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1.9.04

O difícil diálogo das gerações


É comum ver pessoas reclamando que as crianças vêm sem manual. Elas se esquecem dos idosos, principalmente os que não são nossos, mas contraídos nas núpcias. Se formos estabelecer comparação, com os pequenos é até fácil conciliar o trabalho em casa. Como os recém-chegados a este mundo não têm idéias pré-concebidas sobre local de trabalho ou sobre o gênero de quem deve garantir a entrada de dinheiro na conta corrente, não acham que o fato de você passar a tarde em casa e fora da cozinha significa ócio e disponibilidade. Além disso, por alguma razão, os pequenos são mais sensíveis a uma folha de papel, alguns lápis de cor e a frase “Faz um desenho bem bonito pra mim”. Também costumam reagir melhor quando a gente sugere que assistam a Shrek pela trigésima nona vez.

O diálogo abaixo é típico em um dia que você está cheio de trabalho. Você está sentado ao computador desde cedo dando duro. O representante da terceira idade que lhe cabe nesse latifúndio chega da rua.

- Bom dia!
- Bom dia!
- Alguém morreu.
- O quê?
- Tem um cartaz no elevador avisando da morte de alguém?
- É? Quem?
- Não sei.
- Ah!
- Quer dizer, o nome está lá, mas eu esqueci.
- Deve ser o seu Oswaldo. Ele teve um derrame e caiu na garagem outro dia. Falei com a filha dele na portaria anteontem e ela disse que não tinha muita esperança.
- Ah, deve ser esse mesmo. Era aquele gordo, né?
- Não ele era magro.
- Então não sei quem é.
- Pois é, deve ter sido seu Oswaldo mesmo. Mas não vou poder ir ao sepultamento porque estou muito ocupada hoje, cheia de trabalho pra entregar.
- Mas como é que ele era?
- Era um senhor moreno que ficava sempre ali pela garagem.
- Ah! Aquele que tem duas filhas moças?
- Não, aquele é seu Zé. E ele ainda é jovem. A filha me falou que seu Oswaldo ia completar 80 anos agora em setembro.
- Então não era tão velho assim.
- Ahn!? Ah, sim. Não era tão velho.
- Deve ter sido por ele ser gordo.
- Ele não era gordo. O gordo é o português.
- Ah, é. Mas é uma pena, né? Deixar mulher e duas filhas tão novinhas ainda.
- O que tem as duas filhas é o seu Zé, é outro.
- Mas você não falou que era o que ficava na garagem.
- Falei, mas acho que foi o seu Oswaldo que morreu, o mais velho, o que já ia fazer 80 anos.
- Mas você não disse que ele ainda era novo?
- Ahn!? Ah, é. Pois é.
- E quem colocou o anúncio no elevador?
- Não sei. Deve ter sido a filha dele.
- Tem um erro de ortografia nele.
- Coitada, deve estar abalada, né? Nessas horas essas coisas escapam.
- Imperdoável.
- Então tá.
- Você vai ao enterro?
- Não, tenho muito trabalho hoje. Já estou atrasada. Dá licença.
- Você conhecia bem o falecido?
- Não muito.
- Deve ter sido por causa da bebida né?
- Bebida!?
- É, toda vez que eu passava ali na esquina ele estava no bar bebendo.
- Não! Aquele é o português gordo, que... [Ai, meu Deus!] É, tá bom, deve ter sido.
- Será que na hora que estava bebendo, não pensava na mulher e nas duas filhas?
- Um-hum...
- Deve ter sido por isso que tem um erro ortográfico no anúncio do elevador. As filhas devem ter estudado em escolas horríveis enquanto ele gastava todo o dinheiro da família enchendo a cara no botequim.
- Tá bom, me dá licença agora. Preciso terminar este trabalho.
- Ele teve o derrame e caiu na garagem?
- Foi.
- Deve ter caído de bêbado, isso sim. E depois é que teve o derrame.
- [Oh, senhor!] Anh-hã! Olha, preciso terminar isso aqui e...
- E deve ter ficado lá um tempão sem ninguém socorrer porque todo mundo sabia que ele bebia e pensou que fosse só mais um pileque.
- Na verdade ele foi atendido na hora, porque a porteira estava conversando com ele quando ele caiu e chamou a filha que o botou no carro e levou pro hospital.
- Mas aquela menina tão novinha já dirige? E como é que conseguiram levantar e colocar aquele homem gordo dentro do carro?
- A filha do seu Oswaldo não é novinha. Ela tem um filho adulto. E o gordo é o outro... Olha, quer saber? Não sei. Aliás, nem sei se foi mesmo o seu Oswaldo que morreu. [Respira. Conta até dez.] Olha só. Estou cheia de trabalho, não dá pra continuar agora. Depois a gente conversa mais, tá?
- Tá. Tá bom, tá bom! Já vou deixar você em paz. Não vou mais incomodar. Pode deixar. Não precisa se incomodar.
- Obrigada.
- Mas já contei que tem um anúncio fúnebre no elevador?

23.8.04

"Se queres mel, não dê pontapés na colméia".
Provérbio popular
"Nem ataque cardíaco acontece de súbito. São necessários anos de preparação. Existem duas opções na vida: resignar-se ou indignar-se. E eu não vou me resignar nunca."

DARCY RIBEIRO

Por favor, leiam a coluna da Lya Luft na Veja desta semana!

17.8.04

Os posts estão se acumulando sem que eu consiga publicar. Pelo menos não estão perdido, espero.
Mais comentários sobre Pavor na Escola:

Adorei o livro do Pedro. Percebe-se que foi escrito por uma criança mas com incrível maturidade literária. As expressões onomatopéicas são um barato! A história é ótima, o mistério bem engendrado e as imagens que o texto passa ao leitor permitem que o mesmo participe intensamente da aventura.
A última capa com a foto do Pedro e seu perfil, foi uma excelente idéia.
(Neide Poyart)

Gostei muito do livro do seu Pedro e já emprestei para algumas mães aqui do pedaço que também se divertiram muito.
(Andrea Bianchi)
Post retirado para teste

12.8.04

Estou tomando um capuccino mentolado. É ruim, mas é bom.

Cheia de coisa pra fazer e pensando besteiras. Como o fato de que algumas pessoas são coisas que não aparentam, ou que não aparentam mais ou até que aparentam, mas elas adorariam poder disfarçar. Essas características estão impressas em seu perispírito.

Quer alguns exemplos?

Um gordo de alma sempre tem na bolsa uma balinha, um bombonzinho ou qualquer outro docinho sempre no diminutivo. Ninguém vai ter pra você uma recita de bolo de chocolate melhor do que a dele. Aliás, obesos de espírito são, geralmente, excelentes cozinheiros e adoram expressar seus afetos preparando quitutes para seus queridos. São os maiores consumidores do paradoxo conhecido como refrigerante light.

O gago, mesmo quando o quiquiqui está só na aura, tem as unhas roídas, os cabelos oleosos e, conseqüente ou coincidentemente, espinhas nas costas. Ele sua muito.

Um galináceo tem em seu halo luminoso as roupas que considera mais finas (isso pode variar de Armani à camisa aberta com medalão no peito) e se trata muitíssiomo bem. E exige o mesmo dos outros, embora poucas vezes esteja disposto a sequer ouvir das necessidades alheias. Dirige o carro mais caro que seu dinheiro pode comprar. Tem a mina de fé que ele freqüentemente induz a não usar maquiagem, não cortar o cabelo e se vistir com coisas parecidas com saco de estopas desde que sejam bem compridas. E ela há de vê-lo como um Amex (não sai de casa sem ele) funcionando como porto seguro quando ele está cansado, porque galiforme que é galiforme considera que figurinha repetida não completa álbum e que a fila tem que andar. Ela é uma espécime vinda de rebanho. Enquanto ela prepara o jantar dele, ele avança sobre as matilhas ou lagos onde jacaré nada de costas.

O corno - perdoem a redundância - é manso. E flácido.

11.8.04

Tomei um susto e fiquei com medo. Ainda não passou. E quase estou achando que gostei.


Nem às paredes confesso.

Daqui a pouco chega mais um grande momento dele. Está difícil conter a ansiedade do moleque. Os amiguinhos perguntam: "Você vai ficar famoso? Vai aparacer na TV? Vai ganhar dinheiro? Vai ficar rico?"


O meu destino é ser star.

Mais uma amiga deu a notícia de sua gravidez. Será que é epidemia? Não sei se me vacino ou se estou mesmo é querendo brincar de médico.


Dá-dá chupeta pro neném não chorar.

Claro o relógio de rua marcando 10ºC foi ilusão de ótica ontem no início da madrugada ao sair da Academia. Da Cachaça, é lógico.


E o inverno no Leblon é quase glacial.

6.8.04

Entre outros, este é um dos motivos para este blog andar tão relagado a segundo plano:


Convite Lancamento Livro Pedro
E claro que estou esperando você por lá.

29.7.04

Lua Azul

         A próxima lua azul acontecerá no dia 31 de Julho às 15h15min. A primeira Lua Cheia do mês foi no dia 02/07. Chama-se Lua Azul a segunda lua cheia num mesmo mês.
 
Significados
 
Pesquisadores afirmam que a expressão é usada desde o século XVI para representar uma Lua cheia especial, perigosa, onde pode acontecer o desatino e a alucinação.
Ao contrário do que o nome sugere, a Lua Azul é associada a perigos e desvario, a desafios emocionais difíceis de viver que requerem humildade e despojamento. É considerada um acontecimento de muita força magnética e poder espiritual, onde acontecem profundas purificações emocionais.
No ocidente, a Lua Azul, foi projetada como uma Lua romântica propícia ao Amor e ao Prazer.
 
Blue Moon
(Lorenz Hart/Richard Rodgers)
 
Blue moon, you saw me standing alone
Without a dream in my heart,
Without a love of my own
 
Blue moon, you knew just what I was there for
You heard me saying a prayer
For someone I really could care for
 
A Lua Azul acontece, em média, uma vez a cada dois anos e sete meses, sete vezes a cada dezenove anos e trinta e seis vezes num século. Isso se deve a que um mês terrestre tem em média 30,5 dias enquanto o mês lunar tem 29,5 dias.

Existe uma particularidade com a Lua Azul, é quando tem dois meses no mesmo ano com Lua Azul. Isto acontece se a primeira Lua Cheia cair no primeiro de janeiro,  como fevereiro tem apenas 28 dias,  as próximas duas luas cheias se repetem em março. Tal coincidência ocorre apenas quatro anos em cada século, (o próximo será só no distante 2018).

Outro tipo de Lua também chamada de Lua Azul
 
Nos calendários lunares , à lua cheia do décimo terceiro mês se lhe chama também de Lua Azul . Neste caso, da para entender o porque esta Lua Cheia pode ser especial,  já que ao ser o último ciclo de lua do ano,  deve ocorrer nele uma síntese do vivido durante todo o ano.

Ritual da Lua Azul
(Mirella Faur)
 
“Com o surgimento do calendário Juliano, no início do cristianismo, o culto à Lua Azul passou a ser reprimido por ser considerado uma exacerbação da simbologia lunar, do poder feminino e do culto às Deusas, assuntos perseguidos e proibidos. Mesmo assim, permaneceu sua aura romântica e poética e a Lua Azul passou a ser associada à crença de que era propícia ao romance e ao encontro de parceiros. Surgiu o termo inglês blue moon, significando algo muito raro, impossível, dando origem a inúmeras músicas e poemas melancólicos ou esperançosos”.

Na Mitologia Celta, esta Lua favorece o contato com o Reino Encantado dos seres da natureza. Invocam-se as Rainhas das Fadas – Aeval, Aine, Aynia, Bri, Creide, Mah e Sin – e empreendem-se viagens reais ou imaginárias para as “Sidhe”, as colinas encantadas, morada do “Little People”, o Povo Pequeno.

Para agradar as Fadas, os Celtas cultivavam perto de suas casas suas plantas preferidas – calêndulas, verbenas, violetas, prímulas, e tomilho – e deixavam oferendas de mel, leite, manteiga, pão, e cristais nas clareiras onde os círculos de cogumelos denotavam sua presença. Para favorecer a “visão”, abrindo a percepção psíquica, usava-se Artemísia, em chá ou em infusões para banhos, suco de samambaias ou orvalho passado nas pálpebras, saches de mil folhas e hipericão, invocações mágicas adequadas.

A Lua Azul é regida pela Matriarca da 13 Lunação . Ela é “aquela que se torna a visão”, a guardiã de todos os ciclos de transformação, a mãe das mudanças. Esta Matriarca nos ensina a importância de seguir nosso caminho sem nos deixar desviar por ilusões que possam vir a interferir em nossas visões. Cada vez que nos transformamos, realizando nossas visões, uma nova pespectiva e compreensão se abre, permitindo-nos alcançar outro nível na eterna espiral da evolução do espírito. A última visão a ser alcançada é a decisão de simplesmente SER. Sendo tudo e sendo nada, eliminamos os rótulos e definições que limitam nossa plenitude.

Para criar uma atmosfera adequada a uma celebração da Lua Azul, use velas e roupas azuis. Prepare água lunarizada expondo garrafas de vidro azul, cheias de água, aos raios lunares. Prepare “travesseiros dos sonhos” enchendo uma fronha de tecido azul com flores de sabugueiro, lavanda ou alfazema, hipericão, folhas de artemísia e sálvia. Imante cristais e pedras azuis como o topázio azul, a safira, o berilo, a água-marinha, o lápiz-lazuli ou a sodalita. Usando músicas com sons da natureza, como pios de corujas, cantos de baleias ou uivos de lobos, permita que sua criatividade e intuição levem-no/a ao Reino das Fadas ou ao encontro das Deusas Lunares. Olhe fixamente para a Lua, eleve seus braços e “puxe” a luz da Lua para sua testa, seu coração e seu ventre.

Conecte-se, em seguida, à Matriarca, pedindo-lhe orientação sobre as mudanças necessárias para alcançar uma real transformação.

Permaneça, depois, em silêncio e ouça as mensagens e respostas ecoando em sua mente ou alegrando seu coração.”

A Lua
(Fernando Pessoa)
 
A Lua (dizem os Ingleses)
É feita de queijo verde.
Por mais que pense mil vezes
Sempre uma idéia se perde.
E era essa, era, era essa,
Que haveria de salvar
Minha alma da dor da pressa
De... não sei se é desejar.
Sim, todos os meus desejos
São de estar sentir pensando...
A Lua(dizem os Ingleses)
É azul de quando em quando .
(resumido e adaptado de um e-mail recebido indicando hectorastrologia@globo.com como autor(a) do texto original)

28.7.04

Recebida por e-mail:

A ROSA E A COUVE-FLOR
 
Um dia, a rosa encontrou a couve-flor e disse:

- Que petulância, se chamar de flor!Veja sua pele áspera e a minha, lisa e sedosa.Veja seu cheiro desagradável e meu perfume, sensual e envolvente.Veja seu corpo grosseiro e o meu, delgado e elegante...Eu, sim, sou uma flor!!!

E a couve-flor respondeu:

- É...mas ninguém te come.

Moral da História:De que vale ser bonita se não for gostosa?

26.7.04

Meu colega do Levanta, Rio , o professor Antônio Argenor está promovendo um curso que é a cara de quem ama esta maltratada e linda cidade.


"Caminhos da Arquitetura e do Urbanismo Carioca": (Re) conhecendo o Rio a pé.

Local: Espaço Cultural da Livraria e Editora Renovar Rua Visconde de Pirajá, 273 - A - Ipanema
Tel: 2287 4080 / Fax: 2287 4888 e-mail: livrariaipanema@editorarenovar.com.br
Horário: Terças-feiras das 9:30 hs ao 12:00 hs
Início: 17 de agosto de 2004 - R$ 140,00
Duração: de agosto a outubro de 2004
Informações e inscrições - Tel: (21) 9304 2645

O Curso:
Programa de aulas expositivas que pretendem iniciar os alunos em estudos que abordem os processos de fundação, desenvolvimento e consolidação da cidade do Rio de Janeiro. Ao longo do curso e durante as aulas serão elaborados alguns Roteiros Temáticos que ocorrerão em visitas guiadas pelo professor aos principais espaços públicos, monumentos e arquiteturas da cidade do Rio de Janeiro, com o objetivo de (re) conhecer os diversos e mais significativos momentos históricos da evolução urbana da cidade, desde a época da sua fundação no século XVI até o século XX. As visitas serão a pé e em grupos de aproximadamente 20 pessoas para cada um dos roteiros a serem cumpridos.

Professor: Antônio Agenor de Melo Barbosa Arquiteto e Urbanista e Mestre em Urbanismo (Fau-UFRJ)

Rio antigo, / Rio eterno, / Rio-oceano, / Rio amigo, / O governo vai-se? Vá-se! / tu ficarás, e eu contigo.
Canção do Fico - Carlos Drummond de Andrade

OBS: Aos 15 primeiros alunos que efetuarem a inscrição serão concedidos descontos e promoções em diversos livros que abordam os temas do curso.


23.7.04

Li esta frase hoje e fiquei pensando: será?

"A boca fala do que o coração está cheio e os olhos vêem o que estamos buscando."
 
Ai-ai...

22.7.04

Impressões sobre Dogville

 
Li em tudo quanto era canto, todo mundo já tinha dito que era maravilhoso, mas só ontem consegui assistir a Dogville. E achei muito mais interessante e instigante do que qualquer coisa que eu tivesse lidou ou ouvido a respeito do filme de Lars von Trier.

Sim, o cenário, ou melhor, a falta dele é provocante e talvez esconda uma metáfora quanto a promiscuidade e falta de privacidade da vida em pequenas cidades. E tem câmera na mão, o que pode ser enervante. E mais uma série de outras coisas que podem ser comentadas sobre técnicas de cinema. O problema é que eu adoro cinema, mas não sou profissional da área. Sou daquele tipo de pessoa que, na verdade, se envolve realmente com a história e só depois que o filme acaba, se houver algo realmente marcante, como nesse caso, o não-cenário, é que me dou conta. Gosto de histórias.

E esse filme, parece, é sobre arrogância, muito mais do que sobre manipulação. Só que não a arrogância que surge imediatamente em nossas cabeças quando pensamos na palavra, mas outra, bem mais sutil e talvez destrutiva.

(Se você ainda não viu o filme, pare aqui e vá até a locadora para alugá-lo. Caso contrário, prossiga a leitura e, por favor, comente.)
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Durante o filme uma pergunta que me ocorreu era por que ela se sujeita a isso. O que a esperava além das montanhas ou em Georgetown poderia ser assim tão pior? Depois que o filme acabou a resposta veio bem nítida.

Outro dia ouvi num programa de televisão que é fácil viver na permissividade e no desregramento. Tão fácil quanto viver na negação total: não fumo, não bebo, não jogo, não trepo, não saio à noite, não ouço música alta, não vou a festas, não, não, não... Bem mais complexo é encontrar o tão falado caminho do meio. Da mesma forma é muito simples ser "boazinha" quando se é oprimida. Difícil é continuar sendo boa quando se tem poder. E isso a gente vai descobrindo no decorrer da fita. À medida que os ninguéns moradores da cidade - a princípio gente apenas miserável e desconfiada, mas muito boa - vão vendo o poder que têm sobre Grace, sua crueldade e ausência de consciência moral vai aumentando.

A Grace de Nicole Kidman, com sua passividade e aceitação irrestrita das maldades, traições e punições a ela impostas, na verdade exerce, ao contrário do que pode parecer num primeiro olhar, a arrogância compassiva explicada magistralmente pelo personagem de James Caan.
Não era o temor de que se tratasse de uma criminosa que fustigava o sadismo da população. As mulheres sentiam-se ameaçadas por sua beleza. Os perdedores sentiam-se ofendidos e desrespeitados por seu jeito nobre. O cego humilhado por sua capacidade de enxergar. E ela deixava-se consumir dócilmente, às vezes até sob débil protesto, talvez também como uma forma de punição, porque expunha a eles suas próprias fraquezas e deficiências. "Você pode me ter agora como qualquer um deles. E será (tão vil) como eles." Desta forma, quanto maior o castigo aplicado a ela, mais seriam eles mesmos condenados à visão de sua própria iniquidade. Contudo não era suficiente que se soubessem culpados. Não era complicado para aquela laia encontrar desculpas para seus próprios desvios. Foi o fato de ela apontar publicamente os pecados de cada um que os fez desejá-la longe, de uma vez por todas.

O que esperava Grace além das montanhas ou em Georgetown poderia ser assim tão pior que a matilha de almas corrompidas de Dogville? Os gângsters? A polícia? Sim, o que a esperava fora de Dogville era bem pior: era ela mesma.

"O poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente."

20.7.04

Agruras de uma proto-mutante
 
Um dos meus problemas sempre foi encontrar sapatos que coubessem nos meus pés. Nunca adiantou os amigos bem-intencionados dizerem que eu não poderia calçar menos mesmo porque senão ia desequilibrar. A verdade é que não me incomoda nem um pouco, pelo menos a partir do final da adolescência, ter pé grande. O que me irrita é não encontrar aquele modelo maravilhoso no meu número, afinal a maioria da mulheres têm uma Carrie Bradshaw dentro de si.
 
Felizmente parece que o cenário está mudando.
 
"Segundo a professora de endocrinologia pediátrica da UFRJ Isabel Callende, melhorias nas condições de vida, com alimentação mais saudável e a prática de esportes, por exemplo, aumentam o potencial genético do crescimento. 'E, como os membros são proporcionais, os pés também estão ficando cada vez maiores', diz ela.
 
Para atender a essa demanda que não pára de crescer, cresce também o número  de lojas que trabalham com calçados de numeração maior."
 
(Revista Veja Rio, 21 de julho de 2004)
 
Parece que o número de proto-mutantes como eu tem aumentado, assim, minha vida vai ficando mais fácil.
 
Anotem as dicas (para o Rio ou na Internet), até para ajudar amigos e familiares:
 
Femininos:
 
Arezzo - 2431-9637
Carmen Steffens - 3324-0766
Cordoban - 3322-0247 (até 41)
Con$tância Basto - 2422-0355
Datelli - 2431-9475
Foot Feet - 2431-8235
New Order - 3089-1383
Pé de Anjo - 2256-2396 (de 40 a 43, tb em www.pedeanjo.com.br)
Pontapé - 2431-8293
 
Masculinos:
 
Adidas - 2275-7938 (tênis até 45)
By Tennis - 2219-5404
Centauro - 2219-5426(Adidas, Nike, Reebok para basquete até 47)
Esporte Total - 2431-9586 (tênis até 46)
Físico & Forma - 2542- 0145 (Nike até 47
Sport Society - 2523-0644
Street Shoes - 2295-1898 (tênis até 44 e sapatos até 47)
Pé de Anjo - 2256-2396 (de 45 a 50, tb em www.pedeanjo.com.br)
Pontapé - 2279-3843

14.7.04

Quero o segundo volume do livro A Casa da Mãe Joana de Reinaldo Pimenta.

Mas nem tenho coragem de entrar numa livraria com a pilha de livros que se acumulam na minha cabeceira aguardando sua vez de serem lidos.

Esta é mais uma prova de que eu precisava de uma daquelas férias em lugar ermo e silencioso, bom pra fazer nada, quer dizer, só ler e/ou namorar. E comer muito. E voltar depois de uma semana, morrendo de saudade de todas as facilidades da vida moderna e caçando uma boa dieta que compre nossa indulgência. Ah, queria mesmo.

Aliás, ando querendo um monte de coisas ultimamente, sabe?

Será que isso é bom?

Tem uma frase que eu li outro dia que ainda está flutuando aqui na cachola e diz mais ou menos que "Bom é ter esperanças, não expectativas."

Eis a história da minha vida nos últimos dias:



Ou Isto ou Aquilo
(Cecília Meireles)

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Além de poeta e benfeitora, pioneira e rebelde, sobretudo o melhor colo do mundo, minha avó adorava jardinagem. Quando ela faleceu, minha mãe com três crianças ainda pequenas e trabalhando fora fez o melhor que pôde para manter suas plantas. Nas últimas décadas, regou, podou, transferiu de vasos, plantou mudas...

Outro dia trouxe da casa da minha mãe vasinhos com mudas de antúrio e flor de maio, originários dos canteiros da vovó. E tanto quanto a cópia de seu caderno de poesias, essas plantas fazem, agora, parte dos meus tesouros.

Hoje logo que acordei, vi a primeira flor aberta no meu Zigocactus e pensei, como sempre, na minha fonte e referência de amor inesgotável, que me fez ser tão exigente nos meus parâmetros sobre o que é ser amada, e nessa crônica do Rubem Braga, que é a minha favorita.



FLOR DE MAIO

(Rubem Braga)

Entre tantas notícias do jornal - o crime do Sacopã, o disco voador em Bagé, a nova droga antituberculosa, o andaime que caiu, o homem que matou outro
com machado e com foice, o possível aumento do pão, a angústia dos Barnabés - há uma pequenina nota de três linhas, que nem todos os jornais
publicaram.

Não vem do gabinete do prefeito para explicar a falta dágua, nem do Ministério da Guerra para insinuar que o país está em paz. Não conta incidentes de fronteira nem desastre de avião. É assinada pelo senhor diretor do Jardim Botânico, e nos informa gravemente que a partir do dia 27 vale a pena visitar o Jardim, porque a planta chamada "flor-de-maio" está, efetivamente, em flor.

Meu primeiro movimento, ao ler esse delicado convite, foi deixar a mesa da redação e me dirigir ao Jardim Botânico, contemplar a flor e cumprimentar a
administração do horto pelo feliz evento. Mas havia ainda muita coisa para ler e escrever, telefonema a dar, providências a tomar. Agora já desce a
noite, e as plantas em flor devem ser vistas pela manhã ou à tarde, quando há sol - ou mesmo quando a chuva as despenca e elas soluçam no vento, e
choram gotas e flores no chão.

Suspiro e digo comigo mesmo - que amanhã acordarei cedo e irei. Digo, mas não acredito, ou pelo menos desconfio que esse impulso que tive ao ler a
notícia ficará no que foi - um impulso de fazer uma coisa boa e simples, que se perde no meio da pressa e da inquietação dos minutos que voam. Qualquer
uma destas tardes é possível que me dê vontade real, imperiosa, de ir ao Jardim Botânico, mas então será tarde, não haverá mais "flor-de-maio", e
então pensarei que é preciso esperar a vinda de outro outono, e no outro outono posso estar em outra cidade em que não haja outono em maio, e sem
outono em maio não sei se em alguma cidade haverá essa "flor-de-maio".

No fundo, a minha secreta esperança é de que estas linhas sejam lidas por alguém - uma pessoa melhor do que eu, alguma criatura correta e simples que
tire desta crônica a sua única substância, a informação precisa e preciosa: do dia 27 em diante as "flores-de-maio" do Jardim Botânico estão
gloriosamente em flor. E que utilize essa informação saindo de casa e indo diretamente ao Jardim Botânico ver a "flor-de-maio" - talvez com a mulher e
as crianças, talvez com a namorada, talvez só.

Ir só, no fim da tarde, ver a "flor-de-maio"; aproveitar a única notícia boa de um dia inteiro de jornal, fazer a coisa mais bela e emocionante de um dia
inteiro da cdade imensa. Se entre vós houver essa criatura, e ela souber por mim a notícia, e for, então eu vos direi que nem tudo está perdido, e que
vale a pena viver entre tantos sacopãs de paixões desgraçadas e tantas COFAPs de preços irritantes; que a humanidade possivelmente ainda poderá ser
salva, e que às vezes ainda vale a pena escrever uma crônica.

13.7.04

Eu fui ao Anima Mundi no sábado e no domingo, no Odeon para ver animações infantis com o filhote e Ricardo, mas acho que fui eu quem mais se divertiu. Bem, foi páreo duro. O programa agradou porque foi de ótima qualidade. No sábado ainda demos uma esticada até o Centro Cultural dos Correiros para brincar com as técnicas de animação. Com ajuda do moleque, que já tinha experiência acumulada do último ano, fiz meu primeiro filme (um curtíssima-metragem de animação com massinha). Convites para a première estarão disponíveis em breve.

Foi lá que fiquei sabendo de uma coisa que todo mundo já deve saber, mas achei que valia a pena mencionar, já que sempre pode ter alguém, como eu, desembarcando agora de Vênus. É o seguinte:


EDUCAÇÃO A 24 QUADROS
Uma aula diferente

Sessões especiais com filmes do mundo inteiro.
Não deixe sua escola perder essa!

Filmes para todas as idades.
Sessões seguidas de debates, atividades lúdicas e visitas guiadas aos bastidores do cinema.


Alguns filmes oferecidos:

Narradores de Javé, de Eliane Caffé
Cidade de Deus, de Fernando Meirelles
Diários da Motocicleta, de Walter Salles
As Bicicletas de Belleville, de Sylvain Chomet
Aventuras com Tio Maneco, de Flávio Migliaccio
Buena Vista Social Club, de Wim Wanders
Memórias Póstumas, de André Klotzel
A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyasaki
Ônibus 174, de José Padilha
Adeus, Lênin!, de Wolfgang Becker
Promessas de um Novo Mundo, de Justine Shapiro, B. Z. Goldberg e Carlos Bolado
Tainá, Uma Aventura na Amazônia, de Tania Lamarca e Sergio Bloch
entre outros lançamentos e clássicos

PROFESSOR VAI DE GRAÇA AO CINEMA
Sessões gratuitas para professores, acompanhadas de debate.



Informações
tel.: 21 2539-6142
e-mail: oce@estacaovirtual.com

www.estacaovirtual.com

12.7.04

Programa super legal e diferente!!!
E de graça!



João Gabriel Alves se apresentará tocando piano na próxima quinta-feira, dia 15 de julho às 18:30 h.
O recital solo será na Uni-Rio, Avenida Pasteur 436, Urca. (Sala Alberto Nepomuceno)
No programa Bach, Villa-Lobos, Mozart e Debussy.
Para quem for de ônibus tem que saltar no último ponto da Av. Pasteur. Fica pertinho da Biblioteca da Uni-Rio.

8.7.04

To be the big person


É certo que uma das (poucas) dádivas do acúmulo de anos é ganhar sabedoria. Ou pelo menos assim deveria ser. Na batata, o que acontece é que a lição se repete como um antigo disco quebrado até que se tire dela o ensinamento de que se necessita. Afinal, aprendizagem é mudança de comportamento. Se a gente continua (re)agindo da mesma forma, é porque ainda não aprendeu.

Onde uma pessoa jovem poria as mãos à cintura e perguntaria “Está pensando que eu sou idiota, é?”, uma alma maturada daria de ombro: “Que pense o que melhor lhe aprouver.” Repare que juventude e maturidade aqui tem pouco a ver com idade cronológica. Conheço velhos moços e adolescentes anciãs.

Levar o mundo à ponta de lança requer ânimo de que já não disponho. Gosto de pensar que não é preguiça, mas certa dose de generosidade. Por que seria tão importante demonstrar que tenho razão? Exponho meu ponto de vista, ouço o que há para ser dito do outro lado, analiso, assimilo ou pondero, conforme o caso. Tudo o mais fica por conta de Cronos.

A vida é professora rígida e implacável, entretanto paciente e incansável. Muitas vezes lança mão de um “monitor”, colocado em nosso caminho para dizer o que precisamos ouvir naquele momento exato. Um dos meus “monitores”, esta semana, depois de ouvir de mim algumas queixas, me olhou e disse uma única palavra: “Perdoa”.

Por mais difícil que seja, também é preciso aprender que não é possível modificar ninguém, a não ser nós mesmos e que se disso chegou-se ao limite, sempre se pode desviar a rota e evitar desastrosas colisões. Tudo é uma questão de avaliar o quanto (tempo, energia, saúde,...) se está disposto a investir para não perder uma nesga de jardim, quando o mundo pode ser seu quintal. Você se contenta com as migalhas (de atenção, poder, carinho, posses, reconhecimento...) e acha que realmente vale a pena todo o esforço que tem empenhado por elas?

Magnanimidade também pode ser abrir mão em favor de quem realmente jamais conseguirá nada além.

Desapego não é um conceito apenas material.

E os urubus passeiam a tarde inteira entre os girassóis.

6.7.04

Sabe o que ia ser bom mesmo agora?

Pó de pirlimpimpim.

Sabe quem tem?

30.6.04

VOZinVENTO - curso gratuito no Rio


VOZinVENTO
o vento da criacao traz o canto INtenso


oficina de criacao a partir da voz e do movimento em cena,
com Suely Mesquita

O curso acontece no palco e na plateia do teatro do Espaco SESC, as 3as. e 5as. de 11 as 14hs, de 6 a 29 de julho, privilegiando exercicios praticos e aproveitando a presenca do outro durante a criacao.

LOCAL:
Espaco SESC - Rua Domingos Ferreira 160 - Copacabana

PRECO:
2kg de alimento nao perecivel

DATA E HORARIO:
3as. e 5as. de 11 as 14hs
de 6 a 29 de julho

INFORMACOES:
vozinvento@suelymesquita.com.br
espacosesc.info@sescrj.com.br
(021) 2547-0156
(021) 2548-1088 R 229 ou 255

INSCRICOES:
de 3a. a domingo, na bilheteria do teatro, das 15 as 19hs
Espaco SESC - Rua Domingos Ferreira 160 - Copacabana

29.6.04

Você sabe onde vende repelente de urubu?
Tô precisada, viu?
O Quilombo do Leblon


"Sítio encantador, de cujo plateau se descortinava um dos mais belos e empolgantes panoramas, abundante em caulim de fina qualidade para fabricação de porcelana, cortado por um riacho, sussurrante entre seixos e taiobas, com magnífica fonte de excelente água potável, com varada plantação de árvores frutíferas, das de melhor espécie, com extenso corte em cujo meio vicejavam camélias brancas, aparecidas nas festividades promovidas com escopos libertatórios, era a afamada chácara - batizada sob o nome de quilombo do Leblon - benéfico esconderijo dos perseguidos pela ferocidade dos escravocratas. (...) Transportando-me a tão ditosa quadra da vida lembro-me das viagens para o bendito quilombo. Saltava-se do bonde no Largo das Três Vendas (atualmente Praça Santos Dummont). Apeando uma charrete, fornecida pelo asilador dos pretos (José Seixas), carrinho que, sob a tração de reforçado burro, tomava a Rua do Sapé (atual Avenida Bartolomeu Mitre), entrava no Largo da Memória, continuava pela Rua do Pau (hoje Dias Ferreira e Ria Igarapava), e transpunha a linha divisória do quilombo do Leblon, galgando um morro que acabava na pitoresca vivenda dentro da qual a mais carinhosa recepção aguardava o feliz visitante."
(Trechos do depoimento do jornalista Brício Filho, publicado no Jornal do Brasil, em 27 de setembro de 1928)

O nome Leblon surgiu por causa de um francês, seu primeiro morador, acabou se estendendo ao quilombo e mais tarde ao bairro, hoje um dos mais conhecidos da Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro.

O terreno pertencia ao fabricante de malas português José de Seixas Magalhães. Ele foi adquirido em 1881 como parte de uma dívida hipotecária na qual José Seixas era credor, e possuia uma extensão de dois milhões e setecentos mil metros quadrados. Onde existia a casa principal do quilombo, hoje fica o Clube Campestre Guanabara, na rua seu saída Alberto Rangel, 71, no Alto Leblon, um ponto, sem dúvida, estratégico, que oferecia o necessário isolamento e grande proteção natural. O território oficial do quilombo do Leblon, em síntese, era: desde a praia do Leblon até um pouco além do Clube Guanabara, chegando quase na atual Rua Timóteo da Costa e, por dentro, até a pedra Dois Irmãos.

Preconceitos e mais preconceitos


Como a princesa Isabel e as damas mais importantes enfeitassem o colo com camélias abolicionistas, os inimigos do regime logo afetaram grande escândalo moral, tentando assim ganhar a simpatia dos escravocratas. Silva Jardim, por exemplo, bate forte na tecla dos bons costumes: "(...) homens sérios querem ser seriamente representados, e não por quarentonas que desconhecem a própria idade, o próprio sexo, a própria posição... Batalha de flores! Cuidado, Senhora! que estas flores não se vos tornem demasiado encarnadas, que elas se não vos tornem vermelhas!"


Um achado


O Museu do Negro está situado no conjunto arquitetônico do século XVIII na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito dos Homens Pretos, fundada pelos alforriados e escravos, e que tem profundos vínculos com fatos históricos da vida desta cidade.

O museu foi tombado em 1937 reunindo instrumentos da escravidão, móveis, documentos, estandartes, bandeiras abolicionistas, livros, fotografias de homes que se celebrizaram no campanha da abolição como: Luiz Gama, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco, Castro Alves, André Rebouças, Cuz e Sousa e outros.

No ano de 2000 sofreu estrutura museológica com exposições permanentes e temporárias abordando temas desde o negro arrancado de sua terra, aviltado no trabalho escravo e sofrendo discriminações até hoje na sociedade, mas preservando as tradições culturais e artísticas.

A partir de 2001 foram criados: o Setor Museu da Educação, o Museu Itinerante, o Projeto de Incentivo à Arte, a Sala de Orientação Bibliográfica e a Lojinha do Museu.

2004 - Ano Internacional da Luta Contra a Escravidão


"Esta comemoração não é apenas um ato de solidariedade histórica para com as vítimas de uma terrível injustiça e para com aqueles que combateram por sua liberdade e seus direitos, como também é um ato de reafirmação do combate ainda em curso contra toda as formas de recismo, discriminação, xenofobia, intolerância e injustiça."

(Koichiro Matsuura - Diretor Geral da UNESCO)




Não é incrível que eu tenha descoberto tudo isso num trabalho escolar do meu filho que está cursando a 3ª série?

25.6.04

Eu odeio


Caga-regras em geral;
Quem não olha o próprio rabo;
Apatia;
Flacidez de caráter;
Mentira;
Falsidade;
Traição;
Preconceito;
Mau hálito, chulé e cê-cê;
Barulho de obra;
Burrice.
Ai, ai! Pois é...


"Gente que é fogo, no mais literal que possa ser a palavra. Fogo de entusiasmo, fogo de coragem, fogo de energia e de amor. Atividade e dinamismo, emoções determinadas, sucesso social. Audácia e aventura, firme disposição para qualquer empreendimento. Inteligência, muita inteligência, capacidade de reter grande volume de conhecimentos sem despender grandes esforços. Mentalidade inquieta e ansiosa, com mostras de imaginação ativa, incrível criatividade. Lógica e poesia, comando de muitas artes. Determinação e ousadia acima de tudo. Fogosa, difícil de domar, temperamental.Tem paixões à primeira vista, 'ferve', faz loucuras. Não gosta de conquistas fáceis. Prefere conquistar a ser conquistado. Precisa do amor romântico com um pouco de risco. Geralmente elegante, bonita, a ariana tem traços marcantes, orgulhando-se da própria beleza e do seu porte altivo. Quando ama, é sincera, apaixonada e leal. Orgulhosa, não admite recusa de amor. Que me desculpe, as mulheres de outros signos, mas a ariana é um ser privilegiado da criação."
(Wanderlino Arruda)

24.6.04

TPM


Quem, nesse mundo de Deus, toca o interfone da casa de alguém com quem não tem qualquer intimidade às 08h15 da matina sem nem ao menos ligar antes? E que tipo de espírito das trevas incita uma criatura dessas a fazer isso justo no dia em que a desinfeliz aqui está em plena TPM?

Depois, (mais) uma manhã infernal com telefone tocando sem parar, pedreiro, ajudante e engenheiro entrando e saindo, demolição do outro lado do rua, criança em pré-adolescência precoce discutindo tudo ponto por ponto... Da real necessidade do banho na vida urbana moderna, passando pela ditadura do dever de casa até a quantidade adequada de creme de desembaraçar cabelo. Outras questões relevantes: “Tarefas escolares e televisão: mutuamente excludentes ou mais um paradigma a ser quebrado?”, “A existência de Deus e a necessidade de manter o quarto arrumado: teorias ainda não comprovadas cientificamente.” e “Lágrimas e outros fortes apelos dramáticos: até onde se pode ir por um capricho?”

Eu considero que nessas horas é que sai Piaget e entra Pinochet.

Mas, para mim, Deus é sábio e criou o homem, que criou o milk-shake do ovomaltine do Bob’s. Momento de abandonar o almoço dietético sem graça em casa e cair de boca nas delícias da comida desqualificada e calórica preparada por desconhecidos.

E lá se foi uma fortuna com meias para mim, cada uma de uma cor. Tudo para combinar com meu novo/velho vestido. Eu não encontrei o chapéu desfiado de festa junina que eu queria comprar pro filho.

Eu achei na locadora o filme que eu queria ver (Adeus Lenin). Mas mim achou melhor trazer também uma comédia com o Steve Martin (A Casa Caiu) para relaxar. Eu olhei pro relógio e vi que já estava na hora de correr de volta, os peões estariam de volta do almoço a qualquer instante.

Mas sempre se pode dar um toquezinho pra melhorar e mim entrou na floricultura e voltou pra casa abraçando aquele lindo arranjo de flores do campo com o girassol. A providencial caminhada acompanhada de moderado surto consumista ajudou a aliviar o peso do prato imenso que mim devorou. Eu sabia que comendo daquele jeito não ia sobrar espaço nem tempo pro ovomaltine. Mas eu prometi pra mim que ainda vai rolar.

E quanto a isso, só tranqüilidade, já que eu e mim temos isso em comum. Ambas honramos nossas palavras. E no pequeno passeio fez-se a luz. Talvez a TPM pontencialize, quem sabe o cotidiano esmagador inflame, pode ser que o problema grave e insuportável exarcebe, mas o que realmente irrita, deprime, destroi e arrasa é a contumaz quebra das promessas e compromissos.

23.6.04

O FEIJÃO, O SONHO E A VIAJANTE DO TEMPO


Ao dobrar a esquina, na calçada estreita, quase tropecei no casal de adolescentes que, de pé, debuçavam-se um sobre o outro. Ele, protetor, talvez carrasco, passava um braço sobre os ombros dela e com a outra mão enxugava suas lágrimas. Ela, sofrida, quem sabe dissimulada, apoiava de leve a cabeça no ombro dele e murmurava sua lamúria.

Lembrei daquele meu sonho que jamais se realizará e quase chorei de novo. Um dia as lágrimas para essa quimera secarão e eu também. No vagar vespertino da rua residencial, quase pude me ver sentada ali no meio-fio, com aquele vestido quadriculado que eu adorava aos 8 anos, segurando o joelho ralado e ensangüentado e tentando engolir o pranto que poderia desencadear mais uma bronca. Era a menina na cena, sua voz, mas fala era minha:

- Mas, mas, mas... (fung, fung, fung) Tenho tanto amor pra dar aqui dentro de mim.

Não gosto de pet shops nem daquelas gaiolas, com bichinhos aprisionados, mas parei diante daquela, hipnotizada pelo olhar órfão do cãozinho. Perguntei telepaticamente se ele me entendia. Ele continuou me olhando, melancólico e solitário. Achei que a vitrine era um espelho. O gato siamês no box ao lado também me olhou. Só que altivo, desafiador, seguro e firme. Achei que também aquela vitrine era um espelho.

Subi as escadas do prédio antigo, brincando de claro e escuro com suas clarabóias. No fim dos degraus, a viajante do tempo me aguardava com cheiro de feijão.

21.6.04

Aqui jaz um post que não deu certo.

Lembranças eternas e saudosas da minha paciência e do meu tempo.
A Associação Saúde Criança Renascer, fundada em 1991 pela Dra. Vera Cordeiro, é um ONG sem fins lucrativos e sem filiação política ou religiosa.

O projeto nasceu da indignação de profissionais da área de saúde pública do Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro, frente ao sofrimento a que são submetidos as crianças miseráveis e doentes lá internados.

O objetivo da Associação é quabrar o ciclo vicioso:

"Miséria - Doença - Internação - Reinternação - Morte"

Nesses anos todos, o Saúde Criança Renascer já ajudou na recuperação e amparo de cerca de 4.000 crianças e 1.200 famílias. Eles doam medicamentos, alimentos, material de construção e intrumentos de trabalho. Também encaminham para empregos e cursos profissionalizantes, além de promover palestras sobre saúde para as mães em atendimento.

Sua missão é auxiliar, em conjunto com setores da sociedade civil, crianças e suas famílias, oriundas do Hospital da Lagoa, quebrando o ciclo vicioso e criando bases para a melhoria biopsicossocial e auto-sustentação.

A visão do grupo é transformarem-se em um centro de referência que permita a multiplicação do modelo atual, fornecendo serviços de alta qualidade e alto impacto na saúde de crianças e adolescentes. Montar uma instituição semelhante perto de cada hospital público do país.

COMO PARTICIPAR

Seja sócio:
Você colabora periodicamente com o Saúde Criança Renascer (via ficha de inscrição ou ppor telefone)

Apadrinhe uma criança:
Doe mensalmente 1 cesta de alimentos e/ou medicamentos durante 6 meses.

Doe ou arrecade:
Alimentos, roupas, brinquedos, material escolar, colchões, filtro d'água, fraldas descartáveis, etc.

Doe serviços:
Vagas em creches e escolas, empregos para adolescentes para adolescentes e pais, trabalho para diaristas, etc.

Seja voluntário:
Dedique seu tempo livre ao trabalho.

Divulgue o Projeto Saúde Criança Renascer:
Quanto mais pessoas souberem, maior participação eles terão.


Para saber mais e doar:

www.saude-crianca.org.br
renascer@montreal.com.br
renascer@saude-crianca.org.br

R. Jardim Botânico, 414
Parque Lage - Jardim Botânico
Rio de Janeiro - RJ
CEP 22461-000

Tel. (21) 2286-9654 / 2286-9988
Final de semana agitado e feliz.

Entre as diversas pequenas tarefas do sábado pela manhã, tínhamos que comprar algumas roupas de inverno para o Pedro. Aqui vai uma dica "di grátis" para quem trabalha no ramo de confecções: durante toda semana procurei em diversas lojas de rua e de shopping e não achei roupas para menino de 8 anos alto e robusto; quem investir nesse filão fica rico. Calça de moleton só consegui encontrar nas Lojas Americanas depois de bater muita perna, ter desistido e encomendado sob medida. Pijamas: impossível! Só uma loja tinha tamanho 12, mas ele disse que pijamas com figura do Tigrão ele não usava nem que a vaca tossisse. Pois é, ainda tem isso, a pré-adolescência precoce. Outro dia ele queria levar um jogo pra escola e eu peguei a primeira sacola que encontrei e coloquei o tal jogo dentro. Ele veio cheio de dedos: "Mãe, sua sacola é bonita, mas desculpa dizer, se eu aparecer com essa sacola na escola vão me zoar. Sacolinha rosa com florzinha não dá, né, mã?." Ó, céus!

Também fomos ao alfaiate. Eu queria recuperar um vestido pretinho que desmontei pra consertar e não consegui remontar. É uma coisa até trivial, não fosse o alfaiate ser uma das pessoas ainda vivas com números de campo de concentração nazista tatuado no punho e a pessoa que ele amavelmente me indicou para realizar o serviço. A costureira parece saída de um túnel do tempo: sua casa, seu cachorro, seu estúdio, suas maneiras, seu vocabulário, seu descompromisso com horários. O papo rende sem pressa, ela liga em horários inusitados para perguntar coisas sem importância. Uma figura folclórica. Tomara que o vestido fique bom.

Mas o evento do sábado foi mesmo o aniversário dos petizes da Lu. Como eles crescem rápido! Como são lindos! Tão adoráveis! Meu Pedro, que finalmente os conheceu depois de algumas tentativas frustradas, ficou encantado com os novos amiguinhos. Ele adorou a festa e as brincadeiras e nós ficamos muito felizes por termos sido convidados a participar de um momento tão alegre e rever a Lu, tão querida.

Domingão teve matinê de Shrek 2. Eu estava esperando um bom filme, mas assistia a um ótimo filme. Além de toda a graça dos protagonistas e da fuga das fórmulas esquemáticas dos contos de fadas, ainda traz diversas referências cinematográficas, que são deliciosas também para os pais.

E fomos tão cedo ao cinema porque de tarde tínhamos planos de ir ao Roça in Rio no Jockey. Foi muito bom. Um casal de amigos com 2 filhos nos acompanhou. Adoro festa junina, adoro comida, brincadeiras e roupas típicas e adoro uma badalação moderada. Tinha tudo isso e mais. Rolou show de pop rock satírico com uma banda chamada Parabrisas do Fracasso, e um bom show com o Reggae B (Bi Ribeiro, George Kid Abelha Israel, João Fera e outros grandes músicos) que acabamos não vendo até o final porque o moleque já estava cansado. Teve observação de celebridade também. A mulherada fez fila pra tirar foto com o bombeirão, aquele. O Bernard do vôlei ficou só dando entrevista com a tocha apagada na mão. As mulheres queriam mesmo era a mangueira. Mas o mais divertido foi na hora de vir embora. A gente saiu perseguindo o Sidney Magal.

A história começou há alguns dias quando Ricardo viu a Rosi Campos beijando o cantor em Da Cor do Pecado. Ele disse que a atriz deveria ser muito grande, porque já tinha visto o Magal de pertinho e que era muito maior que ele. Meu marido não é exatamente baixinho e eu disse que tudo bem, a Rosi é grande, mas que eu achava que devia ser porque na época bagaceira ele usava salto. Quando vi o moço pedi pro Ricardo ir se aproximando pra eu conferir se havia uma diferença tão grande assim de altura. Só que na hora em que a gente conseguiu se aproximar ele saiu descendo uma rampa. E lá fomos atrás, perseguindo disfarçadamente pro sujeito não notar. Isso durou um tempo, até que consegui fazer a verificação? Magal é mais alto uns dois dedos. Portanto a Rosi ou atua sobre um banquinho ou dá duas de mim, que tenho 1,78 m.

E aqui mais uma dica de negócios gratuita. Se você pensa em investir no ramo de alimentação, não hesite. Pastéis são ótima pedida. A fila para a barraquinha do pastel eram bem grandes, mas ela estava, no máximo, em terceiro lugar. Na segunda posição, o cachorro-quente não fez feio e já era uma pista para a vedete do gosto popular. A barraquinha campeã tinha aquela fila imensa que fez a gente duvidar que as pessoas estavam realmente pagando pela iguaria. Tamanha fila, só para refeição gratuita. Mas não. Esta é a indicação definitiva e passo pra você de bandeja: invista tudo em salsichão!

19.6.04

CHICO BUARQUE

60 ANOS




A Banda e não outra entre tantas lindezas emoldura este meu registro sobre Chico Buarque porque minha mãe conta que era a música que tocava quando ela foi para o maternidade, no dia do meu nascimento.

Mais que trilha sonora para minha chegada nesta terra, mais que um ídolo, Chico Buarque é uma espécie de pai, que acompanhou todo o meu desenvolvimento e toda a minha educação musical, política, emocional e amorosa. Até sobre ser mulher aprendi muito com ele.

A bênção, Chico.

Parabéns, Chico.

Muito, muito obrigada, Chico.

17.6.04

Entre o riso e a lágrima há apenas o nariz.
Millôr Fernandes

Velho abandonado não foi moço ajuizado.
Provérbio brasileiro

A vida é um circo gratuito: basta você prestar atenção.
Bill Copeland

Nada dura, mas muda.
Heráclito

Sob um bom governo, deveríamos nos envergonhar da pobreza; sob um mau governo, da riqueza.
Confúcio

Os perfeccionistas nunca são perfeitamente felizes.
Anônimo

O passado é o futuro usado.
Millôr Fernandes

Se você não sabe para onde vai, é provável que chegue lá.

Anônimo
As três peneiras


Um rapaz procurou Sócrates e disse que precisava contar-lhe algo.

Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:

- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

- Três peneiras?

- Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer aí mesmo. Suponhamos então que seja verdade.

Deve então passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?

Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta e, arremata Sócrates:

-Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu irmão nos beneficiaremos. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.



O problema com a maldição de Cassandra é que também me caem no colo certas informações que eu não desejo e pelas quais não procuro. O pior é quando você sabe que, mesmo que a sua intenção seja das melhores, a pessoa que precisaria desses dados, se ouvisse de você, não acreditaria e ainda lhe imputaria maldade.

Fico em silêncio e torço que não me deixem ver o sofrimento da pessoa quando souber a verdade. Talvez seja melhor caminhar assim mesmo, às cegas, tateando a realidade, sentindo-a penetrar em seus ossos, mas sem coragem para abrir os olhos e encará-la. Se não há nada que eu possa fazer para minimizar sua dor, por que estou em seu caminho? Não quero mais testemunhar desastres que prevejo, mas não posso evitar.
POLUIÇÃO SONORA

Pelo amor de Deus, alguém se compadeça e me ajude!!!!
Preciso dormir em paz!
Preciso trabalhar!
SOCORRO!
Pelo amor de Deus, estou desesperada!
Não sei mais o que fazer!!!
Preciso dormir!
Estou adoecendo terrivelmente!
Estou ficando louca!
SOCORRO!!!
SOCORRO!!!



A poluição sonora pode ser entendida como o excesso de ruídos – sons indesejáveis – que causam desconfortos e incômodos à população, desencadeando efeitos psicológicos ou fisiológicos negativos nos seres humanos". Além de prejudicar a audição, os ruídos podem causar sérias conseqüências à saúde. Um dos principais problemas é a alteração do sono, que pode afetar desde a memória até o humor do indivíduo.

EFEITOS DO RUÍDO SOBRE A SAÚDE

A Poluição Sonora hoje é tratada como uma contaminação atmosférica através da energia (energia mecânica ou acústica). Tem reflexos em todo o organismo e não apenas no aparelho auditivo. Ruídos intensos e permanentes podem causar vários distúrbios, alterando significativamente o humor e a capacidade de concentração nas ações humanas. Provoca interferências no metabolismo de todo o organismo com riscos de distúrbios cardiovasculares, inclusive tornando a perda auditiva, quando induzida pelo ruído, irreversível.

Alguns destes efeitos podem ser enumerados da seguinte forma:

Efeitos Psicológicos:

- Perda da Concentração
- Perda dos Reflexos
- Irritação permanente
- Insegurança quanto a eficiência dos atos
- Embaraço nas conversações
- Perda da Inteligibilidade das palavras e
- Impotência Sexual

Efeitos Fisiológicos:

- Perda auditiva até a surdez permanente
- Dores de Cabeça
- Fadiga
- Loucura
- Distúrbios Cardiovasculares
- Distúrbios hormonais
- Gastrite
- Disfunção Digestivas
- Alergias
- Aumento da Frequência Cardíaca e
- Contração dos Vasos Sangüíneos


A interferência do ruído com o repouso, descanso e sono é a maior causa de incômodo. A pior intervenção se dá na forma de ruído intermitente, como por exemplo: passagem de veículos pesados e passagens de aviões próximo às habitações.

O ruído pode dificultar o adormecer e causar sérios danos ao longo do período de sono profundo proporcionando o inesperado despertar. Níveis de ruído associados aos simples eventos podem criar distúrbios momentâneos dos padrões naturais do sono, por causar mudanças dos estágios leve e profundo do mesmo. A pessoa pode sentir-se tensa e nervosa devido as horas não dormidas. O problema está relacionado com a descarga de hormônios, provocando o aumento da pressão sangüínea, vasoconstrição, aumento da produção de adrenalina e perda de orientação espacial momentânea. Despertar de um sono depende do estágio do sono, dos horários noturnos e matinais, idade do indivíduo entre outros fatores.

Uma outra característica humana é a proteção natural aos eventos sonoros, este se dá quando o ser humano é previamente avisado que tal ruído ou sons elevados vão acontecer. Existe uma defesa psicológica que prepara o indivíduo para a exposição, o efeito contrário se dá exatamente quando é inesperado, é o caso do ruído se apresentar quando o indivíduo encontra-se desatento e/ou dormindo, comumente é considerado como som intrusivo. É extremamente desagradável pois, ele é pego de surpresa e não há tempo de armar sua defesa natural. Por isso deve-se preservar o direito de descanso das pessoas quando estas dormem a fim de protegê-las dos efeitos que talvez poderão ser considerados mais delicados.

A maioria das pessoas dorme de olhos fechados e pelo menos na penumbra, anulando a percepção visual responsável por mais de 90% das informações recebidas pelo homem. Mas, a audição, o segundo sentido em quantidade de informação, mantém seus canais abertos, varrendo de 360o o nosso espaço circundante a partir do nosso nicho, para detectar qualquer sinal de perigo. Para a pessoa dormindo no silêncio, o sono é liberado para se instalar na melhor qualidade. Caso contrário, o organismo, mesmo dormindo, começa manifestar gradualmente seu alerta. A partir do valor médio de 35 dBA, reações vegetativas e no EEG e mudanças na estrutura do sono são verificadas. Enquanto os estágios superficiais aumentam a duração, o tempo total de sono e os estágios profundos, MOR e estágio 4, reduzem bastante. O despertar já pode ser atingido em 44 dBA e 53 dBA de pico respectivamente para ambientes calmos, média de 25 dBA, e barulhentos, 45 dBA. Mas, quando o ruído do fundo está a 65 dBA, os reflexos protetores do ouvido médio parecem funcionar, anulando em parte a audição e introduzindo insegurança pela perda da vigília, mostrado pela reação de maior latência para dormir. Por isto provavelmente a 75 dBA de ruído de fundo a qualidade do sono se recupera parcialmente, mas longe da qualidade de níveis mais silenciosos. A poluição sonora portanto piora significantemente a qualidade absoluta do sono, acarretando pior desempenho físico, mental e psicológico e perda provável da alerta auditiva, que reflete a longo prazo em não habituação, mas que pode se recuperar logo em privação curta.

16.6.04

Divulgando:

Alcelmo Gois (O Globo):

Monobloco da Justiça
Pedro Luis vai levar seu Monobloco, bloco de rua do Rio, para frente do Forum, na quinta.
Eh o dia do julgamento de Thiago Almeida, acusado de ser o mentor das mortes da irma de Pedro, Denise, e seu amigo Pedro Peixoto, em 2000. Nilo Batista sera o assistente da acusacao.


Ciranda do Mundo
(Eduardo Krieger)

Pela profecia o mundo ia se acabar
Pelo vagabundo deixa o mundo como estah
Pelo americano pelo cano o mundo vai (ou nao)
Pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar

Ciranda por mim
Ciranda por ti
Roda na ciranda que eh pro Nao virar pro Sim
Ciranda que vai o
Ciranda que vem
Roda na ciranda que eh pro Mal virar pro Bem





POR PEDRO E MARGOT
PELA JUSTICA E PELA PAZ
CONVITE PARA MANIFESTACAO

Aos amigos

Passados quatro anos do assassinato premeditado e gratuito que vitimou Denise Teixeira (Margot) e Pedro Peixoto em Santa Teresa, Rio de Janeiro, foi finalmente marcada a data do julgamento do principal acusado pelo crime, para o dia 17 de junho (quinta-feira), no Forum do Rio.

Neste momento em que nos aproximamos da tao ansiosamente aguardada hora de ver a justica cumprir seu papel, punindo devidamente o culpado por este crime hediondo, gostariamos e, mais que isso, precisamos contar com a presenca e a acao dos amigos e cidadaos que acreditam na justica como forma de protecao aos nossos direitos. Desta forma, acreditamos estar contribuindo para que esta historia seja devidamente encerrada com a mais severa punicao dos culpados e que possa servir como bem-sucedido exemplo da atuacao judicial neste tipo de crime.

Aproveitaremos este acontecimento para reafirmar publicamente nossas conviccoes contra a cultura da violencia, pelo desarmamento e, acima de tudo, pela JUSTICA e pela PAZ.

Ryta de Cassia e Pedro Luis

Forum do Rio de Janeiro
dia 17 de junho, quinta-feira
7:30h da manha
Av. Erasmo Braga, 115
esquina com Pres. Antonio Carlos

pedro_e_margot@pontoflash.com.br

e, por favor, se você ainda não assinou, assine a petição pela mudança do Código Penal contra a impunidade aqui

15.6.04

Para despedir de Ray Charles, toca um LP com Greatest Hits na vitrola:

Eleanor Rigby
(Lennon/McCartney)

Eleanor Rigby, picks up the rice
in the church where a wedding has been
Lives in a dream
Waits at the window, wearing the face
that she keeps in a jar by the door
Who is it for

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Father McKenzie, writing the words
of a sermon that no one will hear
No one comes near
Look at him working, darning his socks
in the night when there's nobody there
What does he care

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

Eleanor Rigby, died in the church
and was buried along with her name
Nobody came
Father McKenzie, wiping the dirt
from his hands as he walks from the grave
No one was saved

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?

Ah, look at all the lonely people
Ah, look at all the lonely people

All the lonely people
Where do they all come from?
All the lonely people
Where do they all belong?


Para exorcizar o espírito do Cazuza que me acompanhou na saída silenciosa e lacrimosa do cinema, Cássia Eller rasga:

Todo Amor Que Houver Nessa Vida
(Frejat/Cazuza)

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
Que ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio pra dar alegria

13.6.04

O Hino Olímpico me acordou bem cedinho. Já tinha gente se aglomerando para ver a tocha passar cantando coisas de paz. A gente acabou, depois de alguma discussão, decidindo ir ver o movimento lá no meio do povão, apesar do amplo camarote das nossas janelas.

No meio da ansiedade toda, todo mundo feliz da vida por estar presente naquele instante histórico, bonito foi ouvir meu filho falar com a amiguinha dele que estava conosco:

- Presta atenção agora, o Rei vai descer a rampa com a tocha e você vai contar isso pros seus netos e bisnetos.

E lá veio Pelé e sua enorme capacidade de mobilizar as multidões. Ao invés de seguirmos o cortejo, cortamos caminho e nos posicionamos num ponto mais adiante do circuito e foi ali que pudemos presenciar a passagem da tocha entre dois anônimos (pelo menos eu não os conhecia) com o rosto rasgado no sorriso de um orgulho que não cabia no peito.

Aliás, todo mundo que de alguma forma participou (ainda participa, enquanto escrevo a cerimônia continua pelas ruas do Rio) está levando pra casa um pouco mais de alegria no coração, seja como mero espectador, carregador do espírito olímpico, parte da organização do evento ou contratado dos patrocinadores.

Em cima de um dos trios elétricos, Loroza animava a galera e fiquei com vontade de ouvir o Monobloco. (Pra quem não sabe, o Serjão além de ator da Globo também manda muito bem como cantor da banda do Pedro Luís e A Parede.)

Domingo
(Aurinho da Ilha, Ione do Nascimento, Ademar Vinhais e Waldir da Vala)

Vem amor
Vem a janela ver o sol nascer
Na sutileza do amanhecer
Um lindo dia de alegria
Veja o despertar da natureza
Olha amor quanta beleza
O Domingo é de alegria
No Rio colorido pelo sol
As morenas na praia
Que gingam no samba
E no meu futebol

Veleiros que passeiam pelo mar
E as pipas vão bailando pelo ar
E no cenário de tão lindo matiz
O carioca segue o Domingo feliz
Vai o sol e a lua traz o manto
Novas cores, mais encanto
A noite é maravilhosa
E o povo na boate ou gafieira
Esquece da Segunda-feira
Nesta cidade formosa

Há os que vão pra mata
Pra cachoeira ou pro mar
Mas eu que sou do samba
Vou pro terreiro sambar




Bom, Bonito e Barato
(Robertinho Devagar, Jorge Ferreira e Edinho Capeta)

Colori
Com toda a minha simpatia
Um visual de alegria
Cante comigo essa
Canção de amor
Sou a comunicação
Não tenho luxo nem riqueza
Há simplicidade e beleza
Na festa do meu coração
Muito bom
O meu bonito é barato
Da simpatia, o retrato
Do povo no carnaval

Obrigado, madrinha Portela
Que me ajudou a caminhar
Por onde andei
Pelos caminhos meu nome deixei
Nos Confins de Vila Monte eu decantei
Com um sorriso de esperança
A Praça Onze, delirei
Domingo na sutileza do amanhecer
Meu colorido encantou você
O amanhã o que será o que será
E outra vez na passarela
Colorida e tão singela
O sangue novo faz toda gente vibrar

Sou, sou eu
Trazendo felicidade
Sou eu

11.6.04

DEMENTADORES



Dementadores são criaturas de capa, que tem a cara totalmente oculta por um capuz, mãos que brilham muito, um brilho cinzento, de aparência viscosa e coberta de feridas, como uma coisa morta que se decompusera na água.


Os dementadores são seres que tiram a sua alegria, felicidade, e o deixam muito triste, lembrando-se de coisas terríveis de seu passado e achando que você nunca mais poderá ser feliz na vida. Eles têm uma arma fatal, que só usam em caso extremos, o seu beijo. O beijo do dementador, não mata, mas tira a alma da pessoa, que é muito pior.


Onde deveria haver olhos, havia apenas uma pele sarnenta e cinza, esticada por cima das órbitas vazias. Mas havia uma boca... um buraco escancarado e informe, que sugava o ar com um ruído de uma matraca que anunciava a morte.


A chegada de um dementador traz o frio.

patrono

A forma de deter os dementadores é conjurar um patrono, que é um espécie de anti-dementador, age como um escudo.

O patrono é um tipo de energia positiva, uma projeção da coisa de que o dementador se alimenta: esperança, felicidade, desejo de sobrevivência, mas ele não consegue sentir desesperança, como um ser humano real, por isso o dementador não pode afetá-lo.
I Shot The Sheriff
by Bob Marley

I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.
I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.

All around in my home town
They're trying to track me down.
They say they want to bring me in guilty
For the killing of a deputy,
For the life of a deputy.
But I say:

I shot the sheriff, but I swear it was in self-defense.
I shot the sheriff, and they say it is a capital offense.

Sheriff John Brown always hated me;
For what I don't know.
Every time that I plant a seed
He said, "Kill it before it grows."
He said, "Kill it before it grows."
I say:

I shot the sheriff, but I swear it was in self-defense.
I shot the sheriff, but I swear it was in self-defense.

Freedom came my way one day
And I started out of town.
All of a sudden I see sheriff John Brown
Aiming to shoot me down.
So I shot, I shot him down.
I say:

I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.
I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy.

Reflexes got the better of me
And what is to be must be.
Every day the bucket goes to the well,
But one day the bottom will drop out,
Yes, one day the bottom will drop out.
But I say:

I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy, oh no.
I shot the sheriff, but I did not shoot the deputy, oh no.

9.6.04


Escritor
Retrato de um escritor quando jovem.


Fantasias
Let's groove!


Playcenter
Adivinha qual dos três morre de medo
de brinquedos de parque de diversão...

Baby steps...

6.6.04

A mulher me fitou com um olhar desenxabido e perguntou, porque tinha ouvido a conversa dos meninos, que comentavam o filme sem parar, se eu tinha comprado os ingressos para assistir ao novo filme do Harry Potter com muita antecedência. Estou pensando em começar a cobrar comissão do Ingresso.com

- Mas não tem que dar o número do cartão de crédito?
- Tem.
- É disso que eu tenho medo (síndrome de Regina Duarte).
- É seguro. Mais seguro que entregar seu cartão na mão de um garçom no restaurante blá-blá-blá...


Ainda tem muita gente que só consegue enxergar a Internet como lugar de criminosos, tarados e loucos. Mas digo que lugar de mais gente perturbada por metro quadrado é o (para muitos, não pra mim) insuspeito supermercado.

Tem as velhas donas-de-casa que vão passear entre as gôndolas pra espantar a solidão e ligam pras filhas, no meio de uma reunião de trabalho pra contar que hoje o açúcar está mais barato no Extra que na Sendas. Já comentei também sobre aquele pessoal que fica descascando alho para pagar milésimos de centavos a menos e provavelmente depois tem que gastar fortunas com sabonete pra tirar o cheiro das mãos. No entanto nada se compara com o homem que parou atrás de nós na fila do caixa hoje.

Antes de contar, claro que devo aqui fazer uma pausa para admitir que também estou incluída no rol dos doidecos de plantão. Que ser em juízo perfeito iria resolver fazer compras de mês num domingo, principalmente quando este é o primeiro dia de sol e céu de brigadeiro depois de muitos e muitos dias. Bem, talvez nem tantos dias assim, mas sou carioca. Vocês entendem, né?

Voltando ao homem, reparei que Ricardo estava conversando com ele enquanto tirava as compras do carrinho e colocava na esteira. Eu não conseguia ouvir o que eles diziam, porque estava ocupada empacotando e do outro lado do caixa. Contudo, reparei que o homem suava muito, mesmo que quente não pudesse de forma alguma descrever o dia de hoje, especialmente em ambiente refrigerado. E ele estava agitado, nervoso, aparentando estar muito preocupado.

Assim que pôde, Ricardo veio me contar que o homem estava muito angustiado, porque já se passava do meio-dia e ele teria que ir ainda a outro supermercado para comprar feijão. E tinha que ser aquele feijão daquele supermercado. Não adiantava ser da mesma marca. Tinha que ser comprado naquele supermercado específico que fechava pontualmente à uma hora. E por isso estava tão afobado. Eles eram muito rigorosos no supermercado do feijão maravilhoso. Se ele chegasse um minuto depois da primeira badalada vespertina, nada feito. E o homem suava. O mais interessante que ele não estava irritado, como geralmente ficam os ansiosos de plantão. Ele olhava pras pessoas com um olhar de quase súplica: será que vai dar tempo?

A mocinha do caixa contou que teríamos direito a raspadinhas e ganhei uma colher de cortar bolo. Enquanto Ricardo foi trocar a cartela pelo magnífico prêmio, fiquei ali parada ainda observando o cavalheiro, cada vez mais nervoso, cada vez mais suado, cada vez mais atrapalhado em colocar suas compras dentro das sacolas. Será que vai dar tempo de sair de um supermercado e ir pra outro para comprar o feijão da mesma marca que tem aqui?

Certas doidices são comoventes. Ricardo, que é mais expansivo que eu quando se enternece com a sandice alheia desejou sorte ao homem ao sairmos com nosso carrinho de compras de mês e pá de bolo em punho rumo ao domingo ensolarado e 40 Km em direção oeste na Avenida Brasil.

2.6.04

AGENDA DE JUNHO
(pra quem tem bom gosto, mas anda com problemas de liqüidez)

“Os Independentes” - Delira Música

Espaço Cultural Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163 – Tel: 2266-0896 – Rio de Janeiro
23 e 30 de Junho às 20:00h
Ingressos: R$ 10,00


Dentro do projeto “Os Independentes”, Delira Música apresenta dois programas especiais.

23 de Junho – 20h
Tributo às Divas do Jazz - Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Carmen McRae

Com Ana Zinger e Bernardo Bosísio

30 de Junho – 20h
Encontros Delira Música

Dois dos principais artistas do selo, lançando seus CDs em um encontro inédito – Luiz Avellar e Trio Taluá (pela primeira vez tocando juntos).


Centro Cultural Justiça Federal
Apresenta


QUARTAS INSTRUMENTAIS
Mistura de Estilos – Junho de 2004



Centro Cultural Justiça Federal
Av. Rio Branco, 241 – Tel.: 3212 2550 – Rio de Janeiro

Ingressos: R$ 10,00




2 de Junho – 19h
Carlos Bernardo, Ricardo Finazzi e Emílio Martins - Água Nova


Carlos Bernardo, guitarra, instrumentos exóticos e arranjos
Emílio Martins, bateria e percussão
Ricardo Finazzi, baixo elétrico, sons eletrônicos e samplers



9 de Junho – 19h
Ana de Oliveira Trio


Ana de Oliveira, violino
Silvio D’Amico, guitarra e arranjos
Toni Botelho, contrabaixo

16 de Junho – 19h
Quebra Pedra – Tributo a Ary Barroso


Thiago Picchi, saxofone e flauta
Luciano Correa, violoncelo
Márico Romano, percussão e bateria
Ana Santoro, piano

23 de junho – 19h
Jerzy Milewski e Nelson Faria
Tributo a Stéphane Grapelli


Jerzy Milewski, violino
Nelson Faria, guitarra
Toni Botelho, contrabaixo


30 de junho – 19h
Eloir de Moraes e Convidados
“50 anos de Jazz e Bossa”


Bateristas: Alfredo Gomes, Fernando Torres, Tião Cruz e Paschoal Meirelles.
Pianistas: Helvius Vilela, Haroldo Mauro Jr., Alberto Chimelli, Charles Rio e Chiquinho Chagas.
Baixistas: Sérgio Barroso, Edson Lobo, Norton Daielo.
Saxofonistas: Idriss Boudrioua, Mauro Senise e Rodolfo Novaes.
Flautista: Franklin
Trompetista: Bidinho

1.6.04

Enquanto isso, num dos meus recantos favoritos...



Alguns de vocês já conheceram Eric Taller, o grande, aqui em casa ou pelas quebradas cariocas. O que eu não sei se todo mundo sabe é que ele mudou-se para o Brasil e comanda a distribuição dos discos da Putumayo para todo o país.

Quem conhece o selo sabe que além de músicas do mundo todo de alta qualidade, ainda tem encartes lindos, com informações importantes para que se conheça o gênero, o artista, o país, o movimento ou a região abordada em cada título de CD.

Bom, estou contando isso tudo para que o convite abaixo faça ainda mais sentido pra quem anda por aqui.



Putumayo World Music
e
Sound System Attack


apresentam

FESTA DE LANÇAMENTO

do Novo CD da Putumayo

“World Reggae”


Uma jornada Musical no Reggae ao redor do Mundo!

- CD já a venda no Brasil -

Sexta-Feira, dia 4 de Junho
23:00h no Ballroom
Av. Humaita 110
Humaita, RJ
Tel: 2537-7600

Entrada: R$ 15
(R$ 12 com flyer ate 24:00h)



Produzido por
Sound System Attack em parceria com a Putumayo World Music

Live Percussion & Dancers
All Night!

Ganhe um CD da Putumayo!

RPSP: brasil@putumayo.com


ATRAÇÕES:
Digital Dubs Sound System
Uncle Jorge
Grave!
Urcasonica Sound System feat. U-Crew & Don Negrone
Marcelinho da Lua


Para receber mais informações sobre as festas da Putumayo no Brasil ou no exterior, contacte: brasil@putumayo.com



www.putumayo.com





APNÉIA DO SONO


O distúrbio do sono, que atinge até 9 por cento da população mundial, pode ter conseqüências graves, como arritmia e derrame, e deve ser tratado com o uso de um aparelho regulador da passagem de ar ou, nos casos mais graves, com intervenção cirúrgica. Quem sofre de apnéia ronca, mas nem todo mundo que ronca tem apnéia, distúrbio do sono caracterizado por diversas paradas da respiração ao longo da noite. As paradas ocorrem devido ao bloqueio da passagem do ar pelas vias respiratórias. A garganta fecha e a pessoa fica sem respirar por um instante. O estreitamento da faringe, garganta, leva, normalmente, ao ronco. Mas nem sempre o fechamento da estrutura é total, como acontece na apnéia. Às vezes, o ronco é somente uma vibração produzida pela garganta sem que esteja totalmente bloqueada.

A principal causa da apnéia é o excesso de peso. E pode ser agravada por ingestão de bebidas alcoólicas perto da hora de dormir, que provoca o relaxamento da musculatura do pescoço e tende a levar ao bloqueio do ar, e por cigarro, que irrita a garganta. Além disso, há um importante componente genético: pessoas que nascem com queixo "para dentro", com malformação da face ou com a amígdala grande têm maior tendência a desenvolver o problema, que é mais comum a partir dos 40 anos. O envelhecimento faz a musculatura da faringe ficar mais fraca. Crianças que roncam ou não conseguem respirar corretamente pelo nariz podem sofrer de apnéia mais tarde e necessitam acompanhamento médico.

O tratamento mais usado para corrigir o distúrbio chama-se CPAP, sigla para Continuos Positive Airway Pressure. Trata-se de um aparelho portátil, do tamanho de um telefone, acoplado a uma máscara que fornece um fluxo contínuo de ar sob pressão durante o período em que o paciente dorme. O aparelho permite que o ar chegue normalmente até os pulmões, porque dilata a faringe. A máscara é feita de material extremamente flexível, o usuário consegue dormir em qualquer posição.

O equipamento pode ser usado até que o paciente perca o excesso de peso e respire sem o seu auxílio. O índice de sucesso do CPAP é de quase 100 por cento. Isso significa que a pessoa praticamente deixa de sofrer paradas respiratórias que, em alguns casos, podem chegar a cem vezes em apenas uma hora".

E mais:

A insônia (segundo o dicionário Aurélio: "incapacidade, decorrente de causas diversas, de conciliar o sono"), um dos distúrbios do sono mais comum e pode ter como conseqüências sonolência, depressão, irritabilidade, disfunção sexual e dificuldades de aprendizado e memória. Pode também causar arritmia cardíaca, derrame e pressão alta.

(retirado daqui)
Certa vez, uma amiga me aconselhou a ser mais reservada. Dizia ela que sendo eu tão aberta e tendo tanta coisa bonita pra contar (sim, já disse, era uma amiga), estava abrindo a guarda e que algumas pessoas que se sentissem incomodadas com a felicidade alheia poderiam virar suas baterias contra mim. E o pior, continuava, é que esse tipo de pessoa agia pelas costas, armava intrigas e fofocas e poderia acabar influenciando pessoas próximas a mim.

Ela tinha razão em muita coisa. A questão é que não tenho controle sobre o comportamento de ninguém, além do meu próprio. Independente da forma como eu trate alguém, do que fale com essa pessoa, se seu espírito estiver armado, não importa o que, como, ou porque eu diga e faça, tudo e qualquer coisa pode ser interpretado da pior forma possível.

Há também a questão dos rótulos, tão práticos quanto injustos. Quem mora em tal cidade é assim, quem nasce sob determinado signo é assado. Haja! Mas o que é realmente interessante é que as pessoas que normalmente vivem com a maquininha etiquetadora nas mãos pulam que nem pipoca quando sequer suspeitam que possam estar também sendo enquadradas.

Mas tem muita gente que adora seguir diretrizes pré-estabelecidas, notícias pré-processadas, opiniões já formuladas. Para esses, ouvir o que outros tem a dizer e seguir a manada é mais simples do que analisar o comportamento que realmente testemunham. Muitos deliciam-se com as maledicências não só para delas tirarem algum alento para as próprias vidas vazias e infelizes, mas porque o diz-que-diz é a rosa-dos-ventos que vai apontar de quem se pode ou não gostar no momento.

O que esses pobres não se dão conta é que quem fala muito da vida dos outros pra eles, sendo os episódios verdadeiros ou não, vai falar da sua vida para os outros, da mesma forma. Ou aquele que se auto-proclama para o cargo de definir quais cabeças rolarão socialmente pode um dia acordar do lado esquerdo da cama e decidir decapitar membros de sua própria corte. E se todos acabam concordando com (ou temendo) seus poderes, por que não fomentar intrigas, instigar ódios, sem indispor-se diretamente com ninguém, desfilando seu sorriso pelos salões?

E foi nisso tudo que pensei depois da conversa com a minha amiga. Se alguém sumariamente se afasta de mim após dar ouvido a mexericos engendrados por uma alma vil, só posso agradecer ao que alguns chamariam de anjo da guarda por ter retirado pessoa tão mixuruca do meu campo vibracional. Só preciso dos seres de luz.

Além do mais, não posso tirar minha alegria do caminho pros desventurados passarem com suas dores. Afinal, eles é que são especialistas em recolhimento para a sombra, seu habitat, de onde espreitam e tentam atentar contra os que realmente vivem.

Por isso uma das minhas histórias favoritas é aquela que Caetano Veloso contou numa antiga peça publicitária, numa das primeiras campanhas do Natal Sem Fome, que era mais ou menos assim:

Um viajante de passagem por uma cidade reparou num homem que discursava na praça. Ele falava de solidariedade, justiça, compaixão. Versava sobre os males do materialismo e clamava pelo amor ao próximo. Insistia na necessidade de modificar a forma de enxergar o mundo e fazer dele um lugar melhor. O viajante também reparou que pouca gente parava para ouvir o que homem tinha a dizer, outros passavam e riam-se dele. Era chamado de louco. O homem, entretanto, continuava impávido.

Alguns anos depois, o mesmo viajante, passou pela mesma praça e viu o mesmo homem fazendo o mesmo discurso. Também era a mesma a reação das pessoas. O viajante dessa vez fez mais que observar: foi falar com o homem.

- Você não se cansa de falar dessas coisas nobres e bonitas pra essas pessoas que não querem ouvir e não podem entender o que você fala? Não vê que elas não vão mudar? Por que você não pára?

- Não posso parar. Senão eles terão vencido. Eles é que terão me modificado.

31.5.04

Hoje não vou assistir a telejornal.
Do jornal, só a parte cultural.
Fiz uma relação de nomes que precisam ser chamados.
Peguei meu livro. Fechei a porta. Deixei a boca maldita de fora. Que morda a própria língua e faleça. Quero só a minha história.
Entendi o que estava me intrigando. Não é bonito, mas é uma resposta. Preciso dormir longamente para digerir meu boi. Sapos andavam me dando soluços.
Ano de faxina histórica é assim: a gente faz feng shui sem nem se dar conta.
Agora é sentar, por os pés pro alto, puxar a manta sobre as pernas, curtir a literatura e o chá.
E respirar.

28.5.04

Ganhei um tratamento capilar de presente e quase deixo o prazo expirar neste mês corrido.

É muito bom usufruir de paparicação profissional sem gastar dinheiro com isso. E sair de lá mais bela? Ainda melhor.

Depois um chocolate quente que a tarde fresca pedia.

Mas na saída do shopping, ali na calçada, aparentemente o local combinada para o encontro, uma turma colorida e barulhenta me chamou a atenção. Elas tinham cabelos cor-de-rosa. Eles pinos metálicos em partes exóticas do rosto e do corpo. Uns de roxo, outros de preto, saias curtas, mangas compridas. Estavam excitados. Todos levavam bolsas grandes e malas. Uns trinta. Iam viajar.

Eu já preocupada com o meu atraso para o trabalho, não sabia se tinha algum festival de rock na cidade ou em algum lugar para onde eles estivessem indo. Acho o estilo interessante, mas ficaria ridícula se usasse a palavra "sinistro", quanto mais se copiasse a roupa daquelas meninas.

Ganho coisas grátis porque as pessoas me querem conquistar como consumidora.

Mas não posso por a mochila nas costas numa sexta-feira à tarde e sair por aí.

27.5.04

O entusiasmo conduz ao sucesso. A falta de entusiasmo só produz desculpas.

Walter Chrysler, fundador da Chrysler

"A oportunidade é como ferro: devemos batê-lo enquanto estiver quente."

José Hernandez

Errare humanum est.
Já que um dos sintomas da loucura é não perceber quando ela toma conta, talvez eu não devesse me alegrar tanto por ter mantido a lucidez diante da enxurrada de acontecimentos e tarefas dos últimos dias.

25.5.04

Eis aqui estou pronto para pela terceira vez ir ter convosco, e não vos serei pesado, pois que não busco o que é vosso, mas sim a vós: porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos.
(II Coríntios 12:14)

24.5.04

Maribel era sonsa. Aprontava seus números diante das pessoas certas e depois dissimulava com tanta perfeição diante dos demais que fazia com que suas vítimas até duvidassem do que tinham testemunhado.

Maribel desviava, conspirava, intrigava, usurpava, caluniava, difamava e mentia com cara de anjo e o povo quase lhe agradecia.

Maribel tinha de graça casa, comida, roupa lavada. E maldizia seu anfitrião, queixando-se a todos dos maus tratos que lhe impingiam.

Maribel não ganhava para seu sustento porque jamais trabalhara, mas nada lhe faltava porque sempre havia alguém que caia em sua troça.

Maribel tinha bons modos à mesa e fala mansa. Sabia contar piadas inocentes e era farta em bajulação.

Maribel armava o circo, tacava fogo e se ia embora.

Maribel estava sempre adoentada quando lhe pediam algum favor e esbanjava saúde quando era hora de gozar a vida.

Maribel usava sapatinho bonito, cabelo bem penteado e perfume francês. E pensava que escondia de mim o pé de bode, o chifre e o cheiro de enxofre.
You will know them by their fruits. Grapes are not gathered from thorn bushes nor figs from thistles, are they?
Matthew 7:16
A palavra da semana é LONGANIMIDADE.
O melhor presente que alguém pode dar a si mesmo é concientizar-se da própria responsabilidade sobre seu destino.

Enquanto se permanece culpando as outras pessoas, as contingências, o passado, ou seja lá o que for, não se evolui. É muito comum ver pessoas assim esforçando-se muito para não afundar, mas afundam sempre, porque são incapazes de reconhecer que estão fazendo o movimento errado.

Quem já tentou salvar alguém que se afoga sabe que isso é um perigo. O pânico faz com que o afogado puxe seu salvador para o fundo junto com ele. Com técnica, imobilizando, agarrando-o da forma adequada é possível ajudar e sair vivo. Caso contrário, jogue a bóia, mas não se aproxime demais.

Alguém que cava a própria ruína por toda a vida, rumina com morbidez suas tragédias e fracassos e ainda joga seus fardos sobre quem lhe cruzar o caminho não pode reclamar da infelicidade já que seu comportamento é como se a regasse diariamente.

Tornar-se leve aos ombros alheios, ao contrário do que possa parecer ao olho mais imediatista, agrega muito mais que chantagem emocional baseada em auto-comiseração.

Ninguém consegue amar quando está sobrecarregado.
Too much...

20.5.04

Em Utopia hoje tem chocolate quente, edredon e cafuné.
Na batata o que rola é dieta, microcomputador e muito trabalho.
Tem nada não.

18.5.04

Não sou rancorosa. Minha raiva, principalmente em relação às pessoas de que gosto muito, dura bem pouco. Mas... Sim, tem sempre um mas...

1 - Preciso verbalizar tudo o que me angustiou. Enquanto não ponho pra fora o que está me incomodando, minha relação com a pessoa fica envenenada e não consigo ser natural. Depois que falo (e ouço), as coisas voltam ao normal. Muitas vezes, apenas só pra mim.

2 - Fico irritadíssima quando quem pisou na bola comigo fica me paparicando para se desculpar. A puxação de saco só faz me lembrar o tempo todo do vacilo. Se quiser pedir desculpas, peça. Se tiver alguma coisa a esclarecer, esclareça. Mas não fica me adulando. Solta o texto e me dá um tempo para equalizar o pH do fígado.

3 - Facada nas costas não cicatriza.

4 - Certos casos nada tem a ver com perdão ou esquecimento. É só antipatia mesmo.

5 - Errar é humano, persistir no erro me causa náuseas eternas.

17.5.04

A semana passada foi bastante cinematopgráfica pra mim. Teve Kil Bill (argh! bleagh! puft!) na segunda, Duplex na quarta, Invasões Bárbaras em dvd na quinta e Diários da Motocicleta no sábado.

Invasões Bárbaras parece jiló, que eu adoro, mas é bem amargo. Fiquei
pensando num monte de coisas que acabaram se encaixando depois com o que senti ao assistir a Diários da Motocicleta. O último foi uma experiência maravilhosa. O filme é bem feito, bonito e, na falta de um adjetivo melhor, importante, muito importante nesses dias que correm. Ele me provocou uma avalanche de emoções (ainda mais, como disse, tão próximo de Invasões Bárbaras) que achei difícil colocar em palavras. Só conseguia pensar algo como:"A pior parte da vitória deles foi ter aniquilado o sonho."

E então, li este artigo na coluna Entre Nós do Pedro Blank, na Revista de Domingo do JB e me senti um pouco aliviada por ter encontrado alguém que entendesse o tipo de coisa que estava se passando em mim naquele momento.

Destaquei a parte que mais me tocou em negrito.




O Generoso Che

Nossos escritos são nossas próprias leituras do mundo e, curiosos como
naturalmente somos, procuramos encontrar alguém que pense da mesma forma, nos basta ao menos um. Acontecendo, permitimos que outros possam discordar de nós totalmente e até venham a gerar uma nova forma no nosso próprio ato de ler". (...)os escritos não passam de uma leitura do mundo que traz para perto os semelhantes e estabelece contato com os diferentes. Meu próximo não é meu semelhante, costumava dizer um dos meus mestres preferidos, o psicanalista mineiro Célio Garcia.

(...)Contração receptiva, eis o mistério do que chamamos de relação e que se reflete na comunicação que tecemos nesta página. Um mestre cabalista do século 16, o Ari de Zfat, da Galiléia, fez a pergunta: se tudo é Deus, como pode haver mundo? De modo surpreendente, concluiu que Deus se contraiu para que pudesse haver um espaço desocupado de sua presença e onde o mundo pudesse existir. Neste caminho, outros sábios construíram uma visão em que a relação entre os homens só pode existir à medida que aprendemos a contrair a mente para que o outro se faça mundo. É esse o motor de toda generosidade.

Generosidade é atitude que só surge se aprendemos a contrair a nossa mente egoísta por natureza e deixamos que o mundo nos afete e nos surpreenda. Esta generosidade tão fora de moda é que levou o jovem Che, montado na La Poderosa, a encontrar no meio da selva amazônica o início de uma vida doada ao próximo radicalmente diferente dele, os internos do leprosário de San Pablo. O que impressiona na viagem conduzida por Walter Salles no filme Diários de motocicleta é a ausência de discursos calcados em mensagens partidárias pré-fabricadas. Trata-se, isto sim, do antigo apelo que a mente bíblica trouxe para o mundo; a descoberta da existência do outro nos obriga a um compromisso de responsabilidade com ele. É a generosidade comprometida do jovem Che que o atira no Rio Amazonas em direção ao leprosário isolado pelas águas caudalosas e o leva a encontrar, em uma terceira margem, um destino hoje chamado de idealista com certo tom de desprezo. O desejo de libertar os abandonados da impiedosa indiferença a que são submetidos aparece no filme como resultado desta estranha e radical conversão ao outro.

O maior trunfo do neoliberalismo não é o papo do fim da divisão entre
esquerda e direita. A grande vitória do capital sobre a generosidade é a transformação do sentimento de indiferença numa atitude banal e presente em nosso dia-a-dia.
Indiferença e cinismo que nós cariocas vemos diariamente nas jogadas politiqueiras de nossos governantes e que vamos passivamente incorporando às nossas vidas junto com o medo que enclausura os corações e constrange as mentes. Mas, para ser realista, não acredito que a idéia da contração receptiva interesse a quem realmente precisa dela, os egos expandidos do poder achariam este papo um grande despropósito. A contração e a generosidade acabam sendo o objetivo de uma minoria persistente, uma ilhota de esperança no mar da indiferença.