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30.6.03

Republicando com alterações:

1 - As Exposições que eu não posso perder:

Arte do Fogo, do Sal e da Paixão - Celeida Tostes
Centro Cultural Banco do Brasil até 29 de junho
Terça a domingo - 12h às 20h
GRÁTIS

Castro Maya, Colecionador de Debret
Museu Chácara do Céu até 29 de junho
De quarta a segunda (fecha na quinta - feriado) - 12h às 17h
R$2,00 ou GRÁTIS (menor de 12 ou maior de 65)


Luiz Aquila
MAC - Niterói até 31 de agosto
De terça a domingos e feriados - 11h às 18h
R$4,00 ou R$2,00 (estudantes) ou GRÁTIS (menor de 7 ou maior de 65)

Mestre Vitalino
Museu Chácara do Céu (permanente)
De quarta a segunda (fecha na quinta - feriado) - 12h às 17h
R$2,00 ou GRÁTIS (menor de 12 ou maior de 65)

Revert Henry Klumb - Fotógrafo da Casa Imperial
Instituto Moreira Salles até 3 de agosto
De terça a domingo - 13h às 20h
GRÁTIS

2 - Filmes que eu quero ver

O Homem que Copiava




Alphaville
Desmundo
Embriagado de Amor
Tiros em Columbine
X-Men 2


3 - Filmes dos quais existe pouca chance de eu conseguir escapar

Canguru Jack (Passei a bola. Viva!)
A Creche do Papai


4 - Peças a que talvez eu tenha que assistir e espero que seja daquelas que adultos também se divertem

Bicho Esquisito
A Bonequinha de Pano
Pluft, o Fantasminha


5 - Lugar onde eu daria um pedaço do corpo para estar (no caso um pedaço de unha)

Festival Oi de Inverno
Castelo Barão de Itaipava* - Petrópolis
De 19 de junho a 27 de julho
shows (Capital Inicial, Frejat, Rita Lee, O Rappa, Cidade Negra, Titãs, Marina), moda (roupas, acessórios e decoração), gastronomia, esportes radicais e exposição.

*O barão J. Smith de Vasconcellos, o Barão de Itaipava, era avô da prefeita de São Paulo Marta Suplicy e mandou contruir o castelo de inspiração renascentista. Você (pim) sabia?

6 - Lugares onde periga eu ir sozinha se ninguém me acompanhar

MPB para Dançar
Symbol
Quinta às 19h
R$10,00 (mulher) e R$18,00 (homem)

Lançamento do Songbook do Guinga
Modern Sound
Terça (é hoje!) às 20h
GRÁTIS!

Ciclo da Galinha no Cinema Brasileiro, com O Homem que copiava, Cidade de Deus (cena inicial) e Ave, curta do Paulo Sacramento.
O inverno do Rio é hoje!
Já deveria ser um conceito introjetado em mim o de que não existe obviedade. Isso desde o tempo em que eu, tímida, deixava de responder às perguntas da professora por achar que o que eu tinha para dizer era tão óbvio que não poderia ser aquela a resposta. A seguir, via um coleguinha levantar o braço e falar o que tinha passado pela minha cabeça (e sido engessado pelo meu senso crítico), levando os elogios e, algumas vezes, o prêmio. Pois se não existe tal coisa, resta-me pouco senão ulular.

Você provavelmente jamais ouviu falar sobre este caso, do dia 26 de maio. Ele rendeu pouco mais que pequenas notas em alguns jornais. Mas, da mesma forma, é quase certo, soube deste outro aqui, do dia seguinte e que ganhou as primeiras páginas de praticamente todos os jornais do país. Qual a diferença básica entre os dois? Um aconteceu em Guaraciama – MG e outro no Rio de Janeiro.

Diz Heloisa Seixas num trecho de carta endereçada à memória de Zozimo:

“Talvez você já saiba que as notícias não são lá muito boas. Pensei em começar dizendo que apesar de tudo o Rio continua lindo, mas sustei a pena, primeiro porque seria um clichê e depois porque isso você vê todos os dias, apesar de estar distante. (...) Nosso Rio, meu caro, tornou-se de repente um símbolo do mal. (...) A imagem da cidade foi associada à violência, de forma taxativa. É estranho porque, embora a violência seja inegável, há dados que deveriam nos fazer, a todos refletir. (...) O Rio está em sétimo lugar em número de homicídios, oitavo lugar em número de assaltos com morte, quinto lugar em números de mortes violentas. Sua “melhor” colocação nesse ranking macabro é um segundo lugar em número de roubos de carros.

Por que então essa satanização, esse linchamento moral?

(...)O clichê pega, ganha força, vida própria, começa ser repetido automaticamente, sem reflexão. Até que todos acabam acreditando. Se a lenda for mais forte que a verdade, que se publique a lenda, disse o personagem de um filme antigo, do qual você deveria gostar.”


E eu boto a cara pra fora de casa num domingo ensolarado no Rio. E entro, mas não encaro até o final, na fila enorme para visitar o Corcovado; abraço de novo o Largo do Boticário (mais aqui); paro na Urca para uma olhada na vista e na procissão de barcos em homenagem a São Pedro, um papinho com um pescador calouro e um pastel na feira livre; viajo na arquitetura do Centro; me perco em deslumbramento pelas salas do CCBB; me delicio no Nova Capela; surto um pouquinho na Babilônia Feira Hype e faço uma tatuagem; vou sambar no Estephânio’s e ainda alcanço o rabicho da Marcha do Orgulho Gay. E pela janela do carro, daqui pra lá e de lá pra cá... bem, se você não sabe, eu sinto muito por você...

Onde mais tudo isso no mesmo dia?

Será que fui óbvia o suficiente, ó urubulinos de plantão?

27.6.03

Rapadura é doce, mas não é mole não!
Neste momento, acontece sob minha janela uma festa junina.

Está tocando uma música do Gonzagão considerada genial porque, além de tudo, estabelece uma ponte cultural. Mas ele não foi o único a ter a genialidade para perceber os pontos em comum na cultura desses dois povos.

Estávamos em Recife, numa apresentação de frevo. Pedro de repente pára e de tentar acompanhar os dançarinos e fala que a dança parece a do Shrek. Que dança do Shrek?

Só depois eu fui estabelecer as conexões que quem tem filhos e o vídeo em casa pode reparar. No final da fita tem um clipe, onde os personagens dançam vários hits pop e ritmos mundiais em um karaokê. Tem inclusive uma dança russa.

E foi assim que meu filho se equiparou ao Rei do Baião.

(Corujice mata?)



Pagode Russo

(Luiz Gonzaga/ João Silva)

Ontem eu sonhei
Que estava em Moscou
Dançando pagode russo
Na boate Cossaco

Parecia até um frevo
Naquele cai e não cai
Parecia até um frevo
Naquele vai e não vai

Vem cá, cossaco
Cossaco, dança agora
Na dança do cossaco
Não fica cossaco fora

26.6.03

Que coisa engraçada!

Estou estudando inglês, só aparecem expressões francesas ou oriundas do francês e citando coisas brasileiríssimas.

Olhem mais esta:



Getting back to the idee fixe, let me say that it's what
produces strong men and madmen.

Joaquim Maria Machado de Assis, The Posthumous Memoirs
of Brás Cubas (translated by Gregory Rabassa)
Estudando um pouquinho de inglês (ou francês, já nem sei mais), me deparo com isso aqui:

"The dernier cri today is cheap rubber flip-flops from Brazilian supermarkets, embellished with beads or sequins."

(The [London] Times, April 8, 2003)
E se todo mundo resolvesse criar coragem e virasse a mesa bonitinho assim, hein?
Quem sabe a qualidade do que vemos e ouvimos na TV melhorasse muito...

Já é!
Lulu Santos!
Todo mundo resiste a mudanças.

Eu também.

Estava tão satisfeita com o Blogger do jeito que estava...
Momento Fel - Amargando Felicidade


Você não lida bem com sangue, mas seu filho leva uma topada daquelas e arranca a ponta do dedão do pé.

Você está sozinha com ele em casa. Já veio disfarçando pela rua, ignorando aquele detestável líquido vermelho sujando aquele pezinho que você ama tanto. Não tem como passar a tarefa adiante. Você vai ter que fazer o curativo.

Água oxigenada, merthiolate, algodão, gaze, esparadrapo. O arsenal é proporcional ao nervoso que você sente, mas não pode transparecer.

Música! Besta é Tu com Novos Baianos bem alto. Você conta para o rebento que ouvia aquela música quando era do tamanho dele e Vovó cuidava dos machucados da Mamãe. Ele adora a música e canta a plenos pulmões.

- Obrigado, Mãe! Puxa, você é boa em curativos, hein!

23.6.03

Fui ao Festival Oi de Inverno em Itaipava
.
Meu amor dirigiu do Rio até os cafundós da Cidade Imperial para atender minha vontade. Nessas horas a gente não pensa em preço da gasolina, no cansaço que é subir e principalmente descer a serra no último dia de um feriadão com grandes chances de cair num engarrafamento em plena Baixada Fluminense.

Qual não foi nossa surpresa ao sermos informados à porta do local do evento de moda, decoração, esportes radicais, gastronomia e música que ontem - domingo de feriadão, dias depois da inauguração oficial na quinta-feira e ampla divulgação nos veículos de comunicação carioca - não havia nada para fazer lá porque os stands não ficaram prontos. Só poderíamos participar da visitação normal ao castelo e um almoço de alta gastronomia (leia-se muito dinheiro saindo e pouca comida entrando). Para não perdermos a viagem, fomos visitar o castelo do avô da prefeita de São Paulo. É bem interessante, mas ficaria muito mais se o guia, além do texto decorado, soubesse responder às perguntas mais óbvia que lhe foram feitas.

Felizmente, como ex-moradora da Cidade das Hortênsias, tenho amigos por lá e tivemos uma tarde muito agradável sob o sol preguiçoso de serra, ladeados por crianças e diante de muito croquete da Casa do Alemão.

Mas ontem não foi nosso dia em termos de serviço. Na volta, fomos a um restaurante que pertence a uma rede bastante popular entre a classe média carioca. Ele comentava que era interessante observar como os preços continuavam razoáveis por lá (um prato de massa custa entre R$10,00 e R$15,00 e para pessoas de apetite normal - o que nem sempre é nosso caso - dá para dois). Será?

Ao chegar pedimos duas garrafinhas de água mineral. Sem gelo no copo. Uma garrafinha com água gelada, outra à temperatura ambiente.

Os copos tinham restos de espuma de sabão, as duas garrafas chegaram abertas à mesa em temperatura ambiente. Pedimos para trocar tudo. Ele trouxe dois copos com gelo. Pedimos que tiresse o gelo. Na terceira tentativa ele finalmente acertou. Garçom sem treinamento reduz bastante os custos.

Pedi um nhoque à bolonhesa e um suco de laranja. O molho do nhoque tinha três ou quatro bolinhas de carne e o suco de laranja não era natural, era aquele de caixinha, azedo e cheio de acidulantes, aromatizantes e conservantes. Economizar no prato que serve reduz bastante os custos.

A conta demorou horrores para ser trazida. Cortar despesas com pessoal ou contratar gente incompetente e lerda reduz bastante os custos.

O problema de reduzir os custos demais, chegando a comprometer a qualidade do serviço, é que acaba-se também afastando o cliente. Reduz-se o custo e também a receita.

20.6.03



(...)A má-vontade talvez se explique pela dificuldade que as pessoas têm de compreender os gatos (aquelas, é claro, que ainda não tiveram o privilégio de conviver com eles). Sim, porque eles são animais sofisticados, complexos, tendo características que podem ser facilmente mal interpretadas. Altivez e dignidade, por exemplo, são confundidas com egoísmo. Franqueza, com frieza.

O gato é sempre verdadeiro. Se vem no seu colo é porque quer estar ali, não está fazendo isso para agradá-lo. Os momentos de carinho que ele oferece podem ser talvez em menor quantidade, ou menos ostensivos, mas não se deve nunca duvidar de que sejam genuínos. Um gato não faz concessões. Um gato está inteiro em tudo o que faz, até nos gestos mais simples. Por isso é capaz de passar do sono profundo ao mais completo estado de alerta. Um gato é talvez a criatura mais íntegra que existe. E também a mais livre. Tamanha liberdade e integridade, num ser dito irracional, pode incomodar algumas pessoas.(...)


(Civilização - Heloísa Seixas, Revista Domingo, 15 de junho de 2003)

Ou seja,

Negro gato
(Getúlio Cortes)

Eu sou o negro gato de arrepiar
E essa minha vida é mesmo de amargar
Só mesmo de um telhado aos outros desacato
Eu sou o negro gato.
Minha triste história vou lhes contar
E depois de ouvi-la sei que vão chorar
Há tempos eu nem sei o que é um bom prato
Eu sou o negro gato.
Sete vidas tenho para viver
Sete chances tenho para vencer
Mas se não comer acabo num buraco
Eu sou o negro gato.
Um dia lá no morro pobre de mim
Queriam minha pele para tamborim
Apavorado desapareci no mato
Eu sou o negro gato.


19.6.03

Para fazer algum progresso com a lista que publiquei outro dia de lugares a ir, aproveitei o feriado para ir visitar o MAC em Niterói, com uma exposição impressionante do Luiz Aquila.

Não sou a fã mais ardorosa de arte contemporânea, mas a forma como os quadros estão expostos, como se fossem uma só coisa, A OBRA, como diz o próprio artista, é de bambear as pernas de qualquer um com a sensibilidade já provocada. E era assim que eu estava.

Foi a primeira vez que entrei no MAC. De outra feita, era também feriado, ficamos do lado de fora: estava fechado. Antes de chegar à exposição propriamente dita, a gente vai se embasbacando com a genialidade do Niemeyer, dá de cara com o deslumbramento daquela vista, escorrega em todas aquelas curvas e vai se ufanando.

Chegamos muito cedo à terra de Araribóia. Uma neblina pesada desanimava para praia. Mas as fortalezas, os fortes de lá são sempre interessantes. Passamos rapidamente pela Fortaleza de Santa Cruz e fomos para o Forte do Rio Branco e de lá, pegamos uma van-burrico para cima e avante até o Forte São Luiz. Não dá para descrever as belezas que se vê lá do alto.

Os canhões não me impressionam. É o portal de pedra todo trazido numerado de Portugal e montado aqui no século 18 que me emociona. Não me interessam os motivos estratégicos para se ter construído nas grimpas, fico sempre imaginando as mãos que cortaram, levantaram e empilharam as pedras dos imponentes muros.

Mas o clima bélico sempre me deixa meio macambúzia. Então foi enorme meu maravilhamento quando cheguei ainda mais alto e me deparei com a praça Fernando Pessoa, presente de Portugal para comemorar os quinhentoas anos do Brasil - a grande festa sabotada pelos indivíduos com síndrome de vira-latas, que acham que inteligência é ser sempre do contra. Lá um grande mural de azulejos portugueses pintados à mão retratam o poeta e imprimem sobre o mais lindo dos cartões postais a poesia.

MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.


18.6.03

Trecho de Livro

1001 Razões para Gostar do Brasil
Marcelo Camacho
Editora Sextante




Algumas das razões para gostar do Brasil

- Pedir para o garçom ser generoso nas doses de bebida e dizer: "Capricha aí, hein!"

- A buzina do Chacrinha e o grito de guerra "Terezinhaaaaaaa!". (O auditório respondia "Uu! Uu!".)

- As pernas tortas do Garrincha.

- Férias de 30 dias.

- A diplomacia brasileira. Somos da paz.

- A novela das 8. Mesmo que ela comece às 9.

- Yes, nós temos banana.

- O poema Estatutos do Homem, de Thiago de Mello. Fica decretado que todo mundo precisa conhecer.

- A camisa canarinho.

- Guaraná.

- Dançar forró. Coladinho. Rosto com rosto, coxa com coxa.

- O brasileiro é um povo de fé. (É que dizem que a fé não costuma falhar.)

- O seriado Malu Mulher, da Globo, que colocou no ar, em 1979, o universo da mulher descasada. (E pensar que esse tipo de assunto já foi tabu.)

- Os Novos Baianos.

******

Depoimentos


"Gosto do Brasil principalmente porque, como artista, jamais seria capaz de criar longe das minhas raízes. De Gaulle, com razão, disse que o Brasil não é um país sério. Que bom! O sério é aquilo que não nos deixa ver que o rei está nu. O sério é a antítese da leveza e o Brasil tem a leveza dos anjos."

Jô Soares


"Montanhas , florestas, praias, mares, gente boa, pobreza...Quanta contradição! Quanta vontade de tudo modificar! Como gostamos do nosso país!"

Oscar Niemeyer


"Tendo viajado o mundo todo, não encontrei em outro lugar um espírito de cordialidade como o daqui, e uma raça tão verdadeira por possuir um pouco de cada raça."

Ivo Pitanguy
Mais um bom motivo para querer ser poliglota: Newseum
Acabou no último domingo a mostra Filme Fashion - Grandes Estilistas do Cinema em Sampa.
Mas quem quiser ver os modelitos de Chanel, Gaultier e Versolato nas 50 fotos selecionadas dos filmes, pode pedir o catálogo aqui (R$27 + despesas postais).

17.6.03

1 - As Exposições que eu não posso perder:

Arte do Fogo, do Sal e da Paixão - Celeida Tostes
Centro Cultural Banco do Brasil até 29 de junho
Terça a domingo - 12h às 20h
GRÁTIS

Castro Maya, Colecionador de Debret
Museu Chácara do Céu até 29 de junho
De quarta a segunda (fecha na quinta - feriado) - 12h às 17h
R$2,00 ou GRÁTIS (menor de 12 ou maior de 65)

Luiz Aquila
MAC - Niterói até 31 de agosto
De terça a domingos e feriados - 11h às 18h
R$4,00 ou R$2,00 (estudantes) ou GRÁTIS (menor de 7 ou maior de 65)

Mestre Vitalino
Museu Chácara do Céu (permanente)
De quarta a segunda (fecha na quinta - feriado) - 12h às 17h
R$2,00 ou GRÁTIS (menor de 12 ou maior de 65)

Revert Henry Klumb - Fotógrafo da Casa Imperial
Instituto Moreira Salles até 3 de agosto
De terça a domingo - 13h às 20h
GRÁTIS

2 - Filmes que eu quero ver

O Homem que Copiava
Alphaville
Desmundo
Embriagado de Amor
Tiros em Columbine
X-Men 2


3 - Filmes dos quais existe pouca chance de eu conseguir escapar

Canguru Jack
A Creche do Papai


4 - Peças a que talvez eu tenha que assistir e espero que seja daquelas que adultos também se divertem

Bicho Esquisito
A Bonequinha de Pano
Pluft, o Fantasminha


5 - Lugar onde eu daria um pedaço do corpo para estar (no caso um pedaço de unha)

Festival Oi de Inverno
Castelo Barão de Itaipava* - Petrópolis
De 19 de junho a 27 de julho
shows (Capital Inicial, Frejat, Rita Lee, O Rappa, Cidade Negra, Titãs, Marina), moda (roupas, acessórios e decoração), gastronomia, esportes radicais e exposição.

*O barão J. Smith de Vasconcellos, o Barão de Itaipava, era avô da prefeita de São Paulo Marta Suplicy e mandou contruir o castelo de inspiração renascentista. Você (pim) sabia?

6 - Lugares onde periga eu ir sozinha se ninguém me acompanhar

MPB para Dançar
Symbol
Quinta às 19h
R$10,00 (mulher) e R$18,00 (homem)

Lançamento do Songbook do Guinga
Modern Sound
Terça (é hoje!) às 20h
GRÁTIS!
Apolônio de Tiana...
A Última Ceia versão astrológica...
Os três segredos de Fátima...
As leis herméticas...

Materialzinho light para começar bem a semana...

13.6.03

Pobre quando recebe pagamento, esquece a senha do cartão do banco.

Ajuda eu aí, tio.
Hortelã
Mentha


Histórico

Segundo a mitologia grega, Mentha era uma ninfa de um deus grego transformada em Hortelã pela maldição de sua esposa enciumada. Por seu perfume marcante, era tratada quase como erva sagrada pelos árabes. Quando ameaçadas de morte por serem proibidas de beber vinho, as mulheres romanas mascavam Hortelã com mel para disfarçar o hálito. Existem referências de uso no piso de sinagogas e igrejas italianas.

Uso culinário

Aromática e perfumada, a Hortelã é básica na cozinha árabe, tanto no preparo de pratos típicos quanto na decoração. Também é muito usada no preparo de chás, assados e grelhados em geral. É indicada para enriquecer sobremeses.

Uso terapêutico

O chá de Hortelã é indicado para tratamento de gripes e má digestão. O gargarejo alivia dores de garganta. Pode aliviar picadas de insetos.
EU QUERO, PRECIS0, NÃO POSSO VIVER SEM


Autor canadense satiriza a auto-ajuda e a filosofia da consolação
XICO SÁ
da Folha de S. Paulo



No Brasil, já afogaram até os gansos nas águas térmicas e milagrosas da auto-ajuda. Os danados são protagonistas de "O que Podemos Aprender com os Gansos", livro de Alexandre Rangel. Em vez da tortura do foie gras, os bichos mostram que tudo conspira para a felicidade.

O Tibet é bem ali na esquina, a R$ 1,70 de ônibus apertado, nas quebradas do Jardim Irene. Só é pobre quem quer. Tudo tem seu preço, reflete Zibia Gasparetto, escriba do ramo. O editor Edwin de Valu, personagem principal de "Ser Feliz", romance do canadense Will Ferguson, acerta no milhar quando publica "O que Aprendi na Montanha", de um certo Tupak Soirée. Fenômeno.

É o livro definitivo do gênero. A América está condenada à felicidade. Os drogados não voltam mais ao pó, os alcoólatras afastam-se dos seus cálices, os maridos preguiçosos e flatulentos viram os bambas do sexo tântrico.

Edwin diz a May, colega de trabalho com quem vai para a cama: "Isso é uma panacéia para todos os males humanos. É o segredo da felicidade, durante eras procurado pelo filósofos, finalmente descoberto". É uma citação, do escritor inglês Thomas de Quincey, que o editor carrega no bolso.

Edwin só queria explicar a May que a auto-ajuda é o ópio da nossa era. "E nós controlamos o mercado. Isso não é uma editora. Não estamos vendendo livros, estamos vendendo ópio."

"Ser Feliz" é uma comédia de neuroses sobre a praga da auto-ajuda e da escrita de consolação. A busca pelos livros de sucesso, a relação de escritores com a editora, as fórmulas (o ideal para um best-seller é possuir 60 mil palavras), o plágio desavergonhado, a picaretagem para enganar os trouxas. Um porre de felicidade.

O autor é divertidíssimo. Literatura de entretenimento, essa coisa que, segundo o poeta e crítico José Paulo Paes, sempre fez falta no estoque das editoras brasileiras e bancos escolares. "Ser Feliz" não carecia ser tão gordinho de páginas, poderia ter ficado nas 309, como se comenta em uma reunião da editora de Edwin sobre o ideal para um romance. Mas quem disse que isso é defeito?

Ser Feliz
Lançamento:Companhia das Letras
Autor:Will Ferguson
Quanto:R$ 41 (400 págs.)


11.6.03

This is my new blogchalk:
Brazil, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Maracanã, Portuguese, English, Carla Cintia, Female, 36-40, Cinema, Music. :)

9.6.03

Hoje a secretária do meu amor não foi trabalhar. Está cumprindo a dolorosa e sofrida tarefa de sepultar a sua mãe.
Hoje a minha diarista não veio. Está cumprindo a dolorosa e linda tarefa de parir uma menina.

Encontros e Despedidas
(Milton Nascimento & Fernando Brant)

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço venha me apertar
Tô chegando
Coisa que gosto é poder partir sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar quando quero
Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai querer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir
São só dois lados da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar, é a vida.


Na íntegra, como saiu aqui em 13/12/2001, o meu texto republicado no blog da tal Tati sem crédito:

Recebi uma notícia de morte. Não era alguém muito próximo, mas fazia parte de um grupo ao qual pertenço. Além disso, uma morte precoce sempre nos alerta, nos impele a avaliações.

Não faz muito alguém segurou na minha mão e perguntou se eu havia morrido. Temo dizer que sim e me escondo no escuro e no silêncio. Não sei se morri, mas com certeza estou mais etérea, quase diáfana. Essa transparência traz vantagens e também desvantagens. Posso ser eu à vontade em meu próprio mundo particular e oculto. Entretanto as pessoas passam através de mim sem saberem que depois tenho que repor tudo no devido lugar sozinha. E elas sequer se dão conta disso.

Tinha um sonho que quase se cumpriu uma vez antes de transformar em pesadelo. Hoje já o abandonei porque sei que ele só me traz sofrimento. Tenho outros que não sei se já passaram do tempo. Talvez sim. Não é confortante a idéia de que se passou da idade para certas coisas. Foco então no possível e tento, do meu jeito canhestro, torná-los reais, que não sou do tipo de gente que se farta com migalhas e restos. Revirar lixeiras? Estou fora! Nasci para brilhar. E gosto de ter a minha volta quem, como eu, saiba polir. A si mesmo e a mim. Gosto de quem também sonha bonito. Gosto de realizar sonhos, que sonhos não realizados são espinhos doloridos demais. Felizmente há ainda muito tempo para muita coisa. Dou as boas vindas a quem se dispuser a embarcar comigo. Para os demais, lenço branco.

Mixaria me cansa. Gosto da fartura de sorrisos, de carícias, de afeto, de troca, de amor. Comedimento é coisa para fracos. Sou franca e não gosto de jogos. Nem dos de guerra, nem dos afetivos, nem dos das regras sociais. Quero arrebatamento! Quero tesão! Quero amplos gramados onde possa soltar as feras da minha insanidade sem ferir ninguém... Fazer-me miúda para não incomodar me exaure e me adoece. Quero espaço para ser! Rir quando estiver com vontade e ter motivos para querer a toda hora.
Muito desagradável esta história da tal menina Tati, que andou copiando tantos textos próprios, citações e figuras do blog da Claudia e até um meu que nossa deusa olímpica citou por lá (creditado, evidentemente).

Minha amiga é uma lady e passou uma descompostura com uma classe que é só dela. Eu aqui já estava preparando um belo escândalo. Mas tem gente que tem sorte, viu, dona Tati. Ontem o Blogger não queria conversa comigo e não me deixou enviar o post rodada de baiana e hoje já estou em outra vibe.

Acho que não se deve mesmo trabalhar no final de semana, senão Papai do Céu castiga. Ontem nada rendeu. Consegui terminar o serviço que é pra entregar hoje, mas nunca me foi tão custoso. Isso sem falar dos incêndios informáticos e da vida social.

Quem não foi no Degusta Rio perdeu uma ótima diversão e um programa literalmente delicioso. No Armazém 6 do Cais do Porto, alguns dos melhores restaurantes da cidade com pratinhos de degustação a preços realmente baixos. A única coisa cara era a cerveja, mas a Bohemia pode ser cara que eu pago. Além de toda a mítica em torno da marca, há uma história afetiva: numa época em que morei em Petrópolis havia na minha rua uma seqüência que começava pela casa onde eu, universitária, alugava um quarto, passava por um bar onde bebíamos e cantávamos muito e terminava - na minha referência, lógico - na fábrica da Bohemia. Bons tempos!

Voltando a 2003, recomendo que fiquem de olho no próximo ano para não perderem este programão. Só tinha gente (com cabeça de) magra lá.

No sabadão ainda fomos ver Todo Poderoso. O filme é bem legal na primeira metade, mas vira uma chorumela moralizante e sentimentalóide no final. Continuo amando Jim Carrey, acho o cara genial. Mas, francamente, o que deu na cabeça destes caras de Hollywood, hein?

Só mais uma coisinha. Estava eu em um churrasco, me divertindo, interagindo numa muito boa, de repente alguém aparece com uma TV e a desculpa de que era a final do campeonato. Um monte de caras embasbacadas diante do aparelho. As caras rubro-negras foram ficando mais rubras que negras, principalmente depois do gol do Cruzeiro. Depois de um gol anulado, o Mengo consegue empatar nos últimos instantes do jogo. Eu, na minha ingenuidade feminina, depois de ver a festa propriamente dita entrar pelo cano, ou melhor, pelo tubo de raios catódicos, pergunto, temendo ter que ficar paralisada por mais algum tempo ainda, se agora viria uma prorrogação ou os pênaltis. Sob sorrisinhos debochados de machos que detém todo o ocnhecimento futebolístico e em bando gostam de se iludir que são muito superiores às mulheres recebo a resposta de que não, há ainda outro jogo a ser realizado em BH.

Fala sério, mermão! Interrompem uma festa, fazem shhhh a toda hora, olham de cara feia quando a gente passa em frente ao monitor para pegar outra cerveja, ignoram fêmeas lindas e maravilhosas e a final não finaliza nada?

6.6.03

Fato 1: Há alguns anos, meu digníssimo esposo apresentou um projeto que acabou não se concretizando a um conhecido e recentemente morto produtor musical.

Fato 2: Precisamente, ontem, ligaram para meu amo e senhor para tratar, depois de muitas ida e vindas, de assuntos referentes ao tal projeto.

Fato 3: Hoje vi um pequeno vulto branco passeando pelo chão da casa. Acudi. Era um envelope com carimbo de postagem de 1995, endereçado ao meu amado, idolatrado, salve-salve. Perguntei a mim mesma de onde teria saído envelope tão sujo, velho e amassado para ficar flanando pela casa. Ainda mais vazio. Verifico o remetente: Almir Chediak.

Ui!

5.6.03



LOKUA KANZA EM CONCERTO
Participação especial:
VANESSA DA MATA
Hoje - 05 de junho
às 21 horas
SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141
Informações: (11)50 80 30 00



Poderemos rever a voz magnífica que soube seduzir tanto o público brasileiro quanto vários de nossos artistas nas suas precedentes passagens por aqui.

Nascido na República Democrática do Congo ( ex Zaire ) aprendeu a cantar em coros de igreja e tocando guitarra nos conjuntos de rumba do Zaire, mora atualmente na França onde produz seus discos.

Cantando em francês ou em lingala, com um tom confidencial, discreto e natural, cheio de sensibilidade, o trabalho de LOKUA KANZA constitui uma profunda reformulação da canção africana.


TURNÊ PELO BRASIL:

4 e 5 São Paulo - SESC Vila Mariana
7 Vitória (Teatro UFES)
9 Rio de Janeiro (Teatro Gloria)
13 João Pessoa
14 Salvador (Teatro da Aliança Francesa)
16 e 17 Brasília (Teatro da Caixa Econômica)

3.6.03

E para não pensarem mal de mim, conto outra história:

X DO PROBLEMA
(Noel Rosa)

Nasci no Estácio
Eu fui educada na roda de bamba
Eu fui diplomada na escola de samba
Sou independente, conforme se vê

Nasci no Estácio
O samba é a corda, e eu sou a caçamba
E não acredito que haja muamba que possa fazer
Eu gostar de você

Eu sou diretora da Escola de Estácio de Sá
E felicidade maior nesse mundo não há
Já fui convidada para ser estrela do nosso cinema
Ser estrela é bem fácil
Sair do Estácio é que é
O X do problema

Você tem vontade
Que eu abandone o Largo do Estácio
Para ser a rainha de um grande palácio
E dar um banquete um vez por semana

Nasci no Estácio
Não posso mudar minha massa de sangue
Você crer que palmeira do mangue
Não vive na areia de Copacabana

Eu sou diretora ...

Porque acho que pra tudo - ou quase - há hora:

Volta
(Lupiscínio Rodrigues)

Quantas vezes não durmo
A rolar-me na cama
A sentir tantas coisas
Que a gente não pode explicar
Quando ama

O calor das cobertas
Não me aquece direito
Não há nada no mundo
Que possa afastar
Esse frio do meu peito

Volta
Vem viver outra vez ao meu lado
Não consigo dormir sem teu braço
Pois meu corpo está acostumado.


Tú Me Acostumbraste

Tú me acostumbraste
a todas esas cosas,
y tú me enseñaste
que son maravillosas.

Sutil llegaste a mi como una tentación
llenando de ansiedad mi corazón.

Yo no comprendía cómo se quería
en tu mundo raro y por ti aprendí.
Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti.

Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti.

Tu me acostumbraste

Tú me acostumbraste
a todas esas cosas,
y tú me enseñaste
que son maravillosas.

Sutil llegaste a mi como una tentación
llenando de ansiedad mi corazón.

Yo no comprendía cómo se quería
en tu mundo raro y por ti aprendí.
Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti.

Por eso me pregunto al ver que me olvidaste
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti
porque no me enseñaste como se vive sin ti


Eu ainda era muito pequena. Só lembro que, sim, tínhamos Ben (ainda sem jor) em casa, mas o outro era visto com certo desprezo. O outro era deixado para o pessoal sem opção de lazer nos finais de semana, para os bailes de subúrbio, para a plebe. E nunca ouvi o outro com atenção. Tenho agora, burra velha, uma música dele numa coletânea e uma dúvida:

Bebeto estava para Benjor assim como Vercilo está para Djavan?
Eu quero, preciso, não posso viver sem:


Toda saída é entrada para outra coisa.
(Tom Stoppard)

2.6.03

O RIO DO MEU TEMPO
(Heloisa Seixas)

O Rio do meu tempo tinha cor e luz e cheiros, como em lugar algum. Tinha manhãs de outono em que o sol vencia o ar frio e tocava a pele devagar, numa carícia. Tinha também tardes de primavera, em que floriam os espinheiros das praças, espalhando na atmosfera um cheiro de jasmim. Tinha buganvílias, flamboyants e amendoeiras. E coqueiros enfileirados junto à orla, cujas palmas delicadas, mexidas pela brisa, se recortavam diante do horizonte lilás, como um cenário de filme. O Rio do meu tempo tinha montanhas, cadeias e mais cadeias de montanhas esbatendo-se em degradê pela paisagem afora e ainda um pôr do sol que no verão deixava um rastro de cobre na areia molhada, transformando em silhuetas os retardatários das praias, que se deixavam ficar junto às ondas até a última réstia de luz. Ah, e tinha mar, um mar enorme no Rio do meu tempo.

O Rio do meu tempo tinha também sons, murmúrios, batuques. Choros e sambas em velhos casarões, burburinhos sem fim nas madrugadas sob os Arcos, risadas nas portas dos botequins, onde os embates sobre futebol tinham sabor de cerveja, de fritura e churrasquinho. O Rio do meu tempo tinha a nova Bossa, que era mais que Nova e reinava em templos com nome de maestro, de sons modernos ou finas misturas. Música, música, muita música - é o que tinha o Rio do meu tempo. Sem falar no carnaval, porque aí já é covardia. O Rio do meu tempo sabia ser espalhafatoso, quando fazia de sua ópera popular um milagre gigantesco, com dezenas de milhares de atores em ação. Ou ainda quando deixava escoar pelas ruas uns rios brancos, feitos não de água mas de gente, para saudar na praia o novo ano. Mas a cidade sabia também ser acolhedora e mansa, envolvendo quem a amasse em pequenos refúgios, em seus cafés, em suas livrarias. Eram coloridas e animadas as livrarias do Rio, e nelas nos deixávamos ficar por horas e horas, folheando os livros sem pressa, conversando nas mesas de seus cafés, encontrando amigos.

Ah, como era bom o Rio do meu tempo.

É claro que havia, também, problemas. Corrupção, drogas, violência. Muita violência. Mas ainda assim o Rio do meu tempo era maravilhoso. E nós não podíamos deixar que as notícias ruins tomassem todo o espaço, não podíamos deixar que o pânico crescesse e gerasse mais pânico, numa escalada sem fim. Sabíamos bem que éramos uma caixa de ressonância, tudo o que acontecia em nossa cidade repercutia mais. Precisávamos fazer alguma coisa, mostrar a nós mesmos nossos encantos, para nunca esquecê-los. Dizê-los em voz alta como a recitar um mantra, com o qual ganharíamos força para vencer o medo. E porque era tempo - sempre seria - de salvar aquela cidade feita de beleza e pavor.

Era assim, no Rio do meu tempo - esse tempo chamado agora.

A moça que trabalha como diarista aqui em casa está para ter bebê ainda este mês. Para garantir que eu não fique ao deus-dará e que sua vaga vai estar aqui quando ela estiver pronta para voltar ao batente, sua irmã será sua substituta. Hoje vieram as duas para que eu conhecesse e conversasse com a doméstica reserva, uma ensinasse o serviço a outra e para que a transição fosse tranqüila.

Passava pouco das nove da manhã. Com exceção do moleque, que teve um final de semana de arromba para comemorar o aniversário e ainda dormia, a casa seguia em ritmo acelerado. De repente, ele aparece na porta do meu quarto, pijama e cara amassados e meio tortos ainda. Estava lívido, olhos arregalados, expressão de total desespero:

- Mamãe, me ajude, por favor. Estou ficando louco. Estou vendo coisas.
- O que foi que você viu, meu filho?
- Vi duas jussaras limpando a sala.
A cenografia da violência na capital que é internacionalmente símbolo do País tem mais visibilidade, ressalta ele [coronel José Vicente da Silva Filho]. "Mesmo um crime que não tem a ver com o tráfico é tratado de um jeito que acaba dando a impressão de que a cidade está contaminada, dominada. O conjunto se torna até meio teatral devido às ações executadas pelos traficantes, que acabam reforçando esta situação", analisa Vicente.

Para o ex-secretário, a quantidade de assaltos e mortes não difere de centros urbanos como São Paulo e Vitória. "A cobertura é injusta para
o Rio na proporção do que acontece em outras capitais. Está havendo uma espécie de demonização. A situação no Rio é grave, como é grave em São Paulo e em outras cidades."


***


A juíza aposentada e deputada federal Denise Frossard (PSDB-RJ) acredita que o crime organizado tem tudo a ver com a violência do cotidiano. "Ao contrário do que se diz, não é um poder paralelo, antes fosse. É um poder transversal. Há um momento em que essa criminalidade cruza com o Estado constitucional pela corrupção. Esse mau exemplo passa para toda a sociedade", acredita Denise. "Com esse desarranjo no andar de cima, a base agrega o valor da impunidade", diz. O juiz Wálter Maierovitch, ex-secretário Nacional Antidrogas e presidente do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone de Ciências Criminais, aponta que a chave do enigma passa por abrir a "caixa preta" das polícias. Os níveis de violência no Brasil são comparáveis aos de zonas de guerra ou à situação em Israel e nos territórios palestinos. É o que diz o último relatório da Anistia Internacional, espécie de guardiã dos direitos humanos no planeta. De acordo com o relatório, entre janeiro e outubro de 2002, 703 pessoas foram mortas pela polícia em São Paulo.


(Leia tudo aqui)

30.5.03

Bons agouros para o final de semana:

- filho acordando com inacreditável bom humor;
- a água na temperatura perfeita da hidroginástica sob o céu de brigadeiro e com trilha sonora caprichada;
- almoço de duas horas com o "namorado" no shopping em pleno dia útil;
- spa do pé;
- flores do campo frecas;
- a última cortina sendo posta no lugar (o que oficializa o fim da mudança);
- presente para terminar de arrumar e embrulhar;
- manicure, máscara facial, hidratação capilar;
- ainda não são quatro da tarde e é sexta-feira.

O trabalho? Depois do - como dizem os franceses - weekend.

28.5.03

Outro dia retomei conversas com uma pessoa de quem gosto muito, mas que a vida tinha levado numa onda para mais distante. Pois outra onda trouxe a amiga para perto novamente, agora que nas reuniões já não precisamos ficar todo o tempo atrás de nossos respectivos filhos. Também ela tem a vida toda cronometrada, cada pequeno evento encaixado artesanalmente de forma que nenhum dos aspectos cotidianos de uma mulher moderna seja negligenciado. Com um pouco de disposição e organização é possível lidar com peões sonsos, porteiros abusados, treinadores sarados, educadores amalucados, clientes estressados, familiares carentes, filhos instantes, maridos famintos e cabeleireiros afetados com diferença de poucos minutos ou, em alguns casos, até simultaneamente. Minha vida, assim como a desta parenta afetiva e de várias outras mulheres, é um Diagrama Pert.

Entretanto, não há organização e planejamento que sobreviva ao inesperado, ao insólito, ao - talvez - sobrenatural.

Era aquele dia da semana em que normalmente deixamos para cumprir algumas questões práticas que exigem decisões de casal. Em dias assim, deixamos o moleque no curso e aproveitamos aqueles instantes para resolver algumas pendências. O curso começa exatos 70 minutos depois que ele é liberado da escola. Neste tempo, é preciso que ele se desloque da escola para casa, tome banho, vista-se (com a roupa que eu separei), jante, escove os dentes e desloque-se de casa para o curso. Normalmente é tempo suficiente. Enquanto ele toma banho (graças a Deus as crianças crescem!), eu sirvo seu jantar e enquanto ele janta, termino de combinar alguns detalhes com meu parceiro de empreitada. Para que funcione, é preciso que eu já esteja pronta, do tamanco plataforma ao batom, quando os dois homens da minha vida aportam em nosso lar doce lar.

E foi num desses dias, bem na hora em que eu fechava a tenda, ou melhor, desligava o computador, e me preparava para entrar no banho que eu ouvi um barulho assustador. A auxiliar para serviços domésticos tinha acabado de sair, portanto o outro único ser que poderia ser causador e vítima era minha sogra, já que o hamster e o canário, e evidentemente as samambaias, haviam sido eliminados da suspeita dada a grandiosidade do estardalhaço. Enquanto eu ia em direção ao quarto dela, encontrei-a vindo em minha direção e nos fizemos a mesma pergunta:

- O que que aconteceu?

Já que não havia culpados ou feridos, fui passando, com calma, todos os cômodos em revista até que pressionei o interruptor da cozinha e não obtive a resposta esperada: luz. Com ajuda da pouca claridade que ainda vinha da janela naquele início de noite, examinei o lugar onde deveria estar a luminária e encontrei o nada. Minha educação européia não vai deixar que eu reproduza aqui o puta-que-o-pariu que eu soltei ao ver as quatro lâmpadas mais a estrutura que as sustentava completamente espatifadas no chão da cozinha.

Sabe aquele tempinho que eu tinha para me arrumar? Pulou para debaixo da vassoura e dela para cima da pá e de lá para dentro do jornal e do saco de lixo. Ainda deu mais uns passos agonizantes com o meu olhar biônico de mãe em busca de algum caquinho derradeiro e estertorou nas tiras do esfregão, suspirou naquele pensamento mórbido cheio de "e se" (a empregada grávida, o filho pequeno, a sogra idosa, o marido grande e forte, mas mortal) e esticou as canelas definitivamente na virada da chave que anunciou a chegada dos meus amores.

E o mais incrível é que estrondos assim quase mortais, em acidentes vindos do além, não acontecem pela primeira vez em torno de nós, embora seja a primeira vez na casa nova. Mas isso é outra história.

Esta aqui termina com o garoto chegando à aula na hora certa, pela mão de uma mãe que acabara de colocar os brincos e de passar o batom dentro do carro, onde naquele exato momento um marido esperava por ela para executar uma daquelas tarefas conjuntas. A daquele dia envolvia acertos para uma celebração de vida.
Detesto desmarcar compromissos. Pior das descortesias pra mim é marcar comigo e furar. É certo que imprevistos acontecem, mas depois que inventaram o telefone e agora, mais que nunca o celular, nenhuma desculpa alivia os que apreciam um forfait, principalmente os que fazem isto para valorizar o próprio passe (ou porque usam o método argentino de autoavaliação).

Claro que já fiz, todo mundo já fez. Uma amiga marcou casamento, avisou; trouxe convite em casa pessoalmente; a resposável pelo cerimonial ligou para confirmar presença na véspera e eu confirmei mesmo com gripe forte. No dia seguinte, o do casamento, não consegui sair da cama com pneumonia (e sinusite!). Passaram-se anos e ainda me sinto mal por não ter estado lá.

Então não foi sem uma ponta de contrariedade que liguei para o dentista e transferi a consulta. Afinal, era um motivo escolar e, tratando-se do pimpolho, tudo que tenha a ver com a escola é prioridade. Mas eis que a escola, usando das suas prerrogativas, abusando da pouca elaticidade dos horários das famílias modernas, rearranja seus próprios horários e me deixa com cara de tacho diante do odontólogo. Não que eu me importe sobre o que a atendente vai pensar a respeito da minha sanidade mental - até me divirto quando as pessoas me olham com estranheza; normose mata! - mas tenho mais o que fazer da vida além de ficar remarcando consulta.
Consegui!

Cheguei ao mesmo peso que estava antes de parar de fumar e começar o abominável processo inflável.
Entre a última tragada e hoje passou-se pouco mais de um ano.
Comemoração com chope e muitos belisqueites dentro daquele vestinho que fazia tempo que eu não tinha coragem de vestir.
Se você for ao médico e ele disser que você está com uma virose, fuja dele.
Os mais antenados hoje em dia sempre diagnosticam sinusite, quaisquer que sejam os sintomas.
Virose? Humpft! Coisa mais anos 90...

26.5.03

Treetap vem de "sangrar a árvore" para extrair o látex. Já a bola de borracha que, derretida se mistura no tecido de algodão e vira couro vegetal, é chamada de "pele" na Amazônia. Daí o nome de "pelada", vide as "peladas" que muitos Romários já jogaram com bolas de borracha na sua infância.

Os primeiros registros do que hoje está ganhando o mundo datam de 1736, feitos por um geógrafo francês. Coincidência ou não, o tecido Treetap já é utilizado na fabricação de mochilas da empresa francesa Hermés.

O couro vegetal, com sua linha de acessórios de moda, quando cair no gosto do eco-cidadão, será uma alternativa para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

(JB Ecológico - 28 de abril de 2002 - parcial)

Cordas Dedilhadas


Junho
CORDAS DEDILHADAS - AUDITÓRIO DO ARTE SESC

Toda Segunda-feira de Junho - 19:00hs - Entrada Franca
Senha 1 hora antes

ARTE SESC
Rua Marquês de Abrantes 99 – Auditório - Tel: 3138-1343


02/6/2003: Duo Fel (SP)
"DUOFEL 20", comemora os vinte anos do DUOFEL através de um passeio por suas histórias e influencias, mostrando músicas de todos os Cds lançados.
Formado pelos violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, O Duofel vem há anos trilhando o caminho da música instrumental. Em 1993, o Duofel ganhou o Prêmio Sharp de Música na categoria Instrumental. Após bem-sucedidas apresentações em festivais de prestígio, como o Summerstage, em Nova York (EUA), e no Jazz à Vienne, em Lyon ( França), em 1998, a dupla grava finalmente o CD "Atenciosamente, Duofel". Lançado pela Trama, em 1999. Em 2000 foi lançado pela Trama o disco comemorativo "Duofel 20", celebrando os 20 anos de carreira do duo.


09/6/2003: Armandinho
“RETOCANDO O CHORO”
Quando Armandinho toca, a gente se toca da diferença que há entre o talento e o gênio. Brasileirinho assanhado, música por todos os lados, desafia o tempo tocando a alma no ritmo do coração, na batida. Traz a vida debaixo do dedo.
Um dos seus segredos é a bela educação musical dada por seu pai, Osmar Macedo, excelente músico e compositor além de inventor do Trio Elétrico.
Desde garoto conheceu Garoto, importante figura do instrumental brasileiro, além de outros grandes, dentre eles Waldir Azevedo, Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Jacob do Bandolim, este com certeza a sua mais forte referência. Além dos populares também teve acesso aos clássicos.
Tudo isto, porém, poderia ter ficado parado no tempo, não fosse Armandinho um virtuose, capaz de visitar e revitalizar toda essa arquitetura musical, jogando pro futuro tudo o que seu pai lhe dera de presente no passado.
A falta de sensibilidade da Mídia tem relegado a música instrumental brasileira a um plano inaceitável. Apesar e acima de tudo, o bandolim e a guitarra baiana de Armandinho brilham intensamente neste pedacinho de céu, nos palcos, nos trios elétricos e agora neste show, acompanhado de Zé Paulo Becker, onde além do solista genial está também o compositor, registrando em algumas músicas as parcerias com Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Fred Góes.
Texto de Moraes Moreira.

Baiano e filho de Osmar - inventor do trio elétrico juntamente com Dodô -, desde criança Armandinho teve ligação com a música de carnaval e os trios elétricos. Destacou-se tocando guitarra e bandolim eletrificado, a "guitarra baiana". Nos anos 70 formou o grupo A Cor do Som, que inicialmente acompanhava Moraes Moreira e em seguida gravou cinco LPs sem o cantor. Excursionou pela Europa e Estados Unidos com o grupo O Trio Elétrico, alternando discos solo e com o Trio. É um dos maiores representantes e divulgadores da música de trio elétrico. Ao mesmo tempo, é um dos nomes da renovação do choro, e gravou discos ao lado de Raphael Rabello e do Época de Ouro.


16/6/2003: Homenagem ao Luizão Maia
Arthur Maia e Zé Luis Maia

Tributo a Luizão Maia

Nesse tributo, Zé Luiz e Arthur Maia, filho e sobrinho de Luizão Maia, divulgam as composições desse mestre do contrabaixo brasileiro. Atuando durante 12 anos ao lado de Elis Regina em discos e shows, e tendo participado de 9 entre 10 encartes dos principais ícones da MPB na década de 70 - Djavan, Maria Bethânia, Chico Buarque, Tom Jobim, Gal Costa, entre outros – Luizão sem dúvida se tornou um dos pilares da nossa música. Ele hoje reside no Japão, onde encontra melhores condições para se recuperar de um derrame e de uma deficiência renal. Embora tenha gravado mais de dois mil discos em sua carreira, Luizão não possui o seu próprio CD. Entre seus pertences deixados no Brasil, havia uma fita antiga de duas polegadas deteriorada onde ele começara a registrar suas músicas. Esse material foi recuperado e em breve seu primeiro CD será lançado. A renda desse show será toda destinada para a produção desse projeto.
Zé Luiz será acompanhado por Fernando Moraes, piano; Eduardo Neves, sax e flauta; Kleberson Caetano, bateria. Arthur Maia se apresentará em seguida, com Marcelo Martins, sax e flauta; Claudio Andrade, teclado; Kinder, bateria; Fernando Caneca, guitarra; Orlando, percussão. E para aqueles que dizem que essa família é uma “baixaria”, apresentaremos Lupa Maia, 19 anos, filho do segundo casamento de Luizão.


23/6/2003: Paulo Freire (SP)

Neste show solo, o violeiro apresenta a viola como é tocada no sertão e a sua evolução para os dias de hoje. Paulo Freire aprendeu a tocar viola no sertão do Urucuia, norte de Minas Gerais - região que inspirou João Guimarães Rosa a escrever o romance “Grande Sertão: Veredas”.
Além dos temas caipiras tradicionais, e suas próprias músicas - que foram temas de seriados da TV Globo, Paulo Freire vai tocar e contar os causos: “a receita para se fazer o pacto com o tinhoso”, “como São Gonçalo virou lenda no sertão e sua peleja com a mulher-dama”, “a revelação de Angelino de Oliveira e sua ‘Tristezas do Jeca’”. O violeiro também apresenta canções com arranjos inéditos para viola de cocho, como, por exemplo, “All Blues”, de Miles Davis.
Para mostrar toda a inteligência e senso de humor do caipira brasileiro, interpretará incríveis canções das duplas: Alvarenga e Ranchinho e Zé Mulato e Cassiano.


30/6/2003: Marcel Powell(filho do Baden) e João de Aquino

Num encontro sublime que une duas gerações do melhor do violão brasileiro, Marcel Powell (filho de Baden Powell) e João de Aquino (primo de Baden Powell) fazem um show no qual passeiam pelo repertório dos grandes criadores da escola brasileira de violão. Neste show de rara beleza estética, ficamos cada vez mais convencidos da genialidade do legado de Baden Powell e de seu “violão vadio”, que levou o mundo inteiro render-se às belezas criadas pelos compositores brasileiros com suas melodias raras e harmonias sofisticadas e, muito especialmente, as composições dele próprio e seus parceiros. Este show fará a delícia dos fãs carentes e saudosos de sua levada e dinâmica únicas aliadas a emoção que transbordava das cordas de seu violão.
No matter what the object is, whether business, pleasures, or the fine arts; whoever pursues them to any purpose must do so con amore.

(William Melmoth, sob o pseudônimo Sir Thomas Fitzosborne)

25.5.03

Observações:

- Na loja Edson Freitas do Shopping Iguatemi você pode pagar R$43,20 por uma coisa chamada Penetraite Extra Longo.

- Não entendi quase nada da fala do Arquiteto na sala dele. E você? É propositalmente rápido, confuso e incompreensível pra gente ter que ir ver de novo? Ou meu Q.I. está encolhendo? Ou estou ficando velha demais para compreender as coisas em velocidade/estética MTV? E quem falou que é legal pagar uma entrada integral no cinema para ver o filme pela metade? E como vou queimar todas as calorias do Super Hiper Mega Combo com 1 Kg de pipoca e 700 ml de coca-cola que comprei para ganhar um pôster? Grandes questões filosóficas...

- É ótimo ter amizades sinceras de quase 20 anos com pessoas do sexo masculino e de muito bom gosto. Só eles têm aval (e generosidade e carinho por você) para fazer certas observações gentilmente mentirosas.

22.5.03

Definição de raiva, muita raiva:

Você escreve um post caprichado, cheio de links e idéias (que pelo menos você acha) interessantes e na hora de publicar: ploft, ele some no limbo.

E agora o trabalho me chama, não dá para re-escrever.

Entaõ fica combinado assim.

20.5.03

Agora só faltam as benditas cortinas e o bendito sofá.
E então a mudança será dada como concluída.
Quando isso acontecerá?
Só sei que se no dia 1º de junho não estiver tudo em seus devidos lugares, fujo de casa (deixando os tecidos e seus retalhos e o sofá desarmado pra trás).
Num intervalo comercial na TV, um anúncio conta uma história em flash back. Na primeira cena, crua, um jovem grita desesperado ao ver a mãe ser assassinada dentro do caroo, em um cruzamanento. Fato tragicamente banal nas metrópoles brasileiras. Na seqüência, as imagens mostram o assaltante comprando a arma. Usa o dinheiro arrecadado na venda de dois sacolés de cocaína. Quem paga é justamente o filho da mulher morta. E o grand finale: "Quem financia a violência é o tráfico de drogas - e quem sustenta o tráfico é você. Se você vai comprar, lembre-se do preço". Tiro certeiro no alvo da conscientização diante da batalha cotidiana em ruas, becos e favelas do Brasil. Munição pesada, o filme de 30 segundos é um dos melhores produtos saídos da trincheira do marketing na difícil luta contra o vício das drogas. Pela primeira vez, materializa-se explicitamente na TV a ligação da milionária indústria de entorpecentes, sustentada pelos viciados, com a violência. Um é o combustível do outro.

O ponto de partida para a campanha foi o bárbaro assassinato do jornalista Tim Lopes, conta o consultor de marketing Paulo Heise, presidente da Parceria [Parceria Contra as Drogas, iniciativa de empresários de vários setores, com a missão de produzir e veicular campanhas educativas, que ajudem a prevenir o uso de drogas].

_ Sempre houve uma noção velada da relação tráfico/violência, mas a morte do Tim provocou um despertar geral de consciência. E daí surgiu o foco da campanha. Autor dos filmes, o diretor de criação da Full Jazz, Luiz Lobo, abraçou a idéia, a ponto de hoje, entusiasmado, falar em trabalho coletivo. - Os subprodutos da droga são o sequestro, o assalto, as armas no morro e na periferia - argumenta o publicitário, que contou com assessoria do Denarc, a delegacia de entorpecentes de São Paulo.

Logo ele, que confessa nunca ter "parado para pensar nisso", apesar de toda a angústia de ser pai de três filhos adolescentes na maior cidade brasileira. Pior: Lobo está entre os que sempre acharam ridículas as campanhas do tipo "drogas faz mal". -Seviam apenas para encher o saco - critica, consciente de que o trabalho de 30 segundos não vai, por si só, reabilitar viciados. - Mas tem o mérito de pôr todos no mesmo barco, o das vítimas da violência - arremata.

Paulo Heise tem consciência de que seu público não é o dependente, "que às vezes não muda nem com tratamento". O trabalho mira em quem ainda não experimentou drogas, mas cogita fazê-lo, ou no consumidor eventual. - A idéia não é parar de usar porque faz mal, mas porque financia a violência que ataca o vizinho, o parente - assegura Heise. O marketing, entretanto, continua sendo arma leve nessa batalha, alerta Lula Vieira, sócio da V&S Comunicação. - O problema das camapanhas é que elas estão atreladas ao establishment. Esta acerta porque tira o glamour, ao mostrar o drogado como financiador. É o caminho.

(veja matéria completa aqui)
(veja o anúncio aqui e, a partir de hoje, também ao clicar no menu lateral em )
Ele voltou!
Não, você não está entendendo. Voltou a escrever no blog.
Do ladinho desta que vos escreve ele nunca saiu, ora.
Oba!

16.5.03

São mil coisas acontecendo, milhares de fatores interferindo, o mundo inteiro de informações te abordando, todas as pessoas com quem você se relaciona, do carregador de sacolas do super-mercado ao cliente mais importante que vai te ajudar a sair daquele sufoco financeiro pelo qual você anda passando, o padre que celebrou o casamento daquela sua prima e todas as pessoas que são realmente importantes porque trazem até você o néctar, a ambrosia, o verdadeiro sentido, o sol, o eclipse, o cinema que não deu pra pegar, a comida que queimou no fogão, o mar que continua batendo impassível nas areias da cidade mais linda do mundo, tudo o que você pensa para providenciar o jantar ou para o fim da miséria no país, o aparelho ortodôntico, a lição de casa, a roupa sempre limpa na gaveta, o papel de chata reguladora a que você se obriga a encarnar às vezes no exercício de formação de um ser humano digno, o perfume discretamente aplicado naquele lugar onde o homem da sua vida gosta de afundar o nariz quando te abraça, as marcas do tempo que vão se acumulando em todo o seu corpo, as saudades dos que já foram para outro plano, a manicure, a expressão exata que traduza aquela palavra de outro idioma, os frascos atraentes onde a beleza está guardada, aquela música do Chico que te inunda de êxtase no meio da tarde, o filme que você queria tanto ver e que descobre que vai começar na hora em que você ligou a TV, o maiô novo da hidroginástica que é preciso comprar, aquele parente para o qual você precisa ligar para que ele saiba que aquele abraço no velório não foi um gesto vazio e social apenas, as brigas, os sapos a engolir, o mamãe-eu-te-amo, o remédio, Deus, o buquê de flores para enfeitar o caos, as lágrimas, o sorriso, o trânsito barulhento lá embaixo, o livro lido sob a árvore onde os papagaios ruidosamente planejam se recolher para passar a noite, as palavras que se unem e gritam por papel ou tela enquanto tento dormir, as duas pulseiras perdidas, os desenhos do menino e as obras do grande gênio, os mistérios, a luz forte que cega, os incômodos animados e inanimados, alecrim, massagem nos pés, muitos beijos, a água que escorre pelos dedos, os cantos e momentos que são ou deveriam ser só seus, os grandes segredos e a conversa displicente, aquilo, eu.
Não seria ótimo se tivéssemos um raio X assim para ver todas as pessoas com quem interagimos?

Para o demônio que aparece neste caso, nem é necessário. Só os idiotas caem no seu lero.

15.5.03

Ele me ligou minutos antes de chegar em casa só pra me avisar que estava despontando no horizonte uma lua deslumbrante e pra me lembrar de parar um pouco com a labuta e roubar alguns instantes da dureza daqui da Terra para olhar o céu.

Não exatamente com essas palavras.

Porque às vezes as pessoas nem sabem da música que ouvimos nas palavras delas.

E hoje tem eclipse a partir das 23h. (Solfejou esta?)

14.5.03

Imagina dois gigantescos discos voadores pousados com um monte de seres humanos vestidos ridiculamente correndo em trono deles, parando vez ou outra em movimentos onde parecem querer arrancar a cabeça e os próprios membros?
Imaginou?
É esta visão surreal que tenho todos os dias ao abrir a janela.
Dá pra ser normalzinha, dá?
Por onde andará minha amiga Irene?

In Greek mythology, Eirene was one of the Horae, the goddesses of the seasons and natural order; in the Iliad they are the custodians of the gates of Olympus. According to Hesiod, the Horae were the daughters of Zeus and a Titaness named Themis, and their names indicate their function and relation to human life. Eirene was the goddess of peace. Her name is also the Greek word for "peace," and it gave rise to "irenic" and other peaceable terms including "irenics" (a theological term for advocacy of Christian unity), "Irena" (the genus name of two species of fairy bluebirds found in southern Asia and the Philippines), and the name "Irene."

(Word of the Day)


Irene
(Caetano Veloso)
(clique para ouvir versão com Gil)

Eu quero ir, minha gente, eu não sou daqui
Eu não tenho nada, quero ver Irene rir
Quero ver Irene dar sua risada
Irene ri, Irene ri, Irene
Irene ri, Irene ri, Irene
Quero ver Irene dar sua risada

13.5.03

Recebido por e-mail:
(nada pessoal, viu, amor)

Deus,
Eu lhe peço...
Sabedoria para entender meu homem,
Amor para perdoá-lo,
Paciência pelos seus atos;
Porque Deus, se eu pedir força,
Eu bato nele até matá-lo.
Hoje seria aniversário da minha avó materna, se ela fosse viva.
Hoje é dia de comemorar a Abolição da Escravatura, diz a tia Cotinha.
Hoje, dizem, é dia de Preto Velho.



Homenagem aos Pretos Velhos


Os pretos velhos são espíritos de origem africana, que vieram dar mensagens aos seus seguidores quer sejam da Umbanda ou do Candomblé. Cultuados por alguns segmentos da nação de Angola, essas entidades são consideradas como ancestrais, como eguns dos Orixás.
A Umbanda considera o Preto Velho como entidade de luz, trazendo conhecimento e visão da cultura africana. Os Pretos Velhos são homenageados no dia da Abolição da Escravatura, pois, com a vinda dos negros para o Brasil, houve muita discriminação de suas tribos para que perdessem sua força religiosa. Dissolviam as tribos, misturando os negros da Guiné com a Angola, Nigéria com Moçambique, enfraquecendo assim, a cultura e a história dos negros. Como esses negros falavam dialetos diferentes, tinham dificuldade em se comunicar e só se entendiam através do culto aos seus orixás, além de terem sido submetidos a maus tratos e subjugados em seu culto, onde os reis e chefes das tribos eram os mais humilhados e escravizados; os colonizadores e padres obrigavam-no a seguir a cultura cristã. Para manter acesa a chama de sua fé e numa tentativa de cultuar os seus Orixás, os negros tiveram que aceitar os santos da Igreja Católica com a sua crença, formando, assim, o sincretismo religioso. Hoje, são os Pretos Velhos, as entidades mais luminosas que nos ensina com sabedoria, os valores de humildade, resignação, paciência e amor ao próximo.

(fonte)

PRETOS VELHOS, FILHOS BRANCOS:
um breve devaneio

Simone Carneiro Maldonado
Antropóloga
GRUPO DE PESQUISA RELIGARE
UFPB - João Pessoa


"É rei, é rei
É rei no seu congá,
É rei!..."

Assim diz um dos inúmeros pontos de chamada de Pretos Velhos na Umbanda, que é a forma religiosa mais representativa dos cultos afro no Brasil, contexto cultural em que se expressa com grande força, coberto de prestígio e de carinho este personagem tutelar aos ritos nacionais, reverenciado nas mais variadas formas, o Preto Velho.
Religiosidade, sincretismo, etnicidade, subalternidade, seriam alguns dos conceitos que seriam necessários para se construir à altura o tema deste devaneio. Mas justamente porque o devanear não tem um compromisso com teorias ou análises estritamente orientadas (sendo justamente o seu contrário...), permito-me escrever esta peça tal como ela está. Sugiro no entanto que ela seja lida diante da intenção com que está sendo escrita, como algo que remete à prática umbandista "brasileira" e "afro" e sobre a construção que aí ocorre de um dos arquétipos brasileiros, o do Preto Velho.
Para tal, passo a contextualizar este personagem que a Umbanda situa entre as entidades de luz, ou espíritos superiores em mérito, junto com outros tipos igualmente idealizados, como os "caboclos", os "mestres", os "orientais", as "crianças". São grupos de espíritos, de vibrações, de sintonias, de diferentes formas de relacionamento com o mundo dos vivos, por assim chamar o mundo dos "encarnados", que estão "na carne", que têm corpo, nós.
Ao classificar a espiritualidade, o mundo dos espíritos em "linhas" ou "falanges", Falange dos Caboclos, Linha de Preto Velho, Linha do Oriente (também muito conhecida por "linha dos Ciganos"), a Umbanda expressa a sua ordenação do universo tendo como referencial os domínios da natureza e da civilização, num mundo marginal. A natureza é o reino dos Caboclos, representação idealizada do índio brasileiro, que por sua vez se subdivide em "falanges" (Caboclos de Pena, Caboclos Flecheiros, Caboclos, do Mel) todas elas comprometidas com a mata, com a água doce, com o mel silvestre, com a cura, a "ajuda" e sobretudo com a justiça feita com a proteção do Pai Oxóssi (senhor das matas que preside a Falange dos Caboclos) e suas flechas.
No âmbito da civilização, juntamente com outras entidades como os "mestres", está a figura do Preto-Velho, o espírito nacionalmente reconhecido do ex-escravo africano como o tem construído o imaginário religioso brasileiro nos anos de escravatura e sobretudo após a abolição.
Na verdade, a afetividade de que se recobre a relação dos Pretos Velhos com seus "filhos brancos" expressa nos rituais sincréticos, remete às relações semi-familiares que se estabeleciam nas casas-grandes e os seus escravos domésticos. Se não, vejamos, no ideário nacional (e na prática "real?,concreta naquele passado), a Mãe Preta se situa mansamente como um terceiro elemento na díade mãe-filho, surgindo aí relações muito fortes de carinho e solidariedade das três partes: da Sinhá, da escrava e do menino branco, que não raro na literatura romântica aparecem aliados em confronto com a vontade férrea e patriarcal do homem branco, senhor de terras, dono de mulheres, de escravos e de meninos.
Eu diria ser este um substrato fundamental à re-criação e à reabsorção do escravo africano pela sociedade brasileira na Umbanda, mediante a construção do personagem do Preto Velho. Mesmo liberto, esse espírito continua vivendo no imaginário religioso de muitos brasileiros. Um desses modos de presença é a representação do ex-escravo negro que retoma a sua relação com a sociedade nacional, com os "filhos brancos" a cada sessão de Umbanda.

(...)

"Arruda tem luz
Tem poder e tem valor
Arruda tem força
Do pai superior

É rei ,é rei
É rei no seu congá
É rei, é rei
E vem para ajudar!"

Com fórmulas assim se invocam Pai João d'Angola, Pai Arruda, Pai Benedito, o Preto Velho do Menino Jesus e tantos outros "pais" e "avós" que são a representação dos ex-escravos nesta sua forma de permanência entre nós. É bastante comum que as entidades masculinas sejam chamadas de "pai" enquanto as Pretas Velhas são geralmente "vovós" que distribuem proteção, conforto moral, conselhos e receitas a quem os procura. Curiosamente nunca tomei conhecimento de que "vovós" fossem chamadas na abertura dos rituais, tendo elas no entanto também grande mérito e poder, em nada ficando a dever aos Pretos na hierarquia dos rituais e na procura das pessoas:

"É bonito e tem que ver
Pau sêco florar
É bonito e tem que ver
As pretas velhas trabalhar!"

É grande a quantidade de "pontos" de que estes são representativos enquanto associação dos espíritos dos africanos às flores, à idade avançada, a humildade, generosidede e doçura no trato com os "filhos brancos" com quem interagem em termos de parentesco simbólico. Geralmente idosos, cegos, mutilados ou trêmulos, os espíritos incorporados nos médiuns ouvem queixas e pedidos dos "filhos brancos", dão conselhos, prometem a ajuda, força e preces, pedem paciência, fé e receitam chás de entrecascas, de perfume, arroz, arruda, cominho, cravo branco, comunicando-se num modo de falar também sujeito a variações mas fundamentalmente manso e o mesmo em todos os ambientes, repetindo-se sempre a frase "i zi gaci di Deus" ou simplesmente "gaci di Deus (graças a Deus):

"I zi fi zabancado i zi gaci di Deus picisá dus abanhado i ni xopana di fi"

para dizer que

"O filho branco na graça de Deus vai precisar de uns banhos na casa do filho".

Ou ainda, no mesmo tom meigo e paternal,

?Gaci di Deus, o fi tuma us banho dos cravo e arruda machucadim, mai é picisi rezá pa saúde di i dá tomém us banho no galiba di fi, i zi gaci di Deus

que significa

?Na graça de Deus o filho toma os banhos de cravo com arruda machucadinhos mas é preciso rezar para a saúde e também dar banhos na criança do filho, nas graças de Deus?

Vale ressaltar um detalhe significativo na relação do Preto Velho com os seus filhos (i zi fi) que poderia instigar a mais um estudo dos fenomenos simbólicos e relações que ocorrem no âmbito dos rituais de Umbanda. Mesmo que se trate de mestiços, morenos, mulatos, "pardos" e até mesmo de negros, uma vez em consulta com um Preto Velho todos são "filhos brancos" (i zi fi zabancado), não parecendo ser a expressão "branco" neste caso um referencial étnico mas antes outros construto que é o da nomeação pelas "linhas de Congo" dos seus "filhos brancos".
No processo de ajuda, aconselhamento e consolo propiciado pelo contato com os Pretos Velhos, estes se apresentam (e são apresentados nos "pontos") cheios de mérito junto ao Pai Superior, a Jesus e à Virgem Maria, em grande medida pelos tormentos da sua vida de escravo na terra, uma espécie de resgate dos sofrimentos, mutilações, castigos e humilhações cujas marcas guardam na espiritualidade e que lhes foram inflingidos pela mesma sociedade a quem eles hoje vêm cuidar e consolar. São indicativos disso os "pontos de chamada" e de "despedida":

Pai Arruda vai baixar
Pros seus filhos ajudar
Com a força de Jesus
Ele vem pra trabalhar"

E no momento da despedida,

"Lá vai os Preto Velho
Subindo pro céu
E Nossa Senhora
Cobrindo com o véu"

Nos "pontos de Preto Velho" há também referências à negritude e ao trabalho, como se pode ver a seguir:

Quem arreia na linha de Congo
É de Congo, é de Congo, aruê!
Quem arreia na linha de Congo
Agora é que eu quero ver.

Preto com preto, Calunga,
Eu também sou preto, Calunga,
Na terra dos preto, Calunga,
Todo mundo é preto, Calunga!"

E no "ponto de Preta Velha",

Vovó não quer
Casca de côco no terreiro
Vovó não quer,
Casca de côco no terreiro
Que é pra não lembrar
Dos tempo dos cativeiro
Que é pra não lembrar
Os tempo dos cativeiro"

A inversão simbólica dos valores da hierarquia prevalecente na ordem social brasileira é um dos fenômenos que mais caracterizam os cultos afro-brasileiros. Nestes contextos, o "menos" passa a ser "mais", os últimos são os primeiros e o subalterno adquire um poder que pode chamar-se mágico. No caso do Preto Velho, a via para essa "ascensão" que se realiza durante os rituais foi o sofrimento a ele imposto pela mesma sociedade que a ele hoje se filia e se ajoelha aos seus pés por proteção e ajuda. (...)

Também aqui cabe lembrar o caráter de comentário reflexivo deste pequeno texto para poder permitir-me citar o filósofo Martin Heidegger ao dizer que a continuidade de um fenômeno significa muito mais do que a permanência do que o constitui.Muitas vezes a história conduz a modificações estruturais nas relações sociais e na produção da sobrevivência sem que no entanto certas vozes silenciem necessariamente de maneira radical.

(texto completo aqui)
Recebido por e-mail:
(veja mais sobre este assunto na Jaula do Cordeiro)

Demarcando território
Ricardo Calil


09.Mai.2003 | Cacá Diegues é a Maria da Conceição Tavares do cinema nacional. Assim como a economista no episódio da focalização dos gastos públicos, o cineasta despertou uma espécie de histeria coletiva em sua classe com a polêmica do "dirigismo cultural".

Da mesma forma que Conceição, Cacá deu dimensão gigantesca a um problema irrisório, deixou de lado questões mais importantes e transformou um coadjuvante em vilão da história. Ao contrário da economista, porém, o
cineasta conseguiu o que queria.

Mas exatamente o que desejavam essas duas figuras históricas? Fora o bem do país, claro... No caso de Conceição, a resposta é difícil. Afinal, ela não ganha nada para atacar a focalização dos gastos públicos.

Mas sua atitude deve ter algo a ver com o fato de que o PT está obtendo êxito econômico fazendo o contrário do que ela sempre defendeu. Sentindo-se contrariada, mas sem argumentos, ela decidiu inventar que Marcos Lisboa,
secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, queria acabar com a universalização dos serviços essenciais.

No caso de Diegues, a equação é mais simples: ele é um cineasta que depende de dinheiro público para fazer seu trabalho, o novo governo acenou com a possibilidade de controlar os gastos com cinema...

O fato estranho é que Diegues não veio a público para defender a manutenção do sistema de financiamento estatal. Ele preferiu supor que o governo queria acabar com a liberdade de expressão com um suposto "dirigismo cultural".

Para Diegues, esse golpe na cultura estaria sendo tramado maquiavelicamente pelo secretário de Comunicação Luís Gushiken e pelo consultor privado Yacoff Sarkovas (aliás, nome perfeito para vilão de cinema).

A acusação de Diegues foi motivada por duas iniciativas do governo: a transferência do poder de decisão sobre as verbas estatais do Ministério da Cultura para a Secretaria de Comunicação e a definição de novos critérios para a concessão de patrocínios.

Segundo os critérios divulgados na semana passada nos editais da Eletrobrás e Furnas, conceitos como "contrapartida social", "valorização da cultura popular" e alinhamento a programas sociais como o Fome Zero deveriam ser levados em conta na definição dos projetos a serem patrocinados.

Na já célebre entrevista que deu ao "Globo", Diegues declarou ter visto nesses critérios "um golpe que pode provocar um desaparecimento do cinema brasileiro", "uma audácia autoritária que nem a ditadura militar foi capaz
de ousar", "uma intervenção de choque (...), um Bope ideológico", "uma vitória jdanovista (referência ao comissário stalinista da cultura)".

O conceito da "contrapartida social" é mesmo um tipo de aberração, mas ninguém o levava muito a sério até a entrevista de Diegues. Mesmo porque os editais não davam a entender que haveria interferência no conteúdo das obras ou que projetos sem contrapartida social seriam rejeitados.

Acreditar que essa idéia levaria a uma reedição do realismo socialista, como afirmou Luiz Carlos Barreto, é o mesmo que crer que o Brasil produziria a bomba atômica, só porque o ministro Roberto Amaral disse que o país não
renunciaria a nenhuma tecnologia nuclear.

No episódio todo, o fato mais revelador não foi o conteúdo dos editais, mas o exagero da reação de Diegues - seguido depois pelo establishment da classe artística. Foi menos uma defesa da liberdade do que uma demarcação de
território.

Nesse sentido, foi uma atitude muito bem-sucedida. Diegues conseguiu que os novos critérios fossem abandonados antes que eles se estendessem à BR Distribuidora e à Petrobras, os principais financiadores do cinema brasileiro. A rapidez com que Gushiken voltou atrás na questão mostra que nem mesmo o governo fazia tanta questão da "contrapartida social".

Mais importante, Diegues conseguiu que o poder de decisão sobre as verbas das estatais para a cultura (cerca de R$ 200 milhões por ano) voltasse para seu amigo Gilberto Gil, que fingiu lavar as mãos no episódio. Nunca é demais
lembrar que o secretário do Audiovisual, Orlando Senna, foi sugerido a Gil por Diegues.

Agora, o ministério de Gil poderá escolher quais projetos serão patrocinados e ainda fiscalizar a aplicação das verbas. A Ancine, agência que controla os gastos com cinema, foi incorporada pelo MinC no mês passado. Com sua pouca experiência política, Gil já ganhou mais poder em quatro meses de mandato que muito ministro rodado.

É importante destacar que Diegues não está sozinho nessa luta. Ele foi apoiado pela classe artística nacional. Embora, a julgar pelas fotos da reunião com os ministros, toda a classe seja oriunda da zona sul carioca.

O dado mais curioso nessa história é que a maioria absoluta dos artistas apoiou Lula na eleição. E, como lembrou o cineasta Jorge Furtado (talvez o único a escrever algo sensato sobre o episódio), o item 40 do programa de governo do PT dizia praticamente a mesma coisa que os editais da Eletrobrás e da Furnas:

"Nosso governo adotará políticas públicas de valorização da cultura nacional, em sua diversidade regional, como resgate da identidade do país.

Para realizar esses objetivos, será necessário encontrar novos mecanismos de financiamento da cultura e de suas políticas, que não podem continuar, como hoje, exclusivamente submetidos ao mercado" .

Os artistas apoiaram Lula porque eles queriam mudanças. Agora, porém, eles parecem seguir a idéia de Lampedusa de que tudo precisa mudar apenas para ficar como está. De qualquer forma, é bonito ver a classe artística tão
mobilizada. Não se via tamanha união desde o linchamento moral de Regina Duarte na campanha eleitoral.

12.5.03

Isso é brincadeira, não é?

Gisele Bündchen pode ter decepcionado o amigo Caetano Veloso, que conheceu no Carnaval passado em Salvador. Segundo o colunista César Giobbi, do jornal O Estado de S.Paulo, a top pediu ao cantor que compusesse uma música sobre ela e, em seguida, perguntou ao músico se ele conhecia Londres. Caetano respondeu que já morou na cidade quando se exilou na época da ditadura militar (lá, inclusive, ele compôs a música London London). Gisele prosseguiu: "Ditadura?". A pergunta levou ao fim da conversa.

Acróstico

Meu bijouzinho fez pra mim:

Carente
Adorável
Re-pensadora
Leal
Astuta

Agradeci e cobri de beijinhos orgulhosos.

Depois, com jeito, perguntei como quem não quer nada:

- Por que carente?

- Ué! Você não vive dizendo que a gente tem que dar os brinquedos que não usa mais, que tem sempre que ajudar as pessoas? Não conheço ninguém mais carente que você.

8.5.03

Descobri diversos livros interessantes que ainda não li ou que quero reler durante a mudança.
Haja tempo!
Tem um janelão aqui do ladinho da mesa que tem me mostrado lindíssimos dias ensolarados de céu perfeitamente azul.
Haja tempo!
Com a poeira de tudo o que estava guardado e foi (está sendo) remexido, meus pés e mãos estão em frangalhos. Mani/pedi-cure urgente!
Haja tempo!
E muito, muito mais, mas não há como escrever tudo.
Haja tempo!

7.5.03

Dizem por aí que o ócio á o pai de todos os vícios e que cabeça vazia é oficina do diabo.

Eu completo dizendo que o pior do ócio é achar (e cobrar) que todo mundo deva estar tão disponível para fazer nada e arrumar sarna para se coçar como você. E o pior da masturbação mental é que ninguém goza.

Nada que um belo tanque de roupa ou um monte de concreto para virar e o pão de cada dia a ganhar com o suor do próprio rosto não curem rapidinho.
Estou cansada demais.
Nem escrever, que é uma das coisas de que mais gosto, eu consigo.

5.5.03

Durante a mudança descobri:

* Dieta e mudança são mutuamente excludentes.
* Tudo é conseqüência e assumir a sua parte de responsabilidade nas causas ajuda muito a todos.
* (caindo aos pedaços, mas ainda manipuláveis) To the Lighthouse - Virginia Woolf e The Sound and the Fury - William Faulkner.
* Mais músculos que podem doer no corpo humano do que estrelas no céu.
* Por mais cansado que você esteja, você sempre pode ficar mais cansado.
* Sou uma pessoa muito paciente.
E cadê as armas químicas e biológicas?
Onde estão as provas de ligação com o terrorismo?
Onde está Waly?

"O corpo vira cinza para que o fogo habite as páginas do livro."



Vapor Barato
(Jards Macalé e Waly Salomão)

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu não acredito mais em você
Com minhas calças vermelhas
Meu casaco de general
Cheio de anéis
Vou descendo por todas as ruas
E vou tomar aquele velho navio
Eu não preciso de muito dinheiro
(Graças a Deus)
E não me importa, honey

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que eu tô indo embora
Talvez eu volte
Um dia eu volto (quem sabe)
Mas eu quero esquece-la (eu preciso)
Ah, minha grande
Ah, minha pequena
Ah, minha grande obsessão

Oh, minha honey baby
Baby, honey baby
Oh, minha honey baby
Baby, honey baby?

Tentando voltar à rotina...