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28.9.03

Imperdível!
E é de graça!

O artista plástico brasileiro Vik Muniz, radicado há 20 anos em Nova York, apresenta uma série inédita de fotografias. Intitulada Retratos de revista, a série traz imagens que são reconstituição do retrato de personalidades e personagens, que ele admira e/ou convive, com pequenas pastilhas feitas de papel recortado de revistas.

O ponto de partida do artista foi a observação de retratos publicados em revista que mostram a intimidade das celebridades, ao mesmo tempo em que são essas publicações que tornam famosos quase anônimos. Vik se colocou a pergunta: como fragmentar e reconstruir a fisionomia das pessoas com pedaços de outras imagens e ainda assim mantê-las reconhecíveis? Partiu então para fotografar cada um dos seus 'heróis'. De posse dos retratos, submeteu-os, em estúdio, a um processo de ampliação com lentes que ele próprio construiu e que produzem cromos de 20 x 25 cm, com definição extraordinária. A partir daí, remontou os retratos, a mão livre, com pastilhas de páginas de revista, feitas com furador de papel. A última etapa é a foto da remontagem, enfim o formato final, em ampliações de até 230 x 180 cm, que dá a impressão de um desenho pontilhista.

(trechos retirados daqui)

Em exposição no Paço Imperial até 12 de outubro.
Deliciosa e gay em todos os sentidos, especialmente o original:

27.9.03

Para Carolzinha:

"...E agora meus ombros se retesavam não pelo que eu via, mas no afã de captar ao menos uma palavra. Palavra? Sem a mínima noção do aspecto, da estrutura, do corpo mesmo das palavras, eu não tinha como saber onde cada palavra começava ou até onde ia. Era impossível destacar uma palavra da outra, seria como pretender cortar um rio a faca. Aos meus ouvidos o húngaro poderia ser mesmo uma língua sem emendas, não constituída de palavras, mas que se desse a conhecer só por inteiro. E o avião reapareceu na pista, numa imagem distante, escura, estática, que salientava mais ainda a voz masculina da locução em off. A notícia do avião já pouco me importava, o mistério do avião era ofuscado pelo mistério do idioma que dava a notícia".

“única língua do mundo que, segundo as más línguas, o diabo respeita”.
Dizem que Cosme e Damião eram árabes e viveram na Sicília, às margens do Mediterrâneo, por volta do ano 283. Praticavam a medicina e curavam pessoas e animais, sem nunca cobrar nada.

O culto aos dois irmãos é muito antigo, registrado a partir do século 5. Contam que, em certas igrejas havia um óleo santo de São Cosme e Damião, que tinha o poder de curar doenças e dar filhos às mulheres estéreis.

Aqui no Brasil, a devoção trazida pelos portugueses misturou-se com o culto aos orixás-meninos da tradição africana. Isso gerou uma festa brasileira, que tem nas crianças os personagens principais.

Os santos mabaças são tão populares quanto Santo Antônio e São João em todo o Brasil. No dia 27 de setembro, crianças saem às ruas para pedir doces e esmolas em nome deles e, depois, as famílias aproveitam para fazer um grande almoço, servindo comida típica da data: caruru dos meninos.

No Candomblé, Cosme e Damião são conhecidos como Ibejis e são os protetores das crianças e muitas vezes aparecem com um irmão ainda menorzinho, o Idowu (Doum), que cuida das criancinhas pequenas. Além de crianças saindo às ruas pedindo doces, no candomblé elas ganham uma festa na qual são chamadas a desempenhar o papel principal. E são as primeiras a se servirem de caruru, em potes pequenos.

Quando eu era bem pequena lá nos cafundós do subúrbio, uma vizinha invejosa apontou para a nossa casa: “Ali tá dando! Ali tá dando!” Era a senha para a molecada formar uma fila diante do portão que se desmanchava em tumulto assim que alguém aparecia à porta com uma bolsa onde deveriam estar os saquinhos recheados de doces.

Mas lá em casa não havia doces a serem distribuídos. Nossa família não oferecia confeitos nem brindes no dia de São Cosme e Damião. E o número de crianças ia crescendo. Alguns garotos, já ansiosos com a espera, temendo perder outras oportunidades, iam subindo no muro, ameaçando pular para o quintal. A situação começava a ficar periclitante. A vizinha gargalhava: “Ali tá dando! Ali tá dando!”

Minha mãe pegou então um grande pote que ficava estrategicamente colocado em casa e decidiu que aquela seria a saída. De avanço, ela jogou moedas para a multidão de meninos que ocupavam nossa calçada. Eu, que naquele tempo, já sabia que dinheiro para nosso clã era sinônimo de trabalho, chorei: “Meu paizinho deu um duro danado pra ganhar esse dinheiro. Quando ele chegar, vou contar tudo.” Na hora ela apenas sorriu, mas depois Mamãe me explicou que parte daquele dinheiro ela também ajudara a ganhar e que ela estava fazendo isso para nos proteger e que ela tinha certeza de que quando eu falasse com Papai ele iria ficar satisfeito porque os moleques ficaram felizes, nós estávamos todos bem e que aquelas moedas não iam nos fazer falta, porque eles iam trabalhar mais e ganhar mais. Ela estava certa.

Hoje faz seis anos que meu pai desencarnou.

(Ilustração: "Cosme e Damião" de Hélio Siqueira)
Recebido por e-mail

Passarinho quer dançar

O Gugu quis enganar
Reportagem quis forjar
E ferrou o SBT
Tchu-tchu-tchu-tchu

Agora vai apanhar
Quem mandou ele brincar
Com o pessoal do PCC
Tchu-tchu-tchu-tchu

Audiência vai cair
Emissora vai falir
E o Gugu empobrecer
Tchu-tchu-tchu-tchu

Não adianta nem chorar
Nem a Hebe se meter
Saiu do ar

A farsa deu merda
Vão te processar
E não vai sobrar, Gugu
Nem carnê do Baú
Pra apresentar

O Gugu quis enganar
Reportagem quis forjar
E ferrou o SBT
Tchu-tchu-tchu-tchu...

21.9.03

CRISE

Domingo. Passa pouco de uma da tarde. Numa grande avenida da Zona Norte carioca separada naquele trecho em duas pistas por um rio que leva o mesmo nome, há duas poderosas churrascarias encarando-se. Diante de uma delas, uma fila colossal torna a calçada intransitável. Com satisfação e paciência, aquelas gentes esperam vagar uma mesa. Por trás do vidro fumê, a vizinha oposta exibe seu enorme salão granítico absolutamente deserto e seus funcionários importados de terras gaúchas tentam parecer ocupados e, graves, atendem a clientes inexistentes.

Quando você pensa em almoçar numa churrascaria, em que você pensa?

Tá bem, tá bem. Certo. Deixe agora de lado o mau humor. Pare de pensar em crianças correndo e berrando, em velhinhos com cara de contrariados porque foram arrastado a lugar tão inóspito por parentes sádicos, em garçons desajeitados pingando sangue de picanha malpassada em sua calça nova, em gerações que se reúnem em torno da mesa para mostrar o orgulho que sentem de sua má educação, em altíssimos decibéis e na desculpa que você vai ter que arranjar pro seu endocrinologista, pro seu personal trainer, pro seu nutricionista e pro seu analista. Pronto. Parou?

Vamos tentar de novo? Você pensa em churrascaria e pensa em carne preparada na brasa. Confere? Picanha, maminha, alcatra, lingüicinha, coraçãozinho... Pra acompanhar uma farofa, de preferência incrementada, batatinha frita, bananinha... Dizem até que alguns pervertidos aceitam quando o garçom de castigo oferece o cupim.

Acho estranho que alguém vá a este tipo de restaurante querendo um sushi. Imagina: “Mô, tô morrendo de vontade de comer um sushizinho. Vamu ali na Vaca Amarela?”

Não rola. Ou rola?

Na cabeça dos empresários do setor sim. Parece que a idéia é atender também a quem vai a churrascaria como acompanhante e não quer saber de churrasco. O problema é que todo simples mortal louco para entregar-se aos - de acordo com a moral vigente - mais vis pecados da carne, paga pela comida japonesa, pelos camarões extra grandes, pelos javalis e avestruzes em que não estava nem um pouco interessado quando combinou com a patroa de se empanturrar antes de passar o resto do dia vendo futebol na TV até fazer bico.

Então o pulo do gato da churrascaria lotada é este. Ela é uma churrascaria que vende – adivinhe! – churrasco e acompanhamentos de churrasco. Por isso cobra preço de churrascaria e não de restaurante metido a besta. Porque quem gosta de restaurante metido a besta – ou sofisticado, como prefiram meus diletos, raríssimos e preciosos leitores – simplesmente não vai a churrascarias.

O responsável pela linda, requintada e abandonada churrascaria do outro lado da rua provavelmente caiu no conto dos manuais que falam em agregar valor e que recomendam que se ofereça mais que o concorrente. Parece que muitas delas caíram nessa história que as empurrou numa espiral que as jogou para bem longe do povão que freqüenta churrascaria. Pode ser o problema da tradução. Ou pode ser que as pesquisas tenham sido feitas com pessoas de outros países. Quem sabe de outras cidades por aqui mesmo. Outro dia li uma entrevista com um desses gênios do mal. Ele inventou o conceito de que um boa pesquisa em São Paulo é representativa do Brasil. É respeitadíssimo. Ganhou uma fortuna durante um tempão só para ficar com a boca fechada.

Mas os restaurantes não são os únicos a reclamar de crise quando tem um monte de gente disposta a pagar por coisas mais com a sua cara por um preço justo.

Atenção empreendedores do setor de vestuário! Sou uma balzaquiana que ganha seu próprio dinheiro e gosta de separar (grande) parte dele para comprar roupas. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o IMC (Índice de Massa Corpórea) normal está entre 18,6 e 24,9 (veja como calcular abaixo). Meu IMC é 22. E eu não encontro roupas do meu tamanho nas lojas! Tem GG – e ergo as mãos para o céu quando tem G e ele é grande mesmo – que não me cabe! Eu tenho dinheiro para comprar roupa, as lojas não querem vender nem pra mim nem pras minha amigas e ainda reclamam de crise. Ora, façam-me o favor! Vocês acham que as adolescentes tem o mesmo poder aquisitivo (e os mesmos problemas a serem resolvidos num shopping) que uma mulher madura e bem sucedida profissionalmente? Alô-ôu! Queridos que estão a um passo da bancarrota, revejam suas estratégias de marketing e o perfil de consumidor que pretendem atingir.

Será que crise não é preguiça de pensar?

***



IMC= Peso corpóreo (em kg) /o quadrado da altura (em Cm)

Por exemplo, para uma mulher de 1,60 m de altura e 54 kg, IMC= 54/ 1,60X 1,60= 21,09
Imparcialidade não é eufemismo destinado a camuflar a ausência de emoções. Trata-se da compulsiva inclinação para a busca da verdade. Seja qual for o fato, tema ou versão, exige contemplação crítica, que não se deve confundir com olhar ressentido.

Ser independente não significa ser contra todo mundo. Proliferam na fauna brasileira espécimes como o arauto da denúncia, o caçador de bandalheira, o correio de má notícia. Mas necessariamente existirão, em qualquer país e qualquer tempo, episódios animadores, homens decentes e boas novas. Até no Brasil. Mesmo nos momentos complicados.


Parece que estou me repetindo?

Mas dessa vez as palavras não são minhas. São do Augusto Nunes, na edição de hoje do JB.

19.9.03

A primeira vez que ouvi sobre Santa Maria Egipcíaca foi num livro de António Alçada Baptista chamado Os Nós e os Laços. Depois descobri que também Manuel Bandeira já havia encantado-se com sua história, literalmente incrível.

Para resumir a história, Maria Egipcíaca, natural do Egito, abandonou a casa paterna aos 12 anos de idade e se tornou pecadora escandalosa. Tinha 29 anos quando, tocada pela graça, converteu-se e fugiu para um local isolado, na Palestina, onde passou 47 anos sem ver nenhuma criatura humana e fazendo as mais austeras penitências.

Ela vivia nua no deserto, porque suas roupas rasgaram-se com o tempo e alimentava-se (por 47 anos!) de três pães que levara para lá quando de seu exílio.

A história fica ainda mais fascinante quando a gente a lê como publicada em Legenda Áurea (Vidas de Santos), de Jacopo de Varazze. Para se ter uma idéia, esse livro, uma reunião de biografias de santos, foi escrita no século XIII "com a intenção de difundir valores morais edificantes e arregimentar um maior número de fiéis para a Igreja Católica". Com a moda de as editoras distribuirem capítulos de cortesia nos balcões das livrarias, a biografia de Maria Egipcíaca acabou caindo de bandeja no meu colo. O mais interessantes são as descrições detalhadas dos pecados da santa que é freqüentemente confundida com sua colega Maria Madalena (as duas foram prostitutas e fugiram do pecado no deserto).

"Entreguei-me publicamente à libertinagem."
"Nunca me recusei a quem quer que fosse."
"Não tenho dinheiro, irmãos, mas posso entregar meu corpo como pagamento."
"Durante os primeiros dezessete anos passados neste deserto fui atormentada pelas tentações da carne."

(Legenda Áurea, Jacopo de Varazze, Companhia das Letras)



Balada de Santa Maria Egipcíaca
(Manuel Bandeira)

Santa Maria Egipcíaca seguia
Em peregrinação à terra do Senhor.

Caía o crepúsculo, e era como um triste sorriso de mártir.

Santa Maria Egipcíaca chegou
À beira de um grande rio.
Era tão longe a outra margem!
E estava junto à ribanceira,
Num barco,
Um homem de olhar duro.

Santa Maria Egipcíaca rogou:
- Leva-me ao outro lado.
Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.

O homem duro fitou-a sem dó.

Caía o crepúsculo, e era como um triste sorriso de mártir.

- Não tenho dinheiro. O Senhor te abençoe.
Leva-me ao outro lado.

O homem duro escarneceu: - Não tens dinheiro,
Mulher, mas tens o teu corpo. Dá-me o teu corpo, e vou levar-te.

E fez um gesto. E a santa sorriu,
Na graça divina, ao gesto que ele fez.

Santa Maria Egipcíaca despiu
O manto, e entregou ao barqueiro
A santidade da sua nudez.

(Ritmo Dissoluto, Manuel Bandeira)



"No texto acima, mais do que à relação opositiva santa/prostituta, segundo a interpretação de Affonso Romano de Sant'Anna, é preciso ater-se ao sentido mais profundo da própria negação do pecado carnal. Com efeito, mesmo considerando a notícia biográfica de que Santa Maria Egipcíaca fora uma prostituta durante sua mocidade, no texto ela aparece como santa, e o corpo que ela entrega ao barqueiro não é o de uma mulher fácil, mas de uma jovem virtuosa. O verso final, a santidade da sua nudez, contém o sentido colocado no poema todo: nudez e santidade não são elementos opostos, antagônicos. Se a nudez é natural e a natureza é criação de Deus, logo a nudez é divina, santa. O pecado não está no corpo, mas na mente; não no ato, mas na intenção. A protagonista do poema, ao entregar-se sexualmente ao barqueiro, não está cometendo um pecado, mas uma obra de caridade, satisfazendo o desejo de um homem triste e abrutalhado pela solidão em que vivia. O amor verdadeiro consiste em fazer a felicidade do outro, não de si; reside em atender com um sorriso (note-se, no poema, a relação entre o sorriso do mártir e o sorriso da santa) às necessidades de quem nos solicita. Acima da doxa, a opinião comum ditada pelas injunções morais, eleva-se o paradoxo poético, revelador de uma verdade não-aparente, convencional, mas profunda, porque atinge a própria essência da natureza humana."
(Teoria do Texto 2 - teoria da lírica e do drama, Salvatore D'ONOFRIO, Ática, 1995)




Ilustrações:

1 - La Juventud de Santa Maria Egipciaca, Emil Hansen Nolde
2 - Relevo da fachada do Colegio de Franciscanos Capuchinos de Santa María Egipciaca (fundado em 1612 em Alcalá de Henares, Espanha), que representa São Zózimo dando a comunhão a Santa Maria Egipciaca
Keith Haring


18.9.03

Ah, sim! Como inveja é um assunto que me fascina, porque eu sou pop fã de primeira hora e uma tia ploc enrustida, já tenho o meu exemplar.
Sem tempo, entre trabalho e agulhas invadindo minhas veias e tubos invadindo meu canal digestivo, só para não deixar isso aqui tão abandonado, algumas coisinhas recebidas por e-mail:

Façam esse teste:
É muito Estranho...
Tire a prova você mesmo, para ver se você tem controle de seu pé direito.
Vale a pena tentar!
Quando você estiver sentado em sua mesa, faça círculos com o seu pé direito no sentido dos ponteiros de um relógio.
Enquanto estiver fazendo isso, desenhe no ar o número "6" com a sua mão direita.
O movimento do seu pé vai mudar de direção... Vai circular em sentido anti-horário...


***


De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

16.9.03

"Nenhum pássaro voa alto demais se ele voa com as próprias asas."
(William Blake, artista plástico inglês)

Iniciei há algum tempo por aqui uma série que falava de pontos históricos polêmicos e que dão margem a várias interpretações. Hoje, depois de abandonada por algum tempo, a série é retomada.

SANTOS DUMONT X IRMÃOS WRIGHT


Quais são os argumentos dos que afirmam que Santos Dumont é o Pai da Aviação? Em que se baseiam os que dizem que a primazia foi dos irmãos Wright?

Irmãos Wright:

Em 1903, fizeram o aparelho Flyer 1 deslocar-se por quase um minuto no ar em dezembro de 1903.

Voaram sem decolagem, sem testemunhas qualificadas nem fotografias.

Desenvolveram a capacidade de manter suspenso e deslocar de forma controlada um veículo mais pesado que o ar.

Aos olhos da FAI, um avião como o dos irmãos Wright, que foi catapultado do alto de um morro, não teria feito um vôo muito diferente de um planador.

A única foto do vôo só foi divulgada em 1908.

Contribuições: Avanços que obtiveram no desenho de planadores. Eles trouxeram o leme da traseira para a frente do aparelho, reduzindo o estol (perda de sustentação que faz o avião cair de bico). Aperfeiçoaram a sustentação das asas e foram os primeiros a conseguir bons resultados com um motor a petróleo. A permanência cada vez mais longa no ar melhorou muito a dirigibilidade.

Perfil: Filhos de pastor protestante. Nunca aceitaram os parâmetros da FAI. Pioneiros no conceito de indústria aeronáutica e primeiros a ter um avião produzido em série.

Caráter: Evitavam a FAI porque não conseguiam decolar e porque temiam a espionagem industrial. Só apareciam em público com modelos patenteados. Não eram idealistas. Queriam construir uma máquina de voar para ganhar dinheiro. Foi somente em 1908, quando voaram em presença de testemunha idôneas, nos EUA e na Europa, que os irmãos Wright ousaram reivindicar seu pioneirismo, relatando suas experiências de 1903, 1904 e 1905. Elas teriam sido interrompidas desde então - quando chegaram a fechar seu hangar e desmontar o aparelho - até 1908 para, segundo suas alegações, evitar uma divulgação excessiva que os impedisse de salvaguardar seu invento, que não fora ainda patenteado. Durante três anos empregaram esforços para suscitar o interesse e a presença de jornalistas e de público para assistirem a suas tentativas - na única em que conseguiram atrair uns e outros seu intento malogrou e ainda assim entraram em pânico ante a possibilidade de que a divulgação de sua invenção permitisse que lhes tomassem a dianteira.

Em 1908, apresentaram em Paris o Modelo A, que voou mais de 120 quilômetros (os outros não passavam de 50 Km).

Seus aviões não saiam do chão por conta própria.


Santos Dumont:

Controlou o processo, decolando, deslocando-se no ar e pousando. Este era o critério vigente no início do século XX.

Registros oficiais da Federação Aeronáutica Internacional (FAI) atestam o pioneirismo de Santos Dumont.

Era critério importante, na época, a exigência de uma comissão idônea para avalizar os resultados de um invento. Como nos esportes olímpicos, só valem como recordes as performances oficiais.

Em 12 de novembro de 1906, o campo de Bagatelle, em Paris, estava lotado, e o desempenho do 14 Bis foi oficialmente considerado o primeiro vôo em um veículo mais pesado que o ar.

Contribuições: Conseguir um motor com potência suficiente para tirar do chão uma aparelho mais pesado que o ar, sem catapulta nem ajuda do vento. Melhorar a estabilidade lateral do avião, como aleirão (mecanismo que até hoje permite que o aparelho gire sobre seu próprio eixo, equilibrando as duas asas). Invenção do trem de pouso.

Perfil: Filho de família rica; herói na França depois de dar a volta na Torre Eiffel num dirigível; bem vestido, lançador de moda; grande anfitrião (entre os comensais que freqüentavam sua casa: Gustave Eiffel, Louis Cartier e a princesa Isabel). Submetia-se às regras da FAI.

Caráter: Abriu mão de um prêmio em favor dos mecânicos de sua oficina. Jamais patenteou um invento (publicava projetos em revistas).

Outras invenções: Relógio de pulso, hangar, protótipo do hidroavião, horizonte artificial (informa a inclinação do avião).

***


Curiosidade:

Trechos da carta de Wilbur Wright a ao Capitão Ferber (lobista da primazia dos Wright):

"Tomamos conhecimento, meu irmão Orville e eu, por meio de uma correspondência de Paris publicada no New York Herald, que o público francês demonstrou grande apreço por um vôo de 220 metros em linha reta do Sr. Santos Dumont sobre um aeroplano de sua construção. Gostaríamos de receber informes corretos sobre essas experiências de Bagatelle e desejamos muito que o senhor nos faça um relato das provas e uma descrição da máquina voadora, acompanhada de um esquema.
(...)
Nós já vimos, na reprodução do New York Herald, que o aeroplano pousa sobre três rodas, e deduzimos que é necessário ao Sr. Santos Dumont, para iniciar seu vôo, rolar sobre um campo grande e bem uniforme. Com o pilar de lançamento que nós empregamos, Orville e eu, nós saltamos direta e velozmente no ar de uma forma muito mais prática."

(Do livro de Aluizio Napoleão - Santos Dumont e a conquista do ar.)


(baseado em artigos de Hélio Bloch e Lucila Soares)

11.9.03

A crow was sitting on a tree, doing nothing all day. A small rabbit saw the crow, and asked him, "Can I also sit like you and do nothing all day long?" The crow answered: "Sure, why not." So, the rabbit sat on the ground below the crow, and rested. All of a sudden, a fox appeared, jumped on the rabbit and ate it.

Lesson?

To be sitting and doing nothing, you must be very, very high up.
Todos vivemos sob o mesmo céu, mas ninguém tem o mesmo horizonte!

Konrad Adenauer

10.9.03


Recebidos:

- Bombons de cupuaçu acomodados em mini-canoa talhada em madeira e enrolados com fita de sisal tingida de verde.

Porque comer é um verbo que se conjuga com todos os sentidos.

9.9.03

Costumo dizer que não sou siamesa de ninguém. Isso inclui familiares de sangue, marido e amigos. Pessoas que eu amo podem e devem ter opiniões diversas sobre os mais diversos assuntos, de religião a criação dos filhos, de política a gosto artístico.

Tem muito tempo que me liberei também das comparações. E isso pode ser bem complicado para quem, como eu, vem de uma família onde as filhas, todas mulheres, têm idades muito próximas. Deixei o mundo saber da minha dispensa em relação ao metro alheio quando um belo dia minha mãe veio mais uma vez com a ladainha:

- Puxa! Sua irmã não faria assim. Você é tão diferente dela.

Ao que respondi com um retumbante “Graças a Deus!” que calou este tipo de chantagem para todo o sempre. Amém!

Entretanto ser unique e manter opinião própria não exime a necessidade de pontos de contato com aquelas pessoas que tocam nosso sentimento. Em seu livro Decifrar Pessoas, Jo-ellan Dimitrius afirma que duas coisas são fundamentais para saber muito sobre determinado espécime humano. A primeira delas é conhecer a visão que o objeto de observação tem do mundo e seu próprio papel nele. Ele é uma pessoa satisfeita (ou amarga), otimista (ou só vê sombras), feliz com os resultados das decisões que tomou vida afora? A segunda diz respeito à compaixão, sua generosidade em compreender os limites alheios, sua disposição em ajudar, sua capacidade de perdoar. Assim, sabendo dessas duas coisas sobre uma pessoas pode-se dizer quem ela é e possivelmente prever como reagirá diante de determinada situação.

Claro que existem muitas outras pistas. Algumas pessoas conhecem intuitivamente, outras estudam para aprender mais sobre o assunto. Tem gente que usa conhecimento e dom para o bem. Muitos arúspices tentam fazer um gordo pé de meia apenas usando o que para alguém com alguma sensibilidade é transparente nos transtornados pela dor e tristeza. Ou será que alguém procura vidente/curandeiro quando está pleno? Com algum treino em observação, a margem de acerto pode ser altíssima.

Pois deixando de lado as entranhas, já notei que rapidamente posso dizer se determinada pessoa pode vir a ser um chegado. Trata-se da visão desse ente em relação a dois assuntos. Não que esses pontos sejam pré-requisitos para alguém tornar-se meu amigo. Simplesmente são questões emblemáticas, que contam muito sobre a forma como se observa o mundo e a humanidade.

Empiricamente afirmo que quem vê na cidade do Rio de Janeiro, além de mazelas, uma Cidade Maravilhosa e todo aquele que entende a pena de morte como uma abominação vai ter muitas outras coisas em comum comigo e tem grandes chances de vir a ser uma pessoa muito querida.
I defenestrated a clock to see if time flies!
--Lane Smith

8.9.03

Sim, eu engulo. É verdade. Às vezes. Por amor ou amizade.

Conversando com amigas, lembramos de um episódio já ocorrido há algum tempo. Recordávamos que alguém se comportou de maneira bastante inconveniente e que eu “engoli” a situação. Todos tinham memória do fato. Todos perceberam que a situação era desconfortável. E quando eu disse que este era um dos motivos pelos quais eu não apreciava especialmente esta pessoa, responderam:

- Engraçado... Pensamos que você tivesse gostado. Você não reagiu.

É verdade. Em parte. Ao contrário do meu hábito, fui sutil. Tentei me esgueirar para fora da situação, mas a criatura em questão insistia. A partir da minha terceira tentativa de dar fim ao caso, só voltando ao meu normal e sendo direta e nem sempre polida.

Quando amigos falam, eu ouço. Geralmente têm algo a ensinar sobre nós mesmos. E porque eram amigos falando, fiquei pensando sobre o caso. Diante de tamanho desconforto para mim, porque não reagi?

Era um dia muito especial. Era além de especial, eu diria que único. Eu estava cercada de pessoas queridas, e o momento era de congraçamento. Já havia sido apresentada à pessoa em questão anteriormente e meu santo não cruzou com o dela, mas ali ela foi introduzida como amiga de amigas. A todo instante, a anfitriã referia-se a ela com enorme carinho.

Sim, eu poderia ter sido áspera com ela e tê-la feito parar de me importunar. Mas seu comportamento era perturbador, mas não insuportável. Ela não valia uma deselegância com a dona da casa, o estremecimento naquele clima alegre, a ruína da tarde.

Sim, eu engoli. Por amizade.

E engulo todos os dias, por amor a terceiros e por pena do agente do meu desconforto.

2.9.03

Quem acompanha este blog desde os primórdios, já viu Platão e a Alegoria da Caverna por aqui.

Agora achei esta versão prá lá de bacaninha.

1.9.03


Pedro conheceu Miró
e prestou uma homenagem


Miró by Pedro

O Espaço Sideral, 2002


Beatriz Milhazes

A Lenda

A Lenda, 2002
Discutindo cinema com um moleque de 8 anos:

- Mamãe, Papai, por que o Leléu deixou tudo pra trás e seguiu o Zeppelin? Ele foi atrás da beleza, né?
- É. E da liberdade e do intangível.
- O que é intangível?
- É o que não se pode tocar.
- Ah! Agora eu entendi.
- Cadê a ferramenta de comentário que estava aqui?
- O gato comeu.
- Cadê o gato?
- Foi pro mato.
- Cadê o mato?
- O fogo queimou.
- Cadê o fogo?
- A água apagou.
- Cadê a água?
- O boi bebeu.
- Cadê o boi?
- 'Tá amassando trigo.
- Cadê o trigo?
- A galinha espalhou.
- Cadê a galinha?
- 'Tá botando ovo.
- Cadê o ovo?
- O frade bebeu.
- Cadê o frade?
- 'Tá rezando missa.
- Cadê a missa?
- 'Tá no altar.
- Cadê o altar?
- 'Tá no seu lugar. Foi por aqui, aqui, aqui, tic, tic, tic...

***


Os sem-noção:

- quem instala software de sacanagem no seu (não no dele, no seu) computador de trabalho;
- quem entra numas de competição (meu pai é mais forte que o seu, minha mãe é mais bonita que a sua, meu vestido é mais enfeitado que o seu).

***


Esperava o quê, Carlinha Cintinha depois de acarajé, pato, ovo de codorna com molho, pastinhas mis, lombo com feijão (e todos os "avec"), chocolates, sorvete, fruta em calda e tudo o mais que a amnésia pela dignidade retirou da sua lembrança?

Vida longa aos grandes propósitos das segundas-feiras!

***


Procura-se um dia de sol desesperadamente.

31.8.03

Minha diarista contou que foi à noite, sem carro, debaixo de chuva à Rodoviária Novo Rio para pegar uma pessoa que ela não conhecia, que ia ficar hospedada na casa da vizinha, que também não conhecia a própria hóspede.

Achei a história esquisita e fui perguntando.

A moça veio para a Meia Maratona.

Pobre, pobre, pobre, apenas sua paixão a patrocinava. Deu sorte. Numa outra corrida, chegou em terceiro lugar, chorou de emoção, pôs a cara na Rede Globo. O prefeito da pequena cidade mineira onde mora resolveu capitalizar em, quem sabe, futuros votos a projeção de sua concidadã. Como a prefeitura não dispõe de verba para investir em esportes e esportistas, toda vez que há um evento de porte, ele mobiliza a comunidade para angariar fundos e fazer com que a moça chegue até lá. Desta vez o dinheiro só deu para a passagem de ônibus. Ela não tinha onde ficar.

Mas uma amiga da prima da cunhada ou algo assim conhecia a vizinha da minha diarista e estabeleceu-se a corrente para garantir que a heroína do esporte não ficaria ao relento em seu destino.

Ela chegou por aqui feliz da vida, com suas muitas tranças decoradas de verde e amarelo como identificação. Talvez ela não soubesse então que o lugar que a iria receber na Baixada Fluminense não faz parte da Cidade Maravilhosa. Mas isso não tem a mínima importância. Como também não tem a mínima importância ela não ter sabido da minha torcida.

29.8.03

"É preciso pensar para acertar, calar para resistir e agir para vencer!"

27.8.03

De Sacilotto eu gosto.
"Se chiar ajudasse, sal de frutas não morria afogado."
(frase de caminhão)

"Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beetoven compunha, como Shakespeare escrevia."
(Martin Luther King)

"O chato nunca acha que o chato é chato."

(provérbio chinês)

"Por que me odeias tanto se eu nunca te dei a mão?"
(provérbio chinês)

"O problema de mentir é que isso vai depender de o mentiroso ter uma clara noção da verdade a ser escondida. Nesse sentido, a verdade, mesmo aquela que não aparece em público, tem uma primazia sobre toda a falsidade."
(Hannah Arendt, filósofa alemã naturalizada americana)

"Quando alguém está com medo da verdade, então é sempre uma meia verdade que o está ameaçando."
(Ludwig Wittgenstein, filósofo austríaco)

"O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas o desejo de descobrir, que é justamente o oposto."
(Bertrand Russell)

"O caos freqüentemente alimenta a vida, enquanto a ordem alimenta o hábito."
(Henry Adams, historiador americano)

"É parte da cura o desejo de ser curado."
(Sêneca, o jovem - filósofo romano)

"Os sábios aprendem com os erros dos outros, os tolos com os próprios erros e os idiotas não aprendem nunca."
(Provérbio chinês)

"Conhece-se o coração de um homem pelo que ele faz, e a sua sabedoria pelo que ele diz."
(Provérbio persa)

"É preciso grande sabedoria só para perceber a extensão da própria ignorância."
(Thomas Sowell)
Madeira Urbana

26.8.03



Ofélia (1894)
Paul Albert STECK



Para Freud, Hamlet era um histérico que aparentava ter, como demonstram suas atitudes para com Ofélia, repulsa ao sexo.

Encontra-se um comportamento misógino na violência com que Hamlet trata Ofélia "Ha, ha, are you honest?" (ato III, cena 1) e adiante ele diz a ela: "Or, if thou wilt needs marry, marry a fool; for wise men know will enough what monsters you make of them". Na segunda passagem, o "you" refere-se a todas as mulheres e o tratamento dado a Ofélia, qua aparece como vítima da tragédia, é causado pela raiva contra sua mãe e um ódio histérico das mulheres produzido por sua loucura. Alguns defendem Hamlet dizendo que ele trata Ofélia dessa forma porque está afetivamente desiludido e desconfia que ela tenha ajudado sues inimigos: quando ele diz "where’s your father?" (ato III, cena 1) ele havia percebido que Polônio o estava espionando.

De acordo dos diálogos da tragédia, Hamlet alerta seus amigos de que ele possívelmente vai fingir-se de louco. Se Hamlet realmente era louco, fingia-se de louco ou era considerado louco, é um assunto que tem suscitado discussão dos críticos por muito tempo.

Ofélia aceita encontra-se com Hamlet porque quer ajudá-lo; depois de um animador começo, Ofélia desperdiça suas chances com a tola estratégia feminina de acusar Hamlet de rejeitá-la. Então ele lança um ataque ainda mais feroz contra ela, mandando-a para um convento: "Get thee to a nunnery. Why wouldst thou be a breeder of sinners?" (ato III, cena 1).

Embora não haja nenhuma evidência textual que sustente que Ofélia cometeu suicídio, já que a peça mantém a hipótese de que ela afogou-se, realmente parece que ela não pôde ver nenhum bom destino para sua vida futura. Sua vida futura só poderia ser a morte. A Rainha descreve o afogamento de Ofélia que, tendo perdido a razão depois da morte do pai, supostamente caiu em um riacho e foi afundando lentamente, à medida que suas roupas se encharcavam.

A morte de Ofélia

Ernest Legouvé

Perto de um riacho, Ofélia
Colhia, seguindo a margem,
Na sua doce e terna loucura,
Pervincas, botões de ouro,
Lírios cor de opala,
E flores de um rosa pálido
A que se chama dedos de morto.

Depois, elevando nas suas brancas mãos
Os ridentes tesouros da manhã,
Ela os suspendia aos ramos,
Aos ramos de um salgueiro vizinho.
Mas demasiado fraco o ramo se dobra,
Quebra, e a pobre Ofélia
Cai, com a grinalda na mão.

Alguns instantes o seu vestido avolumado
A suporta ainda sobre a corrente
E, como uma vela desfraldada,
Ela flutuava sempre cantando,
Cantando alguma velha balada,
Cantando como uma náiade
Nascida no meio desta torrente.

Mas esta estranha melodia
Passou rápida como um som.
O vestido pesado pela água
Depressa no abismo profundo
A pobre insensata arrastou,
Deixando apenas começada
A sua melodiosa canção.


"How can I actually blame women for waiting for the man? The man does not want anything else, either. There is no man who would not be flattered if a woman reacted to his sexuality. Hatred towards women is nothing else but hatred towards one's own still unconquered sexuality."
Weininger
Meninos, eu vi (e ouvi):

Na estação final do metrô em Copacabana, um pitboy, daqueles que a gente reconhece logo pela orelha de repolho, perguntava se aquela era a plataforma correta para quem queria ir em direção à Zona Norte.

Atrás dele uma cartaz anunciava que o Cemitério Memorial do Carmo era o único com qualidade de vida.

25.8.03

KEITH HARING



Costumo dizer que sou uma ilha ariana cercada de virginianos por todos os lados. Nem sou tão zodiacal assim, mas preciso reconhecer que estas listas de características são bem divertidas. Claro que quem leva Astrologia a sério considera este tipo de coisa como generalidade, que o que importa mesmo é o mapa astral.

Mas achei ótimo quando outro dia encontrei uma outra abordagem. Não tinha nada de "os nascidos sob este signo são sensíveis" ou "os nativos são líderes natos". Nananinanão! Eram os supostos defeitos de cada signo, exatamente aquilo que não se está procurando quando se lê este tipo de coisa. Aquilo que os inimigos comentam pelas costas sobre pessoas como você.

Olhem o que, segundo eles, andam tricotando sobre mim:

Áries

Mandão você, hein? Mas qual o problema se você é tão honesto, integro, independente e poderoso? Nenhum! Nenhum mesmo? Claro que tem problema! Você é o tipo que gosta de tudo do seu jeito, caso contrário parte para a pancadaria. Mas, no fim das contas, não consegue influenciar ninguém. No trabalho, por exemplo, quando cobram muito de você, pode se irritar, ou até se vingar praticando alguma fraude. Raramente permanece muito tempo em um emprego. Carreiras adequadas para você são as de ator ou projetista, caixeiro viajante, arquiteto, escritor autônomo. Também pode brilhar muito como sogra, pai ciumento ou lutador de sumô.


Achei bem a minha cara mesmo. Mas fraude é intriga da oposição. E lutador de sumô é a p...

Bom, agora, em homenagem ao período que se incia, vejam o mar que me cerca:

Virgem

Sério, trabalhador, analítico e odeia desordem. Assim é você. Pode ser considerado reservado e até falso de sentimento, mas isto é porque vive tentando ocultar sua natureza nervosa e contraditória por trás de uma aparência banal. Detesta ouvir um não como resposta e sua natureza inquisitiva o torna bastante inescrupuloso e mais apto para o trabalho em escritórios ou bibliotecas do que em oficinas. Vacilão e desconfiado, não consegue tomar decisões. Muitas vezes foge à responsabilidade e prefere trabalhar como empregado. Detalhista e sabe-tudo chega a virar tema de piadinhas feitas por seus amigos e colegas de trabalho. Em suma, você é despido de emoções e tem um coração gélido. Alguns dizem que você é até capaz de dormir enquanto faz amor. Aposte em profissões como cobrador de ônibus, costureiro ou jardineiro. Também podem ser excelentes guarda-livros e estatísticos, editores e químicos analistas.


(defeitos de outros signos aqui)

Achou cruel? Você ainda não viu nada.
Olhem só o que eu achei no nº 29 (agosto de 2001) do Almanaque Brasil que é (ou era) distribuído pela TAM:

Virgem

Astréa, admitida entre as constelações; Diana, para uns, Ceres para outros, preside o pudor. _ Êste signo Zodiacal revela tendências para a castidade, celibato. Faz tardios os casamentos. O homem nascido é bem conformado, generoso, espiritual, discreto e benfazejo. Procurará àvidamente alcançar honras, sobretudo na vida eclesiástica. Será muitas vêzes ludibriado e roubado por causa de sua ignorância nas várias espécies de ardis. Relativamente abastado, sua fortuna será imobilizada. _ As mulheres, egoístas, estéreis, enganadoras, pérfidas, garridas, cobiçosas e inconseqüentes, pensam mal e riem do pensar alheio; no entanto, um bom aspecto de vênus atenua êstes maus presságios. Corações frios, secos, nada inclinados à bondade, apesar de suas maneiras adocicadas, que nunca abandonam. A idade torná-las-á melancólicas e más, folgando íntimamente com os males do próximo.

"O MÊS HOROSCÓPICO", condensado do Almanaque Eu Sei Tudo, 1955, 35º ano. Mantivemos a grafia da época.


Como eu disse, vivo cercada de virginianos, e pelo bem da convivência pacífica, não posso dizer precisamente se e quais pontos estão certos e quais mereceriam algum reparo.
O Fel também é Coisa de Crioulo

22.8.03

O Zamorim falou tudo o que eu sempre quis dizer sobre a "máfia das multas" aqui.
Idiotice mundial:
Grã-Bretanha barra brasileiros que erraram questões sobre Beatles

Viva o turismo interno!

Quem manda esse povo suar pra ganhar dinheiro aqui e querer gastar lá fora?

Bem feito!

E a lei da reciprocidade?

Para assistir aos desfiles de escola de samba, os gringos agora vão ter que responder questões sobre Tia Ciata?

21.8.03

Existe forte possibilidade de que tenha havido um caso de pedofilia no governo carioca.

Parece que engravidaram a Garotinha.

20.8.03

Estou para descobrir coisa mais pentelha que o anti-spam do UOL...
"Tomado emprestado" do Mosaico Cultural:

Analfabeto Político

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil, que de sua ignorância política, nasce a tristeza, a prostituição, o menor abandonado, o assaltante, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais."


Bertold Brecht
Conheci a Danny numa festa de uma amiga em comum, que depois descobri que era festa de aniversário de outras pessoas também inclusive a própria Danny. Ela falou que já conhecia o Fel. Fui lá conhecer o espaço dela também.

O legal de conhecer gente nova é que você vai descobrindo afinidades. Ela faz uma divulgação cultura bem interessante, mostrando um monte de dicas bacanas. Vai ver.
Manifesto


Tenho muito medo de gente estúpida.

Também fico ressabiada com quem vai pintando o cabelo de uma cor cada vez mais clara e acha que ninguém vai perceber. E também de homens de peruca ou que tingem os cabelos para esconder os brancos.

Tenho verdadeiro pavor de sararás que evitam apresentar-se com a família, daqueles que investem em blondor para pêlos que não ficam à mostra, esquecendo que a cor escura de certos pontos anatômicos não pode ser disfarçada.

Olho com suspeita quem se veste sempre de cor-de-rosa. São as portadoras da síndrome de Barbie. Ou de quem está sempre de preto, seja por morbidez genuína ou por fashionite crônica.

Fujo como o diabo da cruz do povo que diz que prefere os animais aos humanos. Diante do espelho devem continuar zurrando para cultivar a auto-estima.

Evito a todo custo quem já passou dos vinte e cinco e insiste no tatibitate para demonstrar ou simular afeição.

Em noites sem lua procuro ficar longe de eco-chatos, artistas em eterna busca de verba para o projeto que só eles acham genial, o pessoal que termina frases de reclamação com a expressão “só no Brasil“, o denuncista, quem tem contatos quentíssimos que explicam só pra ele tudo o que está por trás de qualquer assunto, gente que abusa de expressões em latim e qualquer outro intelectualóide fajuto.

Nunca tenho roupa para festas onde sei que vou encontrar quatrocentões legítimos ou falsificados e wannabes porque detesto Halloween.

E ainda sou capaz de fazer xixi na calça se num beco escuro à meia-noite cruzar com um hipócrita.

18.8.03

Ingredientes

Nove crianças de oito anos da turma da escola do seu filho (incluindo o próprio);
Uma professora;
Uma estagiária normalista;
Uma mãe que não sabe se vai se arrepender por ter oferecido a própria cozinha;
Uma avó;
Uma diarista;
Uma pai que aproveita a folga entre o almoço e o médico para vir dar uma olhada nessa loucura.
Dois quilos de banana;
700 g de açúcar;
cravo e canela a gosto;
Um copo d'água para cozinhar o doce;
Muitos copos d'água para as gargantinhas secas de tanto falar e para rebater o doce.

Modo de fazer

Misture tudo na cozinha da sua casa e torça para que dê certo.

Rendimento

Muitas gargalhadas.

15.8.03

Ontem fiquei refletindo sobre a mania que os brasileiros têm de reclamar. E pensei mais ainda em outro hábito pior - pelo qual nutro especial implicância - de terminar as frases em que comenta algo que acha negativo com "só mesmo no Brasil".

Pensei muito sobre isso enquanto via as reportagens sobre o apagão noe EUA e no Canadá ontem/hoje. Lembro que quando teve um blecaute aqui no Brasil, há um ano e meio mais ou menos, eu estava de férias em Recife e só fiquei sabendo, comprometida que estava de me manter afastada dos noticiários catastróficos, por causa dos transtornos causados por todo o país, com atraso de vôos, dificuldade de completar ligações telefônicas, etc. Caramba, como eu ouvi por aqueles dias "só mesmo no Brasil". Pois é, só mesmo no Brasil que tem blecaute e ninguém pensa que é um mega atentado terrorista nem a Terceira Guerra Mundial.

Aí hoje achei um recorte (estou arrumando coisinhas por aqui) com uma das listas publicadas na revista Domingo. Là no finzinho da lista estava:

10 - Complexo de vira-lata. Termo de Nelson Rodrigues. O dramaturgo dizia que era assim, com trauma, que o brasileiro se enxergava no mundo.
O show é só no sábado, mas posso afirmar com todo o coração que mais que ontem e menos que amanhã EU DETESTO A XUXA!

Vejo que estou fazendo um bom trabalho como mãe quando percebo que, mesmo sem externar diante dele sentimentos tão pouco nobres, o pimpolho também nutre a mesma antipatia.

Quem manda a loura lambida berrar cacofonias no pobre ouvidinho dele (de todos nós) até de madrugada? E em playback para piorar!

Deixa eu falar de novo? EU ODEIO A XUXA!

14.8.03

Uma vez a Carol contou que na França tinha um esquema de hospedagem em que as pessoas abriam as portas das próprias casas para receber turistas. Logo depois, descobri que aqui no Rio tinha algo parecido. Separei a matéria, mas foi numa daquelas épocas em que eu estava lotada de serviço e só agora reencontrei o recorte de revista.

Trata-se da hospedagem estilo bed and breakfast. Uma família anfitriã abre sua casa para receber turistas, oferecendo quarto com banheiro, café-da-manhã caprichado e recepção calorosa. Fica mais em conta que uma temporada num hotel e permite uma aproximação maior com os moradores e com os costumes da cidade.

Em Santa Teresa já há sessenta opções de quarto em casas confortáveis. A diária varia entre 65 e 200 reais, dependendo do conforto: ar-condicionado, tamanho do quarto, tipo de casa e troca de roupa de cama.

Cada turista é alocado de acordo com seu perfil, porque os organizadores cruzam as fichas dos hóspedes com a dos anfitriões, juntando pessoas com o gosto parecido. Há opções para todos os perfis.

Os responsáveis pelo programa são o designer João Vergara, o engenheiro Leonardo Rangel, o guia de turismo Carlos Cerqueira e a produtora cultural Roberta Alencastro.

Na lista de imóveis tem sobrados históricos, lofts com pé-direito altíssimo, quartos com jardim-de-inverno ou com vista estonteante da cidade.

Mais do que oferecer um novo serviço no ramo de turismo, o objetivo dos organizadores do bed and breakfast de Santa Teresa é incrementar o desenvolvimento do bairro. O grupo tem projetos para promover a melhoria do comércio, dos serviços e das atrações de Santa Teresa.

Segundo o subsecretário municipal de Turismo, Paulo Bastos Cezar, esse projeto atrai um novo tipo de turista, mais jovem e interessado em cultura.

Aqui alguns endereços de B&B's em Santa Teresa

(Resumido e adaptado a partir de matéria publicada na Veja Rio em 16 de abril de 2003)

13.8.03

Apesar do monitor de merda para o qual estou olhando agora (o meu está na UTI), da conexão carroça que insiste em ficar encarnada por aqui, da minha maquininha penélope charmosa no pronto-socorro, as coisas estão fluindo...

E bem.

Daí que ela vai estorricar o olho, mas não me derruba.

10.8.03

O que será que significa um ovo com duas gemas?

7.8.03

Recebido por e-mail
(não sei quem é autor, se você souber, por favor, avise, que merece todo o crédito)

Frase do Dia:

"Briga de audiência é foda. Sílvio Santos diz que vai morrer, aí o Roberto Marinho vai e morre primeiro."
Lembro do Pida desde sempre, da porta da escola, do ponto de ônibus, dos finais de tardes, quando, de banho tomado para esperar Papai e Mamãe que já iam chegar do trabalho, a empregada nos subornava com doces para que com brincadeiras de correr não nos sujássemos e desmantelássemos.

Era sempre uma deliciosa emoção infantil vê-lo dobrando uma esquina e ouvir de longe: "Olha o doce. Quem ainda não pediu que pida."

Sempre tinha alguém bem-intencionado para dizer que o certo era "peça", mas o Pida docemente respondia que ele sabia, mas que tinha iniciado a carreira falando errado e aquela tinha virado sua marca registrada. Nunca soube seu nome verdadeiro, mas dizem que, com seu pregão analfabeto, o Pida fez de todos os filhos doutores.

Depois de adulta comecei a reparar em flexões que crianças pequenas e pessoas de pouca instrução formal utilizam e tenho a impressão que são mais intuitivas ou vêm do português arcaico, mais parecido com o espanhol, mantido em áreas que permaneceram por muito tempo isoladas da corte.

Maninho parece diminutivo de hermano, não de irmão. Algumas pessoas no interior ou nordeste brasileiro utilizam entonces no lugar de então e petcho no lugar de peito.

Hoje estou sendo apresentada à música de Juanes e sua premiadíssima "A Dios le pido" do CD recordista do Grammy Latino Un Día Normal, sobre os quais eu tinha apenas lido.

6.8.03

Os maus não estão proibidos de entrar no céu. Somente os bobos estão impedidos de ali penetrar, pois são incapazes de admirar as complexas belezas do Paraíso. Não existe maior ofensa ao Criador do que não lhe reconhecer o mérito, a competência.

(Jorge Luís Borges, citando Emanuel Swedenborg)

5.8.03

Antes, respondia àquela pergunta dos sem-assunto com um não.

Agora respondo cantando:

Eu e a Brisa
(Johnny Alf)

Ah! se a juventude
Que esta brisa canta
Ficasse aqui comigo mais um pouco

Eu poderia esquecer a dor
De ser tão só
Prá ser um sonho...

Dai então , quem sabe alguém chegasse
Buscando um sonho
Em forma de desejo...
Felicidade então prá nós seria


E , depois que a tarde
Nos trouxesse a lua
Se o amor chegasse
Eu não resistiria
E a madrugada acalentaria

A nossa paz...

Fica ...
Oh! brisa fica pois talvez quem sabe
O inesperado faça uma surpresa
E traga alguém que queira te escutar
E junto a mim , queira ficar...
Pobre blog abandonado...

E imagino que ao verem este espaço assim entregue às moscas pensem que nada acontece, que nada tenho a dizer, que nada interessante tenho visto, ouvido, provado... Pelo contrário. É quando a vida fica mais atribulada e/ou interessante que preciso silenciar por aqui.

Minha mãe me entregou, no final de semana uma folha retirada de um jornal de 1937. Ali, o proclama do casamento da minha avó e do meu avô. Também consta desta relíquia familiar os nomes completos dos meus quatro bisavós maternos, que eu não sabia. Estou pensando em uma restauração porque quero deixar isso em boas condições para ele.

O papel estava entre as coisas da minha tia-avó, detentora da nossa história ancestral, falecida há um par de anos. Seu filho mais velho, Tio Carlinhos, ficou como guardião do legado (que se tinha tal documento deve ter outras coisas incríveis). Bem, o Tio Carlinhos não era meu tio. Ele era primo da minha mãe, portanto meu primo em segundo grau, mas como era mais velho, este foi o tratamento carinhoso que adotamos para ele. Ele se foi há alguns meses e a caixa de família foi parar com a próxima na seqüência etária, minha madrinha. E foi ela que achou que o material estaria mais adequado nas mãos minha mãe, já que eram os nomes dos antepassados desta que estavam ali. E quem freqüenta este blog há muito tempo e chegou a testemunhar meu biso e ecos do seu tempo ilustrando este espaço, imagina que não foi o simples fato de eu ser a primogênita que fez o jornal vir parar aqui em casa.

Tudo isso pode parecer bobagem, mas acho interessantes as marcas, os rastros que os seres humanos deixam de sua passagem por esta terra. No mesmo encontro com minha mãe, ela mostrou o livro do Tio Carlinhos. Como contei por aqui na época de seu falecimento, ele pôs o ponto final no tal livro pouco antes de sair para jogar bola e ter um ataque cardíaco fulminante. O livro falava justamente sobre a praça onde isso aconteceu e o lançamento póstumo da obra foi também ali, na praça que agora tem o nome dele.

Na mesma Vila da Penha, o pedreiro Evandro, aquele que montou uma biblioteca comunitária em sua garagem, escreve um livro. É justamente sobre as pessoas importantes mas anônimas que passaram pelo bairro. Talvez o nome do meu tio figure no livro do Evandro.

Penso nessas coisas e imagino se algo na minha vida valeria uma citação num livro desse tipo...

1.8.03

Sacolas A4
by Ruth Castro


Papéis, pastas, fotos, discos, livros e o que mais quiser. As sacolas A4, de Ruth Castro, servem para guardar documentos do formato que lhes dá o nome e outras coisitas mais, sem prejuízo da integridade de seu conteúdo.

Há 21 anos na estrada como produtora e divulgadora, Ruth criou a primeira sacola para uso próprio. A lona de caminhão, além do aspecto rústico intencional, garantia a segurança e a resistência necessárias ao material de trabalho que carrega diariamente. Logo vieram as perguntas sobre a procedência da bolsa e as primeiras encomendas. Ao modelo original, se somaram variações de cor, de tecido, tamanho e tipo de alça, um diferencial decisivo em cada versão.

A idéia da etiqueta A4 surgiu após alguns jornalistas, músicos e divulgadores já terem aderido às sacolas. Ruth teve o insight para o nome depois que a jornalista Iesa Rodrigues destacou a conveniência dos formatos da bolsa em matéria da Revista de Domingo, Jornal do Brasil de 29 de junho: um tamanho perfeito para quem precisa carregar aquela papelada de trabalho e manter o visual incólume.

Para comemorar o sucesso deste projeto que nasceu despretensioso, Ruth preparou uma “instalação” com todos os modelos de sacolas já criados até agora. O local não poderia ser mais propício: em meio à Feira Rio Antigo, que acontece no primeiro sábado de cada mês, na Rua do Lavradio, centro do Rio. Durante o próximo sábado, dia 2, as bolsas estarão expostas na calçada em frente ao Espaço Mãe Divina, onde, aliás, alguns exemplares já estão à venda desde o mês passado. Quem aparecer por lá, além de conhecer as sacolas A4 e ter acesso a descontos exclusivos, ainda fará um belo passeio cultural pelo centro da cidade.

Serviço:
Sacolas A4, by Ruth Castro
Feira Rio Antigo – em frente ao Espaço Mãe Divina
Rua do Lavradio, 182
Telefone: (21) 2242-3638
Horário: das 9h às 18h
OBS: Serão servidos chás variados durante a instalação.
Contato: (21) 2443.3713 / 9885.2372 // e-mail: ruthrcastro@yahoo.com.br

26.7.03

Hoje (ou epítome da vida):

Meu filho escreveu no papelzinho que foi colado sobre tampa a caixa de sapatos:

"Aqui jaz a Terry, uma hamster amada pela família Conteiro Pessanha.
2002-2003

Ela se foi com um ano e meio."

***


Meu filho perguntou à vendedora da loja de sapatos se poderia levar o tênis novo já calçado nos pés.

Ele envergava orgulhoso o pisante que irá acompanhá-lo em muitas aventuras agora que foi gloriosamente fisgado por um olheiro que acha que ele é um grande goleiro.

25.7.03

O relacionamento de muitos casais é uma complicada mistura de jogos, onde os ressentimentos acumulados e a amargura produziram versões intrincadas e repetidas de "Gritaria", "É Sempre Você", "Imperfeição", "Igulazinho ao Seu Pai" e "Se Não Fosse Por Sua Causa Eu Podia". As regras e os movimentos estereotipados desses jogos estão catalogados detalhadamente no livro de Berne, Game People Play(...). Todos esses jogos evoluem a partir de "O Meu É Melhor", jogo infantil destinado a vencer o medo original de ser lesado. Uma das mais brilhantes descrições de uma existência baseada num jogo foi escrita por Edward Albee na (...) peça Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?. Esta peça demonstra que, a despeito de todo o desespero produzido, ainda restam benefícios secundários suficientes para, de certa forma, conservar o casamento. Alguns casamentos se sustentam graças à "doença" de um dos parceiros. Se este melhora e passa a não querer mais participar dos antigos jogos, o casamento começa a se dissolver. (...) O casamento é como a postura: se os ombros começam a cair, uma modificação complementar tem que ocorrer em outra parte do corpo para que eles continuem perpendiculares em relação aos pés. Da mesma forma, se um dos parceiros se modifica, outras mudanças terão que se dar para que o relacionamento permaneça intacto.

(...)

Ambos os parceiros têm que estar dispostos a reconhecer sua cumplicidade nas dificuldades do casamento. O ponto de vista do "É Sempre Você" é desmascarado por Emerson em sua observação de que "nenhum homem pode se aproximar de mim exceto através das minhas próprias ações". Se o marido se mostrou cruel durante dez anos, e a mulher suportou sua crueldade durante esses dez anos, ela participou do processo. Se houver recusa da parte de qualquer um dos dois na aceitação de sua responsabilidade, as possibilidades de mudança serão pequenas.

(...)

É sempre a mesma luta: "perceber a nossa própria cumplicidade com o mal é algo insuportável. É muito mais tranqüilizador ver o mundo em termos de vítimas inocentes e perversos instigadores do mal que nos circundam. Tentamos a todo custo impedir que nossa inocência seja perturbada. Mas qual é o lugar mais inocente em qualquer país? Não é o asilo de loucos? Nele as pessoas passam pela vida verdadeiramente inocentes, incapazes de se verem. A perfeição da inocência, na verdade, é a loucura" (Arthur Miller - After The Fall)

(trecho de Eu Estou OK Você Está OK - Dr. Thomas A. Harris - Editora Record)

21.7.03

Uma amiga fez questão de me mandar 5 (cinco!) empadas de frango. O que é que eu vou fazer se as pessoas gostam de demonstrar afeto oferecendo comida? Jamais faria desfeita recusando tão efusiva prova de amizade. Devorei uma por uma com volúpia.

Estou relendo O Menino do Dedo Verde. Um capítulo por noite em voz alta para ele pegar no sono. Ele fica amarradão. Sei que esta tática nunca funcionou, mas é ótimo termos este momento nosso, mesmo ele já sabendo ler muitíssimo bem por si só. Também não funciona como sonífero para mim, que além de me fazer lembrar de outros tempos, quando li pela primeira vez, agora como mãe, me arruma muito sobre o que refletir.

Fui passear no bosque enquanto seu lobo não vem. Estava um dia lindo e o bosque era uma floresta - a maior floresta urbana do mundo. Eu estava usando uma regata e sacola vermelhas e não um chapeuzinho.

Algumas vezes quando converso com alguém que tem um jeito especial ou diferente de falar e estou ligeiramente alterada - por sono, bebida ou simplesmente sendo eu mesma - depois de me despedir o seu eco me acompanha. Ontem trouxe pra casa reverberando na cachola um delicioso sotaque francês. Hoje a todo momento parece que ouço a voz de um amigo que está fora do Brasil. Só que não lembro de ter conversado com ninguém que falasse com o jeito parecido com o dele.

Fui abordada por um poveiro que quer emprestado semanalmente meu tesouro mais precioso.

18.7.03

Para meu deleite,
Quer você respeite
Ou despeite,
Se vier de bode
(Cada um como pode),
Afaste de mim sua ode.
Olhe! Risco o chão com giz
E nesta mediatriz
Só vale ser feliz.

17.7.03

Nem tenho o hábito de ler livros de auto-ajuda, mas o titulo daquele me atraiu. Ele falava sobre compreender as pessoas observando seu comportamento, seus gestos, a forma como se vestem, não apenas as palavras, mas o tom da voz, o sotaque, a entonação.

O livro é interessante, mas raso. E nem poderia ser diferente, mas só depois que já tinha apostado meu suado dinheirinho nele foi que me dei conta que era um desses caça-níqueis pretensamente literários que exploram a notoriedade de alguma figura que por qualquer motivo emergiu do anonimato nos EUA.

Apesar disso, uma coisa que li ali ficou comigo. Se você tem pouco tempo para observar uma pessoa, observe a forma como ela vê a vida e como ela vê seus semelhantes.

Preste atenção se a pessoa é realizada em sua profissão, seu grau de satisfação quanto ao local onde mora, com seus possíveis parceiros e filhos, com a vida que leva. Uma pessoa ressentida, invejosa, com baixa auto-estima, infeliz? Ou alguém cheio de esperança, que sabe seu real valor e vê que cada coisa tem sua própria graça?

O outro ponto tem a ver com compaixão. A pessoa é crítica demais? Rígida demais com os outros? Ela consegue colocar-se no lugar das outras pessoas? Tenta compreender as motivações do outro?

E no fundo, com este livrinho assim mesmo meio bobo, ganhei bastante material para pensar sobre as pessoas.

Principalmente sobre esta pessoa que vos escreve.

15.7.03

"Quanto mais detalhada a descrição de um objeto, mais você confundirá a mente do leitor e mais o afastará da coisa descrita. É necessário, portanto, representar e descrever." (Leonardo Da Vinci)



Agrupando os apóstolos em pares - o 1º e o 7º, o 2º e o 8º, o 3º e o 7º, e assim por diante, teríamos:


1º - Simão (Áries): signo da agressividade, de quem gosta de impor suas vontades,de liderar e competir. Quando suas idéias não são aceitas, apela para o boicote, na tentativa de mostrar que sua opinião é a correta. É o signo do ´Eu´. Veja Simão sentado à cabeceira da mesa, como se fosse o líder do grupo ou o senhor da casa – tipo rude, bem masculino, trajando vermelho que é a cor do Fogo, elemento de Áries. A posição de suas mãos sugerem imposição, debate, polêmica. Independência, força.

7º - João (Libra): signo caracterizado pela vaidade, pelo equilíbrio, pela sociabilidade e por preocupar-se em agradar a Deus e ao mundo. É simbolizado pela balança, que nada faz além de pesar as opiniões, obtendo o ponto médio. Libra é o único signo representado por um objeto inanimado, o que significa que João não coloca o seu ´Eu´ em questão. Ele traja roupas em tons pastéis, próprios de Libra. Suas mãos parecem receber alguma coisa e a posição de seus braços formam o prato da balança. Sua cabeça pende para o lado, seus olhos estão fechados, como o símbolo da Justiça. Paz, justiça, gentileza, harmonia, equilíbrio, união e colaboração.

2º - Judas Tadeu (Touro): signo caracterizado pela teimosia. O olhar de Judas Tadeus mostra desconfiança. Ele deixa transparecer seu conservadorismo, sua capacidade de tolerar o trabalho pesado. Suas feições revelam seu lado rústico mas sedutor. Sua força está concentrada no pescoço. Está preocupado e parece propor que é melhor tudo ficar como está. Sua mão esquerda, apoiada na mesa, simboliza o mundo concreto, equanto a outra, estendida, colhe as virtudes celestiais. Veste-se de marrom, a cor do elemento Terra, que regeTouro. Obstinação, capacidade para o trabalho e acúmulo de bens materiais. Desconfiança, avareza.

8º - Judas Escariotes (Escorpião): signo caracterizado por uma personalidade profunda, observadora, transformadora e sexualizada, que possui a capacidade nata de lidar com dinheiro, de ser um estrategista, um administrador e de controlar seus sentimentos. Admira tudo que está ligado aos poderes psíquicos. Judas Escariotes está posicionado de forma que possa observar com cautela. Seus olhos e seus ouvidos estão atentos. Segura um saco de dinheiro, o que significa que ele era o tesoureiro de Jesus. Derruba o sal, símbolo da morte, pois acreditava-se que o sal esterilizava o solo. Suas cores, o azul e o branco, são as do elemento Água, regente de Escorpião. Carisma, sedução, liderança. Persistência.

3º - Mateus (Gêmeos): signo caracterizado pela jovialidade, capacidade de comunicação, esperteza, dúvidas e inconstância de humor. Nunca se aprofunda nos relacionamentos afetivos. Com sua mente criativa. consegue vender tudo o que quiser, mesmo que suas palavras não sejam verdadeiras. Adora dançar e se movimentar. É inquieto, aprecia viagens curtas para para poder narrar o que experimentou. E Mateus está justamente gesticulando como quem quer contar que viu alguma coisa. É o mais jovem dos apóstolos. Sua posição revela dualidade. Veste-se de azul, cor do céu, do elemento Ar, regente de Gêmeos. Habilidade, inteligência, simultaneidade, polaridade, divisão, movimento constante.

9º - Pedro (Sagitário): signo caracterizado pela necessidade de buscar a sabedoria. O sagitariano geralmente é um especialista naquilo a que se dedica. É religioso e baseia sua filosofia de vida na leitura de livros. Quando encontra sua verdade, torna-se cego a outras idéias. No mural, Pedro é um homem de idade, o que revela experiência. Seu olhar fixo em Jesus demonstra sua sede de conhecimento. Seu dedo aponta como a flecha do centauro, símbolo de Sagitário. Segura uma faca em sua mão direita, o que demonstra agressividade na defesa de seus ideais. Dogma, fé, filosofia e lei.

4º - Felipe (Câncer): signo caracterizado pela necessidade de proteger, de agradar. Representa a mãe. É ligado à família, ao passado. É ingênuo e inseguro. Tem tendência a engordar. Felipe é representado por um tipo feminino que mais parece a mãe que olha para seu filho com amor, carinho e desejo de protegê-lo. Seu olhar parece não questionar, mas aceitar. Sua postura, curvada, demonstra flexibilidade e adaptabilidade. Suas mãos parecem encobrir o peito que oferece alimento, órgão regido por Câncer. Sensibilidade, intuição e sonhos.

10º - André (Capricórnio): signo caracterizado pela desconfiança, ceticismo, rigidez, responsabilidade, seriedade e profissionalismo. Simboliza o pai que defende seus filhos da malícia do mundo que ele conhece bem. Representa também a autoridade e o homem amadurecido pelo tempo. André está com as mãos em posição de defesa, seu olhar é de desconfiança, como se questionasse as intenções que se escondem por trás dos fatos. Firmeza, construção, passo firme. Autocrítica, disciplina e senso de responsabilidade.

5º - Tiago Menor (Leão): signo caracterizado pela beleza, elegância, brilho, criatividade, necessidade de ser o centro das atenções, amor pelas crianças, diplomacia. Mas é também o signo do egocentrismo e da dramaticidade. Tiago Menor está numa posição quase central e afasta os apóstolos ao seu redor para que fique bem visível. Possui o semblante mais belo de toda a cena, mais belo que o de Jesus, que não foi pintado por Da Vinci, mas por um de seus discípulos. Expressa-se com elegância mas também com prepotência. Seu cabelo, barba e roupa demonstram seu zelo pela aparência. Coragem, audácia, magnetismo.

11º - Tiago Maior ( Aquário): signo caracterizado pela inteligência, ideologia, fraternidade, inventividade, necessidade de ser diferente, pela defesa dos direitos humanos e pela rebeldia. Não gosta de ser o centro das atenções, mas é político, adora ensinar e pregar a necessidade de viver em coletividade. Tiago Maior é representado por um tipo relaxado com sua aparência, com a barba e cabelo mal cuidados. Abraça seus companheiros e empurra-os para o centro. Idealismo, vanguarda, cooperação, liderança.

6º - Tomé (Virgem):
signo caracterizado pela busca da perfeição, pelo detalhismo, crítica e capacidade de organização e limpeza. Tomé está quase escondido na cena, pois quem critica não pode estar sujeito às mesmas críticas. Está olhando para a ponta do seu dedo indicador, o que significa a inclinação para apontar os erros dos outros. Esse é o dedo de Júpiter, deus que, na mitologia grega, ditava o que era certo e errado. Estabilidade, ordem, planejamento, senso crítico.

12º - Bartolomeu (Peixes):
signo caracterizado pela sensibilidade, tendência ao auto-sacrifício, instabilidade, fantasia, imaginação, aceitação e necessidade de silêncio e solidão. Seu regente é Netuno, que reinava sobre os oceanos. Peixes absorve toda negatividade do ambiente em que vive, da mesma forma que o mar recebe da humanidade tudo que é preciso eliminar. Bartolomeu está numa posição instável, sobre a ponta dos pés, que estão iluminados. Seu olhar se perde no horizonte. Veste-se de verde e azul, as cores do mar e do elemento Água, regente de Peixes. Paz, unidade, compreensão, alívio para a dor, auxílio.
Güenta aê que tá duro de segurar com a mão.
Toma que a cruz é tua.
Aliás, essa história de cruz comigo não rola, porque meu símbolo para o cristianismo é o peixe. Se é que você me entende...

Associações:

O mais famoso acróstico da Antigüidade e de toda a História, sem dúvida, foi criado pelos primitivos cristãos. Tomando as letras iniciais da frase grega Iesous Christos, Theou Uios, Soter (Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador), que era escrita com uma palavra abaixo da outra, formou-se o acróstico ichthus (peixe), animal adotado como símbolo místico por esses religiosos. Era também o símbolo pagão da fecundidade.

***


A era zodiacal do Peixe está para ceder à nova era, "do Aquário". Afirmam os astrólogos que sempre que o sol muda de sinal no Zodíaco, ocorrem mudanças radicais no setor da cultura humana, especialmente na religião. Assim, em 21 de março do ano 1° da era cristã, o sol teria entrado no signo zodiacal do Peixe e apareceu o cristianismo.

***


A astróloga alemã Emma Costet de Masheville afirma que os 12 apóstolos têm as mesmas características dos 12 signos do zodíaco. No quadro A Última Ceia, pintado por Leonardo Da Vinci, a astróloga mostra detalhes que associam os signos aos discípulos de Jesus. As semelhanças vão desde o tipo físico até os gestos de cada um.

"Aqui, em 12 figuras completas, é apresentado o microcosmo, na mesma ordem que Ptolomeu aplicou à sua cosmografia. Vou mostrar todas as formas e capacidades humanas, através dos gestos e localização dos personagens. Agrade ao nosso Criador que eu o faça com perícia." (Da Vinci)

As apóstolos estão distribuídos simetricamente, seis de cada lado, subdivididos em quatro tríades ou grupos de três. Revela-se o signo atribuído a cada apóstolo pela posição de cada um à mesa, seus semblantes e os gestos de mãos de Jesus. Com a esquerda, ele estaria transmitindo energia aos signos da Primavera e do Verão, representados pelos seis primeiros apóstolos, começando da direita para a esquerda. Com a mão direita, Jesus estaria recolhendo a experiência dos apóstolos de signos do Outono e do Inverno.

***


Fui tomar café da manhã na padaria, coisa que nunca faço. Fiquei observando os homens, colegas de balcão. Por que só homens tomam café da manhã na padaria? Um deles trouxe uma rosa para a balconista. O outro contava aos amigo uma história (que depois encontrei escrita):

Quando Da Vinci estava pintando sua famosa "Última Ceia" e querendo pintar as características psicológicas de cada apóstolo, foi a uma fonte de Roma e encontrou um jovem muito bonito, de feições suaves e inocente. Ele escolheu este jovem para que servisse de modelo de João, o discípulo amado de Jesus. Ao terminar o trabalho, Da Vinci lhe pagou muito bem... E continuou sua obra. Porém, mais trade precisou de um modelo para Judas Iscariotes. E ele procurou nas praças, fontes, ruas e mercados, sem encontrar o modelo adequado. Entretanto, após alguns dias e já cansado de tanta busca inútil, entrou numa taberna e encontrou um jovem desalinhado, sujo, barbado... Com todos os vícios refletidos em seu rosto, duro, sofrido, com sinais de golpes e brigas, o típico rosto do homem viciado e degenerado, ladrão, embusteiro e, talvez, assassino. Da Vinci vê naquele homem o "apóstolo traidor" e decide contratá-lo para que pose para sua pintura.

Esse indivíduo de más índoles segue o artista e começa a posar para o término da obra. Porém, quando Da Vinci estava terminando, observou que aquele homem estava chorando. Por que aquele homem tosco e de rosto traiçoeiro chrava? O artista interroga o jovem e este lhe responde: Acaso não me reconheces? Para surpresa do pintor, o jovem lhe diz: "Eu sou aquele cujo rosto te fascinou para que eu fosse um anjo, o discípulo amado do Cristo. Mas agora, tu vês ao traidor, ao hipócrita... Tal é o meu estado desde que tu me pagaste abundantemente por haver posado pela primeira vez... Com teu dinheiro caí no vício e na perdição..." O artista decide terminar a obra assim mesmo, pagando-o não sem antes consolar aquele jovem que caíra na miséria dos vícios...


14.7.03

Não se trata de uma observação sobre um filme em particular, mas uma sensação de que há uma falta de sintonia entre o que leio sobre cinema e o que vejo nas telas.

Já há algum tempo acompanho através dos periódicos os filmes que ainda estão em fase de produção e entrevistas com seus realizadores e atores e fico curiosa, achando que se trata de uma proposta inovadora, de uma história inédita e instigante, de algo realmente novo e emocionante.

Quando o filme finalmente estréia, geralmente já não é mais aquilo: é menos, quase sempre muito menos. E quando vou conferir acho que arrancaram na ilha de edição justamente os pedaçoes que fariam aquela produção ser maravilhosa e deixaram simplesmente o que seria inócuo, PC, mais facilmente compreendido pelas massas ou simplesmente mais adequado à digestão do mercado. E o mercado _ pensam eles _ é um monstro ávido sempre das mesmas velharias em embalagens recicladas, fazendo-se de novidades.

Não gosto de teorias conspiratórias, então vou evitar dizer que existe um complô pelo emburrecimento planetário com intenções de dominação e serei pragmática. Parece que as cifras ficaram altas demais. Qualquer filmeco custa os olhos da cara, então é preciso que seja um sucesso total. Investimentos monstruosos são feitos na divulgação, na contratação milionária do astro/estrela do momento e isso precisa ser recuperado. Não há mecenas nesse negócio.

E fico sem saber se as tais prévias já são salpicadas de, digamos, uma certa fantasia publicitária, ou se em algum momento, entre aquelas entrevistas e o lançamento, algum bambambã decide numa canetada que isso ou aquilo não vende e amputa justamente o que seria mais interessante, aquilo que, às vezes, só os mais argutos (ou delirantes) conseguem ainda perceber, intuir ou adivinhar.

11.7.03

Saber não é suficiente. É preciso sentir.

9.7.03

O Levanta Rio foi indicado como um dos melhores da semana pelo Blogger Brasil!
Eu sou pobre, pobre, pobre
De Marais, Marais, Marais
Eu sou pobre, pobre, pobre
De Marais d'Issy

8.7.03

Dois compromissos com horários inconciliáveis.

Mãe não pode faltar a essas coisas, por mais programa de índio que seja.

Compromisso profissional de grande importância dada a conjuntura, em local fora de mão pra mim e fora do horário em que resolvo problemas de trabalho.

Uma vontade imensa de dar um pulinho na locadora, pegar um filminho bem água com açúcar, servir pizza ou outro congelado qualquer no jantar e, no máximo do esforço, fazer crochê afundada em almofadas.

Fazer o quê?

Atenção! Preparar para o processo de duplicação.

Quatro, três, dois, um...
Apolo
maldição
Cassandra
pitonisa/pítia
vaticínio
incredível
Tenho um sopro no coração. Demorou apenas três décadas para ser corretamente diagnosticado. Antes disso, de louca a caso perdido, ouvi de tudo como diagnóstico. Quando chegou-se ao problema exato, ele veio embrulhado num termo horroroso, sem maiores explicações, o que me fez pensar que estava com o pé na cova. É congênito e benigno. Mas enche o saco. Tomo remédio todos os dias para aplacar as crises de taquicardia. Piora quando estou estressada. Sou daquele tipo que somatiza tudo. Ao engolir sapos, tenho acessos violentos de soluço, por exemplo.

Por isso, alguns acham que sou feroz. Que nada! Zelo por minha saúde física e mental. Sou uma sobrevivente, pode apostar.

Mas hoje a batucada aqui no peito não era a da Mocidade Independente de Padre Miguel. Estava mais para Stanistaw Ponte Preta e seu Samba do Crioulo Doido, parecia uma percussão nipônica.

O filhote, cioso de mim, foi além da armadura da mãe que não quer dar trabalho nem preocupar. Percebeu a palidez, a dificuldade de respirar e fez o que pra ele é dificílimo: calou-se compenetrado. E ia me levando pela mão.

Tenho que procurar um cardiologista, eu sei. E vários outros especialistas. Está na hora de uma boa revisão, depois de tantos quilômetros rodados. Se ao menos houvesse uma alternativa.

A diarista que trabalha aqui em casa tem uma filha de menos de um mês que precisou ser levada às pressas para uma UTI neo-natal. Pois a primeira coisa que os médicos disseram para essa mãe desesperada foi para ela ir se preparando porque as chances da menina eram mínimas. Ainda diante dessa mesma mãe devastada alguém pegou um bisturi e cortou o topo da cabeça da criança, sem explicar que tratava-se de procedimento normal e simples para pegar uma veia para aplicação de soro. A criança vai se recuperando bem.

Uma amiga médica queixou-se comigo que toda vez que um paciente morre a culpa é do médico e que quando se salva o mérito é de Deus. Passei uma longa crise de soluço pensando que talvez fosse diferente se médicos não achassem sempre que a salvação de um doente é mérito apenas deles e que a morte é a vontade de Deus.

Ou pior - como virou pensamento corrente - culpa do doente que não quis (mais) lutar.

7.7.03

Tudo o que eu queria hoje era um pouquinho de pó de pirlimpimpim. Só o suficiente para...

4.7.03

Cidadania se faz com participação.

É fundamental que você conheça, participe e divulgue este movimento.

A estudante Gabriela Prado Maia Ribeiro, de 14 anos, teve a vida interrompida, durante um assalto no metro da Tijuca. Era a primeira vez que a jovem saia sozinha de casa numa espécie de liberdade condicional imposta pela insegurança publica.
Um de seus algozes, já havia sido preso e condenado, mas voltou para a rua beneficiado por uma brecha na lei.

A impunidade que matou Gabriela, mata pelo menos 105 inocentes por dia no Brasil.

Vamos dar um basta. Vamos fechar as brechas da lei.


ASSINE A PETIÇÃO NA PÁGINA

1.7.03

Papai Noel, tenho sido uma boa menina.

Papai Noel, eu não faço xixi na cama, não enfio o dedo no nariz pra tirar meleca, nem colo chiclete debaixo da cadeira do cinema.

Papai Noel, estamos em julho ainda. Leve minha antecedência em consideração.

Papai Noel, por favor, por favor, por favor, no Natal deste ano eu quero um Segway.


30.6.03

Republicando com alterações:

1 - As Exposições que eu não posso perder:

Arte do Fogo, do Sal e da Paixão - Celeida Tostes
Centro Cultural Banco do Brasil até 29 de junho
Terça a domingo - 12h às 20h
GRÁTIS

Castro Maya, Colecionador de Debret
Museu Chácara do Céu até 29 de junho
De quarta a segunda (fecha na quinta - feriado) - 12h às 17h
R$2,00 ou GRÁTIS (menor de 12 ou maior de 65)


Luiz Aquila
MAC - Niterói até 31 de agosto
De terça a domingos e feriados - 11h às 18h
R$4,00 ou R$2,00 (estudantes) ou GRÁTIS (menor de 7 ou maior de 65)

Mestre Vitalino
Museu Chácara do Céu (permanente)
De quarta a segunda (fecha na quinta - feriado) - 12h às 17h
R$2,00 ou GRÁTIS (menor de 12 ou maior de 65)

Revert Henry Klumb - Fotógrafo da Casa Imperial
Instituto Moreira Salles até 3 de agosto
De terça a domingo - 13h às 20h
GRÁTIS

2 - Filmes que eu quero ver

O Homem que Copiava




Alphaville
Desmundo
Embriagado de Amor
Tiros em Columbine
X-Men 2


3 - Filmes dos quais existe pouca chance de eu conseguir escapar

Canguru Jack (Passei a bola. Viva!)
A Creche do Papai


4 - Peças a que talvez eu tenha que assistir e espero que seja daquelas que adultos também se divertem

Bicho Esquisito
A Bonequinha de Pano
Pluft, o Fantasminha


5 - Lugar onde eu daria um pedaço do corpo para estar (no caso um pedaço de unha)

Festival Oi de Inverno
Castelo Barão de Itaipava* - Petrópolis
De 19 de junho a 27 de julho
shows (Capital Inicial, Frejat, Rita Lee, O Rappa, Cidade Negra, Titãs, Marina), moda (roupas, acessórios e decoração), gastronomia, esportes radicais e exposição.

*O barão J. Smith de Vasconcellos, o Barão de Itaipava, era avô da prefeita de São Paulo Marta Suplicy e mandou contruir o castelo de inspiração renascentista. Você (pim) sabia?

6 - Lugares onde periga eu ir sozinha se ninguém me acompanhar

MPB para Dançar
Symbol
Quinta às 19h
R$10,00 (mulher) e R$18,00 (homem)

Lançamento do Songbook do Guinga
Modern Sound
Terça (é hoje!) às 20h
GRÁTIS!

Ciclo da Galinha no Cinema Brasileiro, com O Homem que copiava, Cidade de Deus (cena inicial) e Ave, curta do Paulo Sacramento.
O inverno do Rio é hoje!
Já deveria ser um conceito introjetado em mim o de que não existe obviedade. Isso desde o tempo em que eu, tímida, deixava de responder às perguntas da professora por achar que o que eu tinha para dizer era tão óbvio que não poderia ser aquela a resposta. A seguir, via um coleguinha levantar o braço e falar o que tinha passado pela minha cabeça (e sido engessado pelo meu senso crítico), levando os elogios e, algumas vezes, o prêmio. Pois se não existe tal coisa, resta-me pouco senão ulular.

Você provavelmente jamais ouviu falar sobre este caso, do dia 26 de maio. Ele rendeu pouco mais que pequenas notas em alguns jornais. Mas, da mesma forma, é quase certo, soube deste outro aqui, do dia seguinte e que ganhou as primeiras páginas de praticamente todos os jornais do país. Qual a diferença básica entre os dois? Um aconteceu em Guaraciama – MG e outro no Rio de Janeiro.

Diz Heloisa Seixas num trecho de carta endereçada à memória de Zozimo:

“Talvez você já saiba que as notícias não são lá muito boas. Pensei em começar dizendo que apesar de tudo o Rio continua lindo, mas sustei a pena, primeiro porque seria um clichê e depois porque isso você vê todos os dias, apesar de estar distante. (...) Nosso Rio, meu caro, tornou-se de repente um símbolo do mal. (...) A imagem da cidade foi associada à violência, de forma taxativa. É estranho porque, embora a violência seja inegável, há dados que deveriam nos fazer, a todos refletir. (...) O Rio está em sétimo lugar em número de homicídios, oitavo lugar em número de assaltos com morte, quinto lugar em números de mortes violentas. Sua “melhor” colocação nesse ranking macabro é um segundo lugar em número de roubos de carros.

Por que então essa satanização, esse linchamento moral?

(...)O clichê pega, ganha força, vida própria, começa ser repetido automaticamente, sem reflexão. Até que todos acabam acreditando. Se a lenda for mais forte que a verdade, que se publique a lenda, disse o personagem de um filme antigo, do qual você deveria gostar.”


E eu boto a cara pra fora de casa num domingo ensolarado no Rio. E entro, mas não encaro até o final, na fila enorme para visitar o Corcovado; abraço de novo o Largo do Boticário (mais aqui); paro na Urca para uma olhada na vista e na procissão de barcos em homenagem a São Pedro, um papinho com um pescador calouro e um pastel na feira livre; viajo na arquitetura do Centro; me perco em deslumbramento pelas salas do CCBB; me delicio no Nova Capela; surto um pouquinho na Babilônia Feira Hype e faço uma tatuagem; vou sambar no Estephânio’s e ainda alcanço o rabicho da Marcha do Orgulho Gay. E pela janela do carro, daqui pra lá e de lá pra cá... bem, se você não sabe, eu sinto muito por você...

Onde mais tudo isso no mesmo dia?

Será que fui óbvia o suficiente, ó urubulinos de plantão?

27.6.03

Rapadura é doce, mas não é mole não!
Neste momento, acontece sob minha janela uma festa junina.

Está tocando uma música do Gonzagão considerada genial porque, além de tudo, estabelece uma ponte cultural. Mas ele não foi o único a ter a genialidade para perceber os pontos em comum na cultura desses dois povos.

Estávamos em Recife, numa apresentação de frevo. Pedro de repente pára e de tentar acompanhar os dançarinos e fala que a dança parece a do Shrek. Que dança do Shrek?

Só depois eu fui estabelecer as conexões que quem tem filhos e o vídeo em casa pode reparar. No final da fita tem um clipe, onde os personagens dançam vários hits pop e ritmos mundiais em um karaokê. Tem inclusive uma dança russa.

E foi assim que meu filho se equiparou ao Rei do Baião.

(Corujice mata?)



Pagode Russo

(Luiz Gonzaga/ João Silva)

Ontem eu sonhei
Que estava em Moscou
Dançando pagode russo
Na boate Cossaco

Parecia até um frevo
Naquele cai e não cai
Parecia até um frevo
Naquele vai e não vai

Vem cá, cossaco
Cossaco, dança agora
Na dança do cossaco
Não fica cossaco fora

26.6.03

Que coisa engraçada!

Estou estudando inglês, só aparecem expressões francesas ou oriundas do francês e citando coisas brasileiríssimas.

Olhem mais esta:



Getting back to the idee fixe, let me say that it's what
produces strong men and madmen.

Joaquim Maria Machado de Assis, The Posthumous Memoirs
of Brás Cubas (translated by Gregory Rabassa)
Estudando um pouquinho de inglês (ou francês, já nem sei mais), me deparo com isso aqui:

"The dernier cri today is cheap rubber flip-flops from Brazilian supermarkets, embellished with beads or sequins."

(The [London] Times, April 8, 2003)
E se todo mundo resolvesse criar coragem e virasse a mesa bonitinho assim, hein?
Quem sabe a qualidade do que vemos e ouvimos na TV melhorasse muito...

Já é!
Lulu Santos!
Todo mundo resiste a mudanças.

Eu também.

Estava tão satisfeita com o Blogger do jeito que estava...
Momento Fel - Amargando Felicidade


Você não lida bem com sangue, mas seu filho leva uma topada daquelas e arranca a ponta do dedão do pé.

Você está sozinha com ele em casa. Já veio disfarçando pela rua, ignorando aquele detestável líquido vermelho sujando aquele pezinho que você ama tanto. Não tem como passar a tarefa adiante. Você vai ter que fazer o curativo.

Água oxigenada, merthiolate, algodão, gaze, esparadrapo. O arsenal é proporcional ao nervoso que você sente, mas não pode transparecer.

Música! Besta é Tu com Novos Baianos bem alto. Você conta para o rebento que ouvia aquela música quando era do tamanho dele e Vovó cuidava dos machucados da Mamãe. Ele adora a música e canta a plenos pulmões.

- Obrigado, Mãe! Puxa, você é boa em curativos, hein!

23.6.03

Fui ao Festival Oi de Inverno em Itaipava
.
Meu amor dirigiu do Rio até os cafundós da Cidade Imperial para atender minha vontade. Nessas horas a gente não pensa em preço da gasolina, no cansaço que é subir e principalmente descer a serra no último dia de um feriadão com grandes chances de cair num engarrafamento em plena Baixada Fluminense.

Qual não foi nossa surpresa ao sermos informados à porta do local do evento de moda, decoração, esportes radicais, gastronomia e música que ontem - domingo de feriadão, dias depois da inauguração oficial na quinta-feira e ampla divulgação nos veículos de comunicação carioca - não havia nada para fazer lá porque os stands não ficaram prontos. Só poderíamos participar da visitação normal ao castelo e um almoço de alta gastronomia (leia-se muito dinheiro saindo e pouca comida entrando). Para não perdermos a viagem, fomos visitar o castelo do avô da prefeita de São Paulo. É bem interessante, mas ficaria muito mais se o guia, além do texto decorado, soubesse responder às perguntas mais óbvia que lhe foram feitas.

Felizmente, como ex-moradora da Cidade das Hortênsias, tenho amigos por lá e tivemos uma tarde muito agradável sob o sol preguiçoso de serra, ladeados por crianças e diante de muito croquete da Casa do Alemão.

Mas ontem não foi nosso dia em termos de serviço. Na volta, fomos a um restaurante que pertence a uma rede bastante popular entre a classe média carioca. Ele comentava que era interessante observar como os preços continuavam razoáveis por lá (um prato de massa custa entre R$10,00 e R$15,00 e para pessoas de apetite normal - o que nem sempre é nosso caso - dá para dois). Será?

Ao chegar pedimos duas garrafinhas de água mineral. Sem gelo no copo. Uma garrafinha com água gelada, outra à temperatura ambiente.

Os copos tinham restos de espuma de sabão, as duas garrafas chegaram abertas à mesa em temperatura ambiente. Pedimos para trocar tudo. Ele trouxe dois copos com gelo. Pedimos que tiresse o gelo. Na terceira tentativa ele finalmente acertou. Garçom sem treinamento reduz bastante os custos.

Pedi um nhoque à bolonhesa e um suco de laranja. O molho do nhoque tinha três ou quatro bolinhas de carne e o suco de laranja não era natural, era aquele de caixinha, azedo e cheio de acidulantes, aromatizantes e conservantes. Economizar no prato que serve reduz bastante os custos.

A conta demorou horrores para ser trazida. Cortar despesas com pessoal ou contratar gente incompetente e lerda reduz bastante os custos.

O problema de reduzir os custos demais, chegando a comprometer a qualidade do serviço, é que acaba-se também afastando o cliente. Reduz-se o custo e também a receita.