais saúde pública, mais igualdade e
caviar. Enfim, essas coisas que intelectual comunista põe na cabeça deles.
Sim, porque a índole natural da nossa gentinha, em geral, é boa. Se pudessem
escolher, escolheriam angu aguado e vinho Boca Negra, coisas autênticas, às
vezes mortais, mas pitorescas. Como eles, que até hoje nunca tinham
incomodado ninguém, que até hoje conheciam o seu lugar. Agora, depois da
gentinha provar Romanée-Conti, ninguém sabe o que pode acontecer neste país.
Deram álcool para os índios! Nenhum branco está mais seguro.

O Lula tomando Romanée-Conti... É o cúmulo. É uma inversão completa dos
valores sob os quais nos criamos, segundo os quais se Deus quisesse que os
pobres tomassem vinho de rico daria uma ajuda de custo. É o fim de qualquer
hierarquia social, portanto o caos. Ainda bem que ainda existem patriotas
alertas para denunciar o ridículo, o acinte, o escândalo, e chamar o Lula de
volta à humildade. Para mandar o Lula se enxergar.

Sim, porque hoje é Romanée-Conti e amanhã pode ser até a Presidência da
República. Gentinha que não conhece o seu lugar é capaz de tudo.
Na íntegra, carta da CUT para a atriz Regina Duarte:

À Regina Duarte

O direito de defender os próprios pontos de vista é inalienável. Acreditar que seu candidato, por suposto José Serra, é o melhor, é direito seu e que ninguém questiona.

Também está no campo da total inquestionabilidade seu direito de fazer campanha para qualquer candidato que você queira, o que, aliás, é um direito de qualquer cidadão numa sociedade democrática.

Mas já transcende não só o direito, mas até a dignidade, prestar-se ao papel de terrorista e/ou patrulheira do voto dos que querem mudança, dos milhões de brasileiros prejudicados (o que felizmente não é o seu caso) por um modelo econômico excludente e perverso.

Lula, por sua história e por seu presente, merece respeito; o mesmo respeito, ao menos, com que trata seus adversários.

Você, Regina, é uma figura pública, até então merecedora de todo nosso respeito, mas para que ele continue, você também deve dar-se a ele.

João Antonio Felício
Presidente Nacional
Central Única dos Trabalhadores


(Uma central sindical que te admira mas que se sente indignada com o papel que você desempenhou na noite de 14/10/2002)


Biblioteca de Alexandria é reinaugurada hoje no Egito

14.10.02

Mantra:

- Eu tenho o mais importante.

10.10.02

E, por falar em Dia das Crianças, eis aqui algumas preciosidades. Tudo de graça!
Se você tem alguma dúvida sobre o que há na cabeça dos fãs e dos pais de fãs de Sandy & Júnior, leve em consideração os seguintes dados:

- a cidade de Rio de Janeiro passa por uma terrível onda de calor;
- o bairro do Maracanã costuma marcar as mais altas temperaturas da cidade;
- o calor acumula sobre o cimento, atingindo temperaturas elevadíssimas no meio da tarde;
- não há sombra à tarde próximo à bilheteria que está vendendo ingressos para o show da dupla no dia das crianças;
- a fila só cresce desde o início da manhã;
- uma garrafinha de água mineral (da bica) custa R$1,20.

Mas o ponto definitivo para que você possa fechar seu diagnóstico ou veredicto é o seguinte:

- há um 0800 vendendo os ingressos com entrega em domicílio!

Quer mais?

- há centenas de atividades mais interessantes, educativas e inteligentes programadas para o mesmo dia na Cidade Maravilhosa. Muitas delas gratuitas.



8.10.02

Agora que parei de fumar e faço de conta que foi porque fui catequizada por aquela história de danação eterna e inferno para os fumantes, estou quase me convertendo a outra daquelas verdades que se você questionar encontra a perdição.

Deve mesmo ter havido uma Lilith e eu sou descendente dela. Não consigo atinar em outro motivo para uma LPM (Larica Pré-Menstrual) justo agora que eu tinha conseguido me livrar de 2,5 Kg mesmo sem voltar aos diabólicos cigarros.

Ah, sim. Talvez eu deva alguma explicação por um silêncio tão longo.

- Trabaio, misifio, muitcho trabaio...

... e vontade nenhuma de falar sobre a maldição que se abateu sobre o estado do Rio de Janeiro vinda das urnas do interior e da Baixada Fluminense.

Talvez eu devesse olhar o copo meio cheio. Certo, certo... Então imaginem que estou acenando com um lenço branco em direção à cova do esquecimento:

- Adeus Maluf, Brizola, Collor, Quércia... Vão atazanar o diabo que os carregue!

E, como se dizia nos velhos tempos, a luta continua, companheiro!

Quero Lula lá mais que nunca!

30.9.02

Dado que não houve qualquer motivo para que o tráfico resolvesse mostrar seu poder de fogo justo a uma semana das eleições;

dado que nenhuma favela foi invadida, nenhum grande líder do tráfico morreu para que se decretasse o fechamento dos estabelecimentos comerciais por toda a cidade e região metropolitana;

dado que o passado condena as pessoas que seriam beneficiadas por uma farsa desta envergadura;

dado que a possibilidade de Benedita da Silva, atual governadora do Estado do Rio de Janeiro (leia-se responsável pela segurança pública do estado) e candidata a permanecer no cargo, chegar ao segundo turno com Rosinha Garotinho tira definitivamente Solange Amaral, candidata do prefeito César Maia do páreo;

publico aqui trecho de uma reportagem da revista Época e um texto que escrevi em 25/05/2001 e na mesma época publicado na Crônica do Dia, descrevendo caso semelhante já ocorrido, posterior ao citado no tal livro.

Por favor, como cidadãos, leiam e tirem suas próprias conclusões:

***


Admitidos como prática política, os rumores dispõem de propagadores de plantão no cenário nacional. Com as lorotas que conta sobre a própria biografia, Anthony Garotinho já pode ser definido como o autoboato. Outro profissional muito aplicado desse mercado negro, que não demonstra o menor constrangimento em valer-se de informações falsas para tentar iludir a população e colher benefícios, o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), revela no livro Política É Ciência como inventou um burburinho para prejudicar a candidatura de Sérgio Cabral, adversário de seu seguidor Luiz Paulo Conde nas eleições de 1996. O prefeito diz que ordenou a um assessor de campanha: ?Pegue o celular e mande colocar 150 pessoas em botequins tomando cafezinho e dizendo: ?Eu soube que Sérgio Cabral vai renunciar...? Dali a três dias alguém veio me dizer: ?Serginho vai renunciar, vai renunciar...?? No dia 4 de março, Maia aplicou esse golpe mais uma vez, num esforço para tirar do noticiário o R$ 1,34 milhão em dinheiro vivo encontrados na empresa de Roseana Sarney e de seu marido, Jorge Murad. ?Foi uma manipulação PF-PSDB-ÉPOCA?, mentiu o prefeito.
(retirado daqui)

***


POLÍTICA DE BOTEQUIM
(Carla Cintia Conteiro)


- O Salgueiro vai descer.
- Me disseram que o Turano também.
- Por que que aquele povo tá correndo?
- Sei lá, mas não vou ficar aqui esperando para saber.

As lojas da Praça Saens Peña e adjacências baixaram as portas. Todo mundo sabia: o morro ia descer. Pânico! Mães foram buscar os filhos mais cedo na escola. Pelo telefone, parentes e amigos recomendavam que a Tijuca fosse evitada a qualquer custo. O zunzunzum alastrava-se como fogo pela cidade. O policiamento da área foi reforçado, mas os comerciantes, temendo o pior mantiveram seus estabelecimentos fechados. Quem não tinha outro jeito passava pela Rua Conde de Bonfim agarrado à carteira e à bolsa e com olhos na nuca, preparado para atirar-se ao chão ou sair em disparada mediante qualquer ruído ou movimento suspeito. Nunca num só dia tantas pessoas arranharam joelhos e mãos ao som do motor de um fusca velho.

A tarde do apocalipse acabou, vieram a noite e a madrugada, o dia amanheceu e a Igreja de Santo Afonso ainda assistiu a passos, ouvidos e olhos desconfiados desfilando pela vizinhança, apesar de nada, absolutamente nada além de pequenos sustos, terem acontecido na véspera. Os policiais continuavam de plantão. Surpresa: paz!

As investigações comprovaram que um enorme boato tinha acontecido. Só mesmo uma população receptiva a tragédias e calamidades levaria a sério a história de que uma comunidade pacífica como a do Salgueiro ia tomar o asfalto de assalto. Apenas quem não entende nada de política de tráfico pensaria que os chefões deixariam um evento destas proporções acontecer e atrapalhar seus negócios.

- Eu sabia que só podia ser balela. Só liguei prá Glorinha e fui prá casa mais cedo porque nunca se sabe, né?
- Eu também. Mas a gente nunca sabe direito o que se passa na cabeça dessa gente... Ficam lá em cima só fazendo filho e pensando besteira... Mas ainda bem que foi só história... Vamos ali tomar um cafezinho?
- Claro! E você, hein? Já escolheu seu candidato?
- Eu ia votar no Conde, mas depois do susto que passei ontem... O César Maia é meio doido, mas, sei lá...

Discretamente, os jornais publicaram um trecho de um livro do prefeito que sairia das urnas logo depois. Lá ele ensinava a arte do boato. Bastava plantar em pontos estratégicos da cidade _ nos botequins, é claro _ indivíduos pagos pelo mentor do rumor, que divulgariam a história, recheando com citações de fontes seguríssimas.

- Olha... (pausa... uma olhada discreta para os dois lados... braço do interlocutor entre os dedos...) Meu primo trabalha na PM, tá sabendo? Sabe o que mais? Tão reforçando o policiamento aqui por essas bandas... Descobriram um plano dos traficantes, xará... O morro desce hoje. Éééé, mermão... Eles querem mostrar quem é que manda. Tá me entendendo? Isso aqui vai virar uma praça de guerra, cumpadi. Se eu fosse tu, fazia que nem eu: tomava a saideira e sartava fora.
- Ô, Zé! Põe um pingado aqui prá mim rapidinho, que eu não tô a fim de dar bobeira por essas bandas hoje não. Tu não sabia? Tão falando que o Salgueiro vai descer. Vai ser um auê dos bons...

Sempre fui fascinada por botequins. Cada um tem seu espírito, sua identidade, sua própria dinâmica e porcaria. Não são apenas fontes de boatos ou local barato de lazer. São, antes de tudo, bom termômetro do ânimo da sociedade. Parar e ouvir o que se passa nestes redutos de carioquice é tema de arte e entretenimento.

Junto com o maço de cigarro hoje no balcão, peguei uma das melhores análises sobre o problema energético e demais questões que envolvem o governo atualmente. O cabra nordestino que dirige a bodega foi se entusiasmando com o meu interesse, as veias do pescoço crescendo e a cara ficando vermelha. Dava gosto de se ver. Foi lá no rádio e quase tirou a voz do Falamansa. A cozinheira veio ver o que se passava com o chefe e também palpitou duro. O cara que estava fazendo hora numa das mesas da calçada espichou o ouvido, cuspiu o palito que vadiava no canto da boca e soltou o verbo. O outro não tirou o olho do copo de cerveja quente, mas assentia martelando com a cabeça. De repente, já não se podia distinguir o que se falava, tamanha era a vontade e a necessidade de todos e de cada um daqueles indivíduos de expressar a sua revolta . Tempo quente num Rio abaixo de 20º C.

E ainda tem quem defenda a tese de povo inconsciente e alienado... Pois sim! Será que ninguém reparou que nas últimas eleições, quando os escândalos ainda não tinham tomado estas proporções que vemos nos últimos tempos, nem tinham atingido direta e claramente o orçamento doméstico, as urnas já mostravam a insatisfação popular com o governo?

Pena que o tempo dos grandes líderes tenha se acabado. Os botecos da Cidade Maravilhosa já estariam prontos para sair às ruas com suas tropas rotas, bêbadas e vadias.

26.9.02

Sou definitivamente uma pervertida. Tive um sonho erótico com meu próprio marido.
Eu tinha uns 16 anos quando o anti-galã entrou na minha vida. Meus ídolos até então eram bonitinhos. Ele não, mas tinha muita coisa para oferecer. Era divertido, inteligente e muito talentoso e de muitas maneiras falava a minha língua. Devo ter batido o record de audição de Passo do Lui.

Ricardo diz que seu amor pelo Flamengo é um amor puríssimo, que não espera nada em troca. Assim também é meu amor pelo Paralamas, como também foi pela Legião Urbana e alguns outros que fizeram parte da minha vida adolescente, me viram crescer e ajudaram a fazer meu mundo interior melhor.

Chorei no dia em que Renato morreu como se tivesse perdido um irmão. Fiquei triste durante muito tempo. Quando Herbert sofreu o acidente eu também fiquei desesperada a ponto do meu filho ficar preocupado comigo. Essas pessoas fazem parte da minha família afetiva, caramba! Eles me ajudaram a me construir, me inspiraram, me alegraram, compreendiam minhas angústias, fizeram fundo musical para todo tipo de coisa pela qual passei nas últimas décadas.

E agora vejo o Herbert fênix. Estou muito feliz por tê-lo de volta. Escuto o que ele tem a dizer e ele continua lindo como sempre, brilhante, iluminado. E é uma sensação maravilhosa saber que ele está aí de novo. E é difícil demais falar dessas coisas sem ser piegas e melosa.

Este post é só para dar um beijo virtual no meu irmão Herbert Vianna...

25.9.02

What happened to those filmes inteligentes que a gente via descontraidamente e no final sabia reproduzir com exatidão a história que acabou de testemunhar?
Depois de procurar Do Cóccix até o Pescoço até na Modern Sound e não encontrar ameacei entrar em pânico. Se o que você está procurando não tem por lá é possível que não encontre em lugar algum. Mas fui salva por uma lojinha no shopping aqui pertinho.

E cá estou dando continuidade ao prazer de que desfrutei no show de Elza Soares no Rival na última sexta-feira. Para quem ainda não foi conferir, a boa notícia é que no próximo final de semana também tem. Mas é bom comprar logo os ingressos porque o show está concorridíssimo.

Portanto, confirmo que quando a temporariamente ausenteMeg insiste em chamar a atenção sobre alguma coisa é bom ficar atento.

Mas por lá mesmo na Modern Sound fizemos umas comprinhas básicas. Achei alguns CD´s preciosos. Estou alternando Elza Soares com Novos Baianos. Estou me sentindo de volta à infância :-)))

E também tinha uma estante comprida e fininha que - dizem - suporta até 240 CD´s. Como diria Seu Creysson: "Nossus pobrema se acabarum-se!" Infelizmente não tem muito tempo que compramos outra estante que também seria a "solução definitiva". Além dos CD's que ganhamos por motivos e motivações profissionais, nossos amigos, que sabem de nosso lar musical, contribuem e ainda tem essas excursões às lojas de disco. Quem dera todos os problemas do mundo fossem desse tipo...

24.9.02

Quem me acompanha nessa?

Uma verdadeira viagem no tempo, com direito a delícias servidas em pratos que imitam as louças da época do Império, é um dos atrativos do chá completo servido toda última quinta-feira do mês [como a próxima, dia 26] no Museu do Primeiro Reinado. O programa inclui uma visita guiada por todos os salões da Casa da Marquesa de Santos. O chá é servido no Salão Oval, com portas e janelas envidraçados que se abrem para o jardim do museu. No menu, pães, tortas e chás para todos os gostos justificam o preço salgado. No final, você pode levar para casa a xícara que usou. "É uma delícia. Pouca gente conhece e isso torna o lugar ainda mais charmoso. O chá tem quitutes deliciosos, fresquinhos, diz a estilista Gabriela Saldanha.

Casa da Marquesa de Santos
Av. Pedro II, 293
São Cristóvão
2589-9627
Anote esse nome:

A CAMARILHA
Quinteto de violões

André Poyart
Artur de Freitas Gouvêa
Celso Garcia Ramalho
Eduardo Gatto
Guilherme Milagres


O quinteto de violões A Camarilha foi criado em 1996 por André Poyart, Artur de Freitas Gouvêa, Celso Garcia Ramalho, Eduardo Gatto e Guilherme Milagres, violonistas formados pela Escola de Música da UFRJ, e vem, desde então, realizando concertos e workshops por várias salas e teatros no Brasil.

Com um estilo próprio de interpretação, o grupo coquistou prêmios importantes, como o 2º lugar no I Concurso Internacional Honorina Barra de Música de Câmara em Curitiba, e participou de projetos culturais como a Cartografia Musical Brasileira, realizado pelo programa Rumos Itaú Cultural Música, representando o estado do Rio de Janeiro numa coletânea de 10 CDs abrangendo todas as regiões do país.

O trabalho da Camarilha é direcionado aos instrumentos de cordas, fazendo uso, além do tradicional violão de seis cordas, de intrumentos como requinto, viola caipira, vilão de oito cordas e violão tenor. A ênfase num trabalho de composição e arranjos próprios fazem o estilo do grupo ter uma característica única, determinada pela soma das influências musicais de cada integrante, criando uma identidade própria a partir das diferenças.

Atualmnete, A Camarilha está gravando seu primeiro CD, contendo além de composições próprias arranjos para música de compositores distintos, como Villa-Lobos, Capiba ou Leandro Braga, sob a produção do violonista Marco Pereira.
É hoje!

Corre que dá tempo:

O Diretório Acadêmico Lima Barreto apresenta

E AGORA, DRUMMOND


Teatro Noel Rosa - UERJ
24 de setembro de 2002, às 19h30
Rua São Francisco Xavier, 524 - Maracanã

Texto: Carlos Drummond de Andrade
Direção: Maria Lucya de Lima
Com: Maria Pompeu, Amaury de Lima, Laura Arantes e Kiko Chaves

Garanta seu lugar. Leve 1 Kg de alimento não perecível e retire sua senha a partir das 18:30.
Para Casa:

Diana Krall (All for You)
Novos Baianos (Acabou Chorare)
Orishas (a lo cubano)
Cassiano (Cedo ou Tarde)
BossaCucaNova & Roberto Menescal (Brasilidade)
Peralá!

Não tinha uma história aí de que o frio era no inverno e que na primavera o tempo começava a esquentar e apareciam as flores? Cadê os meus dias lindos de setembro (imbatíveis junto com os dias de abril)? Qualé São Xará de Meu Filho? Tá dormindo no ponto? Vamos desligar a torneira e o ar condicionado aí em cima, hein, ô?

Se continuar assim eu me recuso. Só saio de debaixo do edredon quando o sol voltar a brilhar. Tá ouvindo aí?

Humpft!

23.9.02

Como é mesmo o nome daquela flor carnuda e vermelha? Eu quero.

Você sabe como se chama aquele prato que é servido bem quente e tem um gosto adocicado? Traz um prá mim.

Lembra daquela música que tocou naquela noite e a gente dançou até não agüentar mais? Põe prá tocar.

Sabe aquele lugar aonde a gente ia quando queria sentir cheiro de mato e silêncio? Vambora.

Sim, hoje estou meio tristonha. Nada grave. Amanhã ou depois quando o sol bater no mar não vou sequer lembrar. Se eu esqueço detalhes, como nomes, das coisas realmente importantes, por que não haveria de esquecer dos pequenos espinhos que o próprio pé trata de expelir.

Eu fiz o teste e descobri que o problema é mais ou menos o que eu supunha. Agora tenho dois problemas: não repetir os erros e tentar consertar o que der.

Às vezes acho que estou muito idosa e de vez em quando ajo como criança. Não sei se as lágrimas que ando vertendo em abundância são da velha ou da garotinha. Só sei que não são sempre de tristeza e desespero. Beleza, alegria, emoção gostosa não dá também vontade de chorar?

Tenho alguns tesouros. Alguns são daqueles tipos que as pessoas normais chamariam de lixo. E deve haver um bom motivo para eu ter colocado pessoas normais e lixo na mesma frase.

Jamais aprenderei a patinar, esquiar ou andar de skate.

Quero uma dose de curaçau.

Hoje não é um bom dia para ouvir esta música triste. Chove.

Quero esquecer que certas pessoas existem.

Ainda vou passar uma temporada na Grécia. Qualquer dia eu te ligo: - Estou indo.

Quero um jantar completo no Zazá Bistrô Tropical.

Não gosto de andar sob chuva fina, só de correr sob chuva grossa.

Quero um passeio de gôndola até a Lua.

Detesto apatia e boas maneiras que não venham em consideração ao próximo, mas para auto-promoção.

Quando eu for a Grande Sacerdotisa do Universo, não haverá mais segunda-feira chuvosa.